O mito do Número de Ouro

Olá, galerinha do PW! Tudo beleza?!

A natureza está repleta de números que aparecem com grande frequência e se repetem em fenômenos e elementos diversos ao nosso redor. Essas constantes estão presentes nas construções humanas, nas artes e na própria natureza. Uma dessas constantes é conhecida como número de ouro.  Vocês já ouviram falar sobre ele? Não?!

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Espiral áurea – Disponível em Wikimedia, acessado 14/12/2016

O número de ouro vale 1,618… e foi descoberto pelo matemático Euclides há mais de 2300 anos, na Grécia Antiga. Na Matemática, é classificado como um número irracional e representado pela letra grega Φ (fi). Ele é fruto da divisão de uma linha reta em dois segmentos, cuja  razão entre eles é igual ao quociente entre a linha inteira e o segmento maior. A proporção áurea é fascinante e possui aplicações fantásticas em vários segmentos da matemática, artes, arquitetura e engenharia. No entanto, muitas delas não passam de mitos! Vários estudiosos, como o matemático Keith Devlin, o físico Donald E. Simanek e o astrofísico Mario Lívio, contestam alguns exemplos populares de aplicações dessa proporção, entre elas, algumas bem famosas, tais como: o Partenon, a Mona Lisa e as conchas de caramujos, conhecidas como Nautilus.

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Embalagens de sementes de Girassol -Institute of Science in Society, via CNET, acessado em 14/12/2016

De fato, essa proporção está presente com muita frequência na natureza, nas artes, nas ciências e numa variedade de situações. Por exemplo, na Matemática, podemos encontrá-la na famosa sequência de Fibonacci ( 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, .…), ao dividirmos dois números consecutivos continuamente. Na natureza, a embalagem de sementes na cabeça do girassol estão dispostas em uma série de espirais no sentido horário e anti-horário, em que, de uma forma geral, aparece a sequência de Fibonacci. Nas artes, o número fi está relacionado à estética e à beleza e muitos artistas e arquitetos, como Salvador Dalí e Le Corbusier, usaram nas suas obras.

Há muitos textos que afirmam que a fachada do Partenon, na Grécia, templo construído para louvar a deusa Atena, foi concebido com base na proporção áurea. No entanto, esse fato não pode ser verdade, pois o templo foi construído antes da descoberta do número de ouro por Euclides. Segundo Revlin, é muito fácil encontrar padrões onde eles não existem, afinal, se olharmos ao nosso redor, seremos capazes de encontrar qualquer número em qualquer lugar!

Outra mito muito famoso é o da Mona Lisa. Segundo muitos textos, é possível encontrar a espiral áurea em pontos distintos do seu rosto. No entanto, os pontos ondem se iniciam essas espirais parecem não ter muita lógica ou motivação. No site da Universidade Federal Fluminense (UFF), é possível verificar, através de simuladores, a falsidade dessas afirmações e verificar que não há presença da razão áurea no rosto de Gioconda, como muitos afirmam.

Para finalizarmos, não poderia deixar de falar sobre o Nautilus. De fato, temos  a presença da Matemática nessa concha, mas nem de longe a sua forma tem alguma relação com a espiral áurea. Na verdade, a sua forma obedece a uma escala logarítmica, algo que já tinha ouvido falar desde a época de ensino médio! No site da UFF, você poderá comprovar o que estou afirmando, utilizando alguns simuladores.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências:

Enciclopédia Livre, Wikipedia, Proporção áurea. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Propor%C3%A7%C3%A3o_%C3%A1urea. Acesso em 14 de dezembro de 2016.

Universidade Federal Fluminense, O número de ouro. Disponível em: http://www.uff.br/cdme/rza/rza-html/rza-vitruvian-br.html. Acesso em 14 de dezembro de 2016.

Gizmodo Brasil, Os mitos e verdades sobre a proporção áurea. Disponível em: http://gizmodo.uol.com.br/mitos-proporcao-aurea/.  Acesso em 14 de dezembro de 2016.

 

CENTENÁRIO DO SAMBA

Olá, galera!

Entre sons e rimas, atabaques e agogôs, danças e rituais, músicas e filmes, dramaturgias e palestras, o mês de novembro vem se consolidando como o período do nosso calendário especialmente dedicado aos eventos alusivos à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Tal fato está diretamente atrelado, também, ao Dia 20 de novembro “Dia Nacional da Consciência Negra”. A data é marcada pela luta contra o preconceito  no Brasil e foi instituída, criada e incluída no calendário escolar em 2003 , instituído em âmbito nacional mediante a Lei 12.519/11.

São de caráter iminente: enaltecer, empoderar e posicionar a população negra em seu lugar de protagonista na nossa sociedade. Mas nem tudo são “flores”!  Vivemos num país paradoxal, onde, segundo dados do IBGE, 54% da população é negra – maioria, portanto – e continua como alvo de práticas racistas.

Somos a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, país da África. Para além da reflexão sobre a valoração do negro como sujeito sócio- histórico da nossa sociedade, cabe constante  discurso de fortalecimento das já existentes e de novas políticas de enfrentamento ao racismo e de promoção à igualdade racial. Mudanças significativas vêm ocorrendo no país , ocasionando debates na sociedade sobre a importância das políticas de ações afirmativas.

O discurso sobre políticas de redistribuição e políticas de reconhecimento precisa estar presente  no dia a dia nacional. Não cabe esperar o mês de novembro chegar para que os discursos sejam intensificados e materializados.

As novas diretrizes curriculares propostas na Lei 10.639/03 sugerem que, para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana, professores e alunos da educação básica trabalhem a temática de forma a destacar a importância da cultura afro-brasileira para formação da nossa sociedade, onde os negros são sujeitos históricos. Desta forma, devem enaltecer os grandes intelectuais negros, a cultura (música, dança e culinária), e as religiões de matrizes africanas.

Objetivando atender às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, as professoras: Nancy Borges , Elenilda Almeida , Maria Ilza de O. Melo e a coordenadora Sueli Fernandes Moura do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira – CEAAT, localizado na Estrada da Muriçoca – Salvador/Ba., lançaram e coordenaram o projeto CEM ANOS DE SAMBA, com o apoio dos professores das demais áreas de conhecimento.

Fig.1 : Capa do Projeto Cem Anos de Samba.Foto cedida pelo CEAAT.A escolha do tema , segundo a professora Nancy Borges(idealizadora do projeto), foi devido ao fato de 2016 ser o ano de comemoração do centenário do samba e de ele ter nascido na Bahia, evidenciando suas contribuições para a afirmação da identidade afro-brasileira por meio da resistência política e cultural que se deu desde o nascimento deste novo ritmo musical que saiu dos morros para encantar o mundo.

Os estudantes abraçaram a ideia do projeto.Foram trabalhados, especificamente: samba, compositores, instrumentos musicais, variações do samba, sambas antigos e contemporâneos.Cada turma trabalhou um tema , recebeu orientação dos professores para os trabalhos de pesquisa e  organização das apresentações.

Para a professora Vitória Santana, “os estudantes assimilaram bastante  a ideia. O objetivo era que eles conhecessem o surgimento do samba no Brasil.Eles fizeram um passeio, uma viagem dos cem anos de samba através da cultura, das dança e músicas.”

Os temas foram apresentados através de exposições de murais e de estudos de instrumentos musicais utilizados no samba, de seminários, de palestras, de músicas, de danças, de roda de samba e de  exibição de filmes(essas atividades foram realizadas ao longo do mês de outubro).

A culminância ocorreu nos dias 16 e 17 de novembro ,com apresentação de painéis, jogos, desfiles, danças e músicas.

Fig.2 : Apresentações do projeto Cem Anos de Samba. Imagens cedidas pelos professores do CEAAT.Fig. 1 : Apresentações do projeto CEM ANOS DE SAMBA. Fotos cedidas pelos professores do CEAAT.

Estudante do 3.º ano A do CEAAT,Tahiná Coelho nos falou que “esse ano o Projeto Afro comemorou cem anos de samba.Ele é  muito importante porque ensinou a todos os alunos que não existe só uma modalidade de samba. A gente aprende muito, não só na prática de estudar,mas criando também.” Para o aluno Gabriel ,do 2.º ano matutino,“o projeto foi muito interessante e interativo.Aprendi bastante com os alunos, aprendi bastante com o assunto e aprendi bastante sobre a cultura do samba.O samba ele fez parte da minha vida e faz parte da vida de muita gente.Esse projeto incentivou muita gente a saber mais sobre a cultura do samba.Cultivem a nossa cultura que é isso que vai para frente”.

Fig.3 : Professores e estudantes do CEAAT. Foto Ana Rita Medrado.Fig. 2 : Professores e alunas do CEAAT. Foto : Ana Rita Medrado.

Para o professor Roberto Fernando dos S. Cerqueira, “a força criativa dos alunos é o que nos move. Com o improviso feito com a ajuda dos professores, os alunos conseguem dar um salto qualitativo e fica tudo lindo de se ver. Parabenizo aos professores e alunos pelas apresentações”.

Até o próximo!

Ana Rita Medrado

Professora da Rede Estadual de Ensino

Referências:

http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/lei-10639-03-ensino-historia-cultura-afro-brasileira-africana.htm

http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/04/negros-representam-54-da-populacao-do-pais-mas-sao-so-17-dos-mais-ricos.htm

http://www.seppir.gov.br/central-de-conteudos/noticias/2016/03-marco/seppir-debate-enfrentamento-ao-racismo-e-politicas-sobre-drogas-em-reuniao-da-onu

https://pt.wikipedia.org/wiki/Racismo_no_Brasil

https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%A3o_afirmativa

VOCÊ E A LEITURA!

Olá, leitores do nosso blog!

O incentivo para a leitura não vem só da escola, vem de casa, vem da vida.  A curiosidade estimula o querer saber, despertando nas pessoas a vontade para a leitura e, através dela, obter respostas para suas indagações, o que proporcionará bem estar a partir do momento da descoberta do desconhecido. A leitura possibilita interação entre o mundo lido e quem o lê. Você já parou para pensar nisso? Já pensou que a liberdade tão almejada por todos pode começar e pode estar na leitura? Então, por que será que o brasileiro ler tão pouco?

Existem alguns motivos que poderiam explicar o fato de pouquíssima leitura por parte dos brasileiros: o processo tardio de alfabetização; falta de vontade política; cultura do povo brasileiro mais oral do que textual; escasso investimento em estudo etc.

Ser letrado significa ir além de sabe ler e escrever, é saber “fazer uso competente e frequente [sic] da leitura e da escrita. Fala-se no letramento como ampliação do sentido de alfabetização e como prática social que favorece aos sujeitos interpretar os discursos veiculados socialmente.”Logo, o letramento tem papel de destaque e relevância  para a socialização do indivíduo cidadão, sendo a leitura uma conquista de autonomia.A partir dela, nós entenderemos melhor a realidade que nos cerca, ampliando os nossos horizontes, nos capacitando para todo e qualquer embate presente em nossa realidade.

Veja que projeto interessante sobre leitura, escrito pela Professora orientadora Shéfora Pina, da Escola Irmã Rosa Aparecida, localizada em Feira de Santana/Ba.Vale ressaltar que os professores do Fundamental I e II, da referida escola, participaram ativamente do processo que teve , em sua abertura,  o apoio da Escola Olavo Bilac.

PROJETO : “EU, OS LIVROS E NOVAS DESCOBERTAS”

 Texto adaptado do Projeto “EU, OS LIVROS E NOVAS DESCOBERTAS”, de autoria da Professora Shéfora Pina, da Rede Estadual de Ensino da Bahia.img-20161024-wa00052Fig. 1: Escola Irmã Rosa Aparecida. Captura : Shéfora Pina

O projeto de leitura na Escola Irmã Rosa Aparecida surgiu durante observações feitas pelos professores, em sala de aula e, em posteriores discussões nas ACs. Eles perceberam que, grande parte dos alunos, desconhecem a importância da leitura em seu processo de aprendizagem, leem somente por “obrigação”, sem perceber o real valor que a leitura pode lhes proporcionar. Tal desconhecimento sobre a relevância e a necessidade da leitura, aliado à atual realidade, pode distanciar crianças e adolescentes do contato direto com boas leituras, tornando-se um entrave no desenvolvimento do aluno, visto que ele não a vê como algo prazeroso.

O uso de computadores, jogos on-line, celulares, redes sociais, atrelado à ausência de acesso a livros no núcleo familiar, à falta de incentivo dos pais, muitas vezes ocasiona pouco interesse pela leitura e, por conseguinte, dificuldade em aprender texto.

O despertar precoce da sexualidade foi visto como motivador para o afastamento de adolescentes do ambiente escolar. Foi então, que os professores criaram o projeto “EU, OS LIVROS E NOVAS DESCOBERTAS”, propiciando aos educandos momentos lúdicos, com o objetivo de despertar o prazer pela leitura e contribuir para criar um ambiente de reflexão e discussão dos temas sexualidade e adolescência.

Foi realizado um “Show de Talentos”. Professores apresentaram peças teatrais, poesias,  shows musicais, cordéis. Os alunos  assistiram à tudo com muita satisfação.

Os trabalhos continuam sendo realizados diariamente em sala de aula. Mensalmente, os alunos participam como protagonistas de uma atividade com toda a comunidade, em que os professores são os espectadores: (HORA DA LEITURA; DOE UM LIVRO E TROQUE OUTRO; CINEMA NA ESCOLA; OFICINA DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIA, etc).

sem-tituloFig. 2 : Escola Irmã Rosa Aparecida. Capturas : Shéfora Pina e Célia Andrade

Relatos dos alunos sobre o projeto : Maria Luiza, 6.º ano B: “o projeto despertou em mim o hábito de ler.Era bem difícil eu fazer isso antes. Espero que a continuação seja melhor”. Já Valnélia de Jesus, 6.º ano B, falou:o projeto ‘EU, VOCÊ E  NOVAS DESCOBERTAS’ incentivou muito a minha leitura, pois os jovens e crianças estão muito ligados à tecnologia.Certo que ela também é uma fonte de conhecimento, mas os livros fazem a gente viajar para qualquer lugar… Apenas um livro desperta sentimento e tudo que você quiser.” A aluna Maria Clara, 7.º B, achou o projeto legal! Ela disse que o que mais chamou a atenção foi o interesse dos professores em mostrar mais entusiasmo em ler um livro. Ela até começou a gostar mais de ler.

Então, espero ter contribuído para o despertar da leitura e sua grande relevância para nossas vidas!

Até o próximo!

Ana Rita Medrado

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

Referências Bibliográficas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Letramento  http://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/44-da-populacao-brasileira-nao-le-e-30-nunca-comprou-um-livro-aponta-pesquisa-retratos-da-leitura/

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/04/por-que-os-brasileiros-leem-tao-pouco-4735112.html

http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-entrevista-detalhe/393/magda-soares-discute-como-mediar-o-processo-de-aprendizagem-da-lingua-escrita.html

Quem está estudando para o ENEM?

O Exame Nacional do Ensino Médio está se aproximando e, a partir da próxima segunda-feira, 22 de agosto, o nosso blog intensificará as discussões que podem auxiliar os estudantes durante a preparação para o exame.

Fig.1: Ilustração do Enem. Fonte: INEP

Fig.1: Ilustração do Enem. Fonte: INEP

Começaremos com uma semana temática (de 22 a 26 de agosto), que trará informações de todas as áreas do conhecimento (Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias). Nesse sentido, vamos problematizar e discutir assuntos que sempre figuram na prova. Em seguida, na segunda semana de setembro, voltaremos ao tema, fazendo uma associação entre o Enem e a Independência do Brasil.

De 19 a 23 setembro, abordaremos aspectos de nossa pluralidade cultural e como eles aparecem no Exame Nacional do Ensino Médio. Tudo isso, obviamente, levando em consideração outros temas transversais, como história e cultura africana e gênero e sexualidade. Para finalizar, dedicaremos o mês de outubro todo para falar de Enem e de temáticas voltadas para a saúde. Como elas aparecem na prova? Quais são as mais frequentes?

Quer saber? Então, não perca o nosso calendário! Acompanhe tudo por aqui e utilize os conteúdos do Ambiente Educacional Web para ter ainda mais sucesso no Enem!

Só para lembrar: o exame está marcado para acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016!

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Etnomatemática

Olá pessoal! Tudo Beleza? Espero que sim! Para abrirmos as discussões do mês de maio, falaremos sobre a etnomatemática, sob o ponto de vista dos povos e da cultura indígena. Durante muito tempo, essa etnia teve sua cultura, língua, ciência e conhecimento matemático renegados pelos povos colonizadores e pelo Ocidente. No entanto, sabemos que cada etnia  possui a sua própria forma de produzir ciência e de representá-la.  Assim como ocorre nas ciências, cada etnia  também produz seu conhecimento matemático, no qual esse saber também é representado de diversas formas  e surge a partir das necessidades de cada grupo étnico.

A etnia Guarani-Kaiowá por exemplo, não atribui o valor três  quando estão diante de três folhas de uma mesma planta. Os indivíduos desse grupo concluirão  que ali existe um único objeto. No entanto, se adicionarmos às três folhas  uma pedra e uma lasca de pau, eles dirão está diante de três objetos. Estranho? Não! Bem, eu diria que é cultural! Talvez eles tenham a mesma impressão a respeito do nosso sistema de numeração!

Outro exemplo, bem curioso, sobre a forma como as etnias indígenas representam alguns polígonos, é aquela adotada pelos povos Kuikuru para representar os triângulos. Os homens desenham estes polígonos com os seus vértices pintados, enquanto que as mulheres os desenham sem nenhuma pintura. Segundo pesquisadores, esta representação está associada aos mitos de gênero indígena e às partes vitais do seu corpo.

Essa forma particular que os grupos éticos utilizam para descrever os fenômenos, representar figuras geométricas e contar objetos, sob o seu processo de leitura de mundo, foi denominada, nos meados da década de 70, por alguns teóricos, de etnomatemática. O surgimento dessa corrente   emerge num momento em que as críticas sobre a existência de um currículo comum e uma única forma de apresentação do conhecimento matemático são muito rebatidas entre alguns pesquisadores, dentre eles, D´Ambrosio. Segundo eles, a Matemática Moderna não valoriza os conhecimentos prévios dos alunos proveniente do seu meio, contrapondo, assim, a etnomatemática, cujos olhares estão voltados para a matemática presente nas contas feitas pelo feirante, nas medições de áreas efetuadas pelo pedreiro, no dimensionamento dos artesões , nas técnicas de pesca dos ribeirinhos, nas receitas das cozinheiras e na forma de contar e construir artesanato dos povos indígenas.   Esses últimos, repletos de exemplos para o ensino da Matemática e revestidos de significado, por meio da simetria de seus traçados, dos ângulos presentes no cruzamento entre uma palha e outra das suas cestas, na pintura corporal por meio dos de seus adornos simbólicos e míticos.

Ao contrário do que se pensa, o estudo da matemática e da cultura indígena  pode contribuir para a interdisciplinaridade e transdisciplinaridade e, ainda, favorecer a contextualização dos conhecimentos tradicionais do ambiente escolar, trazendo significado e a aplicação para o ensino de Matemática, além de preservar a identidade dos povos indígenas.

Vamos aprender mais um pouco sobre a etnomatemática? Acesse agora o  AEW ( Ambiente Educacional Web)!

André Soledade.

Professor da Rede Pública Estadual.

Referências:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível  em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Etnomatem%C3%A1tica>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Socioambiental, Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kuikuro>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível  em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ubiratan_D%27Ambrosio>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Unicamp, Centro de Desenvolvimento de Professores. Disponível em: <http://www.ime.unicamp.br/lem/publica/e_sebast/etno.pdf>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Estatística Indígena

 

Olá, pessoal!

No Brasil, até a década de 80, acreditava-se que os povos indígenas estavam a caminho da extinção. Segundo o CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação, a população indígena estimada era de, apenas, 204.000 habitantes, quando a população brasileira era de, aproximadamente, 133 milhões de habitantes. Ou seja, a população indígena brasileira era de aproximadamente 1,53% do total da população. O País tinha cerca de 662 terras indígenas. Nas décadas seguintes, no entanto, essa tendência se reverteu, houve rápido crescimento populacional verificado na maioria dos grupos, todavia, o Censo 2010 revelou algo preocupante. Acompanhe os dados.

De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, a população brasileira era de 190.755.799, dos quais apenas 0,47% ou 896,9 mil eram indígenas, morando tanto em terras indígenas (63,8%) quanto em cidades (36,2%). Do total, 817,9 mil se autodeclararam índios no quesito cor ou raça e 78,9 mil, embora se declarassem de outra cor ou raça, principalmente parda (67,5%), se consideraram indígenas pelas tradições e costumes. Se na década de 80 a situação era preocupante, o que dizer a de agora?

O maior contingente indígena está na região Norte: 342.836 indígenas (38,2%) e o menor, na Sul: 78.773 (8,8%). Considerando a população indígena residente fora das terras indígenas, a maior concentração está no Nordeste: 126.597 (33,4%).

“Ainda, segundo o Censo 2010, o País tem 505 terras indígenas, que representam 12,5% do território brasileiro (106,7 milhões de hectares), onde residem 517,4 mil indígenas (57,7%), dos quais 251,9 mil (48,7%) estão na região Norte. Apenas seis terras têm mais de 10 mil indígenas; 107 terras têm entre  mil e 10 mil; 291 terras têm entre 100 e 1000 e em 83 terras residem até 100 indígenas. A terra com maior população indígena é Yanomami, no Amazonas e em Roraima, com 25,7 mil indígenas.”.

Segundo a Funai “Foi observado equilíbrio entre os sexos para o total de indígenas. Para cada 100,5 homens, há 100 mulheres. Há mais mulheres nas áreas urbanas e mais homens, nas rurais. Percebe-se, porém, um declínio no predomínio masculino nas áreas rurais entre 1991 e 2010, especialmente no Sudeste (de 117,5 para 106,9), Norte (de 113,2 para 108,1) e Centro-Oeste (de 107,4 para 103,4).”.

Espero que esse texto tenha lhe dado uma dimensão dos povos indígenas do nosso país.

Os professores poderão utilizar esse texto na aula de estatística, estimativa, porcentagem, regra de três simples e muito outros assuntos de diversas disciplinas.

Um abraço.

REFERÊNCIAS

PORTAL BRASIL. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/governo/2012/08/brasil-tem-quase-900-mil-indios-de-305-etnias-e-274-idiomas. Acesso em 06/04/2016.

IBGE. Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=8. Acesso em 06/04/2010.

FUNAI – Fundação Nacional do Índio. Disponível em: http://www.funai.gov.br/index.php/educacao-escolar-indigena. Acesso em 06/04/2016.

CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação. (1985). Considerações preliminares acerca do compromisso firmado entre o CVRD e a Comunidade Indígena Parkatêjê (Gavião do Pará): Parecer relativo à viagem de campo realizada entre 2 e 14.11.84, 1984g. In: CENTRO Ecumênico de Documentação e Informação. Povos Indígenas no Brasil? V. 8, II, São Paulo, CEDI.

OUTRAS HISTÓRIA. Disponível em: http://mekstein.blogspot.com.br/2010/02/pequeno-dicionario-de-palavras.html. Acesso em 06/04/2016.

Matemática e suas diversas funções

Estudante-repórter: Érica de Jesus

Olá, galerinha!

A Feira Baiana de Matemática visa implementar melhorias para problemas no cotidiano estudantil e educacional. Nessa edição, a Secretária da Educação do Estado promove a 5° Feira de Ciências da Bahia ( Feciba) e a 10° Feira Baiana de Matemática ( FBM), expondo de 240 trabalhos de estudantes de diversos municípios do Estado.

Alberto Amorim Filho, 49 anos, é professor e orientador da disciplina geografia e do Projeto “ Planetário na escola : Uma proposta para popularizar a astronomia e o software livre na sala de aula ”, Colégio Estadual Teotônio Vilela ( CETV), Feira de Santana. O professor também orientou os subprojetos: Astro engenharia , Luar do Sertão, Matemática e Astronomia e Telescópios na Escola, desenvolvidos pelas estudantes Aline Santana e Ana Vitória Santos .

O intuíto do projeto foi de mostrar a possibilidade em criar possibilidades, utilizando as Feira Baiana de Matemática e recursos básicos existentes na escola, como a internet, sala de laborátotio e o projetor, transformando-os no trabalho de Astronomia. Realizamos uma pesquisa sobre como seria o desenvolvimento com software livre, obtendo um resultado positivo, quebrando o olhar negativo acerca desse tipo de software”, afirma Alberto Amorim Filho.

 

Entrevista com o professor Alberto Filho. Foto : Bira Mendes

Entrevista com o professor Alberto Filho. Foto : Bira Mendes

Ana Vitória Santos, 17 anos , estudante, 2° ano do Ensino Médio , ( CETV)  afirma; O projeto que confeccionamos foi simples, utilizamos um projetor e um programa que baixamos da Internet, já estamos colocando em prática na escola. Na teória, deveriamos ter acesso ao software livre em sala de aula, infelizmente, muita  vezes os professores não possuem suporte suficiente para desenvolver uma atividade que seja produtiva para que os alunos compreendam sobre determinado assunto”.

 

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Ana Vitória e Alana Santana, participantes da FBM. Foto : Bira Mendes.

Geiziane Dantas , 16 anos , 3° ano do Ensino Médio , Colégio Estadual Ernesto Ribeiro, do munícipio Saúde , trouxe o tema: “ Acessibilidade e inclusão social : uma análise sobre a cidade de Saúde – Ba ”. Em depoimento, Geiziane relata o motivo da temática abordada na Feira, devido às grandes dificuldades de locomoção das pessoas deficientes físicas e/ou visuais, dentro da cidade, em especial, o Centro da cidade, onde se encontra o maior número de pessoas transitando. “O nosso maior objetivo é sensibilizar o Prefeito e Vereadores, para que eles reorientem a nossa cidade, visando também a locomoção de todos,  incluindo os comerciantes que, infelizmente, encontram-se nas calçadas. Assim, esse projeto seria de grande importância para todos, pois os deficietes já sofrem muito preconceito devido às suas condições físicas” conclui ela.

Geiziane Rosa, participante da FBM. Foto : Bira Mendes.

Geiziane Rosa, participante da FBM. Foto : Bira Mendes.

 

A estudante-repórter Érica de Jesus. Foto: Raulino Júnior

A estudante-repórter Érica de Jesus. Foto: Raulino Júnior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Érica de Jesus tem 21 anos, é estudante do Centro Estadual de Educação Profissional da Bahia, que fica em Salvador, e faz parte da equipe de Cobertura Colaborativa Estudantil.