Firehosing? O que é isso?!

Olá!

A essa altura, você já deve conhecer bem o termo fake news. Mas você sabe o que é firehosing? Este é mais um termo da língua inglesa que tem a ver com essa prática nada recomendável, aliás criminosa, de espalhar notícias falsas, mas desta vez em grande volume.

Firehosing é um composto de duas palavras em inglês, a saber, fire (fogo) e hose (mangueira). Firehose, portanto, é mangueira de incêndio, que, com o acréscimo do sufixo ing passa a denominar o ato de extinguir o fogo.  E como todos sabemos, o jato de água que sai desse tipo de duto é tão potente, que pode causar danos gravíssimos quando apontado para pessoas, o que costuma acontecer em algumas manifestações públicas, como no movimento pelos direitos civis dos negros, nos Estados Unidos, em 1963. Segundo relatos daquela época, a força dos jatos disparados contra a população negra era tão intensa que a carne de alguns chegou a ser separada dos ossos! E a manifestação foi pacífica… Assista ao vídeo de 24 segundos, sobre aquele dia.

https://en.wikipedia.org/wiki/Birmingham_campaign High school students are hit by a high-pressure water jet from a fire hose during a peaceful walk in Birmingham, Alabama in 1963.

Já deu pra perceber a relação entre firehosing e fake news? Isso mesmo: assim como as mangueiras de incêndio potencializam o jato d’água, do mesmo modo a distribuição em massa de fake news potencializa seus efeitos. Dizendo de outra maneira, firehosing vem a ser o envio repetitivo de notícias falsas, em um volume tão grande, que é quase impossível não se atingir o objetivo: influenciar pessoas. E se apenas um único zap maldoso pode causar estragos na vida de alguém, imagine uma quantidade imensa de fakes sobre um mesmo fato!

Além dos péssimos exemplos dessa prática que presenciamos recentemente, gostaria de mencionar um outro caso curioso, envolvendo um conceituado site que reúne informações sobre os melhores lugares e serviços do mundo. Vamos lá: um cara de Londres resolveu inventar um restaurante. Ele começou a publicar fotos e fatos a respeito de sua invenção, em tal quantidade, que o TripAdvisor inseriu o restaurante em sua lista de recomendações. Lembre-se: o restaurante não existia! Inicialmente, o falso restaurante ocupou a posição Nº 18.149 na lista das recomendações. Com isso, as pessoas começaram a ligar para o telefone informado, querendo fazer reservas. Quanto mais informações sobre o falso restaurante eram publicadas, mais aumentava o número de ligações de clientes em potencial. Para resumir, o falso restaurante chegou a ocupar a 30ª posição entre os melhores restaurantes da capital inglesa. Para ler mais sobre isso, clique aqui.

Minha vó costumava dizer quemuitos Deus te acompanhe pode [sic] não levar ninguém pro céu; mas basta um único diabo que te carregue pra acabar com a vida de uma pessoa”.

Foi preciso muito esforço para que as “qualidades” do falso restaurante o fizessem constar do site mencionado; mas basta um único zap maldoso para minar relações.

Mas por que acreditamos em notícias falsas?

Será que essa tendência tem a ver com o fato de desejarmos que certas coisas aconteçam contra o que odiamos ou a favor do que admiramos, independentemente da verdade?

A Psicologia e a Filosofia trabalham com dois dos conceitos que podem explicar muito bem essa nossa tendência: o raciocínio motivado (vale muito a pena assistir vídeo abaixo) e o realismo ingênuo. O primeiro conceito trabalha a ideia de que somos mais suscetíveis a crer naquilo que está, de certo modo, de acordo com nossas próprias opiniões, a ponto de acolhermos os factoides publicados, mesmo que nos digam que não são verdadeiros. Podemos, até, fazer uma pesquisa, mas vamos encontrar outras dez notícias falsas e apenas uma ou duas verdadeiras. Assim, desistimos de procurar, acreditando que o falso é verdadeiro, por causa das nossas próprias crenças.

O segundo conceito trabalha a ideia de que cremos que a nossa opinião sobre os fatos é a única possível e que quem discorda dela é um tolo, idiota e, claro, ingênuo.

Foi assim que vimos uma nação inteira acreditando que havia armas de destruição em massa, no Iraque, como justificativa para uma invasão (março de 2003) e destruição daquele país. Os americanos não tinham nenhuma prova, mas tinham muita convicção. E mesmo que o chefe dos inspetores no Iraque, Hans Blix, tivesse informado que não tinham encontrado nenhum sinal das tais armas, mesmo assim, o país foi invadido. No final, a verdade: as tais armas nunca existiram. Será que um pedido de “desculpem aí, Iraquianos. Nós nos enganamos” resolve a questão?

Veja um exemplo do raciocínio motivado (2’08”):

Para escrever este texto, fiz uma pesquisa exaustiva sobre os conceitos que trouxe aqui. Encontrei muitos textos que foram escritos antes do resultado do segundo turno da nossa eleição presidencial e todos apontavam para o cenário que, ora, conhecemos. Eu mesmo escrevi, neste blog, sobre o poder da mídia (2016), já apontando para o futuro. A cada texto lido, parei para refletir sobre minha inclinação política e o conteúdo que apresento, sentindo-me em paz, pois contra fatos não existem argumentos. O fiel da balança pendeu para as muitas respostas que dei à avalanche de fake news que eu recebi, via Whatsapp. Respondi apresentando os fatos reais, nas versões originais, sem os cortes tendenciosos. Mas foi tudo em vão. Os que me enviaram as mentiras continuam crendo nelas.

Fazendo a autocrítica, adverti a muitos que, da esquerda, também fizeram uso da mesma estratégia, mas num volume imensamente menor, não caracterizando o firehosing.

Cristiano Ronaldo (Portugal) being shown a yellow card after a challenge with Iranian player that was reviewed by referee Enrique Cáceres as a potential red card incident.

Ah! Quem dera pudéssemos recorrer ao VAR (Video Assistant Referee), como se faz no futebol, quando o juiz precisa confirmar a verdade dos fatos. Infelizmente, no lance envolvendo o jogador Cristiano Ronaldo, na Copa 2018, mesmo com seis árbitros de vídeo indicando cartão vermelho, o juiz, soberanamente, deu apenas o cartão amarelo. O que teria motivado o raciocínio daquele juiz? Veja o trecho da cotovelada e decida você.

Este texto não é sobre política partidária. É sobre pessoas e futebol.

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino do Estado da Bahia.

REFERÊNCIAS

View story at Medium.com

https://exame.abril.com.br/tecnologia/a-psicologia-por-tras-das-noticias-falsas/http://revistasimplesmente.com.br/raciocinio-motivado/

https://revistagalileu.globo.com/blogs/olhar-cetico/noticia/2014/10/raciocinio-motivado-acreditamos-no-que-confirma-nossas-esperancas-e-preconceitos.html

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2003/030110_iraqueep.shtml

https://en.wiktionary.org/wiki/firehosing

Hipercorreção

Em Linguística, hipercorreção também chamada ultracorreçãoé um fenômeno muito presente no cotidiano dos falantes de uma língua, que, nas palavras da professora Stella Maris Bortoni-Ricardo, “decorre de uma hipótese errada que o falante realiza num esforço para ajustar-se à norma-padrão. Ao tentar ajustar-se à norma, acaba por cometer um erro”, (BORTONI-RICARDO, 2004 p.8, apud SANTOS).

Há várias definições para o fenômeno, sendo algumas bem sofisticadas, mas, resumindo, é fazer correção onde não há erro. E isso acontece por diversos motivos, desde simples analogias ao que já foi aprendido, passando pela insegurança linguística, até o esforço de falar difícil.

Como exemplos de analogia às formas já aprendidas, os mais corriqueiros vêm de falantes que aprendem a dizer telha em vez de teia e velha em vez de véia e que passam a dizer também telha de aranha e injeção na velha.

De acordo com o professor Cláudio Moreno, “não é qualquer pessoa que comete erros de hipercorreção; paradoxalmente, eles só atacam os falantes que têm certo grau de estudo, preocupados honestamente com o correto uso do idioma”, (MORENO, 2009). Há casos em que alguns falantes chegam a repetir um termo que a outra pessoa disse, de modo hipercorrigido, com a intenção de apenas “educar”, pois julga estar fazendo a coisa certa. A palavra privilégio, por exemplo, é uma das preferidas, ao ser repetida pelo outro interlocutor como previlégio, numa tentativa de ensinar “o certo” ao outro. Esse erro, talvez, acontece, por conta dos usos cotidianos do prefixo pré, como em pré-pago, pré-escola e de palavras como previdência, previsão, previsto, presidente, prepotência, preposição, etc. Nesse caso, o falante acaba trocando o i pelo e, tentando seguir um padrão. Essa é só uma forma bem simples de tentar entender parte desse processo.

Entre pessoas comuns, a hipercorreção ocorre de modo corriqueiro, sem traumas. Já entre pessoas públicas e/ou famosas, o caso vai parar na mídia! Foi assim com o ministro, quando disse em público: haverão (sic) mudanças” no Enem. O caso foi manchete em tudo quanto é jornal e nas redes sociais. O alarde teve um lado positivo, pois muita gente ficou sabendo da regra com o verbo haver, que quando significa ocorrer, existir, etc., é impessoal e, portanto, deve permanecer na 3ª pessoa do singular. Mas quem está livre desses escorregos na língua? O falante aludido aqui não era apenas ministro: a pasta dele era da Educação, daí a exigência da multidão. Mas quando essa exigência se faz a alguém que não teve acesso ou precisou deixar a escola pra trabalhar, passa a configurar preconceito linguístico.

Nos anos sombrios da ditadura, houve um outro tipo de correção. Essa, sim, era perversa e cheia de más intenções. Considerando nossa imensa área territorial e toda a diversidade linguística decorrente disso, é um crime censurar alguém pelo registro que utiliza para se comunicar, ou pelo estilo que deseja imprimir em suas obras. E se essa comunicação se faz pela poesia, ainda mais dor causa a censura. Assim, erra quem tenta corrigir a voz de um Patativa do Assaré, quando ele diz basta vê no mês de maio, um poema em cada gaio, um verso em cada fulô”. Que maldade corrigir um Adoniran Barbosa por conta do seu “Tiro ao Alvaro. Quem não cantou e ainda canta ‒ “De tanto levar frexada do teu olhar…”.

Sim, censores, o teu olhar mata mais que atropelamento de artomorve, mais que bala de revorve”.

“A hipercorreção da ditadura contra ‘Tiro ao Álvaro’, de 1974.
Documento oficial da DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), em que consta censura à letra da música “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa, em 1974. O órgão da ditadura militar que atuou entre 1964 e 1985. Este e outros acontecimentos documentos podem ser vistos em www.memoriasreveladas.gov.br.
Imagem e descrição extraídas de
<http://www.advivo.com.br/blog/joao-paulo-caldeira/clone-de-fotos-charges-e-tirinhas-230>

REFERÊNCIAS:

MORENO, Cláudio. Hipercorreção. Disponível em < http://sualingua.com.br/2009/05/11/hipercorrecao/ >. Acessado em 13/07/2018.

SANTOS, Edson. O fenômeno da hipercorreção linguística: entenda um pouco mais. Disponível em <https://revistaidentidade.webnode.com.br/news/o%20fenomeno%20da%20hipercorre%C3%A7%C3%A3o%20linguistica%3A%20entenda%20um%20pouco%20mais/>. Acessado em 13/07/2018.

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Educação.

Texto publicado originalmente em http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2018/07/19/hipercorrecao/

A arte de dar vida às personagens

Construir uma obra fílmica de ficção é uma tarefa de responsabilidade imensa já que personas vão tomando formas concretas, a tal ponto de seu autores não conseguirem mais frear suas atitudes, pois, quando a construção delas é sincera, elas passam a falar por si só, obrigando aos seus desenvolvedores esquecerem de suas premissas, conceitos e pré-conceitos sobre tudo. As ações perpassam os interesses de quem as escreve como se, de repente, não conseguissem mais segurar a língua e o corpo dessas criaturas e, se tentarem fazê-lo, estarão negligenciando seus atos, causando até uma inverossimilhança interna por conta dos seus conceitos pré-concebidos.

No cinema, isso é exposto à máxima potência já que, além das ações descritas em palavras, temos as ações concretizadas em forma de imagens captadas em close, revelando, então, nuances de gestos, muitas vezes imperceptíveis em outros veículos como o palco de teatro e, até mesmo, a tela da TV, pelo seu tamanho reduzido.

Existem diversos exemplos de personagens que tomaram outro rumo que não era o previsto por seu autor, no início. Eram simplesmente coadjuvantes, mas que ganharam uma força tão grande, que superaram os protagonistas. Veja como exemplo o Coringa do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, no qual o ator Heath Ledger “rouba” a cena, deixando o personagem Batman quase que em segundo plano. Segundo o diretor, a proposta não era inicialmente essa, mas o empenho do ator fez com que cenas extras fossem criadas para explorar mais o caráter da personagem.

mcdonalds-2227657_960_720

Fig,1 Ator Heath Ledger

Em outros casos, personagens coadjuvantes tomam vida de forma tal que cenas extras começam a ser escritas para elas, como foi o caso de Bebel, interpretada por Camila Pitanga em Insensato Coração de Gilberto Braga.

No Brasil, existem outros exemplos de mudança no caminho de algumas personagens, tanto no cinema, quanto na TV, a exemplo de Igor, o cigano, interpretado pelo modelo Ricardo Macchi na novela Explode Coração, de Glória Perez. Na história era previsto o romance entre ele e Dara, a protagonista interpretada por Tereza Seiblitz. No entanto, a interpretação do ator ficou muito abaixo do esperado e o romance dos dois foi declinando até calar sua voz, sendo substituído por um outro par romântico, formado agora por Dara e João Falcão, interpretado por Edson Celulari.

1280px-Logo_Explode_Coração

Fig. 2 google.com.br/url

Quando personagens perdem a importância, devido à dificuldade de seus intérpretes em construí-los e desenvolvê-los, ao longo das telenovelas, o autor, muitas vezes toma a atitude mais drástica, a de matá-los. Em se tratando de filmes, a saída é cortá-los na edição.

Como a vida imita a arte, segundo um ditado bem conhecido, há também personagens reais que assumem posições nas quais  não eram esperadas, muitas vezes em detrimento de outros. Vejamos o caso da presidência da república que, por diversas vezes e diversos motivos, teve seu vice assumindo a vaga do presidente, em alguns momentos do nosso país: Deodoro da Fonsêca foi substituído  por Floriano Peixoto, através de um Golpe de Estado; Afonso Penna, por Nilo Peçanha, por causa da morte daquele; Delfim Moreira por Rodrigues Alves, que assumiu, interinamente, já na posse, por doença do líder; Getúlio Vargas por Café Filho, Jânio Quadros por João Goulart, Tancredo Neves por José Sarney (da mesma forma que aconteceu com Delfim Moreira e Rodrigues Alves), Fernando Collor por Itamar Franco e, por último, Dilma Rousseff por Michel Temer e, neste caso, também se tornou uma verdadeira história de horror.

O racismo no Brasil: a questão do colorismo

A sociedade brasileira se construiu a partir de algumas bases históricas, entre elas o racismo estrutural. A escravidão, além de ter sido a atividade que sustentou por três séculos a economia no país, deixou marcas sociais profundas, como o racismo, crença e prática a partir das quais se estabelecem hierarquias sobre a pessoas com o critério racial. Apesar de o racismo também afetar as pessoas por características étnicas (no campo das práticas culturais), o preconceito com o fenótipo negro é gritante no cotidiano brasileiro.

Os negros e negro-mestiços brasileiros ainda hoje sofrem consequências do lugar social que ficou legado pela escravidão, seja nas diferenças evidentes nos aspectos sócio-econômicos, seja na negação das representações positivas de negritude em espaços de poder. Na TV e nas mídias em geral, não temos o povo negro representado devidamente na complexidade de sua presença na sociedade brasileira.

Entre as pessoas, descendentes de africanos nascidos no Brasil, é preciso falar da diversidade de tonalidades de cor de pele, provenientes da miscigenação que ocorreu no Brasil desde o século XVI. O fenótipo (característica física que se observa nas espécies) negro no nosso país é variado. Peles mais claras ou escuras, cabelos crespos, traços fisionômicos negróides são comuns à maioria da população e são considerados hoje, características da negritude brasileira. 

Negra_da_Bahia,_1885._Foto_de_Marc_Ferrez
Mulher negra da Bahia fotografado por Marc Ferrez (c.1885).

Neste sentido, não é apenas negro aquele que possui a pele de cor negra, mas as pessoas que comumente podem ser chamadas de “mestiças” também são negras, na medida que fazem parte de uma extensa comunidade de pessoas que compartilham de lugares sociais reservados aos negros, podendo algumas vezes estarem presentes em outros estratos sociais, mas sempre com a marca da negritude. Nesse sentido, assumir a negritude é um ato político.

Essa variedade de tons de pele das pessoas negras é chamada de colorismo e ganhou destaque nos debates sobre racismo bem recentemente, inclusive como desenvolvimento das pressões necessárias exercidas pelos movimentos de afirmação étnico-racial em terras brasileiras. O colorismo é um fenômeno nosso, e entender sua existência diz respeito às maneiras como o racismo atua no Brasil, ora aproximando, ora afastando pessoas negras com diversas tonalidades de pele. As pessoas de cor mais escura e características negras mais marcantes certamente sofrem mais com o racismo, pois são identificadas de imediato com o imaginário negativo construído sobre os negros no Brasil, mas isso não significa que negros de pele mais clara possam ser identificados como pessoas brancas e gozem integralmente dos privilégios mais amplos dos brancos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Afro-brasileiros#/media/File:Alberto_Henschel_Pernambuco_2.jpg
Moça mulata fotografada por Albert Henschel (c.1869).

O colorismo precisa ser conhecido e discutido cada vez mais, seja nas ruas, nas Escolas, em casa, em todos os ambientes. Ah! E por falar nisso, que tal conferir dois episódios do Quadro Histórias da Bahia, da Rede Anísio Teixeira que abordam a presença africana e afro-brasileira na história do Brasil?

O primeiro é Heranças do além-mar  e o segundo é Revolta dos Malês!

Vamos pros debates!

 

Carlos Barros

Professor da Rede estadual de ensino da Bahia.

Vai de Espanhol no Enem?

 

Hispanofonia: em vermelho, o espanhol como língua oficial; em azul, como segunda língua oficial e, em rosa, não oficial mas de grande importância. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Map-Hispano.png

A prova de língua estrangeira no Enem chega a causar alguma preocupação entre os estudantes, sobretudo por causa do tempo de estudo de idiomas que é sempre insuficiente, mesmo em escolas que levam a sério a questão. Levando-se isso em consideração, atentar para algumas dicas vai ajudar bastante. Na verdade, são poucas as questões de Espanhol – apenas cinco -, mas que visam a testar não só o conhecimento da língua, mas também a capacidade de interpretar o que está nas entrelinhas. Para isso, é preciso conhecer pelo menos um pouco sobre as culturas por trás do idioma, pois o espanhol é falado desde o México até o extremo sul do Chile e Argentina, além da Espanha, é claro, espalhando-se sobre um imenso mosaico cultural, refletindo na língua, em cada canto, os costumes próprios de cada país. Mas não devemos nos preocupar muito quanto à diversidade decorrente desse fato, porque existe uma instituição que se encarrega de manter a unidade linguística entre os vários territórios abrangidos. Trata-se da Real Academia Espanhola que, nas palavras extraídas do próprio site, “es una institución con personalidad jurídica propia que tiene como misión principal velar por que los cambios que experimente la lengua española en su constante adaptación a las necesidades de sus hablantes no quiebren la esencial unidad que mantiene en todo el ámbito hispánico”, según establece el artículo primero de sus actuales estatutos. 

É preciso notar que o texto fala de unidade e não de unificação. A propósito, no Enem de 2013 uma das questões da prova de Espanhol tratava, exatamente, desse assunto. Dê uma olhada, seguindo o este link.

Quanto ao pequeno trecho em espanhol acima, as palavras são muito próximas do português, pois derivam do mesmo latim popular. Mas é preciso atentar para algumas armadilhas do idioma, pois uma mesma palavra pode ter sentidos diferentes lá e cá. Por exemplo, observe a charge abaixo:

Fonte: http://www.tradutoradeespanhol.com.br/2013/01/falsos-amigos.html

 

Num momento anterior à representada na imagem, a espanhola (de azul) pediu “una taza de café”. A brasileira, então, serviu-lhe café numa taça. Taza parece taça, mas é xícara. E taça em espanhol é copa. Mas, muito além dessas situações envolvendo os falsos cognatos, devemos atentar para os problemas socioeconômicos e a situação política da América Latina e Espanha, o que, certamente, contribui bastante para a compreensão de muito dos textos. Vocês estão atentos ao movimento separatista da Catalunha? Será que isso pode cair na prova? Para estarmos antenados com esse fato e muitos outros, devemos realizar leituras diárias nos impressos disponíveis online, a exemplo de El País (Espanha), Clarín (Argentina) e La Nación (Chile) e etc. Embora seja possível acessá-los em português, ler os textos em espanhol, obviamente, será de grande valia.

As questões gramaticais não podem ficar de fora. Para isso, indicamos, abaixo, alguns vídeos catalogados na Plataforma Anísio Teixeira, com mais dicas para a prova de Espanhol:

Paradigma Verbal

El Pretérito Indefinido Irregular

Ejercicios Estilo Indirecto

Actividad de los Acentos o las Tildes en Español

Boa sorte!

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

P.S. Agradecimento especial à Professora Mônica Mota, pela catalogação dos vídeos indicados.

 

REFERÊNCIAS

ESPAÑA. Real Academia Española. La instituición. Disponível em < http://www.rae.es/la-institucion> Acessado em 20/10/2017.

SORGATO, Diana. Falsos amigos. Disponível em < http://www.tradutoradeespanhol.com.br/2013/01/falsos-amigos.html> Acessado em 20/10/2017BRASIL.

 

#Melhore!

Que as redes sociais digitais são um reflexo da convivência com as pessoas do nosso cotidiano, todo mundo sabe. Então, tudo que existe sem a mediação da tela, está presente no mundo em que ela é fundamental para estabelecer a comunicação. Sendo assim, a forma como uma pessoa trata a outra — com carinho, rispidez, indiferença, empatia — também vai ter eco no Facebook, Instagram, Twitter e demais mídias. Nesse sentido, você já percebeu como algumas expressões usadas nesses meios são desrespeitosas e, quase sempre, incitam a violência?

Fig. 1: ilustração feita por Raulino Júnior

Isso fica muito evidente entre os fãs de artistas populares, que, muitas vezes, são estimulados por seus próprios ídolos a terem uma postura combativa nas redes; e também entre ativistas políticos, uma vez que a radical polarização não admite um equilíbrio nos debates. As expressões usadas contribuem para uma convivência nada harmoniosa entre quem posta e quem comenta. Uma das mais frequentes é “O choro é livre!”, que, por si só, soa agressiva. É sempre usada quando alguém posta alguma coisa que pode gerar muita polêmica. É como se o autor da postagem dissesse: “É isso mesmo! Quem não gostou, pode chorar”. Para quem recebe isso na timeline, percebe a imposição que está explicitada no simples uso da expressão.

Outra que figura nas mídias sociais é “Melhore!”. Ela carrega em si uma desaprovação em relação àquilo que foi postado. Em geral, se algum famoso dá alguma declaração considerada desastrosa, ele sempre recebe o carimbo de “Melhore!”. Um conselho bem acintoso. Desconhecidos também são vítimas do “Melhore!”. Ninguém escapa.

“Apenas pare!” segue a mesma linha de “Melhore!”, só é mais impositiva. Ou seja: não dá chance para a pessoa melhorar, já pede para ela parar com aquela postura que, para quem julga, é reprovável. “Seje menas!” (assim mesmo!) é da mesma natureza.

Há expressões que trazem uma intenção um pouco mais positiva, mas, ainda assim, soam desrespeitosas. É o caso de “Pisa menos!” e “Chupa!”. A primeira é usada quando alguém — famoso ou anônimo — faz algo que é considerado muito bom na visão de quem lê o que foi publicado; a segunda, mais voltada para os receptores da mensagem, é bastante agressiva e aparece quando quem posta quer enfiar a sua predileção goela abaixo. “Chupa!” é o novo “Aceita que dói menos!”, amplamente popularizada entre as pessoas que habitam no universo das redes sociais digitais. Será que “Chupa!” é uma releitura de “Chupa essa manga!”? Ou será da família de “Descasque este abacaxi!”? Ficam os questionamentos.

Não se pode negar que, linguisticamente, o uso dessas expressões trazem riqueza para o léxico do nosso idioma. O que se espera é que elas não continuem sendo usadas para desrespeitar e incitar a violência. É preciso ter respeito sempre. Em qualquer espaço. #Melhore!

Leia também:

Você é o que você compartilha: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/02/13/voce-e-o-que-voce-compartilha/.

O internetês e a Língua Portuguesa: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/01/14/o-internetes-e-a-lingua-portuguesa-2/.

Vc jaH imaginoW t D encaraH 1 textU TdO escritU assim?: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/20/vc-jah-imaginow-te-d-encarah-1-textu-tdo-escritu-assim/.

Suicídio, Adolescência e Redes Sociais: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/22/suicidio-adolescencia-e-redes-sociais/.

 

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Vá com ética no ENEM!

O ENEM acontece todo ano e não podemos esquecer que todas as disciplinas são muito importantes, sendo a Filosofia uma delas. Pascal, físico, matemático do sec. XVII dizia: “Há mais coisas entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia”. Bem, o que podemos elaborar em torno da palavra vã?! Pode ser considerada como aquilo que não tem conteúdo; que é contrário à realidade[1]. Contudo, Heráclito, pré-socrático do sec. VI – V a.C., dizia que tudo é movimento, isto é, “tudo flui”, nada permanece o mesmo. As coisas estão numa incessante mobilidade.

Estas e outras questões estão associadas à Filosofia quando estudamos ética e moral. “A moral diz respeito aos costumes, valores e normas de conduta específicos de uma sociedade ou cultura, enquanto que a ética considera a ação humana do seu ponto de vista valorativo e normativo”[2]. Por exemplo, na Grécia antiga, a escravidão era justificável: não éramos iguais e, assim sendo, a ausência da liberdade também! Na idade Média, a tortura era prática admitida. Todavia, desde o sec. XX que somos regidos pela Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, dentre outras questões morais, no art. 1º observamos: “devemos respeitar a dignidade da pessoa humana”; no art.3º parágrafo IV devemos “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. ” No art. 5º parágrafo XLII – “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei. ”

Em linhas gerais: a moral está ligada aos valores necessários ao convívio entre os membros de uma sociedade e a ética está sempre questionando, construindo e refletindo.  A Filosofia é atual. Os autores e seus conteúdos podem e devem referendar a sua consciência questionadora, não esquecendo que: pensar é filosofar!

A Plataforma Anísio Teixeira (PAT) “antenada” com questões propulsoras, confirmam através de diversos temas, os seus conteúdos ou objetos educacionais seguindo “o aprimoramento do educando, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”.[3]

O Programa Máquina de Democracia com o tema de Educação e Direitos Humanos estrutura-se com as bases legais que norteiam a Educação no pais.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1954

Dois Dedos de Prosa, Edição 8, é um programa com dois pesquisadores que conversam sobre Educação e Movimentos Sociais, a partir dos tópicos: panorama histórico no Brasil, o trabalho pedagógico e políticas públicas.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1593

O racismo que pode levar a pena de reclusão aos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser visto através do Filmei!  com a temática: Preconceito Social.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/episodios/id/3901

Além da ficção temos o documentário: Nó de Nós que relata através da arte manual, poética e histórica as atribulações que os negros, escravos, africanos foram acometidos ao saírem do seu pais de origem.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/5847

Referências

BRASIL. CONGRESSO NACIONAL (1996) LDB – Lei 9.394/96. Estabelece Leis, Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 1O.639, de 09 de janeiro de 2003. Brasília, 2003.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Brasília, 2008.

 _______. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

______ . [Constituição (1988) ]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso eletrônico]. — Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2017. Disponível em:

http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf

Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para as Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Junho, 2009.

Ética e cidadania: construindo valores na escola e na sociedade – MEC – Disponível em:

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015509.pdf

 ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Disponível em:

http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Dicionario-de-Filosofia-Nicola-ABBAGNANO.pdf

[1] Dicionário eletrônico da língua portuguesa Houaiss – 2009

[2] ABBAGNANO, 2007

[3] PCN – Ensino Médio – http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/cienciah.pdf

Fátima Coelho

Educadora da Rede Pública Estadual de Ensino do Estado da Bahia

 

Enem – Você já se preparou para a prova de Redação?

Olá, pessoal! Como está a sua preparação para o ENEM? E a Redação? Vocês sabem da importância dessa prova para o seu resultado final, não é mesmo?

Pois é! Na prova de Redação do Exame Nacional do Ensino Médio, segundo o INEP/MEC, são cobradas as seguintes competências: Domínio da norma padrão da língua escrita; compreensão da proposta da redação apresentada pelo Exame e uso dos conceitos das várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo; selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos de defesa de um ponto de vista; conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. (INEP/MEC, 2012).

Para auxiliar vocês nessa preparação, vou trazer algumas dicas de conteúdos digitais, da Plataforma Anísio Teixeira – PAT, que vão tornar seus estudos mais eficientes e prazerosos.

Vamos lá! A primeira Competência vai avaliar a pontuação do seu texto, a ortografia das palavras e o uso correto das regras gramaticais. Dentre os conteúdos da TV Anísio Teixeira, existe o interprograma chamado Questão de Língua. São 20 episódios, de 1 minuto, que vão ser muito úteis na revisão desses assuntos. Veja um exemplo:

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/episodios/id/23

A Competência 2 vai verificar sua compreensão a respeito da proposta do tema e sua relação com outras áreas do conhecimento. Na PAT, estão catalogadas as aulas do EMITec – Ensino Médio com Intermediação Tecnológica. Dentre elas, indico uma, da professora Márcia Silveira, que vai tratar exatamente dessa competência.

Compreensão da Proposta de Redação: Articulação de Temas das Várias Áreas do Conhecimento

http://pat.educacao.ba.gov.br/emitec/disciplinas/exibir/id/5105

As demais Competências dependem de um bom repertório e um vocabulário diversificado, a fim de que seus argumentos sejam articulados, utilizando elementos coesivos adequadamente. Para tanto, o caminho é único: a leitura. Leiam, leiam muito e duvide, questione, critique. Procure livros, revistas, blogs, sites, enfim, tudo o que for interessante para ampliar seus conhecimentos gerais, aumentar seu poder de argumentação e enriquecer seu vocabulário. Trago aqui uma aula do EMITec e alguns programas da TV Anísio Teixeira que apresentam algumas sugestões de livros que podem lhe ajudar nessa sua busca:

Recursos Coesivos – Recursos Linguísticos

http://pat.educacao.ba.gov.br/emitec/disciplinas/exibir/id/6835

Almanaque Viramundo – Artefatos: A poesia de Arnaldo Antunes

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1502

Almanaque Viramundo – Artefatos – Os Sertões, de Euclides da Cunha

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1505

Almanaque Viramundo – Artefatos – Capitães da Areia, de Jorge Amado

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1509

Depois de ler, revisar os conteúdos gramaticais e ficar ligado na compreensão do tema proposto, está na hora de praticar. Para você escrever bem, tem que por suas ideias no papel, rabiscar, riscar, apagar, reescrever várias vezes. A prática é muito importante nesse processo. Na apostila Redação no ENEM, produzida pela Secretaria da Educação do Ceará, existe um plano de estudo que será muito efetivo nesse momento da sua preparação.

http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/6667

É sempre bom lembrar que “Internetês” só cabe nos textos de nossas redes sociais, então nada de abreviaturas com: vc, blz, tb, qto,… Ouça o programa de rádio Nas Ondas da Rede – episódio Internetês e entenda melhor esse ponto. No mais, uma excelente prova de Redação para você!

Nas Ondas da Rede – Episódio 2

https://soundcloud.com/radioanisioteixeiraiat/nas-ondas-da-rede-episodio-2

Veja mais dicas:

  • Blog do Enem

https://blogdoenem.com.br/dicas-redacao-enem/

  • Tudo sobre Concursos

http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/redacao/como-desenvolver-os-pargrafos-nas-redaes

  • FB Vestibular

http://www.fbvestibular.fariasbrito.com.br/laboratorio-de-redacao

  • Técnicas de Redação

http://roneysignorini.com.br/pdf/ana_tereza/apostila%20de%20t%C3%A9cnica%20de%20reda%C3%A7%C3%A3o.pdf

  • Plantão ENEM DROPS Redação – Modalizadores e Operadores Argumentativos

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3836

  • Como Iniciar uma Redação Nota 1000

http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/7117

  •  Como Fazer um Estrutura de Redação para o ENEM

http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/7119

Quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova do ENEM?

Oi! Tudo bem com você? Vamos dar continuidade ao Mutirão para o ENEM, do Blog da Rede. Hoje, é dia de compartilhar alguns conteúdos de Língua Portuguesa, disciplina que integra a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para você, que está estudando para o exame, é importante saber quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova? Se respondeu “sim” ao questionamento, acompanhe esta postagem até o final. Vamos lá?!


A prova do ENEM, em geral, exige que o candidato faça muita interpretação de texto para responder às questões. E isso, claro, está o tempo todo presente na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para interpretar um texto com eficiência, é importante que o candidato tenha uma boa leitura de mundo e faça associações coerentes com aquilo que é exigido no enunciado. Veja um exemplo de questão, do ENEM 2016:

Outro assunto recorrente no ENEM, voltado para Língua Portuguesa e presente também em provas de outras áreas do conhecimento, são os Gêneros Textuais. Eles se caracterizam por ser produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa do nosso cotidiano. A prova exige do candidato o reconhecimento das características do gênero e, obviamente, a interpretação do texto. Segue uma outra questão do ENEM 2016:

Aqui no blog, já falamos sobre gêneros textuais. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2016/08/22/generos-textuais-no-enem/.

Nós somos falantes de língua portuguesa, mas você sabe que a nossa forma de falar não é padronizada. Há, dentro de um mesmo Brasil, diferentes formas de falar uma mesma coisa. Isso tem a ver com variação linguística, que é um fenômeno da língua que tem razões históricas e culturais. No ENEM, questões de variação linguística são bem frequentes. Veja a questão a seguir, do ENEM 2011.

No nosso blog, já falamos sobre variação linguística. Segue o link do texto sobre o baianês: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/09/o-baianes-nosso-de-todo-dia/.

Para nos expressar, usamos várias linguagens e todas elas têm uma função, uma intenção. No ENEM, predominam questões relacionadas às Funções da Linguagem. Todo ato de comunicação envolve seis componentes essenciais: o locutor, o interlocutor, a mensagem, o código, o canal e o referente. No nosso blog, já falamos sobre essas funções. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/09/02/a-linguagem-e-suas-funcoes/. Vamos ver um exemplo de questão sobre esse assunto no ENEM 2016?

A Literatura também tem presença garantida na prova do ENEM. Dentre as escolas literárias, o Modernismo é uma das mais frequentes no exame. O movimento modernista foi uma manifestação cultural que tinha em sua essência buscar a ruptura, em termos artísticos, com o que estava estabelecido na sociedade. Para os modernistas, o artista tinha que ter liberdade de criação, não se fechando a nenhum método e sempre tendo a identidade brasileira como norteadora. Na questão seguinte, do ENEM 2016, essa característica fica evidenciada.

Consulte o texto O Enem e o Modernismo, que foi publicado no nosso blog: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/10/21/o-enem-e-o-modernismo/.

Gabarito: 102: E, 103: C, 131: C, 96: A, 107: C.

Sucesso no ENEM!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

O que dizer de Arte no Enem?

E existem questões de Arte no Enem?

Claro que sim! Geralmente os conteúdos de Arte se encontram junto às perguntas sobre movimentos literários, regência verbal e períodos históricos. Significa que a forma como você interpreta os textos deve ir além das palavras. É bom estar preparado para relacionar as linguagens verbal e a não verbal das telas de artistas brasileiros e estrangeiros.

Interpretar a mensagem da obra artística é estar apto a definir o contexto histórico em que o quadro foi produzido. Entender bem a linha do tempo das artes é mais importante de que conhecer especificamente a vida do artista.

artenoenem
Fig.01 – Obra adaptada. Guernica, de Pablo Picasso

Podem ser cobradas no Exame quatro das linguagens artísticas: artes visuais, dança, música, teatro.

É recorrente encontrar questões que incitem o aluno a analisar uma obra de acordo com seu contexto histórico, político e social. Para interpretar uma obra de arte é mais importante entender o contexto em que a obra foi criada, o que historicamente influenciou  o artista, do que ser um conhecedor de artistas e datas.

Veja mais sobre:

A Arte Moderna e a Arte Contemporânea em: http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3927

Arte Popular e Pop Art em: http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3741

Gêneros Textuais em: http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3838

Barroco em: http://pat.educacao.ba.gov.br/emitec/disciplinas/exibir/id/5122

O ensino da dança na escola na ótica dos professores de Educação Física e de Arte em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-55092014000300505