About Guel Pinna

Mestre em Educação (UFBA) Licenciada em Ciências Biológicas (UFRPE)

Raça Humana?

Qual a sua cor ou raça?

Essa pergunta faz parte do Censo, dos questionários para acesso às universidades e pode ser motivo de controvérsias e até mesmo dúvidas. O Censo 2010 detectou mudanças na composição da cor ou raça declarada no Brasil, visto que “dos 191 milhões de brasileiros, 91 milhões se classificaram como brancos, 15 milhões como pretos, 82 milhões como pardos, 2 milhões como amarelos e 817 mil como indígenas. Registrou-se uma redução da proporção de brancos, que em 2000 era 53,7% e em 2010 passou para 47,7%, e um crescimento de pretos (de 6,2% para 7,6%) e pardos (de 38,5% para 43,1%). Sendo assim, a população preta e parda passou a ser considerada maioria no Brasil (50,7%).”

Mas houve mesmo um aumento numérico na população autodeclarada parda e preta ou pessoas que se declaravam brancas passaram a não se reconhecer neste grupo?

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Fig. 1 – Tipos humanos. Fonte: Wikipedia

Observe a letra da música Mistura de Raças, um forró de autoria de Pinto do Acordeon e gravado por Genival Lacerda:

“Meu avô é holandês

Minha avó é africana

O meu pai é português

E a minha mãe baiana

Eu nasci na Paraíba

No recanto brasileiro

Onde as praias são bonitas

Onde o sol nasce primeiro

Tenho um parente inglês

Japonês, italiano

Tem um primo que é francês

O outro é índio alagoano

Sou mulato, sarará

Mais meu sangue é de primeira

É a mistura de raça

Da genética brasileira

O meu sangue viajou, navegou pelos mares

Foi parar no quilombo em zumbi dos palmares

O meu sangue viajou, navegou pelos mares”

O que há de verdade e de mito nessa letra? Que informações ela traz que podem ser exploradas em sala de aula? O será que se pensa sobre os termos “sarará” e “mulato”?

Foi parar no quilombo em Zumbi dos Palmares
O meu sangue viajou, navegou pelos mares

Agora que você fez uma reflexão sobre a música, vamos abordar o termo raça do ponto de vista “acadêmico”.

Fig. 1 – Tipos humanos.

Mas o que é mesmo raça?

A palavra raça apresenta múltiplas definições e pode ser definida como: “forma de estratificação social;  categoria social relacionada à classe; população que se distingue de outras pela freqüência com que herda traços físicos geneticamente; determinados grupo de pessoas classificadas em conjunto tendo por base uma história comum, nacionalidade ou distribuição geográfica; populações mais ou menos isoladas que diferem uma das outras pela freqüência de suas características hereditárias”, dentre outros aspectos.

Segundo Cavalli-Sforza (2003) raça é um termo que não possui o mesmo significado para todas as pessoas e sua definição pode depender dos motivos pelo qual é usada. “Qualquer classificação racial é arbitrária, imperfeita e difícil. Baseado em todas as  evidências disponíveis, não existem diferentes raças humanas do ponto de vista biológico”, e o mais fundamental aspecto biológico das raças está naquilo que as une e não naquilo que as separa.

Mas de onde vem essa ideologia de raças diferentes baseadas em aspectos físicos?

O  poligenismo, segundo a qual o Homo Sapiens tinha se originado de diferentes populações primitivas em várias partes do mundo foi bastante aceito até os anos 80 do século XX. Assim, os “ancestrais dos europeus teriam evoluído do homem de Neanderthal, os asiáticos do Homem de Pequim e assim por diante. Isso sugeria diferenças profundas entre as raças e, para alguns, uma hierarquia entre elas – talvez nem todas tivessem evoluído ao mesmo tempo e no mesmo ritmo. A partir de estudos genéticos e populacionais na década de 90 do século XX, foi possível mostrar que a espécie humana ao contrário do que se pensava, tem um antepassado comum que viveu na África há 144.000 anos.”

            As diferenças físicas (cor da pele, tipo de cabelo, etc) que deram origem à designação de raças, nada mais são que mudanças adaptativas as quais tem pouco a ver com a real distância genética entre as populações. Portanto, para a ciência, o conceito biológico de raças não se justifica. Somos todos humanos e nossas diferenças culturais, físicas, geográficas, econômicas, lingüísticas e religiosas não deveriam motivo para preconceito e discriminação. Somos iguais! Temos os mesmo direitos perante a nossa Constituição. Mas vale a pena discutir até que ponto essa igualdade se reflete no acesso a educação, à saúde, à políticas publicas, ao trabalho, dentre outras coisas.

Não apenas no Novembro Negro, mas em todo o currículo escolar, se faz necessário difundir o conhecimento, fomentar a reflexão e a discussão sobre os pré e pós conceitos que infelizmente ainda permeiam nosso contexto de vida.

Guel Pinna

Professora da Rede Estadual de Ensino

Referências bibliográficas

Gabriela Lamarca & Mario Vettore. A nova composição racial brasileira segundo o Censo 2010. Disponível em : http://dssbr.org/site/2012/01/a-nova-composicao-racial-brasileira-segundo-o-censo-2010/

Cristina M. M. Fortuna & Maria Betânia P. Toralles.  A Aplicação e o Conceito de Raça em Saúde Pública: Definições, Controvérsias e Sugestões para Uniformizar sua Utilização nas Pesquisas Biomédicas e na Prática Clínica . Disponível em: http://www.gmbahia.ufba.br/index.php/gmbahia/article/viewFile/355/344

S O Y Keita, R A Kittles et all. Conceptualizing human variation. Disponível em: http://www.nature.com/ng/journal/v36/n11s/full/ng1455.html

Norton Godoy. Somos todos um. Disponível em: http://labs.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/humevol/templeton

Setembro Amarelo: vamos falar abertamente!

Hoje vamos falar de assunto complexo, considerado tabu, mas muito importante: o suicídio. Também vamos refletir juntos as ações preventivas do Setembro Amarelo e o bullying nas escolas.

Segundo pesquisa da UNICAMP, “17%dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida, e desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Na maioria das vezes, no entanto, é possível evitar que esses pensamentos suicidas virem realidade.”

Fig. 1 – Cartaz da campanha Setembro Amarelo. Fonte: http://www.cvv.org.br

Relatório Mundial sobre Violência e Saúde revelou que dentre os atos de violência que mais matam no mundo,  o suicídio é o primeiro colocado, à frente dos acidentes de trânsito, os homicídios  e os conflitos armados.

O Setembro amarelo é uma campanha que foi lançada no Brasil em 2014, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV)Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Seu objetivo é alertar a população sobre a realidade do suicídio e suas formas de prevenção. Vale ressaltar que o CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo pelo telefone 144 ou 3322-4111 para Salvador. Também pode ser feito contato por  e-mail, chat e Skype , 24 horas por dia.

Fig. 2 – Mapa do suicídio no Brasil. Fonte: Editora de Arte/Folhapress

A primeira medida preventiva é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já aconteceu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde hoje 32 pessoas por dia tiram a própria vida. Por isso, é essencial deixar os preconceitos de lado e conferir alguns dados básicos sobre o assunto.

Fig. 3 – Cartilha sobre Bullying. Fonte: Conselho Nacional de Justiça

Os motivos que levam uma pessoa a um ato tão brutal são variados, mas ultimamente temos também notícias de jovens que não suportaram as humilhações sofridas na escola. São coisas chocantes, mas que também precisam ser discutidas e prevenidas.

Na cartilha “Falando sobre o suicídio”  encontramos 14 perguntas sobre o suicídio e umas delas é: “O SUICÍDIO PODE SER PREVENIDO? Sim. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. No Brasil, o CVV – rede voluntária de prevenção – atua nesse sentido há mais de 50 anos. Recentemente, foi iniciado um movimento de políticas públicas para traçar planos integrados de prevenção.”

Uma importante pesquisa sobre o bullying   buscou identificar e descrever a ocorrência do bullying, episódios de humilhação ou provocação perpetrados pelos colegas da escola. Foi realizada com estudantes do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais dos estados brasileiros e do Distrito Federal. Abrangendo  60.973 escolares de 1.453 escolas públicas e privadas, a pesquisa revelou que cerca de 32 % da amostra sofreu bullying, sendo que 5.4% frequentemente e 25,4% às vezes. O resultado aponta para a  “urgente necessidade de ações intersetoriais a partir de políticas e práticas educativas que efetivem redução e prevenção da ocorrência do bullying nas escolas.”

O Projeto de Lei 3015/11 instituiu 7 de baril como o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola.  A data foi escolhida de acordo com o conhecido Massacre de Realengo, onde o jovem W.M.O, de  23 anos invadiu a escola e disparou  os alunos presentes, matando doze deles (com idade entre 13 e 16 anos) e deixando mais treze feridos. Interceptado por policiais,  ele cometeu suicídio e na carta que deixou dizia que era vítima de bullying.

Na escola, onde cabem todas as discussões e todas as possibilidades de abordagem pedagógica, sugerimos o vídeo interdisciplinar sobre bullying “Respeito é bom e eu gosto! Também sugerimos ampliar a discussão para o ciberbullying, tão comum nas redes sociais e aplicativos de comunicação.

Fig. 4 – Vídeo da série Cotidiano. Fonte: Rede Anísio Teixeira

A música “8º andar”, da Clarice Falcão (que trata com humor da temática)  e o documentário  “Elena“, da Petra Costa, (sobre o suicídio da irmã da cineasta) podem contribuir muito para a discussão. Fiquem à vontade para dar asas à criatividade e buscar formas interdisciplinares de sensibilizar a comunidade escolar para o Setembro Amarelo.

Mãos à obra!

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual da Bahia

 

Links  recomendados

 

https://oprofessorweb.wordpress.com/2012/07/25/cine-pw-bullying

https://oprofessorweb.wordpress.com/2012/02/13/semana-da-internet-segura-cyberbullying

https://oprofessorweb.wordpress.com/2011/04/14/bullying-e-tema-de-cartilha-lancada-pelo-tribunal-de-justica-da-bahia

Família, cultura e diversidade

Vem aí o ENEM e a gente aqui do blog está na torcida para que você faça boas provas! Mas só nossa torcida não é suficiente! Você precisa mesmo se preparar! A temida prova de redação, por exemplo, não é um bicho de sete cabeças! Apesar de não existirem fórmulas, ler bastante, manter-se informado e atualizado é fundamental para poder ter argumentos sólidos.

No exame de 2015 o tema foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Note que é um tema amplo, assim como foi o de 2014 :””Publicidade infantil em questão no Brasil”. Nós não sabemos o que vai “cair” neste ano, mas podemos pensar em maneiras de “linkar” ideias entre a pluralidade cultural e a Biologia.

Em 2007   se falou de ” O desafio de se conviver com as diferenças”. Esses temas são acompanhados de 2 a 3 textos de apoio, que servem para orientar sua argumentação/dissertação. Utilize esses textos para fundamentar sua “tese”. Lembre que é necessário desenvolver seu texto em três etapas que se articulam: introdução, desenvolvimento e conclusão. E a coesão e coerência não podem ficar de fora.

E se o tema relacionasse família, cultura e diversidade, como você se sairia? A primeira coisa a se pensar são os conceitos embutidos no tema. Primeiramente, o que é família? É importante partir de um referencial e reunir o máximo de  informações. A ideia de homem e mulher se unindo no casamento para gerar descendentes ainda persiste, mas não é o único tipo de família na contemporaneidade. O Brasil, por exemplo,  legitimou a união estável (que pode ser convertida em casamento) entre pessoas do mesmo sexo a partir de 5 de maio de 2011 no julgamento conjunto da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 4277.

Fig.1 - Mapa dos direitos ao casamento entre homossexuais. Fonte: Max Fisher/Washington Post

Fig.1 – Mapa dos direitos ao casamento entre homossexuais. Fonte: Max Fisher/Washington Post

A homossexualidade é considerada crime em 76 países, a maioria deles localizados na África e no Médio Oriente, bem como nas Caraíbas e no Sudeste asiático, podendo ser punida com a morte em países islâmicos. Além do Brasil, o casamento homo afetivo é legal em mais 13 países: França, Espanha, Portugal, Suécia, Noruega, Islândia, Bélgica, Países Baixos, Nova Zelândia, Canadá, África do Sul, Argentina e Uruguai.

Nenhum brasileiro deveria ser discriminado por identidade de gênero ou orientação sexual, no entanto, na prática, o preconceito existe. E a família é a responsável primordial para educar seus filhos para o respeito à diversidade.

Fig. 2 - Tipos de família. Fonte: Wikipedia

Fig. 2 – Tipos de família. Fonte: Wikipedia

Os aspectos históricos da formação da família podem ser citados com base no patriarcado. Mas não podemos esquecer do modelo matriarcal, onde  algumas culturas conferem às mulheres a liderança da família e a transmissão de bens. Também poderíamos falar da herança genética como fator de diferenciação das  espécies e formação de etnias.

Como está demonstrado na figura acima, existem muitos tipo de arranjos familiares. Para   Petzold (1996) (apud Faco e Melchiori)  “o modelo nuclear de família composto por pai, mãe e seus filhos biológicos não é suficiente para a compreensão da nova realidade familiar que incorpora, também, outras pessoas ligadas pela afinidade e pela rede de relações”. O autor cita catorze variáveis para os tipos de relações familiares (tais como casais casados ou não;  com ou sem crianças; filhos biológicos ou adotivos; genitores morando juntos ou separados; relação heterossexual ou homossexual; cultura igual ou diferente) que combinadas, oferecem 196 tipos diferentes de família. São muitos os tipos de família, não é? Portanto, é preciso navegar pelo conhecimento e abranger de forma coerente os muitos aspectos que um tema pode apresentar!

Que tal assistir ao vídeo “Diversidade Sexual“?

Até mais!

Guel Pinna

Professora  da Rede de Ensino da Bahia

 

Você já pensou em ser cientista?

Ainda tem quem ache que o cientista é um ser louco, de jaleco branco, rodeado de vidros num laboratório, explodindo as coisas até.  Também há quem pense que é uma carreira glamourosa, só pra quem estudou muito. Na verdade estudar pouco não leva ninguém a lugar nenhum, mas a  Ciência não é um bicho de sete cabeças…

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Fig. 1 – Caricatura de Einsten, de Marina Braga.

Atualmente existem programas que incentivam o desenvolvimento e popularização das ciências e aqui na Bahia, você já deve ter tido contato com o Ciência na Escola, não é?  Mas quando falemos de pesquisa, existem muitas coisas envolvidas. Recurso é uma delas. Para isso existem agencias de fomento, ligadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia e às respectivas secretarias estaduais.  Elas fornecem apoio financeiro para pesquisadores e cientistas brasileiros por meio de bolsas de estudo e editais. Entre as fundações de Amparo à Pesquisa estão o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e  Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Só que a CAPES é ligada ao Ministério da Educação (MEC), que dentre outras ações também avalia o ensino superior no Brasil.

Mas é muita coisa e muita sigla junta, não é? É porque educação e pesquisa estão intimamente ligados. No entanto, no nível básico da educação ainda precisamos avançar muito, popularizando as ciências. E como são os cientistas? Ora, são pessoas assim como eu e você! Professores, estudantes, gente de todas as profissões!14068343_1316036491747431_3093812957867747766_oFig. 2 – Professora Mison Costa, pesquisadora do IFBAIANO e o  diretor de Inovação da Fapesb, Dr. Lázaro Cunha. Fonte: Guel Pinna

Só para vocês terem uma ideia, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FABESB), nossa agência estadual de fomento, tem apenas 15 aninhos de existência! Jovem, não é? E no dia 26 de agosto, estivemos presentes na celebração deste momento tão importante! A programação levou o dia todo e teve palestra, mesas de debate e entrega do Prêmio Roberto Santos de Mérito Científico. E ele, Roberto Santos, estava lá, dentre outras personalidades do meio acadêmico e científico.

O evento foi muito interessante e  destacamos o case apresentado pela da diretora da Sinergia Games, Cristhyane Ribeiro.

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Fig. 3 – Cristhyane Ribeiro. Fonte: Ascom Fapesb

A finalidade desses jogos é “unir entretenimento com a promoção de experiências de desenvolvimento pessoal aos usuários.” Eles se  “utilizam de linguagem pertinente ao universo do público jovem e adolescente e game play semelhante aos de jogos populares das redes sociais.”

Numa cidade como a nossa, onde as tradições culturais africanas são tão presentes, ficamos encantados com os projetos desenvolvidos pela equipe da Sineragia, especialmente o jogo Histórias da Terra,  que conta as Lendas de Origem presentes na mitologia das Religiões de Matriz Africana. Mas são muitas opções, incluindo Histórias em Quadrinhos e RPG!!

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Fig. 4 – Projetos desenvolvidos pela Sinergia Games

Percebeu como a ciência, a tecnologia e a educação se entrelaçam? E é claro que esse encontro serviu também para conversarmos sobre nosso Ambiente Educacional Web, que você sabe que tem também muito material bacana para se aprender! Então, veja o vídeo ” “Se plantando…tudo dá certo!”da série Cotidiano, que entre outras coisas mostra os estudantes realizando um projeto científico para a escola e contando com o apoio dos professores e gestores! Não é difícil!  Inspirem-se! E vamos fazer da nossa escola um lugar de mais pesquisa também!

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Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Escola viva

Que tal fazermos o exercício de pensar cada escola como um organismo, tipo o conceito que aprendemos nas aulas de Ciências? Mas vamos fazer isso a partir de um poema, combinado?

Escola viva

A escola é viva?

Ela respira, transpira, inspira,  excreta?
Ela se nutre, demanda energia?
De que forma? Com que meios?
Ela se reproduz, produz, cerceia?
Escasseia, esperneia, executa?
Ela é sinônimo de avanço? De luta?

Fig 1. Homem vitruviano. Leonardo da Vincci

Labuta, acorda, adormece
Empobrece, enriquece, esquece…
Ela reage, interage, disciplina?
Ou ela se esquiva, se esvai e discrimina?

Ela mantém a homeostase?
É laica, é ímpar?
Ou ela é arcaica, tradicional e simplista?
A escola é viva?
É núcleo, é sítio, é plasma?
É recreio, intervalo e adrenalina?

E o que somos? Célula?
Ser, cidadão ou o tijolo da construção?

Juntos somos saberes, sabidos e aprendentes

E essa engrenagem em plena harmonia
Funciona e fomenta

O conhecimento, o discernimento

E o cimento da democracia…

Creio que já temos elementos suficientes pra pensarmos sobre esse organismo que nos abriga. Anos e anos a fio. Lá temos uma coisa que muitas vezes nem nos damos conta: a oportunidade! A oportunidade de conhecer, explorar, reconhecer, compreender e, acima de tudo, transformar.
A escola é poder! A educação é um meio eficaz de mobilidade social, de revolução e de intervenção! Mas, você, estudante, professor, gestor e funcionário, como se sente dentro desse organismo vivo, pulsante e real?

Conheça os episódios da série “Minha Escola, meu lugar” e saiba mais sobre os projetos desenvolvidos em escolas públicas baianas

 

 

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Educação não é privilégio! É direito!

Há algumas instituições que levam o nome de um grande filósofo e educador baiano nascido em 1900. Na sua cidade natal, Caetité é feriado dia 12 de julho. Vou te dar umas dicas pra ver se você acerta quem ele é!

O contexto histórico e os momentos mais significativos da trajetória dele em prol da educação brasileira ocorreram entre os anos de 1924 e 1964. Foi um período de profundas  transformações sociais, na ciência, na economia, na política, na educação, na moral e nos costumes. Ocorreram grandes mudanças, gerando inquietações e luta pela emancipação econômica e cultural do país. Buscavam-se as raízes da identidade e cultura brasileiras, “manifestadas através de todo um conjunto de esforços empreendidos para a superação dos problemas econômicos, educacionais e sanitários que afetavam a população de um vasto território, através de um projeto de transição para a modernidade que fosse capaz de promover a democracia social, de romper com a dependência econômica e cultural externa e de reconstruir a sociedade brasileira através da educação.” (SCHIMID, 2016)

Demerval Saviani tem uma síntese bem interessante sobre  ele:

“Educador progressista; discípulo de Dewey; admirador da cultura e educação americanas estava atento às condições brasileiras e não transplantava, simplesmente, o sistema americano e não encarava de forma romântica os princípios da educação renovada disseminadas pelo movimento conhecido por ‘escolanovismo’ (SAVIANI, 2002, p. 2).

Ele, que na adolescência pensou em seguir a vida religiosa, se formou em Direito em 1922 e revolucionou a educação nos anos 30 no Brasil. Mesmo na adversidade, pois se dependesse de seu pai, um abastado médico, fazendeiro e político, o rapaz franzino seguiria carreira político-partidária. Mas ele escolheu ir para uma área sem glamour e com poucas perspectivas de atividade profissional . Até hoje a educação tem pouco reconhecimento social e não conta com o status que deveria ter, não é mesmo?

Ele foi amigo de Monteiro Lobato e Fernando de Azevedo,  participando ativamente do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova  em defesa do ensino público, gratuito, laico e obrigatório. Foi um dos precursores da Escola Nova no Brasil, cujo foco era o desenvolvimento do intelecto e a capacidade de julgamento em detrimento da memorização.

Quando recebeu um convite para ser  Inspetor-Geral do Ensino na Bahia, um cargo que equivale hoje ao de Secretário da Educação, ele tinha apenas 24 anos! E foi aí que ele se envolveu de forma intensa e definitiva com a educação. Viajou pela Europa em 1925 para  observar os sistemas de ensino da Espanha, Bélgica, Itália e França. Também foi duas vezes aos Estados Unidos entre 1927 e 1929. O modelo da escola progressiva americana  era tido na época como altamente inovador e tinha por alicerce a teoria educacional de base científica e experimental do filósofo pragmatista  John Dewey, que o influenciou bastante. De volta ao Brasil, foi nomeado diretor de Instrução Pública do Rio de Janeiro, onde criou entre 1931 e 1935 uma rede municipal de ensino que ia da escola primária à universidade.

Ele ocupou vários cargos políticos, propôs uma reforma educacional e fundou  de escolas a universidades. Aqui em Salvador, fundou em 1950 o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, a famosa  Escola Parque. Implantou a educação em tempo integral, algo que ainda não se estabeleceu totalmente, mas serviu de modelo para os CIAC’s (Centros Integrados de Atendimento à Criança) e CIEP’s (Centros Integrados de Educação Pública) atuais.

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Fig 1. Escola Parque de Salvador, em 1950: projeto  piloto de ensino integral. Fonte: Wikipedia.

Foi perseguido pela Ditadura Vargas, acusado de ser comunista. Sua atuação no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, valorizava a pesquisa educacional, sendo considerada tão significativa quanto a Semana da Arte Moderna ou a fundação da Universidade de São Paulo. Morreu de forma misteriosa, caindo no fosso do elevador de seu prédio no Rio de Janeiro. Tinha 71 anos…

A essas alturas você já sabe de quem estamos falando?

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Fig 2. Anísio Teixeira. Fonte: Wikipedia

Anísio Teixeira foi um missionário da educação! E seu pensamento, mesmo nos dias de hoje ainda é revolucionário. Pense nos desvios de dinheiro público e no sucateamento das escolas públicas na atualidade…. Agora leia o que ele disse no passado: “Choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para educação, dispensados em subvenções de toda natureza a atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente paternalistas ou francamente eleitoreiras”. É claro que ele incomodou muita gente, desde a sociedade tradicional e oligárquica do Brasil até a igreja católica, que nos anos 50 exercia pressão sobre o governo. Afinal, ele era “contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância. “

Ele acreditava na utopia “que não aceita seres humilhados, diminuídos, amputados. A pedagogia mais próxima da utopia é a que coloca à disposição do ser humano toda a cultura humana.” (TEIXEIRA apud NUNES, 2001, p.15) Percebia a escola enquanto espaço democrático, capaz de promover “uma educação em mudança permanente, em permanente reconstrução”.  Para ele a escola deveria ser como uma réplica e miniatura da sociedade democrática, capaz de produzir indivíduos orientados para a democracia, e não para a dominação ou subordinação; para a cooperação, em vez da competição; para a igualdade, e não para a diferença. “A escola tem de se fazer prática e ativa, e não passiva e expositiva, formadora e não formalista. Não será a instituição decorativa pretensamente destinada à ilustração dos seus alunos, mas a casa que ensine a ganhar a vida e a participar inteligente e adequadamente da sociedade.” (TEIXEIRA, 1953)

E ele realizou  mudanças e conduziu uma grande reforma educacional a partir dos anos 30. Defendia uma escola para todos. Com espaços escolares modernos, com laboratórios, bibliotecas, espaços de lazer, com uma carga horária integral e uma formação abrangente para a vida. Também  defendia a pesquisa e melhores condições de trabalho para os professores. O papel político e social da escola era bastante destacado em seu pensamento. E essa escola nova precisava acompanhar as mudanças dessa sociedade em constante mutação. Assim, ele afirmou que : “Dada a extensão e a desigualdade de ritmo das mudanças que sofre a nossa sociedade, a escola deverá ser flexível e adaptável, a fim de poder tomar conhecimento de todos os aspectos dessas mudanças e de obter o maior grau possível de consciência – condição primária para a integração e coesão sociais.” (TEIXEIRA, 1952)

A importância da obra e ações de Anísio Teixeira são imensuráveis! Sugerimos que leia seus escritos, conheça seu pensamento revolucionário. Estão todos disponíveis na Biblioteca Virtual Anísio Teixeira.

Quer um cordelito sobre ele e também sobre a Rede Anísio Teixeira? Vou só colocar umas estrofes pra você conhecer!

O senhor Anísio Teixeira
Cabra retado vou te contar
Nascido em Caetité
A educação quis transformar
Professor, doutor e jurista
Sem ter fama de artista
Na Bahia fez seu lugar

 Para saber mais, recomendamos os seguintes vídeos:

Fig. 3 Instituto de Educação Anísio Teixeira – Caetité

Escola Parque – Caixa D’Água http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3818
Anísio Teixeira: educação não é privilégio http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/2830
Educadores – Anísio Teixeira http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/3968

E para acessar na integra os textos que consultamos é só se ligar na bibliografia!

Anísio Teixeira. Notas sobre a educação e a unidade nacional. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v.18, n.47, jul./dez. 1952. p.33-49.

Anísio Teixeira. Romper com a simulação e a ineficiência do nosso ensino. Formação. Rio de Janeiro, v.16, n.176, 1953. p.11-16.”Romper com a simulação e a influência do nosso ensino”¨

Clarice Nunes. Anísio Teixeira: a poesia da ação. In: Revista Brasileira de Educação. São Paulo: Ed. Autores Associados, nº 16, jan., fev., mar., abr. 2001,

Demerval Saviani. Sobre a atualidade de Anísio Teixeira. In: SMOLKA, Ana Luiza Bustamante e MENEZES, Maria Cristina (orgs.). Anísio Teixeira – 1900- 2000: provocações em educação. Campinas-SP: Ed. Autores Associados, 2000.

Ireneu Aloisio Schmid. ANÍSIO TEIXEIRA E SUA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO Disponível em: http://revistas.fw.uri.br/index.php/revistadech/article/viewFile/253/464.Acesso em: 06 jul 2016.

Lucita Brisa. Anísio Teixeira. Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/anisio-teixeira-306977.shtml. Acesso em: 06 jul 2016.

 

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Sobre hortas e hábitos 

Houve um tempo em que a alimentação da população era muito rica em vegetais e era comum ter horta e pomar em casa. Hoje em dia, com as facilidades da vida moderna, diminuição dos espaços para moradia e migração para os grandes centos urbanos, dentre outros fatores,  esse panorama mudou muito!

Fig. 1 – Dia de feira. Fonte: Rede Anísio Teixeira

As feiras livres ainda existem, mas é no supermercado que encontramos de tudo! E lá existe um ambiente com frutas e verduras frescas, mas a variedade e disponibilidade de alimentos congelados e industrializados é extremamente maior. Nem os bebês escapam dos terríveis “potinhos” que podem durar anos nas prateleiras até chegarem ao dia do consumo. Uma simples sopinha, um suco de frutas ou um molho de tomate deixaram de ser caseiros na maioria das mesas brasileiras e foram substituídos pelos alimentos processados.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstrou que a população brasileira está preferindo alimentos mais gordurosos na hora de se alimentar. Não é à toa que problemas de saúde que eram comuns em indivíduos mais velhos, como o colesterol alto e consequentemente problemas cardíacos (por conta de anos e anos de alimentação equivocada), são cada vez mais comuns em crianças e jovens. Afinal, os  fast food também tem seu espaço no pouco tempo que sobra para a uma alimentação consciente.

Ouvi o relato de uma professora do ensino fundamental de uma escolinha particular sobre um de seus alunos que acompanhou o crescimento de cenouras na pequena horta escolar. No dia da colheita, ele ficou abismada com a saída da cenoura do solo! “Eca, não podemos comer coisas que caem no chão! Essa cenoura saiu do chão!”  Uma outra professora levou seus alunos ao zoológico e um aluno disse que via uma galinha viva pela primeira vez! Ficou muito triste ao saber que comia animais tão fofinhos como aquele! Esse episódio fez a professora pensar em que seria importante discutir em sala de aula sobre a origem dos alimentos.

Em tempos de babá eletrônica, com as crianças brasileiras passando em media 5 horas na frente da TV, podemos imaginar o quanto elas são influenciadas pela programação e também pelos comerciais.

 

Fig.2 –Se plantando… Tudo dá certo! Fonte: Rede Anísio Teixeira

E a escola? A escola não pode tudo, mas certamente que pode muita coisa! Você sabe, por exemplo, quais as preferências alimentares de seus colegas e professores? Não seria um bom tema para pesquisar, aprofundar e discutir? Então, não fique só na leitura deste texto! Proponha esse tema para seus professores! E se você é professor, pense em incluir essa temática dentro do seu currículo! Não é preciso ser da área de Ciências para isso!

Ah, e a gente começou falando de horta! Nossa, como é importante uma horta escolar para diferentes formas de aprendizagem! E não é preciso de muita coisa para implantar uma horta da escola! Veja no vídeo abaixo umas dicas legais! E também pode ser na sua casa, no seu apartamento! Basta querer!

Para ficar mais atualizado sobre essa temática, recomendamos estes vídeos:

 

Fig. 3 –  O que vai ser pra comer?

Fig. 4- Meio Ambiente por Inteiro – Hortas Caseiras – http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4712

Fig. 5 -Meio Ambiente por Inteiro – Poder das frutas – http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4749

E se você colocar em prática qualquer atividade legal em sua escola, manda pra gente! Teremos prazer em publicar seu relato!

Até breve!

 

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia