Quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova do ENEM?

Oi! Tudo bem com você? Vamos dar continuidade ao Mutirão para o ENEM, do Blog da Rede. Hoje, é dia de compartilhar alguns conteúdos de Língua Portuguesa, disciplina que integra a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para você, que está estudando para o exame, é importante saber quais conteúdos de Língua Portuguesa são mais recorrentes na prova? Se respondeu “sim” ao questionamento, acompanhe esta postagem até o final. Vamos lá?!


A prova do ENEM, em geral, exige que o candidato faça muita interpretação de texto para responder às questões. E isso, claro, está o tempo todo presente na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Para interpretar um texto com eficiência, é importante que o candidato tenha uma boa leitura de mundo e faça associações coerentes com aquilo que é exigido no enunciado. Veja um exemplo de questão, do ENEM 2016:

Outro assunto recorrente no ENEM, voltado para Língua Portuguesa e presente também em provas de outras áreas do conhecimento, são os Gêneros Textuais. Eles se caracterizam por ser produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa do nosso cotidiano. A prova exige do candidato o reconhecimento das características do gênero e, obviamente, a interpretação do texto. Segue uma outra questão do ENEM 2016:

Aqui no blog, já falamos sobre gêneros textuais. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2016/08/22/generos-textuais-no-enem/.

Nós somos falantes de língua portuguesa, mas você sabe que a nossa forma de falar não é padronizada. Há, dentro de um mesmo Brasil, diferentes formas de falar uma mesma coisa. Isso tem a ver com variação linguística, que é um fenômeno da língua que tem razões históricas e culturais. No ENEM, questões de variação linguística são bem frequentes. Veja a questão a seguir, do ENEM 2011.

No nosso blog, já falamos sobre variação linguística. Segue o link do texto sobre o baianês: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2017/06/09/o-baianes-nosso-de-todo-dia/.

Para nos expressar, usamos várias linguagens e todas elas têm uma função, uma intenção. No ENEM, predominam questões relacionadas às Funções da Linguagem. Todo ato de comunicação envolve seis componentes essenciais: o locutor, o interlocutor, a mensagem, o código, o canal e o referente. No nosso blog, já falamos sobre essas funções. Segue o link: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/09/02/a-linguagem-e-suas-funcoes/. Vamos ver um exemplo de questão sobre esse assunto no ENEM 2016?

A Literatura também tem presença garantida na prova do ENEM. Dentre as escolas literárias, o Modernismo é uma das mais frequentes no exame. O movimento modernista foi uma manifestação cultural que tinha em sua essência buscar a ruptura, em termos artísticos, com o que estava estabelecido na sociedade. Para os modernistas, o artista tinha que ter liberdade de criação, não se fechando a nenhum método e sempre tendo a identidade brasileira como norteadora. Na questão seguinte, do ENEM 2016, essa característica fica evidenciada.

Consulte o texto O Enem e o Modernismo, que foi publicado no nosso blog: blog.pat.educacao.ba.gov.br/blog/2013/10/21/o-enem-e-o-modernismo/.

Gabarito: 102: E, 103: C, 131: C, 96: A, 107: C.

Sucesso no ENEM!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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Vc jaH imaginoW te D encaraH 1 textU TdO escritU assim?

    A escrita surgiu tardiamente, se comparada ao aparecimento da linguagem, mas, sem dúvida, trouxe importantes mudanças no mundo: desenvolveu a comunicação entre os homens, permitindo-lhes derrubar barreiras que serviam de distanciamento entre grupos, oportunizou intercâmbio, trocas de informação, preservação da memória, além de favorecer o desenvolvimento intelectual do ser humano.

    Este processo segue em constante evolução, afetado fortemente pelo avanço das novas tecnologias, mais recentemente pelas chamadas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). A partir do final do século passado, a internet e, mais especificamente, a comunicação por ela proporcionada, revelou-se como a maior revolução na comunicação, desde a invenção da escrita. Todos os meios de comunicação até então em uso proporcionaram, de modo mais ou menos incisivo, modificações na sociedade e na visão de mundo das pessoas e contribuíram, fundamentalmente, para a agilidade e eficiência da comunicação. A internet, entretanto, proporcionou, além disso, a extensão de algumas das nossas capacidades naturais: ela nos permite apreciar coisas que naturalmente não poderíamos ver e, além disso, interagir com elas, tocando-as em sua realidade virtual; ouvindo o que desejamos, conversando com quem não conhecemos, entre outras façanhas.

    A internet também vem inaugurando alterações na forma de escrita, tendo inclusive uma abordagem própria: a linguagem virtual ou o “internetês”, como é chamado popularmente. Trata-se de uma linguagem informal, baseada na simplificação da escrita, com recursos que a transformam em uma linguagem taquigráfica, fonética e visual, observada especialmente no chat do Facebook, Twitter, Instagram, e, sobretudo, no WatsApp. Na expressão “Q 9da10 vc ten?”, temos um exemplo da linguagem comumente utilizada nestes aplicativos e para acessá-la – “Que novidades você tem?” – é necessário recorrer especialmente à visão. É que nesta nova linguagem as palavras são, sobretudo, vistas. O que se vê (lê) não são palavras tal como as conhecemos em seu formato ortográfico, mas símbolos codificados que evocam no leitor palavras reais. É vasto o repertório: vc – você; blz – beleza; naum – não; cmg – comigo; neh – não é; kd – cadê; flw – falou; blza – beleza, entre outros. Como bem referiu Joel Birman, UERJ, em recente colóquio “Psicanálise, Educação e Política em tempos incertos: che vuoi?“, promovido pela UNEB: entre os adolescentes, maiores usuários das redes sociais, observamos “uma linguagem rica com muita metonímia e pouca metáfora“. Este recurso é absolutamente novo, se assemelha, mas não se confunde com siglas ou acrônimos. Uma sigla resulta da redução de um grupo de palavras às suas iniciais, de acordo com a designação de cada letra; acrônimo, por sua vez, compreende-se como a junção de letras ou sílabas iniciais de um grupo de palavras e se pronuncia como uma palavra só, respeitando a estrutura silábica da língua. Tão vasto quanto pontos de interrogação, exclamação e reticências, os emoticons e gifs são excessivamente utilizados. Tudo com a intenção de emprestar à escrita uma entonação mais próxima da fala e tornar a conversa mais atrativa.

Fonte: Wikpedia.org/wiki/internet%C3%AAs

    O “internetês” tem trazido uma nova preocupação entre os educadores. Muitos deles predizem que o uso das novidades virtuais pode ocasionar a perda dos padrões ortográficos e escritas cada vez menos adequadas a outros contextos de produção. Em oposição a essa ideia, outros consideram benéfica a influência da internet na construção da linguagem pelos adolescentes, que estão, muitas vezes, aprimorando o processo de produção escrita. “[…] Jamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto”, diz Fernanda Maria Pereira Freire, pesquisadora que atua na área de Linguagens e Tecnologias. Ela defende que a comunicação mediada por computadores têm permitido o exercício da linguagem escrita de maneira diferenciada e destaca que “ferramentas para a produção escrita (editores de texto, de páginas web, de histórias em quadrinho) e para a comunicação à distância (bate-papo, icq e correio eletrônico) inauguram novas condições de produção de discurso, integrando elementos originais ao que hoje denominamos leitura-escrita.” Nas telas e não nos papéis impressos, mais uma característica do internetês é o uso de onomatopéias para representar um som ou enfatizar determinada sílaba. Isso promove nos interlocutores a compreensão de como determinada palavra deve ser lida e que intenções carregam.

    Esta forma de comunicação divide opiniões, como antes fora dito. Podemos considerar, entretanto, que “nenhum instrumento ou tecnologia inventada pelo homem pode ser intrinsecamente positivo ou negativo, certo ou errado, útil ou perigoso. É só a utilização que disso se faz que pode ser julgada com regras éticas”, como sinaliza Roberto Fasciani. E é esta a discussão que deve ser estimulada nas escolas e outros espaços de educação.

Lilia Rezende
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Referências:
FASCIANI, Roberto. Novas tecnologias informáticas, mass media e relações afetivas.
FREIRE, Fernanda M. P. A palavra (re)escrita e (re)valida via Internet. In: SILVA, Ezequiel T. da (Coord.); FREIRE, Fernanda; ALMEIDA, Rubens Queiroz de; AMARAL, Sergio F. do. A leitura nos oceanos da internet. SP: Cortez, 2003. 127 p. p.19-32.

O baianês nosso de todo dia

Colé de mermo! Tá tudo massa? Hoje, a gente vai trocar uma ideia sobre o baianês. Você tá ligado? Não precisa ficar agoniado, não. É de boa! Tá rebocado! Só não vamos entrar na molequeira, porque a coisa aqui é séria. Brincadeiras à parte, se você é baiano, já prestou atenção ao nosso modo de falar? Temos uma forma própria de nos expressar e, muitas vezes, a gente não atenta para isso. Essa forma, obviamente, não é homogênea, padronizada, mas faz parte dos nossos costumes. Repare como eu comecei este texto. Oxe! Olha o baianês aí de novo!

Fig. 1: capa da 2ª edição do Dicionário de Baianês, publicada em 1992. Foto: Raulino Júnior

O baianês é um dialeto do português brasileiro, cujo uso frequente se dá no estado da Bahia. Ele é formado por palavras e expressões que caracterizam a cultura do povo baiano. A sua composição tem influências históricas, principalmente quando se pensa nas correntes migratórias da época do Período Colonial, quando Salvador protagonizava as ações administrativas do Brasil. A então capital do país influenciou e contribuiu para consolidar essa forma peculiar de se comunicar.

Há uma vertente da Linguística, a ciência da linguagem, que estuda esse fenômeno da língua: a Sociolinguísitca. Ela se debruça, de forma científica, sobre os aspectos linguísticos e sociais que são evidenciados na relação entre língua e sociedade. É um estudo muito interessante! Porque, para a Sociolinguística, as condições de produção devem sempre ser consideradas. Uma pergunta-guia é: por que tal falante usa tal forma para se comunicar? Daí vem toda a investigação. O estudo é descritivo, voltado para o emprego linguístico concreto. Os fatos da língua são investigados pelos sociolinguistas tomando como base o uso vivo dela. Nesse sentido, noções de “certo” e “errado” não são levadas em consideração. É assim com o dialeto baiano. Expressões como “Colé, bródi!” e “Ópraisso!” se justificam devido a essa investigação científica.

Contudo, como o baianês é uma linguagem que nasce da fala, é preciso ter consciência para a adequação do seu uso, além de atentar para as diferenças existentes entre a língua falada e a língua escrita. Numa conversa com amigos, no pátio da escola, temos uma forma mais descontraída de falar, com reduções de palavras e uso de gírias, por exemplo. Entretanto, numa entrevista de emprego, a nossa fala, geralmente, se torna mais formal.

Quem investigou e registrou a nossa forma de falar foi o engenheiro Nivaldo Lariú, que é natural de Itaperuna, município do Rio de Janeiro. Ele radicou-se na Bahia há mais de 40 anos e catalogou as palavras e expressões ditas pelos baianos no Dicionário de Baianês. O livro já tem mais de 1500 verbetes e é um dos poucos registros sobre o dialeto. Vale muito a pena consultá-lo. Quer pegar o boi? Corra atrás da obra, criatura!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Duas faces de uma mesma prática

A leitura é muito mais

do que decifrar palavras.

Quem quiser parar pra ver

pode até se surpreender:

vai ler nas folhas do chão,

se é outono ou se é verão;

nas ondas soltas do mar,

se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,

se trabalha ou se é à-toa…”

O trecho acima, do poema Aula de Leitura, do escritor, ilustrador e pesquisador paulista Ricardo Azevedo, mostra como a leitura é uma prática que nos enche de possibilidades de ver o mundo. Através dela, a gente decifra tudo, até as coisas consideradas mais difíceis. Por mais clichê que pareça, para quem lê, a vida tem outra face e várias facetas. Quem lê, de fato, se torna possível e passível; porque leitura é sentimento.

Fig. 1: Família “Leitura e Escrita” (da esquerda para a direita): Rodrigo de La Rocha, Diego Santoro, Elaine Camacã, Alex Simões, Mariângela Nogueira (sentada), Larissa Kharkevitch, Anderson Shon, Nana de Carvalho e Armando Almeida. Foto/Edição: Peterson Azevedo.

A Fundação Pedro Calmon (FPC), através da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), levou essa afirmativa ao pé da letra e criou o projeto Memórias de Leitura, com o objetivo de estimular a leitura. Quinze vídeos foram publicados, com pessoas falando sobre as suas primeiras experiências com a prática de ler. O resultado pode ser visto na programação da TV Educativa da Bahia (TVE-Bahia), nos sites e mídias sociais do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e da própria FPC.

A fim de saber um pouco mais sobre o projeto e discutir o papel da escola nesse estímulo à leitura, a equipe do Blog do Professor Web e da Professora Online conversou com Mariângela Nogueira, 58 anos, diretora da DLL. Veja, no vídeo a seguir, o que ela disse:

O projeto Memórias de Leitura foi produzido, como afirmou Mariângela, durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), em outubro de 2016. O poeta Alex Simões, 43 anos; o tradutor, poeta e escritor Rodrigo de La Rocha, 28 anos; e o professor e escritor Anderson Shon, de 29 anos, foram algumas das pessoas que compartilharam as memórias. A convite do nosso blog, eles falaram como foi essa experiência e opinaram sobre a importância da iniciativa:

O Memórias de Leitura foi gravado por jovens integrantes da Cipó Comunicação Interativa e a produção teve apoio da DLL. Por curiosidade, você gostaria de saber quais são as memórias de leitura de quem idealizou a iniciativa? Nós também! Por isso, perguntamos à equipe que compõe a Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon: quais são as memórias de leitura de vocês? Neste vídeo, você confere os depoimentos:

IV Concurso de Escritores Escolares

Outra ação da DLL (FPC) que tem a leitura como mote é o Concurso de Escritores Escolares. Isso porque todo ato de escrita pressupõe o de leitura. Na sua 4ª edição, o concurso é voltado para estudantes regularmente matriculados no Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, das redes pública e particular da Bahia. Cada estudante só pode se inscrever em uma das categorias (redação ou poesia), com texto inédito, ficcional ou não. O tema das produções é livre. No vídeo a seguir, Armando Almeida, 60 anos, coordenador de Leitura da DLL, fala como se deu a adesão das escolas ao concurso, durante todo esse tempo, e sobre o estímulo à escrita:

O professor Anderson Shon, que participa há dois anos do concurso, estimulando os seus alunos, diz que faz a sensibilização focando na escrita criativa: “Eu sempre trabalhei redação longe de qualquer objetivo de passar no ENEM, de passar em vestibular. Eu sempre foquei em escrita criativa. Quando eu soube do concurso, lá na 2ª edição, para mim, era a ideia de validar os meus conhecimentos e os conhecimentos deles. Porque a gente escrevia, a gente gostava, mas a gente nunca tinha passado por uma avaliação. Na primeira vez que eu participei, tive sete alunos premiados. No ano passado, tive Beatriz Vieira em primeiro lugar. A gente já trabalhava a escrita de uma forma extremamente criativa. Minha ideia de trabalhar a escrita com eles é no conceito de que a escrita é viva. Nas nossas aulas, não existe nada que esteja extremamente errado. Para mim, estimular os alunos, é sempre desafiá-los, mostrar que eles são capazes, criativos e com condições de virarem escritores no futuro”, pontua.

As inscrições para participar do IV Concurso de Escritores Escolares poderão ser feitas até 14 de junho, na sede da FPC, que fica na Avenida Sete de Setembro, Edifício Brasilgás, 4º andar, sala 01, Centro, Salvador-BA, CEP.: 40060-001. Quem não mora na capital, pode fazer a inscrição pelo correio, com Aviso de Recebimento (AR). Dezoito candidatos serão contemplados, com prêmios como notebook, tablet, e-book e kits de 50, 40 ou 30 livros. Para saber mais informações sobre o concurso, acesse o site www.fpc.ba.gov.br. Sucesso! E não esqueça: a leitura te leva para qualquer lugar. Basta você querer!

Texto/Produção: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Edição/Finalização: Keops Maciel

Agradecimentos à equipe da Diretoria do Livro e da Leitura, da Fundação Pedro Calmon, e a todas as pessoas que participaram desta reportagem.

Escritores Baianos, Aqui e Acolá

Abril. Abre-se, em nosso blog, um espaço maior para a literatura. Nossa escolha é dar visibilidade à produção literária do estado da Bahia e estimular a apreciação estética das obras destes novos escritores. Ao mesmo tempo, realizaremos uma conversa entre a literatura e outras linguagens artísticas aqui produzidas, como teatro, dança, música e audiovisual.

Durante o ensino médio, nas aulas de Literatura, há a recomendação ou exigência da leitura de vários livros clássicos, de autores brasileiros ou portugueses. Para a maioria dos estudantes, essa atividade é extremamente desafiadora: ler livros que foram escritos há séculos, com uma linguagem bastante diferente da nossa, descrevendo uma realidade aparentemente muito distante.

Respeitando os direitos imprescritíveis do leitor, como sugere Daniel Penac, …

O direito de não ler;  de pular as páginas; de não terminar de ler o livro; de reler; de ler no importa o quê; o direito ao “bovarysmo”; de ler não importa onde; o direito de “colher aqui e acolá”; o direito de ler em voz alta;  de se calar.”

… em algum momento haverá o reconhecimento de que esses textos da escrita universal permitem ao leitor descobrir mais sobre a alma, o mundo e os recursos estilísticos da língua. Seus autores são verdadeiros artistas, são artistas da palavra: esculpem a língua com cuidado e estilo e põem em evidência os principais conflitos da existência humana.

Desta vez, no Blog queremos dar espaço aos novos escritores. Na última década houve uma diversificada atividade literária com produção de livros de novos autores que, infelizmente, por circunstâncias de distribuição, não chegaram às livrarias do país. Esta é uma boa ocasião para apresentar escritores que estão aqui – os que nasceram, residem e produzem em sua própria terra – bem mais perto que imaginam. Não digo apenas dos escritores de obras consagradas,  nascidas em terras nossas, digo mesmo dos contemporâneos escritores.

Entre 2015 e 2016, num projeto denominado Mapa da Palavrafoi constituída uma chamada pública para a seleção de produções artísticas e literárias realizadas em nosso estado. Resultado: duzentos e setenta e cinco artistas da palavra se cadastraram e tiveram suas obras publicadas em plataforma virtual ou em versão impressa. Teremos aqui no blog, na TV e na nossa Rádio Anísio Teixeira grandes encontros e conversas com escritores da nossa Bahia.

De abril em diante, algumas postagens estarão aqui para “degustação”. Aguardem! Enquanto isso, podem ir se deleitando com o que a Rede Anísio Teixeira produziu no quadro “Poesia de Cada Dia” com textos de poetas brasileiros. Aqui, apenas um dos muitos que vocês podem acessar no Ambiente Educacional Web.

Até mais!

Lilia Rezende

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino

 

 

Possibilidades

Nos processos pedagógicos[1] assumimos, muitas vezes, posturas radicais no sentido das definições disto ou daquilo. Conhecer, interpretar e agir diferem de pessoa para pessoa, por termos o tempo e a cultura em constante transformação. Paulo Freire, em sua trajetória questionadora, estimula e provoca constantemente a liberdade de associações e expressões de modo que não existam distinções ou privilégios de classes hereditárias ou arbitrárias. Referindo-se à relação entre educando e educadores qualquer que seja o lugar que ocupemos no momento, ele diz: “uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas”.

Contudo, está associado à ciência o pensar, o ser objetivo, remetendo ao grego ísos=igual. A ciência possui conhecimentos sistematizados, adquiridos via observação, identificação, pesquisa. Suas explicações são formuladas  através de determinadas categorias que buscam explicar fenômenos e fatos, formulados metódica e racionalmente. A ciência baseia seus conhecimentos em provas, princípios, argumentações ou demonstrações que garantam ou legitimem a sua validade. Por outro lado, a subjetividade associa-se ao conhecimento  para a qual a distinção entre verdadeiro e falso não tem valor objetivo, que agrega o mito ou desigual ou aníso do grego: anísos.

Essa dicotomia entre esses conceitos relativos ao pensar leva-nos a um dos mitos africanos o Espelho de Olorum. Diz a lenda que no princípio havia só uma verdade no mundo. Orun que era o mundo invisível, espiritual, um grande espelho e Aiyê, ou mundo natural. Sendo assim, tudo que estava no mundo espiritual, Orun, se materializava, refletia no Aiyê. Assim, todos os acontecimentos eram verdadeiros! O espelho da Verdade ficava entre os dois: Orun e Aiyê. No mundo natural, havia uma jovem chamada Mahura, que ajudava sua mãe pilando inhame. Certo dia, sua mão tocou no espelho e se espatifou pelo mundo.  Mahura tenta pedir desculpas para Olorum (o Deus Supremo). Olorum a escuta e determina que a partir daquele dia não existirá mais uma verdade única. Como o espelho espelha a imagem onde ele se encontra, cada parte do espelho será uma parte da verdade.

Se na prática humana existe a experiência ou experiências, do latim experientìa, significando prova, ensaio, tentativa; exame, prática, sapiência como também: ato ou efeito de experimentar(-se)[2] . Esse experienciar igual a experimentar pode assumir o caráter de contingência, incerteza se algo acontecerá ou não ou de contundência, de forma incisiva, categórica, terminante. Questões muito claras e distintas nos são exibidas no dia a dia.  É como se estivéssemos tentando atravessar uma linha férrea onde devemos: parar, escutar, olhar para os lados, observar e seguir, se for o caso. Então, cada ser humano identifica e apreende o conhecimento baseado em suas vivências ou experiências. É impossível vermos com o “mundo” do outro um mesmo objeto.

Sendo assim, podemos deduzir que o tempo através da cultura pode transformar um mesmo conceito ou ponto de vista. Como diz o grande pensador Sócrates e o seu método, a maiêutica (grego maieutike), aprendemos a partir do diálogo a descoberta da verdade individual, o que nos leva a entender que não existe uma constituição solitária. Citando também outro pensador, Gaston Bachelard: ” Resta, então, a tarefa mais difícil: colocar a cultura científica em estado de mobilização permanente, substituir o saber fechado e estático por um conhecimento aberto e dinâmico, dialetizar todas as variáveis experimentais, oferecer enfim à razão razões para evoluir”.

Sendo assim, em termos de verdades, a única coisa que podemos dizer é: no momento!

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REFERÊNCIAS:

BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de janeiro:Contraponto, 1996.

DESCOBERTA. In. BARROS JR., José Jardim de. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001. 1 CD-ROM

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed., São Paulo: Paz e Terra, 2011.

[1] https://www.dicio.com.br/pedagogico/ ciência que se dedica ao processo de educação dos jovens, estudando os problemas que se relacionam com o seu desenvolvimento.

[2] 1) Experimentação, experimento (método científico) ;2) Qualquer conhecimento obtido por meio dos sentidos ;3) Forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida; prática 4) Forma de conhecimento específico, ou de perícia, que,adquirida por meio de aprendizado sistemático, se aprimora com o correr do tempo; prática 5) Tentativa, ensaio, prova.

Fátima Coelho

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Tropicália

Onde esta a criatividade e a coragem do povo brasileiro?

Dentre tantos exemplos, podemos citar o Tropicalismo. Esse foi  o movimento musical popular, ocorrido nos anos 60, mas que teve influência sobre a poesia, as artes plásticas, o teatro e o cinema.

O nome do movimento foi originado a partir de um projeto ambiental do arquiteto Hélio Oiticica, na exposição “Nova objetividade brasileira”, exposta no MAM no Rio de Janeiro, em 1967. A exposição de Oiticica relacionava o contexto das vanguardas da época e as diversas manifestações da arte.

O movimento originou-se, nos grandes festivais de MPB dos anos 60. Com letras que apresentavam um tom poético, fazendo críticas sociais de um jeito inovador e criativo sobre o regime militar. O Tropicalismo revolucionou a música popular brasileira, até então dominada pela Bossa Nova. O fundamental para o movimento era a liberdade.

Os artistas do Tropicalismo tinham um descompromisso total com os estilos, os modismos, o comum. Adotavam uma visão latino-americana usando temas cotidianos. Cheios de humor e irreverência, os tropicalistas buscavam combater o nacionalismo infligido pela Ditadura Militar, rejeitando a à intenção romântica da MPB, usando uma linguagem mais realista e atual, além de desmistificar a tradicional música brasileira ao colocar em conflito seus principais elementos.

Um retorno à ideologia do movimento antropofágico de Oswald de Andrade , alimentando e ingerindo qualquer tipo de cultura: dos Beatles à cultura hippie norte americana e regurgitando crítica aos valores éticos, morais e estéticos da cultura brasileira.

Veja mais sobre a Tropicália no Ambiente Educacional Web.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1501

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1541

Geize Gonçalves

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia