Vá com ética no ENEM!

O ENEM acontece todo ano e não podemos esquecer que todas as disciplinas são muito importantes, sendo a Filosofia uma delas. Pascal, físico, matemático do sec. XVII dizia: “Há mais coisas entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia”. Bem, o que podemos elaborar em torno da palavra vã?! Pode ser considerada como aquilo que não tem conteúdo; que é contrário à realidade[1]. Contudo, Heráclito, pré-socrático do sec. VI – V a.C., dizia que tudo é movimento, isto é, “tudo flui”, nada permanece o mesmo. As coisas estão numa incessante mobilidade.

Estas e outras questões estão associadas à Filosofia quando estudamos ética e moral. “A moral diz respeito aos costumes, valores e normas de conduta específicos de uma sociedade ou cultura, enquanto que a ética considera a ação humana do seu ponto de vista valorativo e normativo”[2]. Por exemplo, na Grécia antiga, a escravidão era justificável: não éramos iguais e, assim sendo, a ausência da liberdade também! Na idade Média, a tortura era prática admitida. Todavia, desde o sec. XX que somos regidos pela Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, dentre outras questões morais, no art. 1º observamos: “devemos respeitar a dignidade da pessoa humana”; no art.3º parágrafo IV devemos “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. ” No art. 5º parágrafo XLII – “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei. ”

Em linhas gerais: a moral está ligada aos valores necessários ao convívio entre os membros de uma sociedade e a ética está sempre questionando, construindo e refletindo.  A Filosofia é atual. Os autores e seus conteúdos podem e devem referendar a sua consciência questionadora, não esquecendo que: pensar é filosofar!

A Plataforma Anísio Teixeira (PAT) “antenada” com questões propulsoras, confirmam através de diversos temas, os seus conteúdos ou objetos educacionais seguindo “o aprimoramento do educando, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”.[3]

O Programa Máquina de Democracia com o tema de Educação e Direitos Humanos estrutura-se com as bases legais que norteiam a Educação no pais.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1954

Dois Dedos de Prosa, Edição 8, é um programa com dois pesquisadores que conversam sobre Educação e Movimentos Sociais, a partir dos tópicos: panorama histórico no Brasil, o trabalho pedagógico e políticas públicas.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1593

O racismo que pode levar a pena de reclusão aos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser visto através do Filmei!  com a temática: Preconceito Social.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/episodios/id/3901

Além da ficção temos o documentário: Nó de Nós que relata através da arte manual, poética e histórica as atribulações que os negros, escravos, africanos foram acometidos ao saírem do seu pais de origem.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/5847

Referências

BRASIL. CONGRESSO NACIONAL (1996) LDB – Lei 9.394/96. Estabelece Leis, Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 1O.639, de 09 de janeiro de 2003. Brasília, 2003.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Brasília, 2008.

 _______. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

______ . [Constituição (1988) ]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso eletrônico]. — Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2017. Disponível em:

http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf

Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para as Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Junho, 2009.

Ética e cidadania: construindo valores na escola e na sociedade – MEC – Disponível em:

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015509.pdf

 ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Disponível em:

http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Dicionario-de-Filosofia-Nicola-ABBAGNANO.pdf

[1] Dicionário eletrônico da língua portuguesa Houaiss – 2009

[2] ABBAGNANO, 2007

[3] PCN – Ensino Médio – http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/cienciah.pdf

Fátima Coelho

Educadora da Rede Pública Estadual de Ensino do Estado da Bahia

 

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Sociologia no ENEM – como estudar!

A Sociologia é uma disciplina das Ciências Humanas. Sua importância no Ensino Fundamental e Médio está – além das temáticas abordadas – no estudo do mundo social e das dinâmicas que determinam a vida em sociedade.  Surgida na virada dos séculos XVIII para o XIX no contexto da Europa pós-Iluminismo, a Sociologia faz parte do Currículo no Brasil desde pelo menos 1928, em Pernambuco, tendo o cientista social Gilberto Freyre como o primeiro professora da disciplina no Brasil.

Hoje, a Sociologia integra o grupo de disciplinas da Base Comum Curricular, na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e ocupa no Exame Nacional do Ensino  Médio (ENEM) um espaço de conteúdos no caderno de Ciências Humanas e suas Tecnologias, com cerca de um terço das questões da prova, junto às questões de Filosofia. É sempre bom estar atento aos acontecimentos marcantes da realidade no mundo para fazer uma boa prova de Sociologia. Ler jornais, revistas, artigos, assistir vídeos e filmes sempre ajuda na ampliação de conhecimento para a prova de Sociologia do ENEM.

Em termos das temáticas mais abordadas no Exame, pode-se elencar cinco temas mais recorrentes nas provas:

·         Movimentos socioculturais

·         Cultura

·         Trabalho

·         Política

·         Questões de Gênero e Diversidade Cultural

Esses assuntos dão conta da diversidade da vida social, expressando dinâmicas que vêm se tornando cada vez mais reveladoras do nosso caráter enquanto país. Os temas das provas do ENEM em Sociologia trazem um certo recorte do Brasil e de problemáticas sócio-existenciais que precisamos dar atenção.

Os movimentos sócio-culturais se destacam na recorrência nas provas, trazendo questões sobre as manifestações democráticas, as Diretas Já, os movimentos estudantis de 1968 e o Impeachment de Fernando Collor. Na prova de 2017, é possível que esses contextos sejam de alguma maneira vinculados à realidade mais atual.   

Cultura e Trabalho são conceitos e temas que recentemente vêm ocupando espaço nas provas, sobretudo nas relações entre cultura erudita e popular, bem como a própria emergência da cultura de massa na sociedade contemporânea. O Trabalho e sua centralidade no entendimento do que é modo de produção e sua importância na constituição da sociedade aparece com certa frequência, sobretudo na interface com conteúdos de História e Filosofia.

Os temas de Política como estudo das formas de organização da sociedade, bem como os temas de diversidade cultural e gênero figuram hoje como parte importante do ENEM, com foco nas diferenças culturais e seus impactos no cotidiano brasileiro.

Vale a pena conferir algumas questões recentes no ENEM:

 

questao-sociologia-enem-moviemento-sociocultural

Questão de Sociologia do Enem 2009 sobre movimentos socioculturais (resposta – a)

 

questao-enem-sociologia-politica

Questão de Sociologia Enem 2014 sobre política (resposta c)

questao-sociologia-enem-cultura

Questão de Sociologia sobre Cultura Enem 2010 (resposta b)

questao-enem-sociologia-diversidade cultural-1

Questão de Sociologia Enem 2014 sobre cultura (resposta d)

Na Plataforma Anísio Teixeira, há conteúdos de Sociologia muito úteis para o ENEM!

Se jogue!

Cultura Indígena Projetada

Uma sala de projeção, escura. Sinal de que uma sessão de cinema está prestes a começar. Contudo, não se trata de uma sessão comum, bem que poderia ser. Em poucos instantes, o público vai se deparar com produções audiovisuais realizadas e protagonizadas por povos indígenas. A situação narrada pode até parecer ficção, principalmente quando a gente pensa na realidade desses povos no nosso país, mas não é. A cena descrita aconteceu durante o Cine Kurumin, em Salvador, no último dia 13, quando o Palacete das Artes recebeu parte da programação do evento.

Fig. 1: cena de Caboclo Marcellino durante o Cine Kurumin. Imagem: Peterson Azevedo

Tendo a frase “Da minha aldeia vejo o mundo” como uma forma de provocar, a mostra chegou à 6ª edição com status de festival, promovendo bate-papos após as exibições dos filmes e rodas de conversa. O jornalista Sérgio Melo, 37 anos, que trabalha com produção multimídia e contribui com o Cine Kurumin desde que o projeto foi pensado, destacou aspectos importantes dessa modificação: “Não foi só conceitual, mas uma mudança mesmo de procedimentos. Até a edição passada, a gente era uma mostra. Transformando-se em festival, a gente traz, para além das exibições dos filmes, a participação maior dos realizadores. Em toda sessão, a gente tem um bate-papo e rodas de conversas, que estão acontecendo diariamente também. Além disso, tem a mostra competitiva, na qual os melhores filmes que foram exibidos serão premiados no final”.

Fig. 2: Sérgio Melo é um dos idealizadores do Cine Kurumin. Foto: Peterson Azevedo

De acordo com Sérgio, os indígenas participam de forma efetiva da organização do festival. “Existe essa preocupação para que os próprios indígenas sejam, não somente vistos no cinema, mas que também tenham a participação nesses processos autônomos de seleção dos filmes, pra que isso seja mais democrático possível”. Na verdade, foi com esse espírito que o projeto nasceu. “Surgiu com um trabalho que era desenvolvido com as aldeias indígenas, especificamente no Nordeste do Brasil, com produção audiovisual e inserção dos indígenas no mundo das novas tecnologias. Nesse trabalho, a gente fazia exibições de filmes. Essas exibições chamavam muito atenção das comunidades e a gente começou a perceber que, para além de exibir filmes, existia uma produção que estava sendo feita por essas comunidades, que também precisava ganhar esse espaço, para que fossem vistas por ouras pessoas”, analisa.

Fig. 3: Cecília Pataxó: “A iniciativa do Cine Kurumin é muito interessante”. Foto: Raulino Júnior

O espaço dado tem sido considerado relevante para os integrantes dos povos indígenas. Cecília Pataxó, 21 anos, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia, avalia de forma positiva o Cine Kurumin. “Eu acho muito interessante, porque a gente acaba retomando esses espaços, não só na área da educação, da saúde, mas também na área da comunicação, trazendo esse protagonismo de como são as aldeias, como a gente vive, como é nossa luta. Mostra, para as pessoas que não são indígenas, a dificuldade que a gente passa”.

Rede Anísio Teixeira no Cine Kurumin

O docudrama Caboclo Marcellino é resultado da formação em Interpretação Cênica e Produção de Vídeos, realizada pela Rede Anísio Teixeira em parceria com estudantes do Colégio Estadual Indígena Tupinambá de Olivença e com a comunidade da Aldeia Tupinambá. O filme foi feito com base no livro escrito pelo professor Katu Tupinambá. No vídeo a seguir, Nildson B. Veloso, professor e diretor do curta, fala sobre como foi o processo de produção, a participação dos indígenas nisso e a importância de contar a história de Marcellino.

O professor Geraldo Seara, diretor de fotografia da obra, destaca o caráter pedagógico dela e fala sobre como os educadores podem utilizá-la na sala de aula:

Eu não conhecia muito o Caboclo Marcellino. Ouvia a história dele, assim, por alto. Diziam que era um indígena arruaceiro, que fazia, acontecia, matava muita gente lá pelos lados de Olivença. Ver essa outra versão sobre ele é esclarecedor, necessário até”, avaliou Larissa Almeida, 29 anos, professora de História. Se você quiser assistir ao docudrama, acesse este link: ambiente.educacao.ba.gov.br.

Fig. 4: Larissa Almeida: “Essa outra versão sobre o Caboclo Marcellino é necessária”. Foto: Peterson Azevedo

A segunda parte do Cine Kurumin vai acontecer de 16 a 20 de agosto, na Aldeia Tupinambá, em Olivença, distrito de Ilhéus. Para saber mais informações, entre neste site: www.cinekurumin.com. Aproveite!

Texto/Produção/Entrevista: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Operadores de Áudio: Geraldo Seara e Harrison Araújo

Edição: Thiago Vinicius

Suicídio, Adolescência e Redes Sociais

Atualmente, o tema do suicídio entre adolescentes passou a ser centro de diversos debates, principalmente após o destaque alarmista dado pela mídia ao jogo Baleia Azul, um desafio virtual cujo objetivo final seria levar o jogador a cometer o suicídio, tendo como vítimas preferenciais os adolescentes. A repercussão em torno desse jogo trouxe a tona, um dos temas, considerado grande tabu da nossa sociedade: o suicídio. A adolescência é um período da vida humana em que estamos mais vulneráveis à ideação suicida, e essa conjuntura se torna ainda mais perigosa quando parte de um universo desconhecido para pais e professores: a vivência dos adolescentes na Web.

Tendo em vista essas questões, o Blog entrevista nessa edição Juliana Cunha, coordenadora psicossocial da SaferNet Brasil, um órgão que atua na defesa e prevenção contra crimes na web, relacionados aos direitos humanos. A SaferNet alerta que o jogo da Baleia Azul se difundiu a partir de uma notícia falsa de cunho alarmista, que teve um impacto grande na sociedade por envolver  adolescentes, risco de morte e internet. Esses componentes são um forte atrativo quando agregados a uma notícia e capturam facilmente a atenção de um grande número de pessoas.

Aos poucos a notícia gerou uma histeria coletiva e criminosos passaram a replicar a ideia do jogo, atraindo a atenção dos adolescentes. Juliana Cunha alerta sobre a necessidade de que “Sejamos usuários menos ingênuos” desconfiando de notícias que tenham esse teor. É preciso checar sempre a veracidade das fontes. Nesse processo, a escola tem um papel fundamental e deve assumir o papel de discutir sobre segurança e liberdade na Web. Com a palavras, Juliana Cunha:

 

O suicídio é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo a OMS está entre as três causas de morte mais frequentes em populações de 15 a 44 anos, trata-se, portanto de um tema delicado e que merece um tratamento cuidadoso por parte das unidades escolares, professores e profissionais de saúde, já que as causas são multifatoriais. Na Bahia o NEPS (Núcleo de Estudos e Prevenção ao Suicídio) que atua no Hospital Roberto Santos e trabalha na prevenção do suicídio elaborou um cartilha que você pode acessar aqui no Ambiente Educacional WEB.

 

Sem título

Temos disponível também a cartilha recomendada pelo Conselho Brasileiro de Psiquiatria. Leia, Informe-se. Estudantes e professores precisam estar atentos contra o desrespeito aos direitos humanos na Web, que está longe de ser uma terra sem lei, em que se podem cometer crimes de forma inconsequente, há muito de bom a ser aproveitado, mas muitos perigos também, estamos atentos! Para saber mais, acesse o novo portal da SaferNet abaixo:

 

safernet

EQUIPE:

Valdineia Oliveira (Texto)

Peterson Azevedo (Produção e imagem)

Rodrigo Maciel (edição)

 

REFERÊNCIAS 

BORGES, Vivian Roxo; Werlang Blanca Susana Guevara. Estudo de Ideação suicida em adlescentes de 15 a 19 anos. Estu. psicol. (Natal) vol. 11 no. 3 Natal Sept./Dec. 2006.

Portal da Fiocruz – https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/suicidio-deve-ser-tratado-como-questao-de-saude-publica-alertam-pesquisadores

SaferNet – http://new.safernet.org.br/

Organização Pan Americana de Saúde – http://www.paho.org/bra/

http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2017/04/serie-13-reasons-why-foge-a-cartilha-da-oms/

 

Raios!

Chuva forte, ventos, raios e trovões compõem um cenário que inquieta muita gente! Antigamente, e ainda hoje, não é raro deparar-se com pessoas que, durante a ocorrência de tempestades, cobrem todos os espelhos com toalhas e lençóis, guardam todas as tesouras e facas da casa, de forma a evitar a sua exposição. Isso porque, segundo o conhecimento popular, esses utensílios têm a propriedade de atrair raios.

raios

Disponível em pixabay, acessado em 16/06/2017

Os mitos acerca dos raios e trovões não são de hoje, datam de períodos muito antigos. Os babilônicos, por exemplo, acreditavam que o deus Adad carregava um bumerangue em uma das mãos, que quando lançado, provocava o trovão. E, na outra mão, empunhava uma lança, que, quando arremessada, produzia os raios. Já os gregos acreditavam que os raios eram lanças forjadas por gigantes ciclope . Segundo a mitologia, eles trabalhavam como ferreiros, fabricando-as, para que Zeus, o rei dos deuses, as atirasse sobre os homens pecadores e arrogantes.

A partir do século XVIII, os raios começaram a ser compreendidos sob o ponto de vista da ciência. Os primeiros estudos sistemáticos foram realizados em 1752, em Paris, por Thomas François Dalibard. Ele suspeitava que os raios estivessem associados à eletricidade estática e, por isso, se propôs a subir no alto de uma montanha durante uma tempestade, onde colocou uma haste metálica isolada do chão e logo em seguida, utilizando os dedos, verificou que pulavam faíscas em direção a eles. Comprovando, assim, a natureza elétrica das descargas atmosféricas. Posteriormente, várias experiências foram feitas, sendo a mais conhecida a realizada pelo americano Benjamin Franklin. Segundo a história, Franklin empinou uma pipa num dia de tempestade e observou que faíscas pulavam de uma chave amarrada próximo da extremidade da linha à sua mão. Confirmando aquilo que Tomas François já havia constatado no seu experimento.

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Disponível em pixabay, acessado em 16/06/2017

Hoje, sabemos que os relâmpagos têm a sua origem na eletrização das nuvens, gerando, assim, campos elétricos intensos; que, quando atingem níveis críticos, quebram a rigidez dielétrica do ar, possibilitando a descarga elétrica entre nuvens ou entre as nuvens e o solo. Essas descargas provocam o aquecimento abrupto do ar que se expande, gerando os estrondos que conhecemos como trovão. Apesar de se tratar do mesmo fenômeno, percebemos o trovão e o relâmpago em momentos distintos. Isso ocorre porque o som e a luz possuem velocidades diferentes. Como sabemos, a luz (300.000.000 m/s) é muito mais rápida que o som (340 m/s), por isso é percebido muito antes, ocasionando a falsa sensação de que se tratam de fenômenos diferentes.

Por mais bonitos e atraentes que sejam, os relâmpagos representam um grande perigo. Isso porque, ao atingir o corpo humano, a corrente elétrica gerada por eles pode causar queimaduras, parada cardiorrespiratória e o óbito do indivíduo.

Os raios têm uma probabilidade maior de atingir os pontos mais altos, locais descampados, piscinas, praias, campos de futebol e árvores isoladas. Assim, durante uma tempestade, deve-se evitar esses locais. Caso esteja dentro de um veículo, evite sair dele. O carro é o local mais seguro para se abrigar dos raios. Ele funciona como uma gaiola de Faraday, anulando o campo elétrico no seu interior. E, finalmente, não precisa mais cobrir os espelhos de casa! Eles não atraem os raios! Até hoje, não foi encontrada nenhuma relação entre eles, até porque o espelho é feito de vidro, material que não conduz bem a eletricidade, logo não oferece nenhum perigo. Já os metais, principalmente os pontiagudos, devem ser evitados, já que eles são bons condutores de eletricidade. Por medida de segurança, desligue os eletroeletrônicos e evite fazer ligações no telefone fixo!

Aprenda mais sobre os raios, acessando agora o Ambiente  Educacional Web!

Referências:

INSTITUTO DE FÍSICA DE SÃO CARLOS. Eletricidade prejudicial ou fundamental?. Disponível em: <http://www.ifsc.usp.br/index.php?option=com_content&view=article&id=926:desvendando-raios-eletricida-prejudicial-ou-fundamental&catid=7:noticias&Itemid=224>. Acesso em: 13 de junho de 2017.

 

 

(Des)Sustentabilidades ambientais

Olá, comunidade!

A cada ano, chegamos ao mês de Junho com a possibilidade de rediscutirmos mais intensamente sobre os caminhos que devemos escolher para vivermos com mais harmonia, respeitando as culturas, identidades e o meio ambiente. Ou seja, discutir a melhor estratégia de nos relacionarmos com o meio ambiente de maneira sustentável. Será que estamos conseguindo, ao menos, discutir estas questões democraticamente? Será que os rumos dessas discussões podem, efetivamente (ações de políticas públicas), transformar nosso comportamento desenvolvimentista? Será que realmente respeitamos a diversidade étnica? Uma coisa temos em mente: caminhar é preciso…

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Fig. 1: Caminhar é preciso. Imagem: Peterson Azevedo

É pensando nessas questões, que devemos refletir sobre qual Brasil queremos construir para a nossa e as futuras gerações, para que realmente possamos dialogar sobre os possíveis caminhos que consigam, de maneira equânime, planejar o desenvolvimento econômico e social, pensando em uma organização do espaço de forma sustentável. A tecnologia, a ciência e a informação devem referenciar esta conversa, mas tendo como principal objetivo o de respeitar e valorizar as culturas e a etnodiversidade do lugar. A revolução técnica-científica-informacional não pode exclusivamente estar a serviço do capital, pois esta relação fragiliza diretamente as estruturas sociais e seu pleno desenvolvimento, constituindo uma visão superficial do território, desconsiderando os valores culturais e étnico do espaço como um todo, especificamente dos valores compactuados pelo lugar.

Pensando em um caminhar propositivo, crítico, contextualizado e respeitando as territorialidades, trago a experiência do movimento indigenista e social – Articulação dos povos indígenas do Brasil, associação que representa as questões indígenas e suas etnias no país, como exemplo de mobilização, não apenas em defesa ao direito à terra, mas também como instrumento de luta, para a conservação da biogeografia do país. Devemos lembrar que, quando falamos de questões ambientais, não nos referimos apenas às questões de flora e fauna, mas dos processos urbanos, econômicos e de organização e gestão do espaço construído e historicizado. As populações tradicionais, como os povos indígenas, os quilombolas, os povos da maré e os sertanejos, mantêm uma relação de identidade e de sustentabilidade muito intensa e afetiva com a terra, para além apenas da manutenção do capital. É na terra que esses povos constroem sua história, onde se relacionam, onde transformam a paisagem por meio de suas manifestações culturais, heranças das matrizes coloniais. Neste ano, o movimento de articulação dos povos indígenas do Brasil contou com o voluntarismo de artistas e ativistas brasileiros em prol da luta pela terra e pela liberdade à etnicidade. Eles produziram uma campanha audiovisual, para alertar a população da importância ambiental de conservarmos e preservarmos as terras indígenas em sua totalidade biológica e cultural. Aprecie sem moderação:

Vídeo 1 – Demarcação Já. Letra composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César.

Um outro exemplo de luta que quero compartilhar é o depoimento de um grande ancestral americano, que já nos alertava sobre a velocidade voraz do capital em detrimento aos recursos do planeta. Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, escreve uma carta em resposta ao avanço imperialista do presidente norte-americano Francis Pierce. Segue um trecho da carta. “O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. […]

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Fig. 2: O toré. Imagem: Peterson Azevedo

Apesar da formação cultural desses povos estar ligada à terra, é equivocado pensarmos que eles não desenvolveram suas estruturas comunicacionais. Os povos tradicionais também estão inseridos no ciberespaço e na cibercultura, mas não se distanciam das raízes, mostrando novas possibilidades do uso e da apropriação das novas tecnologias como aliadas e não apenas como sistema de consumo. Os povos tradicionais não são contrários ao desenvolvimento, mas questionam as ferramentas e os interesses desse “desenvolvimento”, que tem como objetivo principal a manutenção do poder e o controle do capital, tendo e entendendo o lugar e o território como suporte materialista dessa engrenagem. Desenvolvimento não necessariamente está relacionado à obtenção do capital, à exploração da força produtiva e do uso indiscriminado dos recursos naturais; desenvolver é dar plena liberdade de se expressar culturalmente, ter acesso aos bens materiais básicos em sua plenitude, ofertar o direito de ser em sua magnitude. O desenvolvimento não deve estar unicamente relacionado ao dinheiro, mas à plenitude sustentável do espaço e da pluralidade cultural. A revolução técnica-científica-informacional não deve estar a serviço do capital e sim do desenvolvimento sustentável acessível para todos. “Quando a ciência se deixa claramente cooptar por uma tecnologia cujos objetivos são mais econômicos que sociais, ela se torna tributária dos interesses da produção e dos produtores hegemônicos e renuncia a toda vocação de servir à sociedade. Trata-se de um saber instrumentalizado, em que a metodologia substitui o método”. (SANTOS, p.7. 1988).

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Fig. 3: Sertão-Lindo. Imagem: Peterson Azevedo

Pensemos em um desenvolvimento sustentável pleno e autônomo, sem restrições étnicas e sociais, sem amarras ao capital e pensando na hegemonia e independência do lugar, mas do lugar empoderado e não subserviente ao território e às estruturas de poder do capital perverso.

Até mais!

Peterson Azevedo
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado, fundamentos teórico e metodológicos da geografia. Hucitec. São Paulo. 1988

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB. Disponível em:

<https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/>. Acesso em 05 de Junho de 2017.

A carta do Cacique Seattlel, em 1855. Disponivel em:

<http://www.culturabrasil.org/seattle1.htm>. Acesso em: 05 de Junho de 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Ser Professor. Ecovento. Disponível em:

<http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3929>. Acesso em: 05 de junho de 2017.

O baianês nosso de todo dia

Colé de mermo! Tá tudo massa? Hoje, a gente vai trocar uma ideia sobre o baianês. Você tá ligado? Não precisa ficar agoniado, não. É de boa! Tá rebocado! Só não vamos entrar na molequeira, porque a coisa aqui é séria. Brincadeiras à parte, se você é baiano, já prestou atenção ao nosso modo de falar? Temos uma forma própria de nos expressar e, muitas vezes, a gente não atenta para isso. Essa forma, obviamente, não é homogênea, padronizada, mas faz parte dos nossos costumes. Repare como eu comecei este texto. Oxe! Olha o baianês aí de novo!

Fig. 1: capa da 2ª edição do Dicionário de Baianês, publicada em 1992. Foto: Raulino Júnior

O baianês é um dialeto do português brasileiro, cujo uso frequente se dá no estado da Bahia. Ele é formado por palavras e expressões que caracterizam a cultura do povo baiano. A sua composição tem influências históricas, principalmente quando se pensa nas correntes migratórias da época do Período Colonial, quando Salvador protagonizava as ações administrativas do Brasil. A então capital do país influenciou e contribuiu para consolidar essa forma peculiar de se comunicar.

Há uma vertente da Linguística, a ciência da linguagem, que estuda esse fenômeno da língua: a Sociolinguísitca. Ela se debruça, de forma científica, sobre os aspectos linguísticos e sociais que são evidenciados na relação entre língua e sociedade. É um estudo muito interessante! Porque, para a Sociolinguística, as condições de produção devem sempre ser consideradas. Uma pergunta-guia é: por que tal falante usa tal forma para se comunicar? Daí vem toda a investigação. O estudo é descritivo, voltado para o emprego linguístico concreto. Os fatos da língua são investigados pelos sociolinguistas tomando como base o uso vivo dela. Nesse sentido, noções de “certo” e “errado” não são levadas em consideração. É assim com o dialeto baiano. Expressões como “Colé, bródi!” e “Ópraisso!” se justificam devido a essa investigação científica.

Contudo, como o baianês é uma linguagem que nasce da fala, é preciso ter consciência para a adequação do seu uso, além de atentar para as diferenças existentes entre a língua falada e a língua escrita. Numa conversa com amigos, no pátio da escola, temos uma forma mais descontraída de falar, com reduções de palavras e uso de gírias, por exemplo. Entretanto, numa entrevista de emprego, a nossa fala, geralmente, se torna mais formal.

Quem investigou e registrou a nossa forma de falar foi o engenheiro Nivaldo Lariú, que é natural de Itaperuna, município do Rio de Janeiro. Ele radicou-se na Bahia há mais de 40 anos e catalogou as palavras e expressões ditas pelos baianos no Dicionário de Baianês. O livro já tem mais de 1500 verbetes e é um dos poucos registros sobre o dialeto. Vale muito a pena consultá-lo. Quer pegar o boi? Corra atrás da obra, criatura!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia