Hipercorreção

Em Linguística, hipercorreção também chamada ultracorreçãoé um fenômeno muito presente no cotidiano dos falantes de uma língua, que, nas palavras da professora Stella Maris Bortoni-Ricardo, “decorre de uma hipótese errada que o falante realiza num esforço para ajustar-se à norma-padrão. Ao tentar ajustar-se à norma, acaba por cometer um erro”, (BORTONI-RICARDO, 2004 p.8, apud SANTOS).

Há várias definições para o fenômeno, sendo algumas bem sofisticadas, mas, resumindo, é fazer correção onde não há erro. E isso acontece por diversos motivos, desde simples analogias ao que já foi aprendido, passando pela insegurança linguística, até o esforço de falar difícil.

Como exemplos de analogia às formas já aprendidas, os mais corriqueiros vêm de falantes que aprendem a dizer telha em vez de teia e velha em vez de véia e que passam a dizer também telha de aranha e injeção na velha.

De acordo com o professor Cláudio Moreno, “não é qualquer pessoa que comete erros de hipercorreção; paradoxalmente, eles só atacam os falantes que têm certo grau de estudo, preocupados honestamente com o correto uso do idioma”, (MORENO, 2009). Há casos em que alguns falantes chegam a repetir um termo que a outra pessoa disse, de modo hipercorrigido, com a intenção de apenas “educar”, pois julga estar fazendo a coisa certa. A palavra privilégio, por exemplo, é uma das preferidas, ao ser repetida pelo outro interlocutor como previlégio, numa tentativa de ensinar “o certo” ao outro. Esse erro, talvez, acontece, por conta dos usos cotidianos do prefixo pré, como em pré-pago, pré-escola e de palavras como previdência, previsão, previsto, presidente, prepotência, preposição, etc. Nesse caso, o falante acaba trocando o i pelo e, tentando seguir um padrão. Essa é só uma forma bem simples de tentar entender parte desse processo.

Entre pessoas comuns, a hipercorreção ocorre de modo corriqueiro, sem traumas. Já entre pessoas públicas e/ou famosas, o caso vai parar na mídia! Foi assim com o ministro, quando disse em público: haverão (sic) mudanças” no Enem. O caso foi manchete em tudo quanto é jornal e nas redes sociais. O alarde teve um lado positivo, pois muita gente ficou sabendo da regra com o verbo haver, que quando significa ocorrer, existir, etc., é impessoal e, portanto, deve permanecer na 3ª pessoa do singular. Mas quem está livre desses escorregos na língua? O falante aludido aqui não era apenas ministro: a pasta dele era da Educação, daí a exigência da multidão. Mas quando essa exigência se faz a alguém que não teve acesso ou precisou deixar a escola pra trabalhar, passa a configurar preconceito linguístico.

Nos anos sombrios da ditadura, houve um outro tipo de correção. Essa, sim, era perversa e cheia de más intenções. Considerando nossa imensa área territorial e toda a diversidade linguística decorrente disso, é um crime censurar alguém pelo registro que utiliza para se comunicar, ou pelo estilo que deseja imprimir em suas obras. E se essa comunicação se faz pela poesia, ainda mais dor causa a censura. Assim, erra quem tenta corrigir a voz de um Patativa do Assaré, quando ele diz basta vê no mês de maio, um poema em cada gaio, um verso em cada fulô”. Que maldade corrigir um Adoniran Barbosa por conta do seu “Tiro ao Alvaro. Quem não cantou e ainda canta ‒ “De tanto levar frexada do teu olhar…”.

Sim, censores, o teu olhar mata mais que atropelamento de artomorve, mais que bala de revorve”.

“A hipercorreção da ditadura contra ‘Tiro ao Álvaro’, de 1974.
Documento oficial da DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), em que consta censura à letra da música “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa, em 1974. O órgão da ditadura militar que atuou entre 1964 e 1985. Este e outros acontecimentos documentos podem ser vistos em www.memoriasreveladas.gov.br.
Imagem e descrição extraídas de
<http://www.advivo.com.br/blog/joao-paulo-caldeira/clone-de-fotos-charges-e-tirinhas-230>

REFERÊNCIAS:

MORENO, Cláudio. Hipercorreção. Disponível em < http://sualingua.com.br/2009/05/11/hipercorrecao/ >. Acessado em 13/07/2018.

SANTOS, Edson. O fenômeno da hipercorreção linguística: entenda um pouco mais. Disponível em <https://revistaidentidade.webnode.com.br/news/o%20fenomeno%20da%20hipercorre%C3%A7%C3%A3o%20linguistica%3A%20entenda%20um%20pouco%20mais/>. Acessado em 13/07/2018.

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Educação.

Texto publicado originalmente em http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2018/07/19/hipercorrecao/

O racismo no Brasil: a questão do colorismo

A sociedade brasileira se construiu a partir de algumas bases históricas, entre elas o racismo estrutural. A escravidão, além de ter sido a atividade que sustentou por três séculos a economia no país, deixou marcas sociais profundas, como o racismo, crença e prática a partir das quais se estabelecem hierarquias sobre a pessoas com o critério racial. Apesar de o racismo também afetar as pessoas por características étnicas (no campo das práticas culturais), o preconceito com o fenótipo negro é gritante no cotidiano brasileiro.

Os negros e negro-mestiços brasileiros ainda hoje sofrem consequências do lugar social que ficou legado pela escravidão, seja nas diferenças evidentes nos aspectos sócio-econômicos, seja na negação das representações positivas de negritude em espaços de poder. Na TV e nas mídias em geral, não temos o povo negro representado devidamente na complexidade de sua presença na sociedade brasileira.

Entre as pessoas, descendentes de africanos nascidos no Brasil, é preciso falar da diversidade de tonalidades de cor de pele, provenientes da miscigenação que ocorreu no Brasil desde o século XVI. O fenótipo (característica física que se observa nas espécies) negro no nosso país é variado. Peles mais claras ou escuras, cabelos crespos, traços fisionômicos negróides são comuns à maioria da população e são considerados hoje, características da negritude brasileira. 

Negra_da_Bahia,_1885._Foto_de_Marc_Ferrez
Mulher negra da Bahia fotografado por Marc Ferrez (c.1885).

Neste sentido, não é apenas negro aquele que possui a pele de cor negra, mas as pessoas que comumente podem ser chamadas de “mestiças” também são negras, na medida que fazem parte de uma extensa comunidade de pessoas que compartilham de lugares sociais reservados aos negros, podendo algumas vezes estarem presentes em outros estratos sociais, mas sempre com a marca da negritude. Nesse sentido, assumir a negritude é um ato político.

Essa variedade de tons de pele das pessoas negras é chamada de colorismo e ganhou destaque nos debates sobre racismo bem recentemente, inclusive como desenvolvimento das pressões necessárias exercidas pelos movimentos de afirmação étnico-racial em terras brasileiras. O colorismo é um fenômeno nosso, e entender sua existência diz respeito às maneiras como o racismo atua no Brasil, ora aproximando, ora afastando pessoas negras com diversas tonalidades de pele. As pessoas de cor mais escura e características negras mais marcantes certamente sofrem mais com o racismo, pois são identificadas de imediato com o imaginário negativo construído sobre os negros no Brasil, mas isso não significa que negros de pele mais clara possam ser identificados como pessoas brancas e gozem integralmente dos privilégios mais amplos dos brancos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Afro-brasileiros#/media/File:Alberto_Henschel_Pernambuco_2.jpg
Moça mulata fotografada por Albert Henschel (c.1869).

O colorismo precisa ser conhecido e discutido cada vez mais, seja nas ruas, nas Escolas, em casa, em todos os ambientes. Ah! E por falar nisso, que tal conferir dois episódios do Quadro Histórias da Bahia, da Rede Anísio Teixeira que abordam a presença africana e afro-brasileira na história do Brasil?

O primeiro é Heranças do além-mar  e o segundo é Revolta dos Malês!

Vamos pros debates!

 

Carlos Barros

Professor da Rede estadual de ensino da Bahia.

Vai de Espanhol no Enem?

 

Hispanofonia: em vermelho, o espanhol como língua oficial; em azul, como segunda língua oficial e, em rosa, não oficial mas de grande importância. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Map-Hispano.png

A prova de língua estrangeira no Enem chega a causar alguma preocupação entre os estudantes, sobretudo por causa do tempo de estudo de idiomas que é sempre insuficiente, mesmo em escolas que levam a sério a questão. Levando-se isso em consideração, atentar para algumas dicas vai ajudar bastante. Na verdade, são poucas as questões de Espanhol – apenas cinco -, mas que visam a testar não só o conhecimento da língua, mas também a capacidade de interpretar o que está nas entrelinhas. Para isso, é preciso conhecer pelo menos um pouco sobre as culturas por trás do idioma, pois o espanhol é falado desde o México até o extremo sul do Chile e Argentina, além da Espanha, é claro, espalhando-se sobre um imenso mosaico cultural, refletindo na língua, em cada canto, os costumes próprios de cada país. Mas não devemos nos preocupar muito quanto à diversidade decorrente desse fato, porque existe uma instituição que se encarrega de manter a unidade linguística entre os vários territórios abrangidos. Trata-se da Real Academia Espanhola que, nas palavras extraídas do próprio site, “es una institución con personalidad jurídica propia que tiene como misión principal velar por que los cambios que experimente la lengua española en su constante adaptación a las necesidades de sus hablantes no quiebren la esencial unidad que mantiene en todo el ámbito hispánico”, según establece el artículo primero de sus actuales estatutos. 

É preciso notar que o texto fala de unidade e não de unificação. A propósito, no Enem de 2013 uma das questões da prova de Espanhol tratava, exatamente, desse assunto. Dê uma olhada, seguindo o este link.

Quanto ao pequeno trecho em espanhol acima, as palavras são muito próximas do português, pois derivam do mesmo latim popular. Mas é preciso atentar para algumas armadilhas do idioma, pois uma mesma palavra pode ter sentidos diferentes lá e cá. Por exemplo, observe a charge abaixo:

Fonte: http://www.tradutoradeespanhol.com.br/2013/01/falsos-amigos.html

 

Num momento anterior à representada na imagem, a espanhola (de azul) pediu “una taza de café”. A brasileira, então, serviu-lhe café numa taça. Taza parece taça, mas é xícara. E taça em espanhol é copa. Mas, muito além dessas situações envolvendo os falsos cognatos, devemos atentar para os problemas socioeconômicos e a situação política da América Latina e Espanha, o que, certamente, contribui bastante para a compreensão de muito dos textos. Vocês estão atentos ao movimento separatista da Catalunha? Será que isso pode cair na prova? Para estarmos antenados com esse fato e muitos outros, devemos realizar leituras diárias nos impressos disponíveis online, a exemplo de El País (Espanha), Clarín (Argentina) e La Nación (Chile) e etc. Embora seja possível acessá-los em português, ler os textos em espanhol, obviamente, será de grande valia.

As questões gramaticais não podem ficar de fora. Para isso, indicamos, abaixo, alguns vídeos catalogados na Plataforma Anísio Teixeira, com mais dicas para a prova de Espanhol:

Paradigma Verbal

El Pretérito Indefinido Irregular

Ejercicios Estilo Indirecto

Actividad de los Acentos o las Tildes en Español

Boa sorte!

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

P.S. Agradecimento especial à Professora Mônica Mota, pela catalogação dos vídeos indicados.

 

REFERÊNCIAS

ESPAÑA. Real Academia Española. La instituición. Disponível em < http://www.rae.es/la-institucion> Acessado em 20/10/2017.

SORGATO, Diana. Falsos amigos. Disponível em < http://www.tradutoradeespanhol.com.br/2013/01/falsos-amigos.html> Acessado em 20/10/2017BRASIL.

 

Vá com ética no ENEM!

O ENEM acontece todo ano e não podemos esquecer que todas as disciplinas são muito importantes, sendo a Filosofia uma delas. Pascal, físico, matemático do sec. XVII dizia: “Há mais coisas entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia”. Bem, o que podemos elaborar em torno da palavra vã?! Pode ser considerada como aquilo que não tem conteúdo; que é contrário à realidade[1]. Contudo, Heráclito, pré-socrático do sec. VI – V a.C., dizia que tudo é movimento, isto é, “tudo flui”, nada permanece o mesmo. As coisas estão numa incessante mobilidade.

Estas e outras questões estão associadas à Filosofia quando estudamos ética e moral. “A moral diz respeito aos costumes, valores e normas de conduta específicos de uma sociedade ou cultura, enquanto que a ética considera a ação humana do seu ponto de vista valorativo e normativo”[2]. Por exemplo, na Grécia antiga, a escravidão era justificável: não éramos iguais e, assim sendo, a ausência da liberdade também! Na idade Média, a tortura era prática admitida. Todavia, desde o sec. XX que somos regidos pela Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, dentre outras questões morais, no art. 1º observamos: “devemos respeitar a dignidade da pessoa humana”; no art.3º parágrafo IV devemos “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. ” No art. 5º parágrafo XLII – “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei. ”

Em linhas gerais: a moral está ligada aos valores necessários ao convívio entre os membros de uma sociedade e a ética está sempre questionando, construindo e refletindo.  A Filosofia é atual. Os autores e seus conteúdos podem e devem referendar a sua consciência questionadora, não esquecendo que: pensar é filosofar!

A Plataforma Anísio Teixeira (PAT) “antenada” com questões propulsoras, confirmam através de diversos temas, os seus conteúdos ou objetos educacionais seguindo “o aprimoramento do educando, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”.[3]

O Programa Máquina de Democracia com o tema de Educação e Direitos Humanos estrutura-se com as bases legais que norteiam a Educação no pais.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1954

Dois Dedos de Prosa, Edição 8, é um programa com dois pesquisadores que conversam sobre Educação e Movimentos Sociais, a partir dos tópicos: panorama histórico no Brasil, o trabalho pedagógico e políticas públicas.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1593

O racismo que pode levar a pena de reclusão aos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser visto através do Filmei!  com a temática: Preconceito Social.

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/episodios/id/3901

Além da ficção temos o documentário: Nó de Nós que relata através da arte manual, poética e histórica as atribulações que os negros, escravos, africanos foram acometidos ao saírem do seu pais de origem.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/5847

Referências

BRASIL. CONGRESSO NACIONAL (1996) LDB – Lei 9.394/96. Estabelece Leis, Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 1O.639, de 09 de janeiro de 2003. Brasília, 2003.

______. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Brasília, 2008.

 _______. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

______ . [Constituição (1988) ]. Constituição da República Federativa do Brasil [recurso eletrônico]. — Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Documentação, 2017. Disponível em:

http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf

Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para as Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Junho, 2009.

Ética e cidadania: construindo valores na escola e na sociedade – MEC – Disponível em:

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015509.pdf

 ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Disponível em:

http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Dicionario-de-Filosofia-Nicola-ABBAGNANO.pdf

[1] Dicionário eletrônico da língua portuguesa Houaiss – 2009

[2] ABBAGNANO, 2007

[3] PCN – Ensino Médio – http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/cienciah.pdf

Fátima Coelho

Educadora da Rede Pública Estadual de Ensino do Estado da Bahia

 

Quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova do ENEM?

Oi! Tudo bem com você? Vamos dar continuidade ao Mutirão para o ENEM, do Blog da Rede. Hoje, é dia de compartilhar alguns conteúdos de Língua Portuguesa, disciplina que integra a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para você, que está estudando para o exame, é importante saber quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova? Se respondeu “sim” ao questionamento, acompanhe esta postagem até o final. Vamos lá?!


A prova do ENEM, em geral, exige que o candidato faça muita interpretação de texto para responder às questões. E isso, claro, está o tempo todo presente na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para interpretar um texto com eficiência, é importante que o candidato tenha uma boa leitura de mundo e faça associações coerentes com aquilo que é exigido no enunciado. Veja um exemplo de questão, do ENEM 2016:

Outro assunto recorrente no ENEM, voltado para Língua Portuguesa e presente também em provas de outras áreas do conhecimento, são os Gêneros Textuais. Eles se caracterizam por ser produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa do nosso cotidiano. A prova exige do candidato o reconhecimento das características do gênero e, obviamente, a interpretação do texto. Segue uma outra questão do ENEM 2016:

Aqui no blog, já falamos sobre gêneros textuais. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2016/08/22/generos-textuais-no-enem/.

Nós somos falantes de língua portuguesa, mas você sabe que a nossa forma de falar não é padronizada. Há, dentro de um mesmo Brasil, diferentes formas de falar uma mesma coisa. Isso tem a ver com variação linguística, que é um fenômeno da língua que tem razões históricas e culturais. No ENEM, questões de variação linguística são bem frequentes. Veja a questão a seguir, do ENEM 2011.

No nosso blog, já falamos sobre variação linguística. Segue o link do texto sobre o baianês: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/09/o-baianes-nosso-de-todo-dia/.

Para nos expressar, usamos várias linguagens e todas elas têm uma função, uma intenção. No ENEM, predominam questões relacionadas às Funções da Linguagem. Todo ato de comunicação envolve seis componentes essenciais: o locutor, o interlocutor, a mensagem, o código, o canal e o referente. No nosso blog, já falamos sobre essas funções. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/09/02/a-linguagem-e-suas-funcoes/. Vamos ver um exemplo de questão sobre esse assunto no ENEM 2016?

A Literatura também tem presença garantida na prova do ENEM. Dentre as escolas literárias, o Modernismo é uma das mais frequentes no exame. O movimento modernista foi uma manifestação cultural que tinha em sua essência buscar a ruptura, em termos artísticos, com o que estava estabelecido na sociedade. Para os modernistas, o artista tinha que ter liberdade de criação, não se fechando a nenhum método e sempre tendo a identidade brasileira como norteadora. Na questão seguinte, do ENEM 2016, essa característica fica evidenciada.

Consulte o texto O Enem e o Modernismo, que foi publicado no nosso blog: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/10/21/o-enem-e-o-modernismo/.

Gabarito: 102: E, 103: C, 131: C, 96: A, 107: C.

Sucesso no ENEM!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Let’ s study!

Hey! ENEM is coming! Are you ready?

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Fig.1 Língua Estrangeira Moderna(LEM) -Inglês

É hora de se preparar, galera! O ENEM está chegando e, neste ano, ele traz muitas novidades e mudanças.  Fique atento ao Edital do Enem 2017!

A prova de Língua Estrangeira Moderna (LEM)  se insere na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, cuja opção  pode ser em Inglês ou em Espanhol. Vale lembrar que a prova  de LEM deve ser entendida como fonte de diversidade da cultura de outros povos e uma forma de estar exposto às diversas situações do cotidiano, seja de  caráter social, cultural, econômico ou histórico.

É preciso estar certo e seguro do idioma ao se inscrever, pois não há possibilidade de mudança da escolha. Qualquer que seja a opção, o candidato deve se preparar para a interpretação de textos. Portanto, não é exagero dizer que a leitura  é o principal foco.

Vale ressaltar que não se pode desconsiderar outras questões, como a gramática, por exemplo, que está direta ou indiretamente presente  no exame, mas  a grande sacada é estar preparado para os gêneros textuais contidos na prova, por serem bem ecléticos: tirinha, letra de música, propaganda, artigo de jornal ou revista, poesia, dentre outros.

Cada tipo de texto  exige maturidade de leitura que, a depender do seu gênero e formato, deve-se ficar atento ao título, subtítulo, layout, imagem, etc. Economize tempo!  Vai uma  dica, que já falamos aqui no nosso Blog, que é utilizar duas técnicas úteis para leitura de textos em língua estrangeira:  o skimming – leitura rápida para observar qual foi a intenção do autor. Outra dica é o scanning– exige mais atenção e detalhamento para se buscar a informação mais específica do texto. Você pode rever o post Eu me LIVROwhatisagn1

Fig.2 Aprenda dicas legais para suas leituras em inglês!

Uma forma divertida para aprender inglês e espanhol é assistindo aos vídeos dos “Amigos Ingleses”. Venha aprender divertidamente!

False friends Cuidado com os falsos amigos! Aprenda mais sobre eles que estão de penetra na prova do ENEM! Tem uma lista que você pode ampliar ainda mais seus conhecimentos. Some or any? Aprenda o uso correto dessas duas palavras!

Still, yet or already? Não é possível! Não sabe ainda utilizar esses advérbios em inglês?

Nossa  Plataforma Anísio Teixeira (PAT) está cheia de novidade! Confira! Quer saber mais? Acesse nossos conteúdos digitais! O lugar é aqui!

Outro ponto forte do ENEM a ser considerado é a contextualização que ocorre na prova e questões com temas ligados à contemporaneidade. Já que o ENEM fala tanto em contextualização, veja que bacana!  Quer aprender Biologia e de brinde o inglês? Veja o que temos sobre  átomo,DNA,cromossomos e muito mais!

O que é um átomo?

O que é DNA?

O que são cromossomos?

 É preciso estar atento aos verbos frasais:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4249

Vale a pena você ver essa produção da TV Anísio Teixeira sobre esse assunto.

Então, quer mandar bem no ENEM? Nossa PAT tem muito a oferecer.  No Blog  você pode rever estes posts, que vão te ajudar bastante com os conteúdos do ENEM:

Quer rever  o passado ao som do saudoso “Rei do Baião”?Acesse esse post! Oxe! Forró é For all? 

E o futuro?  Reveja nosso post! GREENpense

Be smart and study!

Mônica de Oliveira Mota

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Sociologia no ENEM – como estudar!

A Sociologia é uma disciplina das Ciências Humanas. Sua importância no Ensino Fundamental e Médio está – além das temáticas abordadas – no estudo do mundo social e das dinâmicas que determinam a vida em sociedade.  Surgida na virada dos séculos XVIII para o XIX no contexto da Europa pós-Iluminismo, a Sociologia faz parte do Currículo no Brasil desde pelo menos 1928, em Pernambuco, tendo o cientista social Gilberto Freyre como o primeiro professora da disciplina no Brasil.

Hoje, a Sociologia integra o grupo de disciplinas da Base Comum Curricular, na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e ocupa no Exame Nacional do Ensino  Médio (ENEM) um espaço de conteúdos no caderno de Ciências Humanas e suas Tecnologias, com cerca de um terço das questões da prova, junto às questões de Filosofia. É sempre bom estar atento aos acontecimentos marcantes da realidade no mundo para fazer uma boa prova de Sociologia. Ler jornais, revistas, artigos, assistir vídeos e filmes sempre ajuda na ampliação de conhecimento para a prova de Sociologia do ENEM.

Em termos das temáticas mais abordadas no Exame, pode-se elencar cinco temas mais recorrentes nas provas:

·         Movimentos socioculturais

·         Cultura

·         Trabalho

·         Política

·         Questões de Gênero e Diversidade Cultural

Esses assuntos dão conta da diversidade da vida social, expressando dinâmicas que vêm se tornando cada vez mais reveladoras do nosso caráter enquanto país. Os temas das provas do ENEM em Sociologia trazem um certo recorte do Brasil e de problemáticas sócio-existenciais que precisamos dar atenção.

Os movimentos sócio-culturais se destacam na recorrência nas provas, trazendo questões sobre as manifestações democráticas, as Diretas Já, os movimentos estudantis de 1968 e o Impeachment de Fernando Collor. Na prova de 2017, é possível que esses contextos sejam de alguma maneira vinculados à realidade mais atual.   

Cultura e Trabalho são conceitos e temas que recentemente vêm ocupando espaço nas provas, sobretudo nas relações entre cultura erudita e popular, bem como a própria emergência da cultura de massa na sociedade contemporânea. O Trabalho e sua centralidade no entendimento do que é modo de produção e sua importância na constituição da sociedade aparece com certa frequência, sobretudo na interface com conteúdos de História e Filosofia.

Os temas de Política como estudo das formas de organização da sociedade, bem como os temas de diversidade cultural e gênero figuram hoje como parte importante do ENEM, com foco nas diferenças culturais e seus impactos no cotidiano brasileiro.

Vale a pena conferir algumas questões recentes no ENEM:

 

questao-sociologia-enem-moviemento-sociocultural
Questão de Sociologia do Enem 2009 sobre movimentos socioculturais (resposta – a)

 

questao-enem-sociologia-politica
Questão de Sociologia Enem 2014 sobre política (resposta c)
questao-sociologia-enem-cultura
Questão de Sociologia sobre Cultura Enem 2010 (resposta b)
questao-enem-sociologia-diversidade cultural-1
Questão de Sociologia Enem 2014 sobre cultura (resposta d)

Na Plataforma Anísio Teixeira, há conteúdos de Sociologia muito úteis para o ENEM!

Se jogue!

“Vou subindo a ladeira do Pelô”

O verso que intitula este texto está presente na música Ladeira do Pelô, do compositor Betão, lançada pela Banda Mel, em 1987, no disco Força Interior, que trazia também o sucesso Faraó, Divindade do Egito (Luciano Gomes). Na semana de 9 a 13 de agosto, certamente, muita gente terá motivo para dizer: “Vou subindo a ladeira do Pelô”. Isso porque o famoso ponto turístico do Centro Histórico de Salvador será palco da primeira Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ). O saudoso escritor Jorge Amado será o homenageado, além de Zélia Gattai e Myriam Fraga, importantes personalidades ligadas à vida do autor de Tieta do Agreste, Capitães da Areia, A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água e tantas outras obras.

Fig. 1: 1ª Festa Literária do Pelô movimentará o famoso ponto turístico. Imagem: divulgação

O evento literário pretende reunir leitores vindos dos quatro cantos da Bahia (e do Brasil!), que estão sedentos por mesas de debates, oficinas, saraus, apresentações teatrais, exibição de vídeos e shows que tenham a arte da palavra como protagonista. A programação está bem diversa e terá nomes como Conceição Evaristo, Mabel Veloso, Paloma Amado (filha de Jorge e Zélia Gattai), José Carlos Capinan, Bule-Bule e Aleilton Fonseca. Veja qual vai ser o seu itinerário para a FLIPELÔ. Quando vir todas as atrações, você dirá: “E eu vou, e eu vou, e eu vou”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

O coração do IAT

Estudante-repórter: João Pedro Santos

Ana Moreira, funcionária do Instituto Anísio Teixeira (IAT), foi entrevistada com o objetivo de falar sobre a importância do trabalho que ela realiza. A sua função é acompanhar os eventos e dar suporte logístico aos participantes do cursos. O setor no qual ela trabalha, a Coordenação de Logística de Cursos e Eventos (CLC), tem que comprovar perante o Tribunal de Contas todas as despesas do evento.

Fig.1: Coordenação de Logística de Cursos e Eventos. Foto: Marcos Valerio.

Ela cadastra os participantes e também é responsável pela lista de presença. O seu setor é constituído por quatro pessoas (um coordenador e três técnicos). O trabalho é dividido igualitariamente, tanto para o coordenador quanto para os técnicos, que acompanham todos os eventos.

Fig.2: Ana Moreira responde as perguntas do repórter. Foto: Marcos Valerio.

Quando questionada como se sente trabalhando com estudantes, ela responde: “É bom. É um público que sempre está aqui a fim de aprender coisas novas. Eu vejo que vocês têm o interesse de aprender coisas novas. Isso é bom pra gente também, porque o Instituto sempre está aberto para receber os estudantes da rede estadual de ensino”.

Cultura Indígena Projetada

Uma sala de projeção, escura. Sinal de que uma sessão de cinema está prestes a começar. Contudo, não se trata de uma sessão comum, bem que poderia ser. Em poucos instantes, o público vai se deparar com produções audiovisuais realizadas e protagonizadas por povos indígenas. A situação narrada pode até parecer ficção, principalmente quando a gente pensa na realidade desses povos no nosso país, mas não é. A cena descrita aconteceu durante o Cine Kurumin, em Salvador, no último dia 13, quando o Palacete das Artes recebeu parte da programação do evento.

Fig. 1: cena de Caboclo Marcellino durante o Cine Kurumin. Imagem: Peterson Azevedo

Tendo a frase “Da minha aldeia vejo o mundo” como uma forma de provocar, a mostra chegou à 6ª edição com status de festival, promovendo bate-papos após as exibições dos filmes e rodas de conversa. O jornalista Sérgio Melo, 37 anos, que trabalha com produção multimídia e contribui com o Cine Kurumin desde que o projeto foi pensado, destacou aspectos importantes dessa modificação: “Não foi só conceitual, mas uma mudança mesmo de procedimentos. Até a edição passada, a gente era uma mostra. Transformando-se em festival, a gente traz, para além das exibições dos filmes, a participação maior dos realizadores. Em toda sessão, a gente tem um bate-papo e rodas de conversas, que estão acontecendo diariamente também. Além disso, tem a mostra competitiva, na qual os melhores filmes que foram exibidos serão premiados no final”.

Fig. 2: Sérgio Melo é um dos idealizadores do Cine Kurumin. Foto: Peterson Azevedo

De acordo com Sérgio, os indígenas participam de forma efetiva da organização do festival. “Existe essa preocupação para que os próprios indígenas sejam, não somente vistos no cinema, mas que também tenham a participação nesses processos autônomos de seleção dos filmes, pra que isso seja mais democrático possível”. Na verdade, foi com esse espírito que o projeto nasceu. “Surgiu com um trabalho que era desenvolvido com as aldeias indígenas, especificamente no Nordeste do Brasil, com produção audiovisual e inserção dos indígenas no mundo das novas tecnologias. Nesse trabalho, a gente fazia exibições de filmes. Essas exibições chamavam muito atenção das comunidades e a gente começou a perceber que, para além de exibir filmes, existia uma produção que estava sendo feita por essas comunidades, que também precisava ganhar esse espaço, para que fossem vistas por ouras pessoas”, analisa.

Fig. 3: Cecília Pataxó: “A iniciativa do Cine Kurumin é muito interessante”. Foto: Raulino Júnior

O espaço dado tem sido considerado relevante para os integrantes dos povos indígenas. Cecília Pataxó, 21 anos, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia, avalia de forma positiva o Cine Kurumin. “Eu acho muito interessante, porque a gente acaba retomando esses espaços, não só na área da educação, da saúde, mas também na área da comunicação, trazendo esse protagonismo de como são as aldeias, como a gente vive, como é nossa luta. Mostra, para as pessoas que não são indígenas, a dificuldade que a gente passa”.

Rede Anísio Teixeira no Cine Kurumin

O docudrama Caboclo Marcellino é resultado da formação em Interpretação Cênica e Produção de Vídeos, realizada pela Rede Anísio Teixeira em parceria com estudantes do Colégio Estadual Indígena Tupinambá de Olivença e com a comunidade da Aldeia Tupinambá. O filme foi feito com base no livro escrito pelo professor Katu Tupinambá. No vídeo a seguir, Nildson B. Veloso, professor e diretor do curta, fala sobre como foi o processo de produção, a participação dos indígenas nisso e a importância de contar a história de Marcellino.

O professor Geraldo Seara, diretor de fotografia da obra, destaca o caráter pedagógico dela e fala sobre como os educadores podem utilizá-la na sala de aula:

Eu não conhecia muito o Caboclo Marcellino. Ouvia a história dele, assim, por alto. Diziam que era um indígena arruaceiro, que fazia, acontecia, matava muita gente lá pelos lados de Olivença. Ver essa outra versão sobre ele é esclarecedor, necessário até”, avaliou Larissa Almeida, 29 anos, professora de História. Se você quiser assistir ao docudrama, acesse este link: ambiente.educacao.ba.gov.br.

Fig. 4: Larissa Almeida: “Essa outra versão sobre o Caboclo Marcellino é necessária”. Foto: Peterson Azevedo

A segunda parte do Cine Kurumin vai acontecer de 16 a 20 de agosto, na Aldeia Tupinambá, em Olivença, distrito de Ilhéus. Para saber mais informações, entre neste site: www.cinekurumin.com. Aproveite!

Texto/Produção/Entrevista: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Operadores de Áudio: Geraldo Seara e Harrison Araújo

Edição: Thiago Vinicius