Arte perigosa!

Salve, gente boa que prestigia o nosso blog!

Muito provavelmente você já viu alguém fazendo pinturas incríveis em azulejos em alguma calçada. São verdadeiras obras de arte que exprimem sensibilidade e criatividade. Normalmente, são artistas de rua que usam os dedos para dar efeitos impressionantes à tinta que é aplicada ao azulejo através de spray como na foto 1, a seguir:

arte perigosa

Foto 1: Arte perigosa! Por Sílvia Santana.

A mistura de tinta com ar, formando uma dispersão de pequenas partículas, chamada de aerosol, pode ser obtida através de latas de spray (foto 2) ou produzida com o auxílio de um sistema de bombeamento (bombas ou borrifadores de inseticida ou equipamentos específicos, como compressores de ar acoplados a recipientes que permitem borrifar a mistura).

Spray_cans

Foto 2: Latas de tinta em spray. Por Levi Siuzdak – Obra do próprio, GFDL, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5225012

Na foto 1, os pintores são três crianças que usam os dedos como pincéis e as suas camisas para retirar os excessos de tintas e aplicar efeitos. Eles usam o mesmo tipo de tinta dos artistas que fazem grafite.

Para saber mais sobre o grafite, veja a postagem: Graffitti: a arte nas ruas – Expressão e liberdade!

Disponível em: https://oprofessorweb.wordpress.com/2013/04/15/graffiti-a-arte-nas-ruas-expressao-e-liberdade/

Veja também o episódio do quadro Cotidiano: Salvador, Salve a Cor

Disponível em: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3938

No uso das tintas spray, os fabricantes recomendam o uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), tais como máscaras, óculos de proteção e luvas. Sem qualquer tipo de proteção, os pintores de azulejos têm uma exposição muito prolongada aos componentes das tintas, uma vez que além da inalação típica da produção no grafite, usam as mãos para dar formas às tintas.  Para remover a tinta impregnada no seu corpo, costumeiramente, usam solventes orgânicos como gasolina ou removedor, ambos comprovadamente tóxicos.

As tintas spray já apresentam na sua composição solventes orgânicos (tolueno, xileno e derivados). As tintas mais baratas e as importadas clandestinamente, que não sofrem fiscalização, podem conter também metais pesados como o chumbo, o níquel e o cádmio, que são neurointoxicantes e bioacumulativos.

Os solventes orgânicos, de modo geral, são depressores do sistema nervoso central e, de acordo com o período, freqüência e intensidade da exposição, provocam desde sonolência, confusão mental e cefaléia, até depressão respiratória, coma e morte (PEDROZO & SIQUEIRA, 1989).

Os autores citam ainda como consequências: a dependência psíquica mais ligada à intensidade da exposição do que do tipo de solvente, e a  ansiedade e a depressão que podem surgir quando o uso é descontínuo. Se a exposição começa muito cedo como no caso do registro fotográfico do início dessa postagem, os efeitos cumulativos podem ser ainda mais nocivos à saúde.

A foto 1 expressa, ao mesmo tempo, a arte que deixa turistas encantados, o talento quase natural das crianças em paralelo à condição de risco à saúde e ao trabalho precoce que serve como fonte de renda. Trata-se de um quadro real que precisa ser objeto de reflexão, regulamentação e de transformação. Como você interpreta esse quadro? Poste seu comentário!

Referências:

PEDROZO, M. de F.M. & SIQUEIRA, M.E.P.B. de. Solventes de cola: abuso e efeitos nocivos à saúde. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 23:336-40, 1989.

Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico. TINTA SPRAY USO GERAL. Orbi Quimica. 2014. Disponível em: <http://orbiquimica.com.br/site/wp-content/uploads/2014/04/FISPQ-TintaSprayUsoGeral.pdf>. Acesso em 18 de abril de 2017.

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Graffiti: a arte nas ruas – Expressão e liberdade!

Olá, amig@s!

Nas grandes cidades, torna-se cada dia mais difícil apreciar belas paisagens ao longo do caminho que percorremos. Seja no trajeto para o trabalho ou em direção à escola, somos bombardeados com um turbilhão de informações e publicidades, que tentam moldar a nossa interpretação sobre a vida.

Deste modo, a expressividade contida em cada um de nós, vai dando lugar ao silêncio e embrutecimento, divagando o nosso olhar do que é belo, sobre o que é arte e o quanto esta tem valor em nosso cotidiano e na relação com o mundo.

Mas é possível, em meio a tudo isso, romper determinadas amarras e conceitos, contemplar e promover arte urbana, poesia e expressão – com um spray na mão e muitas, centenas de ideias na cabeça. Estamos falando do Graffiti, um dos 4 elementos básicos da cultura Hip Hop, que é composta também pelo MC, DJ e o Break.

E todo esse poder de comunicação e talento artístico, podem ser vistos nas paredes das cidades, onde grupos organizados por jovens, geralmente oriundos das periferias, alimentam as nossas almas e encantam os nossos olhos com o retrato social daquilo que convivem diariamente.

Esse é o caso do artista plástico Marcos Costa, que desde a adolescência despertou o interesse e talento pelas artes visuais, dedicando a sua vida a essa causa, o que o levou das carteiras da escola pública, à Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.

Junto com amig@s e o seu “Spray Cabuloso”, tem contribuído e participado da consolidação da identidade juvenil, por meio da liberdade de expressão, como pode ser conferido nas paredes de diversas instituições e colégios públicos estaduais, como exemplos recentes, podemos citar o Instituto Anísio Teixeira (*IAT), Colégio Bolívar Santana e Escola de Aplicação Anísio Teixeira, fortalecendo no espaço escolar o protagonismo da cultura e arte livre, dando lugar ao talento e rechaçando a marginalização imposta por anos de exclusão do ativismo popular e juvenil.

Em um breve bate papo com a equipe do PW, Marcos salientou o impacto dessa arte para a sociedade:

– “O Graffiti é uma linguagem Artística que valoriza o espaço urbano e dialoga igualitariamente com todos os cidadãos, sem discriminação. É para mim o maior expoente de pintura contemporânea resignificando os ambientes e levando Arte para todo mundo.”

E contou ainda, que acredita na importância desse trabalho para a juventude, em especial a da periferia, pois: “através do Graffiti, do Break ou do RAP pode contribuir bastante no incentivo aos estudos, na diminuição do Bullying e preconceitos raciais, na elevação da autoestima da juventude negra e principalmente na construção e solidificação da Cultura da Paz.”

Valorizando a iniciativa e convite do Instituto, o artista falou também da necessidade da inserção do Graffiti como elemento de estudo em disciplinas como educação artística, bem como na customização das fardas escolares

Acho que as Escolas precisam de Arte Graffiti não somente nas disciplinas, mas, no design das fardas, do material escolar, nas paredes das escolas, etc.” disse.

Confiram, algumas belíssimas fotos da fachada da Escola Estadual de Aplicação Anísio Teixeira – Cliquem aqui!

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*Participaram também da Intervenção no IAT, os Artistas: Trigo (Geferson Santos) e Thito Lama.

Além da força e da estética desse movimento multicultural, Marcos reflete também sobre a possibilidade de colaboração, nos diversos espaços sociais, com profissionais que desejam dar resignificação a estes:

Escolas, Associações de Bairros, Empresas e Cooperativas podem resignificar suas fachadas ou ambientes internos tornando-os mais originais e com toque especial através do Graffiti, que é uma Arte popular, mas é de valor inestimável. Quando grafitamos um muro damos a ele o Status de uma Obra de Arte Original.”

Quanta arte e expressão, não é mesmo pessoal?!

Saibam mais sobre a intervenção urbana por meio desta arte – Acessem o blog – Spray Cabuloso

Diretores (as), estudantes, professores (as) e comunidade escolar, podem convidar Marcos Costa, através dos contatos – Cliquem aqui!

Abraços!

Fonte: https://oprofessorweb.wordpress.com/2012/11/13/dia-internacional-do-hip-hop/

Fotos: Marcos Costa.

Colaborou: Roberta Rodrigues – Jornalista da Unidade de comunicação do Instituto Anísio Teixeira.

Lançamento do Museu de Street Art de Salvador – MUSAS

Salve, turma esperta!

Aconteceu em Salvador na última sexta-feira, 10 de agosto, o lançamento do Museu de Street Art de Salvador, o MUSAS. Com sede em um imóvel da localidade conhecida como Gamboa de Baixo – ao lado da Av. Lafayete Coutinho, a popular Av. Contorno – o espaço, fruto de uma iniciativa de jovens artistas, produtores(as) e agitadores(as) culturais de diversos países, pretende ser uma alternativa para quem se interessa pela “arte de rua” ou “arte urbana”, onde se destacam elementos como a música e o grafite.

Além do “mutirão de grafite” que coloriu e encheu de arte parte das ruas da comunidade, o evento contou ainda com uma exposição de fotografias de artistas locais, varal de leitura onde se podia ter acesso a livros e revistas e com um pequeno brechó de roupas e acessórios.

A equipe do Professor Web esteve presente no encontro participando das atividades, divulgando os conteúdos educacionais da Rede Anísio Teixeira e fortalecendo a interação entre a Secretaria estadual da Educação e as ações promovidas pela comunidade escolar baiana. Confiram abaixo as entrevistas com o idealizador da iniciativa, o grafiteiro e cenógrafo Júlio Costa e com a modelista Taís Muniz, organizadora do brechó:

PROFESSOR WEB: Qual o objetivo do evento?

JÚLIO COSTA: Inicialmente inaugurar o espaço. Segundo, pintar toda a comunidade, não só fazendo graffiti mas pintando as casas mesmo, além de promover cultura e demonstrar que a gente não precisa de tanto pra fazer as coisas acontecerem, porque aqui a maioria das coisas é feita com reciclagem e doação de amigos.

PROFESSOR WEB: O projeto pretende ter continuidade?

JÚLIO COSTA: Esta ação pretende ter continuidade, contando com esse espaço físico, que é a sede, com um ateliê, uma galeria e outras possibilidades, abrindo espaço para artistas locais mostrarem seus trabalhos e trocarem informações. Temos também a intenção de oferecer uma residência artística aqui.

PROFESSOR WEB: Como os(as) moradores(as) do bairro tem visto esta ação?

JÚLIO COSTA: Eles (os moradores) tem aberto as portas e a maioria liberou as suas próprias casas pra pintar. Uma senhora vem aqui e traz uma máscara, um morador serve uma água, um suco, o outro vem aqui ver o espaço, como já vieram vários, está sendo ótima a interação. Nós fizemos uma experiência de seis meses morando aqui no bairro antes de abrir o espaço, pra fortalecer a convivência, mesmo.

PROFESSOR WEB: O que você está achando do evento?

TAÍS MUNIZ: O evento está acontecendo como um grande sonho do Júlio Costa, juntamente com o coletivo de grafite, que veio com a intenção de agregar pessoas a um lugar que é maravilhoso – apesar de recair sobre ele uma aura de violência, que se desfaz quando nos aproximamos do bairro – promovendo a interação e trazendo novas possibilidades para os(as) moradores(as) locais.

PROFESSOR WEB: Qual a importância desta iniciativa para o cenário artístico-cultural de Salvador e da Bahia?

TAÍS MUNIZ: Eu acho que vai trazer uma movimentação bem interessante, a princípio pelo próprio nome “Museu de Street Art” que por si só já gera uma curiosidade em quem se interessa pelo tema. Em Salvador várias pessoas tem despertado seu interesse pela arte de rua, em suas diversas vertentes, e ter um espaço onde essas pessoas possam estar, interagir, trocar e propor coisas é algo de agregador não só para a cidade, mas como para a Bahia.

Confiram algumas fotos do lançamento do MUSAS aqui.

Um abraço e até a próxima, pessoal!