Maria Quitéria: O Feminino nas Forças Armadas

Os ânimos em Salvador estavam exaltados no ano de 1821. O governo das armas, até então ocupado pelo brasileiro Manuel Pedro de Freitas Guimarães, por ordem da Coroa Portuguesa, passou a ser exercido pelo brigadeiro português Inácio Luís Madeira de Melo. Os oficiais brasileiros do 1º regimento se recusavam a aceitar a nomeação do dito brigadeiro. O conflito estava instaurado e muitos baianos não reconheciam o novo comandante português. O sentimento de Independência da Bahia do jugo português crescia nos corações dos baianos. Diante da ocupação portuguesa em Salvador, militares e civis brasileiros organizaram no Recôncavo a resistência contra as tropas portuguesas.

Figura 1

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Fonte: Domenico Failutti – Maria Quitéria

 

Foi nesse contexto que um emissário do governo visitou a fazenda Rio de Peixe do senhor Gonçalves de Almeida, em busca de voluntários para lutar contra as tropas de Madeira de Melo.  Convidado para jantar com toda a família Almeida, o emissário defendeu a importância da independência do Brasil. Sem filhos homens, entretanto, Gonçalves de Almeida não via como ajudar as tropas insurgentes.

Maria Quitéria, uma das filhas de Gonçalves de Almeida, ao ouvir a defesa entusiasmada do emissário pela defesa da Independência do Brasil, sugeriu ao pai que ela ingressasse no exército. Mas, naquela época, a sociedade acreditava que guerra não era lugar de mulher, tampouco o exército permitiria uma presença feminina entre seus soldados. Contra a vontade do pai, Maria Quitéria se travestiu de homem e se apresentou em Cachoeira no regimento de artilharia, depois se transferindo para a infantaria. Seus bravos feitos durante a guerra lhe renderam o posto de alferes e a Ordem de Cristo.  Essa história ficou registrada no diário de Maria Graham, uma inglesa que visitou o Brasil entre 1821 e 1823.

O preconceito contra as mulheres nas forças armadas começou a ser derrubado apenas na década de 1980, quando as escolas militares se abriram para a entrada delas. Por essa época também surgiram as primeiras delegacias para tratar especificamente da violência contra as mulheres. Ainda assim, muito precisa ser feito para equalizar as oportunidades entre homens e mulheres nesta instituição, pois as mulheres, atualmente, ainda não podem ocupar os cargos mais altos da hierarquia militar, reservado aos homens. Esses somam quase 90% do efetivo. Esses índices precisam ser mudados, afinal somos todos iguais! Lugar da mulher é em todos os lugares que elas queiram ocupar!

Para saber mais sobre o dois de Julho e Maria Quitéria, assista o episódio Dois de Julho do Quadro Histórias da Bahia no AEW.

Referências:

Maria Celina D`Araujo Brasil. Mulheres e Questões de Gênero nas Forças Armadas Brasileiras. http://www.itamaraty.gov.br/images/ed_pazeseg/Mulheres_paz/mulheresequestoesdegenero.pdf

Maria Graham. Journal of a Voyage to Brazil and Residence There during part of the years 1821,1822, 1823. Londres, 1824. file:///C:/Users/telma.santos/Documents/bibliografia/Maria_graham_voyage_brazil_1821_1822_1823.pdf

Maria Quitéria. commons.wikimedia.org373 × 599Pesquisa por imagemFile:Domenico Failutti – Maria Quitéria.jpg

Telma Gonçalves Santos

Professora e produtora de conteúdos pedagógicos da REDE Anísio Teixeira

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A Mulher e os Espaços Ocupados no Carnaval da Bahia

A mulher hoje vem ocupando lugares de destaque e respeito cada vez maiores na sociedade baiana e brasileira. Na música produzida no e/ou para o carnaval da Bahia, mais centralmente no carnaval de Salvador, a presença feminina é marcante nos dias atuais. O número de intérpretes femininas é grande e o foco midiático sobre elas também. Nem sempre foi assim. O modelo do carnaval de rua soteropolitano data suas origens nos anos 50  do século XX, quando a dupla  Dodô e Osmar criou a Fobica, que depois originou o moderno Trio Elétrico. Nos anos sessenta e setenta, os afoxés e blocos afro ampliam sua ação no carnaval.

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Fig. 1 – A Fobica, primeiro carro construído por Dodô e Osmar, precursor do moderno Trio Elétrico. Fonte: aufgenommen im Rathaus Salvador

 

A primeira cantora a subir num Trio Elétrico para cantar foi  Baby do Brasil (antes conhecida como Baby Consuelo). Baby possui timbre forte, voz de comando e passeava pelo repertório de frevos eletrizados, sambas elétricos e música pop dos anos setenta, que eram a tônica da sonoridade de sua turma de músicos e colegas. Baby abriu caminho para  artistas, como  Laurinha, Sarajane, Márcia Freire, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Márcia Short, Ivete Sangalo,  Cláudia Leitte, entre outras. Daniela Mercury nacionalizou a  Axé Music e começou a tratar de temas de afirmação política a respeito de gênero, intensificando essa postura ao final dos anos 2000. Margareth Menezes se afirma como uma voz negra a definir possibilidades de percepção do étnico e racial na festa. Ivete Sangalo assume o lugar da mulher bem-humorada e, de certa forma, sem preocupações políticas mais intensas. Claudia Leitte se apresenta como um feminino mais ligado a padrões estéticos pautados na cena pop norte-americana.

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Fig. 2 – Ivete Sangalo em Trio Elétrico                Foto: Sergio Savarese.

 

Todas estas mulheres que são vozes do carnaval e que em 2016 encontraram-se com um fenômeno de projeção instantânea e até certo ponto estranha vindo do sul da Bahia e que é alçada à categoria de “revelação” da festa pelas mídias locais: a Banda Vingadora, que traz como vocalista Tays Reis. E ficou famosa no carnaval de 2016 por causa das polêmicas que envolveram a música de trabalho da banda – Paredão Metralhadora. Um outro padrão de mulher aparece na cena do carnaval: Tays Reis, ao cantar a metralhadora numa referência ao “poder” das meninas sobre os rapazes leva a pensar sobre como pode querer ser encarada a nova mulher baiana e brasileira.

É interessante fazer uma observação importante. Neste mesmo ano de 2016, outra mulher baiana, a cantora Maria Bethânia – que comemorou cinqüenta anos de carreira em 2015 – é homenageada pela escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira, justamente com o tema “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”. Oyá, também chamada de Iansã, é uma divindade cultuada nos Candomblés brasileiros e associada ao perfil de mulher guerreira, forte, decidida, altiva e que ocupa lugares sociais no mesmo patamar dos homens.

Por Repórter Vladimir Platonow

Fig. 3 – Imagem de Desfile da Mangueira no carnaval carioca. Por: Repórter Vladimir Platonow / Agência Brasil

Desde Baby do Brasil, o carnaval de Salvador vê surgir mulheres que buscam espaço e fazem valer, cada uma à sua maneira, o exercício do feminino e das suas existências. Seus cantos são imperativos e – para além dos gostos particulares – expressam aspectos das identidades culturais que formam a Bahia.

Em 2016, o carnaval de Salvador faz surgir, através da fala da mídia, a Vingadora; e, ao mesmo tempo, o carnaval carioca homenageia a Bahia através da cultura afro-brasileira, tal como vista na trajetória de Maria Bethânia.

Para quem é soteropolitano, baiano ou mora em Salvador, este carnaval foi um momento de ver e rever possibilidades de mulheres que comandam (ou podem fazer parecer que comandam) suas vidas e cantam essas conquistas.

Até porque, melhor que vingar, é conquistar!

Os mitos de Oyá-Iansã confirmam!

Carlos Barros

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

Seja rosa! Não provoque!

Você já notou que em nossa cidade, nesse mês de outubro, alguns monumentos, viadutos, etc. ,estão iluminados na cor rosa? Você sabe o porquê disso? Certamente que sim. Mas se não sabe, vai aí uma dica: trata-se do “Outubro Rosa”. Assim como a fitinha vermelha simboliza a campanha anti-HIV, a cor rosa foi escolhida para simbolizar a luta contra o câncer de mama.

Fitinhas coloridas de rosa foram distribuídas durante uma corrida que ocorreu nos Estados Unidos, no ano de 1990. Foi a partir daí que o “Outubro Rosa” teve início, com o objetivo de conscientizar sobre o câncer de mama.

Imagem: Ana Rita

Imagem: Ana Rita

Imagem: Ana Rita

Imagem: Ana Rita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Outubro Rosa, a Campanha Rosa, Fundação Laço Rosa, Fundação do Câncer, e o INCA , abraçam a mesma causa: lutar contra o mal que acomete milhões de pessoas no mundo todo, o câncer!

Atenção! Os índices de câncer de mama vêm aumentando, tanto em países desenvolvidos, como nos países em desenvolvimento. No entanto, Sociedade Brasileira de Mastologia afirma que há diferenças nas taxas de incidências da doença entre as regiões brasileiras , sendo a Região Sudeste a de maior índice, seguida da Região Sul, Centro-Oeste, Nordeste, e a Região Norte.

Entre as mulheres do mundo e as brasileiras, o câncer de mama é o mais comum. O diagnóstico precoce é fundamental. A partir dele, a cura torna-se muito viável. É indicado fazer o autoexame, no entanto, só isso não basta, é necessário ir ao ginecologista uma vez por ano. Geralmente, antes dos 35 anos de idade, é menos comum o aparecimento do câncer de mamas. No entanto, mulheres com idade a partir dos 50 anos, ou mais , devem ficar ainda mais atentas, pois a partir dessa faixa etária é mais comum o aparecimento desse tipo de doença.

Você sabia que o homem também pode ser acometido por esse tipo de câncer? Num percentual de 1% dos casos da doença?Pois é, vamos ficar de olhos e ouvidos bem atentos.

Até breve!

Ana Rita Medrado.
Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia.
Referências:

http://www.fundacaolacorosa.com/ . Acesso em 12/10/2015.

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama . Acesso em 12/10/2015.

http://www.geriatrics.com.br/blog/?tag=cancer-de-mama . Acesso em 12/10/2015.

http://www.geriatrics.com.br/cead/noticias/outubro-rosa-mes-de-conscientizacao-a-respeito-do-cancer-de-mama . Acesso em 12/10/2015.

http://oncoguia.com.br/site/print.php?cat=143&id=2803&menu=2 . Acesso em 12/10/2015.

Mulher e Respeito: palavras que se gostam!

A mulher ocupa um espaço privilegiado na formação humana. Sua capacidade de gerar os novos seres humanos que habitam o planeta já leva, por si só, a uma necessidade de respeito singular.

Entretanto e infelizmente, ao longo da história, o feminino personificado na mulher não recebe o tratamento merecido, com dignidade e trato adequados por parte do mundo masculino.

No século XX, com avanços científicos e tecnológicos, a mulher precisou agarrar a unhas e cérebros possibilidades de mudanças desse estado de coisas. Nesse período de cem anos, o pensamento libertário de intelectuais do porte de Simone de Beauvoir, presença marcante da solidariedade e força espiritual de Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce ou Mãe Menininha do Gantois e a efervescência artística pelo mundo afora com muitas mulheres no centro foram necessários para chamar atenção dos homens no que diz respeito à necessidade de entender a mulher como vetor fundamental dos movimentos da vida.

Atualmente, depois de conquistas alcançadas por mérito, a mulher vem tendo cada vez mais condições de alicerçar este espaço de vitórias. No âmbito local, na Bahia, o carnaval vem destacando lutas simbólicas interessantes nos quesitos Direitos Humanos e particularmente nos direitos femininos.  Em 2015, uma campanha intitulada “Vá na moral ou vai se dar mal. Violência contra a mulher é crime!” recebeu um investimento de R$ 300 mil do Governo do Estado, com a intenção de conscientizar a população sobre a violência de gênero e sexual.

Além de mobilizar artistas ligados à festa para tratarem do tema em suas apresentações, a campanha ocupou o cenário do carnaval com cartazes abanadores distribuídos nas ruas.

A campanha e a mobilização em si chamam atenção para fatos alarmantes, como o índice ainda alto de casos de violência contra a mulher tanto no âmbito do carnaval quanto na vida cotidiana para além dessa festa. Entre violência verbal e física, 623 casos foram registrados em 2014, somente no período da folia, o que sugere a pertinência de ações constantes para salientar o respeito à dignidade da mulher na sua existência no mundo.

A violência não faz bem nem leva a lugares confortáveis e isso é um ensinamento histórico. O ser humano pode aprender a busca da paz como caminho de melhoria das condições gerais de habitar o planeta. Raça, gênero, credo, posição política, tipo físico não são elementos que devam ser tratados como motivo para agressões.

As diferenças fazem parte da vida. Todos devem ter o direito de ser o que são, respeitando a individualidade e o direito do outro também ser. Esse é o código de permanência de nós — seres humanos — neste mundo.

E como a arte também expressa estados da alma em suas dimensões políticas, termino este texto com uma canção que é referência para o feminino no Brasil. Na voz da cantora Maria Bethânia, a composição de Marina Lima e Antônio CíceroO lado quente do ser.

Porque todas as mulheres são especiais!

Salve o feminino!

Quer saber mais sobre o tema?

Acesse o Ambiente Educacional WEB.

Aqui, um vídeo bem interessante sobre Direitos e Cidadania:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/940

Por Carlos Barros

Arte educador, Professor e Cantor de música popular

Professor da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW – Rosas

Olá, galera esperta!

Já ouviu o grupo Atitude Feminina? O Radiola PW indica para você a música “Rosas”. Uma canção interessante que retrata uma realidade vivida por muitas mulheres no Brasil, onde essas são vítimas de violência física e psicológica de seus companheiros.


O grupo Atitude Feminina foi formado no ano 2000 e sempre esteve engajado nas questões que envolvem
violência doméstica e a discriminação contra as mulheres de classes mais humildes da sociedade. Conseguiram, através de suas letras, se destacar no movimento hip hop e com isso participar de importantes festivais da cena. Além de gravar dois discos e conquistar alguns prêmios.

A violência contra a mulher ainda é uma verdade no país, toda e qualquer política de luta contra essa realidade é valida. O hip hop do Atitude Feminina discute essas questões com música e reflexão. Um convite a repensar a sociedade e o que podemos melhorar.

http://www.youtube.com/watch?v=0h2f6NaEOmI

ATITUDE FEMININA – ROSAS

A cada quinze segundos uma mulher é agredida no Brasil.
E a realidade não é nem um pouco cor-de-rosa.
A cada ano dois milhões de mulheres são espancadas
por maridos ou namorados.

Hoje meu amor veio me visitar
E trouxe rosas para me alegrar
E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!

Tudo era lindo no começo, lembra?
Das coisas que me falou que era bom, sedução
Uma história de amor
Vários planos, desejo, ilusão
E daí?
Não tinha nada a perder
Queria sair dali
No lugar onde eu morava me sentia tão só
Aquele cheiro de maconha e o barulho de dominó
A molecada brincava na rua
E eu cheia de esperança
De encontrar no futuro um rapaz
Sem tiroteio, vingança
E ele veio como quem não quisesse nada
Me deu um beijo e me deixou na porta de casa
Os meus olhos brilhavam estava apaixonada!
Deixa de ser criança! – a minha mãe falava
Que no começo tudo é festa e eu ignorava
Deixa eu viver meu futuro, zipá
Muda nada menina boba iludida
Sabe de nada da vida
Uma proposta ambição de ter uma família
Entreguei até a alma e ele não merecia
O meu pai embriagado nem lembrava da filha
O meu príncipe encantado meu ator principal
Me chamava de filé e eu achava legal
No começo tudo é festa
Sempre é bom lembrar!
Hoje estou feliz o meu amor veio me visitar

(Refrão)
Hoje meu amor veio me visitar
E trouxe rosas para me alegrar
E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!

Numa atitude pensada sai de casa
Pra ser feliz
Não dever satisfação ser dona do meu nariz
Não agüentava mais ver a minha mãe sofredora
Levar porrada do meu pai embriagado e a toa
Meu irmão se envolvendo com as paradas erradas:
cocaína, maconha, 1 5 7
Ah, mas eu estava feliz no meu lar doce-lar

Sua roupa, olha só!
Tinha prazer de lavar
Mas alegria de pobre dura pouco, diz o ditado
Ele ficou diferente agressivo, irritado
Chegava tarde da rua aquele bafo de pinga
Batom na camisa e cheiro de rapariga
Nem um ano de casado, ajuntado sei lá
Não sei pra que cerimônia o importante é amar
Amor de tolo amor de louco, o que foi que aconteceu?
Me mandou calar a boca e não me respondeu
Insisti foi mal, ele me bateu
No outro dia me falou que se arrependeu
Quem era eu pra julgar?
Queria perdoar
Hoje estou feliz o meu amor veio me visitar

Eu tava a quatro meses grávida, ele me deu uma surra tão violenta
que eu cai, desmaiei ai quando eu acordei eu tava numa poça de
sangue assim que tinha saido da minha boca e do meu rosto
ele me catou assim pelos meus cabelos me puxou e falou:
Você vai morrer!

(Refrão)
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz

Quase dois anos e a rotina parecia um inferno
Que saudade da minha mãe
Desisti do colégio
A noite chega madrugada e meu amor não vinha
Quanto mais demorava, preocupada mais eu temia
Não estava aguentando aquela situação
Mais hoje tudo vai mudar ele querendo ou não
Deus havia me escutado há uns dois meses atrás
Aquele filho na barriga era esperança de paz
Tantos conselhos me deram de nada adiantou
Era a mulher mais feliz, o meu amor chegou
Que pena!
Novamente embriagado.
Aquele cheiro de maconha
Inconfundível, é claro
Tentei acalma-lo ele ficou irritado
Começou a quebrar tudo loucamente lombrado
Eu falei que estava grávida ele não me escutou
Me bateu novamente mais dessa vez não parou
Vários socos na barriga, lá se vai a esperança
O sangue escorre no chão, perdi a minha criança
Aquele monstro que um dia prometeu me amar
Parecia incontrolável eu não pude evitar
Talvez se eu tivesse o denunciado
Talvez se eu tivesse o deixado de lado
Agora é tarde
Na cama do hospital
Hemorragia interna o meu estado era mal
O sonho havia acabado e os batimentos também
A esperança se foi pra todo sempre, amém!
Hoje meu amor implora pra eu voltar
Ajoelhado, chorando
Infelizmente não da
Agora estou feliz ele veio me visitar
É dia de finados, muito tarde pra chorar.

(Refrão)
Hoje meu amor veio me visitar
E trouxe rosas para me alegrar
E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!

É muito importante que o limite seja posto pela mulher
Não vou aceitar uma situação de violência dentro da minha casa!

Semana da Mulher 2013 – As mulheres e suas lutas coletivas

Salve, turma!

Não é de hoje a luta de muitas mulheres pela conquista de espaços e de ouvidos para os ecos de suas vozes. Se considerarmos esta luta de maneira mais organizada, e fizermos uma viagem histórica no tempo, veremos as mulheres do século XIX já lutando por direitos de participação política, pelo direito de votar e serem votadas e pelo direito de também se educarem da mesma forma como os homens. As mulheres, em especial as inglesas, chamadas sufragistas, tiveram um papel de destaque e influenciaram mulheres de todo o mundo. Até aqui, na Bahia, as sufragistas ou suffragetts deixaram seus reflexos, pois, sabendo delas, muitas mulheres baianas passaram a se organizar em torno de lutas semelhantes, principalmente as mulheres mais letradas, que tinham maior acesso à educação.

No entanto, de maneira ainda dispersa, mas não sem menor luta, muitas mulheres brasileiras, negras ou pardas, escravas ou já libertas, também preenchiam as nossas ruas vendendo seus quitutes e outras mercadorias ao longo do século XIX. Eram as chamadas “ganhadeiras” que, sem estudo formal, mas cientes da importância de sua atuação nestes espaços para seu próprio sustento e da sua família, desbravavam um universo que, teoricamente, era tido como apenas dos homens: as ruas das cidades. Elas se envolviam em disputas físicas, processavam homens por violência ou por outras questões, e exerciam sua cidadania possível, não obstante todos os obstáculos colocados à sua frente.

Todas essas participações de mulheres ecoaram nos anos de 1960 e 1970 em todo mundo, levando diversas mulheres a se colocarem como seres plurais. Ou seja, se antes a discussão considerava um “ser mulher”, partindo da perspectiva das mulheres brancas e ricas, nas décadas de 1960 e 1970 começam a surgir uma diversidade de grupos femininos e feministas, como o das as negras estadunidenses e o das operárias francesas. Naquele momento, as mulheres diziam ao mundo: somos muitas, somos plurais. Por isso a necessidade de considerarmos as diferentes reivindicações dos variados grupos de mulheres.

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A partir desta novidade, da necessidade de enxergarmos as múltiplas características das mulheres, o feminismo também se multiplicou, passando de um feminismo de reivindicação de direitos ligados à cidadania para os feminismos que reivindicam lugares de classe e raça: feministas socialistas, feministas anarquistas, feministas negras, feministas burguesas etc. Tudo isto ampliou as bandeiras de luta do feminismo e nos fez enxergar as mulheres a partir de diversas lentes, sendo uma destas a lente das relações de gênero. Assim, feministas do mundo inteiro passam a considerar importante compreendermos as relações sociais sem negligenciar a necessidade da luta pela equidade entre homens, mulheres, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, queer’s

É isso aí, pessoal: nesta semana em que comemoramos o Dia das Mulheres o importante é recordarmos todas essas lutas, a presença das mulheres nos espaços coletivos e a quebra com o processo de silenciamento e exclusão da história.

Um abraço!

Colaborou Ediane Lopes de Santana, professora Assistente no Curso de História da Universidade do Estado da Bahia(UNEB)/CAMPUS X. Atua no movimento feminista da Bahia pelo grupo Feministas da Ação Popular Socialista(FAPS) e é membro do DIADORIM/UNEB, grupo que debate sexualidade.

Semana da Mulher 2013 – Cine PW: “O Sonho Impossível” e “Super Homem (A Canção)”

Olá, amig@s!

No Cine PW de hoje vamos conferir a reflexiva animação “O Sonho Impossível”, que nos apresenta os desafios enfrentados pela mulher que, além de ter um emprego fora, realiza toda a tarefa doméstica e convive com as relações de poder e machismo estabelecidas tanto na família e no trabalho, a exemplo das desigualdades salariais entre homens e mulheres, quanto nos demais âmbitos sociais.

Então turma, curtam o vídeo e para estimular ainda mais o debate confiram a música “Super Homem (A Canção)” do cantor e compositor Gilberto Gil.