A Força das Marias

woman-281474_1920.jpg

Fonte: Pixabay – Licença CC

 

 

“Maria, Maria 

É o som, é a cor, é o suor

É a dose mais forte e lenta

De uma gente que ri

Quando deve chorar

E não vive, apenas aguenta”

 

Nesse trecho da música Maria, Maria, Milton Nascimento traz um pouco da complexidade do universo feminino. Sabemos que o dia 8 de março é dedicado à reafirmação da luta pela igualdade de gênero. Mas por que esse dia foi escolhido?

A escolha dessa data é atribuída a um fato ocorrido em 1857. Em meio a tantas outras reivindicações das mulheres, em especial nos Estados Unidos e na Europa, por melhores condições de trabalho, direitos sociais e políticos, entre a segunda metade do século XIX e parte do XX, trabalhadores e trabalhadoras de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve, reclamando, além de questões trabalhistas, igualdade de direitos para as mulheres. Conta-se que os manifestantes foram violentamente reprimidos pela polícia. As tecelãs foram trancadas na fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente, 130 trabalhadoras morreram carbonizadas. Mas essa versão é contestada por alguns autores.

No ano de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhagen, na Dinamarca, decidiu-se que deveria instituir um dia que homenageasse o movimento pelos direitos delas e procurando apoio internacional para a luta pelo direito de voto para as mulheres (sufrágio feminino). Entretanto, foi só em 1975, no Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.

Na verdade, nessa data, as comemorações devem ir além de homenagens e flores. A data deve ser um pretexto para a realização de conferências, debates e palestras, em todo o mundo, com a intenção de discutir o papel da mulher em nossa sociedade, na tentativa de diminuir o preconceito e a desvalorização feminina. Infelizmente, ainda, são comuns situações onde as mulheres sofrem com salários baixos, assédio moral e sexual e desvantagens na carreira profissional.

Passeando pela nossa história, em 1827, surgiu a primeira lei sobre educação das mulheres, a qual permitia que elas frequentassem as escolas elementares; em 1879, passam a ter autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior, embora aquelas que decidiam entrar na universidade passavam a ser descriminadas pela sociedade.

Mas, apesar de todo esse panorama desfavorável, algumas brasileiras conseguiram  vencer barreiras, como é o caso da compositora e pianista Chiquinha Gonzaga que, em 1885, estreou como maestrina, regendo a opereta “A Corte na Roça”. Chiquinha foi a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquestra. Ela, ainda foi a precursora do chorinho, compôs mais de duas mil canções populares, entre elas, a primeira marcha carnavalesca do país: “Ô Abre Alas”.

E o direito ao voto? Esse só veio em 1932, com o novo Código Eleitoral, promulgado por Getúlio Vargas. Nas eleições para a Assembleia Constituinte, de 1933, foram eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz. 77 anos depois, foi eleita a primeira Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Não podemos esquecer a Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, considerada pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. Além da agressão física, a Maria da Penha protege as mulheres nos casos de violência sexual, sofrimento psicológico e violência patrimonial.

São várias conquistas, mas há ainda muito que reivindicar para que se alcance a igualdade dos direitos entre homens e mulheres. O primeiro de todos é o respeito. Buscando sempre inspiração nos versos de Milton,

 

      “Mas é preciso ter força

É preciso ter raça 

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria

Mistura a dor e a alegria.”

 

 

Joalva Moraes
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

O mito do Número de Ouro

Olá, galerinha do PW! Tudo beleza?!

A natureza está repleta de números que aparecem com grande frequência e se repetem em fenômenos e elementos diversos ao nosso redor. Essas constantes estão presentes nas construções humanas, nas artes e na própria natureza. Uma dessas constantes é conhecida como número de ouro.  Vocês já ouviram falar sobre ele? Não?!

espiral-aurea

Espiral áurea – Disponível em Wikimedia, acessado 14/12/2016

O número de ouro vale 1,618… e foi descoberto pelo matemático Euclides há mais de 2300 anos, na Grécia Antiga. Na Matemática, é classificado como um número irracional e representado pela letra grega Φ (fi). Ele é fruto da divisão de uma linha reta em dois segmentos, cuja  razão entre eles é igual ao quociente entre a linha inteira e o segmento maior. A proporção áurea é fascinante e possui aplicações fantásticas em vários segmentos da matemática, artes, arquitetura e engenharia. No entanto, muitas delas não passam de mitos! Vários estudiosos, como o matemático Keith Devlin, o físico Donald E. Simanek e o astrofísico Mario Lívio, contestam alguns exemplos populares de aplicações dessa proporção, entre elas, algumas bem famosas, tais como: o Partenon, a Mona Lisa e as conchas de caramujos, conhecidas como Nautilus.

girasol

Embalagens de sementes de Girassol -Institute of Science in Society, via CNET, acessado em 14/12/2016

De fato, essa proporção está presente com muita frequência na natureza, nas artes, nas ciências e numa variedade de situações. Por exemplo, na Matemática, podemos encontrá-la na famosa sequência de Fibonacci ( 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, .…), ao dividirmos dois números consecutivos continuamente. Na natureza, a embalagem de sementes na cabeça do girassol estão dispostas em uma série de espirais no sentido horário e anti-horário, em que, de uma forma geral, aparece a sequência de Fibonacci. Nas artes, o número fi está relacionado à estética e à beleza e muitos artistas e arquitetos, como Salvador Dalí e Le Corbusier, usaram nas suas obras.

Há muitos textos que afirmam que a fachada do Partenon, na Grécia, templo construído para louvar a deusa Atena, foi concebido com base na proporção áurea. No entanto, esse fato não pode ser verdade, pois o templo foi construído antes da descoberta do número de ouro por Euclides. Segundo Revlin, é muito fácil encontrar padrões onde eles não existem, afinal, se olharmos ao nosso redor, seremos capazes de encontrar qualquer número em qualquer lugar!

Outra mito muito famoso é o da Mona Lisa. Segundo muitos textos, é possível encontrar a espiral áurea em pontos distintos do seu rosto. No entanto, os pontos ondem se iniciam essas espirais parecem não ter muita lógica ou motivação. No site da Universidade Federal Fluminense (UFF), é possível verificar, através de simuladores, a falsidade dessas afirmações e verificar que não há presença da razão áurea no rosto de Gioconda, como muitos afirmam.

Para finalizarmos, não poderia deixar de falar sobre o Nautilus. De fato, temos  a presença da Matemática nessa concha, mas nem de longe a sua forma tem alguma relação com a espiral áurea. Na verdade, a sua forma obedece a uma escala logarítmica, algo que já tinha ouvido falar desde a época de ensino médio! No site da UFF, você poderá comprovar o que estou afirmando, utilizando alguns simuladores.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências:

Enciclopédia Livre, Wikipedia, Proporção áurea. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Propor%C3%A7%C3%A3o_%C3%A1urea. Acesso em 14 de dezembro de 2016.

Universidade Federal Fluminense, O número de ouro. Disponível em: http://www.uff.br/cdme/rza/rza-html/rza-vitruvian-br.html. Acesso em 14 de dezembro de 2016.

Gizmodo Brasil, Os mitos e verdades sobre a proporção áurea. Disponível em: http://gizmodo.uol.com.br/mitos-proporcao-aurea/.  Acesso em 14 de dezembro de 2016.

 

GREENpense

 

Hi there!

We will move ahead!” Essa foi a frase que ambientalistas de vários países apresentaram com o término da COP 22. Do inglês Conference of the Parties, (Conferência das Partes – COP22) corresponde a 22ª Conferência da ONU sobre o Clima, em Marraquexe, no Marrocos, ocorrida em novembro com 196 países, inclusive, o Brasil. A presença de líderes mundiais definiram particularidades do regulamento que regerá o Acordo de Paris, que definirá as diretrizes universais para seguir em frente no combate ao aquecimento global.

monicaFig.1 Luciano Albuquerque. Frase exposta por ambientalistas na COP 22 “Nós seguiremos adiante.”

O Brasil também promove ações e políticas voltadas às questões ambientais. Da árvore que o nomeou, foi inaugurado o Parque Nacional do Pau Brasil, área de grande concentração de biodiversidade. Localizado no sul da Bahia, região de Porto Seguro e também chamada de Costa do Descobrimento, reúne espécies da fauna e flora da Mata Atlântica, um bioma que está em constante ameaça e muitos são os que sofrem! De acordo com registros, o número mundial de assassinatos de ambientalistas chega a 200 por ano e, no Brasil, soma um total de 50.

Muitas são as organizações de reconhecimento internacional, como por exemplo,

indice

Fig.2 Logo Greenpeace

logo_da_world_wide_fund_for_nature

Fig.3 Logo  World Wide Foundation

 

 

 

 

 

 

que estão presentes em diferentes países que assumem o compromisso de proteger reservas ecológicas e dialogar acerca de questões ambientais presentes e futuras. O Greenpeace Brasil lança a cartilha intitulada: “E agora, José? O Brasil em tempos de mudanças climáticas” durante a 22a Conferência do Clima das Nações Unidas . O documento trata de estudos referentes ao aumento da temperatura do planeta. Ações emergenciais que precisam ser tomadas para um futuro breve. E, por falar em futuro, você poderia responder tal questionamento?

Do you think these aspects are going to become big problems in the future ?

Disappearence of green areas (Desaparecimento de áreas verdes)

Excess of carbon dioxide (Excesso de dióxido de carbono )

Disposal of waste (Eliminação de resíduos)

Burning of forests (Queimada de florestas)

Global warming (Aquecimento global)

Shortage of water (Escassez de água)

Basic Sanitary (Saneamento básico)

Nuclear plants (Usinas Nucleares)

River pollution (Poluição de rios)

Deforestation(Desmatamento)

Noise (Barulho)

Aliás, falar de questões ambientais numa projeção futura é o que será feito agora!

Vejamos duas formas de expressar o FUTURE TENSE. “Will” ou “going to”? Quem já não se fez essa pergunta?

O verbo auxiliar “will” é utilizado para fazer previsões, falar de possíveis eventos e ações futuras. Veja alguns exemplos:

  • Gas emissons will increase in 2020.

  • Will temperatures and sea levels rise?

  • Will tropical diseases like malaria and zika spread?

Já a formação do futuro com going to” expressa eventos planejados,predições, intenções. Estrutura:To be + going + to + verbo (infinitivo). Veja alguns exemplos:

  • We are going to study about environmental problems.

  • Are these aspects going to become big problems in the future?

  • I’m not going to use plastic trash bags.

Fácil, não? Para saber mais, acesse nosso ambiente, veja outras sugestões e exemplos!

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/5684

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4073

Be green!

Mônica de Oliveira Mota

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Alimento Seguro x Segurança Alimentar: ter o alimento pode não ser seguro, não tê-lo é inseguro

Olá pessoal,

Hoje nós vamos pensar sobre a diferença entre alimento seguro e segurança alimentar.

Segurança alimentar é um conceito relacionado à quantidade de alimento disponível para a população no sentido de que seja garantida a quantidade necessária para que não haja fome em um país, continente ou mundo.

brasil_celeiro

Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Agricultura_no_Brasil#/media/File:Brasil_celeiro.png

Algumas questões para refletirmos: Onde estes alimentos são plantados? E a proximidade de plantações de outras culturas? A contaminação de lençóis freáticos? A utilização de adubos “pseudoorgânicos” de animais alimentados com hormônios e outras fontes contaminantes até mesmo bioextratos?

Já o alimento seguro está relacionado a qualidade fitossanitária das frutas, verduras, produtos oriundos tanto de origem animal ou vegetal. No caso dos alimentos produzidos através do cultivo em lavouras, o alimento seguro deve ser cultivado dentro das diretrizes técnicas dos órgãos reguladores, no caso do nosso país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA do Ministério da Saúde e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

Para que um alimento seja considerado seguro ele deve atender a dois critérios importantes que são:

a utilização da quantidade de princípios ativos de agrotóxicos dentro dos Limites Máximos de Resíduos – LMR para cada tipo determinado de cultura e a autorização dos mesmos com registro no país.

A segurança de alimentos relacionada ao consumo de hortifrutes é uma temática importante na medida em que a ingestão diária esteja acima dos valores regulamentados levantam-se os riscos à saúde pública devido à exposição dos mesmos na alimentação. O incentivo para o consumo saudável de alimentos tem sido maior em todas as idades dado o entendimento de que existe uma relação direta do surgimento de câncer associada ao consumo de agrotóxicos . Os alimentos produzidos mesmo sem a utilização de nenhum tipo de agrotóxico ou qualquer contaminante de elementos químicos e tóxicos a saúde atendendo aos protocolos técnicos desde o seu plantio, a colheita e pós colheita, ainda assim, existe a possibilidade de contaminação através dos recursos naturais como: solo e água.

Nessa perspectiva, os aspectos agroecológicos estão relacionados à Saúde Pública dos consumidores para o estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis.

Algumas questões para refletirmos: Onde estes alimentos são plantados? E a proximidade de plantações de outras culturas? A contaminação de lençóis freáticos? A utilização de adubos “pseudoorgânicos” de animais alimentados com hormônios ou com outras fontes contaminantes?  Podem ser pulverizados com bioextratos?

O termo alimento seguro está relacionado a qualidade fitossanitária das frutas, verduras, produtos oriundos tanto de origem animal ou vegetal. No caso dos alimentos produzidos através do cultivo em lavouras, o alimento seguro deve ser cultivado dentro das diretrizes técnicas dos órgãos reguladores, no caso do nosso país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA do Ministério da Saúde e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

Para que um alimento seja considerado seguro ele deve atender a dois critérios importantes que são:a utilização da quantidade de princípios ativos de agrotóxicos dentro dos Limites Máximos de Resíduos – LMR para cada tipo determinado de cultura e a autorização dos mesmos com registro no país.

A segurança de alimentos relacionada ao consumo de hortifrutes é uma temática importante na medida em que a ingestão diária esteja acima dos valores regulamentados levantam-se os riscos à saúde pública devido à exposição dos mesmos na alimentação. O incentivo para o consumo saudável de alimentos tem sido maior em todas as idades dado o entendimento de que existe uma relação direta do surgimento de câncer associada ao consumo de agrotóxicos . Os alimentos produzidos mesmo sem a utilização de nenhum tipo de agrotóxico ou qualquer contaminante de elementos químicos e tóxicos a saúde atendendo aos protocolos técnicos desde o seu plantio, a colheita e pós colheita, ainda assim, existe a possibilidade de contaminação através dos recursos naturais como: solo e água.

Essa reflexão está relacionada à garantia dos aspectos agroecológicos relacionados à Saúde Pública dos consumidores para o estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis no cotidiano.

Ana Cristina Rangel

Professora de Biologia da Rede Pública de Ensino

De olho no inimigo invisível

Olá, pessoal!

Quem já ouviu falar do HPV?

O Papiloma Vírus Humano (HPV) e suas variações, que são mais de 200, é um vírus oncogênico, isto é, capaz de formar tumores malignos. Essa doença é diagnosticada como neoplasia maligna.

O HPV além de causar o câncer do colo do útero muito conhecido por ser o causador desse tipo de doença, mas esquecido em relação a outros tipos que ele causa, como: câncer de pênis, de canal anal, da vulva (atual para vulva), cabeça e pescoço. Para ter uma dimensão dessa realidade, vamos analisar os números:

Segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA:

– Em 2011, o câncer de útero fez 5.160 óbitos no Brasil;

– Em 2014, foram diagnosticados 15.590 casos.

Praticamente o triplo de diagnósticos.

[…] ” o câncer de colo de útero é mundialmente o terceiro mais comum entre as mulheres. Já em países em desenvolvimento , ele já vai para o segundo lugar. Em regiões pobres como a nossa, no Nordeste, mais especificamente no Maranhão, o câncer de colo de útero sobe para o primeiro lugar.”

Dr. Sc. Flávia Cabral em Biologia Humana e Experimental.

No estudo “ Impactos da infecção pelo Papiloma Vírus Humano na tumorigênese dos carcinomas do colo do útero , pênis, cabeça e pescoço na população maranhese.” percebeu-se que existe uma relação entre a condição socioeconômica e o número elevado de novos casos. As causas estariam relacionadas à: diagnóstico precoce através do exame preventivo, comportamento promíscuo, falta de uso de preservativos nas relações sexuais.

Mulheres que apresentam condilomas, que são verrugas na vagina, ao darem à luz a crianças de parto normal podem transmitir o vírus para o bebê ocasionando o desenvolvimento de papilomas de laringe, causado pelos HPV,s dos tipos 6 a 11. Nesse caso, as crianças terão que ser submetidas a traqueostomia, causando muitas dores.

A vacinação contra o HPV é oferecida a meninas de 9 a 13 anos . Em 2014, para meninas de 11 a 13 anos, pelo Ministério da Saúde e também em clínicas particulares em três doses para garantir proteção efetiva. E o Ministério da Saúde já estuda a possibilidade de aplicação de vacinas nos meninos a partir de 2017.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde 2013 – Percepção do Estado de saúde, Estilos de Vida e Doenças  Crônicas, 0,6 % da População Baiana apresenta uma proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade  que se refere ao diagnóstico médico de câncer. (IBGE, 2013)

Então fica a dica: prevenção através de vacinação e do exame papanicolau e uso de preservativo nas relações sexuais.

Ana Cristina Rangel

Professora de Biologia da Rede Pública da Rede Estadual de Ensino

Outubro Rosa – a saúde pública para a mulher e para todos nós.

O câncer de mama é uma doença que acomete um número muito grande de pessoas no planeta. Sua incidência tem sido revertida em muita dor  para pacientes, familiares e amigos de indivíduos atingidos. O século XX viu um grande crescimento do número de casos de câncer de mama e também de ações médicas e sociais para tentar lidar melhor com o problema.

Além de estar ligado à questão da saúde pública, a doença se relaciona também com aspectos sociais relativos, sobretudo às condições de saúde     da mulher, de alimentação inadequada, da falta do hábito da medicina preventiva e da genética, que responde por mecanismos que parecem disparar o crescimento desordenado de células no corpo.

Na década de 90, um movimento começa nos Estados Unidos a fim de buscar o diagnóstico precoce do câncer de mama, com exames de mamografia que se concentravam no mês de outubro. Essas ações ganharam um caráter oficial quando o Congresso americano fez o mês de outubro ser oficialmente o mês nacional no país de prevenção ao câncer de mama.

A Fundação Susan G. Komen for the cure é a responsável pela Corrida pela Cura, realizada em Nova York a partir de 1990 e que ocorre até os dias atuais, no sentido de motivar os debates sobre esse problema mundial. Os laços rosas passaram a ser símbolo dessa luta juntamente com a iluminação rosada para prédios públicos e de destaque nas cidades, desfiles e ações midiáticas em geral.

697px-Pink_ribbon.svg.png

Símbolo da campanha Outubro Rosa

No Brasil, foi emblemática a campanha feita com a atriz Cássia Kiss Magro, em 1988, em que com os seios à mostra, ela chamava atenção para a necessidade do autoexame. No período, o fato de a atriz já famosa aparecer com os seios desnudos causou certo alvoroço, o que acabou potencializando a campanha.

Segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva), 58 mil casos de câncer de mama devem acometer mulheres no Brasil, em 2016. Esse dado pode ficar ainda mais surpreendente quando sabemos que os homens também podem ser acometidos por câncer de mama,  representando menos de 1% dos casos.

autoexame

Autoexame para detecção de alterações na mama. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cancro_da_mama

Na sociedade contemporânea, o estresse, a alteração da percepção de tempo, como que nos colocando sempre com muita pressa, e uma alimentação que não é das melhores fazem com que o nosso corpo acabe tendo que lidar com adaptações que talvez sejam agressivas à estrutura biológica humana. Segundo Paulo Cesar Naoum, Professor Titular pela UNESP, 90% dos casos de câncer são adquiridos em hábitos pessoais que a pessoa possui ao longo de sua vida. O stress crônico na família, no trabalho ou por quaisquer outras razões, além de vícios de cigarro, drogas e álcool, alimentação rica em gorduras trans podem ser disparadores de diversos tipos de câncer, entre eles o câncer de mama.

Em 1872, o médico oftalmologista Hilário de Gouveia fez a primeira observação acerca da hereditariedade do câncer e em 1919 é criado o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), com ações voltadas para o câncer e ainda num momento em que os conhecimentos médicos sobre o tratamento da doença eram escassos e que a saúde pública no Brasil atingia muito menos pessoas que atualmente.

800px-louis-jacques_goussier_enzyklopadie_diderot_pl_xxix

Cirurgia de câncer de mama no século XVIII. Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9845793

O SUS (Sistema Único de Saúde) trata o câncer de mama através de sua rede credenciada, embora sua atuação seja limitada pela demanda alta que recebe a todo tempo, bem como os problemas enfrentados nos repasses de recursos que muitas vezes não chegam até os pontos de atendimento. Dependendo da região do país, o indivíduo pode ser encaminhado para uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) ou para um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON).

O Outubro Rosa é uma ação que merece destaque, mas precisamos estar atentos aos cuidados com a saúde pública a todo tempo. É preciso que investimentos sejam realizados constantemente e que a medicina preventiva seja possível para um maior número de pessoas. A desigualdade social no Brasil também tem efeitos graves sobre o entendimento a respeito dos cuidados com a saúde. Quando uma sociedade está sadia em sentidos múltiplos, a saúde pública expressa essa condição. Que cuidemos da saúde amplamente em nós e em todos!

Carlos Barros

Professor da Rede Estadual de Ensino.

 

Família, cultura e diversidade

Vem aí o ENEM e a gente aqui do blog está na torcida para que você faça boas provas! Mas só nossa torcida não é suficiente! Você precisa mesmo se preparar! A temida prova de redação, por exemplo, não é um bicho de sete cabeças! Apesar de não existirem fórmulas, ler bastante, manter-se informado e atualizado é fundamental para poder ter argumentos sólidos.

No exame de 2015 o tema foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Note que é um tema amplo, assim como foi o de 2014 :””Publicidade infantil em questão no Brasil”. Nós não sabemos o que vai “cair” neste ano, mas podemos pensar em maneiras de “linkar” ideias entre a pluralidade cultural e a Biologia.

Em 2007   se falou de ” O desafio de se conviver com as diferenças”. Esses temas são acompanhados de 2 a 3 textos de apoio, que servem para orientar sua argumentação/dissertação. Utilize esses textos para fundamentar sua “tese”. Lembre que é necessário desenvolver seu texto em três etapas que se articulam: introdução, desenvolvimento e conclusão. E a coesão e coerência não podem ficar de fora.

E se o tema relacionasse família, cultura e diversidade, como você se sairia? A primeira coisa a se pensar são os conceitos embutidos no tema. Primeiramente, o que é família? É importante partir de um referencial e reunir o máximo de  informações. A ideia de homem e mulher se unindo no casamento para gerar descendentes ainda persiste, mas não é o único tipo de família na contemporaneidade. O Brasil, por exemplo,  legitimou a união estável (que pode ser convertida em casamento) entre pessoas do mesmo sexo a partir de 5 de maio de 2011 no julgamento conjunto da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 4277.

Fig.1 - Mapa dos direitos ao casamento entre homossexuais. Fonte: Max Fisher/Washington Post

Fig.1 – Mapa dos direitos ao casamento entre homossexuais. Fonte: Max Fisher/Washington Post

A homossexualidade é considerada crime em 76 países, a maioria deles localizados na África e no Médio Oriente, bem como nas Caraíbas e no Sudeste asiático, podendo ser punida com a morte em países islâmicos. Além do Brasil, o casamento homo afetivo é legal em mais 13 países: França, Espanha, Portugal, Suécia, Noruega, Islândia, Bélgica, Países Baixos, Nova Zelândia, Canadá, África do Sul, Argentina e Uruguai.

Nenhum brasileiro deveria ser discriminado por identidade de gênero ou orientação sexual, no entanto, na prática, o preconceito existe. E a família é a responsável primordial para educar seus filhos para o respeito à diversidade.

Fig. 2 - Tipos de família. Fonte: Wikipedia

Fig. 2 – Tipos de família. Fonte: Wikipedia

Os aspectos históricos da formação da família podem ser citados com base no patriarcado. Mas não podemos esquecer do modelo matriarcal, onde  algumas culturas conferem às mulheres a liderança da família e a transmissão de bens. Também poderíamos falar da herança genética como fator de diferenciação das  espécies e formação de etnias.

Como está demonstrado na figura acima, existem muitos tipo de arranjos familiares. Para   Petzold (1996) (apud Faco e Melchiori)  “o modelo nuclear de família composto por pai, mãe e seus filhos biológicos não é suficiente para a compreensão da nova realidade familiar que incorpora, também, outras pessoas ligadas pela afinidade e pela rede de relações”. O autor cita catorze variáveis para os tipos de relações familiares (tais como casais casados ou não;  com ou sem crianças; filhos biológicos ou adotivos; genitores morando juntos ou separados; relação heterossexual ou homossexual; cultura igual ou diferente) que combinadas, oferecem 196 tipos diferentes de família. São muitos os tipos de família, não é? Portanto, é preciso navegar pelo conhecimento e abranger de forma coerente os muitos aspectos que um tema pode apresentar!

Que tal assistir ao vídeo “Diversidade Sexual“?

Até mais!

Guel Pinna

Professora  da Rede de Ensino da Bahia