Resenha PW ⇨ Riachão: o cronista do samba baiano

Oi! Tudo bem? Ontem, 27 de novembro de 2016, completaram-se cem anos do registro do samba Pelo Telephone (assim mesmo, com “ph”, respeitando a grafia da época), no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional. A obra, de autoria de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o famoso Donga, é considerada o primeiro samba brasileiro. E, no ano em que o gênero completa cem anos de existência, que tal conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra de Riachão, um de nossos sambistas contemporâneos mais festejados?

Fig. 1: O sambista Riachão mostra vitalidade e muita alegria com seus 95 anos de vida. Foto: reprodução do site da Secretaria de Comunicação Social do Estado da Bahia
Fig. 1: O sambista Riachão mostra vitalidade e muita alegria com seus 95 anos de vida. Foto: reprodução do site da Secretaria de Comunicação Social do Estado da Bahia

Em 2009, a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA) publicou o livro Riachão: o cronista do samba baiano, escrito pela jornalista Janaína Wanderley da Silva. A biografia integra a coleção Gente da Bahia. Com linguagem simples e deixando evidente toda a identidade do sambista, a obra, que tem 12 capítulos, envolve o leitor do início ao fim.

Clementino Rodrigues, o Riachão, completou 95 anos no último dia 14 e aos nove já cantava em aniversários. Contudo, antes de começar a viver da música, aprendeu o ofício de alfaiate. Uma das passagens mais interessantes do livro é quando Janaína narra o motivo que o levou a compor a primeira música:

Era 1936, Riachão cantava desde os 9 anos e seu repertório era recheado de sambas do Rio de Janeiro. Num certo dia, quando saiu da alfaiataria, caminhava com destino à Ladeira da Misericórdia para comprar material de trabalho e avistou um pedaço de papel no chão. Se abaixou e pegou um pedaço de revista rasgado e com letras marrons. Ao ler, um choque misturado com desalento. O escrito “Se o Rio não escrever, a Bahia não canta”, lhe travou a garganta. Aquelas palavras não saíram da cabeça do jovem por horas. Após uma dia de trabalho, chegou em casa, jantou, deitou-se para dormir e aquela frase ainda martelava sua cabeça. No dia seguinte, registrado na sua vida como o nascimento do artista, compôs: “Eu sei que sou malandro, sei/Conheço o meu proceder/Eu sei que sou malandro, sei/Conheço o meu proceder/Deixa o dia raiar, deixa o dia raiar/A nossa turma é boa, ela é boa/Somente para batucar…”.

O que quase ninguém sabe, e é uma curiosidade presente na biografia, é que Riachão começou a carreira cantando música sertaneja. No CD Humanenochum, de 2001, ele gravou a música Vida da Semana, considerada sua obra sertaneja mais importante. Muitos outros artistas gravaram e popularizaram as composições de Riachão, como Marinês (“Terra Santa”), Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gang do Samba, Lampirônicos e Anastácia (“Cada Macaco no Seu Galho”); Trio Nordestino (“Retrato da Bahia”, “Bochechuda”, “Papuda”, “Vamos Pular, Gente”), Cássia Eller (“Vá morar com o Diabo”), banda Moinho (“Baleia da Sé”) e Terra Samba (“Vá pra Casa”).

No livro, Janaína não deixa de registrar a fase em que Riachão ingressou na Rádio Sociedade da Bahia (ele ficou lá por 26 anos) e também o lançamento do 1° LP solo, O Sonho do Malandro, de 1982. A versatilidade do artista é, o tempo todo, destaque na obra. O leitor fica sabendo que, além da música, Riachão atuou no cinema e na TV. Contudo, não é só de alegria que se vive uma vida, não é? Em janeiro de 2008, um acidente de carro causou a morte de seis membros de sua família, incluindo a mulher e dois filhos.

Janaína Wanderley da Silva conseguiu captar muito bem a alma de Riachão. O livro nos faz rir muito mais do que chorar. Assim é Riachão: a “alegria em pessoa”. Uma frase que consta na biografia, atribuída a ele, mostra como Clementino Rodrigues se define: “Eu sou o artista que me torno uma nota musical para levar alegria ao povo”. Que a alegria de Riachão esteja sempre viva!

Referência:

SILVA, Janaína Wanderley da. Riachão: o cronista do samba baiano. 2.ed. Salvador: Assembleia Legislativa, 2009. (Coleção Gente da Bahia).

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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Fotografando Saberes

Estudante-repórter: Emili Oliveira

Olá, gente! Eu e Carol Aguiar, do núcleo de produção fotográfica da Oficina de Produção de Mídias na Educação, fizemos a cobertura colaborativa do último dia do 5º Seminário Estadual de Educação Integral, que ocorreu nos dias 24 e 25 de novembro, no Instituto Anísio Teixeira (IAT) O evento contou com muitas palestras, uma delas discutiu a atual conjuntura política da educação brasileira, enfatizando o debate sobre a escola sem partido. Confira, abaixo, o registro fotográfico que fizemos da mesa redonda e da estrutura do IAT. Foi uma experiência que abriu novos caminhos, permitindo cada vez mais novas descobertas.

 

Foto: Autorretrato
Foto: Autorretrato

Emili Oliveira tem 16 anos, é estudante do Centro Estadual de Educação Profissional em Controle e Processos Industriais Newton Sucupira, que fica em Salvador, e faz parte da equipe da Cobertura Colaborativa Estudantil.

 

Radiola PW: Acorde, Brasil

Oi, turma! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Acorde, Brasil, do cantor e compositor Julinho Marassi. Embora tenha sido composta no ano 2000, a música continua atual, principalmente quando fala da nossa realidade política e expõe práticas comuns do universo artístico do país. A obra foi gravada, pela primeira vez, em 2002, no CD Julinho Marassi e Gutemberg Ao Vivo. A dupla é oriunda de Barra Mansa, Rio de Janeiro.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016
Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Logo no início da letra, o eu lírico mostra toda a sua revolta diante das coisas que vê. As três primeiras estrofes já trazem um tom crítico e mostram que o personagem não quer continuar aceitando ser “marionete” para o “sistema”:

Resolvi abrir o jogo agora,
Sai da frente, que eu não tô brincando,
Tô entrando com o pé na porta,
Fala sério: o bicho tá pegando!


Me cansei de aguentar calado,
Não nasci pra acompanhar rebanho,
Estar na mão de quem não sabe nada,
“Prestenção” no que eu estou falando

Não adianta você ser sincero,
Ser honesto e ter bom coração,
Se você não entra no sistema
Fica fora da programação

Em seguida, Julinho fala de forma mais contundente sobre os conchavos existentes no universo artístico e cultural do Brasil, em que alguns “escolhidos” são eleitos por pura conveniência. Para introduzir o tema, cita a mídia, que contribui bastante para que tal prática seja perpetuada no país:

Quantos homens bons morreram cedo,
Que podiam ajudar você
Quantas pragas continuam vivas
No jornal, no rádio e na TV

É difícil ser o escolhido,
Sem padrinho, sem um pistolão,
Mas, amigo, o sol nasceu pra todos,
Acredite na sua canção

Nas estrofes seguintes, o compositor fala diretamente para os políticos do Brasil. Em ano de eleições municipais, é importante atentar para a conduta, o histórico de vida pública e as propostas dos candidatos, para fazer as cobranças necessárias no futuro:
[…]

Com licença, agora eu vou falar
Pra todos os políticos que vivem no Brasil
Se liga!
Cadê seu ideal,
De quando era novo?
Nada te segurava,
Você veio do povo

Você não tinha medo
Agora se calou
Entrou no ninho de cobras
Na gente, nem pensou

Se sente ameaçado?
Bota a boca no mundo
Sai limpo da história
Sai desse lixo imundo

[…]

No refrão, uma crítica forte e realista da situação brasileira. Julinho faz um retrato do país, enfatizando as diferenças sociais existentes por aqui. Ainda toca em outra questão delicada: a religiosidade. Nos versos, ele destaca como as mais variadas denominações religiosas se apropriaram da televisão para, nas suas palavras, fazerem disso um “meio de vida”:

Classe média tá desesperada,
Classe baixa tá passando fome,
Classe alta tá dando risada,
Deus me ajude a igualar os homens

Religião virou meio de vida,
Tomou conta da televisão,
Cidadão, “cê” não precisa disso,
Deus tá dentro do seu coração

Em Acorde, Brasil, Julinho Marassi faz um convite para a gente abrir os olhos (física e metaforicamente), a fim de perceber como práticas desrespeitosas se repetem no país. Muitas vezes, por comodismo, não fazemos quase nada para mudá-las. Precisamos acordar! E você: está acordado (a) ou dormindo?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Compartilhando Saberes, Olhares e Fazeres…

Fala, rede!

No mês de agosto, foi finalizada a 2ª formação de Produção de Mídias Estudantis, realizada pela Rede Anísio Teixeira (Programa de Difusão de Mídias e Tecnologias Educacionais Livres da Rede Pública Estadual de Ensino).

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Fig. 1: Professor Raulindo em plena produção textual. Captura Rodrigo Maciel

Essa formação é ofertada a estudantes e professores da rede pública estadual de ensino, o que possibilita uma vivência compartilhada entre esses atores, ampliando as relações professor-aluno. A formação em mídias estudantis é mais uma iniciativa de se discutir e problematizar as diversas metodologias educacionais mediadas pelas tecnologias, em especial a produção de  textos para blogs, a leitura e interpretação de imagens como novas formas de letramentos e a produção audiovisual como elemento de construção crítica e contextualizada de conteúdos curriculares.

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Fig. 2: A turma na aula de roteiro como Professor Marcus Leone. Captura Rodrigo Maciel

A escola contemporânea deve possibilitar novos diálogos com as diversas formas de ler o mundo e suas transformações. O multiletramento possibilita que vejamos e interpretemos a dinâmica no espaço por meio de diversos instrumentos de leitura. O ato de ler está relacionado a diversas modalidades de leitura (s), seja ela um texto, uma música, uma imagem. A educação mediada pelas tecnologias, de forma colaborativa e livre, pode ser um caminho viável para esse nosso novo percurso. É com essa filosofia metodológica que os formadores da Rede Anísio Teixeira conduzem a formação, sempre procurando o “fazer junto, fazer com”.

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Fig. 3: Aula de fotografia e leitura e interpretação de imagem com o Professor Peterson Azevedo. Captura Rodrigo Maciel

A professora de história, Sandra Barbosa, do Colégio Estadual de Vilas de Abrantes, no município de Camaçari, apontou a importância “de trabalhar e valorizar o uso das tecnologias na sala de aula, visando a ética e o respeito […] para mostrar aos nossos alunos que isso é importante, vai gerar autonomia, que vai gerar a possibilidade de novos olhares”. Comentou ainda sobre a metodologia de estarmos juntos, professores e alunos, como aprendizes: “Não poderia deixar de falar sobre a importância de trabalhar junto com os alunos. Eu aprendi muito com os fazeres tecnológicos deles”.

O estudante Nickson Lima, do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira, de Salvador, enfatizou: “Nunca imaginei que uma escola pública poderia me proporcionar uma formação que trabalhasse a tecnologia, como foi ofertado aqui. Meu intuito é aprender e levar para os meus colegas essa nova alfabetização”.

Um dos maiores objetivos da formação é estimular o empoderamento dos nossos professores e estudantes, principalmente no uso das tecnologias da informação e da comunicação; não como enfeites para as aulas, mas como processos na construção do conhecimentos para além da sala de aula, para a autonomia e protagonismos desses atores. Como relatou o professor e formador da Rede Anísio Teixeira, Raulino Júnior, “o mais importante desta formação é a possibilidade de dar autonomia para os participantes”.

É possível fazer com o estudante e não apenas para o estudante.

Até a próxima.

Peterson Azevedo

Fotógrafo e Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Hino ao Dois de Julho

Oi! Tudo bem? Em 20 de abril de 2010, o então governador da Bahia, Jaques Wagner, sancionou a Lei 11. 901. No artigo 1º do documento, lê-se o seguinte: “Fica instituído o Hino ao Dois de Julho, da autoria de Ladislau Santos Titara e José dos Santos Barreto, como Hino Oficial do Estado da Bahia […]”. Hoje, a Radiola PW te convida para ouvir com um pouco mais de atenção o hino do nosso estado. Você já fez esse exercício? Vamos lá?

Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.
Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

A obra é, obviamente, uma clara referência ao 2 de julho de 1823, quando as tropas baianas, lutando contra a presença portuguesa no nosso território, saiu vitoriosa das batalhas. Alguns historiadores tratam o episódio com um “enxotamento” feito pelos baianos, em relação ao bando de Madeira de Melo. A data também é conhecida como o dia da Independência do Brasil na Bahia.

A letra, composta por Ladislau, é cheia de inversões e mantém o caráter ufanista, próprio de textos dessa natureza. A música, de autoria de José, parece simular um batalha.

A primeira estrofe revela o orgulho de ser brasileiro e de lutar pela pátria:

Nasce o sol ao 2 de Julho,

Brilha mais que no primeiro!

É sinal que neste dia

Até o sol, até o sol é brasileiro.

Em seguida, um grito contra o autoritarismo e a opressão, comuns naquele sistema colonial:

Nunca mais, nunca mais o despotismo

Regerá, regerá nossas ações!

Com tiranos não combinam

Brasileiros, brasileiros corações!

É interessante atentar para a inversão presente nos dois últimos versos da estrofe acima. Colocando a oração na ordem direta, teríamos: “Corações brasileiros não combinam com tiranos”. Na estrofe seguinte, também nos dois últimos versos, é possível identificar mais uma inversão. Na ordem direta, ficaria assim : “Nossa pátria, hoje livre, não será dos tiranos”. A inversão é uma figura de linguagem que serve para dar mais expressividade ao texto literário, invertendo a ordem dos termos na frase.

Salve Oh! Rei das campinas

De Cabrito e Pirajá!

Nossa pátria, hoje livre,

Dos tiranos, dos tiranos não será!

Os dois primeiros versos da estrofe acima falam, mais detidamente, das batalhas do histórico 2 de julho. No desfecho do hino, um conselho:

Cresce! Oh! Filho de minh’alma

Para a Pátria defender!

O Brasil já tem jurado

Independência, independência ou morrer!

Para complementar os seus estudos sobre o Dois de Julho, assista ao episódio abaixo, do quadro Histórias da Bahia, que faz parte do programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira. O vídeo foi publicado no Ambiente Educacional Web, em 2014.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Será Que as Cores Influenciam o Consumo?

Nós seres humanos assimilamos as cores através do sentido da visão, que transmite a informação para o cérebro. Então quando escolhemos uma cor, estamos lidando com estímulos imediatos.

Subjetivamente as cores influenciam no emocional do individuo, seja para o positivo ou para o negativo. Elas fazem parte de nossa vida sendo utilizadas com símbolos onde agregamos significados que podem atrair clientes para uma logomarca, por exemplo, ou transmitir confiança para uma instituição.

Lembrando que as cores podem provocar diferentes sentimentos nas pessoas, para cada interesse, segmento e público, a cor pode agrupar determinados significados.

Vamos agora pensar nas grandes empresas de Fastfood. Que cores são mais marcantes nas famosas marcas de lanchonetes?

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Fig.1

O que podemos observar é a evidencia do amarelo e do vermelho na maioria das marcas. E será que a escolha destas cores é feita de forma aleatória?

Então vejamos. O vermelho e o amarelo são cores primarias, cores quentes, que são diretamente ligadas a felicidade, paixão, entusiasmo e alegria. O vermelho estimula o apetite e o prazer e é a cor da paixão. O amarelo traz a representação da felicidade, é uma cor que deixa as pessoas felizes e cheias de energia e também esta ligada ao apetite. Bem, já que o interesse dessas empresas é o consumo de alimento, tais cores foram empregadas com esta intenção.

Agora, pensem nas marcas de governo, ou de instituições financeiras. A grande maioria destas empresas optam pela utilização do azul como cor predominante.

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Fig.2

O Azul também faz parte das cores primárias, no disco das cores. Está no grupo das cores frias, que representam calma e profissionalismo. Ele representa calma, confiança, produtividade, segurança e transmite a sensação do sucesso. O azul é a cor séria, comumente utilizada em marcas institucionais ou corporativas. Geralmente as marcas governamentais ou de instituições financeiras que desejam agregar confiança e credibilidade exploram essa cor.

Cada pessoa percebe as cores de maneiras diferentes. Vejamos aqui algumas das percepções comuns que são associadas a cores específicas no ocidente:

  • Vermelho: representa poder, energia, amor, ternura, agressão, colisão e paixão. É a cor que estimula todos os tipos de apetites e o prazer.
  • Amarelo:  ajuda o seu cérebro a liberar serotonina, que faz as pessoas se sentirem felizes e cheias de energia. otimismo, entusiasmo, diversão, confiança, originalidade, criatividade, desafiador, acadêmico e analítico, sabedoria e da lógica são associados a essa cor.
  • Azul: símbolo da verdade, conservadorismo, segurança, tecnologia, limpeza (principalmente quando combinado com o branco) e ordem. O azul escuro é ideal para os negócios porque simboliza a estabilidade financeira, profissionalismo e fidelidade
  • Laranja: é uma cor atrativa, mas também pode ser considerada agressiva e imperativa, pois apela para a ação do consumidor. Representa criatividade, alegria, entusiasmo, diversão, alta espiritualização e juventude.
  • Verde: desde sempre se convencionou o verde como a cor da esperança, mas essa cor também carrega outros significados, como criatividade, frescor, calma, harmonia, saúde, dinheiro, natureza, tranquilidade. abundância, equilíbrio e positividade.
  • Roxo: usado para representar produtos de luxo e de alto valor o roxo (combinação de vermelho e azul) sugere mistério, concentração, valor, justiça, autoridade, sofisticação, realeza e espiritualidade.
  • Preto: é tecnicamente a absorção de todas as cores. Representa rigidez, clássico, conservador, formalidade, mistério, seriosidade e tradição.
  • Branco: representa limpeza, inocência, paz, pureza, refinamento, esterilidade, simplicidade, confiabilidade e rendimento.
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Fig.3

Embora a percepção de cor é um tanto subjetivo, existem alguns efeitos de cores que têm um significado universal e, quando bem empregada, pode gerar a sedução e o convencimento para o consumo. Claro que os sentimentos sobre cor são muitas vezes intrínsecos de cada pessoa e enraizada em sua própria experiência cultural. Se pensarmos na cor branca, por exemplo, é usada em muitos países do Ocidente como representação da pureza e da inocência, mas no Oriente é vista como um símbolo de luto. A cor vem sendo usada intencionalmente por revista, televisão, estabelecimentos comerciais e governamentais como ferramenta de atração. Ela pode ter uma influência sobre a forma como pensamos e agimos, esses efeitos estão sujeitos a fatores pessoais, culturais e situacionais.

“Cor, é como atitude, segue as mudanças das emoções”
Livre tradução Pablo Picasso

Referências:

http://www.auladearte.com.br

http://www.psychology.about.com

http://www.consumidoresdigitais.com.br/psicologia-das-cores-e-sua-influencia-nas-vendas/

https://metzgeralbee.com/our-thoughts/color-psychology-the-powerful-role-it-plays-in-branding/

Geize Gonçalves

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: São João Antigo

Oi, gente! Tudo bem com vocês? Hoje, última Radiola PW deste semestre, a dica de música tem a ver com o período junino e convida todo mundo para fazer uma reflexão sobre as festas de São João espalhadas pelo Brasil, principalmente no Nordeste: trata-se da canção São João Antigo, composta por Zé Dantas e Luiz Gonzaga. Ela foi lançada pelo Velho Lua em 1962, no disco São João na Roça.

Fig.1: capa do disco de Gonzagão em que "São João Antigo" é uma das faixas. Foto: reprodução do site Memorial Luiz Gonzaga.
Fig.1: capa do disco de Gonzagão em que São João Antigo é uma das faixas. Foto: reprodução do site Memorial Luiz Gonzaga.

Muito se fala sobre a descaracterização das festas juninas, principalmente quando os seus elementos mais significativos são levados em consideração. Hoje em dia, por exemplo, o forró não é o único gênero musical que reina na programação junina das cidades. Artistas de axé music, arrocha e sertanejo estão ocupando esses espaços.

Isso está relacionado com o natural processo de transformação da sociedade, que incorpora novos costumes e muda a sua dinâmica. O passado interfere no presente, que ressignifica o futuro. Na década de sessenta, do século passado, Gonzagão e Zé Dantas já falavam sobre isso.

Na primeira estrofe da música, os autores se mostram saudosistas: Era a festa da alegria/São João!/Tinha tanta poesia/São João!/Tinha mais animação/Mais amor, mais emoção/Eu não sei se eu mudei/Ou mudou o São João”.

Em seguida, reforçam esse sentimento e revelam o motivo da angústia contida na letra: “Vou passar o mês de junho/Nas ribeiras do sertão/Onde dizem que a fogueira/Inda aquece o coração/Pra dizer com alegria/Mas chorando de saudade/Não mudei nem São João/Quem mudou foi a cidade”. Ou seja, nem o eu lírico nem o São João mudaram, a cidade que teve a sua dinâmica alterada. E você? O que acha sobre essas transformações? Conte para a gente!

Questão de linguística

Inda” é variação do advérbio “ainda”; “pra” é a forma reduzida da preposição “para”.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Sobradinho

Oi! Como você está? Tudo bem? Hoje, a Radiola PW indica a música Sobradinho, composta por Sá e Guarabyra. A canção foi lançada pela dupla em 1977, no reconhecido disco Pirão de Peixe com Pimenta e é uma das letras mais emblemáticas do nosso cancioneiro.

A música é um protesto feito pelos autores para relatar o drama vivido pelos sertanejos durante a construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, em 1973. A obra foi capitaneada pela CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) e durou seis anos para ser concluída. De acordo com o site da companhia, o início da operação da usina se deu em novembro de 1979.

Sá (direita) e Guarabyra (esquerda) durante apresentação no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura. Imagem: captura de tela feita em 12 de junho de 2016
Fig. 1: Sá (direita) e Guarabyra (esquerda) durante apresentação no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura. Imagem: captura de tela feita em 12 de junho de 2016

É impossível não associar o contexto de Sobradinho (música e cidade) ao da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em 2011. Certamente, o debate acerca dos impactos ambientais causados pelo projeto, bem como a reviravolta e a instabilidade que acompanharam a vida dos moradores diretamente atingidos pelo empreendimento, se repetiu. Para ampliar a discussão, vale a pena ler a cartilha Conheça a UHE Belo Monte, publicada pela Norte Energia, empresa responsável pela implantação, construção e operação da usina. Nesse sentido, é importante também acessar o site do projeto Os Impactos de Belo Monte, idealizado pelo fotojornalista Lalo de Almeida.

A canção do carioca Sá e do baiano Guarabyra conta a história sob a ótica do sertanejo que morava na região. O eu lírico diz: O homem chega e já desfaz a natureza/Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar. Esses versos revelam a forma como os moradores foram surpreendidos e tirados do seu lugar sem nenhum tipo de planejamento, com a promessa de que tudo ia mudar. O sertanejo temia a ação da natureza (O São Francisco lá pra cima da Bahia/Diz que dia menos dia/Vai subir bem devagar”) e não duvidava da profecia atribuída a Antônio Conselheiro (E passo a passo vai cumprindo a profecia/Do beato que dizia que o sertão ia alagar/O sertão vai virar mar/Dá no coração/O medo que algum dia o mar também vire sertão”).

Para deixar ainda mais evidente que os moradores foram expulsos da região onde viviam para que a barragem fosse construída, os compositores, num rico jogo semântico, expressaram: Adeus, Remanso, Casa Nova, Sento-Sé/Adeus, Pilão Arcado/Vem o rio te engolir”. O “adeus” significa tanto despedida quanto saudade. “Adeus” porque as cidades estavam indo embora, “engolidas pelo rio”; e “adeus” porque o próprio morador não poderia ficar naquelas regiões, uma vez que tinha sido convidado a se retirar. Para ele, sobrou acreditar no ditado popular que diz: O futuro a Deus pertence”. Irônico, não é? Vale ressaltar que todas as cidades citadas nos versos, assim como Sobradinho, ficam no extremo norte da Bahia.

No desfecho, um dos versos mais fortes da música: Debaixo d’água lá se vai a vida inteira”. Fica difícil até de comentar. A empatia é a responsável por isso. Nas linhas seguintes, os compositores falam de “gaiola” e “salto”. Gaiola é uma embarcação; salto, o mesmo que “queda d’água”. Assim, os versos ganham mais sentido ainda: Debaixo d’água lá se vai a vida inteira/Por cima da cachoeira o gaiola vai subir/Vai ter barragem no salto do Sobradinho/E o povo vai-se embora com medo de se afogar”. A música tem temática triste, que inunda o nosso coração, mas vale muito a pena ouvir e refletir sobre ela. Faça isso.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Eu sei que é Junho! Tradições culturais no Nordeste do Brasil

O mês de junho no Brasil coincide com o início do inverno, estação caracterizada entre outras marcas pela diminuição da temperatura e também por manifestações mais ligadas aos elementos interioranos de nossa cultura.

As festas juninas apareceram Europa e ocorriam no período do solstício de verão para comemorar o início da colheita.  Eram realizadas pelos celtas, egípcios, entre outros povos. Inicialmente eram chamadas “junônias”, em referência à Juno (a deusa grega Hera), esposa de Júpiter (o Deus grego Zeus) e com a influência em crescimento da Igreja Católica na Europa e pela coincidência com o nascimento de João Batista (24 de junho), as festas passaram a se chamadas de “joaninas”.

No Nordeste Brasileiro, onde a temperatura cai menos que no Sul e Sudeste do país, as tradições juninas estão ligadas historicamente à forte presença europeia e à fé católica popular, que além de São João, cultua Santo Antônio e São Pedro nesse período festivo.

As celebrações juninas nesta região trazem como temática central a alegria da colheita do milho, do amendoim, da laranja, dos alimentos que sustentam uma região do país marcada pela seca e pelo descaso histórico do estado ao longo do tempo.

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Praça do Forró, por Cido Carneiro (2010).

O Forró é o gênero que engloba diferentes manifestações de música e dança que são típicas da cultura junina. O Xote, Baião e Xaxado, além das Toadas, compõem um mosaico de estilos que juntos fazem a festa nas noites enluaradas dos sertões do Maranhão ao norte de Minas Gerais. Esses gêneros musicais e de dança foram popularizados no Brasil pós-década de 50 do século XX sobretudo através do trabalho realizado pelo cantor, compositor e acordeonista Luiz Gonzaga, também conhecido como o Rei do Baião.

O período de junho no nordeste brasileiro pode ser considerado como o momento em que o interior açucareiro (da cultura do açúcar colonial) mostra a força de suas tradições fortemente marcadas pelo catolicismo português. Na dança, os folguedos juninos são celebrados através das quadrilhas que chegaram no Brasil Imperial por influência francesa e se popularizaram no nordeste, onde ainda hoje as expressões “anarriê” e “anavantur” remetem à língua originária dessa dança de baile.

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Quadrilha Junina do estado de Sergipe, Brasil.

E como a cultura nordestina continua viva e sendo transformada a cada dia, o compositor Edilson Barreto (que foi aluno da Rede Estadual de ensino da Bahia) compôs a música Contos de Baião, que você pode conferir no Quadro Gramofone, do Programa Intervalo, Rede Anísio Teixeira no link abaixo:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3830

 

Carlos Barros

Professor da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Socorro

Oi! Tudo bem? Hoje, a dica de música da Radiola PW é Socorro, uma composição de Arnaldo Antunes e Alice Ruiz. A canção faz parte do repertório do CD Um som, lançado por Arnaldo em 1998.

Fig. 1: Arnaldo Antunes em cena do DVD Rosa Celeste, de 2012, em que canta a música Socorro. Imagem: captura de tela feita em 31 de maio de 2015
Fig. 1: Arnaldo Antunes em cena do DVD Rosa Celeste, de 2012, em que canta a música Socorro. Imagem: captura de tela feita em 31 de maio de 2016

A letra apresenta um eu lírico bastante desolado, procurando ânimo para viver. Logo no início, ele confidencia: Socorro, não estou sentindo nada/Nem medo, nem calor, nem fogo/Não vai dar mais pra chorar/Nem pra rir”. Esses versos mostram o desespero e a agonia de uma pessoa que está psicologicamente abalada. Na segunda estrofe, essa ideia é reforçada: “Já não sinto amor nem dor/Já não sinto nada”. A música é um banquete de substantivos abstratos.

A composição dá indícios de que a pessoa está com depressão e, por isso, pede socorro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão “é um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou baixa autoestima, distúrbios do sono ou do apetite, sensação de cansaço e falta de concentração”. A estimativa é de que, em todo o mundo, 350 milhões de pessoas sejam afetadas pelo transtorno.

Num dado momento da letra, o eu lírico, em total desânimo, clama: “Socorro, alguém me dê um coração/Que esse já não bate nem apanha/Por favor, uma emocão pequena, qualquer coisa/Qualquer coisa que se sinta/Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva”. Melancólico, não é?

Olha que interessante… 

Na linguagem informal, há casos em que o verbo ter é usado com o sentido de haver ou existir. Quando isso acontece, ele fica impessoal. Ou seja: não admite sujeito. Por isso, fica no singular. Na música Socorro, os compositores escreveram: “Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva”. A forma “Tem” ficou no singular justamente por causa do que foi explicado acima. Vale ressaltar que a gramática normativa não reconhece o emprego do verbo ter no sentido citado aqui.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia