Radiola PW: a Mulher Pode Ser, Fazer e Acontecer

Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Uma data simbólica, mas que não deve ser o único mote para reflexões acerca da presença da mulher na nossa sociedade. Atualmente, discussões voltadas para o empoderamento feminino e contra o machismo são feitas em todos os lugares, principalmente na internet, através de suas redes sociais. O debate é acirrado. Alguns depoimentos são repletos de equívocos e de radicalismos; outros, bastante pertinentes e enriquecedores. Contudo, o fato de as pessoas estarem refletindo sobre a questão, já é um ponto positivo diante do histórico ignorante, descabido e manipulador de subjugação feminina.

Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves

Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves

Em 1982, no disco Caminhos do Coração, o cantor e compositor Gonzaguinha deu um recado contra essa ideia e mostrou o quanto a mulher é dona de sua própria vida e de suas vontades. A música Ser, fazer e acontecer é uma obra que parece ter sido feita hoje, de tão atual. Na canção, o eu lírico é feminino e já começa o discurso criticando a “dona moral”: “Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente”. Mas o grito da dona moral não surte efeito, a independência feminina é reiterada nos seguintes versos: “E meu caminho eu faço/Não quero saber que me digam dessa lei”.

A música, além de mostrar que a mulher é quem decide o seu destino, clama pela igualdade de gênero, uma vez que ninguém deveria ter privilégios na sociedade por ser isso ou aquilo: “É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver”. Esses versos, em especial, nos remetem ao que diz um dos artigos da Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006: “Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social”.

No desfecho, o compositor deixa bem evidente um traço da personalidade do eu lírico da canção: é uma mulher forte, obstinada e que não aceita viver de forma subserviente. Os dois últimos versos trazem uma afirmação que reforça essa maneira de viver: “Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer”. Ou seja, a mulher é livre para fazer o que quiser, quando e como quiser. Quem tem o direito de tolher as suas vontades? Fica a indagação.

Abaixo, segue a letra da canção. Você pode ouvir o áudio no site oficial de Gonzaguinha.

Ser, fazer e acontecer

(Gonzaguinha)

Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente/É que eu estou pela vida na luta/Eu também sei/E meu caminho eu faço/Nem quero saber que me digam dessa lei/Porque já sofri, já chorei, já amei/Vou sofrer, vou chorar e voltar a amar/Porque já dormi, já sonhei e acordei/E vou dormir, vou sonhar, pois eu nunca cansei/É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver/E por isso eu prossigo e quero e grito /No ouvido dessa tal de dona moral/Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Anúncios

Mulher e Respeito: palavras que se gostam!

A mulher ocupa um espaço privilegiado na formação humana. Sua capacidade de gerar os novos seres humanos que habitam o planeta já leva, por si só, a uma necessidade de respeito singular.

Entretanto e infelizmente, ao longo da história, o feminino personificado na mulher não recebe o tratamento merecido, com dignidade e trato adequados por parte do mundo masculino.

No século XX, com avanços científicos e tecnológicos, a mulher precisou agarrar a unhas e cérebros possibilidades de mudanças desse estado de coisas. Nesse período de cem anos, o pensamento libertário de intelectuais do porte de Simone de Beauvoir, presença marcante da solidariedade e força espiritual de Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce ou Mãe Menininha do Gantois e a efervescência artística pelo mundo afora com muitas mulheres no centro foram necessários para chamar atenção dos homens no que diz respeito à necessidade de entender a mulher como vetor fundamental dos movimentos da vida.

Atualmente, depois de conquistas alcançadas por mérito, a mulher vem tendo cada vez mais condições de alicerçar este espaço de vitórias. No âmbito local, na Bahia, o carnaval vem destacando lutas simbólicas interessantes nos quesitos Direitos Humanos e particularmente nos direitos femininos.  Em 2015, uma campanha intitulada “Vá na moral ou vai se dar mal. Violência contra a mulher é crime!” recebeu um investimento de R$ 300 mil do Governo do Estado, com a intenção de conscientizar a população sobre a violência de gênero e sexual.

Além de mobilizar artistas ligados à festa para tratarem do tema em suas apresentações, a campanha ocupou o cenário do carnaval com cartazes abanadores distribuídos nas ruas.

A campanha e a mobilização em si chamam atenção para fatos alarmantes, como o índice ainda alto de casos de violência contra a mulher tanto no âmbito do carnaval quanto na vida cotidiana para além dessa festa. Entre violência verbal e física, 623 casos foram registrados em 2014, somente no período da folia, o que sugere a pertinência de ações constantes para salientar o respeito à dignidade da mulher na sua existência no mundo.

A violência não faz bem nem leva a lugares confortáveis e isso é um ensinamento histórico. O ser humano pode aprender a busca da paz como caminho de melhoria das condições gerais de habitar o planeta. Raça, gênero, credo, posição política, tipo físico não são elementos que devam ser tratados como motivo para agressões.

As diferenças fazem parte da vida. Todos devem ter o direito de ser o que são, respeitando a individualidade e o direito do outro também ser. Esse é o código de permanência de nós — seres humanos — neste mundo.

E como a arte também expressa estados da alma em suas dimensões políticas, termino este texto com uma canção que é referência para o feminino no Brasil. Na voz da cantora Maria Bethânia, a composição de Marina Lima e Antônio CíceroO lado quente do ser.

Porque todas as mulheres são especiais!

Salve o feminino!

Quer saber mais sobre o tema?

Acesse o Ambiente Educacional WEB.

Aqui, um vídeo bem interessante sobre Direitos e Cidadania:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/940

Por Carlos Barros

Arte educador, Professor e Cantor de música popular

Professor da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Gêneros e sexualidades em março

Olá, galera!

Março foi um mês bastante produtivo para nossas discussões, pois alinhamos mais nosso diálogo quanto aos assuntos que envolvem as relações de gêneros e sexualidades. Compartilhamos com vocês textos, filmes, vídeos e músicas que embalaram nossos diálogos em torno dos avanços conquistados, das lutas travadas, das buscas e dos entraves que ainda envolvem as diversidades de gêneros e sexualidades.

ÍndiceNosso propósito foi o de agregar o conhecimento dos temas transversais em torno de uma mesma causa, uma vez que a promoção do respeito às diversidades também envolve os processos educacionais. Com isso, agradecemos pela interação de todas/os que colaboraram neste sentido, visitaram nossos conteúdos e interagiram conosco através das redes sociais e de comentários.

Acreditamos que a prática da justiça é possível com a participação de todas/os, que as transformações sociais devem priorizar o respeito entre as pessoas e, sobretudo, que revolucionar é caminhar para construção participativa de um mundo cada vez mais acessível à vida coletiva. Os temas e discussões apresentados não podem ser só específicos de um mês, por isso consideramos que foi importante aprofundar algumas discussões específicas, mas elas não podem sair da pauta das discussões em nenhum momento. Assim, seguimos compartilhando e dialogando por meio do site temático “Gênero e Sexualidade”. Sinta-se à vontade para continuar acompanhando nossas conversas, interagir, sugerir, questionar, opinar, criticar e juntar -se a esta construção.

Continue conosco e até mais!

“O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças.”
(Augusto Cury)

Instituições de atenção às diversidades

Olá, pessoal.
No mês em que focamos a mulher, os gêneros e as sexualidades, não poderíamos deixar de falar de algumas ações promovidas em favor destes grupos. Catalogamos e compartilhamos com vocês uma séria de instituições, projetos e ações atuantes na nossa sociedade em favor da promoção de igualdade de direitos para e entre estes grupos.

Em nível federal, temos a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), que é uma das comissões permanentes da Câmara dos Deputados do Brasil para analisar os assuntos e propostas legislativas a ela pertinentes cujas ações devem receber e investigar denúncias de violação desses direitos, bem como promover, avaliar, fiscalizar e preservar os direitos referentes às minorias étnicas e sociais. A Secretaria dos Diretos Humanos, está presente em quase todos os aspectos da vida pública e também lança seu olhar sobre os direitos das chamadas “minorias”, como LGBT.

Índice

Ainda nacionalmente, contamos com as ações da SPM – Secretaria de Políticas para as Mulheres, que se ramifica em nível estadual e, em Salvador por exemplo, conta com uma superintendência cujos objetivos e ações de intervenção são compartilhados por estas instâncias, entre eles, fazer valer as leis de incentivo ao respeito e equidade entre os gêneros e assegurar a participação feminina na construção/transformação social.

Para as relações educativas, existem ações e instituições que, além de debater e fomentar as discussões, trabalham assegurando a implantação de uma sociedade mais justa e igualitária para todas/os, através de capacitações e formações oferecidas a estudantes, educadores/as, militantes sociais e pessoas dos diversos setores da sociedade.

Entre estas oportunidades de educação para uma sociedade com igualdade de gêneros e respeito às sexualidades estão o Ser-tão – o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na Bahia contamos com o NEIM – Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia e o DIADORIM – Núcleo de Estudo de Gênero e Sexualidade (NugSex, da Universidade de Estado da Bahia. Ambos oferecem cursos de extensão, formando especialistas em Políticas Públicas de Gênero e Raça, mestre e doutores na temática. Em 2009, um importante passo foi dado no sentido de assegurar equidade, pois o NEIM passou a oferecer o Bacharelado em Gênero e Diversidade, uma graduação que objetiva formar profissionais capazes de formular, acompanhar e monitorar projetos e ações de materialização de direitos, imbuídos de uma perspectiva crítica de gênero e diversidade.

Para uma afinidade internacional dos direitos das mulheres, promoção do respeito às diversidades e promoção da igualdade a Organização das Nações Unidas – ONU, possui entidades internas que focam suas ações neste sentido. Citamos duas delas: a ONU Mulheres, entidade para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres e o ACNUDH, Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, responsável pela promoção da igualdade de diretos entre todas as pessoas.

Enfim, existem várias ações e grupos que colaboram para a construção de uma sociedade mais justa, acessível à todos/as, respeitosa e igualitária. Certo que ainda há muito a ser feito e conquistado, para isso contamos com você. Seja um/a multiplicador/a e construtor/a da justiça. Colabore com essa ideia. Juntos somos mais!

Valeu e até a próxima!
Fontes: NEIM, DIADORIM, SPM, ONU e Ser-tão.

Cine PW: Carolina Maria de Jesus

Olá, pessoal! Vamos fazer um Cine PW um pouco diferente hoje. Selecionamos três vídeos/documentários e convidamos você a conhecer uma mulher que viveu e adotou uma postura a frente de seu tempo, lutando por justiça social como pouc@s que já lutaram e ainda lutam Brasil afora: Carolina Maria de Jesus. Vamos lá?

Inquieta, explosiva, atrevida, petulante, corajosa, arredia e rebelde. Esses são alguns dos adjetivos que críticos e admiradores utilizam para descrever a personalidade autêntica de Carolina, escritora mineira, negra, favelada e de pouca escolaridade.

Bitita, como era chamada desde a infância, saiu de Sacramento-MG, cidade onde nasceu, tão logo sua mãe morrera, em direção a São Paulo, indo parar na favela de Canindé. A princípio, trabalhou como doméstica, mas logo precisou abrir mão desta forma de sobreviver, restando como alternativa catar resíduos descartados pelas ruas da cidade. Morou num barraco construído com materiais encontrados nas ruas, forma com a qual, por muitos anos, manteve a si e a seus três filhos – os quais criou sozinha por decisão própria, uma vez que não se sujeitava aos padrões sociais destinados às mulheres de sua época.

Apesar da pouca escolaridade, ela se interessava muito pelos papéis que recolhia (livros, jornais, revistas e cadernos) em meio a outros materiais.    Àqueles, em especial, dava destino específico: separava-os para suas leituras em busca de conhecimento e para os registros sobre sua vida, coisa que fazia sempre que sentia necessidade de escrever.


Carolina foi revelada pelo jornalista Audálio Dantas, quando este esteve em Canindé para uma reportagem sobre a ordem de desocupação em função da construção de uma rodovia. Já tendo conhecimento de quem era Carolina e sobre a obra dela, Dantas sugeriu à escritora que publicasse os seus registros. A princípio, ela resistiu, mas com o tempo aceitou a ideia.

Em “Quarto de despejo: diário de uma favelada” (1960), a escritora conta detalhes das angústias que os moradores de uma favela sentem e como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios, para assim conseguir comida para as suas famílias. O nome do livro foi inspirado numa fala da escritora: “Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de ‘viludo’, almofadas de ‘sitim’. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo”.

A obra tornou-se um best seller dos anos 60 e 70, com tradução em treze idiomas e para mais de quarenta países. Além desta, produziu outras publicações: “Casa de Alvenaria” (1961) – inspirada no período em que, após o sucesso internacional, conquistou a casa própria onde viveu os últimos anos de sua vida; “Pedaços de fome” (1963) e ainda os livros póstumos Diário de Bitita (1986) e “Meu estranho diário” (1996). Ela também escreveu peças de teatro, poemas (abaixo) e canções, todos com temáticas relacionadas à sua vida miserável e seu sonho de tornar-se cantora e atriz.


Este ano, Carolina Maria de Jesus completaria seu centenário e hoje o Museu Afro Brasil, possui uma biblioteca cuja é Carolina Maria de Jesus e onde se encontra obras disponíveis para download. Para fim de homenageá-la, reconhecer e disseminar ainda mais sua importância para a história e para a literatura nacional, damos a essa célebre escritora dos favelados mais este espaço. Com o intuito é o de compartilhar com tod@s a história e as obras dela, segue abaixo o curta-metragem “O Papel e mar”, adaptação do diretor Luiz Antônio Pilar para a obra da autora que leva o mesmo nome. Apesar de sua célebre obra ter repercutido bastante, Carolina morreu como viveu: pobre.

“A tontura da fome é pior que a tontura do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível só ter ar dentro do estômago.” Trecho de Quarto de Despejo.

Fontes:  A Cor da CulturaWikipedia, Labjor, Blogueiras Negras, Fundação Palmares.

Isadora Faber e Malala Yousafzai: Adolescentes feministas

Olá, Amig@s!!!

Vivemos em uma sociedade de infinitas transformações e aqui faremos uma reflexão, sobretudo quanto às contribuições de duas adolescentes, de comportamentos feministas e do quanto repercutem suas ações e ideias para as mudanças de nossa realidade contemporânea.

Conversaremos agora sobre duas personagens sociais que tiveram suas ações repercutidas nacional e internacionalmente. Pessoas que pretenderam, com suas ações, contribuir para a transformação da realidade imposta historicamente, de uma cultura que oprime e domina o comportamento humano quanto à busca de seus direitos como indivíduos sociais, para um mundo mais justo e oportuno para tod@s.

Malala_yousafzai.Iniciamos com Malala Yousafzai, uma adolescente paquistanesa, hoje com 16 anos, que depois de criar um blog repercutido nas mídias mundiais, onde tratava do papel social das mulheres na sua cultura e, principalmente, reforçava o acesso à educação, no blog ela destaca a condição de que em seu país as mulheres não tem direito aos estudos. Mesmo utilizando um pseudônimo, seu protesto repercutiu num importante noticiário inglês, que realizou com ela uma reportagem sobre esta realidade e Malala fez um depoimento que quase lhe custou a vida.

Durante o retorno de um curso que realizava ela sofre uma tentativa de assassinato, sendo acometida por um tiro na cabeça e outro no ombro; felizmente não morreu e recebe ajuda médica internacional. Depois de toda repercussão e já tratada dos ferimentos ela foi convidada para discursar na Assembleia das Organizações das Nações Unidas ONU, em 12 de julho de 2013, que coincidiu com seu aniversario. Iniciou sua fala com uma importante declaração: “Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução”. […].

537257_333757126730800_1305774223_n

A outra adolescente que tratamos é brasileira, moradora da capital catarinense – Florianópolis e estudante de escola publica. Isadora Faber, que em julho de 2012, aos seus 13 anos, decidiu criar uma página numa rede social com o título: Diário de Classe, A verdade. Nela colocava a realidade de abandono e descaso que sua escola enfrentava, iniciou tratando dos equipamentos com defeitos que davam choques elétricos nos estudantes, portas sem maçanetas, salas sem ventilação e ventiladores, dos tratos e comportamentos dos professores e demais profissionais da escola, dentre tantos outros casos. A principio ela foi rechaçada, vítima de bullying e até sua casa foi atingida, o detalhe é que a família forneceu a ela todo apoio possível.

No início um representante da secretaria de educação visitou a escola e garantiu a realização dos reparos na condição que ela postasse as realizações, ainda assim ele não retornou e os serviços não foram realizados, então ela seguiu postando a situação que seguia, chegando ao ponto de uma professora planejar e aplicar uma aula pautando política e internet, “ela informou que os alunos não deviam falar dos professores na rede” afirmou Isadora.

Depois de um tempo algumas coisas foram aos poucos sendo reparadas e as opiniões de Isadora, postadas no blog, já são bem aceitas na escola. “Gostaria que estudantes do mundo inteiro tivessem direito e acesso a uma educação digna e moderna. Tenho certeza que, se todo mundo fizer um pouquinho, juntos poderemos dar a educação, e assim, deixaremos o planeta mais justo e melhor para todos”, diz. Depoimento de Isadora, sobre educação, em um site brasileiro.

O blog, atualmente com mais de meio bilhão de acessos, repercutiu para além da escola, da cidade e até mesmo do estado de Santa Catarina e hoje Isadora com a colaboração de amigos criou uma ONG com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento da educação em seu estado. Servindo de exemplo para muitos estudantes Brasil afora.

Malala Yousafzai e Isadora Faber são personagens de enriquecedores exemplos, servindo como fonte para análise do uso responsável, livre e positivo das mídias digitais para cobrar a atuação das políticas públicas e, além disso, quanto à atuação feminina que transforma nossa sociedade globalizada e contemporânea, ainda que elas sejam muito jovens.

Valeu e até a próxima!!!

Fontes: Wikipédia, Site Oficial

Cine PW: Vida Maria

 

Salve, salve, galera!

Hoje retomaremos as indicações de filmes que incrementam nossas discussões. Entrando no clima do mês em que focamos temáticas ligadas a gêneros e sexualidades em nossas conversas, indicamos o curta-metragem “Vida Maria”. Em pouco mais de oito minutos de animação 3D, o diretor e idealizador do projeto, Márcio Ramos, consegue reproduzir resumidamente a triste realidade da vida sertaneja.

A produção, de 2006, conta a vida de Maria José, que é apresentada como uma figura representante de história repetitiva de todas as outras Marias de sua família – de geração em geração – cujas vidas apresentam-se num ciclo infinito. Numa realidade onde as chances de melhorar de vida são poucas. E a situação torna-se mais agravante para as meninas, pois as mesmas não transitam noutro universo que não seja o familiar.  Assim, Márcio consegue expressar a falta de condição de mudança de vida, para melhor, a que os sertanejos estão condicionados.

Na trama, Maria José é obrigada a largar o sonho de poder estudar – considerado “uma perda de tempo”- para auxiliar nos afazeres domésticos, priorizando assim o sustento familiar. Essa atitude a coloca nas mesmas condições das outras Marias que já existiram e das que ainda virão.

O curta-metragem é todo produzido em tecnologia 3D, contendo as personagens e cenários modelados com base na realidade do sertão cearense, no Nordeste brasileiro. Região onde uma boa qualidade de vida e o acesso às políticas públicas são escassos, como o acesso a educação.

O curta foi contemplado com mais de quarenta prêmios, entre eles: Prêmio Especial, no Anima Mundi ;  Melhor Filme Nordestino, no Curta-se – Festival;  Melhor Animação, no Tudo sobre Mulheres em 2007;  Melhor Filme no Entretodos – Festival de Curtas-Metragem de Direitos Humanos, em 2007.

O tema central possui muito de experiência pessoal do diretor Márcio Ramos. “A ideia de realizar um projeto pessoal que fosse mais duradouro surgiu em 2000, mas, sem tempo, tive de adiá-lo por alguns anos“, diz, uma vez que manteve adiado seu sonho de realizar um curta pelo volume de prioridades que assumiu.

Valeu, pessoal. Boa sessão e boa reflexão. Até mais!

Fontes: Porta Curtas, Youtube