Dinheiro: da moeda ao bitcoin

Olá, pessoal!

Escambo. A moeda, como hoje a conhecemos, é o resultado de uma longa evolução. No início, não havia moeda. As transações comerciais eram realizadas através de simples troca de mercadoria por outra, sem equivalência de valor. A esta transação se dá o nome de escambo. “Algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas do que outras. Aceitas por todos, assumiram a função de moeda, circulando como elemento trocado por outros produtos e servindo para avaliar-lhes o valor”, segundo o site Banco Central do Brasil. Eram as moedas–mercadorias, como foi o caso do gado (do latim pecus) e do sal. Essa forma de comércio, porém, não permitia o acúmulo de riquezas.

As primeiras moedas. Com a descoberta do metal, este foi eleito como principal padrão de valor por apresentar vantagens como a possibilidade de entesouramento, divisibilidade, raridade, facilidade de transporte e beleza. A Bíblia cita transações comerciais cujas moedas eram o ouro, a prata e o bronze. No século VII a.C., surgem, então, as primeiras moedas com características das atuais: pequenas peças metálicas, com peso e valor definidos e com a impressão da marca de quem as emitiu e garante o seu valor. Hoje, as moedas trazem impressas algumas personalidades de seu país. Provavelmente, a primeira figura histórica a ter sua efígie registrada numa moeda foi Alexandre, o Grande, da Macedônia, por volta do ano 330 a.C. No século I, o imperador César também teve sua efígie registrada no denário, conforme relata Jesus em Mateus 22.19 – 21. Além disso, já existiram moedas ovais, quadradas, poligonais etc., e de materiais como madeira, couro e até porcelana.

No final do século 19, o cuproníquel e, posteriormente, outras ligas metálicas, passaram a ser muito empregados, vindo a moeda a circular pelo seu valor gravado em sua face, que independe do metal nela contido.

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Figura 1

A origem da cédula e do cheque. Na Idade Média, surgiu o costume de se guardar os valores com um ourives. Este, como garantia, entregava um recibo. Com o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem à moeda de papel. Com o advento do papel-moeda, a cunhagem de moedas metálicas ficou restrita a valores inferiores, necessários para troco. No Brasil, os primeiros bilhetes de banco, precursores das cédulas atuais, foram lançados pelo Banco do Brasil, em 1810. Tinham seu valor preenchido à mão, tal como hoje, fazemos com os cheques. No Brasil, a primeira referência ao cheque apareceu em 1845, quando se fundou o Banco Comercial da Bahia; mas, mesmo assim, sob a denominação de cautela. Só em 1893, pela Lei 149-B, surgiu a primeira citação referente ao cheque, no seu art. 16, letra “a”, vindo o instituto a ser regulamentado pelo decreto 2.591, de 7 de agosto de 1912.

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Figura 2

Com o tempo, da mesma forma ocorrida com as moedas, os governos passaram a conduzir a emissão de cédulas, controlando as falsificações e garantindo o poder de pagamento. Atualmente, quase todos os países possuem seus bancos centrais, encarregados das emissões de cédulas e moedas. O conjunto de cédulas e moedas utilizadas por um país forma o seu sistema monetário. Este sistema, regulado por meio de legislação própria, é organizado a partir de um valor que lhe serve de base e que é sua unidade monetária (Real, Dólar, Euro, etc.). Atualmente, quase todos os países utilizam o sistema monetário de base centesimal, no qual a moeda divisionária da unidade representa um centésimo de seu valor (cêntimo, cents, centavos). Os países, por meio de seus bancos centrais, controlam e garantem as emissões de dinheiro.

Cartões de Crédito. O uso de moedas e cédulas está sendo substituído cada vez mais por pequenos cartões de plástico, que podem ser usados na compra de grande número de bens e serviços, inclusive em lojas virtuais, através da internet. Os cartões não são dinheiro real, simplesmente registram a intenção de pagamento do consumidor. Cedo ou tarde, a despesa terá de ser paga, em espécie ou em cheque. É, portanto, uma forma imediata de crédito.

O Cartão de Crédito surgiu nos Estados Unidos na década de 20. Em 1950, o Diners Club criou o primeiro cartão de crédito moderno, confeccionado em papel cartão e em 1955 passou a usar o plástico em sua fabricação. Em 1958, foi a vez do American Express lançar seu cartão. Na época, os bancos perceberam que estavam perdendo o controle do mercado para essas instituições e, no mesmo ano, o Bank of America introduziu o seu BankAmericard, que, em 1977, passa a denominar-se Visa; que hoje, juntamente com a bandeira MasterCard, lideram o setor, seguidas pela brasileira Elo. Os cartões facilitam a compra! Os cartões telefônicos também são um bom exemplo disso!

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Figura 3

O mais recente avanço tecnológico em termos de cartão foi o desenvolvimento do smart card, o cartão inteligente. Perfeito para a realização de pequenas compras, ele vem com um chip que pode ser carregado com uma determinada soma em dinheiro. À medida que o portador vai gastando, seu saldo vai sendo eletronicamente descontado. Quando o saldo acaba, o cartão pode ser carregado com uma nova quantia”, segundo o site Banco Central do Brasil. Um bom exemplo de smart card é o Salvador card para pagamento da passagem de ônibus e de metrô.

O Bitcoin. Recentemente, num ataque de hackers que afetou computadores de organizações de vários países, “sequestraram” o acesso aos dados e pediram uma recompensa para que o tivesse de volta. Para tanto, usaram um vírus de resgate que inutilizaram o sistema ou seus dados até que fosse paga uma quantia em dinheiro bitcoins! Foi aí, então, que o jovem britânico Marcus Hutchins, de 22 anos, entrou em cena. Ele gastou o equivalente a R$ 35,00 para comprar o endereço e conseguir analisar o comportamento do vírus. Mas, quando fez isso, sem querer, a propagação do programa foi interrompida, como se um “botão de segurança” tivesse sido ativado, levando à sua autodestruição. Mas, afinal, o que é bitcoin?

Segundo o site mandaê, bitcoin é uma moeda virtual criada em 2009 por um programador desconhecido, de pseudônimo Satoshi Nakamoto. Acredita-se que em algum momento um grupo de programadores ou o próprio Nakamoto teve a ideia de desenvolver um processo chamadomineração”. Nesse processo, os indivíduos ou empresas que doarem seus esforços para resolver enigmas matemáticos do sistema virtual têm como recompensa bitcoins recém-criados, que são liberados após uma decodificação. Como essas codificações a serem desvendadas são limitadas, novos bitcoins deixarão de ser produzidos e todas as transações serão feitas com os já existentes. Será quando o valor dessa moeda se estabilizará significativamente.

Além de mineração, a moeda virtual pode ser obtida em troca de dinheiro, produtos e serviços, além de ser possível ver a cotação do dia como qualquer outra. É possível enviar e receber bitcoin eletronicamente usando um software que serve como uma carteira virtual e pode ser implementado em um computador pessoal, dispositivo móvel ou um aplicativo web. As transações das carteiras são processadas, verificadas e registradas publicamente no meio virtual, mas apenas o seu ID é armazenado no registro público, não o seu nome real ou qualquer outro documento. O que garante, além de tudo, segurança nas transações.

Com o bitcoin, os empreendedores podem realizar seus maiores desejos: pagamentos recebidos instantaneamente, nenhuma taxa de transação, uma moeda universal e sem a intermediação de bancos ou qualquer outra entidade financeira, sendo você o único responsável sobre os valores das suas vendas. Conheça outras moedas virtuais aqui!

Com a informática, o dinheiro se transformou em impulsos eletrônicos invisíveis, livres do espaço, do tempo e do controle de governos e corporações”, afirmou  à Superinteressante, o antropólogo Jack Weatherford, da Faculdade Macalester, Estados Unidos, autor do livro A História do Dinheiro.

Visite o Museu Eugênio Teixeira Leal, o Museu do Dinheiro, especializado em moedas e condecorações e que tem um acervo composto por mais de 6000 peças. O Museu fica na Rua do Açouguinho, nº 1 – Pelourinho e funciona de terça a sexta feira das 9h às 18h; sábados das 13h ás 17h e domingos das 10h ás 14h. Visite a página no Facebook.

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Figura 4

Um abraço.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Museu de valores do Banco Central. Disponível em <http://www.bcb.gov.br/htms/origevol.asp>. Acesso em 17/05/2017, às 14h51.

BITCOINS BRASIL. O que é bitcoins? Disponível em: <https://www.bitcoinbrasil.com.br/o-que-e-bitcoin/ >. Acesso em 17/05/2017, às 13h25.

BITCOIN FORUM. Disponível em: <https://bitcointalk.org/index.php?topic=1506059.0>. Acesso em 17/05/2017, às 13h44.

MANDAÊ. Moeda virtual: bitcoin como solução para as vendas. Disponível em: <https://www.mandae.com.br/blog/moeda-virtual-bitcoin-como-solucao-para-as-vendas/?utm_source=worldsense&utm_term=moeda+virtual&utm_campaign=mandae&utm_medium=referral&utm_content=creative%25252540desktop>. Acesso em 18/05/2017, às 14h.

METRIC CONVERSION. Disponível em: <http://www.metric-conversions.org/pt/moeda/bitcoin-em-real.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 17h05.

SECULTBA – SECRETARIA DE CULTURA. Disponível em: <http://www.cultura.ba.gov.br/2017/03/13378/Museu-Eugenio-Teixeira-Leal-apresenta-seu-acervo-especial.html>. Acesso em 25/05/2017, às 14h40.

SUPERINTERESSANTE. Como surgiu o dinheiro? Disponível em <http://super.abril.com.br/cultura/como-surgiu-o-dinheiro>. Acesso em 19/05/2017, às 14h04.

TECMUNDO. Além dos bitcoins: conheça outras moedas virtuais. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/bitcoin/46659-alem-dos-bitcoins-conheca-outras-moedas-virtuais.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 14h16.

UOL NOTÍCIAS. Disponível em: <https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/05/17/cocuproníquelnheca-o-heroi-que-conseguiu-parar-o-avanco-do-ataque-virtual-wannacry.htm>. Acesso em 18/05/2017, às 17h17.

WIKIPÉDIA. Dinheiro. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dinheiro>. Acesso em 17/05/2017, às 14h16.

IMAGENS, acessada em 24/05/2017.

Figura 1: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:5_CENTAVOS_Brasil_1998.jpg

Figura 2: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deodoro_da_Fonseca_na_nota_de_20_mil_r%C3%A9is_de_1925.jpg

Figura 3: http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=150326&picture=&jazyk=PT

Figura 4: https://www.google.com.br/maps/@-12.9723968,-38.5092847,3a,60y,181.61h,91.27t/data=!3m6!1e1!3m4!1sLRb9sI6D1l6nqCc9HWdpxA!2e0!7i13312!8i6656

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Profe Soul!

Caros, colegas! Esse texto é um convite para repensar ser professor. O Programa Intervalo é um conteúdo audiovisual que contém 12 episódios que oportuniza o professor revelar seu potencial em parceria com a comunidade escolar. Esse programa é inspirado no intervalo escolar, realizado por educadores e técnicos do audiovisual e protagonizado por educandos e artistas que colaboram com a TV Anísio Teixeira.

O maior propósito é disseminar e debater conteúdos pedagógicos interdisciplinares, que dão lugar a arte, a ludicidade, ao entretenimento e ampliar os diálogos entre os sujeitos (educador e educando). Como fica evidente nas experiências pedagógicas dos professores que serão aqui citados, sem todavia, desprestigiar as experiências dos demais.

A educadora Gilbene Esquivel, do Colégio Estadual Germano Machado Neto, localizado no bairro de Marechal Rondon, em Salvador, autora do projeto “Com a Corda Toda”, fez um percurso poético e foi buscar nos versos da literatura de cordel a linguagem que evidencia e valoriza fatores culturais e identitários. Pois, segundo a educadora, “a principal intenção do concurso era possibilitar uma modalidade da literatura popular que pode ser muito bem aproveitado dentro da sala de aula”. E relata ainda: “Isso é muito gratificante, ver o aluno crescendo numa literatura que não é tão comum, mas que é muito importante para nossa cultura e para nossa Bahia”.

 

Geisseane Silva, educanda que participou ativamente do projeto, aborda: “Eu era uma aluna rebelde. Eu brigava na escola e ,depois que eu fiz o cordel, eu melhorei 100%. Eu me dediquei mais aos estudos. Parei de brigar… Passei a respeitar os professores.”

Portanto, relato como esse evidencia o potencial que está por trás de projeto dessa natureza, que convida o sujeito a participar e interagir como parte essencial do processo. Assista ao vídeo e veja todo o relato.

 

Já a experiência do professor Ródnei Souza, autor do projeto “Química das Sensações”, promove um movimento positivamente válido quando a educanda Rafaela Ferreira relata: “Um professor que me inspira bastante e me fez optar pelo curso de licenciatura em Química, na medida que ele mostra sempre de maneira interdisciplinar, contextualizando, chamando os estudantes para discussão e debate; aguçando a nossa curiosidade, trazendo sempre coisas novas(…) Pra mim, o professor Ródnei é um diferencial.”

Na fala do educador, ele revela: “É uma construção, um conjunto de motivações. Desde a influência de outros educadores, que eu fui conhecendo durante minha graduação, o contato  fora da universidade. Isso faz o professor que a gente quer ser.”

 


Portanto, iniciativas assim promovem ações para explorar toda a capacidade lúdica e criativa como forma de ampliar o potencial do educando, garantindo, assim, o fortalecimento de ações que validem os papéis dos sujeitos envolvidos no processo de construção.

Mônica Mota 

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Por trás de uma grande mulher….

 Em 1948, morria sozinha e desconhecida em Zurique, Mileva Maric. Poucas histórias no mundo científico seriam tão dolorosas e injustas como a dela!  Uma mulher brilhante, com pensamentos e atitudes muito além do seu tempo!  Nascida num período em que as mulheres eram responsáveis pela criação dos seus filhos e pela manutenção da casa, Mileva, diferentemente das demais, tinha outros anseios. A sua vocação para os estudos, e seu interesse por temas relacionados à Física e à Matemática, levaram o seu pai a pleitear uma permissão especial para que ela estudasse numa Escola Secundária, que, na época, era apenas para homens. No Outono de 1896, ela ingressou no renomado Instituto Federal Suíço de Tecnologia -ETH, em Zurique, onde iniciou os seus estudos de Física. Era a única mulher numa turma de seis alunos, e a quinta mulher a fazer parte daquela instituição.  Nesse mesmo ano, ingressava na mesma classe de Mileva, o jovem Albert Einstein, por quem mais tarde ela se apaixonaria e se casaria.

Einstein, Albert (1879-1955), Einstein-Maric, Mileva (1875-1948)

Disponível em wikimedia, acessado em 16/05/2017

Sabe aquele ditado que diz que por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher? Pois é! Acho que, no caso de Maric, a história dessa grande mulher, por uma ironia ou não do destino, foi ofuscada e escondida por trás de Albert Einstein.

No início, tudo não passava de uma relação de estudos compartilhados, experiências, ideias e inspiração mútua. Mileva se destacava nos estudos e isso fascinava o jovem Einstein, que logo se sentiu atraído pela jovem e passou a cortejá-la. Mesmo se sentindo atraída por ele, Maric renunciou por várias vezes o envolvimento, afinal, ela estava ciente dos desafios que enfrentaria como mulher num mundo estritamente masculino e preconceituoso.  Finalmente, depois de muitas investidas, em 1898, Mileva e Einstein se tornaram um casal e, nesse mesmo ano, os dois colaram grau. Einstein graduou-se, em Física, em 1900, enquanto Maric tentou duas vezes obter um diploma, mas seus esforços foram interrompidos quando ela ficou grávida em 1901. A filha, mantida em segredo pelas famílias, provavelmente foi dada em adoção ou faleceu depois do nascimento, só sabemos dela, graças às cartas deixadas por Einstein. Deprimida e envergonhada com a gravidez, Mileva retorna à casa dos seus pais e abandona definitivamente os planos de se graduar na ETH. Em janeiro de 1903, depois de vários conflitos, Einstein e Mileva, finalmente, se casaram.

Em 1905, Einstein publicou a primeira versão da Teoria da Relatividade, na qual o nome de Mileva aparece como coautora. No entanto, não sabemos o porquê, essa referência desaparece nas versões posteriores. Ao que tudo indica, Mileva teve papel decisivo na elaboração da Teoria da Relatividade, e isso está mais evidente num conjunto de 54 cartas de amor trocadas entre eles, encontradas em 1986, em que Einstein fala por várias vezes “a nossa teoria”, “nosso trabalho” e “nossa investigação” . Em uma das cartas, ele escreveu: “Quão feliz e orgulhoso serei quando nós dois juntos tivermos levado nosso trabalho sobre o movimento relativo a uma conclusão vitoriosa!”

Mas, quando Albert subiu para a estratosfera científica, Mileva foi relegada aos deveres domésticos e a criação dos filhos. Cada vez mais solitária e isolada, ela se tornou presa de suas próprias inseguranças, que a mergulharam numa depressão. Foi um destino trágico para uma mulher que não era apenas um gênio em seu próprio direito, mas que também pode ter contribuído para a Teoria da Relatividade.

 Separaram-se em 1914 e divorciaram-se dois anos mais tarde. Como parte do acordo, Einstein prometeu a Mileva os valores provenientes do Prêmio Nobel, dinheiro que ela recebeu em 1922. Ele nunca mais voltaria a produzir física ao mesmo nível da obra de 1905.

Referências:

WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Mileva Maric´. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Mileva_Mari%C4%87>. Acesso em: 16 de maio de 2017.

 DORIAN COPE. THE DEATH OF MILEVA MARIC. Disponível em: <http://www.onthisdeity.com/4th-august-1948-the-death-of-mileva-maric/>. Acesso em 06 de maio de 2017.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS/ INSTITUTO DE FÍSICA. Albert Einstein & Mileva Maric.  Disponível em:<http://www.if.ufrgs.br/einstein/mileva.html>. Acesso em 06 de maio de 2017.

Mulheres negras no cotidiano da cidade de salvador no século XIX

 

Olá, pessoal do PW!

Vocês já pararam para pensar sobre as experiências sociais das mulheres no passado? Esse texto convida a refletir a esse respeito, incorporando ao nosso repertório de conhecimentos histórias sobre mulheres negras no cotidiano da Bahia do século XIX.

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Mulher negra na Bahia. 1885. Por: Marc Ferrez

A família e a sociedade no Brasil são temas comumente pensados a partir dos pressupostos teóricos de Gilberto Freyre, na obra Casa Grande & Senzala (1933). Em seus escritos, as mulheres negras comparecem na condição de escravas a serviço da lavoura e da casa grande. É importante que professores e estudantes não se acostumem a pensar em um Brasil constituído assim, sob essa hierarquia estática e imutável. A realidade social é bem mais fluida e dinâmica e a historiografia tem sido acrescida de pesquisas que descrevem trajetórias de mulheres negras que tiveram um papel social mais amplo do que apenas escravas. É importante que professores e estudantes pesquisem e conheçam outras faces do cotidiano feminino no período oitocentista, para não incorrer no equívoco de pensar que apenas homens brancos fizeram história.

Como exemplo desse acréscimo de pesquisas, temos as discussões da  antropóloga Cecília Moreira Soares (1994) sobre como as mulheres negras tiveram um papel destacado no mercado de trabalho urbano, tanto como escravas de ganho quanto como mulheres livres e libertas, sublinhando que no espaço da rua elas tinham possibilidade de ter uma posição mais autônoma. Elas circulavam na cidade com seus tabuleiros, gamelas e cestas, ocupando ruas, praças e mercados. É preciso conhecer essas novas pesquisas que dão visibilidade às experiências sociais das mulheres negras. Jane de Jesus Soares (2009) pesquisou arranjos familiares na cidade de Salvador, reconstituindo a geografia da freguesia da Sé no século XIX e constatou que mulheres negras assumiam a posição de chefes de família na Salvador oitocentista. Adriana Dantas Reis Alves traz como objeto de sua tese a escrava jeje Luzia Gomes de Azevedo, que teve seis filhos com o senhor de Engenho Manoel de Oliveira Barroso, morador da freguesia de Paripe. O que chama a atenção na trajetória de vida dessa escrava é o fato de que os seis filhos foram legitimados pelo capitão e reconhecidos como seus herdeiros.

Esse é uma pequeno ensaio que tem por fim trazer um recorte da área de pesquisa sobre mulheres negras na Bahia, mostrando como esse tema é profícuo e importante para toda a comunidade escolar.

Valdineia Oliveira

Prof. de História da Rede pública Estadual da Bahia

FONTES:

ALVES, Adriana Dantas Reis. As Mulheres Negras por Cima O Caso de Luzia Jeje: escravidão, Família e Mobilidade Social – Bahia, 1780 -1830. (Tese de doutorado) UFF, 2010.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Editora Record, Rio de Janeiro, 1998,  34ª edição.

SOARES, Cecília Moreira. Mulher Negra na Bahia do Século XIX. (dissertação de mestrado) UFBA, Salvador 1994.

SOARES, Jane de Jesus. Mulheres Chefes de Família, Maternidade e Cor na Bahia do Século XIX. Feira de Santana, UEFS, 2009.

Fique ligado!

 

Olá, pessoal! Preparado?

É positivamente válido revelar experiências exitosas no cenário educacional, notadamente, quando elas vêm de sujeitos que valorizam e lutam por uma educação cada vez melhor.

O quadro “Faça Acontecer” que integra o Programa Intervalo da TV Anísio Teixeira (TVAT)/ Rede Anísio Teixeira  trata-se de um documentário em que, educandos da rede estadual de ensino, participam de atividades, seleções ou premiações incentivadas pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura / SEC.

Atavés dos projetos que estimulam o pensar educativo, científico, cultural e tecnológico orientados pela Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996) como: Festival Anual da Canção Estudantil (FACE), Artes Visuais Estudantis (AVE),Projeto Tempos de Arte Literária (TAL),Produções Visuais Estudantis (PROVE), Feiras de Matemática, Feira de Ciências e Jogos Estudantis da Rede Pública (JERP) para o fomento de atividades socioculturais que, para além dessa proposta, são atividades que estimulam a criatividade e criticidade  dos educandos com o propósito de valorização e divulgação de um produto, sem perder de vista sobretudo, o reconhecimento das questões identitárias dos sujeitos.

A proposta do “Faça Acontecer” versa por diferentes áreas do conhecimento o que permite, portanto, um diálogo interdisciplinar. O ponto forte desse quadro é, sem dúvida, revelar as potencialidades bem como o protagonismo estudantil dando visibilidade à sua produção e criação, claramente percebido  na fala do educando Pablo de Jesus,participante do AVE 2010,de Morro do Chapéu -BA. Assista ao vídeo abaixo e confira!

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Como fica evidente, o documentário aborda , a trajetória do estudante até a conquista da premiação, o enfrentamento e a superação de suas dificuldades revelando, consideravelmente, o papel da família e da comunidade escolar como os pilares para a realização do desejo de cada participante.  Para assistir aos demais vídeos acesse nosso ambiente!

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/episodios/id/6

Por fim, o “Faça Acontecer” é uma grande oportunidade de mostrar a sociedade  as potencialidades dos educandos . A exemplo de Mirela Andrade de Jeremoabo- BA, com seu projeto “A Geografia da fome” revela  grande contribuição  para um problema bastante gritante,  não somente no nosso contexto social, mas global. Seu trabalho científico ganhou a Feira de Ciências da Bahia em 2011 e teve ainda repercussão nacional  na Feira Brasileira  de Ciências e Engenharia (FEBRACE) em 2012 .

  Então! O que está esperando? Você, como muitos e tantos outros, pode ser o protagonista do próximo “Faça Acontecer”! Portanto, fique ligado no “Encontro Estudantil” e revele seu talento!

Mônica de Oliveira Mota

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

A Ponte Imperial sobre o Rio Paraguaçu

Olá, pessoal! Tudo bem?

Hoje, nós vamos falar sobre uma importante propriedade muito utilizada na engenharia, a rigidez dos triângulos, denominada ‘treliças’. Para contextualizarmos esse assunto, vamos analisar as treliças da Ponte do Imperador sobre o Rio Paraguaçu, que liga duas importantes cidades baianas: Cachoeira e São Félix, distantes 120km e 110km de Salvador, respectivamente.

O Rio Paraguaçu, com 614 km de extensão, é totalmente baiano! Sua nascente encontra-se na Chapada Diamantina, no Morro do Ouro, na Serra do Cocal, em Barra do Estiva – Bahia e deságua na Baía de “Todos os Santos”. O nome Paraguaçu é de origem tupi e significa ‘rio grande’. Estima-se que 5 milhões de pessoas recebem suas águas. O Rio separa duas importantes cidades: Cachoeira (395km2 de área) e São Félix ( 99km2), com 35.013 e 15.091 habitantes, respectivamente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 1º de julho de 2016.

No século 19, o governo imperial, sob o comando de Dom Pedro II, mandou construir uma ponte num estaleiro da Inglaterra, como presente de reconhecimento pela bravura do povo baiano no episódio de expulsão dos portugueses da Bahia. Com 365m de extensão, foi a mais importante ligação por terra entre as duas lindíssimas cidades e foi inaugurada em julho de 1885. É chamada de Ponte de Ferro ou Ponte Imperial Dom Pedro II e se constitui num cartão postal para o Recôncavo baiano. Pode ter sido um dos mais importantes empreendimentos no campo da engenharia, na época, com tecnologia inglesa, o que demonstra o contexto da época, da revolução industrial com uso do ferro. Ela veio desmontada da Inglaterra e foi cravejada e montada no local!

Ao observarmos objetos, construções e outras estruturas é comum verificarmos a presença de triângulos. Eles são muito utilizados na engenharia, na carpintaria, em estruturas de portões, grades, torres, etc. Como é o caso da Ponte Imperial (figura abaixo). Observe que sua estrutura é composta por vários triângulos, denominado treliças, cuja propriedade nenhum outro polígono possui e permite que a ponte fique firme, rígida e seja capaz de aguentar muito peso.

Figura 1- Ponte Cachoeira

http://olhokaolhodopombo.blogspot.com.br/2011_11_01_archive.html

A utilização dos triângulos na construção de diversas estruturas está relacionado a sua rigidez, isto é, não é possível alterar os ângulos internos de um triângulo mantendo as medidas dos seus lados fixas, o que não acontece com os demais polígonos. Uma estrutura formada por triângulos não se deforma.

Se você construir, por exemplo, um retângulo com palitos, ele se deformará facilmente, se confundindo com um losango ou paralelogramo ou até se desfazendo por completo. Porém, se colocar um palito ligando dois vértices não adjacentes, formando assim uma treliça, a estrutura ficará rígida, indeformável.

Figura 2

As estruturas flexíveis acima podem, porém, tornarem-se rígidas, para tanto, basta ligar dois vértices, não consecutivos ou não adjacentes. Veja:

Figura 3

Existem até concursos de pontes feitas de palito de picolé e os vencedores, em sua grande maioria, utilizam as treliças para a construção de seus protótipos. Veja aqui!

Além das pontes de treliças, existem pontes suspensas (ou pênsil), pontes estaiadas, pontes cantiléver, conforme mostradas nas figuras abaixo, respectivamente:

Pesquise e identifique as características de cada uma delas. Pesquise também, por estruturas na sua cidade, que utilizem os mesmos princípios físicos e propriedades matemáticas.

Um abraço e até a próxima, se assim Deus permitir.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

NEVES, Evandro Marques das. Rigidez dos triângulos. Disponível em: <http://bit.profmat-sbm.org.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/1509/2011_01319_EVANDRO_MARQUES_DAS_NEVES.pdf?sequence=1>. Acesso em 06/04/2017.

WIKIPÉDIA. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Treli%C3%A7a>. Acesso em 10/04/2017.

___________. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Cachoeira_%28Bahia%29>. Acesso em 10/04/2017.

MENDES, Sônia Regina Prado. Estudo dos Triângulos. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/31627/000783710.pdf?sequence=1>. Acesso em 10/04/2017.

GSHOW. Ponte que liga Cachoeira a São félix é cartão-postal do Recôncavo. Disponível em: <http://gshow.globo.com/Rede-Bahia/Aprovado/noticia/2016/10/ponte-que-liga-cachoeira-sao-felix-e-cartao-postal-do-reconcavo.html>. Acesso em 10/04/2017.

Imagens CC BY:

WIKIPEDIA. Acessadas em 11/04/2017. Disponíveis em:

VÍDEO. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=GELIA-eRSOw&t=1115s>. Acesso em 10/04/2017.

Arte perigosa!

Salve, gente boa que prestigia o nosso blog!

Muito provavelmente você já viu alguém fazendo pinturas incríveis em azulejos em alguma calçada. São verdadeiras obras de arte que exprimem sensibilidade e criatividade. Normalmente, são artistas de rua que usam os dedos para dar efeitos impressionantes à tinta que é aplicada ao azulejo através de spray como na foto 1, a seguir:

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Foto 1: Arte perigosa! Por Sílvia Santana.

A mistura de tinta com ar, formando uma dispersão de pequenas partículas, chamada de aerosol, pode ser obtida através de latas de spray (foto 2) ou produzida com o auxílio de um sistema de bombeamento (bombas ou borrifadores de inseticida ou equipamentos específicos, como compressores de ar acoplados a recipientes que permitem borrifar a mistura).

Spray_cans

Foto 2: Latas de tinta em spray. Por Levi Siuzdak – Obra do próprio, GFDL, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5225012

Na foto 1, os pintores são três crianças que usam os dedos como pincéis e as suas camisas para retirar os excessos de tintas e aplicar efeitos. Eles usam o mesmo tipo de tinta dos artistas que fazem grafite.

Para saber mais sobre o grafite, veja a postagem: Graffitti: a arte nas ruas – Expressão e liberdade!

Disponível em: https://oprofessorweb.wordpress.com/2013/04/15/graffiti-a-arte-nas-ruas-expressao-e-liberdade/

Veja também o episódio do quadro Cotidiano: Salvador, Salve a Cor

Disponível em: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3938

No uso das tintas spray, os fabricantes recomendam o uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), tais como máscaras, óculos de proteção e luvas. Sem qualquer tipo de proteção, os pintores de azulejos têm uma exposição muito prolongada aos componentes das tintas, uma vez que além da inalação típica da produção no grafite, usam as mãos para dar formas às tintas.  Para remover a tinta impregnada no seu corpo, costumeiramente, usam solventes orgânicos como gasolina ou removedor, ambos comprovadamente tóxicos.

As tintas spray já apresentam na sua composição solventes orgânicos (tolueno, xileno e derivados). As tintas mais baratas e as importadas clandestinamente, que não sofrem fiscalização, podem conter também metais pesados como o chumbo, o níquel e o cádmio, que são neurointoxicantes e bioacumulativos.

Os solventes orgânicos, de modo geral, são depressores do sistema nervoso central e, de acordo com o período, freqüência e intensidade da exposição, provocam desde sonolência, confusão mental e cefaléia, até depressão respiratória, coma e morte (PEDROZO & SIQUEIRA, 1989).

Os autores citam ainda como consequências: a dependência psíquica mais ligada à intensidade da exposição do que do tipo de solvente, e a  ansiedade e a depressão que podem surgir quando o uso é descontínuo. Se a exposição começa muito cedo como no caso do registro fotográfico do início dessa postagem, os efeitos cumulativos podem ser ainda mais nocivos à saúde.

A foto 1 expressa, ao mesmo tempo, a arte que deixa turistas encantados, o talento quase natural das crianças em paralelo à condição de risco à saúde e ao trabalho precoce que serve como fonte de renda. Trata-se de um quadro real que precisa ser objeto de reflexão, regulamentação e de transformação. Como você interpreta esse quadro? Poste seu comentário!

Referências:

PEDROZO, M. de F.M. & SIQUEIRA, M.E.P.B. de. Solventes de cola: abuso e efeitos nocivos à saúde. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 23:336-40, 1989.

Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico. TINTA SPRAY USO GERAL. Orbi Quimica. 2014. Disponível em: <http://orbiquimica.com.br/site/wp-content/uploads/2014/04/FISPQ-TintaSprayUsoGeral.pdf>. Acesso em 18 de abril de 2017.