About Raulino Júnior

Raulino Júnior é professor de língua portuguesa da rede estadual de ensino da Bahia, especialista em Estudos Linguísticos (UEFS, 2008), jornalista e produtor cultural. Formou-se em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS, 2006) e em Jornalismo (2014) e Produção em Comunicação e Cultura (2016) pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA). Compõe desde a adolescência e, com a música "Mudanças", ficou em 3º lugar no 1º Festival de Música do Servidor Público, promovido pela Secretaria da Administração do Estado da Bahia (SAEB), em 2013. É autor do "Desde que eu me entendo por gente", blog de experimentações jornalísticas com ênfase em jornalismo cultural, integrante da produtora "Contramão Comunicação e Cultura", idealizador e apresentador do "Monotemático", programa de entrevistas com autores de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). Desde 2013, integra a equipe de professores da Rede Anísio Teixeira, programa de difusão de mídias e tecnologias educacionais da Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

#Melhore!

Que as redes sociais digitais são um reflexo da convivência com as pessoas do nosso cotidiano, todo mundo sabe. Então, tudo que existe sem a mediação da tela, está presente no mundo em que ela é fundamental para estabelecer a comunicação. Sendo assim, a forma como uma pessoa trata a outra — com carinho, rispidez, indiferença, empatia — também vai ter eco no Facebook, Instagram, Twitter e demais mídias. Nesse sentido, você já percebeu como algumas expressões usadas nesses meios são desrespeitosas e, quase sempre, incitam a violência?

Fig. 1: ilustração feita por Raulino Júnior

Isso fica muito evidente entre os fãs de artistas populares, que, muitas vezes, são estimulados por seus próprios ídolos a terem uma postura combativa nas redes; e também entre ativistas políticos, uma vez que a radical polarização não admite um equilíbrio nos debates. As expressões usadas contribuem para uma convivência nada harmoniosa entre quem posta e quem comenta. Uma das mais frequentes é “O choro é livre!”, que, por si só, soa agressiva. É sempre usada quando alguém posta alguma coisa que pode gerar muita polêmica. É como se o autor da postagem dissesse: “É isso mesmo! Quem não gostou, pode chorar”. Para quem recebe isso na timeline, percebe a imposição que está explicitada no simples uso da expressão.

Outra que figura nas mídias sociais é “Melhore!”. Ela carrega em si uma desaprovação em relação àquilo que foi postado. Em geral, se algum famoso dá alguma declaração considerada desastrosa, ele sempre recebe o carimbo de “Melhore!”. Um conselho bem acintoso. Desconhecidos também são vítimas do “Melhore!”. Ninguém escapa.

“Apenas pare!” segue a mesma linha de “Melhore!”, só é mais impositiva. Ou seja: não dá chance para a pessoa melhorar, já pede para ela parar com aquela postura que, para quem julga, é reprovável. “Seje menas!” (assim mesmo!) é da mesma natureza.

Há expressões que trazem uma intenção um pouco mais positiva, mas, ainda assim, soam desrespeitosas. É o caso de “Pisa menos!” e “Chupa!”. A primeira é usada quando alguém — famoso ou anônimo — faz algo que é considerado muito bom na visão de quem lê o que foi publicado; a segunda, mais voltada para os receptores da mensagem, é bastante agressiva e aparece quando quem posta quer enfiar a sua predileção goela abaixo. “Chupa!” é o novo “Aceita que dói menos!”, amplamente popularizada entre as pessoas que habitam no universo das redes sociais digitais. Será que “Chupa!” é uma releitura de “Chupa essa manga!”? Ou será da família de “Descasque este abacaxi!”? Ficam os questionamentos.

Não se pode negar que, linguisticamente, o uso dessas expressões trazem riqueza para o léxico do nosso idioma. O que se espera é que elas não continuem sendo usadas para desrespeitar e incitar a violência. É preciso ter respeito sempre. Em qualquer espaço. #Melhore!

Leia também:

Você é o que você compartilha: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/02/13/voce-e-o-que-voce-compartilha/.

O internetês e a Língua Portuguesa: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/01/14/o-internetes-e-a-lingua-portuguesa-2/.

Vc jaH imaginoW t D encaraH 1 textU TdO escritU assim?: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/20/vc-jah-imaginow-te-d-encarah-1-textu-tdo-escritu-assim/.

Suicídio, Adolescência e Redes Sociais: http://blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/22/suicidio-adolescencia-e-redes-sociais/.

 

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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Quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova do ENEM?

Oi! Tudo bem com você? Vamos dar continuidade ao Mutirão para o ENEM, do Blog da Rede. Hoje, é dia de compartilhar alguns conteúdos de Língua Portuguesa, disciplina que integra a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para você, que está estudando para o exame, é importante saber quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova? Se respondeu “sim” ao questionamento, acompanhe esta postagem até o final. Vamos lá?!


A prova do ENEM, em geral, exige que o candidato faça muita interpretação de texto para responder às questões. E isso, claro, está o tempo todo presente na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para interpretar um texto com eficiência, é importante que o candidato tenha uma boa leitura de mundo e faça associações coerentes com aquilo que é exigido no enunciado. Veja um exemplo de questão, do ENEM 2016:

Outro assunto recorrente no ENEM, voltado para Língua Portuguesa e presente também em provas de outras áreas do conhecimento, são os Gêneros Textuais. Eles se caracterizam por ser produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa do nosso cotidiano. A prova exige do candidato o reconhecimento das características do gênero e, obviamente, a interpretação do texto. Segue uma outra questão do ENEM 2016:

Aqui no blog, já falamos sobre gêneros textuais. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2016/08/22/generos-textuais-no-enem/.

Nós somos falantes de língua portuguesa, mas você sabe que a nossa forma de falar não é padronizada. Há, dentro de um mesmo Brasil, diferentes formas de falar uma mesma coisa. Isso tem a ver com variação linguística, que é um fenômeno da língua que tem razões históricas e culturais. No ENEM, questões de variação linguística são bem frequentes. Veja a questão a seguir, do ENEM 2011.

No nosso blog, já falamos sobre variação linguística. Segue o link do texto sobre o baianês: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/09/o-baianes-nosso-de-todo-dia/.

Para nos expressar, usamos várias linguagens e todas elas têm uma função, uma intenção. No ENEM, predominam questões relacionadas às Funções da Linguagem. Todo ato de comunicação envolve seis componentes essenciais: o locutor, o interlocutor, a mensagem, o código, o canal e o referente. No nosso blog, já falamos sobre essas funções. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/09/02/a-linguagem-e-suas-funcoes/. Vamos ver um exemplo de questão sobre esse assunto no ENEM 2016?

A Literatura também tem presença garantida na prova do ENEM. Dentre as escolas literárias, o Modernismo é uma das mais frequentes no exame. O movimento modernista foi uma manifestação cultural que tinha em sua essência buscar a ruptura, em termos artísticos, com o que estava estabelecido na sociedade. Para os modernistas, o artista tinha que ter liberdade de criação, não se fechando a nenhum método e sempre tendo a identidade brasileira como norteadora. Na questão seguinte, do ENEM 2016, essa característica fica evidenciada.

Consulte o texto O Enem e o Modernismo, que foi publicado no nosso blog: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/10/21/o-enem-e-o-modernismo/.

Gabarito: 102: E, 103: C, 131: C, 96: A, 107: C.

Sucesso no ENEM!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

“Vou subindo a ladeira do Pelô”

O verso que intitula este texto está presente na música Ladeira do Pelô, do compositor Betão, lançada pela Banda Mel, em 1987, no disco Força Interior, que trazia também o sucesso Faraó, Divindade do Egito (Luciano Gomes). Na semana de 9 a 13 de agosto, certamente, muita gente terá motivo para dizer: “Vou subindo a ladeira do Pelô”. Isso porque o famoso ponto turístico do Centro Histórico de Salvador será palco da primeira Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ). O saudoso escritor Jorge Amado será o homenageado, além de Zélia Gattai e Myriam Fraga, importantes personalidades ligadas à vida do autor de Tieta do Agreste, Capitães da Areia, A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água e tantas outras obras.

Fig. 1: 1ª Festa Literária do Pelô movimentará o famoso ponto turístico. Imagem: divulgação

O evento literário pretende reunir leitores vindos dos quatro cantos da Bahia (e do Brasil!), que estão sedentos por mesas de debates, oficinas, saraus, apresentações teatrais, exibição de vídeos e shows que tenham a arte da palavra como protagonista. A programação está bem diversa e terá nomes como Conceição Evaristo, Mabel Veloso, Paloma Amado (filha de Jorge e Zélia Gattai), José Carlos Capinan, Bule-Bule e Aleilton Fonseca. Veja qual vai ser o seu itinerário para a FLIPELÔ. Quando vir todas as atrações, você dirá: “E eu vou, e eu vou, e eu vou”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Cultura Indígena Projetada

Uma sala de projeção, escura. Sinal de que uma sessão de cinema está prestes a começar. Contudo, não se trata de uma sessão comum, bem que poderia ser. Em poucos instantes, o público vai se deparar com produções audiovisuais realizadas e protagonizadas por povos indígenas. A situação narrada pode até parecer ficção, principalmente quando a gente pensa na realidade desses povos no nosso país, mas não é. A cena descrita aconteceu durante o Cine Kurumin, em Salvador, no último dia 13, quando o Palacete das Artes recebeu parte da programação do evento.

Fig. 1: cena de Caboclo Marcellino durante o Cine Kurumin. Imagem: Peterson Azevedo

Tendo a frase “Da minha aldeia vejo o mundo” como uma forma de provocar, a mostra chegou à 6ª edição com status de festival, promovendo bate-papos após as exibições dos filmes e rodas de conversa. O jornalista Sérgio Melo, 37 anos, que trabalha com produção multimídia e contribui com o Cine Kurumin desde que o projeto foi pensado, destacou aspectos importantes dessa modificação: “Não foi só conceitual, mas uma mudança mesmo de procedimentos. Até a edição passada, a gente era uma mostra. Transformando-se em festival, a gente traz, para além das exibições dos filmes, a participação maior dos realizadores. Em toda sessão, a gente tem um bate-papo e rodas de conversas, que estão acontecendo diariamente também. Além disso, tem a mostra competitiva, na qual os melhores filmes que foram exibidos serão premiados no final”.

Fig. 2: Sérgio Melo é um dos idealizadores do Cine Kurumin. Foto: Peterson Azevedo

De acordo com Sérgio, os indígenas participam de forma efetiva da organização do festival. “Existe essa preocupação para que os próprios indígenas sejam, não somente vistos no cinema, mas que também tenham a participação nesses processos autônomos de seleção dos filmes, pra que isso seja mais democrático possível”. Na verdade, foi com esse espírito que o projeto nasceu. “Surgiu com um trabalho que era desenvolvido com as aldeias indígenas, especificamente no Nordeste do Brasil, com produção audiovisual e inserção dos indígenas no mundo das novas tecnologias. Nesse trabalho, a gente fazia exibições de filmes. Essas exibições chamavam muito atenção das comunidades e a gente começou a perceber que, para além de exibir filmes, existia uma produção que estava sendo feita por essas comunidades, que também precisava ganhar esse espaço, para que fossem vistas por ouras pessoas”, analisa.

Fig. 3: Cecília Pataxó: “A iniciativa do Cine Kurumin é muito interessante”. Foto: Raulino Júnior

O espaço dado tem sido considerado relevante para os integrantes dos povos indígenas. Cecília Pataxó, 21 anos, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia, avalia de forma positiva o Cine Kurumin. “Eu acho muito interessante, porque a gente acaba retomando esses espaços, não só na área da educação, da saúde, mas também na área da comunicação, trazendo esse protagonismo de como são as aldeias, como a gente vive, como é nossa luta. Mostra, para as pessoas que não são indígenas, a dificuldade que a gente passa”.

Rede Anísio Teixeira no Cine Kurumin

O docudrama Caboclo Marcellino é resultado da formação em Interpretação Cênica e Produção de Vídeos, realizada pela Rede Anísio Teixeira em parceria com estudantes do Colégio Estadual Indígena Tupinambá de Olivença e com a comunidade da Aldeia Tupinambá. O filme foi feito com base no livro escrito pelo professor Katu Tupinambá. No vídeo a seguir, Nildson B. Veloso, professor e diretor do curta, fala sobre como foi o processo de produção, a participação dos indígenas nisso e a importância de contar a história de Marcellino.

O professor Geraldo Seara, diretor de fotografia da obra, destaca o caráter pedagógico dela e fala sobre como os educadores podem utilizá-la na sala de aula:

Eu não conhecia muito o Caboclo Marcellino. Ouvia a história dele, assim, por alto. Diziam que era um indígena arruaceiro, que fazia, acontecia, matava muita gente lá pelos lados de Olivença. Ver essa outra versão sobre ele é esclarecedor, necessário até”, avaliou Larissa Almeida, 29 anos, professora de História. Se você quiser assistir ao docudrama, acesse este link: ambiente.educacao.ba.gov.br.

Fig. 4: Larissa Almeida: “Essa outra versão sobre o Caboclo Marcellino é necessária”. Foto: Peterson Azevedo

A segunda parte do Cine Kurumin vai acontecer de 16 a 20 de agosto, na Aldeia Tupinambá, em Olivença, distrito de Ilhéus. Para saber mais informações, entre neste site: www.cinekurumin.com. Aproveite!

Texto/Produção/Entrevista: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Operadores de Áudio: Geraldo Seara e Harrison Araújo

Edição: Thiago Vinicius

O baianês nosso de todo dia

Colé de mermo! Tá tudo massa? Hoje, a gente vai trocar uma ideia sobre o baianês. Você tá ligado? Não precisa ficar agoniado, não. É de boa! Tá rebocado! Só não vamos entrar na molequeira, porque a coisa aqui é séria. Brincadeiras à parte, se você é baiano, já prestou atenção ao nosso modo de falar? Temos uma forma própria de nos expressar e, muitas vezes, a gente não atenta para isso. Essa forma, obviamente, não é homogênea, padronizada, mas faz parte dos nossos costumes. Repare como eu comecei este texto. Oxe! Olha o baianês aí de novo!

Fig. 1: capa da 2ª edição do Dicionário de Baianês, publicada em 1992. Foto: Raulino Júnior

O baianês é um dialeto do português brasileiro, cujo uso frequente se dá no estado da Bahia. Ele é formado por palavras e expressões que caracterizam a cultura do povo baiano. A sua composição tem influências históricas, principalmente quando se pensa nas correntes migratórias da época do Período Colonial, quando Salvador protagonizava as ações administrativas do Brasil. A então capital do país influenciou e contribuiu para consolidar essa forma peculiar de se comunicar.

Há uma vertente da Linguística, a ciência da linguagem, que estuda esse fenômeno da língua: a Sociolinguísitca. Ela se debruça, de forma científica, sobre os aspectos linguísticos e sociais que são evidenciados na relação entre língua e sociedade. É um estudo muito interessante! Porque, para a Sociolinguística, as condições de produção devem sempre ser consideradas. Uma pergunta-guia é: por que tal falante usa tal forma para se comunicar? Daí vem toda a investigação. O estudo é descritivo, voltado para o emprego linguístico concreto. Os fatos da língua são investigados pelos sociolinguistas tomando como base o uso vivo dela. Nesse sentido, noções de “certo” e “errado” não são levadas em consideração. É assim com o dialeto baiano. Expressões como “Colé, bródi!” e “Ópraisso!” se justificam devido a essa investigação científica.

Contudo, como o baianês é uma linguagem que nasce da fala, é preciso ter consciência para a adequação do seu uso, além de atentar para as diferenças existentes entre a língua falada e a língua escrita. Numa conversa com amigos, no pátio da escola, temos uma forma mais descontraída de falar, com reduções de palavras e uso de gírias, por exemplo. Entretanto, numa entrevista de emprego, a nossa fala, geralmente, se torna mais formal.

Quem investigou e registrou a nossa forma de falar foi o engenheiro Nivaldo Lariú, que é natural de Itaperuna, município do Rio de Janeiro. Ele radicou-se na Bahia há mais de 40 anos e catalogou as palavras e expressões ditas pelos baianos no Dicionário de Baianês. O livro já tem mais de 1500 verbetes e é um dos poucos registros sobre o dialeto. Vale muito a pena consultá-lo. Quer pegar o boi? Corra atrás da obra, criatura!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Dieta vegetariana e dieta onívora: diversidade de hábitos alimentares

Comer é uma necessidade básica de todo ser humano. Para realizar as atividades diárias, é imprescindível ter energia, que é adquirida através dos nutrientes dos alimentos. Por diversas razões, inclusive socioculturais, as pessoas se alimentam de formas diferentes. O propósito da discussão levantada aqui não é colocar na mesa a problemática social do nosso país, com toda a sua injustiça e má distribuição de renda. O prato do dia são as diferentes dietas que fazem parte dos hábitos alimentares dos seres humanos. Você já pensou sobre isso?

Fig. 1: hábitos alimentares na mesa. Arte gráfica: Augusto Mattos.

Para começar, é preciso diferenciar o que é dieta vegetariana e dieta onívora. O vegetarianismo, que é uma prática que exclui da alimentação qualquer derivado de origem animal, tem muitas variações. Há pessoas que são vegetarianas, mas consomem ovos, leite e laticínios (ovolactovegetarianos), ovos (ovovegetarianos) e leite e latícinios (lactovegetarianos). Os veganos ou vegetarianos estritos rechaçam tudo que evidencia a exploração de animais. Eles não usam roupas de lã nem de couro e produtos que foram testados em animais, por exemplo. Por isso, o veganismo é tratado como um estilo de vida.

Já a dieta onívora, que é mais comum, é praticada por animais que se alimentam de vegetais e animais. Portanto, é incorreto dizer que o ser humano é carnívoro. Somos onívoros. Carnívoros são animais que só se alimentam de carnes.

Diante de tudo que foi exposto, algumas perguntas precisam ser feitas: existe uma dieta mais saudável que a outra? Entre os especialistas, não há consenso sobre isso. Qual é a sua opinião sobre a dieta onívora e a vegetariana? Você segue qual dieta? Conta pra gente! O mais importante é ter práticas alimentares saudáveis, que garantam uma nutrição equilibrada.

Para complementar os seus conhecimentos, assista ao episódio sobre diversidade de hábitos alimentares, da série temática Diversidades, que integra o programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Feminismo: isso é coisa de quem luta por igualdade de direitos

Em 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe temáticas que estão na pauta do movimento feminista em duas de suas provas: a de Redação e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Obviamente, o fato de os responsáveis pelo ENEM abordarem tal assunto não foi à toa. A necessidade de discutir feminismo parte de uma demanda social urgente, que tem no seu cerne a luta por direitos iguais para todos os gêneros.

De acordo com a historiadora e cientista política Céli Regina Jardim Pinto, a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX, quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto”, p. 15. No Brasil, o ponto de partida da luta feminista se deu no início do século XX, através de Bertha Lutz, também tendo o direito ao voto como principal bandeira. Contudo, ao longo do tempo, outras pautas tornaram-se necessárias para o movimento. Por isso, é possível dizer que há vários feminismos.

Fig. 1: Simone de Beauvoir: referência máxima do movimento feminista. Imagem: reprodução do site The Simone de Beauvoir Society

Nesse sentido, existem grupos feministas que reivindicam questões específicas, a exemplo das lésbicas, das mulheres negras e das mulheres trans. Obviamente, há temas que são comuns a todo mundo, como a busca pelo fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, a liberdade sexual, a descriminalização do aborto, o fim da violência doméstica e da cultura do estupro, entre outras. Para as feministas, a sociedade deve entender e respeitar que as mulheres são livres para fazer as próprias escolhas. Feminismo não é o contrário de machismo, que é uma forma de dominação socialmente aceita e, ainda hoje, incentivada. Ser feminista é ter consciência de que os direitos devem, de fato, ser iguais, tanto para homens quanto para mulheres.

A prova de Ciência Humanas do ENEM 2015, na questão 42, reproduziu o seguinte trecho do livro O Segundo Sexo, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, referência máxima quando se fala em movimento feminista: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. O que Beauvoir quis dizer? Djamila Ribeiro, em texto publicado no site da revista Carta Capital, explica: “…ao dizer que ‘não se nasce mulher, torna-se’, a filósofa francesa distingue entre a construção do ‘gênero’ e o ‘sexo dado’ e mostra que não seria possível atribuir às mulheres certos valores e comportamentos sociais como biologicamente determinados”. Então, repetir frases como “Isso é coisa de mulher”, é um dos equívocos de que precisamos nos desfazer para assumir uma postura menos machista. Afinal, ninguém nasce machista, torna-se.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referências:

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Redação e de Linguagens Códigos e suas Tecnologias, Prova de Matemática e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, História e Poder. Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 18, n. 36, p. 15-23, jun. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

RIBEIRO, Djamila. Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limites de Feliciano e Gentili. Carta Capital, Opinião, Sociedade, 3 nov. 2015. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/simone-de-beauvoir-e-a-imbecilidade-sem-limites-de-feliciano-e-gentili-6444.html>. Acesso em: 31 mar. 2016.