Seminário em Direitos Humanos lembra 117 anos de Anísio Teixeira

O Instituto Anísio Teixeira (IAT), em parceria com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), realiza, a partir de hoje, o II Seminário de Educação, Direitos Humanos, Políticas Públicas Educacionais e Sociais, encontro destinado a professores, promotores de justiça, juízes, defensores públicos, pesquisadores, estudantes, gestores da Educação Básica e demais profissionais interessados no debate sobre esta temática.

A programação deste evento, cujo tema é “117 anos de Anísio Teixeira: Uma Vida de História e Defesa pela Educação, e os 27 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente”, traz uma homenagem ao intelectual baiano que difundiu o papel transformador da educação para a construção de uma sociedade democrática. Nesta ocasião, entre diversas atividades e debates, será apresentado o projeto do Memorial Anísio Teixeira numa parceria entre o Instituto e a Fundação Pedro Calmon.

Anísio Teixeira, nascido em Caetité, no sertão baiano, é um dos maiores educadores brasileiros e nos legou uma obra pública que, ainda hoje, inspira múltiplas inovadoras ações educativas. Sua formação foi marcadamente influenciada pelas idéias inovadoras do filósofo John Dewey, de quem foi aluno. Mas foi, especialmente, nos embates entre a gestão cotidiana da educação e sua visão de futuro, nos diversos cargos públicos por ele assumidos, que desenvolveu propostas em favor do acesso à educação pública, universal, gratuita, laica e de qualidade.

Lilia Rezende

Professora da Rede Publica Estadual de Ensino da Bahia

Praças da Ciência

Olá, pessoal. Tudo bem!

Vocês já visitaram uma ‘Praça da Ciência’? Hoje vamos falar sobre esse importante equipamento montado em vários municípios baianos, inclusive em Salvador.

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O ‘Praças da Ciência’ é um projeto implantado pela Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia com o intuito de incentivar a popularização da ciência. Para potencializar a construção de novos saberes pelos visitantes das praças, o projeto conta com a parceria do Programa de Ciência, Empreendedorismo e Inovação da Bahia, da Secretaria da Educação do Estado e com as prefeituras dos municípios onde foram implantadas.

A proposta das Praças da Ciência é implantar experimentos em praças públicas de 40 municípios, contendo oito brinquedos lúdicos (balanços de comprimentos diferentes, alavanca, cadeira giratória, conchas acústicas, bicicleta geradora de energia, harpa de tubo, basquete giratórios e gangorras de braços diferentes), figura abaixo, objetivando a democratização e educação em ciência e tecnologia que atraiam a atenção, principalmente, de crianças e adolescentes, promovendo a exploração ativa, o envolvimento pessoal, a curiosidade, o uso dos sentidos e o esforço intelectual, de forma lúdica e divertida, que gerem o interesse pela Ciência e Tecnologia.

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As Praças da Ciência começaram a ser implantadas no final de 2014 e pretende alcançar 40 municípios baianos. Até agora, vinte e seis já foram inauguradas, oito estão em obras e seis ainda serão implantadas, segundo informações da SECTI. A Praça da Ciência, localizada aqui no Instituto Anísio Teixeira, já está pronta, aguardando apenas sua inauguração. Clique aqui e veja lista dos municípios.

Visite a Praça da Ciência da sua cidade! Antes, porém, acesse a Cartilha ‘Práticas para compartilhar: Praças da ciência – Estudante’, e saiba a composição dos equipamentos, os conceitos explorados, como utilizar cada um deles e sua aplicação no nosso cotidiano. Então, divirta-se e perceba que Educação e Tecnologia estão de mãos dadas!

Um abraço e até mais!

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

AMBIENTE EDUCACIONAL WEB. Práticas para compartilhar – Praças do Conhecimento. Disponível em: <http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/6472>. Acesso em 06/06/2017, às 14h00.

EDUCADORES. IAT e Secti formam professores para uso das Praças da Ciência. Disponível em:<http://educadores.educacao.ba.gov.br/noticias/iat-e-secti-formam-professores-para-uso-das-pracas-da-ciencia>. Acesso em 06/06/2017 às 15h00.

SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO. Práticas para compartilhar: Praças do Conhecimento – Estudantes. Disponível em: <http://www.secti.ba.gov.br/arquivos/File/EDITAIS/praca.pdf>. Acesso em 06/06/2017, às 14h00.

Raios!

Chuva forte, ventos, raios e trovões compõem um cenário que inquieta muita gente! Antigamente, e ainda hoje, não é raro deparar-se com pessoas que, durante a ocorrência de tempestades, cobrem todos os espelhos com toalhas e lençóis, guardam todas as tesouras e facas da casa, de forma a evitar a sua exposição. Isso porque, segundo o conhecimento popular, esses utensílios têm a propriedade de atrair raios.

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Disponível em pixabay, acessado em 16/06/2017

Os mitos acerca dos raios e trovões não são de hoje, datam de períodos muito antigos. Os babilônicos, por exemplo, acreditavam que o deus Adad carregava um bumerangue em uma das mãos, que quando lançado, provocava o trovão. E, na outra mão, empunhava uma lança, que, quando arremessada, produzia os raios. Já os gregos acreditavam que os raios eram lanças forjadas por gigantes ciclope . Segundo a mitologia, eles trabalhavam como ferreiros, fabricando-as, para que Zeus, o rei dos deuses, as atirasse sobre os homens pecadores e arrogantes.

A partir do século XVIII, os raios começaram a ser compreendidos sob o ponto de vista da ciência. Os primeiros estudos sistemáticos foram realizados em 1752, em Paris, por Thomas François Dalibard. Ele suspeitava que os raios estivessem associados à eletricidade estática e, por isso, se propôs a subir no alto de uma montanha durante uma tempestade, onde colocou uma haste metálica isolada do chão e logo em seguida, utilizando os dedos, verificou que pulavam faíscas em direção a eles. Comprovando, assim, a natureza elétrica das descargas atmosféricas. Posteriormente, várias experiências foram feitas, sendo a mais conhecida a realizada pelo americano Benjamin Franklin. Segundo a história, Franklin empinou uma pipa num dia de tempestade e observou que faíscas pulavam de uma chave amarrada próximo da extremidade da linha à sua mão. Confirmando aquilo que Tomas François já havia constatado no seu experimento.

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Disponível em pixabay, acessado em 16/06/2017

Hoje, sabemos que os relâmpagos têm a sua origem na eletrização das nuvens, gerando, assim, campos elétricos intensos; que, quando atingem níveis críticos, quebram a rigidez dielétrica do ar, possibilitando a descarga elétrica entre nuvens ou entre as nuvens e o solo. Essas descargas provocam o aquecimento abrupto do ar que se expande, gerando os estrondos que conhecemos como trovão. Apesar de se tratar do mesmo fenômeno, percebemos o trovão e o relâmpago em momentos distintos. Isso ocorre porque o som e a luz possuem velocidades diferentes. Como sabemos, a luz (300.000.000 m/s) é muito mais rápida que o som (340 m/s), por isso é percebido muito antes, ocasionando a falsa sensação de que se tratam de fenômenos diferentes.

Por mais bonitos e atraentes que sejam, os relâmpagos representam um grande perigo. Isso porque, ao atingir o corpo humano, a corrente elétrica gerada por eles pode causar queimaduras, parada cardiorrespiratória e o óbito do indivíduo.

Os raios têm uma probabilidade maior de atingir os pontos mais altos, locais descampados, piscinas, praias, campos de futebol e árvores isoladas. Assim, durante uma tempestade, deve-se evitar esses locais. Caso esteja dentro de um veículo, evite sair dele. O carro é o local mais seguro para se abrigar dos raios. Ele funciona como uma gaiola de Faraday, anulando o campo elétrico no seu interior. E, finalmente, não precisa mais cobrir os espelhos de casa! Eles não atraem os raios! Até hoje, não foi encontrada nenhuma relação entre eles, até porque o espelho é feito de vidro, material que não conduz bem a eletricidade, logo não oferece nenhum perigo. Já os metais, principalmente os pontiagudos, devem ser evitados, já que eles são bons condutores de eletricidade. Por medida de segurança, desligue os eletroeletrônicos e evite fazer ligações no telefone fixo!

Aprenda mais sobre os raios, acessando agora o Ambiente  Educacional Web!

Referências:

INSTITUTO DE FÍSICA DE SÃO CARLOS. Eletricidade prejudicial ou fundamental?. Disponível em: <http://www.ifsc.usp.br/index.php?option=com_content&view=article&id=926:desvendando-raios-eletricida-prejudicial-ou-fundamental&catid=7:noticias&Itemid=224>. Acesso em: 13 de junho de 2017.

 

 

(Des)Sustentabilidades ambientais

Olá, comunidade!

A cada ano, chegamos ao mês de Junho com a possibilidade de rediscutirmos mais intensamente sobre os caminhos que devemos escolher para vivermos com mais harmonia, respeitando as culturas, identidades e o meio ambiente. Ou seja, discutir a melhor estratégia de nos relacionarmos com o meio ambiente de maneira sustentável. Será que estamos conseguindo, ao menos, discutir estas questões democraticamente? Será que os rumos dessas discussões podem, efetivamente (ações de políticas públicas), transformar nosso comportamento desenvolvimentista? Será que realmente respeitamos a diversidade étnica? Uma coisa temos em mente: caminhar é preciso…

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Fig. 1: Caminhar é preciso. Imagem: Peterson Azevedo

É pensando nessas questões, que devemos refletir sobre qual Brasil queremos construir para a nossa e as futuras gerações, para que realmente possamos dialogar sobre os possíveis caminhos que consigam, de maneira equânime, planejar o desenvolvimento econômico e social, pensando em uma organização do espaço de forma sustentável. A tecnologia, a ciência e a informação devem referenciar esta conversa, mas tendo como principal objetivo o de respeitar e valorizar as culturas e a etnodiversidade do lugar. A revolução técnica-científica-informacional não pode exclusivamente estar a serviço do capital, pois esta relação fragiliza diretamente as estruturas sociais e seu pleno desenvolvimento, constituindo uma visão superficial do território, desconsiderando os valores culturais e étnico do espaço como um todo, especificamente dos valores compactuados pelo lugar.

Pensando em um caminhar propositivo, crítico, contextualizado e respeitando as territorialidades, trago a experiência do movimento indigenista e social – Articulação dos povos indígenas do Brasil, associação que representa as questões indígenas e suas etnias no país, como exemplo de mobilização, não apenas em defesa ao direito à terra, mas também como instrumento de luta, para a conservação da biogeografia do país. Devemos lembrar que, quando falamos de questões ambientais, não nos referimos apenas às questões de flora e fauna, mas dos processos urbanos, econômicos e de organização e gestão do espaço construído e historicizado. As populações tradicionais, como os povos indígenas, os quilombolas, os povos da maré e os sertanejos, mantêm uma relação de identidade e de sustentabilidade muito intensa e afetiva com a terra, para além apenas da manutenção do capital. É na terra que esses povos constroem sua história, onde se relacionam, onde transformam a paisagem por meio de suas manifestações culturais, heranças das matrizes coloniais. Neste ano, o movimento de articulação dos povos indígenas do Brasil contou com o voluntarismo de artistas e ativistas brasileiros em prol da luta pela terra e pela liberdade à etnicidade. Eles produziram uma campanha audiovisual, para alertar a população da importância ambiental de conservarmos e preservarmos as terras indígenas em sua totalidade biológica e cultural. Aprecie sem moderação:

Vídeo 1 – Demarcação Já. Letra composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César.

Um outro exemplo de luta que quero compartilhar é o depoimento de um grande ancestral americano, que já nos alertava sobre a velocidade voraz do capital em detrimento aos recursos do planeta. Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, escreve uma carta em resposta ao avanço imperialista do presidente norte-americano Francis Pierce. Segue um trecho da carta. “O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. […]

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Fig. 2: O toré. Imagem: Peterson Azevedo

Apesar da formação cultural desses povos estar ligada à terra, é equivocado pensarmos que eles não desenvolveram suas estruturas comunicacionais. Os povos tradicionais também estão inseridos no ciberespaço e na cibercultura, mas não se distanciam das raízes, mostrando novas possibilidades do uso e da apropriação das novas tecnologias como aliadas e não apenas como sistema de consumo. Os povos tradicionais não são contrários ao desenvolvimento, mas questionam as ferramentas e os interesses desse “desenvolvimento”, que tem como objetivo principal a manutenção do poder e o controle do capital, tendo e entendendo o lugar e o território como suporte materialista dessa engrenagem. Desenvolvimento não necessariamente está relacionado à obtenção do capital, à exploração da força produtiva e do uso indiscriminado dos recursos naturais; desenvolver é dar plena liberdade de se expressar culturalmente, ter acesso aos bens materiais básicos em sua plenitude, ofertar o direito de ser em sua magnitude. O desenvolvimento não deve estar unicamente relacionado ao dinheiro, mas à plenitude sustentável do espaço e da pluralidade cultural. A revolução técnica-científica-informacional não deve estar a serviço do capital e sim do desenvolvimento sustentável acessível para todos. “Quando a ciência se deixa claramente cooptar por uma tecnologia cujos objetivos são mais econômicos que sociais, ela se torna tributária dos interesses da produção e dos produtores hegemônicos e renuncia a toda vocação de servir à sociedade. Trata-se de um saber instrumentalizado, em que a metodologia substitui o método”. (SANTOS, p.7. 1988).

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Fig. 3: Sertão-Lindo. Imagem: Peterson Azevedo

Pensemos em um desenvolvimento sustentável pleno e autônomo, sem restrições étnicas e sociais, sem amarras ao capital e pensando na hegemonia e independência do lugar, mas do lugar empoderado e não subserviente ao território e às estruturas de poder do capital perverso.

Até mais!

Peterson Azevedo
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado, fundamentos teórico e metodológicos da geografia. Hucitec. São Paulo. 1988

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB. Disponível em:

<https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/>. Acesso em 05 de Junho de 2017.

A carta do Cacique Seattlel, em 1855. Disponivel em:

<http://www.culturabrasil.org/seattle1.htm>. Acesso em: 05 de Junho de 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Ser Professor. Ecovento. Disponível em:

<http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3929>. Acesso em: 05 de junho de 2017.

Ping-pong com Mary Garcia Castro: Violências contra a mulher

A violência contra a mulher é uma temática que mexe com todos nós que buscamos uma sociedade melhor. Superar os estados de agressividade que atingem as mulheres é uma meta dos que querem um mundo menos hostil. Pensando no debate em que está inserida essa questão, a equipe da Rádio Anísio Teixeira conversou a professora Mary Garcia Castro sobre o assunto, tendo como inspiração o quadro Filmei! – Tapas na Alma, da TV Anísio Teixeira / Rede Anísio Teixeira.

Mary é uma atuante socióloga, graduada pela Universidade Federal da Bahia e doutora pela Universidade da Flórida, além de pesquisadora da A Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais- Flacso e bolsista da CNPQ. Autora do livro Juventude e sexualidade no Brasil, juntamente com Miriam Abramovay e Lorena Bernadete da Silva. Seus estudos e pesquisas versam sobre os temas: juventude, migrações internacionais, gênero, família, mulher, feminismo, identidades e cidadanias, modernidade e pós-modernidade e metodologia de pesquisa. Confira essa conversa:

Rádio Anísio Teixeira: Quais as principais formas de violência contra a mulher?

Mary Garcia Castro: São muitas as violências de gênero, ou seja, aquelas que estão relacionadas com a mulher e codificada socialmente e que se dão também nas relações sociais entre homens e mulheres: violências verbais, violências físicas, violências psicológicas; violências institucionais (como educação sexista, padrões de beleza e publicidade que excluem algumas mulheres), violência obstétrica, no campo da saúde,   entre  outras,  e, claro, toda  aquela que a mulher sente como tal. Hoje violência de gênero engloba também lesbofobia, homofobia, transgenerofobia. Ver Lei Maria da Penha e Lei contra o feminicídio que se conceitua como violência domestica (um tipo, mas não o único de violência de gênero).

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Professora Mary Garcia Castro – Foto: Arquivo pessoal

RAT: Quais os principais agressores?

MGC: Várias pesquisas indicam que a maior probabilidade é de o agressor ser o marido ou o parceiro sexual ou um conhecido.

RAT: Na sua opinião, qual o motivo das mulheres violentadas não aceitarem ajuda?

MGC: As mulheres violentadas sentem vergonha e pela ideologia dominante que elas absorvem, se sentem culpadas, como se tivessem “provocado” pela roupa que usaram e ou por não se comportarem de forma submissa.  É muito comum até em Delegacias perguntarem a queixante:”o que você fez para merecer essa surra?”.  O amor romântico também é uma ideologia que colabora com a violência simbólica, ou seja, segundo Bourdieu, o tipo de violência em que a vítima não considera que foi violentada e ate desculpa o agressor – “foi por amor”; “é que ele é ciumento e gosta muito de mim”. Por outro lado, há o medo, elas não têm para onde ir, se pobres, ou não serão bem vistas pela família e amigos, se forem classe média ou rica. E há a dependência econômica, como se livrar de uma pessoa com quem vive se não tem para onde ir? E existe ainda a síndrome da mãe, que atura tudo pelo amor dos filhos, “porque filho precisa de pai”.

RAT: É difícil para as agredidas se perceberem como vítimas?

MGC: Para muitas sim pela ideologia dominante que estimula baixa autoestima, a síndrome de mártir e o medo de ficar só.

RAT: Existe uma saída para esse grave problema?

MGC: Claro que há saídas! Não há país em que a taxa de violência contra a mulher é 0,  mas não do mesmo nível do Brasil.  Primeiro: políticas públicas que promovam autonomia econômica das mulheres; Segundo: educação com perspectiva de gênero nas escolas, em que se trabalhe respeito ao outro, à outra; Terceiro: Implementar as leis que temos, como a Maria da Penha e contra o Feminicídio – já foi um ganho eliminar a punição de casos de agressões domésticas com uma cesta básica e, na Maria da Penha, se incluir a violência psicológica. Mas muitas mulheres não sabem seus direitos e muitos juízes se recusam a interpretar como devem as leis, deixando que suas posturas machistas prevaleçam; Quarto: Recursos para as Casas Abrigos, que foram multiplicadas no governo Dilma e tiveram recursos cortados no governo Temer, pois sem a alternativa de onde ir, como denunciar e sair do convívio com o agressor? O empoderamento das mulheres, por informação, apoio, educação antissexista, amparo econômico são básicos. E, claro, educação antissexista para os homens também e questionamento da noção de que amor e relação sexual não implicam a propriedade do outro, da outra.

Gostou da entrevista?

Aproveite e assista um trecho do Programa TVE Debate sobre o movimento “Marcha das Vadias”, que problematiza os olhares sobre a mulher e o feminino e as violências sofridas historicamente pelas mulheres no mundo e no Brasil.

O video está disponível no Ambiente Educacional WEB:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3101

Carlos Barros.

Professor da Rede Estadual da Bahia.

 

 

 

Diversidade Ideológica e Educação Escolar

A palavra diversidade na versão dicionarizada de Abbaganano (2007), é tratada como alteridade, diferença ou dessemelhança. Ainda segundo esse autor, ideologia é entendida como um “conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais e políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade”.

Como se pode notar, compreender a diversidade ideológica é conceber que ideias, valores e crenças que circulam na sociedade são diferentes e até radicalmente opostas. Cada uma com a sua verdade, vai construindo o corpo de valores humanos com suas contradições e conflitos.

Ao buscar despertar o interesse da comunidade escolar, este texto pretende provocar reflexões a respeito das posições políticas e ideológicas que, a priori, são denominadas de direita, de esquerda ou de centro, compreendendo o tema como relevante a ser pesquisado e debatido no referido espaço.

Para autores como Tarouco e Madeira (2013) e Arraes (2004), os termos direitistas e esquerdistas surgiram durante a Revolução Francesa, quando no parlamento, os gerundinos representantes da alta burguesia passaram a sentar à direita do presidente da assembleia, enquanto que os jacobinos, da pequena burguesia, se posicionavam à esquerda. Entre os dois extremos, havia o grupo de centro conhecido como pântanos que priorizavam os interesses financeiros. Os lugares escolhidos tinham relações estreitas com os objetivos de cada grupo.

As noções políticas de direita e esquerda não se fazem no espaço da neutralidade. Por estarem vinculadas à interesses como: religião, dinheiro, status e outras formas de obtenção e manutenção de poder, não raro, despertam defesas acaloradas e até mesmo apaixonadas. Não obstante, o embate entre diferentes grupos podem resultar em debates multiculturais em torno de questões relacionadas à diversidade de religiões, gêneros, classes sociais, orientações sexuais, condições socioeconômicas, etnicorraciais, corporais dentre outras.

Entretanto, independentemente do posicionamento de cada pessoa (de direita, de centro ou de esquerda), é imprescindível ter consciência das origens e implicações de cada escolha. A não ser que em alguma época, os humanos tenham desenvolvido pensamentos iguais, a pluralidade de ideias é uma realidade que sempre existiu. Todavia, o seu reconhecimento é por demais conflituoso, razão pela qual, dificilmente foi respeitada. Apesar dos discursos cada vez mais inflamados e, por vezes acusatórios entre esses grupos no Brasil contemporâneo, direitas e esquerdas envolvem uma multiplicidade de interesses. Esses posicionamentos são tão complexos, que não raro, fica até difícil perceber as fronteiras entre um grupo e outro.

Neste sentido, cabe situar o papel da educação escolar como um espaço organizador da cultura de cada sociedade, devendo planejar ações de pesquisas, reflexões, debates e produções de diversas atividades, visando descortinar um universo de saberes que historicamente se conservam adormecidos. Afinal, provocar questionamentos é lidar com interesses e oposições. Está longe de ocorrer harmonicamente. Quando o direito de um começa, o do outro acaba. Quem nasceu na esfera dos privilégios não precisa lutar por direitos, e claro, não aceitará perdê-los, nem mesmo dividi-los tranquilamente.

Uma das formas de provocar uma discussão na escola, seria pesquisar sobre as funções de profissionais, como vereadores, deputados federais, estaduais e dos senadores brasileiros, identificando nas bancadas político-partidárias das quais eles fazem parte: os seus principais pontos de interesses; os projetos desenvolvem; os grupos sociais que defendem; os interesses desses grupos e como foram financiadas as suas campanhas. Enfim, o que fazem e a quem de fato servem na fragilizada democracia brasileira?

Afinal, se direitistas são conservadores, quais as causas que realmente estão conservando? Se os esquerdistas são questionadores, radicais e vândalos (no sentido pejorativo do termo), o que estão vandalizando? Que questões estão radicalizando? Questionar a enorme concentração de poder por parte de poucos privilegiados é um problema social ou pode ser um dos caminhos para a redução das desigualdades sociais?

Elzeni Bahia

Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

ABBAGNANO Nicola. Dicionário de Filosofia. Martins Fontes. São Paulo, 2007.

ARRAES, Roosevelt Quais as diferenças entre a direita e a esquerda?

http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/mergulhando-na-politica/quais-as-diferencas-entre-a-direita-e-a-esquerda/

Bancada dos Partidos. Disponível em: www.camara.leg.br/Internet/Deputado/bancada.asp. Acessado em: 04/06/2017.

As bancadas da Cãmara dos Deputados. http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/Bancadas.html

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa. Positivo. Curitiba, 2004.

História de Tudo. Disponível em: http://www.historiadetudo.com/revolucao-francesa. Acessado em: 05/06/2017.

IZIQUE. Cláudia. O perfil partidário brasileiro. Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2002/05/01/o-perfil-partidario-brasileiro/. Acessado em: 03/06/2017.

TAROUCO, Gabriela da Silva e MADEIRA Rafael Machado. Partidos, Programas e o Debate sobre Esquerda e Direita no Brasil Revista de Sociologia e Política V. 21, Nº 45: 149-165 Mar. 2013.

Translúcida: transgeneridade em foco

Vamos refletir sobre ética, cidadania, direitos humanos, diversidade de gênero e sexual a partir de um filme realizado por estudantes e professores como vocês?

O interessante curta Translúcida foi escrito e dirigido por Neto Asterio e com produção de Carlos Miguel Brandão da Silva e Paula Maiele Silva Oliveira, todos estudantes  3º ano do ensino médio do Colégio Profª Olgarina Pitangueira Pinheiro, situado em Conceição do Coité.

Fig.1 Vera, personagem principal de Translúcida.

Selecionado pela Mostra da Produção Visuais Estudantis (Prove), Translúcida aborda um tema atual, a transgeneridade. A personagem Vera, se sente humilhada por uma professora que insiste em lhe chamar pelo seu nome de registro , ao invés do nome social. Apesar do nome social ser utilizado há alguns anos em alguns estados brasileiros, a lei que o regulamenta em âmbito nacional só foi estabelecida recentemente, pelo  Decreto  8727 de 20 de abril de 2016, e entre outras coisas, diz o seguinte:

Art. 3o  Os registros dos sistemas de informação, de cadastros, de programas, de serviços, de fichas, de formulários, de prontuários e congêneres dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverão conter o campo “nome social” em destaque, acompanhado do nome civil, que será utilizado apenas para fins administrativos internos. (BRASIL, 2016)

Com apenas cinco minutos, o filme dá conta de aspectos importantes da temática, destacando os momentos em que Vera sente-se indignada, por não ter seus direitos respeitados quanto a sua identidade de gênero.  E ela recorre a diretora, expondo seu difícil cotidiano na escola, onde é objeto de bullying e discriminação.

O desafio de superar todas as barreiras do espaço escolar e continuar seus estudos faz de Translúcida um filme a ser visto para ser contextualizado e debatido. Os temas transversais Ética e Orientação Sexual permeiam o enredo e precisam ser mais discutidos na sala de aula. Será que nossos estudantes estão sendo preparados na para compreender a identidade de gênero e o respeito à diferença?

Até que ponto, os educadores também estão preparados para acolher o estudante transgênero e garantir seu direito à educação?

Vera faz sua reivindicação à diretora por tratamento digno e respeitoso, visto que conhece seu direito de usar banheiros, vestiários e espaços segregados por gênero. Reclama por não poder usar roupas, maquiagem ou adereços femininos , garantidos também por lei. E ela diz:

“Estar aqui na escola e ouvir xingamentos diariamente é difícil! Mas se eu faço isso, é pelas trans e travestis (…) que abandonam o colégio pela transfobia, só restando a prostituição e subempregos. Eu vivo num país que lidera o número de massacres a pessoas como eu…”

Ela reconhece a importância da educação como forma de mobilidade social. Mas quantos estudantes não resistem às pressões diárias e abandonam a escola? Quantos não suportam o peso do bullying? Quantos profissionais também não sabem lidar com o estudante trans e permitem que a violência verbal e atitudes antiéticas sejam perpetuadas?

Recomendamos que as escolas abram o debate sobre as possíveis sexualidades e que utilizem o vídeo Translúcida como elemento disparador de uma discussão ética, responsável e acima de tudo inclusiva. Para saber mais sobre a temática, dê um  click no vídeo Diversidade sexual . E você pode contribuir para a produção de vídeos com as mais variadas temáticas na sua escola! Afinal, o audiovisual está ao alcance de todos, não é ?

Fig. 2 – Diversidade sexual.

Guel Pinna

Professora da Rede Estadual de Ensino

Referências bibliográficas

COSTA, Ângelo Brandelli; NARDI, Henrique Caetano. Homofobia e preconceito contra diversidade sexual: debate conceitual. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2015000300015> Acesso em 16 mai. 2017.

FERNANDES DINIS, Nilson. Educação, Relações de gênero e diversidade sexual. Educação & Sociedade, vol. 29, núm. 103, mayo-agosto, 2008, pp. 477-492 . Disponível em : <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87314210009> Acesso em 16 mai. 2017.

MODESTO, Edith; Transgeneridade: um complexo desafio. Disponível em:<http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/57215/99115&gt; Acesso em 16 mai. 2017.

OLIVEIRA, Leidiane. Sequência didática Bullying. Disponível  em : <http://realptl.portugueslivre.org/realptl/wp-content/uploads/2016/11/SequenciaDidatica_Leidiane_final.pdf&gt; Acesso em : 16 mai 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Diversidade sexual. Disponível em : <http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos/conteudos-digitais/visualizacao/3329.webm> Acesso em 16 mai. 2017

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Respeito é bom. Disponível em : <http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3953> Acesso em 16 mai. 2017.