Feminismo: isso é coisa de quem luta por igualdade de direitos

Em 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe temáticas que estão na pauta do movimento feminista em duas de suas provas: a de Redação e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Obviamente, o fato de os responsáveis pelo ENEM abordarem tal assunto não foi à toa. A necessidade de discutir feminismo parte de uma demanda social urgente, que tem no seu cerne a luta por direitos iguais para todos os gêneros.

De acordo com a historiadora e cientista política Céli Regina Jardim Pinto, a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX, quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto”, p. 15. No Brasil, o ponto de partida da luta feminista se deu no início do século XX, através de Bertha Lutz, também tendo o direito ao voto como principal bandeira. Contudo, ao longo do tempo, outras pautas tornaram-se necessárias para o movimento. Por isso, é possível dizer que há vários feminismos.

Fig. 1: Simone de Beauvoir: referência máxima do movimento feminista. Imagem: reprodução do site The Simone de Beauvoir Society

Nesse sentido, existem grupos feministas que reivindicam questões específicas, a exemplo das lésbicas, das mulheres negras e das mulheres trans. Obviamente, há temas que são comuns a todo mundo, como a busca pelo fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, a liberdade sexual, a descriminalização do aborto, o fim da violência doméstica e da cultura do estupro, entre outras. Para as feministas, a sociedade deve entender e respeitar que as mulheres são livres para fazer as próprias escolhas. Feminismo não é o contrário de machismo, que é uma forma de dominação socialmente aceita e, ainda hoje, incentivada. Ser feminista é ter consciência de que os direitos devem, de fato, ser iguais, tanto para homens quanto para mulheres.

A prova de Ciência Humanas do ENEM 2015, na questão 42, reproduziu o seguinte trecho do livro O Segundo Sexo, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, referência máxima quando se fala em movimento feminista: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. O que Beauvoir quis dizer? Djamila Ribeiro, em texto publicado no site da revista Carta Capital, explica: “…ao dizer que ‘não se nasce mulher, torna-se’, a filósofa francesa distingue entre a construção do ‘gênero’ e o ‘sexo dado’ e mostra que não seria possível atribuir às mulheres certos valores e comportamentos sociais como biologicamente determinados”. Então, repetir frases como “Isso é coisa de mulher”, é um dos equívocos de que precisamos nos desfazer para assumir uma postura menos machista. Afinal, ninguém nasce machista, torna-se.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referências:

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Redação e de Linguagens Códigos e suas Tecnologias, Prova de Matemática e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, História e Poder. Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 18, n. 36, p. 15-23, jun. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

RIBEIRO, Djamila. Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limites de Feliciano e Gentili. Carta Capital, Opinião, Sociedade, 3 nov. 2015. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/simone-de-beauvoir-e-a-imbecilidade-sem-limites-de-feliciano-e-gentili-6444.html>. Acesso em: 31 mar. 2016.

Radiola PW: “Não tenha medo. Denuncie!”

Oi, pessoal! A Radiola PW de hoje aborda uma temática importante e que deve sempre ser discutida: a violência contra a mulher. Os casos existem e persistem, infelizmente. Contudo, as mulheres estão mais conscientes, exigindo os próprios direitos e denunciando os seus agressores.

Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016
Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência para denúncias. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016

Hoje, a cantora Aiace Félix, da banda Sertanília, tornou pública uma agressão que sofreu do taxista Antonio Ricardo Rodrigues Luz, em Salvador. “[…] Estávamos eu, minha irmã e uma amiga andando em direção ao Largo da Mariquita por volta das 05h:30 quando esse motorista, que estava parado na fila de Taxi em frente a casa, assediou minha irmã. Quando fui pedir por respeito, embora seja óbvio que ele é meu por direito, o taxista se sentiu incomodado por eu tê-lo confrontado e me respondeu de forma bem agressiva reiterando o assédio. Eu segui andando com as meninas quando ele deu uma ré super brusca tentando atropelar a mim e as meninas. Um rapaz que passava na hora me puxou e evitou que algo mais grave acontecesse. Não satisfeito, o taxista saiu do carro, veio na minha direção e me deu 3 socos no rosto, atingindo meu olho direito, minha boca e o ombro/pescoço. Como resultado, ganhei uma lesão na córnea e alguns hematomas pelo corpo[…]”, relatou a artista numa rede social da internet.

O importante, nesse e em todos os casos que insistem em figurar na nossa sociedade, é que a natural revolta que acomete as pessoas ao saber de crimes dessa natureza seja, de fato, traduzida em ações práticas. A situação é intolerável!

A igualdade de gênero é uma ânsia de movimentos feministas desde sempre. Deveria ser um anseio da sociedade. Às vezes, na tentativa de ajudar, se produz discursos que, se analisados com atenção, acabam prejudicando toda uma luta histórica. Um bom exemplo disso é a música O Defensor, lançada em 2015 pela dupla Zezé Di Camargo e Luciano, no CD e DVD Flores em Vida – Ao Vivo. A canção, dos compositores Fred Liel e Marco Aurélio, foi divulgada por Zezé e Luciano como sendo um manifesto da violência contra a mulher. Mas, analisando a letra com criticidade, percebe-se que, nas entrelinhas, a obra reforça o papel socialmente estabelecido para as mulheres. Eis a mensagem:

“Mais uma vez/Ele te feriu/E é a última vez/Que ele vai pôr a mão em você/Te machucar, fazer sangrar/Te humilhar, fazer chorar seu coração/Não tenha medo, denuncie”.

Se a letra seguisse a ideia dos versos acima, ela cumpriria uma boa função. Porém, nas linhas seguintes, fica evidente o equívoco dos compositores:

Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo/Estou aqui, sou seu defensor/Eu vim pra te buscar, eu vou te amar/E onde ele bateu, eu vou te beijar/Eu só quero curar suas feridas/Não tenha medo, denuncie/Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo”.

O que a sociedade precisa entender é que as mulheres não precisam de defensores, precisam de respeito. Sair de uma relação conturbada, em que sofre violência física, para outra aparentemente mais amena, não resolve o problema da violência contra a mulher, só a torna mais uma vítima em potencial. Vale ressaltar também que as mulheres não estão loucas atrás de relacionamentos, como se isso fosse resolver as suas questões existenciais. 

Os versos abaixo, feitos por dois homens, mostram como eles e como muitos outros se colocam em relação às mulheres:

Porque eu sou seu anjo/Seu defensor, te amo/E enquanto eu tiver vivo/Eu vou te defender, meu amor/Nunca mais ele vai te bater”.

A principal e mais importante defesa da mulher é o respeito. É disso que elas precisam e é por isso que lutam. É preciso dar um basta nos crimes que matam as mulheres, tanto social quanto fisicamente. Encerro com o melhor verso da música: “Não tenha medo. Denuncie!”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Cine PW – Bichas, o documentário

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Fig. 1: Divulgação

Olá, cinéfilos! Tudo bem?

Estamos na semana de Gênero e Sexualidade e, para fomentar essa discussão, o Cine PW traz a obra “Bichas, o documentário”, um filme que retrata a vivência de seis jovens e as barreiras sociais que são encontradas no dia a dia. Dirigido por Marlon Parente, esse documento propõe uma revisão no olhar sobre a palavra “bicha”, que é comumente usada de forma ofensiva para ser tomada como um elogio, através da afirmação e do orgulho de ser homossexual.

O documentário, que foi lançado dia 20 de fevereiro de 2016, apresenta também um diálogo sobre a violência e a intolerância, através das histórias que são contadas. As falas dos entrevistados provocam uma reflexão sobre os efeitos da heteronormatividade na construção sociocultural, nas relações familiares e nos diversos ciclos sociais.

Os crimes causados por homofobia ainda são alarmantes no Brasil e no mundo. E tudo isso é simplesmente causado pelo não entendimento sobre a diversidade no mundo. E é para isto que as discussões devem existir: para normalizar a diversidade, colocar luz sobre um mundo plural e múltiplo e desconstruir a mentalidade de que não é possível conviver com as diferenças.

Daí a necessidade de trazer essas reflexões para todas as esferas da sociedade. Para que os erros de hoje não aconteçam amanhã, e que o ódio deliberado seja trocado pelo respeito mútuo, acreditando que o avanço social depende da compreensão ampla de mundo.

Vamos assistir!

 

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Gênero e Sexualidade em Discussão

Oi, pessoal! Tudo bem?

As discussões acerca da temática Gênero e Sexualidade estão presentes nos mais diferentes espaços sociais e fazem parte da agenda do dia de instituições que acompanham os debates da atualidade, a fim de contribuir para a construção de uma sociedade mais consciente. Nesse sentido, o Blog do Professor Web e da Professora Online não pode ficar alheio a isso tudo e, mais uma vez, dedica uma semana temática para refletir sobre o assunto.

Fig. 1: blog da Professora Online e do Professor Web discute, mais uma vez, questões acerca de gênero e sexualidade. Imagem: Josymar Alves
Fig. 1: blog da Professora Online e do Professor Web discute, mais uma vez, questões acerca de gênero e sexualidade. Imagem: Josymar Alves

A escola, como importante espaço de formação cidadã, deve estar atenta para o que acontece dentro e fora de seus limites. A educação, para ter sentido, faz um diálogo com o mundo. Por isso, dar destaque a questões voltadas para gênero e sexualidade se justifica pela importância e urgência do assunto.

Em artigo intitulado Gênero e Sexualidade na Educação, a pesquisadora Daniela Nogueira fala como a escola, muitas vezes, contribui para que equívocos e preconceitos relacionados aos debates que envolvem gênero e sexualidade aconteçam: “A escola não reproduz ou reflete as concepções de gênero e sexualidade que circulam na sociedade, mas ela própria as produz. Os indivíduos aprendem desde muito cedo a reconhecer seus lugares sociais e aprendem isso através de estratégias muito difíceis de reconhecer”. (p. 16).

Portanto, ainda é preciso desmistificar muita coisa. A nossa intenção é contribuir para isso, além de complementar as ações realizadas pelas comunidades escolares. Acompanhe as nossas publicações e interaja com a gente! Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referência:

NOGUEIRA, Daniela Macias. Gênero e Sexualidade na Educação. Anais do I Simpósio sobre Estudos de Gênero e Políticas Públicas. Universidade Estadual de Londrina, 24 e 25 de junho de 2010. Disponível em: <http://www.uel.br/eventos/gpp/pages/arquivos/2.DanielaNogueira.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2016.

 

Mulher e Respeito: palavras que se gostam!

A mulher ocupa um espaço privilegiado na formação humana. Sua capacidade de gerar os novos seres humanos que habitam o planeta já leva, por si só, a uma necessidade de respeito singular.

Entretanto e infelizmente, ao longo da história, o feminino personificado na mulher não recebe o tratamento merecido, com dignidade e trato adequados por parte do mundo masculino.

No século XX, com avanços científicos e tecnológicos, a mulher precisou agarrar a unhas e cérebros possibilidades de mudanças desse estado de coisas. Nesse período de cem anos, o pensamento libertário de intelectuais do porte de Simone de Beauvoir, presença marcante da solidariedade e força espiritual de Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce ou Mãe Menininha do Gantois e a efervescência artística pelo mundo afora com muitas mulheres no centro foram necessários para chamar atenção dos homens no que diz respeito à necessidade de entender a mulher como vetor fundamental dos movimentos da vida.

Atualmente, depois de conquistas alcançadas por mérito, a mulher vem tendo cada vez mais condições de alicerçar este espaço de vitórias. No âmbito local, na Bahia, o carnaval vem destacando lutas simbólicas interessantes nos quesitos Direitos Humanos e particularmente nos direitos femininos.  Em 2015, uma campanha intitulada “Vá na moral ou vai se dar mal. Violência contra a mulher é crime!” recebeu um investimento de R$ 300 mil do Governo do Estado, com a intenção de conscientizar a população sobre a violência de gênero e sexual.

Além de mobilizar artistas ligados à festa para tratarem do tema em suas apresentações, a campanha ocupou o cenário do carnaval com cartazes abanadores distribuídos nas ruas.

A campanha e a mobilização em si chamam atenção para fatos alarmantes, como o índice ainda alto de casos de violência contra a mulher tanto no âmbito do carnaval quanto na vida cotidiana para além dessa festa. Entre violência verbal e física, 623 casos foram registrados em 2014, somente no período da folia, o que sugere a pertinência de ações constantes para salientar o respeito à dignidade da mulher na sua existência no mundo.

A violência não faz bem nem leva a lugares confortáveis e isso é um ensinamento histórico. O ser humano pode aprender a busca da paz como caminho de melhoria das condições gerais de habitar o planeta. Raça, gênero, credo, posição política, tipo físico não são elementos que devam ser tratados como motivo para agressões.

As diferenças fazem parte da vida. Todos devem ter o direito de ser o que são, respeitando a individualidade e o direito do outro também ser. Esse é o código de permanência de nós — seres humanos — neste mundo.

E como a arte também expressa estados da alma em suas dimensões políticas, termino este texto com uma canção que é referência para o feminino no Brasil. Na voz da cantora Maria Bethânia, a composição de Marina Lima e Antônio CíceroO lado quente do ser.

Porque todas as mulheres são especiais!

Salve o feminino!

Quer saber mais sobre o tema?

Acesse o Ambiente Educacional WEB.

Aqui, um vídeo bem interessante sobre Direitos e Cidadania:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/940

Por Carlos Barros

Arte educador, Professor e Cantor de música popular

Professor da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Gêneros e sexualidades em março

Olá, galera!

Março foi um mês bastante produtivo para nossas discussões, pois alinhamos mais nosso diálogo quanto aos assuntos que envolvem as relações de gêneros e sexualidades. Compartilhamos com vocês textos, filmes, vídeos e músicas que embalaram nossos diálogos em torno dos avanços conquistados, das lutas travadas, das buscas e dos entraves que ainda envolvem as diversidades de gêneros e sexualidades.

ÍndiceNosso propósito foi o de agregar o conhecimento dos temas transversais em torno de uma mesma causa, uma vez que a promoção do respeito às diversidades também envolve os processos educacionais. Com isso, agradecemos pela interação de todas/os que colaboraram neste sentido, visitaram nossos conteúdos e interagiram conosco através das redes sociais e de comentários.

Acreditamos que a prática da justiça é possível com a participação de todas/os, que as transformações sociais devem priorizar o respeito entre as pessoas e, sobretudo, que revolucionar é caminhar para construção participativa de um mundo cada vez mais acessível à vida coletiva. Os temas e discussões apresentados não podem ser só específicos de um mês, por isso consideramos que foi importante aprofundar algumas discussões específicas, mas elas não podem sair da pauta das discussões em nenhum momento. Assim, seguimos compartilhando e dialogando por meio do site temático “Gênero e Sexualidade”. Sinta-se à vontade para continuar acompanhando nossas conversas, interagir, sugerir, questionar, opinar, criticar e juntar -se a esta construção.

Continue conosco e até mais!

“O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças.”
(Augusto Cury)

Radiola PW – Rosas

Olá, galera esperta!

Já ouviu o grupo Atitude Feminina? O Radiola PW indica para você a música “Rosas”. Uma canção interessante que retrata uma realidade vivida por muitas mulheres no Brasil, onde essas são vítimas de violência física e psicológica de seus companheiros.


O grupo Atitude Feminina foi formado no ano 2000 e sempre esteve engajado nas questões que envolvem
violência doméstica e a discriminação contra as mulheres de classes mais humildes da sociedade. Conseguiram, através de suas letras, se destacar no movimento hip hop e com isso participar de importantes festivais da cena. Além de gravar dois discos e conquistar alguns prêmios.

A violência contra a mulher ainda é uma verdade no país, toda e qualquer política de luta contra essa realidade é valida. O hip hop do Atitude Feminina discute essas questões com música e reflexão. Um convite a repensar a sociedade e o que podemos melhorar.

http://www.youtube.com/watch?v=0h2f6NaEOmI

ATITUDE FEMININA – ROSAS

A cada quinze segundos uma mulher é agredida no Brasil.
E a realidade não é nem um pouco cor-de-rosa.
A cada ano dois milhões de mulheres são espancadas
por maridos ou namorados.

Hoje meu amor veio me visitar
E trouxe rosas para me alegrar
E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!

Tudo era lindo no começo, lembra?
Das coisas que me falou que era bom, sedução
Uma história de amor
Vários planos, desejo, ilusão
E daí?
Não tinha nada a perder
Queria sair dali
No lugar onde eu morava me sentia tão só
Aquele cheiro de maconha e o barulho de dominó
A molecada brincava na rua
E eu cheia de esperança
De encontrar no futuro um rapaz
Sem tiroteio, vingança
E ele veio como quem não quisesse nada
Me deu um beijo e me deixou na porta de casa
Os meus olhos brilhavam estava apaixonada!
Deixa de ser criança! – a minha mãe falava
Que no começo tudo é festa e eu ignorava
Deixa eu viver meu futuro, zipá
Muda nada menina boba iludida
Sabe de nada da vida
Uma proposta ambição de ter uma família
Entreguei até a alma e ele não merecia
O meu pai embriagado nem lembrava da filha
O meu príncipe encantado meu ator principal
Me chamava de filé e eu achava legal
No começo tudo é festa
Sempre é bom lembrar!
Hoje estou feliz o meu amor veio me visitar

(Refrão)
Hoje meu amor veio me visitar
E trouxe rosas para me alegrar
E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!

Numa atitude pensada sai de casa
Pra ser feliz
Não dever satisfação ser dona do meu nariz
Não agüentava mais ver a minha mãe sofredora
Levar porrada do meu pai embriagado e a toa
Meu irmão se envolvendo com as paradas erradas:
cocaína, maconha, 1 5 7
Ah, mas eu estava feliz no meu lar doce-lar

Sua roupa, olha só!
Tinha prazer de lavar
Mas alegria de pobre dura pouco, diz o ditado
Ele ficou diferente agressivo, irritado
Chegava tarde da rua aquele bafo de pinga
Batom na camisa e cheiro de rapariga
Nem um ano de casado, ajuntado sei lá
Não sei pra que cerimônia o importante é amar
Amor de tolo amor de louco, o que foi que aconteceu?
Me mandou calar a boca e não me respondeu
Insisti foi mal, ele me bateu
No outro dia me falou que se arrependeu
Quem era eu pra julgar?
Queria perdoar
Hoje estou feliz o meu amor veio me visitar

Eu tava a quatro meses grávida, ele me deu uma surra tão violenta
que eu cai, desmaiei ai quando eu acordei eu tava numa poça de
sangue assim que tinha saido da minha boca e do meu rosto
ele me catou assim pelos meus cabelos me puxou e falou:
Você vai morrer!

(Refrão)
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz

Quase dois anos e a rotina parecia um inferno
Que saudade da minha mãe
Desisti do colégio
A noite chega madrugada e meu amor não vinha
Quanto mais demorava, preocupada mais eu temia
Não estava aguentando aquela situação
Mais hoje tudo vai mudar ele querendo ou não
Deus havia me escutado há uns dois meses atrás
Aquele filho na barriga era esperança de paz
Tantos conselhos me deram de nada adiantou
Era a mulher mais feliz, o meu amor chegou
Que pena!
Novamente embriagado.
Aquele cheiro de maconha
Inconfundível, é claro
Tentei acalma-lo ele ficou irritado
Começou a quebrar tudo loucamente lombrado
Eu falei que estava grávida ele não me escutou
Me bateu novamente mais dessa vez não parou
Vários socos na barriga, lá se vai a esperança
O sangue escorre no chão, perdi a minha criança
Aquele monstro que um dia prometeu me amar
Parecia incontrolável eu não pude evitar
Talvez se eu tivesse o denunciado
Talvez se eu tivesse o deixado de lado
Agora é tarde
Na cama do hospital
Hemorragia interna o meu estado era mal
O sonho havia acabado e os batimentos também
A esperança se foi pra todo sempre, amém!
Hoje meu amor implora pra eu voltar
Ajoelhado, chorando
Infelizmente não da
Agora estou feliz ele veio me visitar
É dia de finados, muito tarde pra chorar.

(Refrão)
Hoje meu amor veio me visitar
E trouxe rosas para me alegrar
E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!

É muito importante que o limite seja posto pela mulher
Não vou aceitar uma situação de violência dentro da minha casa!

Instituições de atenção às diversidades

Olá, pessoal.
No mês em que focamos a mulher, os gêneros e as sexualidades, não poderíamos deixar de falar de algumas ações promovidas em favor destes grupos. Catalogamos e compartilhamos com vocês uma séria de instituições, projetos e ações atuantes na nossa sociedade em favor da promoção de igualdade de direitos para e entre estes grupos.

Em nível federal, temos a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), que é uma das comissões permanentes da Câmara dos Deputados do Brasil para analisar os assuntos e propostas legislativas a ela pertinentes cujas ações devem receber e investigar denúncias de violação desses direitos, bem como promover, avaliar, fiscalizar e preservar os direitos referentes às minorias étnicas e sociais. A Secretaria dos Diretos Humanos, está presente em quase todos os aspectos da vida pública e também lança seu olhar sobre os direitos das chamadas “minorias”, como LGBT.

Índice

Ainda nacionalmente, contamos com as ações da SPM – Secretaria de Políticas para as Mulheres, que se ramifica em nível estadual e, em Salvador por exemplo, conta com uma superintendência cujos objetivos e ações de intervenção são compartilhados por estas instâncias, entre eles, fazer valer as leis de incentivo ao respeito e equidade entre os gêneros e assegurar a participação feminina na construção/transformação social.

Para as relações educativas, existem ações e instituições que, além de debater e fomentar as discussões, trabalham assegurando a implantação de uma sociedade mais justa e igualitária para todas/os, através de capacitações e formações oferecidas a estudantes, educadores/as, militantes sociais e pessoas dos diversos setores da sociedade.

Entre estas oportunidades de educação para uma sociedade com igualdade de gêneros e respeito às sexualidades estão o Ser-tão – o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na Bahia contamos com o NEIM – Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia e o DIADORIM – Núcleo de Estudo de Gênero e Sexualidade (NugSex, da Universidade de Estado da Bahia. Ambos oferecem cursos de extensão, formando especialistas em Políticas Públicas de Gênero e Raça, mestre e doutores na temática. Em 2009, um importante passo foi dado no sentido de assegurar equidade, pois o NEIM passou a oferecer o Bacharelado em Gênero e Diversidade, uma graduação que objetiva formar profissionais capazes de formular, acompanhar e monitorar projetos e ações de materialização de direitos, imbuídos de uma perspectiva crítica de gênero e diversidade.

Para uma afinidade internacional dos direitos das mulheres, promoção do respeito às diversidades e promoção da igualdade a Organização das Nações Unidas – ONU, possui entidades internas que focam suas ações neste sentido. Citamos duas delas: a ONU Mulheres, entidade para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres e o ACNUDH, Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, responsável pela promoção da igualdade de diretos entre todas as pessoas.

Enfim, existem várias ações e grupos que colaboram para a construção de uma sociedade mais justa, acessível à todos/as, respeitosa e igualitária. Certo que ainda há muito a ser feito e conquistado, para isso contamos com você. Seja um/a multiplicador/a e construtor/a da justiça. Colabore com essa ideia. Juntos somos mais!

Valeu e até a próxima!
Fontes: NEIM, DIADORIM, SPM, ONU e Ser-tão.

As mulheres, o poder e a equiparação de gêneros

Olá, pessoal!

Dando continuidade ao debate sobre Gêneros e Sexualidades para desconstruir conceitos e adquirir novas informações, devemos lembrar as constantes lutas pela emancipação e reconhecimento dos direitos e valores sociais das mulheres.

No dicionário, a palavra gênero está com o seguinte significado: 1.Agrupamento de seres ou objetos que têm entre si características comuns.Mas será que todos os sujeitos estão submetidos às mesmas condições de direito?

Todos as pessoas são livres e dotadas de personalidade para construir sua autonomia e fazer as suas próprias escolhas, independentemente da classe social, crença, cor, etnia e gênero. Para obter e ter os direitos reconhecidos, a disputa contra os processos discriminatórios foi intensa, já que a mulher foi impedida de ocupar cargos de liderança ou liderar tais bandeiras para ser reconhecida na sociedade.

“Numa sociedade regida pelas relações de forma, é natural que os papéis de liderança se consubstanciassem [sic.] como masculinos, consolidando-se o patriarcalismo. No entanto, o estabelecimento diverso de papéis sociais não necessariamente se faz acompanhar de subjugação nas relações de gênero, pois, segundo a antropologia atual, os procederes humanos são culturalmente construídos, bem além das questões biológicas.” 1

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Fazendo um mapeamento histórico das transformações, podemos destacar: a luta envolvendo a igualdade dos direitos trabalhistas, com a redução da carga horária de trabalho, ocorrido na greve de 1857 na cidade americana de Nova York; a conquista do voto feminino legislada em 24 de fevereiro de 1932, até mesmo a criação da lei Maria da Penha, que criminaliza a violência doméstica contra as mulheres.

As conquistas são nítidas e a maioria delas dolorosas, contando com a altivez e participação de mulheres como: Bertha LutzMaria da Penha e Luislinda Valois. Para garantir a ampliação dos direitos conquistados é preciso continuar com as reivindicações. As conquistas ainda podem ser consideradas poucas, mas junt@s temos ainda muito o que alcançar!

Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem; lutar pela diferença sempre que a igualdade nos descaracterize”.

Boaventura de Souza Santos

Fontes:

http://blogueirasfeministas.com/2011/12/direitos-das-mulheres/

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa: http://www.priberam.pt/dlpo/g%C3%AAnero

1 http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=7544  Taylisi de Souza Corrêa Leite. Advogada e professora universitária

 

Isadora Faber e Malala Yousafzai: Adolescentes feministas

Olá, Amig@s!!!

Vivemos em uma sociedade de infinitas transformações e aqui faremos uma reflexão, sobretudo quanto às contribuições de duas adolescentes, de comportamentos feministas e do quanto repercutem suas ações e ideias para as mudanças de nossa realidade contemporânea.

Conversaremos agora sobre duas personagens sociais que tiveram suas ações repercutidas nacional e internacionalmente. Pessoas que pretenderam, com suas ações, contribuir para a transformação da realidade imposta historicamente, de uma cultura que oprime e domina o comportamento humano quanto à busca de seus direitos como indivíduos sociais, para um mundo mais justo e oportuno para tod@s.

Malala_yousafzai.Iniciamos com Malala Yousafzai, uma adolescente paquistanesa, hoje com 16 anos, que depois de criar um blog repercutido nas mídias mundiais, onde tratava do papel social das mulheres na sua cultura e, principalmente, reforçava o acesso à educação, no blog ela destaca a condição de que em seu país as mulheres não tem direito aos estudos. Mesmo utilizando um pseudônimo, seu protesto repercutiu num importante noticiário inglês, que realizou com ela uma reportagem sobre esta realidade e Malala fez um depoimento que quase lhe custou a vida.

Durante o retorno de um curso que realizava ela sofre uma tentativa de assassinato, sendo acometida por um tiro na cabeça e outro no ombro; felizmente não morreu e recebe ajuda médica internacional. Depois de toda repercussão e já tratada dos ferimentos ela foi convidada para discursar na Assembleia das Organizações das Nações Unidas ONU, em 12 de julho de 2013, que coincidiu com seu aniversario. Iniciou sua fala com uma importante declaração: “Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução”. […].

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A outra adolescente que tratamos é brasileira, moradora da capital catarinense – Florianópolis e estudante de escola publica. Isadora Faber, que em julho de 2012, aos seus 13 anos, decidiu criar uma página numa rede social com o título: Diário de Classe, A verdade. Nela colocava a realidade de abandono e descaso que sua escola enfrentava, iniciou tratando dos equipamentos com defeitos que davam choques elétricos nos estudantes, portas sem maçanetas, salas sem ventilação e ventiladores, dos tratos e comportamentos dos professores e demais profissionais da escola, dentre tantos outros casos. A principio ela foi rechaçada, vítima de bullying e até sua casa foi atingida, o detalhe é que a família forneceu a ela todo apoio possível.

No início um representante da secretaria de educação visitou a escola e garantiu a realização dos reparos na condição que ela postasse as realizações, ainda assim ele não retornou e os serviços não foram realizados, então ela seguiu postando a situação que seguia, chegando ao ponto de uma professora planejar e aplicar uma aula pautando política e internet, “ela informou que os alunos não deviam falar dos professores na rede” afirmou Isadora.

Depois de um tempo algumas coisas foram aos poucos sendo reparadas e as opiniões de Isadora, postadas no blog, já são bem aceitas na escola. “Gostaria que estudantes do mundo inteiro tivessem direito e acesso a uma educação digna e moderna. Tenho certeza que, se todo mundo fizer um pouquinho, juntos poderemos dar a educação, e assim, deixaremos o planeta mais justo e melhor para todos”, diz. Depoimento de Isadora, sobre educação, em um site brasileiro.

O blog, atualmente com mais de meio bilhão de acessos, repercutiu para além da escola, da cidade e até mesmo do estado de Santa Catarina e hoje Isadora com a colaboração de amigos criou uma ONG com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento da educação em seu estado. Servindo de exemplo para muitos estudantes Brasil afora.

Malala Yousafzai e Isadora Faber são personagens de enriquecedores exemplos, servindo como fonte para análise do uso responsável, livre e positivo das mídias digitais para cobrar a atuação das políticas públicas e, além disso, quanto à atuação feminina que transforma nossa sociedade globalizada e contemporânea, ainda que elas sejam muito jovens.

Valeu e até a próxima!!!

Fontes: Wikipédia, Site Oficial