Por trás de uma grande mulher….

 Em 1948, morria sozinha e desconhecida em Zurique, Mileva Maric. Poucas histórias no mundo científico seriam tão dolorosas e injustas como a dela!  Uma mulher brilhante, com pensamentos e atitudes muito além do seu tempo!  Nascida num período em que as mulheres eram responsáveis pela criação dos seus filhos e pela manutenção da casa, Mileva, diferentemente das demais, tinha outros anseios. A sua vocação para os estudos, e seu interesse por temas relacionados à Física e à Matemática, levaram o seu pai a pleitear uma permissão especial para que ela estudasse numa Escola Secundária, que, na época, era apenas para homens. No Outono de 1896, ela ingressou no renomado Instituto Federal Suíço de Tecnologia -ETH, em Zurique, onde iniciou os seus estudos de Física. Era a única mulher numa turma de seis alunos, e a quinta mulher a fazer parte daquela instituição.  Nesse mesmo ano, ingressava na mesma classe de Mileva, o jovem Albert Einstein, por quem mais tarde ela se apaixonaria e se casaria.

Einstein, Albert (1879-1955), Einstein-Maric, Mileva (1875-1948)

Disponível em wikimedia, acessado em 16/05/2017

Sabe aquele ditado que diz que por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher? Pois é! Acho que, no caso de Maric, a história dessa grande mulher, por uma ironia ou não do destino, foi ofuscada e escondida por trás de Albert Einstein.

No início, tudo não passava de uma relação de estudos compartilhados, experiências, ideias e inspiração mútua. Mileva se destacava nos estudos e isso fascinava o jovem Einstein, que logo se sentiu atraído pela jovem e passou a cortejá-la. Mesmo se sentindo atraída por ele, Maric renunciou por várias vezes o envolvimento, afinal, ela estava ciente dos desafios que enfrentaria como mulher num mundo estritamente masculino e preconceituoso.  Finalmente, depois de muitas investidas, em 1898, Mileva e Einstein se tornaram um casal e, nesse mesmo ano, os dois colaram grau. Einstein graduou-se, em Física, em 1900, enquanto Maric tentou duas vezes obter um diploma, mas seus esforços foram interrompidos quando ela ficou grávida em 1901. A filha, mantida em segredo pelas famílias, provavelmente foi dada em adoção ou faleceu depois do nascimento, só sabemos dela, graças às cartas deixadas por Einstein. Deprimida e envergonhada com a gravidez, Mileva retorna à casa dos seus pais e abandona definitivamente os planos de se graduar na ETH. Em janeiro de 1903, depois de vários conflitos, Einstein e Mileva, finalmente, se casaram.

Em 1905, Einstein publicou a primeira versão da Teoria da Relatividade, na qual o nome de Mileva aparece como coautora. No entanto, não sabemos o porquê, essa referência desaparece nas versões posteriores. Ao que tudo indica, Mileva teve papel decisivo na elaboração da Teoria da Relatividade, e isso está mais evidente num conjunto de 54 cartas de amor trocadas entre eles, encontradas em 1986, em que Einstein fala por várias vezes “a nossa teoria”, “nosso trabalho” e “nossa investigação” . Em uma das cartas, ele escreveu: “Quão feliz e orgulhoso serei quando nós dois juntos tivermos levado nosso trabalho sobre o movimento relativo a uma conclusão vitoriosa!”

Mas, quando Albert subiu para a estratosfera científica, Mileva foi relegada aos deveres domésticos e a criação dos filhos. Cada vez mais solitária e isolada, ela se tornou presa de suas próprias inseguranças, que a mergulharam numa depressão. Foi um destino trágico para uma mulher que não era apenas um gênio em seu próprio direito, mas que também pode ter contribuído para a Teoria da Relatividade.

 Separaram-se em 1914 e divorciaram-se dois anos mais tarde. Como parte do acordo, Einstein prometeu a Mileva os valores provenientes do Prêmio Nobel, dinheiro que ela recebeu em 1922. Ele nunca mais voltaria a produzir física ao mesmo nível da obra de 1905.

Referências:

WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Mileva Maric´. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Mileva_Mari%C4%87>. Acesso em: 16 de maio de 2017.

 DORIAN COPE. THE DEATH OF MILEVA MARIC. Disponível em: <http://www.onthisdeity.com/4th-august-1948-the-death-of-mileva-maric/>. Acesso em 06 de maio de 2017.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS/ INSTITUTO DE FÍSICA. Albert Einstein & Mileva Maric.  Disponível em:<http://www.if.ufrgs.br/einstein/mileva.html>. Acesso em 06 de maio de 2017.

Mulheres negras no cotidiano da cidade de salvador no século XIX

 

Olá, pessoal do PW!

Vocês já pararam para pensar sobre as experiências sociais das mulheres no passado? Esse texto convida a refletir a esse respeito, incorporando ao nosso repertório de conhecimentos histórias sobre mulheres negras no cotidiano da Bahia do século XIX.

1133a78b0ae2211cf170c4f2fa49d63a

Mulher negra na Bahia. 1885. Por: Marc Ferrez

A família e a sociedade no Brasil são temas comumente pensados a partir dos pressupostos teóricos de Gilberto Freyre, na obra Casa Grande & Senzala (1933). Em seus escritos, as mulheres negras comparecem na condição de escravas a serviço da lavoura e da casa grande. É importante que professores e estudantes não se acostumem a pensar em um Brasil constituído assim, sob essa hierarquia estática e imutável. A realidade social é bem mais fluida e dinâmica e a historiografia tem sido acrescida de pesquisas que descrevem trajetórias de mulheres negras que tiveram um papel social mais amplo do que apenas escravas. É importante que professores e estudantes pesquisem e conheçam outras faces do cotidiano feminino no período oitocentista, para não incorrer no equívoco de pensar que apenas homens brancos fizeram história.

Como exemplo desse acréscimo de pesquisas, temos as discussões da  antropóloga Cecília Moreira Soares (1994) sobre como as mulheres negras tiveram um papel destacado no mercado de trabalho urbano, tanto como escravas de ganho quanto como mulheres livres e libertas, sublinhando que no espaço da rua elas tinham possibilidade de ter uma posição mais autônoma. Elas circulavam na cidade com seus tabuleiros, gamelas e cestas, ocupando ruas, praças e mercados. É preciso conhecer essas novas pesquisas que dão visibilidade às experiências sociais das mulheres negras. Jane de Jesus Soares (2009) pesquisou arranjos familiares na cidade de Salvador, reconstituindo a geografia da freguesia da Sé no século XIX e constatou que mulheres negras assumiam a posição de chefes de família na Salvador oitocentista. Adriana Dantas Reis Alves traz como objeto de sua tese a escrava jeje Luzia Gomes de Azevedo, que teve seis filhos com o senhor de Engenho Manoel de Oliveira Barroso, morador da freguesia de Paripe. O que chama a atenção na trajetória de vida dessa escrava é o fato de que os seis filhos foram legitimados pelo capitão e reconhecidos como seus herdeiros.

Esse é uma pequeno ensaio que tem por fim trazer um recorte da área de pesquisa sobre mulheres negras na Bahia, mostrando como esse tema é profícuo e importante para toda a comunidade escolar.

Valdineia Oliveira

Prof. de História da Rede pública Estadual da Bahia

FONTES:

ALVES, Adriana Dantas Reis. As Mulheres Negras por Cima O Caso de Luzia Jeje: escravidão, Família e Mobilidade Social – Bahia, 1780 -1830. (Tese de doutorado) UFF, 2010.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Editora Record, Rio de Janeiro, 1998,  34ª edição.

SOARES, Cecília Moreira. Mulher Negra na Bahia do Século XIX. (dissertação de mestrado) UFBA, Salvador 1994.

SOARES, Jane de Jesus. Mulheres Chefes de Família, Maternidade e Cor na Bahia do Século XIX. Feira de Santana, UEFS, 2009.

Fique ligado!

 

Olá, pessoal! Preparado?

É positivamente válido revelar experiências exitosas no cenário educacional, notadamente, quando elas vêm de sujeitos que valorizam e lutam por uma educação cada vez melhor.

O quadro “Faça Acontecer” que integra o Programa Intervalo da TV Anísio Teixeira (TVAT)/ Rede Anísio Teixeira  trata-se de um documentário em que, educandos da rede estadual de ensino, participam de atividades, seleções ou premiações incentivadas pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura / SEC.

Atavés dos projetos que estimulam o pensar educativo, científico, cultural e tecnológico orientados pela Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996) como: Festival Anual da Canção Estudantil (FACE), Artes Visuais Estudantis (AVE),Projeto Tempos de Arte Literária (TAL),Produções Visuais Estudantis (PROVE), Feiras de Matemática, Feira de Ciências e Jogos Estudantis da Rede Pública (JERP) para o fomento de atividades socioculturais que, para além dessa proposta, são atividades que estimulam a criatividade e criticidade  dos educandos com o propósito de valorização e divulgação de um produto, sem perder de vista sobretudo, o reconhecimento das questões identitárias dos sujeitos.

A proposta do “Faça Acontecer” versa por diferentes áreas do conhecimento o que permite, portanto, um diálogo interdisciplinar. O ponto forte desse quadro é, sem dúvida, revelar as potencialidades bem como o protagonismo estudantil dando visibilidade à sua produção e criação, claramente percebido  na fala do educando Pablo de Jesus,participante do AVE 2010,de Morro do Chapéu -BA. Assista ao vídeo abaixo e confira!

video

Como fica evidente, o documentário aborda , a trajetória do estudante até a conquista da premiação, o enfrentamento e a superação de suas dificuldades revelando, consideravelmente, o papel da família e da comunidade escolar como os pilares para a realização do desejo de cada participante.  Para assistir aos demais vídeos acesse nosso ambiente!

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/episodios/id/6

Por fim, o “Faça Acontecer” é uma grande oportunidade de mostrar a sociedade  as potencialidades dos educandos . A exemplo de Mirela Andrade de Jeremoabo- BA, com seu projeto “A Geografia da fome” revela  grande contribuição  para um problema bastante gritante,  não somente no nosso contexto social, mas global. Seu trabalho científico ganhou a Feira de Ciências da Bahia em 2011 e teve ainda repercussão nacional  na Feira Brasileira  de Ciências e Engenharia (FEBRACE) em 2012 .

  Então! O que está esperando? Você, como muitos e tantos outros, pode ser o protagonista do próximo “Faça Acontecer”! Portanto, fique ligado no “Encontro Estudantil” e revele seu talento!

Mônica de Oliveira Mota

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Arte perigosa!

Salve, gente boa que prestigia o nosso blog!

Muito provavelmente você já viu alguém fazendo pinturas incríveis em azulejos em alguma calçada. São verdadeiras obras de arte que exprimem sensibilidade e criatividade. Normalmente, são artistas de rua que usam os dedos para dar efeitos impressionantes à tinta que é aplicada ao azulejo através de spray como na foto 1, a seguir:

arte perigosa

Foto 1: Arte perigosa! Por Sílvia Santana.

A mistura de tinta com ar, formando uma dispersão de pequenas partículas, chamada de aerosol, pode ser obtida através de latas de spray (foto 2) ou produzida com o auxílio de um sistema de bombeamento (bombas ou borrifadores de inseticida ou equipamentos específicos, como compressores de ar acoplados a recipientes que permitem borrifar a mistura).

Spray_cans

Foto 2: Latas de tinta em spray. Por Levi Siuzdak – Obra do próprio, GFDL, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5225012

Na foto 1, os pintores são três crianças que usam os dedos como pincéis e as suas camisas para retirar os excessos de tintas e aplicar efeitos. Eles usam o mesmo tipo de tinta dos artistas que fazem grafite.

Para saber mais sobre o grafite, veja a postagem: Graffitti: a arte nas ruas – Expressão e liberdade!

Disponível em: https://oprofessorweb.wordpress.com/2013/04/15/graffiti-a-arte-nas-ruas-expressao-e-liberdade/

Veja também o episódio do quadro Cotidiano: Salvador, Salve a Cor

Disponível em: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3938

No uso das tintas spray, os fabricantes recomendam o uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), tais como máscaras, óculos de proteção e luvas. Sem qualquer tipo de proteção, os pintores de azulejos têm uma exposição muito prolongada aos componentes das tintas, uma vez que além da inalação típica da produção no grafite, usam as mãos para dar formas às tintas.  Para remover a tinta impregnada no seu corpo, costumeiramente, usam solventes orgânicos como gasolina ou removedor, ambos comprovadamente tóxicos.

As tintas spray já apresentam na sua composição solventes orgânicos (tolueno, xileno e derivados). As tintas mais baratas e as importadas clandestinamente, que não sofrem fiscalização, podem conter também metais pesados como o chumbo, o níquel e o cádmio, que são neurointoxicantes e bioacumulativos.

Os solventes orgânicos, de modo geral, são depressores do sistema nervoso central e, de acordo com o período, freqüência e intensidade da exposição, provocam desde sonolência, confusão mental e cefaléia, até depressão respiratória, coma e morte (PEDROZO & SIQUEIRA, 1989).

Os autores citam ainda como consequências: a dependência psíquica mais ligada à intensidade da exposição do que do tipo de solvente, e a  ansiedade e a depressão que podem surgir quando o uso é descontínuo. Se a exposição começa muito cedo como no caso do registro fotográfico do início dessa postagem, os efeitos cumulativos podem ser ainda mais nocivos à saúde.

A foto 1 expressa, ao mesmo tempo, a arte que deixa turistas encantados, o talento quase natural das crianças em paralelo à condição de risco à saúde e ao trabalho precoce que serve como fonte de renda. Trata-se de um quadro real que precisa ser objeto de reflexão, regulamentação e de transformação. Como você interpreta esse quadro? Poste seu comentário!

Referências:

PEDROZO, M. de F.M. & SIQUEIRA, M.E.P.B. de. Solventes de cola: abuso e efeitos nocivos à saúde. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 23:336-40, 1989.

Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico. TINTA SPRAY USO GERAL. Orbi Quimica. 2014. Disponível em: <http://orbiquimica.com.br/site/wp-content/uploads/2014/04/FISPQ-TintaSprayUsoGeral.pdf>. Acesso em 18 de abril de 2017.

Escritores Baianos, Aqui e Acolá

Abril. Abre-se, em nosso blog, um espaço maior para a literatura. Nossa escolha é dar visibilidade à produção literária do estado da Bahia e estimular a apreciação estética das obras destes novos escritores. Ao mesmo tempo, realizaremos uma conversa entre a literatura e outras linguagens artísticas aqui produzidas, como teatro, dança, música e audiovisual.

Durante o ensino médio, nas aulas de Literatura, há a recomendação ou exigência da leitura de vários livros clássicos, de autores brasileiros ou portugueses. Para a maioria dos estudantes, essa atividade é extremamente desafiadora: ler livros que foram escritos há séculos, com uma linguagem bastante diferente da nossa, descrevendo uma realidade aparentemente muito distante.

Respeitando os direitos imprescritíveis do leitor, como sugere Daniel Penac, …

O direito de não ler;  de pular as páginas; de não terminar de ler o livro; de reler; de ler no importa o quê; o direito ao “bovarysmo”; de ler não importa onde; o direito de “colher aqui e acolá”; o direito de ler em voz alta;  de se calar.”

… em algum momento haverá o reconhecimento de que esses textos da escrita universal permitem ao leitor descobrir mais sobre a alma, o mundo e os recursos estilísticos da língua. Seus autores são verdadeiros artistas, são artistas da palavra: esculpem a língua com cuidado e estilo e põem em evidência os principais conflitos da existência humana.

Desta vez, no Blog queremos dar espaço aos novos escritores. Na última década houve uma diversificada atividade literária com produção de livros de novos autores que, infelizmente, por circunstâncias de distribuição, não chegaram às livrarias do país. Esta é uma boa ocasião para apresentar escritores que estão aqui – os que nasceram, residem e produzem em sua própria terra – bem mais perto que imaginam. Não digo apenas dos escritores de obras consagradas,  nascidas em terras nossas, digo mesmo dos contemporâneos escritores.

Entre 2015 e 2016, num projeto denominado Mapa da Palavrafoi constituída uma chamada pública para a seleção de produções artísticas e literárias realizadas em nosso estado. Resultado: duzentos e setenta e cinco artistas da palavra se cadastraram e tiveram suas obras publicadas em plataforma virtual ou em versão impressa. Teremos aqui no blog, na TV e na nossa Rádio Anísio Teixeira grandes encontros e conversas com escritores da nossa Bahia.

De abril em diante, algumas postagens estarão aqui para “degustação”. Aguardem! Enquanto isso, podem ir se deleitando com o que a Rede Anísio Teixeira produziu no quadro “Poesia de Cada Dia” com textos de poetas brasileiros. Aqui, apenas um dos muitos que vocês podem acessar no Ambiente Educacional Web.

Até mais!

Lilia Rezende

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

 

 

Feminismo: isso é coisa de quem luta por igualdade de direitos

Em 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe temáticas que estão na pauta do movimento feminista em duas de suas provas: a de Redação e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Obviamente, o fato de os responsáveis pelo ENEM abordarem tal assunto não foi à toa. A necessidade de discutir feminismo parte de uma demanda social urgente, que tem no seu cerne a luta por direitos iguais para todos os gêneros.

De acordo com a historiadora e cientista política Céli Regina Jardim Pinto, a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX, quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto”, p. 15. No Brasil, o ponto de partida da luta feminista se deu no início do século XX, através de Bertha Lutz, também tendo o direito ao voto como principal bandeira. Contudo, ao longo do tempo, outras pautas tornaram-se necessárias para o movimento. Por isso, é possível dizer que há vários feminismos.

Fig. 1: Simone de Beauvoir: referência máxima do movimento feminista. Imagem: reprodução do site The Simone de Beauvoir Society

Nesse sentido, existem grupos feministas que reivindicam questões específicas, a exemplo das lésbicas, das mulheres negras e das mulheres trans. Obviamente, há temas que são comuns a todo mundo, como a busca pelo fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, a liberdade sexual, a descriminalização do aborto, o fim da violência doméstica e da cultura do estupro, entre outras. Para as feministas, a sociedade deve entender e respeitar que as mulheres são livres para fazer as próprias escolhas. Feminismo não é o contrário de machismo, que é uma forma de dominação socialmente aceita e, ainda hoje, incentivada. Ser feminista é ter consciência de que os direitos devem, de fato, ser iguais, tanto para homens quanto para mulheres.

A prova de Ciência Humanas do ENEM 2015, na questão 42, reproduziu o seguinte trecho do livro O Segundo Sexo, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, referência máxima quando se fala em movimento feminista: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. O que Beauvoir quis dizer? Djamila Ribeiro, em texto publicado no site da revista Carta Capital, explica: “…ao dizer que ‘não se nasce mulher, torna-se’, a filósofa francesa distingue entre a construção do ‘gênero’ e o ‘sexo dado’ e mostra que não seria possível atribuir às mulheres certos valores e comportamentos sociais como biologicamente determinados”. Então, repetir frases como “Isso é coisa de mulher”, é um dos equívocos de que precisamos nos desfazer para assumir uma postura menos machista. Afinal, ninguém nasce machista, torna-se.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referências:

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Redação e de Linguagens Códigos e suas Tecnologias, Prova de Matemática e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, História e Poder. Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 18, n. 36, p. 15-23, jun. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

RIBEIRO, Djamila. Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limites de Feliciano e Gentili. Carta Capital, Opinião, Sociedade, 3 nov. 2015. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/simone-de-beauvoir-e-a-imbecilidade-sem-limites-de-feliciano-e-gentili-6444.html>. Acesso em: 31 mar. 2016.

É fogo!

Oi, galera! Tudo beleza? Espero que sim! Hoje, vamos falar de eletricidade! Pois é! Esse tema é fascinante e desperta a curiosidade de muita gente! No entanto, qualquer intervenção na rede elétrica  deve ser feita apenas por profissionais especializados, mesmo aqueles reparos mais simples!

Segundo dados estatísticos obtidos da ABRACOPEL (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) as instalações elétricas inadequadas aparecem como uma das principais causas de incêndio e de choques elétricos, o que reforça a ideia de que elas devem ser sempre revisadas e seus princípios de funcionamento compreendidos por todos os seus moradores, a fim de reduzir riscos de choques elétricos e incêndios.

Uma prática que tem colaborado para o aumento dessas estatísticas é o hábito que as pessoas têm de plugar vários aparelhos numa mesma tomada, utilizando benjamim ou réguas. Essa prática, apesar de muito comum, oferece vários riscos! Quando temos vários equipamentos de alta potência (ferro elétrico, micro-ondas, geladeira, etc.) conectados através de um benjamim, há um risco iminente de incêndio. Isso porque  o aumento de potência em uma parte do circuito faz com que naquele ponto haja um aumento da corrente circulante, o que gera a dissipação de energia elétrica sob a forma de calor, também conhecido como efeito Joule. Se os condutores e a tomada estiverem submetidos a condições de tensão e corrente fora das especificações do fabricante, essas condições levarão ao aquecimento do condutor, podendo ocorrer o derretimento da camada isolante que recobre o benjamin ou mesmo o fio, gerando curtos-circuitos ou mesmo choques elétricos.

prevencao-acidentes-domesticos-eletricidade-choques

Disponível em ABRACOPEL, acessado em 06/04/2017

Uma pesquisa realizada pela ABRACOPEL  revela que 86% dos usuários já levaram algum tipo de choque elétrico, sendo que 20% destes  ocorreram ao trocar tomadas ou lâmpadas!

Em virtude dessas estatísticas, cabem algumas dicas ao lidar com a rede elétrica:

  • ao trocar lâmpadas, instalar ou dar manutenção em chuveiros e outros equipamentos ligados à rede elétrica, sempre desligue o disjuntor na caixa de distribuição;
  • nunca utilize os chamados “Tês” ou benjamins e extensões em geral para conectar vários aparelhos numa mesma tomada;
  • não utilize ou manipule aparelhos ou rede elétrica com as mãos ou corpo molhado. A água não é condutora, mas quando misturada ao suor, ela passa a conduzir, aumentando risco de choques. ;
  • crianças são curiosas e muito ativas, por isso, utilize sempre tampas (normalmente feitas de material plástico) para impedir que os pequenos introduzam seus próprios dedos e utensílios metálicos nas tomadas;
  • jamais tente apagar fogo na rede elétrica ou em aparelhos elétricos com água! Nesses casos, deve-se utilizar um extintor de incêndio ;
  • E, finalmente, em caso de choque elétrico, nunca toque na vítima! Tente localizar o disjuntor e desligue-o imediatamente. Caso não seja possível, tente afastar o fio ou o corpo da vítima, utilizando um material isolante (barrote de madeira seca, tubo plástico ou jornal dobrado).

Aprenda um pouco mais acessando o Ambiente Educacional Web. Lá, você encontrará uma variedade de conteúdos digitais! Até a próxima!

Referências:

Prevenção de acidentes domésticos com energia elétrica. Disponível em: http://www.clamper.com.br/blog/prevencao/prevencao-de-acidentes-domesticos-com-energia-eletrica, acesso em 06 de abril de 2017.

 Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade. Disponível em: http://abracopel.org/estatisticas/releases/acesso em 06 de abril de 2017.

Programa Casa Segura.Disponível em : http://programacasasegura.org/br/economia/sobrecarga-pode-causar-curtos-circuitos-e-incendios/, acesso em 06 de abril de 2017.

Portal SESMT, Segurança Elétrica. Disponível em:
http://www.sesmt.com.br/Blog/Artigo/normas-nr-10-seguranca-eletrica, acesso em 06 de abril de 2017.

Portal EngHall. Disponível em:
http://www.cursonr10.com/curso-nr10-choque-eletrico.html, acesso em 06 de abril de 2017.