(Des)Sustentabilidades ambientais

Olá, comunidade!

A cada ano, chegamos ao mês de Junho com a possibilidade de rediscutirmos mais intensamente sobre os caminhos que devemos escolher para vivermos com mais harmonia, respeitando as culturas, identidades e o meio ambiente. Ou seja, discutir a melhor estratégia de nos relacionarmos com o meio ambiente de maneira sustentável. Será que estamos conseguindo, ao menos, discutir estas questões democraticamente? Será que os rumos dessas discussões podem, efetivamente (ações de políticas públicas), transformar nosso comportamento desenvolvimentista? Será que realmente respeitamos a diversidade étnica? Uma coisa temos em mente: caminhar é preciso…

foto 1

Fig. 1: Caminhar é preciso. Imagem: Peterson Azevedo

É pensando nessas questões, que devemos refletir sobre qual Brasil queremos construir para a nossa e as futuras gerações, para que realmente possamos dialogar sobre os possíveis caminhos que consigam, de maneira equânime, planejar o desenvolvimento econômico e social, pensando em uma organização do espaço de forma sustentável. A tecnologia, a ciência e a informação devem referenciar esta conversa, mas tendo como principal objetivo o de respeitar e valorizar as culturas e a etnodiversidade do lugar. A revolução técnica-científica-informacional não pode exclusivamente estar a serviço do capital, pois esta relação fragiliza diretamente as estruturas sociais e seu pleno desenvolvimento, constituindo uma visão superficial do território, desconsiderando os valores culturais e étnico do espaço como um todo, especificamente dos valores compactuados pelo lugar.

Pensando em um caminhar propositivo, crítico, contextualizado e respeitando as territorialidades, trago a experiência do movimento indigenista e social – Articulação dos povos indígenas do Brasil, associação que representa as questões indígenas e suas etnias no país, como exemplo de mobilização, não apenas em defesa ao direito à terra, mas também como instrumento de luta, para a conservação da biogeografia do país. Devemos lembrar que, quando falamos de questões ambientais, não nos referimos apenas às questões de flora e fauna, mas dos processos urbanos, econômicos e de organização e gestão do espaço construído e historicizado. As populações tradicionais, como os povos indígenas, os quilombolas, os povos da maré e os sertanejos, mantêm uma relação de identidade e de sustentabilidade muito intensa e afetiva com a terra, para além apenas da manutenção do capital. É na terra que esses povos constroem sua história, onde se relacionam, onde transformam a paisagem por meio de suas manifestações culturais, heranças das matrizes coloniais. Neste ano, o movimento de articulação dos povos indígenas do Brasil contou com o voluntarismo de artistas e ativistas brasileiros em prol da luta pela terra e pela liberdade à etnicidade. Eles produziram uma campanha audiovisual, para alertar a população da importância ambiental de conservarmos e preservarmos as terras indígenas em sua totalidade biológica e cultural. Aprecie sem moderação:

Vídeo 1 – Demarcação Já. Letra composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César.

Um outro exemplo de luta que quero compartilhar é o depoimento de um grande ancestral americano, que já nos alertava sobre a velocidade voraz do capital em detrimento aos recursos do planeta. Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, escreve uma carta em resposta ao avanço imperialista do presidente norte-americano Francis Pierce. Segue um trecho da carta. “O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. […]

foto 2

Fig. 2: O toré. Imagem: Peterson Azevedo

Apesar da formação cultural desses povos estar ligada à terra, é equivocado pensarmos que eles não desenvolveram suas estruturas comunicacionais. Os povos tradicionais também estão inseridos no ciberespaço e na cibercultura, mas não se distanciam das raízes, mostrando novas possibilidades do uso e da apropriação das novas tecnologias como aliadas e não apenas como sistema de consumo. Os povos tradicionais não são contrários ao desenvolvimento, mas questionam as ferramentas e os interesses desse “desenvolvimento”, que tem como objetivo principal a manutenção do poder e o controle do capital, tendo e entendendo o lugar e o território como suporte materialista dessa engrenagem. Desenvolvimento não necessariamente está relacionado à obtenção do capital, à exploração da força produtiva e do uso indiscriminado dos recursos naturais; desenvolver é dar plena liberdade de se expressar culturalmente, ter acesso aos bens materiais básicos em sua plenitude, ofertar o direito de ser em sua magnitude. O desenvolvimento não deve estar unicamente relacionado ao dinheiro, mas à plenitude sustentável do espaço e da pluralidade cultural. A revolução técnica-científica-informacional não deve estar a serviço do capital e sim do desenvolvimento sustentável acessível para todos. “Quando a ciência se deixa claramente cooptar por uma tecnologia cujos objetivos são mais econômicos que sociais, ela se torna tributária dos interesses da produção e dos produtores hegemônicos e renuncia a toda vocação de servir à sociedade. Trata-se de um saber instrumentalizado, em que a metodologia substitui o método”. (SANTOS, p.7. 1988).

foto 3

Fig. 3: Sertão-Lindo. Imagem: Peterson Azevedo

Pensemos em um desenvolvimento sustentável pleno e autônomo, sem restrições étnicas e sociais, sem amarras ao capital e pensando na hegemonia e independência do lugar, mas do lugar empoderado e não subserviente ao território e às estruturas de poder do capital perverso.

Até mais!

Peterson Azevedo
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado, fundamentos teórico e metodológicos da geografia. Hucitec. São Paulo. 1988

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB. Disponível em:

<https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/>. Acesso em 05 de Junho de 2017.

A carta do Cacique Seattlel, em 1855. Disponivel em:

<http://www.culturabrasil.org/seattle1.htm>. Acesso em: 05 de Junho de 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Ser Professor. Ecovento. Disponível em:

<http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3929>. Acesso em: 05 de junho de 2017.

AFRObetizando: abadá ou abatá?

Pintura2

Imagem: http://outraspalavras.net

Axé, mano!

? Calma, xará! Falta pouco! Carnaval está chegando! A propósito, já comprou seu abadá? Nem só de português vive o português! Se você é tagarela, então vamos bater um papo! Você sabia que, muito do que falamos tem sua origem em línguas africanas e falamos “africanglês”? Talvez, nem precise andar com um dicionário na mochila!

Pra ninguém mangar de você e achar que você é um babaca, é melhor se informar! E se alguém te chamar de dengoso, ligue não! Só não dê uma de nenê! Você não precisa mais de nenhuma babá. Também não vale xingar, ficar ranzinza ou se encher de cachaça!

Anda meio borocoxô? Está com calundu porque não achou ainda um xodó? Fique não! Precisa de um cafuné? Pare de dengo! Está com fome? Prefere quiabo, maxixe ou jiló? Quer farofa, canjica ou mungunzá ? Humm! Um acarajé fritinho num dendê virgem vai bem. Tem que comer, senão fica com cara de zumbi! Pra não ficar zonzo com tanta indagação, vai aqui uma informação.

Lá no cafundó da África, no Quênia, uma ONG chamada “Ocean Sole”, situada em Nairóbi, as pessoas estão colocando a mão na massa, ou melhor, na água. Elas recolhem abatás, quer dizer, chinelos e outros materiais abandonados no mar. O volume desses objetos nas águas as transformam em verdadeiros “ Oceanos de Plástico” e provocam catástrofes à vida de aves e animais marinhos. Os objetos são transformados em brinquedos e peças gigantes de decoração que já conquistaram vários lugares no mundo, como em zoológicos, parques e lojas. Além de limpar as praias, o projeto impulsiona o desenvolvimento econômico e local da região. Para mais informações, assista ao vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=OzHUwmrOpFE.

chinelos

Captura de tela do site www.feac.org.br. Acesso em 19/11/2015.

Mas, tem novidade por aqui! O Novembro é Negro e o colorido vem Bahia. Outra iniciativa, ecologicamente correta, são os livros de plástico. A coleção “Eu Vim da Bahia”, lançada recentemente, reúne seis livros ilustrados com celebridades baianas. Feitos de embalagens de chocolate e salgadinho pós-consumo que, segundo idealizadores, a impressão consome 20% menos de tinta e não rasga. No tema educação, o homenageado foi Anísio Teixeira . Sem lenga-lenga, a cultura afrobaiana foi também homenageada na pessoa de Tia Ciata, figura ilustre da nossa cultura. Assista ao vídeo no nosso portal: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/2642. Essa sambista deixou o seu legado: num batuque de um samba, caia… caia na gandaia!

Um muxongo !

Para mais informações, acesse:

http://www.brasil.gov.br/cultura/2014/11/linguas-africanas-exercem-influencia-direta-no-portugues

http://resgatedenossasraizes.blogspot.com.br/2008/11/frica-est-em-nosso-portugus-palavras-de.html

Mônica Mota

Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

Consumo e sociedade sustentável. Será?

Oi, galera!

Olá, vamos bater um papo sobre consumo de bens e serviços? Você já pensou sobre isto? Pois é o que consumimos interfere diretamente na quantidade de lixo produzido na nossa cidade, estado e planeta. Seria necessário, que o planeta Terra fosse do tamanho de Júpiter para comportar a quantidade de lixo produzido, ou seja, aproximadamente 5 vezes maior que a Terra.

Poderíamos comparar as dimensões dos planetas com a dimensão dos ovos de codorna, galinha e avestruz.

Planeta                                               Planetas

Fonte: http://ro.wikipedia.org/wiki/Sistemul_solar#/media/File:Size_planets_comparison.jpg.

O consumo estimula a indústria cuja cadeia produtiva se estabelece por vários setores da sociedade: Produtor, Indústria e Comércio.

Ana_Imagem

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rastreabilidade#/media/File:Processo_tracking_tracing.JPG.

Tudo que compramos é consumo. Mas, as embalagens dos produtos comprados geram resíduos. Ou que não é consumido e o que é descartado pelos seres humanos vão para o lixo, ou seja, poderá sofrer ação decompositora se for matéria orgânica ou simplesmente vai parar nos lixões ou aterros sanitários. Mas, nem tudo é lixo, pois descartamos objetos que são resíduos sólidos que podem ser reciclados, reutilizados ou mesmo reaproveitados.

A2IFonte: http://www.guaira.pr.gov.br/?p=24882.

Como pensar, numa sociedade sustentável? Que consuma menos e consequentemente, seja sustentalvemente mais eficiente. A sociedade busca o desenvolvimento econômico e nessa relação estabelecida entre economia e ecologia, os recursos naturais são explorados de maneira exagerada comprometendo sua disponibilidade às futuras gerações.

O consumo exacerbado se contrapõe com a sustentabilidade planetária para tanto somos responsáveis pela construção dessa sociedade contemporânea e gera desigualdades sociais. E você, vai fazer o que? Contribua, preserve e faça a diferença na sua cidade, no seu estado e no seu país. Que tal começar pela sua escola?

 

Saiba mais:

http://ambientes.ambientebrasil.com.br/gestao/artigos/sociedade_planetaria_sustentavel.html

http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/893

http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/17252

 

Ana Cristina Rangel

Professora de Rede Pública de Ensino da Bahia

O perigo dos copos descartáveis

Recentemente, em função da escassez de água em São Paulo, se discutiu a viabilidade do uso de descartáveis. A discussão surgiu a partir do momento que se questionou a quantidade de água gasta para fabricar um descartáveis, a quantidade que se usa para lavar um reaproveitável (vidro, porcelana, acrílico, etc.), e o impacto ambiental que estes poderiam causar.

O PW entrou nessa discussão e pesquisou sobre o assunto, com interesse específico nos copos descartáveis (oportunamente falaremos sobre outros tipos de descartáveis). Eis o resultado.

Segundo o Professor Bruno F. Gianelli do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP, Campus Itapetininga, em entrevista à Revista Planeta Sustentável, “para medir o impacto ambiental de um produto, é necessário levar em conta vários fatores tais como: processo de fabricação do produto (consumo de matéria-prima, de energia elétrica, de água), o transporte do produto final até o local de consumo (o que impacta em consumo de combustíveis fósseis: o petróleo, por exemplo, não é renovável; e liberação de gases tóxicos na atmosfera), a vida útil desse produto, enfim.

No caso da produção de um copo descartável, são gastos, aproximadamente, 8 gramas de poliestireno (PS) ou polipropileno (PP) – os plásticos mais empregados pela indústria; 6 Wh de energia elétrica e 500 ml de água.

Os copos plásticos possuem em sua composição uma substância chamada Estireno e conforme pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em contato com o café quente, o copo pode liberar uma quantidade de Estireno acima do que é considerado seguro pelo Ministério da Saúde. Um dos riscos que isso pode acarretar é o Câncer.

Pesquisadores baianos perceberam que 20% dos peixes coletados nas praias de Salvador apresentam amostras de pellets, uma micropartícula do plástico. A situação é tão preocupante que já foram encontrados vestígios desses pellets na composição da água da região.

Os copos mais procurados do mercado têm capacidade para 200 ml, pesa aproximadamente 2 g e custa R$ 0,02 (dois centavos), cada. O de 300 ml, que custa R$ 0,04, tem o tamanho mais parecido com o copo utilizado em casa e pesa aproximadamente 3 g.

Quantos cafezinhos ou chás você tomou hoje na empresa em que trabalha? E quantos copos d’água tomou? Quantos copos descartáveis utilizou? Muitas pessoas desconhecem os riscos que eles podem causar a médio e a longo prazo ao meio ambiente. Para se ter uma ideia, segundo o ‘site sustentável‘, o tempo de decomposição de um copo plástico está entre 250 a 400 anos. Ou seja, tantas gerações passarão e o copo ainda existirá. Um “vida” contraditória, pois mesmo sendo utilizado de forma tão rápida, é apenas após alguns séculos que irá se decompor. O copo plástico é o resíduo sólido urbano menos reciclado ao redor do planeta.

Agora, faça as contas dos milhares de copos utilizados na sua empresa e veja como isso pode afetar o planeta que seus filhos e netos herdarão.

Aqui no Instituto Anísio Teixeira, segundo um levantamento feito pelo coordenador III da DIRAF/CAD, Sr. Alexnaldo M. Conceição, são gastos, em média, 50.000 (cinquenta mil) copos descartáveis de 200 ml, a um custo de R$ 1.125,00 (um mil, cento e vinte e cinco reais) por mês. Ou seja, 600.000 (seiscentos mil) copos a R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais) por ano.

Se construíssemos uma torre com esses copos consumidos em 1 ano, daria uma altura de aproximadamente 36 m, o que corresponde a altura média de um prédio residencial de 13 andares. Imagine, então, todos os copos consumidos nas empresas em Salvador, no Brasil e no mundo?!

Foto: Samuel Oliveira

 A produção de um copo descartável chega a consumir 500 ml de água, como já foi dito, enquanto a lavagem de um reaproveitável feita na pia utiliza 400 ml e na máquina ‘lava copo’ apenas 100 ml, isto é, apenas 20% do que é gasto para se produzir um copinho plástico.

Conclusão: quer exercer sua cidadania, contribuindo com meio ambiente e dando sua parcela de colaboração com a sociedade? Utilize canecas de vidro ou de louça para tomar seu café ou água e incentive seus colegas a fazerem o mesmo. Se for fazer uma festa na sua casa, por que não usar copos de vidro, ou até mesmo de plástico, mas que possam ser reutilizáveis? Existem serviços de aluguel de copos, pratos e talheres que, por uma causa nobre, o meio ambiente, vale a pena utilizá-los.

Outra opção são os copos biodegradáveis. O produto é composto por materiais naturais e que causam menos impacto ambiental, como o amido de milho ou batata e ácido polilácteo, derivado da fermentação do açúcar. De acordo com os fabricantes, o produto desaparece da natureza dentro do período de três meses.

Cuidar do meio ambiente é uma questão de cidadania e dever de todos nós.

Um abraço e até logo.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual

REFERÊNCIAS:

REVISTA Planeta Sustentável. Disponível em: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/sustentavel-na-pratica/copos-descartaveis-x-duraveis/. Acessado em 17/08/2015, 3 h 30 mim.

SITE SUSTENTÁVEL. Disponível em: http://inst.sitesustentavel.com.br/evite-usar-copos-descartaveis-na-sua-empresa/ . Acessado em 17/08/2015, 17 h 15 mim.

ECYCLE. Disponível em: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/57-plastico/196-como-reciclar-copos-plasticos.html. Acessado em 17/08/2015, 17 h 45 mim.

G1. Disponível em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/02/producao-de-copo-de-plastico-gasta-mais-agua-do-que-lavar-copo-de-vidro.html. Acessado em 17/08/2015, 13 h.

E essa tal de Sustentabilidade?

Fala, galera do bem!

Neste mês, se fala muito de sustentabilidade e suas questões, devido ao dia 5 de junho, dia em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Esse dia foi instituído em nosso calendário pelas nações unidas em 1972, em decorrência da primeira conferência mundial sobre o meio ambiente, em Estolcomo, na Suécia, onde também foi construído o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

O termo Sustentabilidade foi introduzido pela primeira vez nas discussões sobre o desenvolvimento humano, neste planeta, pelo analista Lester Brown na década de 1980. Lester é fundador do Worldwatch Institute e nos deixou como conceito de uma sociedade sustentável aquela que tem a capacidade de satisfazer suas necessidades, sem reduzir as oportunidades das futuras gerações.

Flor

E passadas mais de três décadas da “tal sustentabilidade”, será que já podemos viver sem comprometer a autonomia das futuras gerações? Será que o sistema que escolhemos é capaz de conviver com essa teoria? O capitalismo é autofágico e se alimenta do que produz, inclusive se apropriando de certas terminologias. Alguns teóricos ambientalistas suscitaram a teoria comportamental dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), mas o engraçado é que o sistema de capital se apropriou apenas de um, o reciclar, que virou a bandeira de algumas corporações, com o slogan – consuma, que reciclamos! Mas se pensarmos de maneira sistêmica, vamos descobrir que a real intenção é o consumo e não a reciclagem. O sistema de capitais não leva em consideração o comportamento sistêmico do planeta, mas, sim, interesses individuais e coorporativos, apropriando-se de três grandes redes: a tecnológica, a científica e a comunicacional.

Tem uma corrente do pensamento que é chamada de “pensamento sistêmico” que propõe que enxerguemos o todo (o sistema integrado e os seus processos) e não apenas processos isolados, pois tudo está interligado e interdependente.

Plantas

É nesse sentido que o Professor Fritjof Capra nos propõe uma nova forma de vermos o mundo e de nos comportarmos perante ele. Ele nos conta que precisamos compreender os princípios de organização que os ecossistemas desenvolveram para manter a sustentabilidade da vida. (A essa forma de pensar, Capra chamou de Alfabetização Ecológica).

A palavra “ecologia” vem do grego oikos (casa) e de como essa “casa” funciona e se relaciona. A ecologia é um campo muito vasto, podemos estudá-la como disciplina científica, como filosofia e/ou como estilo de vida ou ecologia profunda. Essa última é o que queremos discutir neste texto.

Criança

A “ecologia profunda” não separa o homem do ambiente e, na verdade, tudo está unido e deve funcionar como um único sistema. Nessa proposta, o homem deixa de ser o centro das coisas e passa a ser mais um elemento da engrenagem, podendo dar continuidade ou simplesmente danificar a teia da vida. Claro que existem diferenças entre os ecossistemas e as comunidades humanas, onde temos que levar em consideração, além dos fatores bióticos, os fatores sociais e de comportamento. As sociedades humanas que ainda hoje podem nos ensinar essa tal de sustentabilidade são as comunidades tradicionais, como os povos indígenas e as comunidades extrativistas que, em decorrência de sua vasta experiência ecológica, internalizam e espiritualizam os ecossistemas, compreendendo o seu pleno funcionamento, integrando-se ao ciclo, sem interromper seu fluxo, tornado o sistema terra sustentável para si e as futuras gerações. Um dos legados desses povos tradicionais consiste em:

– Entender que nenhum ecossistema deve produzir resíduos, já que esses devem voltar ao ciclo, como fonte de alimento;

– A base de toda energia deve vir do Sol;

– A diversidade assegura a resiliência (capacidade de existir);

– A força deve ser substituída pela cooperação e trabalho colaborativo, para dar segmento ao ciclo e às trocas de informações.

Para que essa “tal sustentabilidade” realmente exista e se torne um elemento transformador do comportamento, é preciso escutar e ensinar a sabedoria dos povos tradicionais, para construirmos uma alfabetização ecológica, aliando a esse conhecimento uma ciência, uma tecnologia e um sistema comunicacional comprometido com esse ideal. Só assim conseguiremos coexistir com nossa terra mãe.

Texto e imagens:

Peterson Azevedo – Professor da Rede Pública de ensino do Estado da Bahia.

Bibliografia

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/

CAPRA, Fritjof. The Web of Life: A New Scientific Understanding of Living Systems. Editora Cultrix, Califórnia – US. 1996;

SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização. Ed. Record. Rio de Janeiro – RJ. 2000;

TRIGUEIRO, André. Meio ambiente no século 21. 5. Ed – Campinas, São Paulo. SP. 2008;

O Enem e os recursos naturais

Olá, pessoal!

Parece-me notório, que a humanidade sempre fez uso da natureza, inicialmente para seu próprio sustento, depois para produzir excedente, “principalmente depois da Revolução industrial”.

Tudo que o homem necessita e que se encontra na natureza, como: a água, o petróleo, o solo, a água, o oxigênio, as florestas, energia oriunda do sol e do vento, os animais, dentre outros, são considerados recursos naturais e estes são classificados em dois grupos distintos: os recursos naturais não renováveis e os recursos naturais renováveis. Quer saber quais são? Clique aqui.

Ai você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com o Enem 2014?

Não vamos falar aqui das condições que os candidatos são submetidos nas salas de realização das provas, que levam, inclusive, muitos à reprovação: falta de ventilação, mobiliários inadequados, salas depredadas, iluminação precária, mobilidade deficiente, sanitários horríveis, enfim, uma completa falta de estrutura. Não vamos nos ater a isso, mas, como já disse, aos recursos naturais utilizados na realização desse concurso. Antes, porém, vejamos alguns números gigantescos daquele que, parece ser o maior concurso do mundo – o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Segundo o INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em 2014 foram 8.721.946 inscritos no Enem, contra 7.173.914 em 2013, um crescimento de 21,6%. A Bahia foi o terceiro estado em número de inscritos: 665.056 (7,63%). São Paulo (15,19%) e Minas Gerais (11,23%) encabeçam a lista. 55,5% tinham menos de 21 anos de idade. 2.310.176 (26,5%) pagaram inscrição no valor de R$ 35,00, gerando uma arrecadação de R$ 80.856.160,00 (oitenta milhões, oitocentos e cinquenta e seis mil, cento e sessenta reais), enquanto os outros 6.411.770 (73,5%) foram isentos.

Com relação às características físicas da prova: cada uma tinha 16 folhas de papel, o que dá um total de 32 folhas por candidato, pesando 149,69 gramas. No total foram utilizadas somente para as provas 279.102.272 folhas pesando 1.305.570,65 quilogramas ou 1.305,6 toneladas, somente para as provas (já que são utilizados papéis para listar os candidatos, bem como para o cartão de informações, e outros documentos indiretos como listas das escolas, das localidades de realização das provas e etc.). Além disso, muita tinta para impressão disso tudo.

Segundo a revista eletrônica Galileu, um eucalipto rende de 20 a 24 mil folhas de papel A4 (75g/m2 de gramatura), aquele comum, usado na prova do Enem, em casa e nos escritórios. Ainda segundo a revista, são necessárias 11 árvores para produzir uma tonelada de papel, e o consumo do brasileiro é de 44 quilogramas por ano, cada um de nós consome em média meia árvore por ano. Podia ser pior. Os finlandeses, primeiros no ranking, consomem 341 quilogramas.

Com esses dados, concluímos, estarrecidos, que são necessárias 14.361,6 árvores. Isso mesmo! Quatorze mil, trezentos e sessenta e um eucaliptos são derrubados para a realização do Enem, e isso para confeccionar somente as provas. Para você ter uma ideia do frondoso número, segundo o site GE, na matéria ‘Copa do Mundo 2014’, 24.442 mudas de árvores corresponde a 22 campos de futebol reflorestados. Logo, nossas 14.361,6 árvores do Enem correspondem a 13 Arenas como a Fonte Nova (numa regra de três simples), seria toda a área do Dique do Tororó (de cima e de baixo) e o Campo da Pólvora.

Árvores são imprescindíveis na manutenção da vida no nosso planeta: elas produzem sombra, frutos, flores, protegem o solo, nascentes de rios, lagoas e lagos, filtram o ar que respiramos, absorvem os sons produzidos durante o dia, sem as quais enlouqueceríamos. Por isso, a derrubada de uma árvore representa a redução da qualidade de vida, a menos que se coloque outra árvore no lugar da que foi derrubada. É o uso responsável dos recursos naturais.

Nem sempre o papel foi feito a partir da madeira, mas sim de fibras de algodão extraídas de roupas velhas, panos e trapos. Apesar de o francês René Antoine de Reaumour ter dado a ideia de usar fibras extraídas da madeira em 1719, foi só a partir de 1850 que diversos inventores tornaram isso viável. Quer saber como é feito o papel? Clique aqui.

Poderíamos pensar na realização das provas em dispositivos eletrônicos, como por exemplo, tablets. Além dos benefícios ao meio ambiente, os gabaritos poderiam ser transmitidos imediatamente para o Inep e o resultado informado ao candidato em questão de minutos. Isso ainda, talvez, pouparia, em curto prazo, uma enorme gama de recursos financeiros.

Um abraço.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Anísio Teixeira e Membro do Comitê Gestor do AEW.

FONTES:

BRASIL ESCOLAS. Disponível em http://www.brasilescola.com/geografia/os-recursos-naturais.htm. Acessado em 10/11/2014, às 10h.

GALILEU. Disponível em < http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG87237-7946-221,00-QUANTAS+FOLHAS+DE+PAPEL+DA+PRA+FAZER+COM+UMA+ARVORE.html>. Acessado em 10/11/2014, às 15h55.

GE – COPA DO MUNDO 2014. Disponível em < http://globoesporte.globo.com/ba/copa-do-mundo/noticia/2014/06/fonte-nova-arvores-se-multiplicam-e-driblam-ate-fifa-no-estadio-dos-gols.html>. Acessado em 10/11/2014, às 16h50.

INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em < http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/downloads/2014/balanco_inscricoes_enem_2014.pdf>. Acessado em 10/11/2014, às 10h.

INFOENEM. Disponível em < http://www.infoenem.com.br/provas-anteriores/>. Acessado em 10/11/2014, às 16h12.

MUNDO ESTRANHO. Disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-e-feito-o-papel>. Acessado em 14/11/2014, às 13h25.

PRINTE. Disponível em < http://www.printi.com.br/peso-papel>. Acessado em 10/11/2014, às 10h.

VOLUNTARIOSONLINE. Disponível em < http://www.voluntariosonline.org.br/noticia/179-Conheca-mais-sobre-a-arvore-e-os-beneficios-que-ela-traz-para-a-humanidade>. Acesso em 12/11/2014, às 11h25.

YOUTUBE. Disponível em < http://www.youtube.com/watch?v=3sHYKJSq26w>. Acessado em 14/11/2014, às 14h40.

 

Estudantes da Escola Parque usam reciclados na decoração de Natal

Com uma decoração de Natal elaborada com material reciclado, os alunos do Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque, na Caixa D´Água, em Salvador, deram uma aula de produção sustentável. Eles buscaram, no próprio bairro, a matéria-prima necessária para produzir os objetos que enfeitam a unidade escolar nos festejos de final de ano.

1

São garrafas pet, caixas de papelão, cordas, barbantes, retalho de tecido, arame, metal e revistas transformadas em árvores de natal, anjos, presépios e guirlandas natalinas. Tudo reutilizado numa decoração que conta com presépios em biscuit e em cerâmica, além de guirlandas natalinas.

2

Dentre as peças expostas, o presépio afro chama a atenção pela originalidade. Além de todos os componentes feitos de cerâmica, o presépio traz elementos da cultura afro e animais das faunas brasileira e africana. O estudante da 5ª série da Escola Anísio Teixeira, Jonathan Nascimento, explica como foi feito o trabalho “Nós pegamos a argila, tiramos as impurezas, e fomos dando forma, criando, usando nossa imaginação, depois, deixamos a argila secar e pintamos também de forma livre, somos livres para nos expressar”, conta.

3

Willie Santana, estudante da 7ª série da Escola Classe, participou da produção de um anjo em tamanho humano. Ele explica que todo o material estava em desuso na escola e com um corte específico e cola, foram transformados em uma nova peça. Assim como o ramalhete de flores feito de lata de leite na oficina de serralheria, a árvore de natal de retalhos de tecido e as guirlandas, de cordas, barbantes e papel de revista.

4

Produção – O processo de produção nas oficinas começa com a apresentação do que é reciclagem e de como esse procedimento beneficia o meio ambiente, a economia e a sociedade. O primeiro passo, porém, é a coleta da matéria-prima. Nesta etapa, os estudantes, atuam na busca por materiais recicláveis que surgem na rotina diária de cada aluno.

“Os materiais vêm do dia a dia, são aqueles objetos descartados nas casas, na vizinhança e até da rua. Se eu estiver andando e encontrar algum objeto no meio da rua, eu pego e trago para a oficina. Tudo pode ser reaproveitado”, disse Willie. Na prática, o processo de coleta é natural e os torna mais conscientes. “Como eles trazem muito material da rua para que sejam reutilizados, eles sabem que tem que preservar a natureza,” disse a coordenadora pedagógica do Núcleo de Artes Visuais, Eliete Ribeiro.

5

Oficinas – O Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque oferece 26 somente no campo de artes visuais. Entre elas, oficina de cerâmica, biscuit, madeira, serralheria, corte e costura, pintura em tela. Os cursos, complementares ao currículo regular, são realizados durante o todo o período letivo, com alunos, pais e integrantes da comunidade.

A estudante Ioná dos Anjos, 8ª série da Escola Classe II, participa das oficinas de informática, handebol e pintura em tela. Ela acredita que a arte está no seu futuro “Eu amo a arte. Desde pequena eu desenho com papel e lápis, e agora, depois da oficina, já participo até de exposições.”, completa.

6

Segundo o gestor da Escola Parque, Gedean Ribeiro, as oficinas surgiram da necessidade de envolver os alunos e conscientizá-los da questão de sustentabilidade, uma pauta urgente da sociedade. “Não estamos preocupadas com o belo, mas com a possibilidade de preparar o homem para o mundo, desenvolver as habilidade dele, e mostrar que ele é capaz”, completou do gestor.

7

Conscientização – Antes das produções, os professores realizaram palestras, leitura de livros e organizaram junto com os alunos o dia D da sustentabilidade. A ideia era conscientizá-los da importância da sustentabilidade para a preservação ambiental.

8

O trabalho realizado já apresenta resultados dentro da escola e fora dela. “O comportamento e o comprometimento dos estudantes com o meio ambiente mudou com a participação nas oficinas.” Foi o que constatou a coordenadora pedagógica do Núcleo de Artes Visuais, Eliete Ribeiro. “A partir das oficinas, a gente percebe a mudança de comportamento na própria escola, eles preservam a escola limpa, têm cuidado com a escola para que nada seja destruído.”

Fonte: http://www.educacao.ba.gov.br/node/4077