Arte perigosa!

Salve, gente boa que prestigia o nosso blog!

Muito provavelmente você já viu alguém fazendo pinturas incríveis em azulejos em alguma calçada. São verdadeiras obras de arte que exprimem sensibilidade e criatividade. Normalmente, são artistas de rua que usam os dedos para dar efeitos impressionantes à tinta que é aplicada ao azulejo através de spray como na foto 1, a seguir:

arte perigosa

Foto 1: Arte perigosa! Por Sílvia Santana.

A mistura de tinta com ar, formando uma dispersão de pequenas partículas, chamada de aerosol, pode ser obtida através de latas de spray (foto 2) ou produzida com o auxílio de um sistema de bombeamento (bombas ou borrifadores de inseticida ou equipamentos específicos, como compressores de ar acoplados a recipientes que permitem borrifar a mistura).

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Foto 2: Latas de tinta em spray. Por Levi Siuzdak – Obra do próprio, GFDL, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5225012

Na foto 1, os pintores são três crianças que usam os dedos como pincéis e as suas camisas para retirar os excessos de tintas e aplicar efeitos. Eles usam o mesmo tipo de tinta dos artistas que fazem grafite.

Para saber mais sobre o grafite, veja a postagem: Graffitti: a arte nas ruas – Expressão e liberdade!

Disponível em: https://oprofessorweb.wordpress.com/2013/04/15/graffiti-a-arte-nas-ruas-expressao-e-liberdade/

Veja também o episódio do quadro Cotidiano: Salvador, Salve a Cor

Disponível em: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3938

No uso das tintas spray, os fabricantes recomendam o uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), tais como máscaras, óculos de proteção e luvas. Sem qualquer tipo de proteção, os pintores de azulejos têm uma exposição muito prolongada aos componentes das tintas, uma vez que além da inalação típica da produção no grafite, usam as mãos para dar formas às tintas.  Para remover a tinta impregnada no seu corpo, costumeiramente, usam solventes orgânicos como gasolina ou removedor, ambos comprovadamente tóxicos.

As tintas spray já apresentam na sua composição solventes orgânicos (tolueno, xileno e derivados). As tintas mais baratas e as importadas clandestinamente, que não sofrem fiscalização, podem conter também metais pesados como o chumbo, o níquel e o cádmio, que são neurointoxicantes e bioacumulativos.

Os solventes orgânicos, de modo geral, são depressores do sistema nervoso central e, de acordo com o período, freqüência e intensidade da exposição, provocam desde sonolência, confusão mental e cefaléia, até depressão respiratória, coma e morte (PEDROZO & SIQUEIRA, 1989).

Os autores citam ainda como consequências: a dependência psíquica mais ligada à intensidade da exposição do que do tipo de solvente, e a  ansiedade e a depressão que podem surgir quando o uso é descontínuo. Se a exposição começa muito cedo como no caso do registro fotográfico do início dessa postagem, os efeitos cumulativos podem ser ainda mais nocivos à saúde.

A foto 1 expressa, ao mesmo tempo, a arte que deixa turistas encantados, o talento quase natural das crianças em paralelo à condição de risco à saúde e ao trabalho precoce que serve como fonte de renda. Trata-se de um quadro real que precisa ser objeto de reflexão, regulamentação e de transformação. Como você interpreta esse quadro? Poste seu comentário!

Referências:

PEDROZO, M. de F.M. & SIQUEIRA, M.E.P.B. de. Solventes de cola: abuso e efeitos nocivos à saúde. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 23:336-40, 1989.

Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico. TINTA SPRAY USO GERAL. Orbi Quimica. 2014. Disponível em: <http://orbiquimica.com.br/site/wp-content/uploads/2014/04/FISPQ-TintaSprayUsoGeral.pdf>. Acesso em 18 de abril de 2017.

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Escritores Baianos, Aqui e Acolá

Abril. Abre-se, em nosso blog, um espaço maior para a literatura. Nossa escolha é dar visibilidade à produção literária do estado da Bahia e estimular a apreciação estética das obras destes novos escritores. Ao mesmo tempo, realizaremos uma conversa entre a literatura e outras linguagens artísticas aqui produzidas, como teatro, dança, música e audiovisual.

Durante o ensino médio, nas aulas de Literatura, há a recomendação ou exigência da leitura de vários livros clássicos, de autores brasileiros ou portugueses. Para a maioria dos estudantes, essa atividade é extremamente desafiadora: ler livros que foram escritos há séculos, com uma linguagem bastante diferente da nossa, descrevendo uma realidade aparentemente muito distante.

Respeitando os direitos imprescritíveis do leitor, como sugere Daniel Penac, …

O direito de não ler;  de pular as páginas; de não terminar de ler o livro; de reler; de ler no importa o quê; o direito ao “bovarysmo”; de ler não importa onde; o direito de “colher aqui e acolá”; o direito de ler em voz alta;  de se calar.”

… em algum momento haverá o reconhecimento de que esses textos da escrita universal permitem ao leitor descobrir mais sobre a alma, o mundo e os recursos estilísticos da língua. Seus autores são verdadeiros artistas, são artistas da palavra: esculpem a língua com cuidado e estilo e põem em evidência os principais conflitos da existência humana.

Desta vez, no Blog queremos dar espaço aos novos escritores. Na última década houve uma diversificada atividade literária com produção de livros de novos autores que, infelizmente, por circunstâncias de distribuição, não chegaram às livrarias do país. Esta é uma boa ocasião para apresentar escritores que estão aqui – os que nasceram, residem e produzem em sua própria terra – bem mais perto que imaginam. Não digo apenas dos escritores de obras consagradas,  nascidas em terras nossas, digo mesmo dos contemporâneos escritores.

Entre 2015 e 2016, num projeto denominado Mapa da Palavrafoi constituída uma chamada pública para a seleção de produções artísticas e literárias realizadas em nosso estado. Resultado: duzentos e setenta e cinco artistas da palavra se cadastraram e tiveram suas obras publicadas em plataforma virtual ou em versão impressa. Teremos aqui no blog, na TV e na nossa Rádio Anísio Teixeira grandes encontros e conversas com escritores da nossa Bahia.

De abril em diante, algumas postagens estarão aqui para “degustação”. Aguardem! Enquanto isso, podem ir se deleitando com o que a Rede Anísio Teixeira produziu no quadro “Poesia de Cada Dia” com textos de poetas brasileiros. Aqui, apenas um dos muitos que vocês podem acessar no Ambiente Educacional Web.

Até mais!

Lilia Rezende

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

 

 

Feminismo: isso é coisa de quem luta por igualdade de direitos

Em 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe temáticas que estão na pauta do movimento feminista em duas de suas provas: a de Redação e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Obviamente, o fato de os responsáveis pelo ENEM abordarem tal assunto não foi à toa. A necessidade de discutir feminismo parte de uma demanda social urgente, que tem no seu cerne a luta por direitos iguais para todos os gêneros.

De acordo com a historiadora e cientista política Céli Regina Jardim Pinto, a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX, quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto”, p. 15. No Brasil, o ponto de partida da luta feminista se deu no início do século XX, através de Bertha Lutz, também tendo o direito ao voto como principal bandeira. Contudo, ao longo do tempo, outras pautas tornaram-se necessárias para o movimento. Por isso, é possível dizer que há vários feminismos.

Fig. 1: Simone de Beauvoir: referência máxima do movimento feminista. Imagem: reprodução do site The Simone de Beauvoir Society

Nesse sentido, existem grupos feministas que reivindicam questões específicas, a exemplo das lésbicas, das mulheres negras e das mulheres trans. Obviamente, há temas que são comuns a todo mundo, como a busca pelo fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, a liberdade sexual, a descriminalização do aborto, o fim da violência doméstica e da cultura do estupro, entre outras. Para as feministas, a sociedade deve entender e respeitar que as mulheres são livres para fazer as próprias escolhas. Feminismo não é o contrário de machismo, que é uma forma de dominação socialmente aceita e, ainda hoje, incentivada. Ser feminista é ter consciência de que os direitos devem, de fato, ser iguais, tanto para homens quanto para mulheres.

A prova de Ciência Humanas do ENEM 2015, na questão 42, reproduziu o seguinte trecho do livro O Segundo Sexo, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, referência máxima quando se fala em movimento feminista: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. O que Beauvoir quis dizer? Djamila Ribeiro, em texto publicado no site da revista Carta Capital, explica: “…ao dizer que ‘não se nasce mulher, torna-se’, a filósofa francesa distingue entre a construção do ‘gênero’ e o ‘sexo dado’ e mostra que não seria possível atribuir às mulheres certos valores e comportamentos sociais como biologicamente determinados”. Então, repetir frases como “Isso é coisa de mulher”, é um dos equívocos de que precisamos nos desfazer para assumir uma postura menos machista. Afinal, ninguém nasce machista, torna-se.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referências:

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Redação e de Linguagens Códigos e suas Tecnologias, Prova de Matemática e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, História e Poder. Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 18, n. 36, p. 15-23, jun. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

RIBEIRO, Djamila. Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limites de Feliciano e Gentili. Carta Capital, Opinião, Sociedade, 3 nov. 2015. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/simone-de-beauvoir-e-a-imbecilidade-sem-limites-de-feliciano-e-gentili-6444.html>. Acesso em: 31 mar. 2016.

É fogo!

Oi, galera! Tudo beleza? Espero que sim! Hoje, vamos falar de eletricidade! Pois é! Esse tema é fascinante e desperta a curiosidade de muita gente! No entanto, qualquer intervenção na rede elétrica  deve ser feita apenas por profissionais especializados, mesmo aqueles reparos mais simples!

Segundo dados estatísticos obtidos da ABRACOPEL (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) as instalações elétricas inadequadas aparecem como uma das principais causas de incêndio e de choques elétricos, o que reforça a ideia de que elas devem ser sempre revisadas e seus princípios de funcionamento compreendidos por todos os seus moradores, a fim de reduzir riscos de choques elétricos e incêndios.

Uma prática que tem colaborado para o aumento dessas estatísticas é o hábito que as pessoas têm de plugar vários aparelhos numa mesma tomada, utilizando benjamim ou réguas. Essa prática, apesar de muito comum, oferece vários riscos! Quando temos vários equipamentos de alta potência (ferro elétrico, micro-ondas, geladeira, etc.) conectados através de um benjamim, há um risco iminente de incêndio. Isso porque  o aumento de potência em uma parte do circuito faz com que naquele ponto haja um aumento da corrente circulante, o que gera a dissipação de energia elétrica sob a forma de calor, também conhecido como efeito Joule. Se os condutores e a tomada estiverem submetidos a condições de tensão e corrente fora das especificações do fabricante, essas condições levarão ao aquecimento do condutor, podendo ocorrer o derretimento da camada isolante que recobre o benjamin ou mesmo o fio, gerando curtos-circuitos ou mesmo choques elétricos.

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Disponível em ABRACOPEL, acessado em 06/04/2017

Uma pesquisa realizada pela ABRACOPEL  revela que 86% dos usuários já levaram algum tipo de choque elétrico, sendo que 20% destes  ocorreram ao trocar tomadas ou lâmpadas!

Em virtude dessas estatísticas, cabem algumas dicas ao lidar com a rede elétrica:

  • ao trocar lâmpadas, instalar ou dar manutenção em chuveiros e outros equipamentos ligados à rede elétrica, sempre desligue o disjuntor na caixa de distribuição;
  • nunca utilize os chamados “Tês” ou benjamins e extensões em geral para conectar vários aparelhos numa mesma tomada;
  • não utilize ou manipule aparelhos ou rede elétrica com as mãos ou corpo molhado. A água não é condutora, mas quando misturada ao suor, ela passa a conduzir, aumentando risco de choques. ;
  • crianças são curiosas e muito ativas, por isso, utilize sempre tampas (normalmente feitas de material plástico) para impedir que os pequenos introduzam seus próprios dedos e utensílios metálicos nas tomadas;
  • jamais tente apagar fogo na rede elétrica ou em aparelhos elétricos com água! Nesses casos, deve-se utilizar um extintor de incêndio ;
  • E, finalmente, em caso de choque elétrico, nunca toque na vítima! Tente localizar o disjuntor e desligue-o imediatamente. Caso não seja possível, tente afastar o fio ou o corpo da vítima, utilizando um material isolante (barrote de madeira seca, tubo plástico ou jornal dobrado).

Aprenda um pouco mais acessando o Ambiente Educacional Web. Lá, você encontrará uma variedade de conteúdos digitais! Até a próxima!

Referências:

Prevenção de acidentes domésticos com energia elétrica. Disponível em: http://www.clamper.com.br/blog/prevencao/prevencao-de-acidentes-domesticos-com-energia-eletrica, acesso em 06 de abril de 2017.

 Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade. Disponível em: http://abracopel.org/estatisticas/releases/acesso em 06 de abril de 2017.

Programa Casa Segura.Disponível em : http://programacasasegura.org/br/economia/sobrecarga-pode-causar-curtos-circuitos-e-incendios/, acesso em 06 de abril de 2017.

Portal SESMT, Segurança Elétrica. Disponível em:
http://www.sesmt.com.br/Blog/Artigo/normas-nr-10-seguranca-eletrica, acesso em 06 de abril de 2017.

Portal EngHall. Disponível em:
http://www.cursonr10.com/curso-nr10-choque-eletrico.html, acesso em 06 de abril de 2017.

Possibilidades

Nos processos pedagógicos[1] assumimos, muitas vezes, posturas radicais no sentido das definições disto ou daquilo. Conhecer, interpretar e agir diferem de pessoa para pessoa, por termos o tempo e a cultura em constante transformação. Paulo Freire, em sua trajetória questionadora, estimula e provoca constantemente a liberdade de associações e expressões de modo que não existam distinções ou privilégios de classes hereditárias ou arbitrárias. Referindo-se à relação entre educando e educadores qualquer que seja o lugar que ocupemos no momento, ele diz: “uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas”.

Contudo, está associado à ciência o pensar, o ser objetivo, remetendo ao grego ísos=igual. A ciência possui conhecimentos sistematizados, adquiridos via observação, identificação, pesquisa. Suas explicações são formuladas  através de determinadas categorias que buscam explicar fenômenos e fatos, formulados metódica e racionalmente. A ciência baseia seus conhecimentos em provas, princípios, argumentações ou demonstrações que garantam ou legitimem a sua validade. Por outro lado, a subjetividade associa-se ao conhecimento  para a qual a distinção entre verdadeiro e falso não tem valor objetivo, que agrega o mito ou desigual ou aníso do grego: anísos.

Essa dicotomia entre esses conceitos relativos ao pensar leva-nos a um dos mitos africanos o Espelho de Olorum. Diz a lenda que no princípio havia só uma verdade no mundo. Orun que era o mundo invisível, espiritual, um grande espelho e Aiyê, ou mundo natural. Sendo assim, tudo que estava no mundo espiritual, Orun, se materializava, refletia no Aiyê. Assim, todos os acontecimentos eram verdadeiros! O espelho da Verdade ficava entre os dois: Orun e Aiyê. No mundo natural, havia uma jovem chamada Mahura, que ajudava sua mãe pilando inhame. Certo dia, sua mão tocou no espelho e se espatifou pelo mundo.  Mahura tenta pedir desculpas para Olorum (o Deus Supremo). Olorum a escuta e determina que a partir daquele dia não existirá mais uma verdade única. Como o espelho espelha a imagem onde ele se encontra, cada parte do espelho será uma parte da verdade.

Se na prática humana existe a experiência ou experiências, do latim experientìa, significando prova, ensaio, tentativa; exame, prática, sapiência como também: ato ou efeito de experimentar(-se)[2] . Esse experienciar igual a experimentar pode assumir o caráter de contingência, incerteza se algo acontecerá ou não ou de contundência, de forma incisiva, categórica, terminante. Questões muito claras e distintas nos são exibidas no dia a dia.  É como se estivéssemos tentando atravessar uma linha férrea onde devemos: parar, escutar, olhar para os lados, observar e seguir, se for o caso. Então, cada ser humano identifica e apreende o conhecimento baseado em suas vivências ou experiências. É impossível vermos com o “mundo” do outro um mesmo objeto.

Sendo assim, podemos deduzir que o tempo através da cultura pode transformar um mesmo conceito ou ponto de vista. Como diz o grande pensador Sócrates e o seu método, a maiêutica (grego maieutike), aprendemos a partir do diálogo a descoberta da verdade individual, o que nos leva a entender que não existe uma constituição solitária. Citando também outro pensador, Gaston Bachelard: ” Resta, então, a tarefa mais difícil: colocar a cultura científica em estado de mobilização permanente, substituir o saber fechado e estático por um conhecimento aberto e dinâmico, dialetizar todas as variáveis experimentais, oferecer enfim à razão razões para evoluir”.

Sendo assim, em termos de verdades, a única coisa que podemos dizer é: no momento!

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REFERÊNCIAS:

BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de janeiro:Contraponto, 1996.

DESCOBERTA. In. BARROS JR., José Jardim de. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001. 1 CD-ROM

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed., São Paulo: Paz e Terra, 2011.

[1] https://www.dicio.com.br/pedagogico/ ciência que se dedica ao processo de educação dos jovens, estudando os problemas que se relacionam com o seu desenvolvimento.

[2] 1) Experimentação, experimento (método científico) ;2) Qualquer conhecimento obtido por meio dos sentidos ;3) Forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida; prática 4) Forma de conhecimento específico, ou de perícia, que,adquirida por meio de aprendizado sistemático, se aprimora com o correr do tempo; prática 5) Tentativa, ensaio, prova.

Fátima Coelho

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Febre Amarela

Olá pessoal! Como vão vocês?

Hoje abordaremos um assunto de suma importância! Uma epidemia de febre amarela doença provocada por um vírus que começa a se espalhar pelo país. E já chegou aqui, pertinho de nós. Este fato tem  deixado  os órgãos de saúde em alerta máximo, pois é uma doença infecciosa aguda de curta duração e transmitida pela picada dos mosquitos infectados não ocorrendo,portanto,   a transmissão direta de pessoa para  pessoa.febre amarela 01Importante saber que a  vacina é a principal ferramenta de prevenção e controle da doença.

O vírus apresenta dois ciclos distintos  epidemiológicos  de transmissão : ciclo silvestre (espaço rural) e  e ciclo urbano, como podem ser claramente visualizados na imagem.(Fig.01) No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. Mosquito este, que é responsável não só pela transmissão da febre amarela urbana, mas também dos vírus da chikungunya, zika e dengue, cria-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Quaisquer recipientes como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, tornar-se -ão novos mosquitos.

Portanto, devemos evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do “fumacê”. Além dismapablogso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente, para aqueles que moram ou vão viajar para áreas Fig. 02 com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

Espero que tenha ajudado! Saber das medidas profiláticas e cumpri-las são ações positivas para  combater a febre amarela.

 

Luciano Albuquerque

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

REFERÊNCIAS

COSTA, Z. G. A. et al. Evolução histórica da vigilância epidemiológica e do controle da febre amarela no Brasil. Revista Pan-Amazônica de Saúde, Ananindeua, PA, v. 2, n. 1, mar. 2011

TAUIL, P. L. Aspectos críticos do controle da febre amarela no Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 44, n. 3, p. 555-558, 2010.

SESAB. [Mapa vacinação da Bahia] .2017. Disponível em :http://www.saude.ba.gov.br/novoportal/index.php?option=com_content&view=article&id=11595:perguntas-e-respostas-febre-amarela&catid=103:febre-amarela. Acesso em 23 de março de 2017.

A Matemática dos superbenefícios dos senadores

Caro leitor,

Este texto tratará exclusivamente dos subsídios e outros “direitos” dos senadores, que são parte dos políticos brasileiros que têm os maiores benefícios do mundo.

No cenário político, o Brasil possui 57.949 vereadores, 5.568 prefeitos e o mesmo número de vice-prefeitos, 1059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, 27 governadores e o mesmo número de vice – governadores, secretários municipais, secretários de estado, o presidente da República e o vice – presidente, ministros e seus assessores, e outros tantos servidores da máquina pública, das casas onde atuam esses políticos. Todos eles são funcionários do povo, trabalham pelo povo, ou deveriam! Quem paga o salário deles somos nós, por meio de 94 tributos que colocam o Brasil na 14ª posição dos países que têm a maior carga tributária do mundo e o pior retorno à população.

Segundo a Lei nº 12.527, de 2011, que regula o acesso à informação, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem garantir o acesso e a divulgação de diversas informações sobre a gestão do poder público, que inclui o salário dos servidores e políticos. Num flagrante desrespeito à lei, os benefícios dos senadores não são divulgados. Valendo-me da prerrogativa da lei, solicitei ao Senado, informações dos salários e demais “direitos” dos políticos. Fui atendido imediatamente numa agilidade inesperada, contudo a informação que pretendíamos não veio pronta. Tive que ler o material enviado, entender e realizar alguns cálculos para inferir o que veremos adiante.

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Senado Federal. Plenária do Congresso – abertura dos trabalhos legislativos. FLICKR. Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/agenciasenado/16428631862>. Acesso em 23/03/2017.

O número de senadores é fixo, são 3 por estado, totalizando 81. Os senadores representam os estados e não a população, daí portanto a não proporcionalidade em relação ao número de habitantes de cada estado, como acontece com os demais cargos políticos. O mandato do senador é de 8 anos (os demais cargos políticos é de 4 anos), mas a eleição se dá de 4 em 4 anos: em uma, a população elege 1/3 deles (27 senadores) e na eleição subsequente os 2/3 restantes (54 senadores). Em 2018, teremos eleições para 2/3 (2 vagas por estado). Atualmente, estamos na 55ª legislatura.

Num país onde quase a metade da população sobrevive com um salário mínimo de R$ 937,00 bruto, os políticos têm Super Benefícios de deixar qualquer país desenvolvido, admirado. Vejamos:

  • O Decreto Legislativo nº 276, de 2014 fixa o subsídio dos senadores em R$ 33.763,00. Mesmo decreto que fixa uma ajuda de custo equivalente ao valor do subsídio, um no início e outro no fim do mandato, totalizando, atualmente, R$ 67.526,00.

  • Já o ACD nº 22, de 2015 dispõe sobre a Cota de Correspondência Mensal. A cota a que cada senador tem direito varia por estado. Considerando a média dos valores constantes na tabela, 7.157 unidades postais, e a Unidade Postal de até 20g (carta simples) a R$ 1,70 a cota será de R$ 12.166,90.

  • A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos SenadoresCEAPS, corresponde ao somatório do valor mensal de verba indenizatória (VI) pelo exercício da atividade parlamentar (R$ 15.000,00) e do valor mensal de transporte aéreo (VTA) dos Senadores (R$ 19.680,76, média da tabela constante no ACD, equivalente a 5 trechos ida e volta, da capital do estado de origem do senador a Brasília), regulamentada pelo ACD nº 5, de 2014. Logo, a CEAPS é de R$ 34.680,76. Clique aqui e saiba mais.

  • O Auxílio Moradia (ou imóvel residencial) é de R$ 3.800,00 mensal. O ACD nº 24, de 1992 disciplina a concessão de imóvel funcional.

  • O ACD nº 21, de 2015 dispõe sobre a distribuição de mídias impressas para os senadores e demais unidades do Senado Federal. Denominada Cota de Jornais e Revistas ela pode variar de R$ 400,00 a R$ 500,00 por mês (valores estimados na assinatura dos principais jornais e revistas do país). Membros da mesa, lideranças e blocos têm direito a mais 2 jornais). Consideraremos a média R$ 450,00.

  • A Assistência à Saúde, disposta no ACD nº 9, de 1995, é completa, vitalícia, com gastos ilimitados e sem nenhum custo para o senadores, ex-senadores e suas esposas, filhos, pai, mãe e até enteados. Em 2016 o gasto com saúde foi de R$ 7.148.732,15 e nos últimos 8 anos R$ 53.462.966,40. Veja as Tabelas de Despesas.

  • Cargos Comissionados, pois, senadores não têm verba de gabinete, dispõem, porém, de 12 cargos comissionados para lotação no gabinete parlamentar, equipe esta composta de 5 assessores parlamentares (R$ 8 mil cada); 6 secretários parlamentares (R$ 6,8 mil) e 1 motorista (R$ 10 mil). Eles custam mensalmente ao Senado cerca de R$ 90.000,00. Veja o regulamento. Veja também o ACD nº 16, de 2009.

  • O Contrato de Lavagem e Abastecimento de veículos que atendem aos senadores e órgãos do Senado Federal fica por conta da empresa Interativa Empreendimentos e Serviços de Limpeza e Construções LTDA – CNPJ 05.305.430/0001-35, no valor de R$ 329.882,64 por mês. Veja o Contrato 0154/2012, em vigor.

Veja, clicando aqui, outros contratos de prestação de serviços ao Senado.

  • A Locação de Veículos fica com a empresa LM Transportes e Serviços e Comércio LTDA – CNPJ 14.672.885/0001-80, com valor mensal de R$ 2.678.582,64, celebrado pelo Contrato 0104/2011, que vigora desde 19/09/2011 a 18/09/2017.

CONCLUSÃO: um único senador pode receber de benefícios pomposos, direto, cerca de R$ 136.060,66 por mês ou mais, em espécie; ou R$ 1.632.727,92 por ano. O custo direto mensal com os 81 senadores pode chegar a R$ 11.020.913,46 ou R$ 1.053.471.692,16 por mandato. Se incluirmos a assistência à saúde e os outros itens subsequentes da lista acima o custo total com um único senador pode chegar a R$ 270.077,59 por mês ou R$ 3.240.931,08 por ano. Assim o mandato dos 81 senadores custa ao erário R$ 2.105.592.931,44 ou mais. É ou não é um Supersalário? Um único professor com 8 anos de serviços público e todos os benefícios possíveis, custa ao estado cerca de R$ 78.000,00 por ano, ou 41 vezes menos que um único senador no mesmo período! O orçamento oficial do Senado Federal para 2017 é de R$ 4,2 bilhões. Um Absurdo!

Professor, o que achou do texto? Seria possível incentivar os estudantes a pesquisar e construir uma tabela com a progressão do salário dos senadores e demais políticos? Ou quem sabe comparar os benefícios desses com o salário mínimo? Ou ainda verificar a idade média dos senadores, grau de instrução, seus projetos, etc.? Até mesmo estudar a história do Senado Federal. Muitos conteúdos podem ser estudados a partir desse texto. O que acha? Use a criatividade e compartilhe conosco nos comentários aqui no Blog. Um abraço.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

CASA CIVIL. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 06/10/2016.

SENADO FEDERAL. Transparência. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/transparencia/leg/legislacao-relacionada>. Acesso em 22/02/2017.

ELEIÇÕES 2016. Disponível em <https://www.eleicoes2016.com.br/como-e-definido-o-numero-de-vereadores-por-municipio/>. Acesso em 10/10/2016.

RANKING POLÍTICOS. Disponível em: <http://www.politicos.org.br/>. Acesso em 06/10/2016.

TRANSPARÊNCIA BRASIL. Disponível em: <http://www.transparencia.org.br/>. Acesso em 20/10/2016.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL – TSE. Disponível em <http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais-2016/candidaturas>. Acesso em 06/10/2016.

CONTAS ABERTAS. Senadores já pediram indenização de R$ 13 milhões. Disponível em <http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/9539>. Acesso em 15/03/2017.

O GLOBO. De 30 nações, Brasil oferece o menor retorno dos impostos aos cidadãos.https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/de-30-nacoes-brasil-oferece-menor-retorno-dos-impostos-ao-cidadao-17555653>. Acesso em 10/03/2017.

PORTAL TRIBUTÁRIO. Os tributos no Brasil. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm>. Acesso em 15/03/2017.

SIGA BRASIL. Painel Cidadão. Disponível em: <http://www9.senado.gov.br/QvAJAXZfc/opendoc.htm?document=senado%2Fsigabrasilpainelcidadao.qvw&host=QVS%40www9&anonymous=true&Sheet=shOrcamentoVisaoGeral>. Acesso em 17/03/2017.

SENADO FEDERAL. Orçamento da União. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/orcamento/>. Acesso em 17/03/2016.

MONITOR DE ESCÂNDALO. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm>. Acesso em 17/03/2017.

Tropicália

Onde esta a criatividade e a coragem do povo brasileiro?

Dentre tantos exemplos, podemos citar o Tropicalismo. Esse foi  o movimento musical popular, ocorrido nos anos 60, mas que teve influência sobre a poesia, as artes plásticas, o teatro e o cinema.

O nome do movimento foi originado a partir de um projeto ambiental do arquiteto Hélio Oiticica, na exposição “Nova objetividade brasileira”, exposta no MAM no Rio de Janeiro, em 1967. A exposição de Oiticica relacionava o contexto das vanguardas da época e as diversas manifestações da arte.

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Fig. 01  Capa do Disco Tropicália Ou Panis Et Circencis

O movimento originou-se, nos grandes festivais de MPB dos anos 60. Com letras que apresentavam um tom poético, fazendo críticas sociais de um jeito inovador e criativo sobre o regime militar. O Tropicalismo revolucionou a música popular brasileira, até então dominada pela Bossa Nova. O fundamental para o movimento era a liberdade.

Os artistas do Tropicalismo tinham um descompromisso total com os estilos, os modismos, o comum. Adotavam uma visão latino-americana usando temas cotidianos. Cheios de humor e irreverência, os tropicalistas buscavam combater o nacionalismo infligido pela Ditadura Militar, rejeitando a à intenção romântica da MPB, usando uma linguagem mais realista e atual, além de desmistificar a tradicional música brasileira ao colocar em conflito seus principais elementos.

tropicalia
Fig.02 

Um retorno à ideologia do movimento antropofágico de Oswald de Andrade , alimentando e ingerindo qualquer tipo de cultura: dos Beatles à cultura hippie norte americana e regurgitando crítica aos valores éticos, morais e estéticos da cultura brasileira.

Veja mais sobre a Tropicália no Ambiente Educacional Web.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1501

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1541

Geize Gonçalves

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Yes,in Bahia!

Let’s play, sing and dance, folks! Disco, Rap, Country, Rock, Pop Rock, Hip hop, Axé Music… Axé Music? Oh, yes! Carnival is coming! What kind of music do you like?

Você já se perguntou quantos estilos musicais existem e como eles surgiram? A verdade é que a variedade de músicas está para o gosto de todos. A palavra musikê é de origem grega e significa a “arte das musas”, uma referência feita à mitologia grega. Para muitos pesquisadores, a música já existia na Pré-História e tinha um caráter estritamente religioso, como forma de gratidão aos deuses pela proteção, boa caça, entre outras razões.

Considerado um elemento forte na nossa cultura, a Bahia é um estado essencialmente musical e, por ser Carnaval, o Axé Music, gênero baiano, carrega em si a fusão cultural no próprio nome: Axé, como representação da cultura afro e Music, da cultura pop, carregando a bandeira da World Music.

O surgimento e a invenção dos instrumentos musicais, dos mais simples aos mais sofisticados, permitiram o desenvolvimento de novos gêneros musicais e um novo mundo para a produção musical. A organologia apresenta um estudo sistemático dos instrumentos para os mais variados tipos e estabelece critérios de classificação surgidos na Grécia Antiga.

Com tanta variedade, haja  habilidade! Mas como expressar habilidade em inglês? So easy! O verbo modal can é utilizado para expressar permissão e habilidade, sendo essa última o nosso foco, como está claramente expresso no breve texto sobre Carlinhos Brown, um dos representantes da música baiana de reconhecimento internacional cujo nome artístico vem de James Brown. Veja o que dizem lá fora sobre ele.

Can you read this text about Brown? b1                                                                Fig.1 Carlinhos Brown 

Antonio Carlos Santos de Freitas, known as Carlinhos Brown (born November 23, 1962 in Salvador, Bahia) is a very talented multi-instrumentalist.He is one of the most popular male singers of the present in Brazil and he is very recognized by his creativity and charisma. He can sing latin music, samba, Axé music and others. Axé is a typical Bahia music. He is also known for his abilities at improvisasion. He can make music with different and unconventional objects.

What about you? Can you sing Axé Music? Can you dance? Can you play any instrument?

Como se pode observar no texto acima, as frases  destacadas expressam habilidade, capacidade de fazer algo. Sempre após o modal “can”, o verbo principal deve vir no infinitivo sem o “to”. Veja outros exemplos:

Affirmative sentences:

Daniela Mercury can sing Axé Music.

Carlinhos Brown can play tambourine and reco-reco.

Na forma negativa, acrescenta-se a partícula not” após o verbo modal. Podendo assumir duas ortografias.

Negative sentences:

I can’t play percussion.

He can not play bango drums.

Na forma interrogativa, inicia a frase com o verbo modal.

Interrogative form:

Can you play any instrument?

Can you dance?

Be smart! You can search to get more information.

Bye! Have a nice Carnival!

Mônica Mota

Professora da Rede Pública Estadual da Bahia

A “música de preto” e o carnaval da Bahia

Os compositores Djavan e Caetano Veloso escreveram versos de uma canção chamada Linha do Equador em que dizem “gosto de filha música de preto / gosto tanto dela assim…”Esse modo de dizer “música de preto” bem poderia ser associado à maneira pejorativa como a palavra “preto” surge para designar os negros no Brasil. Neste caso, trata-se de uma constatação feita na poesia de Caetano da força imensa da cultura negra na música popular mundial.

Essa força se apresenta também na Bahia – território com grande número de pessoas descendentes de africanos da diáspora forçada pelo processo escravista desde o século XVI até o século XIX d.C. A cada início de ano, culminando com o carnaval de Salvador, a música que emerge como dominante na cena é a música de matrizes negras.

Samba, reggae, samba-reggae. Os gêneros são muitos e desde a década de oitenta do século XX que temos um fenômeno crescente da massificação (através das grandes e pequenas mídias) da música produzida pelos Blocos Afro num encontro com a sonoridade do Trio Elétrico, desaguando no que alguns pesquisadores chamam consideram como o nascedouro da Axé Music. Esse termo – cunhado de forma crítica por um jornalista baiano – deu nome a uma interface poderosa de ritmos e ambiências musicais que são tornados mais fortes durante o carnaval de Salvador e ao longo do ano são ensaiados pelos soteropolitanos e turistas que enchem a cidade de festa, som e sujeiras, como todo carnaval que se preze.

O samba-reggae é o gênero musical por excelência dos blocos afro de Salvador. Sua sonoridade parece ter surgido em finais dos anos setenta com os percussionistas que executavam as matrizes de samba-duro, samba-de-roda e ritmos afins chegando a uma síntese tanto no ambiente musical do Ilê Aiyê, quanto no Olodum, entidades mais que importantes para a compreensão desse fenômeno cultural que são os Blocos Afro de Salvador. O compositor e Maestro Neguinho do Samba teve papel de destaque na criação do samba-reggae a partir das claves musicais que adaptou dos sambas tocados na quadra do Ilê Aiyê e depois no Largo do Pelourinho, já quando membro do dissidente bloco Olodum.

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Registro de uma das saídas do Bloco Afro Olodum, no Pelourinho.

Em 2017, comemoram-se trinta anos da canção Faraó (Divindade do Egito), de Luciano Gomes. Essa canção representou uma projeção enorme tanto do Olodum quanto da moderna música produzida na Bahia, sobretudo aquela ligada aos temas afro-baianos. Além do Olodum, a cantora e compositora Margareth Menezes, o cantor e compositor Djalma Oliveira e a Banda Mel eternizaram a música, levando para um número maior de ouvintes, propagando a negritude que era evocada na letra de Faraó e de tantas outras belamente compostas pelos artistas das agremiações negras da Bahia.

A “música de preto” baiana prossegue com outras possibilidades estéticas e outras reverberações. O Ilê permanece, O Olodum é global e outros artistas se vincularam ao gênero. A cantora e compositora Daniela Mercury (socialmente branca  e ligada aos aspectos culturais da negritude) é uma das artistas que até hoje – trinta anos de carreira depois – carrega a bandeira do samba-reggae e da música afro-baiana como conteúdo principal de onde emana seu trabalho. Essa música ainda é o suporte básico das narrativas acerca do recôncavo baiano e de Salvador nos planos sócio-existenciais, políticos e econômicos. A “música de preto” dá dinheiro, mesmo que menos para os compositores e artistas negros do que para outros agentes que movimentam a indústria da cultura na Bahia e no Brasil. Ecos da escravidão?

Música e sociedade possuem elos indissolúveis num país como o Brasil. Como dizia Naná Vasconcelos (percussionista pernambucano e criador incansável), tem povo que canta mais que reza. O Brasil reza e canta. A Bahia, então…

Saudemos a “pretitude musical” baiana!

Saudemos e cantemos!

Carlos Barros

Professor da Rede Estadual da Bahia.