Duas faces de uma mesma prática

A leitura é muito mais

do que decifrar palavras.

Quem quiser parar pra ver

pode até se surpreender:

vai ler nas folhas do chão,

se é outono ou se é verão;

nas ondas soltas do mar,

se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,

se trabalha ou se é à-toa…”

O trecho acima, do poema Aula de Leitura, do escritor, ilustrador e pesquisador paulista Ricardo Azevedo, mostra como a leitura é uma prática que nos enche de possibilidades de ver o mundo. Através dela, a gente decifra tudo, até as coisas consideradas mais difíceis. Por mais clichê que pareça, para quem lê, a vida tem outra face e várias facetas. Quem lê, de fato, se torna possível e passível; porque leitura é sentimento.

Fig. 1: Família “Leitura e Escrita” (da esquerda para a direita): Rodrigo de La Rocha, Diego Santoro, Elaine Camacã, Alex Simões, Mariângela Nogueira (sentada), Larissa Kharkevitch, Anderson Shon, Nana de Carvalho e Armando Almeida. Foto/Edição: Peterson Azevedo.

A Fundação Pedro Calmon (FPC), através da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), levou essa afirmativa ao pé da letra e criou o projeto Memórias de Leitura, com o objetivo de estimular a leitura. Quinze vídeos foram publicados, com pessoas falando sobre as suas primeiras experiências com a prática de ler. O resultado pode ser visto na programação da TV Educativa da Bahia (TVE-Bahia), nos sites e mídias sociais do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e da própria FPC.

A fim de saber um pouco mais sobre o projeto e discutir o papel da escola nesse estímulo à leitura, a equipe do Blog do Professor Web e da Professora Online conversou com Mariângela Nogueira, 58 anos, diretora da DLL. Veja, no vídeo a seguir, o que ela disse:

O projeto Memórias de Leitura foi produzido, como afirmou Mariângela, durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), em outubro de 2016. O poeta Alex Simões, 43 anos; o tradutor, poeta e escritor Rodrigo de La Rocha, 28 anos; e o professor e escritor Anderson Shon, de 29 anos, foram algumas das pessoas que compartilharam as memórias. A convite do nosso blog, eles falaram como foi essa experiência e opinaram sobre a importância da iniciativa:

O Memórias de Leitura foi gravado por jovens integrantes da Cipó Comunicação Interativa e a produção teve apoio da DLL. Por curiosidade, você gostaria de saber quais são as memórias de leitura de quem idealizou a iniciativa? Nós também! Por isso, perguntamos à equipe que compõe a Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon: quais são as memórias de leitura de vocês? Neste vídeo, você confere os depoimentos:

IV Concurso de Escritores Escolares

Outra ação da DLL (FPC) que tem a leitura como mote é o Concurso de Escritores Escolares. Isso porque todo ato de escrita pressupõe o de leitura. Na sua 4ª edição, o concurso é voltado para estudantes regularmente matriculados no Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, das redes pública e particular da Bahia. Cada estudante só pode se inscrever em uma das categorias (redação ou poesia), com texto inédito, ficcional ou não. O tema das produções é livre. No vídeo a seguir, Armando Almeida, 60 anos, coordenador de Leitura da DLL, fala como se deu a adesão das escolas ao concurso, durante todo esse tempo, e sobre o estímulo à escrita:

O professor Anderson Shon, que participa há dois anos do concurso, estimulando os seus alunos, diz que faz a sensibilização focando na escrita criativa: “Eu sempre trabalhei redação longe de qualquer objetivo de passar no ENEM, de passar em vestibular. Eu sempre foquei em escrita criativa. Quando eu soube do concurso, lá na 2ª edição, para mim, era a ideia de validar os meus conhecimentos e os conhecimentos deles. Porque a gente escrevia, a gente gostava, mas a gente nunca tinha passado por uma avaliação. Na primeira vez que eu participei, tive sete alunos premiados. No ano passado, tive Beatriz Vieira em primeiro lugar. A gente já trabalhava a escrita de uma forma extremamente criativa. Minha ideia de trabalhar a escrita com eles é no conceito de que a escrita é viva. Nas nossas aulas, não existe nada que esteja extremamente errado. Para mim, estimular os alunos, é sempre desafiá-los, mostrar que eles são capazes, criativos e com condições de virarem escritores no futuro”, pontua.

As inscrições para participar do IV Concurso de Escritores Escolares poderão ser feitas até 14 de junho, na sede da FPC, que fica na Avenida Sete de Setembro, Edifício Brasilgás, 4º andar, sala 01, Centro, Salvador-BA, CEP.: 40060-001. Quem não mora na capital, pode fazer a inscrição pelo correio, com Aviso de Recebimento (AR). Dezoito candidatos serão contemplados, com prêmios como notebook, tablet, e-book e kits de 50, 40 ou 30 livros. Para saber mais informações sobre o concurso, acesse o site www.fpc.ba.gov.br. Sucesso! E não esqueça: a leitura te leva para qualquer lugar. Basta você querer!

Texto/Produção: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Edição/Finalização: Keops Maciel

Agradecimentos à equipe da Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon, e a todas as pessoas que participaram desta reportagem.

Como nascem os poetas?

Não existe fórmula. Mas não requer dons especiais, apesar de já ter sido considerado no passado como algo divino.
Uma vez, na aula de português, a professora nos incentivou a escrever um poema. E lembro que um colega que nunca tinha feito um poema, escreveu com muito lirismo, rimando. Eu tinha 12 anos na época e não foi a primeira vez que escrevi alguma coisa sem preocupação com métrica e coisas afins, já que poesia não precisa de tantas técnicas. Mas precisa de inspiração! Que pode vir de uma gama de situações, posturas políticas, emoções e sentimentos, dentre outras motivações.

Você conhece algum poeta? Desses famosos, porém de outro século, temos por exemplo o Castro Alves. Está eternizado numa estátua na praça com seu nome, que também foi dado ao maior teatro de Salvador. Sua cidade natal, Curralinho, hoje em dia também leva seu nome. Ah, e o Dia da Poesia, 14 de março, é a data de seu nascimento.

praça-castro-alves

Fig. 1 – Praça Castro Alves. Foto: Rita Barreto – Setur/Flickr Turismo Bahia (Creative Commons)
Mas quem foi esse baiano revolucionário, que morreu aos 24 anos, em 1871? Poetas podem ser classificados de acordo com seu estilo literário e o “Condoreirismo” (ou Condorismo) foi o movimento marcado por uma poesia de cunho social, que defendia a igualdade de direitos entre todos. Lembre que o “Poeta dos Escravos”, como ficou conhecido, escreveu também poesia lírica, mas foi o poema épico-dramático “O Navio Negreiro”, publicado na obra “Os escravos” (que se tornou o expoente de sua poesia), defendia a abolição da escravatura numa época em que o regime era a Monarquia e havia movimentos em defesa da República.

Voltando às aulas, nem conto quantas vezes tive que escrever redações. Nos concursos, ENEM, vestibular, a gente também tem que saber escrever redação. Mas por que não aprendemos a nos tornar também poetas/poetisas? Mas será que se aprende isso?

O que você acha dos trechos das músicas transcritas abaixo? São poesias também?

Luz do sol – Caetano Veloso

“Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz…”
Admirável gado novo – Zé Ramalho

“Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal”

Pra não dizer que não falei das flores – Geraldo Vandré

“Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão”

Para conhecer projetos que estimulam a poesia em escolas baianas, recomendo que veja o vídeo “Ser Professor – De onde vem…Grandes Ideias?”

como nascem os poetas

Fig. 2 – Alunos participantes  do projeto ” De onde vem…. Grandes ideias?”

Vamos tentar escrever um poema?! Em breve teremos o TAL (Tempo de Artes Literárias) e você poderá inscrever seu poema! Mãos à obra! Assim nascem os poetas!

 

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

O Olhar Digital

Fig1: Binary-World

Fig1: Binary-World

E aí, galera! Será que estamos a sós na internet?

…Pois, em algum lugar,
Há sempre alguém a nos observar com atenção
Mesmo sem a gente saber
Ou sequer perceber, querer
Ou notar,
Diante de alguma tela indiscreta de observação!

Porque somos todos deuses e seus filhos
E independentes de escuridão ou brilhos,
Estamos todos numerados, rastreados,
Cadastrados,
fotografados…”

(trecho da poesia “Olhares Vigilantes do Sisttema” – Patrício Franco)

A poesia de Patrício Franco serve de alerta para as pessoas que utilizam a internet no seu cotidiano, de que “Há sempre alguém a nos observar com atenção, mesmo sem sequer perceber, ou notarpara no mostrar que, a cada link clicado, página acessada e conteúdo compartilhado, sem sequer notarmos, estamos sempre sendo observados. Nenhum dos anúncios e propagandas que aparecem para você são por acaso, todas são com base nos seus conteúdos acessados e é preciso ter muito cuidado e fazer um uso consciente da internet. Há sempre olhos curiosos nos observando a todo momento e tudo com a nossa autorização através de uma assinatura digital conhecida por muitos: “Li e aceito”. Muitas pessoas, simplesmente, ignoram o contrato e o assinam sem sequer ler, dando autorização ao uso indiscriminado de suas fotos, sua localização atual, a ativação da câmera do seu celular, entre outros, isso fica claro no trecho “independente de escuridão ou brilhos, estamos todos numerados, rastreados, cadastrados, fotografados…”

Independentemente da plataforma, seja através de um computador, smartphone ou tablet, basta uma conexão com a internet para cair na “grande teia mundial” e sermos observados a todo instante.

É preciso ler os termos de contrato para saber exatamente com o que estamos lidando. Precisamos ser mais criteriosos com o uso da internet, para mantermos nossas informações seguras.

É isso aí, galera! Todos juntos por uma internet mais segura e consciente.

Acessem também:

Dia Mundial da Internet Segura

Cartilhas da SaferNet

Gabriel Luhan

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Cine PW – A Febre do Rato

 

cinepw

Olá, cinéfilos!

Hoje, iniciaremos a Semana da Poesia aqui no nosso blog. Já pensaram se o cinema pode ser considerado poesia?

Claro que, metaforicamente, teríamos a liberdade de concluir isso, mas podemos ir um pouco mais além. No filme, “A Febre do Rato”, dirigido por Cláudio Assis e lançado em 2012, o cinema e a poesia se mesclam de forma muito interessante. Como exemplo disso, podemos apreciar belos poemas que Zizo, poeta e personagem principal da obra, declama várias vezes durante a película. Isso nos faz pensar que é possível consumir uma determinada arte ainda que ela não esteja na plataforma que lhe foi categorizada, nesse caso, a literatura.

Falando sobre a obra, “A Febre do Rato” é a história de Zizo, um literato que produz seu próprio jornal como trabalho rentável. Inquieto e provocador, o personagem principal passa por diversas realidades em sua cidade, Recife. Seja na relação com inúmeras pessoas ou nos problemas e paradigmas sociais. Zizo é sempre ativo na história ou na situação em que se encontra, e uma das armas que ele usa é a poesia.

Existe uma despreocupação no filme em firmar uma história de início, meio e fim. O foco maior é mostrar Zizo como um personagem que tem um posicionamento político e ideológico e que enfrenta determinadas normas sociais com muita personalidade.

A Febre do Rato” é um belo filme para quem gosta de poesia e cinema. Sua narrativa é bem fluida e leve, fazendo com que o tempo seja algo irrelevante. Uma obra que resgata o sentido reflexivo que toda arte deve ter, em contraponto à avalanche de filmes brasileiros que estão muito mais preocupados em gerar renda.

 

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Poeta e Poetisa, encantos de rimas!

Olá, galera!
Hoje é o Dia do Poeta! Aqui no Brasil, no dia 20 de outubro, celebra-se o Dia Nacional do Poeta! O Dia Mundial da Poesia é comemorado no dia 21 de março. São duas datas distintas, porém o seus objetos de celebração estão imbricados: a primeira data celebra o autor da obra- O Poeta! A segunda, a obra do autor – A Poesia !

Fernando Pessoa: o Poeta definindo o Poeta! Pura poesia!

Imagem: Ana Rita

Imagem: Ana Rita

A poesia é a “arte de escrever em versos”,também considerada uma das sete artes tradicionais. Traz sentimentos, pensamentos e ideias que brotam da sensibilidade do poeta e nos inundam, fazendo-nos transbordar de emoções !

Imagem: Ana Rita

Imagem: Ana Rita

Surpresa! A poesia e o ENEM!

Não deixe que o ENEM seja uma “pedra no seu caminho” de acesso ao ensino superior. Atenção para dica ! Carlos Drummond de Andrade, escritor e poeta, considerado moderno e atual, é o recordista das provas de Linguagem e Códigos do Exame Nacional do Ensino Médio- ENEM, realizado pelo MEC. Desde as primeiras edições , o poeta mineiro de Itabira já “caiu” 16 vezes nas provas do ENEM. Em seguida estão: Manuel Bandeira, Ferreira Gullar e Machado de Assis. Saiba mais, clique AQUI.

Imagem: Ana Rita

Imagem: Ana Rita

Até a próxima!

Ana Rita Medrado
Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

Referências:
http://g1.globo.com/educacao/enem/2013/noticia/2013/06/obra-de-drummond-e-mais-cobrada-na-historia-do-enem.html .
http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2014/07/01/1099918/aprenda-estudar-poesia-enem-2014.html
http://www.smartkids.com.br/datas-comemorativas/20-outubro-dia-do-poeta.html
http://www.calendarr.com/brasil/dia-do-poeta/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Mundial_da_Poesia
http://www.rogilsonbrandao.com.br/2015/10/hoje-terca-feira-20-de-outubro-e-dia-do.html

Luiz Gama, um baiano cheio de ideais

 A breve biografia de Luiz Gama, escrita por Myriam Fraga, em 2005, dentro da coleção “A luta de cada um”, da Biblioteca Afro-Brasileira, da editora Pallas, é um convite saboroso para conhecer um dos homens mais importantes da nossa história, sobretudo quando se fala da luta abolicionista. Filho da quitandeira Luiza Mahin, africana de origem nagô, e de um fidalgo português, Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador, em 21 de junho de 1830.

LuizGama

Foto: Vitor Moreira

Luiza, embora fosse livre, participava ativamente de levante de escravos na cidade e nos arredores. Dentre as rebeliões de que participou, a mais famosa foi a Revolta dos Malês. Os malês eram escravos muçulmanos que não se conformavam com o cativeiro e sempre tentavam fugir para os quilombos. Luiza foi educada na religião do profeta Maomé e não se dobrava facilmente. Contudo, dois anos depois, ao participar da Sabinada, viu-se obrigada a abandonar o filho para livrar-se da sanha dos vencedores. Sendo assim, deixou o pequeno Luiz, de apenas sete anos e meio, os cuidados de um pai que ele pouco conhecia e que não confiava.

Mas o fidalgo era irresponsável e não cuidou bem do menino. Aos dez anos, Luiz Gama caiu numa cilada arquitetada pelo próprio pai. Alegando um passeio de navio e usando o argumento de que o filho nunca tinha visto o transporte, ele atraiu o pequeno Luiz para uma viagem sem volta para o Rio de Janeiro. Na verdade, tinha vendido o menino para pagar dívidas.

Luiz viveu um curto período no Rio e depois foi pra São Paulo. Durante todo esse tempo, carregava a esperança de reencontrar a mãe. Na capital paulista, foi trabalhar na casa do alferes Antonio Pereira Cardoso. Lá, fez de tudo um pouco e viu sua perspectiva de vida mudar. Isso se deu porque conheceu o estudante de direito Antonio Rodrigues do Prado Júnior, que resolveu alfabetizar o jovem de dezessete anos. Luiz Gama tomou gosto pelos estudos e se aprimorava a cada dia. Nesse sentido, a sua criticidade também crescia, como Myriam afirma no seguinte trecho: “À medida que aumentavam seus conhecimentos, mais revoltado ficava com a injustiça da sociedade para com os negros e, consciente de que sua situação como escravo era ilegal, pois a mãe era uma africana liberta, decidiu-se a tentar outro rumo de vida”.

E Luiz, corajoso como a mãe, enfrentou o alferes Cardoso e pediu a própria liberdade. Como justificativa, usou o argumento de que era filho de uma negra livre. O alferes retrucou e Luiz rebateu. Como a conversa não deu em nada, ele resolveu fugir.

Depois de muita luta e de algumas prisões, conseguiu atuar como rábula (advogado sem formação acadêmica) e os seus ideais abolicionistas ficaram ainda mais fortes. Em 1857, estreou na literatura com o livro Primeiras trovas burlescas de Getulino e passou a ser mais aceito socialmente. Exerceu também atividade de jornalista e fundou vários periódicos, como o Diabo Coxo, primeiro jornal dedicado à sátira no Brasil. Casou-se com Claudina Fortunato Sampaio, com quem teve o filho Benedito Graco Pinto da Gama. Faleceu de diabetes, em São Paulo, no dia 24 de agosto de 1888. Depois de cinco anos e nove meses de sua morte, a princesa Isabel assinaria a Lei Áurea, que declarava a escravidão extinta no Brasil.

 Sobre a autora

Myriam Fraga é escritora, poetisa, jornalista e biógrafa. Integra a Academia de Letras da Bahia e o Conselho de Cultura do Estado. É diretora da Fundação Casa de Jorge Amado desde o ano em que foi criada, 1986.

Referência: FRAGA, Myriam. Luiz Gama. São Paulo: Pallas, 2005, 56p. (Coleção A Luta de Cada Um).

Radiola PW: Zumbi

Olá colegas, tudo bem? Hoje, vamos iniciar mais uma semana do mês da consciência negra com música. Para isso, escolhemos uma canção que possui uma representatividade bastante relevante quanto ao contexto dessa época. A música dessa semana é “Zumbi”, escrita por Jorge Ben Jor, e apresentada pela primeira vez no álbum “A tábua de esmeralda” de 1972.

Confira a letra:

ZUMBI
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há
Uma princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados num carro de boi
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Dum lado cana de açúcar
Do outro lado o cafezal
Ao centro senhores sentados
Vendo a colheita do algodão tão branco
Sendo colhidos por mãos negras
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
È senhor das demandas
Quando Zumbi chega e Zumbi
É quem manda
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver

A letra retrata o contexto histórico de uma época triste: o colonialismo e seu sistema escravagista, em que negros, oriundos da África, foram levados à força para um continente do qual eles não tinham nenhum conhecimento, para serem escravizados. Também é descrito na canção os lugares onde se concentravam esse comércio de escravos e como eles eram submetidos a uma classe dominante. Diante de trechos como: “…ao centro senhores sentados, vendo a colheita do algodão branco, sendo colhidos por mãos negras…”, se observa como o negro era subjugado ao poder centralizador do branco. Posteriormente, há um sentido de esperança, quando o autor fala que Zumbi está por vir, personagem que é colocado como senhor das guerras e das demandas, mostrando a força que lhe é característica. O verso “Eu quero ver quando Zumbi chegar” é repetido várias vezes durante a música, dando a ideia de que há alguém que pode romper com aquela estrutura social e confrontar as matrizes que delineavam a política da colônia. Assim, como diz na música, Zumbi representa exatamente um marco na ruptura contra um sistema injusto e cruel. Por isso, o dia 20 de novembro, data de sua morte, marca o dia da Consciência Negra.

Até o próximo Radiola PW!