(Des)Sustentabilidades ambientais

Olá, comunidade!

A cada ano, chegamos ao mês de Junho com a possibilidade de rediscutirmos mais intensamente sobre os caminhos que devemos escolher para vivermos com mais harmonia, respeitando as culturas, identidades e o meio ambiente. Ou seja, discutir a melhor estratégia de nos relacionarmos com o meio ambiente de maneira sustentável. Será que estamos conseguindo, ao menos, discutir estas questões democraticamente? Será que os rumos dessas discussões podem, efetivamente (ações de políticas públicas), transformar nosso comportamento desenvolvimentista? Será que realmente respeitamos a diversidade étnica? Uma coisa temos em mente: caminhar é preciso…

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Fig. 1: Caminhar é preciso. Imagem: Peterson Azevedo

É pensando nessas questões, que devemos refletir sobre qual Brasil queremos construir para a nossa e as futuras gerações, para que realmente possamos dialogar sobre os possíveis caminhos que consigam, de maneira equânime, planejar o desenvolvimento econômico e social, pensando em uma organização do espaço de forma sustentável. A tecnologia, a ciência e a informação devem referenciar esta conversa, mas tendo como principal objetivo o de respeitar e valorizar as culturas e a etnodiversidade do lugar. A revolução técnica-científica-informacional não pode exclusivamente estar a serviço do capital, pois esta relação fragiliza diretamente as estruturas sociais e seu pleno desenvolvimento, constituindo uma visão superficial do território, desconsiderando os valores culturais e étnico do espaço como um todo, especificamente dos valores compactuados pelo lugar.

Pensando em um caminhar propositivo, crítico, contextualizado e respeitando as territorialidades, trago a experiência do movimento indigenista e social – Articulação dos povos indígenas do Brasil, associação que representa as questões indígenas e suas etnias no país, como exemplo de mobilização, não apenas em defesa ao direito à terra, mas também como instrumento de luta, para a conservação da biogeografia do país. Devemos lembrar que, quando falamos de questões ambientais, não nos referimos apenas às questões de flora e fauna, mas dos processos urbanos, econômicos e de organização e gestão do espaço construído e historicizado. As populações tradicionais, como os povos indígenas, os quilombolas, os povos da maré e os sertanejos, mantêm uma relação de identidade e de sustentabilidade muito intensa e afetiva com a terra, para além apenas da manutenção do capital. É na terra que esses povos constroem sua história, onde se relacionam, onde transformam a paisagem por meio de suas manifestações culturais, heranças das matrizes coloniais. Neste ano, o movimento de articulação dos povos indígenas do Brasil contou com o voluntarismo de artistas e ativistas brasileiros em prol da luta pela terra e pela liberdade à etnicidade. Eles produziram uma campanha audiovisual, para alertar a população da importância ambiental de conservarmos e preservarmos as terras indígenas em sua totalidade biológica e cultural. Aprecie sem moderação:

Vídeo 1 – Demarcação Já. Letra composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César.

Um outro exemplo de luta que quero compartilhar é o depoimento de um grande ancestral americano, que já nos alertava sobre a velocidade voraz do capital em detrimento aos recursos do planeta. Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, escreve uma carta em resposta ao avanço imperialista do presidente norte-americano Francis Pierce. Segue um trecho da carta. “O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. […]

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Fig. 2: O toré. Imagem: Peterson Azevedo

Apesar da formação cultural desses povos estar ligada à terra, é equivocado pensarmos que eles não desenvolveram suas estruturas comunicacionais. Os povos tradicionais também estão inseridos no ciberespaço e na cibercultura, mas não se distanciam das raízes, mostrando novas possibilidades do uso e da apropriação das novas tecnologias como aliadas e não apenas como sistema de consumo. Os povos tradicionais não são contrários ao desenvolvimento, mas questionam as ferramentas e os interesses desse “desenvolvimento”, que tem como objetivo principal a manutenção do poder e o controle do capital, tendo e entendendo o lugar e o território como suporte materialista dessa engrenagem. Desenvolvimento não necessariamente está relacionado à obtenção do capital, à exploração da força produtiva e do uso indiscriminado dos recursos naturais; desenvolver é dar plena liberdade de se expressar culturalmente, ter acesso aos bens materiais básicos em sua plenitude, ofertar o direito de ser em sua magnitude. O desenvolvimento não deve estar unicamente relacionado ao dinheiro, mas à plenitude sustentável do espaço e da pluralidade cultural. A revolução técnica-científica-informacional não deve estar a serviço do capital e sim do desenvolvimento sustentável acessível para todos. “Quando a ciência se deixa claramente cooptar por uma tecnologia cujos objetivos são mais econômicos que sociais, ela se torna tributária dos interesses da produção e dos produtores hegemônicos e renuncia a toda vocação de servir à sociedade. Trata-se de um saber instrumentalizado, em que a metodologia substitui o método”. (SANTOS, p.7. 1988).

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Fig. 3: Sertão-Lindo. Imagem: Peterson Azevedo

Pensemos em um desenvolvimento sustentável pleno e autônomo, sem restrições étnicas e sociais, sem amarras ao capital e pensando na hegemonia e independência do lugar, mas do lugar empoderado e não subserviente ao território e às estruturas de poder do capital perverso.

Até mais!

Peterson Azevedo
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado, fundamentos teórico e metodológicos da geografia. Hucitec. São Paulo. 1988

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB. Disponível em:

<https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/>. Acesso em 05 de Junho de 2017.

A carta do Cacique Seattlel, em 1855. Disponivel em:

<http://www.culturabrasil.org/seattle1.htm>. Acesso em: 05 de Junho de 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Ser Professor. Ecovento. Disponível em:

<http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3929>. Acesso em: 05 de junho de 2017.

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GREENpense

 

Hi there!

We will move ahead!” Essa foi a frase que ambientalistas de vários países apresentaram com o término da COP 22. Do inglês Conference of the Parties, (Conferência das Partes – COP22) corresponde a 22ª Conferência da ONU sobre o Clima, em Marraquexe, no Marrocos, ocorrida em novembro com 196 países, inclusive, o Brasil. A presença de líderes mundiais definiram particularidades do regulamento que regerá o Acordo de Paris, que definirá as diretrizes universais para seguir em frente no combate ao aquecimento global.

monicaFig.1 Luciano Albuquerque. Frase exposta por ambientalistas na COP 22 “Nós seguiremos adiante.”

O Brasil também promove ações e políticas voltadas às questões ambientais. Da árvore que o nomeou, foi inaugurado o Parque Nacional do Pau Brasil, área de grande concentração de biodiversidade. Localizado no sul da Bahia, região de Porto Seguro e também chamada de Costa do Descobrimento, reúne espécies da fauna e flora da Mata Atlântica, um bioma que está em constante ameaça e muitos são os que sofrem! De acordo com registros, o número mundial de assassinatos de ambientalistas chega a 200 por ano e, no Brasil, soma um total de 50.

Muitas são as organizações de reconhecimento internacional, como por exemplo,

indice
Fig.2 Logo Greenpeace
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Fig.3 Logo  World Wide Foundation

 

 

 

 

 

 

que estão presentes em diferentes países que assumem o compromisso de proteger reservas ecológicas e dialogar acerca de questões ambientais presentes e futuras. O Greenpeace Brasil lança a cartilha intitulada: “E agora, José? O Brasil em tempos de mudanças climáticas” durante a 22a Conferência do Clima das Nações Unidas . O documento trata de estudos referentes ao aumento da temperatura do planeta. Ações emergenciais que precisam ser tomadas para um futuro breve. E, por falar em futuro, você poderia responder tal questionamento?

Do you think these aspects are going to become big problems in the future ?

Disappearence of green areas (Desaparecimento de áreas verdes)

Excess of carbon dioxide (Excesso de dióxido de carbono )

Disposal of waste (Eliminação de resíduos)

Burning of forests (Queimada de florestas)

Global warming (Aquecimento global)

Shortage of water (Escassez de água)

Basic Sanitary (Saneamento básico)

Nuclear plants (Usinas Nucleares)

River pollution (Poluição de rios)

Deforestation(Desmatamento)

Noise (Barulho)

Aliás, falar de questões ambientais numa projeção futura é o que será feito agora!

Vejamos duas formas de expressar o FUTURE TENSE. “Will” ou “going to”? Quem já não se fez essa pergunta?

O verbo auxiliar “will” é utilizado para fazer previsões, falar de possíveis eventos e ações futuras. Veja alguns exemplos:

  • Gas emissons will increase in 2020.

  • Will temperatures and sea levels rise?

  • Will tropical diseases like malaria and zika spread?

Já a formação do futuro com going to” expressa eventos planejados,predições, intenções. Estrutura:To be + going + to + verbo (infinitivo). Veja alguns exemplos:

  • We are going to study about environmental problems.

  • Are these aspects going to become big problems in the future?

  • I’m not going to use plastic trash bags.

Fácil, não? Para saber mais, acesse nosso ambiente, veja outras sugestões e exemplos!

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/5684

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4073

Be green!

Mônica de Oliveira Mota

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Sobre hortas e hábitos 

Houve um tempo em que a alimentação da população era muito rica em vegetais e era comum ter horta e pomar em casa. Hoje em dia, com as facilidades da vida moderna, diminuição dos espaços para moradia e migração para os grandes centos urbanos, dentre outros fatores,  esse panorama mudou muito!

Fig. 1 – Dia de feira. Fonte: Rede Anísio Teixeira

As feiras livres ainda existem, mas é no supermercado que encontramos de tudo! E lá existe um ambiente com frutas e verduras frescas, mas a variedade e disponibilidade de alimentos congelados e industrializados é extremamente maior. Nem os bebês escapam dos terríveis “potinhos” que podem durar anos nas prateleiras até chegarem ao dia do consumo. Uma simples sopinha, um suco de frutas ou um molho de tomate deixaram de ser caseiros na maioria das mesas brasileiras e foram substituídos pelos alimentos processados.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstrou que a população brasileira está preferindo alimentos mais gordurosos na hora de se alimentar. Não é à toa que problemas de saúde que eram comuns em indivíduos mais velhos, como o colesterol alto e consequentemente problemas cardíacos (por conta de anos e anos de alimentação equivocada), são cada vez mais comuns em crianças e jovens. Afinal, os  fast food também tem seu espaço no pouco tempo que sobra para a uma alimentação consciente.

Ouvi o relato de uma professora do ensino fundamental de uma escolinha particular sobre um de seus alunos que acompanhou o crescimento de cenouras na pequena horta escolar. No dia da colheita, ele ficou abismada com a saída da cenoura do solo! “Eca, não podemos comer coisas que caem no chão! Essa cenoura saiu do chão!”  Uma outra professora levou seus alunos ao zoológico e um aluno disse que via uma galinha viva pela primeira vez! Ficou muito triste ao saber que comia animais tão fofinhos como aquele! Esse episódio fez a professora pensar em que seria importante discutir em sala de aula sobre a origem dos alimentos.

Em tempos de babá eletrônica, com as crianças brasileiras passando em media 5 horas na frente da TV, podemos imaginar o quanto elas são influenciadas pela programação e também pelos comerciais.

 

Fig.2 –Se plantando… Tudo dá certo! Fonte: Rede Anísio Teixeira

E a escola? A escola não pode tudo, mas certamente que pode muita coisa! Você sabe, por exemplo, quais as preferências alimentares de seus colegas e professores? Não seria um bom tema para pesquisar, aprofundar e discutir? Então, não fique só na leitura deste texto! Proponha esse tema para seus professores! E se você é professor, pense em incluir essa temática dentro do seu currículo! Não é preciso ser da área de Ciências para isso!

Ah, e a gente começou falando de horta! Nossa, como é importante uma horta escolar para diferentes formas de aprendizagem! E não é preciso de muita coisa para implantar uma horta da escola! Veja no vídeo abaixo umas dicas legais! E também pode ser na sua casa, no seu apartamento! Basta querer!

Para ficar mais atualizado sobre essa temática, recomendamos estes vídeos:

 

Fig. 3 –  O que vai ser pra comer?

Fig. 4- Meio Ambiente por Inteiro – Hortas Caseiras – http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4712

Fig. 5 -Meio Ambiente por Inteiro – Poder das frutas – http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4749

E se você colocar em prática qualquer atividade legal em sua escola, manda pra gente! Teremos prazer em publicar seu relato!

Até breve!

 

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Muito Além do 5 de Junho

Olá,  turma!

Vocês sabem o porquê de 5 de junho ser o Dia Mundial do Meio Ambiente?

Foi nesse dia que ocorreu, em Estocolmo, capital da Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, há 44 anos. A partir daí, a  Organização das Nações Unidas – ONU instituiu o dia 5 de junho como uma oportunidade para que todas as pessoas, mundialmente, reflitam sobre os problemas ambientais e a importância da preservação dos recursos naturais.

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Fig.1: Terra retorcida. Fonte: Wikipedia

 

As conferências ambientais internacionais, além da Conferência de  Estocolmo, em 1972, foram: Conferência de Toronto (Canadá, 1988), Conferência de Genebra (Suíça, 1990), Conferência no Brasil (Rio de Janeiro, 1992), Conferência de Berlim (Alemanha, 1995),  Conferência de Genebra (Suíça, 1996), Conferência de Kyoto (Japão, 1997), Conferência em Buenos Aires (Argentina, 1998), Conferência de Bonn (Alemanha, 1999), Conferência de Haia (Holanda, 2000), Conferência em Bonn (Alemanha, 2001) e Marrakesh (Marrocos, 2001), Conferência de Nova Délhi (Índia, 2002), Conferência de Milão (Itália, 2003), Conferência de Buenos Aires (Argentina, 2004), Conferência de Montreal (Canadá, 2005), Conferência de Nairóbi (África, 2006), Conferência de Bali (Indonésia, 2007), Conferência de Poznan (Polônia, 2008), Conferência de Copenhague (Dinamarca, 2009), Conferência em Cancún (México, 2010), Conferência em Durban (África do Sul, 2011), Conferência no Brasil (Rio de Janeiro, 2012) Rio +20, Conferência do Clima (Paris, 2015).

Todos esses encontros objetivaram conscientizar os líderes mundiais para o crescimento desenfreado dos problemas ambientais. Tanto os governantes, como a população em geral precisam rever suas atitudes para que os impactos sejam reduzidos.

O descarte inadequado de lixo, a falta de coleta seletiva e de projetos de reciclagem, o exagero no consumo dos recursos naturais, o desmatamento e esgotamento do solo são algumas dessas questões que necessitam ser repensadas, pois  comprometem o futuro do planeta Terra e, também, a nossa sobrevivência.

O programa da TV Anísio Teixeira, Máquina de Democracia, que fala sobre Educação Informal e Meio Ambiente, apresenta algumas instituições que atuam na direção de uma consciência ambiental, como Pangea e a Cooperbrava. Confiram!

A saúde do nosso planeta é responsabilidade de todos nós. Vamos fazer a nossa parte?

Joalva Moraes
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Referências:

SANTOS, Vanessa Sardinha dos. 05 de Junho — Dia Mundial do Meio AmbienteBrasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-mundial-do-meio-ambiente-ecologia.htm&gt;. Acesso em: 02 março 2016.

Catadores de Material Reciclável: Por um Planeta Sustentável

Quantos de nós não já vimos pessoas vasculhando tonéis de “lixo” à procura de materiais recicláveis? O que esses homens e mulheres buscam? Seriam essas pessoas catadoras de lixo?

Em primeiro lugar, o que é lixo? É considerado lixo apenas o que não se pode reaproveitar. Por isso, a partir de agora, sempre que virmos catadores nas ruas, devemos saber que eles formam um verdadeiro exército do bem, pois coletam materiais recicláveis, separando do rejeito tudo o que pode ser reutilizado. Infelizmente, muitas vezes, em nossas casas, juntamos o rejeito ao material reciclável para descarte. Esse tipo de ação dificulta a reciclagem e o trabalho dos catadores, que vasculham nas portas das casas e dos edifícios das grandes cidades um verdadeiro tesouro.

Muitos materiais podem ser reaproveitados, aqui citaremos apenas alguns:  papelão, alumínio, plástico e vidro. Os resíduos sólidos não deveriam ir para o lixo comum e, sim, ser separados ainda em nossas casas. Ações como essas facilitariam o trabalho dos catadores que há 70 anos, por iniciativa própria, vêem contribuindo para um planeta mais limpo. Afinal de contas, o Brasil gera 180.000 toneladas de resíduos por dia, sendo que aproximadamente 1/3 desse “lixo” poderia e deveria ser reciclado. E é graças ao trabalho dos catadores que o Brasil é um dos países que mais recicla no mundo! Isso mesmo, segundo dados recentes, são reutilizadas 98% das latinhas de alumínio, 56% do plástico, 48% do papel e 47% do vidro.[1] Em suas ações diárias, esses homens e mulheres nos ensinam que responsabilidade compartilhada, logística reversa e reconhecimento de resíduos sólidos são bens de valor social!

Figura 1. Depósito para separação de material reciclável em uma cooperativa de catadores.

Coopamare

Na Bahia centenas de famílias retiram dos resíduos sólidos seu sustento. Essa indústria de reciclagem gera milhões de dólares por ano, apesar disso muitos catadores não chegam a ganhar 1 salário mínimo por mês.

Mas o fato é que a riqueza está menos no valor que esses produtos podem alcançar no mercado de reciclagem do que no impacto positivo para o meio ambiente. O “lixo” mal descartado pode contaminar rios, provocar alagamentos e deslizamentos de terras nas cidades e no campo. Para entender mais sobre esse problema, assista o vídeo explicativo da TV Anísio Teixeira!

Na Bahia, existem 34.107 catadores de materiais recicláveis, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um exército do bem que precisa ser abraçado e incentivado pela sociedade! Devemos a esses homens e mulheres uma Bahia menos poluída. E é por tudo isso que a luta dos catadores por melhores condições de trabalho, deve ser a luta de todos nós. Uma sociedade sustentável é dever de todos!

Para saber mais sobre esse assunto, vamos acessar a cartilha produzida pela coordenação de Inclusão e Mobilização Social (CIMOS) “O catador é legal”[1] . Outra dica  é o Almanaque Sonoro de Química que pode ser encontrado através do AEW.

Telma Gonçalves Santos

Professora e produtora de conteúdos pedagógicos da REDE Anísio Teixeira

Bibliografia:

[1] http://www.coopcentabc.org.br/documentos/CARTILHA_CATADORES.pdf

[1] ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. 2011. 185 p.

Consumo e Meio Ambiente

Olá, pessoal! Muitos desejam trocar o celular por um de última geração, aquela TV digital com 1001 funções ou até mesmo, aquele carro do ano. Mas depois que trocamos, para onde vão as coisas antigas? Será que precisamos mesmo substituí-las? As coisas se deslocam através de um sistema, que vai desde a extração, produção, distribuição, consumo e teoricamente o tratamento de lixo. O conjunto de tais etapas se chama Economia de Materiais. Trata-se de um sistema linear em um planeta de recursos finitos, que interage com as pessoas que vivem e trabalham nesse sistema, onde algumas são mais importantes de que outras, ou que têm maior poder de decisão dentre elas: o governo e as grandes corporações.

texto

Onde a primeira etapa, a extração, é um termo errado usado para a exploração de recursos naturais que, por sua vez, serve para definir a destruição do planeta. A verdade é que cortamos árvores, destruímos nossas montanhas para extrair metais, consumimos muita água e exterminamos os animais. A matéria-prima segue para produção onde utiliza energia para misturar produtos químicos tóxicos com recursos naturais na produção de bens de consumo contaminados com materiais tóxicos. Na distribuição o significado é vender todo produto contaminado com toxina o mais rápido possível, onde o objetivo é manter os preços baixos com as pessoas comprando os produtos em constante movimento. Pagam-se salários baixos aos trabalhadores das lojas e restringem o acesso aos planos de saúde sempre que podem, tudo se resume em externalizar os custos. O verdadeiro custo da produção não se reflete no preço, em outras palavras, não compramos aquilo que pagamos. Isto nos leva ao consumo, nos tornamos uma sociedade de consumidores, nosso papel social passou a ser de consumidores, não mais mães, professores, agricultores, mas consumidores! Nosso valor é medido e demonstrado pelo quanto contribuímos para o consumo. Quanto consumimos? Não é isto que fazemos! Compramos, compramos. Manter os produtos circulando, e como circulam! Numa lógica global que  é fatídica! Quanto mais consumimos mais poluímos!

“Nossa economia enormemente produtiva exige que façamos do consumo o nosso modo de vida, que transformemos a compra e uso de bens em rituais, que busquemos a nossa satisfação espiritual e do nosso ego no consumo. Nós precisamos que as coisas sejam consumidas, gastas, substituídas e descartadas em um ritmo cada vez mais acelerado”.

Victor Lebow

Aquilo que precisamos nos livrar é da antiga mentalidade de usar e jogar fora. Precisamos sair da cultura e da geração do descartável! Há uma nova escola e pensamento desse assunto, e é baseada na: Sustentabilidade e Equidade (SE), Química Verde (QV), Zero Resíduo (ZR), Produção em Ciclo Fechado (PCF), Energia Renovável (ER) e Economia Locais Vivas (ELV), já está acontecendo. A quem diga que é irrealista, idealista, que não pode acontecer, mas eu digo que quem são irrealistas são os que querem continuar pelo velho caminho, isto que é sonhar. Lembre-se que a velha forma não aconteceu por acaso, não é como a gravidade que temos que conviver. As pessoas as criaram e nós também somos pessoas e, por isso, vamos criar algo novo.

Um forte abraço e até a próxima.

Luciano Albuquerque

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

 Referências:

 Disponível em: <http://www.pensadormercadologico.com.br/blog_arquivos/4096>. Acesso em: 02 de mai. 2016.

 Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Q3YqeDSfdfk>. Acesso em: 02 de mai. 2016.

 Disponível em: <http://www.mma.gov.br/>. Acesso em: 03 de mai. 2016.

 

O Planeta Terra é Uma de Suas Peles

As escolas, em sua maioria, obedecendo ou não ao calendário que marca o dia 22 de março como o Dia Internacional da Água,investem em apresentar este tema em sequências didáticas e projetos para seus estudantes. Repetem canções como “Planeta Água” sem apurar os sentidos da sua letra ou empreendem esforço em campanhas que envolvem toda a comunidade escolar, e nenhuma delas nega a importância desta discussão na educação infantil, ensino fundamental ou ensino médio. No entanto, apesar disso, podemos avaliar que ainda não chegamos aonde desejávamos. A situação do Brasil em relação à perda de água tratada, por exemplo, é grave. Segundo o relatório do Ministério das Cidades, cerca de 41% de toda a água tratada no país é desperdiçada, o que equivale a um “número inimaginável de litros não aproveitados e cerca de R$ 4 bilhões de prejuízo”. E, consideremos, o desperdício de água é um problema de graves consequências para a humanidade, pois, de toda a água disponível no planeta, apenas 3% é própria para o consumo. Claro que aqui não estamos nos referindo apenas ao mau uso na esfera doméstica; esta dimensão inclui o desperdício da água na indústria e mesmo na sua distribuição de água.

O fato é que, avaliando um contexto pequeno, observamos poucas mudanças de comportamento em nossos estudantes e, se esticarmos o olhar, também veremos pouca consciência em nossa população no contato com este bem tão precioso. E é aqui que cabe, então, nos perguntarmos sobre o que precisamos rever em nosso trabalho educativo. O que desejamos, enfim, não é formar cidadãos aptos a decidir e atuar de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global? Como é possível, dentro das condições reais das escolas, contribuir para que eles percebam e entendam as consequências de suas ações cotidianas nos locais onde vivem? Como podem minimizar os impactos negativos de suas ações no meio ambiente? Quais os espaços que possibilitam essa participação ativa?

Para começar a reflexão, vale ampliar os espaços do ensino e aprendizagem. A escola é o mundo, então, é bem maior do que pode parecer. E o homem? Ah, o homem também é grande! Até vale aqui citar o arquiteto e artista Friedensreich Hundertwasser, um dos maiores pensadores do século XX, para quem o homem tem cinco peles:a primeira pele, a epiderme; a segunda, o vestuário; a terceira, a casa; a quarta, nossa identidade social; e a quinta e última pele seria o planeta Terra. Este tipo de abordagem pode colaborar muito para uma aprendizagem mais significativa: relacionando a água à vida do homem, a água relacionada à existência dela em todas “as nossas peles” para  evocar aqui o genial Hundertwasser. A principal intenção do trabalho com temas dessa natureza, usando mais uma vez o duplo sentido, é contribuir para uma cultura de defesa do meio ambiente. O tema “Água”, aliás, pode ser tratado como transversal e merece planejamento marcado pela consistência, continuidade e adesão de professores de diversas áreas e/ou disciplinas do currículo, num trabalho multidisciplinar.

Pintura de Hundertwasser (1928-2000)
Pintura de Hundertwasser (1928-2000)

Em seu trabalho ligado à quinta pele, o artista austríaco criou sistemas de purificação da água através de plantas aquáticas, da captação da água da chuva para uso doméstico e seu reaproveitamento e juntou a isso um gesto simbólico de plantar mais de 60 mil árvores em diversas partes do mundo. Das nossas sequências didáticas e projetos nascem quais ações?  Da reflexão coletiva, poderá surgir uma nova consciência. Dedicar nosso trabalho de professores para esta construção é uma escolha capaz de fazer novos cidadãos, com nova compreensão do mundo. O caminho, cada um descobrirá, in loco, e certamente valerá cuidar simultaneamente (e urgentemente) de todas as peles que nos vestem.

 

Lilia Rezende

Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

O perigo dos copos descartáveis

Recentemente, em função da escassez de água em São Paulo, se discutiu a viabilidade do uso de descartáveis. A discussão surgiu a partir do momento que se questionou a quantidade de água gasta para fabricar um descartáveis, a quantidade que se usa para lavar um reaproveitável (vidro, porcelana, acrílico, etc.), e o impacto ambiental que estes poderiam causar.

O PW entrou nessa discussão e pesquisou sobre o assunto, com interesse específico nos copos descartáveis (oportunamente falaremos sobre outros tipos de descartáveis). Eis o resultado.

Segundo o Professor Bruno F. Gianelli do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP, Campus Itapetininga, em entrevista à Revista Planeta Sustentável, “para medir o impacto ambiental de um produto, é necessário levar em conta vários fatores tais como: processo de fabricação do produto (consumo de matéria-prima, de energia elétrica, de água), o transporte do produto final até o local de consumo (o que impacta em consumo de combustíveis fósseis: o petróleo, por exemplo, não é renovável; e liberação de gases tóxicos na atmosfera), a vida útil desse produto, enfim.

No caso da produção de um copo descartável, são gastos, aproximadamente, 8 gramas de poliestireno (PS) ou polipropileno (PP) – os plásticos mais empregados pela indústria; 6 Wh de energia elétrica e 500 ml de água.

Os copos plásticos possuem em sua composição uma substância chamada Estireno e conforme pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em contato com o café quente, o copo pode liberar uma quantidade de Estireno acima do que é considerado seguro pelo Ministério da Saúde. Um dos riscos que isso pode acarretar é o Câncer.

Pesquisadores baianos perceberam que 20% dos peixes coletados nas praias de Salvador apresentam amostras de pellets, uma micropartícula do plástico. A situação é tão preocupante que já foram encontrados vestígios desses pellets na composição da água da região.

Os copos mais procurados do mercado têm capacidade para 200 ml, pesa aproximadamente 2 g e custa R$ 0,02 (dois centavos), cada. O de 300 ml, que custa R$ 0,04, tem o tamanho mais parecido com o copo utilizado em casa e pesa aproximadamente 3 g.

Quantos cafezinhos ou chás você tomou hoje na empresa em que trabalha? E quantos copos d’água tomou? Quantos copos descartáveis utilizou? Muitas pessoas desconhecem os riscos que eles podem causar a médio e a longo prazo ao meio ambiente. Para se ter uma ideia, segundo o ‘site sustentável‘, o tempo de decomposição de um copo plástico está entre 250 a 400 anos. Ou seja, tantas gerações passarão e o copo ainda existirá. Um “vida” contraditória, pois mesmo sendo utilizado de forma tão rápida, é apenas após alguns séculos que irá se decompor. O copo plástico é o resíduo sólido urbano menos reciclado ao redor do planeta.

Agora, faça as contas dos milhares de copos utilizados na sua empresa e veja como isso pode afetar o planeta que seus filhos e netos herdarão.

Aqui no Instituto Anísio Teixeira, segundo um levantamento feito pelo coordenador III da DIRAF/CAD, Sr. Alexnaldo M. Conceição, são gastos, em média, 50.000 (cinquenta mil) copos descartáveis de 200 ml, a um custo de R$ 1.125,00 (um mil, cento e vinte e cinco reais) por mês. Ou seja, 600.000 (seiscentos mil) copos a R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais) por ano.

Se construíssemos uma torre com esses copos consumidos em 1 ano, daria uma altura de aproximadamente 36 m, o que corresponde a altura média de um prédio residencial de 13 andares. Imagine, então, todos os copos consumidos nas empresas em Salvador, no Brasil e no mundo?!

Foto: Samuel Oliveira

 A produção de um copo descartável chega a consumir 500 ml de água, como já foi dito, enquanto a lavagem de um reaproveitável feita na pia utiliza 400 ml e na máquina ‘lava copo’ apenas 100 ml, isto é, apenas 20% do que é gasto para se produzir um copinho plástico.

Conclusão: quer exercer sua cidadania, contribuindo com meio ambiente e dando sua parcela de colaboração com a sociedade? Utilize canecas de vidro ou de louça para tomar seu café ou água e incentive seus colegas a fazerem o mesmo. Se for fazer uma festa na sua casa, por que não usar copos de vidro, ou até mesmo de plástico, mas que possam ser reutilizáveis? Existem serviços de aluguel de copos, pratos e talheres que, por uma causa nobre, o meio ambiente, vale a pena utilizá-los.

Outra opção são os copos biodegradáveis. O produto é composto por materiais naturais e que causam menos impacto ambiental, como o amido de milho ou batata e ácido polilácteo, derivado da fermentação do açúcar. De acordo com os fabricantes, o produto desaparece da natureza dentro do período de três meses.

Cuidar do meio ambiente é uma questão de cidadania e dever de todos nós.

Um abraço e até logo.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual

REFERÊNCIAS:

REVISTA Planeta Sustentável. Disponível em: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/sustentavel-na-pratica/copos-descartaveis-x-duraveis/. Acessado em 17/08/2015, 3 h 30 mim.

SITE SUSTENTÁVEL. Disponível em: http://inst.sitesustentavel.com.br/evite-usar-copos-descartaveis-na-sua-empresa/ . Acessado em 17/08/2015, 17 h 15 mim.

ECYCLE. Disponível em: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/57-plastico/196-como-reciclar-copos-plasticos.html. Acessado em 17/08/2015, 17 h 45 mim.

G1. Disponível em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/02/producao-de-copo-de-plastico-gasta-mais-agua-do-que-lavar-copo-de-vidro.html. Acessado em 17/08/2015, 13 h.

Cidadania e Meio Ambiente – Parte 2

Contaminação do solo do recôncavo baiano pelo uso de agrotóxicos na agricultura


O uso indiscriminado de produtos químicos, ao mesmo tempo que permite o desenvolvimento de uma diversidade de culturas agrícolas, traz como consequência o aumento da resistência das pragas e a contaminação do solo e de lençóis freáticos e rios.

O Recôncavo Baiano apresenta uma diversidade de culturas agrícolas e uso intensificado de fertilizantes e agrotóxicos, principalmente nas lavouras de fumo, mandioca, laranja, entre outras, tem aumentado a concentração de nitratos , fosfatos e outros resíduos químicos, provocando um desequilíbrio no ciclo da matéria orgânica, assim como alterações na microflora do solo. Outras consequências, como o favorecimento do processo de lixiviação e a contaminação de mananciais próximos de lavouras são objetos de estudos de órgãos governamentais como a ANVISA ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Medidas como o uso correto, o controle das aplicações dos agrotóxicos e fertilizantes e a fiscalização para impedir o uso de produtos proibidos na agricultura (o Brasil consome 14 agrotóxicos proibidos no mundo, reconhecidos como cancerígenos) podem diminuir os impactos ambientais e os casos de intoxicação (veja o quadro a seguir)

Quadro: Sintomas de intoxicação por agrotóxicos.

Classificação

Sintomas da intoxicação aguda

Sintomas da intoxicação crônica

INSETICIDAS

Fraqueza, cólica abdominal, vômito, espasmos musculares, convulsão, náusea, contrações musculares involuntárias, irritação das conjuntivas, espirros, excitação.

Efeitos neurológicos retardados, alterações cromossomais, dermatites de contato, arritmias cardíacas, lesões renais, neuropatias periféricas, alergias, asma brônquica, irritação das mucosas, hipersensibilidade.

FUNGICIDAS

Tonteira, vômito, tremores musculares, dor de cabeça, dificuldade respiratória, hipertermia, convulsão.

Alergias respiratórias, dermatites, doença de Parkinson, cânceres, teratogênese, cloroacnes.

HERBICIDAS

Perda de apetite, enjoo, vômito, fasciculação muscular, sangramento nasal, fraqueza, desmaio, conjuntivites.

Indução da produção de enzimas hepáticas, cânceres, teratogênese, lesões hepáticas, dermatites de contato, fibrose pulmonar.

Fonte: Peres e Moreira, 2003

Para mais informações veja a Cartilha da ANVISA diponível no AEW em:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4024

Contaminação do rio Subaé em Santo Amaro por Metais Pesados

Aempresa COBRAS, subsidiária de uma empresa francesa, instalou-se na cidade de Santo Amaro em 1959, localizada aproximadamente a 300 metros do rio Subaé que corta toda a cidade. O objetivo era a extração do minério de chumbo que contém altas concentrações de outros metais pesados como o cádmio, arsênico, zinco, entre outros. Todos estes metais não interessavam a empresa e foram disponibilizados em contato direto com o solo do pátio de fundição. Como alternativa, toda essa escória rica em metais pesados foi usada até como pavimentação das ruas da cidade durante as décadas de 1960 e 1970.

Durante quase 40 anos, quatro milhões de toneladas de escória da metalúrgica contaminaram o meio ambiente e as pessoas, principalmente pelo chumbo e o cádmio. Essa é considerada a maior contaminação do mundo por metais pesados. Esses metais pesados podem causar doenças como o saturnismo, demência, câncer, infetilidade, má formação de fetos e problemas respiratórios.

Decorridos mais de 16 anos do fechamento da metalúrgica, os resultados apontam para uma persistência nos níveis de contaminação no solo por chumbo e um pequeno decréscimo para o cádmio.

Várias pesquisas forma feitas por universidades e organizações da área de saúde. Acesse alguns artigos de pesquisas sobre essa contaminação em Santo Amaro através dos links a seguir:

1) http://www.meau.ufba.br/site/publicacoes/conteudo-de-cd-e-pb-em-alimentos-vegetais-e-gramineas-no-municipio-de-santo-amaro-ba

2) http://www.meau.ufba.br/site/artigos/estudo-da-influencia-na-contaminacao-do-solo-por-metais-pesados-derivada-das-emissoes-atmosf

Estes são apenas alguns dos muitos problemas ambientais que estão próximos de nossa realidade. A verdadeira cidadania requer também a formação de um pesquisador.

Propomos a professores e estudantes a realização de uma atividade de pesquisa sobre estes e outros casos de contaminação do meio ambiente no Estado da Bahia. A atividade de pequisa pode solicitar:

1- Caracterizar o problema quanto a:

  • História – levantar os fatos históricos pertinentes (notícias, entrevistas, imagens, etc.);

  • Ciências (Química, Biologia, Física) – interpretar o problema à luz do conhecimento científico, com destaque para os conhecimentos da ciência química;

  • Economia – destacar as consequências para a economia da região;

  • Saúde – relatar como o problema afeta a saúde da população local;

  • Impactos ao Meio Ambiente;

2 – Apresentar as soluções adotadas

3 – Apresentar propostas de soluções

Conteúdos que ajudam a compreender o meio ambiente e o que pode causar desequílibrios são recorrentes no Enem. Vários conteúdos estão disponibilizados no Ambiente Educacional WEB – AEW. No link a seguir, você encontrará uma busca já realizada no AEW sobre o tema transversal “Educação Ambiental”: http://bit.ly/1rKvsmF.

 

Ródnei Souza

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

Cidadania e Meio Ambiente – Parte 1

Muito se fala que a principal função da educação atualmente é a formação de cidadãos. Mas você sabe o que significa cidadania? E o que é necessário aprender para ser um cidadão?

As respostas podem ser complexas e não tão claras. Entretanto, é possível afirmar que a cidadania requer conhecimento sobre a sociedade em que estamos inseridos e sobre o meio ambiente que contém essa sociedade.

Estamos integrados a uma rede anterior à internet. Podemos considerar que fazemos parte de um único organismo vivo: o planeta Terra! Cada intervenção que o homem faz na Natureza tem consequências que podem ser, algumas vezes, desastrosas. Um cidadão do planeta Terra precisa conhecer sobre o meio ambiente para poder fazer escolhas conscientes e que contribuam para o equilíbrio de todos os integrantes dessa rede viva. É o que pode ser chamado de equilíbrio ecológico.

O nosso próprio corpo reflete a interação que temos com o meio ambiente. Povos oriundos das zonas entre os trópicos, a região que recebe a maior incidência de raios solares, apresentam características típicas como maior concentração de melanina na pele e escamas dos fios de cabelos abertas, resultando em uma aparência mais crespa. Nas regiões frias, os povos possuem menos melanina e fios de cabelos com escamas mais fechadas. É claro que as migrações e as miscigenações resultaram na diversidade tão evidente em nosso Estado da Bahia. As sensações de frio ou de calor causam respostas muito características no nosso corpo.

Mas, será que enquanto cidadãos, temos conhecimento das condições do meio ambiente do nossa querida Bahia? A seguir, citamos alguns problemas ambientais que já foram notícias e que são objeto de algumas pesquisas:

Contaminação por matéria orgânica dos rios que são tratados pela embasa

os rios que abastecem as estações de tratamento de água da Empresa Baiana de Saneamento (EMBASA) recebem toneladas de matéria orgânica proveniente de redes de esgoto clandestinas e escoamento de efluentes industriais. O tratamento fica mais difícil, mais caro e com eficiência comprometida quando a água a ser tratada tem uma carga orgânica alta.

Contaminação do ar atmosférico no pólo petroquímico de Camaçari

O Polo Petroquímico de Camaçari teve sua implantação iniciada em meados da década de 70 e trouxe desenvolvimento econômico muito grande para a região. Entretanto, a rede de Monioramento do Polo somente foi uma exigência oficial em 1994. Foi criada a CETREL – Central de Tratamento de Efluentes – empresa responsável pelo controle e fiscalização da qualidade dos efluentes das indústrias do polo, dentre estes as emissões gasosas. Gases como o dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono podem ser responsáveis por doenças e danos no aparelho respiratório de homens e outros animais, além de prejudicar a vegetação, inclusive com a ação de chuvas ácidas formadas pela combinação desses gases com a água na atmosfera.

Contaminação da Baia de Todos os Santos por Hidrocarbonetos

Muitos acidentes ambientais decorrentes de vazamentos de petróleo e seus derivados foram registrados na Baía de Todos os Santos (ver figura a seguir) desde a criação de Refinaria Nacional de Petróleo S.A., também conhecida com Refinaria Landulpho Alves – RLAM. Cercada por manguezais e comunidades de pescadores e marisqueiros, a Baía de Todos os Santos é um berçário natural para fauna e flora marinhas, por isso é muito sensível a contaminações. Várias medidas foram tomadas pela PETROBRÁS para minimizar o impacto ambiental e social para a baía, porém, é preciso conhecer estes impactos.

 

Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4f/Ilhas_da_baia_de_todos_os_santos.svg/200px-Ilhas_da_baia_de_todos_os_santos.svg.png
Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4f/Ilhas_da_baia_de_todos_os_santos.svg/200px-Ilhas_da_baia_de_todos_os_santos.svg.png

Contaminação por radioatividade em Caetité

O urânio essencial para a produção de energia nas usinas nucleares ou para o desenvolvimento de armas nucleares é explorado também na região de Caetité. Toda exploração de minério gera toneladas de resíduos que se dispersam na forma de efluentes líquidos e atmosféricos (gases e particulados). O ministério da Ciência e Tecnologia revela que desde 2000 já ocorreram, em Caitité, várias contaminações das águas subterrâneas e superficiais por metais pesados e particulados em várias ocasiões.

Estudos da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus-BA, concluíram que a população de Caetité ingere cem vezes mais urânio do que a média mundial. A exposição a doses de radiação muito altas podem causar falência do Sistema Nervoso Central e síndrome gastrointestinal que pode levar a morte em questão de horas ou dias. A exposição a doses menores pode ser acumulativa, podendo levar ao surgimento de câncer após alguns anos ou décadas.

Ródnei Souza

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino