Cidadania e Meio Ambiente – Parte 2

Contaminação do solo do recôncavo baiano pelo uso de agrotóxicos na agricultura


O uso indiscriminado de produtos químicos, ao mesmo tempo que permite o desenvolvimento de uma diversidade de culturas agrícolas, traz como consequência o aumento da resistência das pragas e a contaminação do solo e de lençóis freáticos e rios.

O Recôncavo Baiano apresenta uma diversidade de culturas agrícolas e uso intensificado de fertilizantes e agrotóxicos, principalmente nas lavouras de fumo, mandioca, laranja, entre outras, tem aumentado a concentração de nitratos , fosfatos e outros resíduos químicos, provocando um desequilíbrio no ciclo da matéria orgânica, assim como alterações na microflora do solo. Outras consequências, como o favorecimento do processo de lixiviação e a contaminação de mananciais próximos de lavouras são objetos de estudos de órgãos governamentais como a ANVISA ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Medidas como o uso correto, o controle das aplicações dos agrotóxicos e fertilizantes e a fiscalização para impedir o uso de produtos proibidos na agricultura (o Brasil consome 14 agrotóxicos proibidos no mundo, reconhecidos como cancerígenos) podem diminuir os impactos ambientais e os casos de intoxicação (veja o quadro a seguir)

Quadro: Sintomas de intoxicação por agrotóxicos.

Classificação

Sintomas da intoxicação aguda

Sintomas da intoxicação crônica

INSETICIDAS

Fraqueza, cólica abdominal, vômito, espasmos musculares, convulsão, náusea, contrações musculares involuntárias, irritação das conjuntivas, espirros, excitação.

Efeitos neurológicos retardados, alterações cromossomais, dermatites de contato, arritmias cardíacas, lesões renais, neuropatias periféricas, alergias, asma brônquica, irritação das mucosas, hipersensibilidade.

FUNGICIDAS

Tonteira, vômito, tremores musculares, dor de cabeça, dificuldade respiratória, hipertermia, convulsão.

Alergias respiratórias, dermatites, doença de Parkinson, cânceres, teratogênese, cloroacnes.

HERBICIDAS

Perda de apetite, enjoo, vômito, fasciculação muscular, sangramento nasal, fraqueza, desmaio, conjuntivites.

Indução da produção de enzimas hepáticas, cânceres, teratogênese, lesões hepáticas, dermatites de contato, fibrose pulmonar.

Fonte: Peres e Moreira, 2003

Para mais informações veja a Cartilha da ANVISA diponível no AEW em:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4024

Contaminação do rio Subaé em Santo Amaro por Metais Pesados

Aempresa COBRAS, subsidiária de uma empresa francesa, instalou-se na cidade de Santo Amaro em 1959, localizada aproximadamente a 300 metros do rio Subaé que corta toda a cidade. O objetivo era a extração do minério de chumbo que contém altas concentrações de outros metais pesados como o cádmio, arsênico, zinco, entre outros. Todos estes metais não interessavam a empresa e foram disponibilizados em contato direto com o solo do pátio de fundição. Como alternativa, toda essa escória rica em metais pesados foi usada até como pavimentação das ruas da cidade durante as décadas de 1960 e 1970.

Durante quase 40 anos, quatro milhões de toneladas de escória da metalúrgica contaminaram o meio ambiente e as pessoas, principalmente pelo chumbo e o cádmio. Essa é considerada a maior contaminação do mundo por metais pesados. Esses metais pesados podem causar doenças como o saturnismo, demência, câncer, infetilidade, má formação de fetos e problemas respiratórios.

Decorridos mais de 16 anos do fechamento da metalúrgica, os resultados apontam para uma persistência nos níveis de contaminação no solo por chumbo e um pequeno decréscimo para o cádmio.

Várias pesquisas forma feitas por universidades e organizações da área de saúde. Acesse alguns artigos de pesquisas sobre essa contaminação em Santo Amaro através dos links a seguir:

1) http://www.meau.ufba.br/site/publicacoes/conteudo-de-cd-e-pb-em-alimentos-vegetais-e-gramineas-no-municipio-de-santo-amaro-ba

2) http://www.meau.ufba.br/site/artigos/estudo-da-influencia-na-contaminacao-do-solo-por-metais-pesados-derivada-das-emissoes-atmosf

Estes são apenas alguns dos muitos problemas ambientais que estão próximos de nossa realidade. A verdadeira cidadania requer também a formação de um pesquisador.

Propomos a professores e estudantes a realização de uma atividade de pesquisa sobre estes e outros casos de contaminação do meio ambiente no Estado da Bahia. A atividade de pequisa pode solicitar:

1- Caracterizar o problema quanto a:

  • História – levantar os fatos históricos pertinentes (notícias, entrevistas, imagens, etc.);

  • Ciências (Química, Biologia, Física) – interpretar o problema à luz do conhecimento científico, com destaque para os conhecimentos da ciência química;

  • Economia – destacar as consequências para a economia da região;

  • Saúde – relatar como o problema afeta a saúde da população local;

  • Impactos ao Meio Ambiente;

2 – Apresentar as soluções adotadas

3 – Apresentar propostas de soluções

Conteúdos que ajudam a compreender o meio ambiente e o que pode causar desequílibrios são recorrentes no Enem. Vários conteúdos estão disponibilizados no Ambiente Educacional WEB – AEW. No link a seguir, você encontrará uma busca já realizada no AEW sobre o tema transversal “Educação Ambiental”: http://bit.ly/1rKvsmF.

 

Ródnei Souza

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

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