A Matemática dos superbenefícios dos senadores

Caro leitor,

Este texto tratará exclusivamente dos subsídios e outros “direitos” dos senadores, que são parte dos políticos brasileiros que têm os maiores benefícios do mundo.

No cenário político, o Brasil possui 57.949 vereadores, 5.568 prefeitos e o mesmo número de vice-prefeitos, 1059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, 27 governadores e o mesmo número de vice – governadores, secretários municipais, secretários de estado, o presidente da República e o vice – presidente, ministros e seus assessores, e outros tantos servidores da máquina pública, das casas onde atuam esses políticos. Todos eles são funcionários do povo, trabalham pelo povo, ou deveriam! Quem paga o salário deles somos nós, por meio de 94 tributos que colocam o Brasil na 14ª posição dos países que têm a maior carga tributária do mundo e o pior retorno à população.

Segundo a Lei nº 12.527, de 2011, que regula o acesso à informação, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem garantir o acesso e a divulgação de diversas informações sobre a gestão do poder público, que inclui o salário dos servidores e políticos. Num flagrante desrespeito à lei, os benefícios dos senadores não são divulgados. Valendo-me da prerrogativa da lei, solicitei ao Senado, informações dos salários e demais “direitos” dos políticos. Fui atendido imediatamente numa agilidade inesperada, contudo a informação que pretendíamos não veio pronta. Tive que ler o material enviado, entender e realizar alguns cálculos para inferir o que veremos adiante.

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Senado Federal. Plenária do Congresso – abertura dos trabalhos legislativos. FLICKR. Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/agenciasenado/16428631862>. Acesso em 23/03/2017.

O número de senadores é fixo, são 3 por estado, totalizando 81. Os senadores representam os estados e não a população, daí portanto a não proporcionalidade em relação ao número de habitantes de cada estado, como acontece com os demais cargos políticos. O mandato do senador é de 8 anos (os demais cargos políticos é de 4 anos), mas a eleição se dá de 4 em 4 anos: em uma, a população elege 1/3 deles (27 senadores) e na eleição subsequente os 2/3 restantes (54 senadores). Em 2018, teremos eleições para 2/3 (2 vagas por estado). Atualmente, estamos na 55ª legislatura.

Num país onde quase a metade da população sobrevive com um salário mínimo de R$ 937,00 bruto, os políticos têm Super Benefícios de deixar qualquer país desenvolvido, admirado. Vejamos:

  • O Decreto Legislativo nº 276, de 2014 fixa o subsídio dos senadores em R$ 33.763,00. Mesmo decreto que fixa uma ajuda de custo equivalente ao valor do subsídio, um no início e outro no fim do mandato, totalizando, atualmente, R$ 67.526,00.

  • Já o ACD nº 22, de 2015 dispõe sobre a Cota de Correspondência Mensal. A cota a que cada senador tem direito varia por estado. Considerando a média dos valores constantes na tabela, 7.157 unidades postais, e a Unidade Postal de até 20g (carta simples) a R$ 1,70 a cota será de R$ 12.166,90.

  • A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos SenadoresCEAPS, corresponde ao somatório do valor mensal de verba indenizatória (VI) pelo exercício da atividade parlamentar (R$ 15.000,00) e do valor mensal de transporte aéreo (VTA) dos Senadores (R$ 19.680,76, média da tabela constante no ACD, equivalente a 5 trechos ida e volta, da capital do estado de origem do senador a Brasília), regulamentada pelo ACD nº 5, de 2014. Logo, a CEAPS é de R$ 34.680,76. Clique aqui e saiba mais.

  • O Auxílio Moradia (ou imóvel residencial) é de R$ 3.800,00 mensal. O ACD nº 24, de 1992 disciplina a concessão de imóvel funcional.

  • O ACD nº 21, de 2015 dispõe sobre a distribuição de mídias impressas para os senadores e demais unidades do Senado Federal. Denominada Cota de Jornais e Revistas ela pode variar de R$ 400,00 a R$ 500,00 por mês (valores estimados na assinatura dos principais jornais e revistas do país). Membros da mesa, lideranças e blocos têm direito a mais 2 jornais). Consideraremos a média R$ 450,00.

  • A Assistência à Saúde, disposta no ACD nº 9, de 1995, é completa, vitalícia, com gastos ilimitados e sem nenhum custo para o senadores, ex-senadores e suas esposas, filhos, pai, mãe e até enteados. Em 2016 o gasto com saúde foi de R$ 7.148.732,15 e nos últimos 8 anos R$ 53.462.966,40. Veja as Tabelas de Despesas.

  • Cargos Comissionados, pois, senadores não têm verba de gabinete, dispõem, porém, de 12 cargos comissionados para lotação no gabinete parlamentar, equipe esta composta de 5 assessores parlamentares (R$ 8 mil cada); 6 secretários parlamentares (R$ 6,8 mil) e 1 motorista (R$ 10 mil). Eles custam mensalmente ao Senado cerca de R$ 90.000,00. Veja o regulamento. Veja também o ACD nº 16, de 2009.

  • O Contrato de Lavagem e Abastecimento de veículos que atendem aos senadores e órgãos do Senado Federal fica por conta da empresa Interativa Empreendimentos e Serviços de Limpeza e Construções LTDA – CNPJ 05.305.430/0001-35, no valor de R$ 329.882,64 por mês. Veja o Contrato 0154/2012, em vigor.

Veja, clicando aqui, outros contratos de prestação de serviços ao Senado.

  • A Locação de Veículos fica com a empresa LM Transportes e Serviços e Comércio LTDA – CNPJ 14.672.885/0001-80, com valor mensal de R$ 2.678.582,64, celebrado pelo Contrato 0104/2011, que vigora desde 19/09/2011 a 18/09/2017.

CONCLUSÃO: um único senador pode receber de benefícios pomposos, direto, cerca de R$ 136.060,66 por mês ou mais, em espécie; ou R$ 1.632.727,92 por ano. O custo direto mensal com os 81 senadores pode chegar a R$ 11.020.913,46 ou R$ 1.053.471.692,16 por mandato. Se incluirmos a assistência à saúde e os outros itens subsequentes da lista acima o custo total com um único senador pode chegar a R$ 270.077,59 por mês ou R$ 3.240.931,08 por ano. Assim o mandato dos 81 senadores custa ao erário R$ 2.105.592.931,44 ou mais. É ou não é um Supersalário? Um único professor com 8 anos de serviços público e todos os benefícios possíveis, custa ao estado cerca de R$ 78.000,00 por ano, ou 41 vezes menos que um único senador no mesmo período! O orçamento oficial do Senado Federal para 2017 é de R$ 4,2 bilhões. Um Absurdo!

Professor, o que achou do texto? Seria possível incentivar os estudantes a pesquisar e construir uma tabela com a progressão do salário dos senadores e demais políticos? Ou quem sabe comparar os benefícios desses com o salário mínimo? Ou ainda verificar a idade média dos senadores, grau de instrução, seus projetos, etc.? Até mesmo estudar a história do Senado Federal. Muitos conteúdos podem ser estudados a partir desse texto. O que acha? Use a criatividade e compartilhe conosco nos comentários aqui no Blog. Um abraço.

REFERÊNCIAS

CASA CIVIL. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 06/10/2016.

SENADO FEDERAL. Transparência. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/transparencia/leg/legislacao-relacionada>. Acesso em 22/02/2017.

ELEIÇÕES 2016. Disponível em <https://www.eleicoes2016.com.br/como-e-definido-o-numero-de-vereadores-por-municipio/>. Acesso em 10/10/2016.

RANKING POLÍTICOS. Disponível em: <http://www.politicos.org.br/>. Acesso em 06/10/2016.

TRANSPARÊNCIA BRASIL. Disponível em: <http://www.transparencia.org.br/>. Acesso em 20/10/2016.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL – TSE. Disponível em <http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais-2016/candidaturas>. Acesso em 06/10/2016.

CONTAS ABERTAS. Senadores já pediram indenização de R$ 13 milhões. Disponível em <http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/9539>. Acesso em 15/03/2017.

O GLOBO. De 30 nações, Brasil oferece o menor retorno dos impostos aos cidadãos.https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/de-30-nacoes-brasil-oferece-menor-retorno-dos-impostos-ao-cidadao-17555653>. Acesso em 10/03/2017.

PORTAL TRIBUTÁRIO. Os tributos no Brasil. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm>. Acesso em 15/03/2017.

SIGA BRASIL. Painel Cidadão. Disponível em: <http://www9.senado.gov.br/QvAJAXZfc/opendoc.htm?document=senado%2Fsigabrasilpainelcidadao.qvw&host=QVS%40www9&anonymous=true&Sheet=shOrcamentoVisaoGeral>. Acesso em 17/03/2017.

SENADO FEDERAL. Orçamento da União. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/orcamento/>. Acesso em 17/03/2016.

MONITOR DE ESCÂNDALO. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm>. Acesso em 17/03/2017.

O retorno da máquina de ensinar?

Atualmente, muitos cursos on-line e programas de aprendizagem promovem a interação entre o aprendiz e o conteúdo a ser aprendido sem a intermediação de um professor. Mas, você sabia que no século passado professores já foram substituídos por máquinas de ensinar?

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 Figura 01: Maquina de ensinar de Skinner Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/18/Skinner_teaching_machine_01.jpg

Conheça a Máquina de Ensinar de Skinner (Figura 01), importante psicólogo e pesquisador educacional americano e um dos principais defensores do behaviorismo, assistindo ao vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vmRmBgKQq20

Segundo o próprio Skinner no vídeo, as características da máquina de ensinar  são descritas assim:

  • o estudante está livre de indecisão ou ansiedade sobre seu sucesso ou falha;
  • leva mais rapidamente a formação do comportamento correto;
  • seu trabalho é prazeroso;
  • ele não tem que forçar para estudar;
  • fornece um relatório para o aluno da adequação da sua resposta;
  • o aluno é livre para se mover no seu próprio ritmo… o estudante rápido completa o material em um tempo mais curto…mas, o estudante mais lento, ao ter mais tempo para estudar, completa o mesmo espaço;
  • cada estudante segue um programa cuidadosamente planejado;
  • pistas auxiliadoras, sugestões e comandos maximizam a chance de que ele estará correto.

A máquina de ensinar foi descrita na obra “A Ciência da Aprendizagem e a Arte de Ensinar”, publicada na Harvard Educational Review, 1954, vol 24, nº 2, pp. 86-97 e em Current Trends in Psychology and the Behavioral Sciences, University of Pittsburgh Press, 1954. Muitas críticas foram direcionadas para este modelo mecanizado de educação, chamado de “Ensino Programado”, resultando na rejeição ao uso da máquina que não chegou a ser utilizada de modo sistemático nas escolas americanas. Porém, os princípios aplicados influenciaram muitos programas educacionais em vários países, incluindo no Brasil.

Hoje, mais de sessenta anos depois, em pleno contexto de inserção das tecnologias da informação e comunicação na educação, provavelmente você já ouviu falar ou mesmo teve a oportunidade de participar de programas on-line de preparação para o Enem ou cursos a distância que apresentam questionários on-line e outros recursos que auxiliam na aprendizagem de conteúdos. Destacam-se, nesse sentido, os MOOCS, cursos on-line, massivos e abertos.

Tais programas, usualmente, apresentam como características:

  • as atividades são programadas previamente e de modo que suas chances de aprovação sejam maximizadas;
  • o aluno, estudante, aprendiz, é livre para adotar um ritmo de estudo que seja mais confortável;
  • alguns cursos e programas de ensino não apresentam a figura do professor para mediar os processos de ensino e de aprendizagem;
  • relatórios de desempenho são produzidos de acordo com as respostas aos questionários e atividades e servem de referências para a programação das próximas etapas.

É claro que o desenvolvimento tecnológico permite o uso de recursos que possibilitam várias abordagens didáticas, muito mais dinâmicas e interativas do que a máquina de Skinner. Entretanto, será que estamos diante do retorno da Máquina de Ensinar em uma versão atualizada? O professor, mais uma vez, está sendo substituído? O que você pensa sobre isso?

Leia mais sobre esse tema em:

https://www.ufrgs.br/psicoeduc/behaviorismo/maquina-de-ensinar-de-skinner-1/

Sobre educação a distância, recomendamos:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3940

http://www.educacao-a-distancia.com/moocs-mudarao-a-educacao-a-distancia-ead/

A Geografia e seus caminhos – contribuições na era da informação

Fala, galera! Beleza?

Raso da Catarina

Fig. 1: Raso da Catarina, Glória – BA. Crédito: Peterson Azevedo

Hoje, nosso papo é sobre os caminhos trilhados pela geografia contemporânea ou como alguns autores costumam chamar: geografia crítica. O termo “geografia” é utilizado desde o período conhecido como Antiguidade Clássica, termo muito utilizado para descrever os “acidentes” geográficos, ou melhor, os aspectos fisiográficos do planeta, como: o relevo, os tipos de biomas, as funções hídricas e físicas do rio, dentre outras. Por ser filha da ciência filosófica, a observação foi o ponto de partida para essa área do conhecimento humanista. Apenas no início do século XIX, passou a ganhar pompas de uma ciência concreta e aceita nas academias da Europa. Duas escolas se destacaram nesse processo: a escola Alemã, com sua teoria do determinismo geográfico, que deu início ao processo de interpretação do espaço como forma de poder e conquista. Os principais pensadores desse período foram Humboldt, Ritter e Ratzel, que reafirmava que o território e sua expansão eram vitais para a construção de uma sociedade imperialista. Afirmava também que o ambiente(natureza) condicionava as relações sociais e poderiam dificultar ou ampliar as condições de sociabilidade, ou seja, o homem era visto apenas em seu aspecto biológico. Sendo assim, desconsiderava-se seu aspecto social. Muito dessa teoria fortaleceu o discursos expansionista da Alemanha do início do século XIX.

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Fig. 2: A luz do pensamento. Crédito: Peterson Azevedo

Outra escola muito importante para o pleno desenvolvimento do conhecimento geográfico foi a Francesa, principalmente com o geógrafo Vidal de La Blache, liberalista, grande crítico da teoria alemã do determinismo geográfico – e sugeria, como contraponto ao pensamento de Ratzel, a teoria do Possibilismo Geográfico, na qual propõe que o homem seja o principal ator condicionante e modificador do meio, ou seja, o ponto de partida do pensamento geográfico. É na escola francesa que o homem e suas transformações no meio ambiente, por meio do trabalho e de suas tecnologias, se firmam como o principal objeto de estudo da Geografia moderna. Apesar do liberalismo francês, a Geografia ainda estava muito prisioneira do “poder” e da geopolítica de expansão territorial, como afirmou o geógrafo Yves Lacoste: “isso [a geografia] serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra”(LACOSTE, 1989 p.1).

Em meados do século XX, a Geografia Crítica passa a ter um papel mais atuante nas questões de empoderamento social, propondo de forma crítica uma leitura de mundo que possibilite romper as amarras com o poder do capital, a geografia passa agir de maneira libertária, passando a atuar além dos muros da escolarização, deixando de ser apenas uma disciplina escolar e passando a configurar como instrumento de política pública. Quando a ciência geográfica passa a ter um olhar mais crítico sobre o espaço construído e suas relações sociológicas e tecnológicas, muitos geógrafos passam a expor seus pensamentos de maneira mais libertária e crítica. Os mais importantes geógrafos da época foram Pierre George e David Harvey, que passam a estabelecer diálogos mais próximos com a sociologia, filosofia e a antropologia, em especial um diálogo mais amplo com a teoria marxista, discutindo como os espaços geográficos eram dinamizados e organizados de acordo com os bens de produção e os conflitos estabelecidos pela luta de classes. Um geógrafo também entusiasta dessa linha de pensamento libertário e crítico foi o nosso baiano de Brotas de Macaúbas e um dos maiores nomes do pensamento geográfico na contemporaneidade. Estamos falando do intelectual e professor Milton Santos, ganhador do prêmio Nobel da geografia, o Vautrin Lud, em 1994, com o livro Por uma geografia nova, da crítica da geografia a uma geografia crítica (1978). O professor Milton Santos propõe que o espaço geográfico se torne o principal objeto de estudo dessa ciência, que passa cada vez mais a ver o homem e suas estruturas de trabalho como condicionantes de suas análises interpretativas. Um dos objetos mais discutidos por ele é o intenso processo da Globalização econômica, instituído e dominado pelos países detentores do capital moderno. Milton afirmava que o processo de globalização não deveria ser controlado pelas classes dominantes e, sim, deveria ser demandado e incrementado pelas bases sociais do espaço construído, o lugar deve ser mais importante que o espaço mundializado.

No início do século XXI, com a intensificação e massificação das novas tecnologias da informação e da comunicação, o pensamento geográfico, que já estava consolidado como uma ciência humana e crítica, passa a se tornar cada vez mais uma ciência do poder, ou melhor, do empoderamento popular, ao alcance de todos, se tornando possivelmente uma ciência de contraponto ao unilateralismo do pensamento. E o que a geografia pode contribuir com a sociedade da informação? Não podemos negar, na contemporaneidade, as diversas forma de leituras e da construção de novas configurações de diálogos com o mundo “globalizado”, que vão além da palavra escrita. A imagem e, em especial, a fotografia, vem se tornando um forte instrumento de leitura e interpretação do espaço geográfico. Para Sontag, “a fotografia é um fenômeno que ocupa lugar central na cultura contemporânea”.

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Fig 3: A janela: Créditos: Peterson Azevedo

A imagem pode ser uma forma mais dinâmica e um poderoso instrumento de diálogo no mundo globalizado, já que a escrita visual independe de entendimento direto, no que se refere à linguística, amplificando o modo de se expressar, por meio da interpretação imagética. A imagem deve ser compreendida como instrumento dialógico crítico no tempo e no lugar, problematizando e contextualizando as relações que se estabelecem no espaço geográfico e suas implicações. A imagem fotográfica produzida deve ser entendida e interpretada como sendo parte conceitual e de identidade do seu interlocutor. Quem produz uma imagem, conta sua própria história! Fotografar é construir uma narrativa visual própria, é compartilhar seu repertório cultural/geográfico, compartilhar sua territorialidade. Hoje, com a popularização das redes sociais, dos objetos educacionais livres, a democratização tecnológica nas produções audiovisuais e ao acesso aos aparelhos de telecomunicações, o ensino da geografia tem a possibilidade de democratizar seus discursos, desprendendo-se do chão acadêmico, que tanto os polariza. O professor e o estudante, principalmente da escola pública, passam a ser coautores de suas aprendizagens, deixando de serem meros espectadores do pensamento geográfico.

Como vimos amigos, a Geografia passou por diversas fases no desenvolvimento do pensamento humano e, por ser dinâmica e contemporânea, vem ampliando sua capacidade de ler e interpretar o espaço, livre das amarras do poder, possibilitando assim um olhar mais crítico sobre as relações sociais que se configuram e reconfiguram no “fazer” o mundo.

Deixemos as ciências humanas fazerem seus papéis: democratizar o pensamento.

Peterson Azevedo

Fotógrafo e Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

MORAES, Antônio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 20° ed. São Paulo: Annablume, 2005.

YVES, Lacoste. A geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. 2. ed. Campinas: Papirus, 1989.

Milton Santos. Disponível em: http://miltonsantos.com.br/site/biografia/.Acesso em 02 de março de 2017

A Geografia e as mídias e tecnologias educacionais livres

Ambiente Educacional Web. Disponível em: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/. Acesso em 02 de março de 2017.

Geografia Visual. Disponível em: http://geografiavisual.com.br/.Acesso em 02 de março de 2017.

MApa de Iniciativas de Recursos Abertos. Disponível em: http://mira.educacaoaberta.org/. Acesso em 07 de março de 2017

Tropicália

Onde esta a criatividade e a coragem do povo brasileiro?

Dentre tantos exemplos, podemos citar o Tropicalismo. Esse foi  o movimento musical popular, ocorrido nos anos 60, mas que teve influência sobre a poesia, as artes plásticas, o teatro e o cinema.

O nome do movimento foi originado a partir de um projeto ambiental do arquiteto Hélio Oiticica, na exposição “Nova objetividade brasileira”, exposta no MAM no Rio de Janeiro, em 1967. A exposição de Oiticica relacionava o contexto das vanguardas da época e as diversas manifestações da arte.

O movimento originou-se, nos grandes festivais de MPB dos anos 60. Com letras que apresentavam um tom poético, fazendo críticas sociais de um jeito inovador e criativo sobre o regime militar. O Tropicalismo revolucionou a música popular brasileira, até então dominada pela Bossa Nova. O fundamental para o movimento era a liberdade.

Os artistas do Tropicalismo tinham um descompromisso total com os estilos, os modismos, o comum. Adotavam uma visão latino-americana usando temas cotidianos. Cheios de humor e irreverência, os tropicalistas buscavam combater o nacionalismo infligido pela Ditadura Militar, rejeitando a à intenção romântica da MPB, usando uma linguagem mais realista e atual, além de desmistificar a tradicional música brasileira ao colocar em conflito seus principais elementos.

Um retorno à ideologia do movimento antropofágico de Oswald de Andrade , alimentando e ingerindo qualquer tipo de cultura: dos Beatles à cultura hippie norte americana e regurgitando crítica aos valores éticos, morais e estéticos da cultura brasileira.

Veja mais sobre a Tropicália no Ambiente Educacional Web.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1501

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1541

Geize Gonçalves

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

A Força das Marias

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Fonte: Pixabay – Licença CC

 

 

“Maria, Maria 

É o som, é a cor, é o suor

É a dose mais forte e lenta

De uma gente que ri

Quando deve chorar

E não vive, apenas aguenta”

 

Nesse trecho da música Maria, Maria, Milton Nascimento traz um pouco da complexidade do universo feminino. Sabemos que o dia 8 de março é dedicado à reafirmação da luta pela igualdade de gênero. Mas por que esse dia foi escolhido?

A escolha dessa data é atribuída a um fato ocorrido em 1857. Em meio a tantas outras reivindicações das mulheres, em especial nos Estados Unidos e na Europa, por melhores condições de trabalho, direitos sociais e políticos, entre a segunda metade do século XIX e parte do XX, trabalhadores e trabalhadoras de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve, reclamando, além de questões trabalhistas, igualdade de direitos para as mulheres. Conta-se que os manifestantes foram violentamente reprimidos pela polícia. As tecelãs foram trancadas na fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente, 130 trabalhadoras morreram carbonizadas. Mas essa versão é contestada por alguns autores.

No ano de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhagen, na Dinamarca, decidiu-se que deveria instituir um dia que homenageasse o movimento pelos direitos delas e procurando apoio internacional para a luta pelo direito de voto para as mulheres (sufrágio feminino). Entretanto, foi só em 1975, no Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.

Na verdade, nessa data, as comemorações devem ir além de homenagens e flores. A data deve ser um pretexto para a realização de conferências, debates e palestras, em todo o mundo, com a intenção de discutir o papel da mulher em nossa sociedade, na tentativa de diminuir o preconceito e a desvalorização feminina. Infelizmente, ainda, são comuns situações onde as mulheres sofrem com salários baixos, assédio moral e sexual e desvantagens na carreira profissional.

Passeando pela nossa história, em 1827, surgiu a primeira lei sobre educação das mulheres, a qual permitia que elas frequentassem as escolas elementares; em 1879, passam a ter autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior, embora aquelas que decidiam entrar na universidade passavam a ser descriminadas pela sociedade.

Mas, apesar de todo esse panorama desfavorável, algumas brasileiras conseguiram  vencer barreiras, como é o caso da compositora e pianista Chiquinha Gonzaga que, em 1885, estreou como maestrina, regendo a opereta “A Corte na Roça”. Chiquinha foi a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquestra. Ela, ainda foi a precursora do chorinho, compôs mais de duas mil canções populares, entre elas, a primeira marcha carnavalesca do país: “Ô Abre Alas”.

E o direito ao voto? Esse só veio em 1932, com o novo Código Eleitoral, promulgado por Getúlio Vargas. Nas eleições para a Assembleia Constituinte, de 1933, foram eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz. 77 anos depois, foi eleita a primeira Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Não podemos esquecer a Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, considerada pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. Além da agressão física, a Maria da Penha protege as mulheres nos casos de violência sexual, sofrimento psicológico e violência patrimonial.

São várias conquistas, mas há ainda muito que reivindicar para que se alcance a igualdade dos direitos entre homens e mulheres. O primeiro de todos é o respeito. Buscando sempre inspiração nos versos de Milton,

 

      “Mas é preciso ter força

É preciso ter raça 

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria

Mistura a dor e a alegria.”

 

 

Joalva Moraes
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

A Física no Parque

Olá, galerinha do PW! Tudo beleza? Como foram as férias de vocês? As minhas foram ótimas! Vou aproveitar para compartilhar um pouco delas e contar como aprendi mais sobre Física numa viagem para o Ceará!

Aquiraz é um município brasileiro no litoral do estado do Ceará, Região Nordeste do país, situado a apenas 32 km da capital, Fortaleza. É nesse paraíso tropical que está situado o maior parque aquático da América Latina e segundo maior do mundo, com mais de 18 atrações, classificadas em radicais, moderadas e para toda a família. Entre as atrações radicais, está o Insano, o segundo maior toboágua do mundo. Ele tem nada menos que 41m de altura, o que corresponde a um prédio de 14 andares, perdendo apenas para o Kilimanjaro, com 49,9m, no Rio de Janeiro. Confesso que não tive coragem de descê-lo, mas fiz umas continhas que nos ajudarão entender o porquê!

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Insano – Disponível em wikimedia, acessado em 02/03/2017

Todo corpo, ao se afastar da superfície terrestre, acumula energia potencial gravitacional. Essa forma de energia depende da massa do indivíduo, da gravidade e da altura em relação à superfície de referência. Ao subir os degraus que dão acesso à plataforma de lançamento do Insano, o indivíduo ganha energia potencial gravitacional graças ao trabalho realizado pela força muscular de suas pernas, algo em torno de 30750 joules, considerando uma pessoa de 75kg de massa. Boa parte dessa energia será convertida em energia cinética durante o declive, já que um bom trecho da descida praticamente não tem atrito devido à corrente de água que desce constantemente pelo toboágua. Esse fato minimiza as perdas de energia, tornando o sistema praticamente conservativo. Sendo  assim, quase não haverá dissipação de energia durante a queda, já que o corpo praticamente não tem aderência com a superfície do toboágua. Fiz os cálculos e, acredite, independentemente da massa que você tenha, a sua  velocidade chegará a  algo em torno de 102 Km/h. Para se chegar a esse valor, podemos utilizar o princípio da conservação da energia, o que nos permite igualar a energia potencial gravitacional à energia cinética. Ou seja, m.g.h = m.v²/2. Cancelando as massas na equação obtida, chegamos a uma fórmula que depende apenas da altura da plataforma do toboágua (h) e da aceleração da gravidade terrestre (10 m/s²), assim:

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Apesar da velocidade elevada, o final do trajeto é marcado por uma grande desaceleração provocada por um trecho retilíneo cheio de água, que dissipa quase toda a energia cinética.   De fato, a resistência da água é tão grande que a sunga dos homens vira um fio dental e o top das meninas vai parar no pescoço.

Bom, acredito que diante do que expus, os leitores estejam convencidos de que tomei a decisão assertiva. Nada melhor que conhecer as leis da Física antes de fazer uma besteira! Até a próxima!

Referências:

Beach Park, Atração radical, Insano. Disponível em: http://beachpark.com.br/mobile/atracoes/insano-2. Acesso em 20 de fevereiro de 2017.

Hype Science, Insano. Disponível em: http://hypescience.com/o-maior-toboagua-do-mundo-fica-no-brasil/ Acesso em2 0 de fevereiro de 2017.

Yes,in Bahia!

Let’s play, sing and dance, folks! Disco, Rap, Country, Rock, Pop Rock, Hip hop, Axé Music… Axé Music? Oh, yes! Carnival is coming! What kind of music do you like?

Você já se perguntou quantos estilos musicais existem e como eles surgiram? A verdade é que a variedade de músicas está para o gosto de todos. A palavra musikê é de origem grega e significa a “arte das musas”, uma referência feita à mitologia grega. Para muitos pesquisadores, a música já existia na Pré-História e tinha um caráter estritamente religioso, como forma de gratidão aos deuses pela proteção, boa caça, entre outras razões.

Considerado um elemento forte na nossa cultura, a Bahia é um estado essencialmente musical e, por ser Carnaval, o Axé Music, gênero baiano, carrega em si a fusão cultural no próprio nome: Axé, como representação da cultura afro e Music, da cultura pop, carregando a bandeira da World Music.

O surgimento e a invenção dos instrumentos musicais, dos mais simples aos mais sofisticados, permitiram o desenvolvimento de novos gêneros musicais e um novo mundo para a produção musical. A organologia apresenta um estudo sistemático dos instrumentos para os mais variados tipos e estabelece critérios de classificação surgidos na Grécia Antiga.

Com tanta variedade, haja  habilidade! Mas como expressar habilidade em inglês? So easy! O verbo modal can é utilizado para expressar permissão e habilidade, sendo essa última o nosso foco, como está claramente expresso no breve texto sobre Carlinhos Brown, um dos representantes da música baiana de reconhecimento internacional cujo nome artístico vem de James Brown. Veja o que dizem lá fora sobre ele.

Can you read this text about Brown? b1                                                                Fig.1 Carlinhos Brown 

Antonio Carlos Santos de Freitas, known as Carlinhos Brown (born November 23, 1962 in Salvador, Bahia) is a very talented multi-instrumentalist.He is one of the most popular male singers of the present in Brazil and he is very recognized by his creativity and charisma. He can sing latin music, samba, Axé music and others. Axé is a typical Bahia music. He is also known for his abilities at improvisasion. He can make music with different and unconventional objects.

What about you? Can you sing Axé Music? Can you dance? Can you play any instrument?

Como se pode observar no texto acima, as frases  destacadas expressam habilidade, capacidade de fazer algo. Sempre após o modal “can”, o verbo principal deve vir no infinitivo sem o “to”. Veja outros exemplos:

Affirmative sentences:

Daniela Mercury can sing Axé Music.

Carlinhos Brown can play tambourine and reco-reco.

Na forma negativa, acrescenta-se a partícula not” após o verbo modal. Podendo assumir duas ortografias.

Negative sentences:

I can’t play percussion.

He can not play bango drums.

Na forma interrogativa, inicia a frase com o verbo modal.

Interrogative form:

Can you play any instrument?

Can you dance?

Be smart! You can search to get more information.

Bye! Have a nice Carnival!

Mônica Mota

Professora da Rede Pública Estadual da Bahia