(Des)Sustentabilidades ambientais

Olá, comunidade!

A cada ano, chegamos ao mês de Junho com a possibilidade de rediscutirmos mais intensamente sobre os caminhos que devemos escolher para vivermos com mais harmonia, respeitando as culturas, identidades e o meio ambiente. Ou seja, discutir a melhor estratégia de nos relacionarmos com o meio ambiente de maneira sustentável. Será que estamos conseguindo, ao menos, discutir estas questões democraticamente? Será que os rumos dessas discussões podem, efetivamente (ações de políticas públicas), transformar nosso comportamento desenvolvimentista? Será que realmente respeitamos a diversidade étnica? Uma coisa temos em mente: caminhar é preciso…

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Fig. 1: Caminhar é preciso. Imagem: Peterson Azevedo

É pensando nessas questões, que devemos refletir sobre qual Brasil queremos construir para a nossa e as futuras gerações, para que realmente possamos dialogar sobre os possíveis caminhos que consigam, de maneira equânime, planejar o desenvolvimento econômico e social, pensando em uma organização do espaço de forma sustentável. A tecnologia, a ciência e a informação devem referenciar esta conversa, mas tendo como principal objetivo o de respeitar e valorizar as culturas e a etnodiversidade do lugar. A revolução técnica-científica-informacional não pode exclusivamente estar a serviço do capital, pois esta relação fragiliza diretamente as estruturas sociais e seu pleno desenvolvimento, constituindo uma visão superficial do território, desconsiderando os valores culturais e étnico do espaço como um todo, especificamente dos valores compactuados pelo lugar.

Pensando em um caminhar propositivo, crítico, contextualizado e respeitando as territorialidades, trago a experiência do movimento indigenista e social – Articulação dos povos indígenas do Brasil, associação que representa as questões indígenas e suas etnias no país, como exemplo de mobilização, não apenas em defesa ao direito à terra, mas também como instrumento de luta, para a conservação da biogeografia do país. Devemos lembrar que, quando falamos de questões ambientais, não nos referimos apenas às questões de flora e fauna, mas dos processos urbanos, econômicos e de organização e gestão do espaço construído e historicizado. As populações tradicionais, como os povos indígenas, os quilombolas, os povos da maré e os sertanejos, mantêm uma relação de identidade e de sustentabilidade muito intensa e afetiva com a terra, para além apenas da manutenção do capital. É na terra que esses povos constroem sua história, onde se relacionam, onde transformam a paisagem por meio de suas manifestações culturais, heranças das matrizes coloniais. Neste ano, o movimento de articulação dos povos indígenas do Brasil contou com o voluntarismo de artistas e ativistas brasileiros em prol da luta pela terra e pela liberdade à etnicidade. Eles produziram uma campanha audiovisual, para alertar a população da importância ambiental de conservarmos e preservarmos as terras indígenas em sua totalidade biológica e cultural. Aprecie sem moderação:

Vídeo 1 – Demarcação Já. Letra composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César.

Um outro exemplo de luta que quero compartilhar é o depoimento de um grande ancestral americano, que já nos alertava sobre a velocidade voraz do capital em detrimento aos recursos do planeta. Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, escreve uma carta em resposta ao avanço imperialista do presidente norte-americano Francis Pierce. Segue um trecho da carta. “O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. […]

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Fig. 2: O toré. Imagem: Peterson Azevedo

Apesar da formação cultural desses povos estar ligada à terra, é equivocado pensarmos que eles não desenvolveram suas estruturas comunicacionais. Os povos tradicionais também estão inseridos no ciberespaço e na cibercultura, mas não se distanciam das raízes, mostrando novas possibilidades do uso e da apropriação das novas tecnologias como aliadas e não apenas como sistema de consumo. Os povos tradicionais não são contrários ao desenvolvimento, mas questionam as ferramentas e os interesses desse “desenvolvimento”, que tem como objetivo principal a manutenção do poder e o controle do capital, tendo e entendendo o lugar e o território como suporte materialista dessa engrenagem. Desenvolvimento não necessariamente está relacionado à obtenção do capital, à exploração da força produtiva e do uso indiscriminado dos recursos naturais; desenvolver é dar plena liberdade de se expressar culturalmente, ter acesso aos bens materiais básicos em sua plenitude, ofertar o direito de ser em sua magnitude. O desenvolvimento não deve estar unicamente relacionado ao dinheiro, mas à plenitude sustentável do espaço e da pluralidade cultural. A revolução técnica-científica-informacional não deve estar a serviço do capital e sim do desenvolvimento sustentável acessível para todos. “Quando a ciência se deixa claramente cooptar por uma tecnologia cujos objetivos são mais econômicos que sociais, ela se torna tributária dos interesses da produção e dos produtores hegemônicos e renuncia a toda vocação de servir à sociedade. Trata-se de um saber instrumentalizado, em que a metodologia substitui o método”. (SANTOS, p.7. 1988).

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Fig. 3: Sertão-Lindo. Imagem: Peterson Azevedo

Pensemos em um desenvolvimento sustentável pleno e autônomo, sem restrições étnicas e sociais, sem amarras ao capital e pensando na hegemonia e independência do lugar, mas do lugar empoderado e não subserviente ao território e às estruturas de poder do capital perverso.

Até mais!

Peterson Azevedo
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado, fundamentos teórico e metodológicos da geografia. Hucitec. São Paulo. 1988

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB. Disponível em:

<https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/>. Acesso em 05 de Junho de 2017.

A carta do Cacique Seattlel, em 1855. Disponivel em:

<http://www.culturabrasil.org/seattle1.htm>. Acesso em: 05 de Junho de 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Ser Professor. Ecovento. Disponível em:

<http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3929>. Acesso em: 05 de junho de 2017.

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Educação em Direitos Humanos

Começar pelo começo. Assim é como pretendo escrever esta reflexão sobre Educação em Direitos Humanos. Saber sobre o que estamos falando ou lendo é, definitivamente, uma boa condição para apropriação de uma (nova) ideia. Os Direitos Humanos são aqueles considerados fundamentais a todos, sem quaisquer distinções de sexo, nacionalidade, classe social, etnia, cor da pele, profissão, faixa etária, condição de saúde física e mental, escolha política, religião ou nível de instrução. Pensar nesta questão supõe admitir como principal o direito à vida, sem o qual todos os demais direitos perdem o sentido. Essa expressão, cada mais presente entre os educadores, quer fazer referência a princípios universais que podem, potencialmente, ser aceitos em todas as culturas, cuja função primordial é  promover a dignidade humana.

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Desde 2010 a Educação em Direitos Humanos ganhou dispositivos legais, contornos de política pública e legitimidade com a aprovação do Programa Nacional da Educação em Direitos Humanos, ideia que fundamenta a formação ética, crítica e política dos indivíduos. A escola é o tempo e o lugar em que esta aprendizagem acontece, não apenas porque ali seja um espaço educativo, mas, sobretudo, por que é um lugar de convivência.  Presume-se, portanto, que nesta experiência com a heterogeneidade seja possível a todos os educadores cultivar a aceitação das diversidades e o respeito à diferença. A consideração aos direitos individuais e, ao mesmo tempo, universais, coloca-se como um princípio: personagens dos contextos educativos podem admitir-se como sujeitos de direitos e deveres e assim reconhecer que os outros também o são, num movimento ativo e atento para que haja reciprocidade e transposição, ou seja, o que se aprende na escola ou em informais espaços de educação, transfere-se como um valor, um novo aprendizado, para outros campos pois a ideia é formar cidadãos do mundo.

No Brasil, essa mudança cultural é especialmente importante em função da nossa história, pois implica o abandono de valores e costumes que ao longo do tempo foram arraigados entre nós: nosso longo período de escravidão; nossa política oligárquica e patrimonial que garantia  amplo domínio do poder e da economia nacional por um pequeno grupo de senhores de terra e de políticos patrimonialistas; o caráter elitista e autoritário do nosso sistema de ensino; nossa aceitação passiva com a corrupção; nosso descaso com a violência, sobretudo quando seu alvo são os socialmente discriminados; nosso sistema familiar patriarcal e machista, que resiste às novas configurações; nossa sociedade racista; nosso desinteresse pela participação cidadã; nosso individualismo consumista. Estas e outras condutas são temas pouco incluídos nos currículos de formação de professores, quiçá nas atividades escolares ou didáticas.

Essa realidade contemporânea deve, ao invés de empecilho, constituir-se em motivação para o trabalho organizado e contínuo; afinal, a quem de nós interessa a manutenção desse estado de coisas?

A defesa dos Direitos humanos em Educação sugere e estimula uma ação transformadora, capaz de promover a emancipação dos indivíduos para que eles próprios tenham a capacidade para defender os interesses da coletividade. Aqui e agora, esperamos que gestores, professores, coordenadores e demais profissionais da educação, sintam-se motivados a propor mudanças efetivas em seus ambientes de trabalho, cotidianamente.

Lilia Rezende

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Rede Anísio Teixeira . Instituto Anísio Teixeira – IAT

Mulher e Respeito: palavras que se gostam!

A mulher ocupa um espaço privilegiado na formação humana. Sua capacidade de gerar os novos seres humanos que habitam o planeta já leva, por si só, a uma necessidade de respeito singular.

Entretanto e infelizmente, ao longo da história, o feminino personificado na mulher não recebe o tratamento merecido, com dignidade e trato adequados por parte do mundo masculino.

No século XX, com avanços científicos e tecnológicos, a mulher precisou agarrar a unhas e cérebros possibilidades de mudanças desse estado de coisas. Nesse período de cem anos, o pensamento libertário de intelectuais do porte de Simone de Beauvoir, presença marcante da solidariedade e força espiritual de Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce ou Mãe Menininha do Gantois e a efervescência artística pelo mundo afora com muitas mulheres no centro foram necessários para chamar atenção dos homens no que diz respeito à necessidade de entender a mulher como vetor fundamental dos movimentos da vida.

Atualmente, depois de conquistas alcançadas por mérito, a mulher vem tendo cada vez mais condições de alicerçar este espaço de vitórias. No âmbito local, na Bahia, o carnaval vem destacando lutas simbólicas interessantes nos quesitos Direitos Humanos e particularmente nos direitos femininos.  Em 2015, uma campanha intitulada “Vá na moral ou vai se dar mal. Violência contra a mulher é crime!” recebeu um investimento de R$ 300 mil do Governo do Estado, com a intenção de conscientizar a população sobre a violência de gênero e sexual.

Além de mobilizar artistas ligados à festa para tratarem do tema em suas apresentações, a campanha ocupou o cenário do carnaval com cartazes abanadores distribuídos nas ruas.

A campanha e a mobilização em si chamam atenção para fatos alarmantes, como o índice ainda alto de casos de violência contra a mulher tanto no âmbito do carnaval quanto na vida cotidiana para além dessa festa. Entre violência verbal e física, 623 casos foram registrados em 2014, somente no período da folia, o que sugere a pertinência de ações constantes para salientar o respeito à dignidade da mulher na sua existência no mundo.

A violência não faz bem nem leva a lugares confortáveis e isso é um ensinamento histórico. O ser humano pode aprender a busca da paz como caminho de melhoria das condições gerais de habitar o planeta. Raça, gênero, credo, posição política, tipo físico não são elementos que devam ser tratados como motivo para agressões.

As diferenças fazem parte da vida. Todos devem ter o direito de ser o que são, respeitando a individualidade e o direito do outro também ser. Esse é o código de permanência de nós — seres humanos — neste mundo.

E como a arte também expressa estados da alma em suas dimensões políticas, termino este texto com uma canção que é referência para o feminino no Brasil. Na voz da cantora Maria Bethânia, a composição de Marina Lima e Antônio CíceroO lado quente do ser.

Porque todas as mulheres são especiais!

Salve o feminino!

Quer saber mais sobre o tema?

Acesse o Ambiente Educacional WEB.

Aqui, um vídeo bem interessante sobre Direitos e Cidadania:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/940

Por Carlos Barros

Arte educador, Professor e Cantor de música popular

Professor da Rede Estadual de Ensino da Bahia

“O Desabafo é plural em suas singularidades”

Foto: Autorretrato

Foto: Autorretrato

A soteropolitana Monique Evelle Nascimento Costa tem 20 anos, está no 4º semestre do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e é moradora do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Em 2011, fundou o Desabafo Social, uma rede que atua promovendo ações de direitos humanos. Desde agosto do ano passado, é Secretária Geral da Rede de Participação Juvenil da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Adolescência (ABMP) e também foi escolhida para ser uma jovem multiplicadora da SaferNet Brasil, entidade referência no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na Internet. Além disso, é a representante da região Nordeste da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores, cujo trabalho é facilitar a troca de conhecimentos e experiências de grupos de comunicação da Região Nordeste. Nesta entrevista, feita por e-mail, Monique explica como se dá o trabalho desenvolvido no Desabafo Social, como uma pessoa pode se tornar colaboradora, o reconhecimento recebido e a perspectiva do projeto para o futuro. Confira!

Blog do Professor Web: O que motivou a criação da rede Desabafo Social?

Monique Evelle: O que motivou foram as referências que fui tendo no caminho, como, por exemplo, o livro Por uma semente de Paz [de Ganymédes José], que li quando estava na terceira série. O livro conta a história de uma professora que foi lecionar numa periferia e conseguiu mudar a realidade dos alunos e da comunidade. Eu sempre quis ser aquela professora.

BPW: Quais são as ações da iniciativa?

ME: Realizamos oficinas, rodas de conversas relacionadas aos temas voltados para Direitos Humanos da Infância e da Juventude, Comunicação e Educação. Temos um programa de rádio online, um blog totalmente colaborativo e, agora, começamos a fazer cobertura e assessoria educomunicativa.

BPW: Como uma pessoa pode entrar nessa rede?

ME: Apesar de termos colaboradores espalhados por seis estados, costumamos dizer que o Desabafo possui uma infinidade de

Monique, no Nordeste de Amaralina, numa das ações do Desabafo Social

Monique, no Nordeste de Amaralina, numa das ações do Desabafo Social. Foto: Tâmara Brito

pessoas, porque encontramos sempre alguém na rua, nas atividades, que diz: “Eu também sou Desabafo Social.” Isso é demais! Para facilitar essa participação na rede, disponibilizamos materiais de apoio e oferecemos suporte para que atividades sejam consistentes e interativas. Quem quiser participar do Desabafo, é só articular conosco as oficinas nas escolas, comunidades e organizações; debates, divulgar em redes sociais, escrever para o nosso blog e etc. E também, suas ideias e ações devem, com certeza, não violar os direitos humanos.

BPW: Qual é o seu objetivo com o Desabafo Social?

ME: É continuar inspirando pessoas. Inspirar para transformar. Comunicar para transformar.

BPW: Como você falou, o Desabafo Social tem colaboradores em mais seis estados do país. Como essa expansão acontecceu?

ME: Em dezembro de 2012, quando lançamos a primeira edição da nossa revista online [a Desabafo Social], as pessoas começaram a procurar o Desabafo para poder realizar as ações. Tive que pensar em estratégias para formar uma rede de adolescentes e jovens. Além disso, como o Desabafo utiliza uma linguagem adaptada para cada público, isso faz com que as pessoas se sintam parte de toda construção, se sintam parte do Desabafo.

BPW: Em termos educacionais, quais são os impactos que projeto traz para a sociedade?

ME: Todas as crianças, adolescentes e jovens que participaram do Desabafo, conseguem, hoje, aguçar o olhar crítico em relação às questões sociais. Não são mais omissos às informações transmitidas pelos meios de comunicação de massa. Um exemplo claro disso é uma menina de nove anos, que articula com seus colegas e professores ações que, geralmente, não são discutidas na escola, como direitos humanos na internet, racismo e intolerância religiosa.

BPW: Como as tecnologias digitais auxiliam no desenvolvimento do projeto?

ME: Apesar de grande parte dos brasileiros ainda não ter acesso a internet, se não fossem as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), não haveria expansão e continuidade do Desabafo. Não temos nenhum apoio financeiro para impressão da nossa revista, logo, publicamos online. Não temos como ter um espaço numa rádio FM de grande porte, logo, é preciso ser online.

Fotografia de Julianne Gabillaud

As crianças do Nordeste de Amaralina vão em direção a Monique: reconhecimento. Foto: Julianne Gabillaud

BPW: O seu trabalho já foi reconhecido por algumas instituições, uma vez que você já recebeu vários prêmios. Como você encara isso?

ME: É muito bom ver um trabalho de formiga sendo reconhecido. Os reconhecimentos vêm com tempo, mas a gente nunca espera. Sempre é um surpresa.

BPW: Quais são as perspectivas de futuro para o Desabafo Social?

ME: Espero que o Desabafo continue crescendo e que, com o tempo, possamos ter nosso espaço físico e conseguir apoio logístico para continuar fazendo bem o que a gente faz.

BPW: Tem algo que não foi perguntado e que você gostaria de falar?

ME: Costumamos dizer, no Desabafo, que “eu sou porque nós somos.” A ideia é mostrar que o Desabafo é plural em suas singularidades.

 

Monique Evelle: http://moniqueevelle.wordpress.com/.

Desabafo Social: http://desabafosocial.com.br/blog/.

Educação Especial: uma questão de cidadania

Olá, galera!

Iniciamos o mês de agosto com uma temática muito interessante. Vamos “bater um papo” informativo, esclarecedor e sério sobre Educação Especial,Ética e Cidadania.Outros temas também serão discutidos durante este mês.Mas,manteremos um foco mais aguçado sobre estes acima mencionados.

O exercício da Educação Especial requisita e pressupõe direitos,logo,falamos em Cidadania. A Ética tem uma grande influência sobre a Cidadania,pois ela trata da conduta humana,e é através desta que os direitos políticos,sociais e civis do cidadão serão assegurados.É possível ,então,perceber que em determinados momentos os temas em questão podem estar entrelaçados.

O protagonista deste texto é o cidadão com necessidades especiais educacionais, que necessita de uma Educação Especial voltada para estudantes com transtornos globais de desenvolvimento e com altas habilidades/superdotação. Entretanto, ser portador de limitações e/ou transtornos nem sempre é ser ou sentir-se incapaz.

Para muitas pessoas, presenciar estudantes especiais desenvolvendo atividades que necessitam competências e habilidades complexas é motivo de admiração e espanto. Mas, a realidade mudou e esse estudante especial, principalmente, o que desde cedo encontra em sua família apoio e incentivo, vem desenvolvendo atividades diversas, surpreendentemente desmistificando estereótipos.

A Secretaria de Educação do Estado da Bahia, através de convênios firmados com Instituições Especializadas, oferece atendimento prioritário ao estudante especial em Associações, Instituto, Instituições e Federações especializadas e credenciadas.

Temos uma Legislação com decretos e Leis que dispõem sobre a Educação Especial para que esta ampare o seu público-alvo, facultando-lhe direitos diversos, como o de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que busca,com projetos e ações atender às especificidades do estudante especial, dando-lhes condições de enfrentamento à vida através da conquista de uma autonomia que o fortaleça como cidadão sujeito de direito.

Para o cientista político Norberto Bobbio, “O Direito do cidadão é a conversão universal, em direito positivo dos direitos do ser humano”. Logo, é possível entender que Bobbio refere-se ao fato de que os direitos registrados em legislação,ou o que o valha, sejam convertidos em direitos positivos, praticados,exercidos.É fazer a teoria virar prática,e para isso é preciso uma conduta ética.

Assista ao vídeo “Adulto, cidadão e diferente (Deficiência Física)”:

 

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Este audiovisual mostra que os portadores de necessidades especiais já estão fazendo,há muito tempo o seu papel de cidadãos, assumindo compromissos, responsabilidades, fazendo a diferença em sua sociedade, quebrando paradigmas de preconceito e discriminação.

 

Até a próxima!

Prof.ª Ana Rita Medrado.

Trabalho infantil: uma ameaça à cidadania de crianças e adolescentes brasileiros.(2.ª Postagem)

Colegas, olá!

Esta é a segunda de uma série de postagens onde trataremos da temática “Trabalho Infantil” que se apresenta como um problema enfrentado por crianças e adolescentes brasileiros e os coloca em situação de risco ameaçando a sua cidadania. Iniciamos, propondo um diálogo sobre a história da infância no Brasil a partir da seguinte citação:

“É importante ressaltar que a história da infância no Brasil se confunde com a história do preconceito, da exploração e do abandono, pois, desde o início, houve diferenciação entre as crianças segundo a sua classe social, com direitos e lugares diversos no tecido social.”(FONTES-2005).

A partir das palavras de Fontes, é possível afirmar que os fatos históricos das nossas crianças estão longe de favorecê-las? Vamos buscar uma compreensão a partir de sua historicidade e assim seria possível dialogar com mais autonomia e criticidade sobre o assunto. Vamos saber o que as Constituições Brasileiras preconizaram a respeito da cidadania de crianças e adolescentes.

Na primeira Constituição Imperial Brasileira, outorgada em 1824, que 65 anos depois foi substituída pela Constituição Republicana de 1891, ficaram registrados os primeiros direitos atribuídos àqueles considerados, naquele momento, cidadãos brasileiros. Ambas consagravam a expressão cidadania, porém ficaram muito distantes de concretizar os direitos que as referidas Cartas Magnas preconizavam. A este respeito, afirma Maxwell Lambda que nessas constituições “os Direitos eram mantidos como direitos individuais, civis e políticos. Os Direitos Coletivos sociais e/ou crianças não eram mencionados.”

Lambda também diz que : “ discorrer acerca da construção dos direitos das crianças e dos adolescentes nos remete a pensar em pessoas que durante muitos séculos foram negligenciadas em seus direitos fundamentais enquanto seres humanos, permanecendo presos a um patamar de seres inferiores, absortos das vidas das famílias, sem que lhes fossem direcionado qualquer tipo de política de atendimento ou direitos próprios que lhes são devidos. Neste sentido, as crianças e os adolescentes foram objetos de muitas ações desumanas, tais como: abandono, maus tratos, escravidão e assassinatos”.

Nos textos constitucionais brasileiros de 1934 e 1937, respectivamente: crianças e adolescentes foram citados de forma bastante superficial; ficou registrada a sugestão de proteção à saúde de crianças.

Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, criada pela ONU, foram dedicados alguns artigos para os direitos das crianças e muitos debates vão ocorrer e influenciar a criação de um documento mais detalhado sobre esses direitos. Em 1959, foi aprovada a Declaração sobre os Direitos da Criança. Segundo Lambda, “esta reafirmou princípios que colocavam a criança na condição de pessoas em desenvolvimento e que, por isso, deveriam ter garantidos todos os direitos fundamentais que tinha um adulto e, ainda, dada essa condição, cuidados e proteção especial”. Esta Declaração influenciaria o Brasil, na forma de como os Estados poderiam desenvolver suas ações sobre as crianças. No entanto, com o golpe militar em 1964, todos os avanços, e discussões em prol aos direitos das crianças e adolescentes ruíram no nosso país.

VAMOS REFLETIR: Seria possível imaginar crianças ricas trabalhando?Crianças e Adolescentes devem trabalhar? Quais seriam as condições em caso positivo? A sociedade brasileira evoluiu no tocante às questões sociais das crianças e dos adolescentes? Crianças e adolescentes brasileiros não se constituem em produtos e vítimas do nosso sistema e, portanto, muitos destes não ingressam precocemente no mundo do trabalho? O que é ser criança?

Até a próxima! Abordaremos o nosso tema, ainda, à luz da nossa Legislação para melhor entendermos o Trabalho Infantil como uma ameaça à cidadania de crianças e adolescentes brasileiros.

Fontes:

• FONTES, R. Criança. Revista Presença Pedagógica, v. 11, n. 61, p. 03-05, jan./fev. 2005.

• LAMBDA, Maxwell. Política pública para criança e adolescente: uma breve análise. http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/cgi-bin/PRG_0599.EXE/10557_3.PDF?NrOcoSis=33920&CdLinPrg=pt

 

Trabalho Infantil: uma ameaça à cidadania de crianças e adolescentes brasileiros

Colegas, saudações!

 Vamos estabelecer um diálogo franco e aberto sobre o Trabalho Infantil e suas implicações? Pois é, utilizaremos este espaço democrático para discutirmos sobre este tema sempre tão polêmico e ainda, infelizmente, tão presente em nossa Sociedade. Falaremos de diversos fatos que estão presentes na história das crianças e adolescentes do nosso país cuja a cidadania custou a ser construída, positivada e que ainda sofre fortes ameaças.

“A ideia do trabalho como instrumento disciplinador da criança pobre, capaz de afastá-lo do caminho do crime, sempre se fez presente no Brasil. Durante o período escravagista, crianças escravas trabalhavam pra seus donos. No início da industrialização, constituíam-se mão de obra para as fábricas; nos feudos rurais, como boias-frias ou complementos das cotas de seus pais; nas unidades domésticas e nas ruas, desde sempre o trabalho infantil foi considerado mão de obra dócil e barata. Não raro a apropriação e uso desse trabalho se deram em nome da filantropia, da caridade e compaixão a essas crianças e suas famílias.”RANGEL e CRISTO (s/d:4)

E vocês ,o que acham? Estaria presente na nossa atualidade algum exemplo constante do parágrafo anterior? Poderíamos dizer que o  Estado e a Sociedade precisam atuar de forma mais ativa e política para que crianças e adolescentes tenham contempladas suas necessidades de acesso a direitos, ou, as necessidades das crianças e adolescentes poderão ser atendidas de outra forma?

Cliquem AQUI e assistam ao vídeo : Campanhas Educativas – Cidadania e Direitos Humanos: 1- Combate ao trabalho infantil

Até a próxima ,quando  trataremos sobre a Legislação Brasileira que atende as necessidades das  crianças e adolescentes.

Fontes:

-RANGEL, Patrícia Calmon; CRISTO, Keley Kristiane Vago.Os Direitos da Criança e do Adolescente, a Lei de Aprendizagem e o Terceiro Setor(s/d). Disponível em: <http://www.prt17.mpt.gov.br/n_aprendiz.html&gt;. Acesso em maio 2007.

-Disponível em:http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015504.pdf