Cultura Indígena Projetada

Uma sala de projeção, escura. Sinal de que uma sessão de cinema está prestes a começar. Contudo, não se trata de uma sessão comum, bem que poderia ser. Em poucos instantes, o público vai se deparar com produções audiovisuais realizadas e protagonizadas por povos indígenas. A situação narrada pode até parecer ficção, principalmente quando a gente pensa na realidade desses povos no nosso país, mas não é. A cena descrita aconteceu durante o Cine Kurumin, em Salvador, no último dia 13, quando o Palacete das Artes recebeu parte da programação do evento.

Fig. 1: cena de Caboclo Marcellino durante o Cine Kurumin. Imagem: Peterson Azevedo

Tendo a frase “Da minha aldeia vejo o mundo” como uma forma de provocar, a mostra chegou à 6ª edição com status de festival, promovendo bate-papos após as exibições dos filmes e rodas de conversa. O jornalista Sérgio Melo, 37 anos, que trabalha com produção multimídia e contribui com o Cine Kurumin desde que o projeto foi pensado, destacou aspectos importantes dessa modificação: “Não foi só conceitual, mas uma mudança mesmo de procedimentos. Até a edição passada, a gente era uma mostra. Transformando-se em festival, a gente traz, para além das exibições dos filmes, a participação maior dos realizadores. Em toda sessão, a gente tem um bate-papo e rodas de conversas, que estão acontecendo diariamente também. Além disso, tem a mostra competitiva, na qual os melhores filmes que foram exibidos serão premiados no final”.

Fig. 2: Sérgio Melo é um dos idealizadores do Cine Kurumin. Foto: Peterson Azevedo

De acordo com Sérgio, os indígenas participam de forma efetiva da organização do festival. “Existe essa preocupação para que os próprios indígenas sejam, não somente vistos no cinema, mas que também tenham a participação nesses processos autônomos de seleção dos filmes, pra que isso seja mais democrático possível”. Na verdade, foi com esse espírito que o projeto nasceu. “Surgiu com um trabalho que era desenvolvido com as aldeias indígenas, especificamente no Nordeste do Brasil, com produção audiovisual e inserção dos indígenas no mundo das novas tecnologias. Nesse trabalho, a gente fazia exibições de filmes. Essas exibições chamavam muito atenção das comunidades e a gente começou a perceber que, para além de exibir filmes, existia uma produção que estava sendo feita por essas comunidades, que também precisava ganhar esse espaço, para que fossem vistas por ouras pessoas”, analisa.

Fig. 3: Cecília Pataxó: “A iniciativa do Cine Kurumin é muito interessante”. Foto: Raulino Júnior

O espaço dado tem sido considerado relevante para os integrantes dos povos indígenas. Cecília Pataxó, 21 anos, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia, avalia de forma positiva o Cine Kurumin. “Eu acho muito interessante, porque a gente acaba retomando esses espaços, não só na área da educação, da saúde, mas também na área da comunicação, trazendo esse protagonismo de como são as aldeias, como a gente vive, como é nossa luta. Mostra, para as pessoas que não são indígenas, a dificuldade que a gente passa”.

Rede Anísio Teixeira no Cine Kurumin

O docudrama Caboclo Marcellino é resultado da formação em Interpretação Cênica e Produção de Vídeos, realizada pela Rede Anísio Teixeira em parceria com estudantes do Colégio Estadual Indígena Tupinambá de Olivença e com a comunidade da Aldeia Tupinambá. O filme foi feito com base no livro escrito pelo professor Katu Tupinambá. No vídeo a seguir, Nildson B. Veloso, professor e diretor do curta, fala sobre como foi o processo de produção, a participação dos indígenas nisso e a importância de contar a história de Marcellino.

O professor Geraldo Seara, diretor de fotografia da obra, destaca o caráter pedagógico dela e fala sobre como os educadores podem utilizá-la na sala de aula:

Eu não conhecia muito o Caboclo Marcellino. Ouvia a história dele, assim, por alto. Diziam que era um indígena arruaceiro, que fazia, acontecia, matava muita gente lá pelos lados de Olivença. Ver essa outra versão sobre ele é esclarecedor, necessário até”, avaliou Larissa Almeida, 29 anos, professora de História. Se você quiser assistir ao docudrama, acesse este link: ambiente.educacao.ba.gov.br.

Fig. 4: Larissa Almeida: “Essa outra versão sobre o Caboclo Marcellino é necessária”. Foto: Peterson Azevedo

A segunda parte do Cine Kurumin vai acontecer de 16 a 20 de agosto, na Aldeia Tupinambá, em Olivença, distrito de Ilhéus. Para saber mais informações, entre neste site: www.cinekurumin.com. Aproveite!

Texto/Produção/Entrevista: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Operadores de Áudio: Geraldo Seara e Harrison Araújo

Edição: Thiago Vinicius

Feminismo: isso é coisa de quem luta por igualdade de direitos

Em 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe temáticas que estão na pauta do movimento feminista em duas de suas provas: a de Redação e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Obviamente, o fato de os responsáveis pelo ENEM abordarem tal assunto não foi à toa. A necessidade de discutir feminismo parte de uma demanda social urgente, que tem no seu cerne a luta por direitos iguais para todos os gêneros.

De acordo com a historiadora e cientista política Céli Regina Jardim Pinto, a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX, quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto”, p. 15. No Brasil, o ponto de partida da luta feminista se deu no início do século XX, através de Bertha Lutz, também tendo o direito ao voto como principal bandeira. Contudo, ao longo do tempo, outras pautas tornaram-se necessárias para o movimento. Por isso, é possível dizer que há vários feminismos.

Fig. 1: Simone de Beauvoir: referência máxima do movimento feminista. Imagem: reprodução do site The Simone de Beauvoir Society

Nesse sentido, existem grupos feministas que reivindicam questões específicas, a exemplo das lésbicas, das mulheres negras e das mulheres trans. Obviamente, há temas que são comuns a todo mundo, como a busca pelo fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, a liberdade sexual, a descriminalização do aborto, o fim da violência doméstica e da cultura do estupro, entre outras. Para as feministas, a sociedade deve entender e respeitar que as mulheres são livres para fazer as próprias escolhas. Feminismo não é o contrário de machismo, que é uma forma de dominação socialmente aceita e, ainda hoje, incentivada. Ser feminista é ter consciência de que os direitos devem, de fato, ser iguais, tanto para homens quanto para mulheres.

A prova de Ciência Humanas do ENEM 2015, na questão 42, reproduziu o seguinte trecho do livro O Segundo Sexo, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, referência máxima quando se fala em movimento feminista: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. O que Beauvoir quis dizer? Djamila Ribeiro, em texto publicado no site da revista Carta Capital, explica: “…ao dizer que ‘não se nasce mulher, torna-se’, a filósofa francesa distingue entre a construção do ‘gênero’ e o ‘sexo dado’ e mostra que não seria possível atribuir às mulheres certos valores e comportamentos sociais como biologicamente determinados”. Então, repetir frases como “Isso é coisa de mulher”, é um dos equívocos de que precisamos nos desfazer para assumir uma postura menos machista. Afinal, ninguém nasce machista, torna-se.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referências:

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Redação e de Linguagens Códigos e suas Tecnologias, Prova de Matemática e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, História e Poder. Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 18, n. 36, p. 15-23, jun. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

RIBEIRO, Djamila. Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limites de Feliciano e Gentili. Carta Capital, Opinião, Sociedade, 3 nov. 2015. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/simone-de-beauvoir-e-a-imbecilidade-sem-limites-de-feliciano-e-gentili-6444.html>. Acesso em: 31 mar. 2016.

Resenha PW: Áfricas no Brasil

Oi! Tudo bem? Estamos no mês de novembro e, neste período do ano, todas as nossas publicações abordam aspectos da História e Cultura Africana. Assim, fortalecemos as ações do projeto Novembro Negro, que acontece em todo o estado.

Em 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 10.639, que obriga a inclusão da temática da História e Cultura Afro-Brasileira no currículo oficial da Rede de Ensino. Na instituição em que você estuda, os professores já estão implementando a Lei? E você, educador, tem encontrado bons materiais para levar a discussão para a sala de aula?

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Fig. 1: Áfricas no Brasil: linguagem simples e boas referências. Imagem: reprodução do site da editora Scipione

O livro Áfricas no Brasil, de Kelly Cristina Araujo, é um bom começo para isso. Publicada no mesmo ano de sanção da lei, a obra aborda, de forma bastante didática, “as tradições e costumes dos povos africanos que aportaram no Brasil”.

No primeiro capítulo, Onde fica a África?, a autora convida o leitor para prestar mais atenção ao continente, a fim de perceber o quão perto ele está de nós. Em seguida, no capítulo 2, As rotas para o Brasil, Kelly fala mais detidamente do tráfico de escravos, destacando a violência como isso foi feito. Religião e solidariedade: o candomblé e as irmandades dos homens pretos é o assunto do excelente capítulo 3. Nele, a autora coloca em debate os traços culturais da África que foram incorporados à cultura brasileira. Para isso, faz um recorte e fala sobre o candomblé e as irmandades católicas de negros. Kelly, obviamente, não deixa de citar a Bahia nessa parte: “O primeiro terreiro de candomblé do Brasil instalou-se em Salvador, na Bahia, conhecido hoje como Casa Branca do Engenho Velho”, p. 17.

O quarto (Um reino chamado Congo…) e o quinto (…E uma festa chamada congada) capítulos são complementares. A autora se debruça sobre o Congo e destaca as suas tradições, como as congadas. No sexto, A Capoeira, o jogo é o protagonista. Segundo Kelly, a capoeira “talvez seja a manifestação mais brasileira de todo o universo cultural afro-brasileiro”, p. 41. No capítulo, ela cita a capoeira angola e a capoeira regional e faz uma análise geral das características da manifestação. No sétimo e último capítulo, O Brasil na África, o destaque vai para as comunidades africanas com raízes brasileiras. No Benin, de acordo com a autora, os povos que se consideram “brasileiros” são chamados de agudá; na Nigéria, amarô. Nesse capítulo, Kelly fala sobre a cultura brasileira que foi levada para a África e as tradições comuns ao continente e ao país. Como exemplo, cita a festa do Nosso Senhor do Bonfim, que é comemorada no mês de janeiro, no Benin. Algo familiar à nossa cultura, não é?

O livro é voltado para crianças a partir de 11 anos, mas estudantes e educadores de todas as idades devem ler e aproveitar o que a autora coloca em discussão. É muito bom para começar.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referência:

ARAUJO, Kelly Cristina. Áfricas no Brasil. São Paulo: Scipione, 2003. (Série Diálogo na Sala de Aula).

Outubro Rosa – a saúde pública para a mulher e para todos nós.

O câncer de mama é uma doença que acomete um número muito grande de pessoas no planeta. Sua incidência tem sido revertida em muita dor  para pacientes, familiares e amigos de indivíduos atingidos. O século XX viu um grande crescimento do número de casos de câncer de mama e também de ações médicas e sociais para tentar lidar melhor com o problema.

Além de estar ligado à questão da saúde pública, a doença se relaciona também com aspectos sociais relativos, sobretudo às condições de saúde     da mulher, de alimentação inadequada, da falta do hábito da medicina preventiva e da genética, que responde por mecanismos que parecem disparar o crescimento desordenado de células no corpo.

Na década de 90, um movimento começa nos Estados Unidos a fim de buscar o diagnóstico precoce do câncer de mama, com exames de mamografia que se concentravam no mês de outubro. Essas ações ganharam um caráter oficial quando o Congresso americano fez o mês de outubro ser oficialmente o mês nacional no país de prevenção ao câncer de mama.

A Fundação Susan G. Komen for the cure é a responsável pela Corrida pela Cura, realizada em Nova York a partir de 1990 e que ocorre até os dias atuais, no sentido de motivar os debates sobre esse problema mundial. Os laços rosas passaram a ser símbolo dessa luta juntamente com a iluminação rosada para prédios públicos e de destaque nas cidades, desfiles e ações midiáticas em geral.

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Símbolo da campanha Outubro Rosa

No Brasil, foi emblemática a campanha feita com a atriz Cássia Kiss Magro, em 1988, em que com os seios à mostra, ela chamava atenção para a necessidade do autoexame. No período, o fato de a atriz já famosa aparecer com os seios desnudos causou certo alvoroço, o que acabou potencializando a campanha.

Segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva), 58 mil casos de câncer de mama devem acometer mulheres no Brasil, em 2016. Esse dado pode ficar ainda mais surpreendente quando sabemos que os homens também podem ser acometidos por câncer de mama,  representando menos de 1% dos casos.

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Autoexame para detecção de alterações na mama. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cancro_da_mama

Na sociedade contemporânea, o estresse, a alteração da percepção de tempo, como que nos colocando sempre com muita pressa, e uma alimentação que não é das melhores fazem com que o nosso corpo acabe tendo que lidar com adaptações que talvez sejam agressivas à estrutura biológica humana. Segundo Paulo Cesar Naoum, Professor Titular pela UNESP, 90% dos casos de câncer são adquiridos em hábitos pessoais que a pessoa possui ao longo de sua vida. O stress crônico na família, no trabalho ou por quaisquer outras razões, além de vícios de cigarro, drogas e álcool, alimentação rica em gorduras trans podem ser disparadores de diversos tipos de câncer, entre eles o câncer de mama.

Em 1872, o médico oftalmologista Hilário de Gouveia fez a primeira observação acerca da hereditariedade do câncer e em 1919 é criado o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), com ações voltadas para o câncer e ainda num momento em que os conhecimentos médicos sobre o tratamento da doença eram escassos e que a saúde pública no Brasil atingia muito menos pessoas que atualmente.

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Cirurgia de câncer de mama no século XVIII. Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9845793

O SUS (Sistema Único de Saúde) trata o câncer de mama através de sua rede credenciada, embora sua atuação seja limitada pela demanda alta que recebe a todo tempo, bem como os problemas enfrentados nos repasses de recursos que muitas vezes não chegam até os pontos de atendimento. Dependendo da região do país, o indivíduo pode ser encaminhado para uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) ou para um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON).

O Outubro Rosa é uma ação que merece destaque, mas precisamos estar atentos aos cuidados com a saúde pública a todo tempo. É preciso que investimentos sejam realizados constantemente e que a medicina preventiva seja possível para um maior número de pessoas. A desigualdade social no Brasil também tem efeitos graves sobre o entendimento a respeito dos cuidados com a saúde. Quando uma sociedade está sadia em sentidos múltiplos, a saúde pública expressa essa condição. Que cuidemos da saúde amplamente em nós e em todos!

Carlos Barros

Professor da Rede Estadual de Ensino.

 

Nossas Diversas Falas

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Flame do programa Diversidades – TV/Rede Anísio Teixeira

Você sabia que o Brasil é considerado um dos países que mais tem diversidade linguística?

Aprendemos com nossos professores de História que, na época em que os portugueses chegaram nessas terras, a população indígena era de, em média, seis milhões de pessoas, distribuídas entre diferentes povos, culturas e denominações. Com a colonização, a dominação portuguesa impôs o português como língua oficial.

Apesar disso, ainda hoje, segundo o Censo 2010 do IBGE, 274 línguas indígenas são faladas no Brasil, sem esquecer as  outras tantas que não foram contabilizadas por esse instrumento. Entre elas estão as que têm origem nas imigrações, as de sinais, das comunidades afro-brasileiras e crioulas.

Essa diversidade contribui para a formação das diferenças nas falas das pessoas de diversas regiões brasileiras. Assim, surgem, por exemplo, os falares gaúcho e catarinense, no sul, os falares baiano e pernambucano, no nordeste, o mineiro e o carioca, no sudeste.

As variações podem ser de caráter fonético, como pronúncia e entonação; e lexical, usando palavras diferentes para indicar o mesmo objeto ou aquelas que possuem escritas semelhantes, mas têm sentidos diversos em vários locais do país. Por isso, tangerina e mexerica são denominações da mesma fruta; sinal, sinaleira, farol e semáforo referem-se ao mesmo objeto.

O programa Diversidades, da TV Anísio Teixeira, propôs uma reflexão acerca da diversidade linguística. Não deixe de conferir e saber mais sobre esse assunto!

 

O mais importante de tudo isso é reconhecer que diferenças existem e que podemos e devemos reconhecê-las e respeitá-las. É tão legal perceber como é diverso o nosso país e como isso faz dele um lugar tão rico culturalmente.

 

Joalva Moraes
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Referências:

FIGUEIREDO, J.  C. Censo 2010: população indígena é de 896,9 mil, tem 305 etnias e fala 274 idiomas. Disponível em: <https://nacaoindigena.com/2012/08/10/censo-2010-populacao-indigena-e-de-8969-mil-tem-305-etnias-e-fala-274-idiomas/&gt; Acesso em: Maio de 2016.

GARCIA, M. V. C. A diversidade linguística como patrimônio cultural. Disponível  em: <http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=39&gt; Acesso em : Abril de 2016.

MELO, M. A. Diversidade Linguística no Brasil. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2743953&gt; Acesso em: Abril de 2016.

 

 

 

Vem aí, a VI FECIBA!

Olá!Tudo bem?

Hoje, vamos falar sobre um evento que vem acontecendo anualmente, em Salvador, desde 2011, e que tem apresentado excelentes resultados , frutos do trabalho de alunos e professores da Rede Pública de Ensino . Estamos falando da Feira de Ciências e Matemática da Bahia (FECIBA), promovida pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia. A Feira de Ciências é resultado da realização das feiras escolares de Ciências, que se constituem na culminância das atividades desenvolvidas por meio dos programas estruturantes da Secretaria de Educação – Ciência na Escola, Gestar na Escola, Pacto pelo Ensino Médio e Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (Emitec)”.( Ascom/Secretaria da Educação do Estado da Bahia)

Veja o texto abaixo:

“O espaço escolar é um dos locais mais importantes de uma Nação. Profícuo para a formação e desenvolvimento de indivíduos cidadãos. Nele, professores talentosos constituem-se em mola propulsora da educação. Apresentam o universo escolar aos estudantes, naturalmente, entregam-se e interagem com a turma num misto de confiança, sorrisos, expertises, interesses e sentimentos. Medeiam o conhecimento, versam sobre vários conteúdos. Iniciam, firmam o alunado no mundo da ética, moral, regras e valores que estarão presentes no transcorrer de sua vida e cobrados ao longo de sua existência.” (Parte integrante da poesia ‘Dia 15 de outubro’)

 Então, é chegado o momento , vem aí a VI FECIBA, que ocorrerá nos dias 09, 10 e 11 de novembro do ano corrente, na Arena Fonte Nova, durante o 5.º Encontro Estudantil. Não dá pra ficar de fora!  Na Feira , você, seus colegas, seus  professores e sua escola apresentarão invenções ,resultantes da interação pedagógica ocorrida durante este ano letivo. Sugiro que você , aluno-cidadão,  mostre sua expertise através de projetos criativos mediados pela ética, moral, regras e valores.

O estudante da escola pública, Lucas Borges , que criou um eficiente sistema de segurança para fogões contra acidente doméstico, foi  premiado na Feira de Ciências da Bahia , em 2011, e no ano de 2012 venceu a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), no Campus da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Sugiro que assista ao vídeo, abaixo, Sistema de Segurança Contra Acidentes Envolvendo Panelas – Lucas Borges (Rede Anísio Teixeira – TV AT ).

Lucas Borges
Fig. 1 : Lucas Borges

O ano de  2015  teve o maior número de projetos registrados. Foram submetidos à FECIBA mais de 870 projetos,de 544 escolas. De acordo com o coordenador da Feira, Rogério Lima ,a expectativa para este ano é ultrapassar a marca do ano anterior: “Elaboramos um conjunto de ações, como videoconferências, workshops e seminários colaborativos para estimular a participação dos estudantes. Nossa proposta é fazer com que eles demandem dos professores e das unidades escolares o envolvimento com proposta da educação científica”.( Ascom/Secretaria da Educação do Estado da Bahia)

Fig. 2 - Vídeoconferência -IAT .Núcleos Regionais de Educação (NRE) com as Coordenações dos Projetos Estruturantes.

Durante a videoconferência, ocorrida no dia 30/08, no IAT – Instituto Anísio Teixeira, com o objetivo de estreitar a relação dos Núcleos Regionais de Educação (NRE) com as coordenações dos projetos estruturantes, a coordenadora do Programa Ciências na Escola – PCE,  Shirley Costa, falou que “o programa empodera o estudante no seu processo educacional, promove a  educação científica dos professores e estudantes, motiva-os a mudar a realidade em seu entorno.É um orgulho para o PCE saber que mais de 100 escolas, durante o mês de agosto, vêm realizando feiras escolares de ciências”.  Rogério Lima informou:  “Até dia 01/09/2016 ,acredito que já esteja no site da FECIBA o link para inscrição na Feira de Ciências e Matemática da Bahia”.

Outro fato importante é que os projetos submetidos à FECIBA, não precisam, necessariamente, que sejam apenas da área de conhecimento de ciências da natureza.

São perceptíveis as características interdisciplinares nos projetos. Estes  podem versar sobre várias temáticas,como por exemplo: projeto que fala sobre a identidade das comunidades quilombolas, de autoria das alunas Beatriz Santana e Tainá de Almeida, estudantes da rede estadual de ensino do município de Antônio Cardoso, interior baiano. Elas foram vencedoras da FECIBA- 2014 e da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia – FEBRACE, com o trabalho sobre fortalecimento da identidade negra e quilombola na cidade. Atualmente, Tainá é estudante do curso de Direito da Universidade Federal da Bahia.

As estudantes apresentaram, também, o referido trabalho na “Intel Internacional Science and Engineering Fair”- EUA, maior feira de ciências do mundo.

Outro grande exemplo de projeto bem-sucedido é a criação de “um dispositivo que inviabiliza o acionamento de motos sem uso de capacete”, de autoria dos alunos  Poliana Mascarenhas e Marcelo Oliveira Pinto, estudantes do Colégio Estadual Polivalente , no município de Conceição do Coité, no semiárido baiano.

Então, fique atento, não perca a data para a inscrição dos trabalhos de sua escola! E boa sorte!

Ana Rita Medrado

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino.

 

Referências:

http://escolas.educacao.ba.gov.br/feciba1

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/05/alunas-da-rede-publica-levam-projeto-sobre-quilombolas-para-feira-nos-eua.html

http://www.secom.ba.gov.br/galeria/15333/126333/Videoconferencia-promove-articulacao-entre-IAT-e-Nucleos-Regionais-de-Educacao.html

 

Prepare-se para o ENEM!

Inicialmente, em 1998, quando foi criado, o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio tinha como objetivo avaliar a qualidade do ensino médio no país . Desde então, vem apresentando, nos últimos anos, um aumento expressivo no número de inscritos. Instituições superiores vêm substituindo a tradicional prova do vestibular pela prova do ENEM. A partir de 2012, todas as Universidades Federais aderiram ao Exame, sendo hoje a principal forma de acesso ao ensino superior.

Então, você está preparado? Saiba que a edição do ENEM 2016, em relação ao ano passado, registrou um aumento de 9,4% no número de inscrições. São mais de 9 milhões de inscritos, o que mostra uma concorrência acirrada !

Outra novidade, para este ano, é o lançamento da plataforma “Hora do ENEM”, programa diário, com 30 minutos de duração, produzido pelo Ministério da Educação – MEC, que disponibiliza vídeos e material online gratuito. Lá, você encontra: questões de provas anteriores, resolvidas e comentadas por professores , videoaulas , programas de TV veiculado pela TV Escola e boletim com notícias referentes ao exame. É uma boa opção de estudo, acesse   http://horadoenem.mec.gov.br. . Fique “ligado”!

Conheça , também ,  o aplicativo do ENEM , criado pelo Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, juntamente com o MEC. Está sendo de grande valia para todos que estão se preparando para o exame.

As questões das provas do ENEM trazem “pegadinha interdisciplinar”, que diz respeito à interdisciplinaridade e transversalidade referentes aos conteúdos de todas as disciplinas que são estudadas no ensino médio. Há uma mescla dos assuntos presente em uma mesma questão, isso requer uma leitura e análise apurada do texto.

A interdisciplinaridade presente nas questões “cobra” do estudante um olhar mais refinado sobre a relação existente entre os temas diversos, bem como, maior atenção para responder as perguntas. Atente para o fato de que o exame busca avaliar o conhecimento geral do candidato.

São cobrados os conteúdos das disciplinas que compõem as quatro áreas de conhecimentos. Neste texto, particularmente, vamos falar sobre a área de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Serão,no total , 45 questões das disciplinas desta área (história, geografia, filosofia e sociologia). Sugestão: leia  o edital do exame, nele há informações  sobre as habilidades que serão cobradas e os conteúdos que poderão estar presentes nas  provas.

Dica: nas provas de Ciências Humanas, você vai encontrar muita leitura de texto, comparação entre textos; relação entre imagens e textos; análise de imagens(fotos, charges e obras de arte). O que não pode ser deixado de lado : temas da atualidade, problemas do mundo contemporâneo. Há uma recorrência, nas questões dos exames, dos temas: Brasil Império e República; Era Vargas; questões indígenas; conflitos sociais; ditadura militar no Brasil; cartografia; exploração de recursos naturais, cidadania, questões de gênero , movimentos sociais, movimentos operários, História do Brasil, urbanização,impactos ambientais,direitos humanos, etc.

Para auxiliar seus estudos, fica o convite: acesse : http://ambiente.educacao.ba.gov.br/ , lá você encontrará, mais de 3.500 conteúdos digitais sobre vários formatos e conteúdos diversos; entre no canal do EMITEC, assista às aulas referentes às disciplinas da área de Ciências Humanas; veja também os programas da TV Anísio Teixeira e dê uma lida nos textos interdisciplinares postados no Blog do Professor WEB e da Professora Online.

Até o próximo!

Ana Rita Esteves Medrado

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

Olimpíadas, competição e cooperação

 

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Fig. 1 commons.wikimedia.org 

O Brasil está vivendo um momento ímpar de sua história, sediando os jogos olímpicos de 2016. É importante aproveitarmos essa oportunidade para refletirmos sobre os valores e subjetividades que participam da nossa cultura e que estão espelhados nessas competições. A sensação de vencer, ser o melhor, nos dá prazer e é, ao final, a mola mestra do nosso sistema econômico. Nildo Viana[1] afirma que “a competição é apontada como um produto social e histórico que gera uma sociabilidade e mentalidade competitivas cujo resultado é a naturalização desse fenômeno social”. Os jogos, de modo geral, são reforçadores desse processo.

A sociedade capitalista dá excessivo valor à concorrência, disputa e superação do outro e a “competição é seu elemento estrutural”[2].  Até pouco tempo atrás, era o vestibular quem definia quais os melhores estudantes do Brasil; hoje, é o Enem, mas a tônica é a mesma: preparar-se a vida inteira para competir por uma vaga nas melhores universidades, depois de formado vem a disputa por um emprego. Só existe lugar para os vencedores, no mercado de trabalho. Todo ano são divulgados hankings dos melhores alunos e universidades, muitas espalham outdoors pela cidade com fotos dos seus alunos campeões: é um pódio, quem não passa por essa seleção é taxado como perdedor. Os americanos têm um termo bem jocoso para designar essas pessoas: “loser”. A tradução é perdedor, derrotado. Não há lugar no topo para todos, logo, todos acham normal  que existam excluídos.

A semelhança com os jogos olímpicos não é mera coincidência, já que a Grécia é o país em que essas competições nasceram. A cultura grega influencia a nossa em diversos aspectos, os heróis e seus mitos de superação inspiravam os jovens a lutar e vencer seus adversários, consequentemente morriam cedo e eternizavam seu nome na história. Aos que tombavam nos campos de batalha, nenhuma glória: “losers”. O propósito desse texto é, ao final, provocar uma reflexão a respeito da ideologia que os jogos trazem. A TV mostra medalhas de ouro no peito dos vencedores, explora as características daqueles que superam seus  limites e batem recordes, quer que nossos jovens aprendam a vencer; mas o que sustenta essas vitórias é a derrota infringida ao outro, humilhar o adversário, fazê-lo tombar em campo. É, sim, a analogia de uma batalha em que, ao final, se estabelece uma hierarquia entre vencedores e vencidos  e tudo fica acomodado pelo “espírito esportivo”. Ora, saiba perder, eles  dizem.

Como professor, você já ouviu falar em jogos cooperativos? Isso mesmo! Trata-se de  uma prática esportiva que se preocupa em reforçar os valores sociais humanos, tais como reciprocidade  e solidariedade entre os membros do jogo. Conheça essa proposta e reflita sobre a necessidade de equilíbrio entre competitividade e cooperação na educação dos nossos jovens.

Assista ao GINGA, uma produção da TV Anísio Teixeira que explora a relação entre educação física, cultura corporal  e humanização.

Valdineia Oliveira

Professora da rede pública estadual de ensino

 

FONTES

[1] VIANA, Nildo. Educação Física, Competição e Sociabilidade Capitalista. Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação – RESAFE. 2011.

[2] Idem 1.

BLANCO, M. R. Jogos cooperativos e educação infantil: limites e possibilidades. 181 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

CORREIA, M. M. Trabalhando com jogos cooperativos: em busca de novos paradigmas na Educação Física. Campinas: Papirus, 2006

ORLICK, T. Vencendo a competição. São Paulo: Círculo do Livro, 1989

A Influência da Matemática na Revolta dos Búzios

Oi, galera do PW! Tudo beleza? Você sabia que a Conjuração dos Alfaiates foi a nossa mais importante revolta anticolonial? E que as motivações que levaram ao seu estopim podem ser explicadas pelas atuais Leis de Mercado? E que a lei da oferta e da procura tem seus princípios explicados pela matemática? Pois é! Vamos mergulhar no túnel do tempo para entender como isso ocorreu.

A Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Búzios, Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Argolinhas, ao contrário de outras revoluções que tiveram como protagonistas a elite da época, foi idealizada, principalmente, pelos brancos, pobres, mulatos, negros livres e escravos. Teve como principal líder o médico, político e filósofo baiano Cipriano Barata, o soldado Luís Gonzaga das Virgens e os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento.

A Conjuração ocorreu em virtude de fatores econômicos e sociais. Elementos como a escassez de alimentos, a alta nos preços dos principais gêneros alimentícios e a influência dos ideais de igualdade , liberdade e fraternidade difundidos pela Revolução Francesa, foram os principais fatores.

Economicamente, a situação da Bahia no final do século XVII  não era muito favorável, pois  a cana-de-açúcar entrara em decadência. No entanto, no final do século XVIII, houve uma recuperação em virtude da Revolta dos Canaviais, em que os engenhos da Ilha de São Domingos foram queimados, desorganizando assim uma das principais potências açucareiras da época. Este fato, levou o açúcar produzido pela Bahia a se valorizar  e fez com que os engenhos retomassem a cultura da cana-de-açúcar.  No entanto, essa prosperidade teve um preço muito alto para as camadas mais pobres, pois os senhores de engenho passaram a ocupar quase toda a extensão de suas terras produtivas com a cultura da cana-de-açúcar, fato que levou em curto prazo o desabastecimento e consequente encarecimento de itens como a farinha de mandioca e carne, um dos principais itens da mesa do povo.

Analisando esses fatos nos dias de hoje, podemos explicar a alta nos preços dos alimentos naquele momento histórico utilizando a lei da oferta e procura. Segundo ela, em períodos nos quais a demanda passa a superar a oferta, a tendência é o aumento dos preços. A curva a seguir mostra esse comportamento e como essas grandezas se relacionam.

Curva da Procura (D1 e D2) e Curva da Oferta S

220px-Supply-demand-right-shift-demand.svgFonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_oferta_e_da_procura

  Assim, naquele momento com a escassez dos alimentos houve  uma redução da oferta, e de acordo com a curva, isso levará a um aumento na demanda, e segundo a lei de mercado, a tendência é que os preços aumentem. Com a elevação dos preços, a fome se agravou em Salvador, levando os soldados e populares a saquearem armazéns em busca de farinha e carne.

Com todo esse clima, a revolta era inevitável, porém, o ferreiro José da Veiga, integrante do movimento, delatou para o governador, a revolta que já tinha data e hora para ocorrer.

 Como consequência, o governo baiano debelou o movimento antes mesmo que ele ocorresse, resultando na prisão de vários revoltosos e na execução em praça pública dos seus líderes, findando, assim, a revolta.

Fontes:

História Viva. Disponível em:<http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/revolucao_negra.html> Acesso em 04 de agosto de 2016.

Instituto Búzios. Disponível em:<http://www.institutobuzios.org.br/documentos/MCLS_CONJURACAO%20BAIANA%20OU%20DOS%20ALFAIATES.pdf> Acesso em 04 de agosto de 2016.

Histórias. Disponível em:<http://historiasylvio.blogspot.com.br/2013/07/revolta-dos-buzios.html> Acesso em 04 de agosto de 2016.

Wikipedia, A enciclopédia Livre. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_oferta_e_da_procura> Acesso em 04 de agosto de 2016.

 

Ética e Cidadania no cotidiano do estudante: exercícios educativos em processos de construção a partir da Escola

Ética é uma expressão complexa. Vem sendo tratada cotidianamente como um atributo, uma coisa que se tem ou não tem. Observando sua história no planeta e seus significados em diversas culturas, percebe-se o quanto é necessário entender melhor sua pertinência.

Segundo Desmond Tutu, arcebispo anglicano emérito da Cidade do Cabo, na África do Sul, e prêmio Nobel da Paz o conceito “Ubuntu” sustenta a noção de Ética numa visão global no continente africano. Nas suas palavras,  falando sobre o tema no evento Global Ethic Lectures na Alemanha em 2009, “`Ubuntu trata do “valor das pessoas, sua dignidade, sobre o seu valor. `Ubuntu` fala sobre o fato de que pertencemos a uma mesma família; à família humana, à família de Deus`”.

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Cooperação. Imagem disponível em http://www.pixabay.com

Para os gregos antigos (século V a.C.), a Ética consiste numa forma de saber que se refere à moral enquanto orientação das condutas do ser humano em diversas instâncias; no Estado, num grupo social-religioso e/ou no Cosmo.

Nas civilizações orientais (de maneira geral), a Ética está associada de forma profunda à compreensão das relações estabelecidas entre os seres humanos e a natureza, onde o equilíbrio parece ser o objetivo buscado como forma de guiar filosoficamente os modos de ser e existir.

Atualmente e mais precisamente na sociedade brasileira, o conceito de Ética vem passando por algumas crises ora benéficas, ora prejudiciais. As crises são benéficas quando nos fazem pensar sobre a Ética problematizando nossas ações em prol de melhorias possíveis em atitudes e visões de mundo. A crise é prejudicial quando relativiza ações humanas que devem ser superadas, como o autoritarismo e a falta de autonomia, por exemplo.

A Escola cumpre um papel fundamental como formadora de sujeitos que possam ler o mundo de maneira crítica e autoral. A Ética – em diversas perspectivas – precisa estar presente na comunidade escolar como orientação para as formas de produzir conhecimento e para formação dos estudantes na interação com seus professores, promovendo exercícios constantes de ações éticas em construção.

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Afresco “Escola de Atenas”, por Rafael Sanzio, 1509-1511

Neste sentido, é preciso garantir que a Ética seja um saber a permear o cotidiano dos estudantes de modo fluido e concreto, desde o cultivo do respeito às diversas vozes que estão em cena na Escola até o debate constante sobre o ser no mundo com noção de pertença à comunidade humana, aliás, como preconiza o conceito africano de Ubuntu.

Partindo dessas premissas, existir no mundo em coletividade leva ao entendimento do que chamamos Cidadania, que desde a antiguidade clássica grega está associada ao exercício da compreensão das funções que cada um de nós possui em sociedade.

De forma prática, a Ética no cotidiano estudantil se faz com plena participação dos estudantes enquanto sujeitos que – no processo de formação – dialogam entre si e com os seus professores construindo sentidos sobre a vida e exercendo cidadania.

Assim, se faz Educação.

Para refletir sobre essa discussão, que tal assistir ao material com a temática “Cidadania e direitos humanos”, disponível no Ambiente Educacional WEB?

Segue o link:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1554

Carlos Barros

Professor da rede estadual de ensino.