Outubro Rosa – a saúde pública para a mulher e para todos nós.

O câncer de mama é uma doença que acomete um número muito grande de pessoas no planeta. Sua incidência tem sido revertida em muita dor  para pacientes, familiares e amigos de indivíduos atingidos. O século XX viu um grande crescimento do número de casos de câncer de mama e também de ações médicas e sociais para tentar lidar melhor com o problema.

Além de estar ligado à questão da saúde pública, a doença se relaciona também com aspectos sociais relativos, sobretudo às condições de saúde     da mulher, de alimentação inadequada, da falta do hábito da medicina preventiva e da genética, que responde por mecanismos que parecem disparar o crescimento desordenado de células no corpo.

Na década de 90, um movimento começa nos Estados Unidos a fim de buscar o diagnóstico precoce do câncer de mama, com exames de mamografia que se concentravam no mês de outubro. Essas ações ganharam um caráter oficial quando o Congresso americano fez o mês de outubro ser oficialmente o mês nacional no país de prevenção ao câncer de mama.

A Fundação Susan G. Komen for the cure é a responsável pela Corrida pela Cura, realizada em Nova York a partir de 1990 e que ocorre até os dias atuais, no sentido de motivar os debates sobre esse problema mundial. Os laços rosas passaram a ser símbolo dessa luta juntamente com a iluminação rosada para prédios públicos e de destaque nas cidades, desfiles e ações midiáticas em geral.

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Símbolo da campanha Outubro Rosa

No Brasil, foi emblemática a campanha feita com a atriz Cássia Kiss Magro, em 1988, em que com os seios à mostra, ela chamava atenção para a necessidade do autoexame. No período, o fato de a atriz já famosa aparecer com os seios desnudos causou certo alvoroço, o que acabou potencializando a campanha.

Segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva), 58 mil casos de câncer de mama devem acometer mulheres no Brasil, em 2016. Esse dado pode ficar ainda mais surpreendente quando sabemos que os homens também podem ser acometidos por câncer de mama,  representando menos de 1% dos casos.

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Autoexame para detecção de alterações na mama. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cancro_da_mama

Na sociedade contemporânea, o estresse, a alteração da percepção de tempo, como que nos colocando sempre com muita pressa, e uma alimentação que não é das melhores fazem com que o nosso corpo acabe tendo que lidar com adaptações que talvez sejam agressivas à estrutura biológica humana. Segundo Paulo Cesar Naoum, Professor Titular pela UNESP, 90% dos casos de câncer são adquiridos em hábitos pessoais que a pessoa possui ao longo de sua vida. O stress crônico na família, no trabalho ou por quaisquer outras razões, além de vícios de cigarro, drogas e álcool, alimentação rica em gorduras trans podem ser disparadores de diversos tipos de câncer, entre eles o câncer de mama.

Em 1872, o médico oftalmologista Hilário de Gouveia fez a primeira observação acerca da hereditariedade do câncer e em 1919 é criado o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), com ações voltadas para o câncer e ainda num momento em que os conhecimentos médicos sobre o tratamento da doença eram escassos e que a saúde pública no Brasil atingia muito menos pessoas que atualmente.

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Cirurgia de câncer de mama no século XVIII. Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9845793

O SUS (Sistema Único de Saúde) trata o câncer de mama através de sua rede credenciada, embora sua atuação seja limitada pela demanda alta que recebe a todo tempo, bem como os problemas enfrentados nos repasses de recursos que muitas vezes não chegam até os pontos de atendimento. Dependendo da região do país, o indivíduo pode ser encaminhado para uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) ou para um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON).

O Outubro Rosa é uma ação que merece destaque, mas precisamos estar atentos aos cuidados com a saúde pública a todo tempo. É preciso que investimentos sejam realizados constantemente e que a medicina preventiva seja possível para um maior número de pessoas. A desigualdade social no Brasil também tem efeitos graves sobre o entendimento a respeito dos cuidados com a saúde. Quando uma sociedade está sadia em sentidos múltiplos, a saúde pública expressa essa condição. Que cuidemos da saúde amplamente em nós e em todos!

Carlos Barros

Professor da Rede Estadual de Ensino.

 

Radiola PW: “Não tenha medo. Denuncie!”

Oi, pessoal! A Radiola PW de hoje aborda uma temática importante e que deve sempre ser discutida: a violência contra a mulher. Os casos existem e persistem, infelizmente. Contudo, as mulheres estão mais conscientes, exigindo os próprios direitos e denunciando os seus agressores.

Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016

Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência para denúncias. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016

Hoje, a cantora Aiace Félix, da banda Sertanília, tornou pública uma agressão que sofreu do taxista Antonio Ricardo Rodrigues Luz, em Salvador. “[…] Estávamos eu, minha irmã e uma amiga andando em direção ao Largo da Mariquita por volta das 05h:30 quando esse motorista, que estava parado na fila de Taxi em frente a casa, assediou minha irmã. Quando fui pedir por respeito, embora seja óbvio que ele é meu por direito, o taxista se sentiu incomodado por eu tê-lo confrontado e me respondeu de forma bem agressiva reiterando o assédio. Eu segui andando com as meninas quando ele deu uma ré super brusca tentando atropelar a mim e as meninas. Um rapaz que passava na hora me puxou e evitou que algo mais grave acontecesse. Não satisfeito, o taxista saiu do carro, veio na minha direção e me deu 3 socos no rosto, atingindo meu olho direito, minha boca e o ombro/pescoço. Como resultado, ganhei uma lesão na córnea e alguns hematomas pelo corpo[…]”, relatou a artista numa rede social da internet.

O importante, nesse e em todos os casos que insistem em figurar na nossa sociedade, é que a natural revolta que acomete as pessoas ao saber de crimes dessa natureza seja, de fato, traduzida em ações práticas. A situação é intolerável!

A igualdade de gênero é uma ânsia de movimentos feministas desde sempre. Deveria ser um anseio da sociedade. Às vezes, na tentativa de ajudar, se produz discursos que, se analisados com atenção, acabam prejudicando toda uma luta histórica. Um bom exemplo disso é a música O Defensor, lançada em 2015 pela dupla Zezé Di Camargo e Luciano, no CD e DVD Flores em Vida – Ao Vivo. A canção, dos compositores Fred Liel e Marco Aurélio, foi divulgada por Zezé e Luciano como sendo um manifesto da violência contra a mulher. Mas, analisando a letra com criticidade, percebe-se que, nas entrelinhas, a obra reforça o papel socialmente estabelecido para as mulheres. Eis a mensagem:

“Mais uma vez/Ele te feriu/E é a última vez/Que ele vai pôr a mão em você/Te machucar, fazer sangrar/Te humilhar, fazer chorar seu coração/Não tenha medo, denuncie”.

Se a letra seguisse a ideia dos versos acima, ela cumpriria uma boa função. Porém, nas linhas seguintes, fica evidente o equívoco dos compositores:

Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo/Estou aqui, sou seu defensor/Eu vim pra te buscar, eu vou te amar/E onde ele bateu, eu vou te beijar/Eu só quero curar suas feridas/Não tenha medo, denuncie/Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo”.

O que a sociedade precisa entender é que as mulheres não precisam de defensores, precisam de respeito. Sair de uma relação conturbada, em que sofre violência física, para outra aparentemente mais amena, não resolve o problema da violência contra a mulher, só a torna mais uma vítima em potencial. Vale ressaltar também que as mulheres não estão loucas atrás de relacionamentos, como se isso fosse resolver as suas questões existenciais. 

Os versos abaixo, feitos por dois homens, mostram como eles e como muitos outros se colocam em relação às mulheres:

Porque eu sou seu anjo/Seu defensor, te amo/E enquanto eu tiver vivo/Eu vou te defender, meu amor/Nunca mais ele vai te bater”.

A principal e mais importante defesa da mulher é o respeito. É disso que elas precisam e é por isso que lutam. É preciso dar um basta nos crimes que matam as mulheres, tanto social quanto fisicamente. Encerro com o melhor verso da música: “Não tenha medo. Denuncie!”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Cine PW – Que horas ela volta?

Foto: Janine Moraes/MinC

Fig. 1: Anna Muylaert no lançamento do filme no Cineclube Ambiente Cultural. Foto: Janine Moraes/MinC

Olá, cinéfilos!

Nesta semana, o blog vai indicar o filme brasileiro Que horas ela volta?, obra muito bem aclamada pela crítica e pelo público em 2015, recebendo algumas indicações como melhor filme estrangeiro no Critics’ Choice Award e também Satellite Award.

Sob direção de Anna Muylaert, que também roteirizou, em parceira de Regina Casé, o filme retrata de forma muito delicada a vida de Val, interpretada pela própria Regina, uma empregada doméstica pernambucana que trabalha em São Paulo há mais de uma década para uma família rica.

Nessa casa, Val se relaciona diferentemente com cada pessoa. Mas vale ressaltar a interação que ela tem com Fabinho, o filho dos patrões, que tem por Val uma afeição maternal, sentimento que não consegue enxergar na própria mãe, que, por sua vez, é uma pessoa conturbada e carregada de preconceitos.

O filme se desenrola com a chegada de Jéssica, filha de Val, que sai de Pernambuco para prestar vestibular em São Paulo. Nesse processo, ela fica hospedada temporariamente na casa onde Val trabalha. Tempo suficiente para Jéssica perceber as relações de poder que existem naquele lar . Por isso, Val é, a todo o tempo, questionada pela filha em relação à posição social que ocupa dentro daquele ambiente.

O filme consegue trazer à reflexão os micropoderes que coexistem na nossa sociedade, mostrando como alguns personagens podem ser, na mesma história, algozes e vítimas. Mostra também o quanto a sociedade ainda precisa se desgarrar dos diversos preconceitos e da mentalidade classista que ainda permeia muitos pensamentos.

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Radiola PW: História do Povo Umutina

Oi, pessoal! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música História do Povo Umutina, de autoria de Ademilson Umutina, cantor e compositor. De acordo com informações do site Povos Indígenas no Brasil, os Umutina possuem “um forte sentido de identidade étnica, reconhecendo-se como tradicionais moradores do alto-Paraguai, envolvidos atualmente na recuperação de suas manifestações sócio-culturais (sic) tradicionais”.

Fig.1: Ademilson Umutina em imagem do videoclipe oficial de sua música. Imagem: captura de tela

Fig.1: Ademilson Umutina em imagem do videoclipe oficial de sua música. Clique na foto para assistir. Imagem: captura de tela

Talvez, por essa razão, os 447 Umutina que vivem na Barra dos Bugres, no estado de Mato Grosso, estejam lutando para recuperar a língua Umutina, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê, da família Bororo. Atualmente, eles se comunicam através da língua portuguesa. A música História do Povo Umutina toca nesse ponto de preservação cultural (o refrão diz: “Somos o povo Umutina/E viemos revitalizar”) e fala de outros aspectos, como as lutas e perseguições sofridas pelo povo.

A canção é uma homenagem a todos os ancestrais que lutaram pela cultura dos Umutina. No início, o autor pede aos ouvintes que prestem atenção à história triste que ele tem para contar. Em seguida, fala dos mais de mil indígenas que viviam felizes nas margens do rio Bugres e do rio Paraguai, mas, com a chegada do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), os costumes do povo ficaram ameaçados. Isso fica evidente nos seguintes versos do lamento sertanejo: “1911/Chegou aqui nesse lugar/O tal do SPI/Que quis tudo mudar/ Suas danças, seus rituais/Vocês não irão realizar/Também o seu idioma/Vocês não irão mais falar”.

História do Povo Umutina fala de questões importantes, principalmente se a gente for refletir sobre o dia de hoje. É absurda a forma como os ditos “civilizados” tentam mostrar um outro mundo para os indígenas, visto como “ideal”. O grande equívoco se dá, principalmente, por não reconhecer que o indígena é um ser do mundo e que não precisa abdicar de sua cultura para ser considerado como tal.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Cine PW – Apocalypto

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Olá, cinéfilos!

O blog dedica inteiramente o mês de abril para trazer e discutir a história e cultura dos povos indígenas. Com isso, traremos produções que tratam desse universo, com intuito de enriquecer o nosso conhecimento e observar a riqueza cultural das inúmeras etnias que existiam e as que ainda existem e resistem.

Para a primeira semana de abril, o Cine PW indicará o filme “Apocalypto”, dirigido por Mel Gibson e lançado em 2006. Essa super produção retrata a história de Jaguar Paw, um caçador que vive numa aldeia na América Central com sua esposa e filho. Durante a história, o personagem encontra com outras etnias, sendo uma delas, a civilização Maia. Jaguar então é capturado pelos maias e subjugado à condição de ser ofertado aos deuses.

Para além da história de Jaguar Paw, podemos perceber a preocupação da obra fílmica em reproduzir a grandeza do império Maia. Os cenários são grandiosos e conseguem retratar mais fielmente essa complexa nação do período pré-colombiano. O dialeto maia foi preservado no filme, trazendo mais fidelidade à obra e uma sensação de maior proximidade com aquele universo de outrora.

Sobre outras óticas, podemos perceber com “Apocalypto” a enorme diversidade étnica que existia antes da invasão espanhola. Cabe também refletir sobre a relação de coexistência entre esses povos e como estes, posteriormente, se modificaram com a chegada dos europeus. Por fim, analisar e comparar o império Maia com sua sólida estrutura social e seu nítido avanço tecnológico da época com outras etnias que ainda viviam dentro de sistemas primitivos.

“Apocalypto” é um bom filme para ilustrar esse momento da história. Até para percebermos que, antes dos europeus cruzarem o atlântico com seus navios cheios de ganância e tragédias, aqui já se encontravam, também, muitos problemas.

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Cine PW – A Febre do Rato

 

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Olá, cinéfilos!

Hoje, iniciaremos a Semana da Poesia aqui no nosso blog. Já pensaram se o cinema pode ser considerado poesia?

Claro que, metaforicamente, teríamos a liberdade de concluir isso, mas podemos ir um pouco mais além. No filme, “A Febre do Rato”, dirigido por Cláudio Assis e lançado em 2012, o cinema e a poesia se mesclam de forma muito interessante. Como exemplo disso, podemos apreciar belos poemas que Zizo, poeta e personagem principal da obra, declama várias vezes durante a película. Isso nos faz pensar que é possível consumir uma determinada arte ainda que ela não esteja na plataforma que lhe foi categorizada, nesse caso, a literatura.

Falando sobre a obra, “A Febre do Rato” é a história de Zizo, um literato que produz seu próprio jornal como trabalho rentável. Inquieto e provocador, o personagem principal passa por diversas realidades em sua cidade, Recife. Seja na relação com inúmeras pessoas ou nos problemas e paradigmas sociais. Zizo é sempre ativo na história ou na situação em que se encontra, e uma das armas que ele usa é a poesia.

Existe uma despreocupação no filme em firmar uma história de início, meio e fim. O foco maior é mostrar Zizo como um personagem que tem um posicionamento político e ideológico e que enfrenta determinadas normas sociais com muita personalidade.

A Febre do Rato” é um belo filme para quem gosta de poesia e cinema. Sua narrativa é bem fluida e leve, fazendo com que o tempo seja algo irrelevante. Uma obra que resgata o sentido reflexivo que toda arte deve ter, em contraponto à avalanche de filmes brasileiros que estão muito mais preocupados em gerar renda.

 

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Mostra de Cinema Indígena Chega a Salvador

Fig. 1: Ilustração oficial do Cine Kurumin. Imagem: divulgação

Fig. 1: ilustração oficial do Cine Kurumin. Imagem: divulgação

A 5ª edição do Cine Kurumin chega pela primeira vez a Salvador, abrindo o calendário audiovisual de 2016 na Bahia. De hoje até 6 de março, o Palacete das Artes será palco da exibição de 32 produções de temática indígena, entre curtas, médias e longa-metragens – a maior parte inédita no circuito comercial. As tradicionais mostras a céu aberto tiveram início nas aldeias Tumbalalá, em Abaré, de 26 a 28 de fevereiro, e seguirá para Kiriri, em Banzaê, de 1º a 3 de abril. O projeto conta com apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de fomento gerido pelas secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz), através do edital Agitação Cultural: Dinamização de Espaços Culturais.

Treze convidados compõem a programação de debates em Salvador. Esta edição também traz à capital baiana o grande xamã e porta-voz dos Yanomami, Davi Kopenawa. Ele lançou recentemente a obra A queda do céu, em parceria com o etnólogo Bruce Albert, que foi celebrada pelos principais intelectuais do país. Neste quinto ano da mostra, ela dá novos passos e chega à cidade, onde queremos povoar o mundo não-indígena com o olhar, os sons e imaginários da floresta, acreditando que olhar para o mundo do outro é uma forma de olhar para o nosso mundo”, afirma a curadora do projeto e antropóloga, Thaís Brito. Além de ser uma janela para as produções indígenas, segundo ela, as rodas de conversas do Cine Kurumin com os realizadores e líderes são uma abertura para o pensamento ameríndio. Um dos objetivos do projeto é o de formar público para o cinema indígena a partir da própria referência, ampliando a rede de distribuição desses conteúdos”, diz a curadora. O nome do projeto, Cine Kurumin, é, inclusive, inspirado nas crianças, que sempre encheram as sessões nas aldeias. 

Vincent Carelli, idealizador do Vídeo nas Aldeias, é um dos convidados do 5º Cine Kurumin e participa da roda de conversa Já me transformei em imagem – Perspectivas do cinema indígena, que será realizada hoje, no Palacete das Artes, às 15h30, com Takumã Kuikuro, Isael Maxacali, Patrícia Ferreira, Zezinho Yube Huni Kuin e Taquari Pataxó. Já me transformei em imagem é também o tema da mostra na capital baiana e o título do filme da etnia Huni Kuin, no Acre, que abre a programação do Cine Kurumin em Salvador. O filme é de Zezinho Yube e representou o Brasil no Berlim International Film Festival, o Berlinale, um dos festivais de cinema mais importantes do mundo, no ano passado.

A mostra no Palacete das Artes terá produções inéditas em Salvador e no Brasil. ETE Londres – Londres como uma aldeia, de Takumã Kuikuru, foi exibido apenas no Parque Indígena do Xingu, e terá sessão em Londres, no fim de fevereiro. A obra compõe a programação do sábado (5/3), que terá ainda o filme No caminho como Mário, vencedor do prêmio de Melhor Curta no Cachoeira Doc 2015, e é inédito em Salvador. Ainda no sábado também se destacam trabalhos de cineastas não-indígenas, lançados em 2015. O Retorno da Terra, de Daniela Alarcon, e Retomada, de Leon Sampaio, expõem de formas distintas os conflitos vividos pelos Tupinambás na Bahia. Já o documentário Índios no Poder, de Rodrigo Siqueira, aborda, a partir da vida de Mário Juruna, os ataques aos direitos constitucionais dos indígenas.

Confira a programação completa dos filmes, conferência, rituais e rodas de conversas.

Serviço:

5º Cine Kurumin – Mostra de Cinema Indígena

Salvador – Palacete das Artes
Salvador | 4 a 6 de março de 2016
Local: Palacete das Artes – Rodin Bahia. Rua da Graça, 289 – Graça
Abertura: 15h

Aldeia Kiriri
Banzaê | 1º a 3 de abril de 2016
Abertura: 19h

Realização: Espalha Semente
Informações: cinekurumin@gmail.com

 

Este texto foi adaptado do site da Secretaria de Cultura da Bahia.