A Matemática dos superbenefícios dos senadores

Caro leitor,

Este texto tratará exclusivamente dos subsídios e outros “direitos” dos senadores, que são parte dos políticos brasileiros que têm os maiores benefícios do mundo.

No cenário político, o Brasil possui 57.949 vereadores, 5.568 prefeitos e o mesmo número de vice-prefeitos, 1059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, 27 governadores e o mesmo número de vice – governadores, secretários municipais, secretários de estado, o presidente da República e o vice – presidente, ministros e seus assessores, e outros tantos servidores da máquina pública, das casas onde atuam esses políticos. Todos eles são funcionários do povo, trabalham pelo povo, ou deveriam! Quem paga o salário deles somos nós, por meio de 94 tributos que colocam o Brasil na 14ª posição dos países que têm a maior carga tributária do mundo e o pior retorno à população.

Segundo a Lei nº 12.527, de 2011, que regula o acesso à informação, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem garantir o acesso e a divulgação de diversas informações sobre a gestão do poder público, que inclui o salário dos servidores e políticos. Num flagrante desrespeito à lei, os benefícios dos senadores não são divulgados. Valendo-me da prerrogativa da lei, solicitei ao Senado, informações dos salários e demais “direitos” dos políticos. Fui atendido imediatamente numa agilidade inesperada, contudo a informação que pretendíamos não veio pronta. Tive que ler o material enviado, entender e realizar alguns cálculos para inferir o que veremos adiante.

senado

Senado Federal. Plenária do Congresso – abertura dos trabalhos legislativos. FLICKR. Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/agenciasenado/16428631862>. Acesso em 23/03/2017.

O número de senadores é fixo, são 3 por estado, totalizando 81. Os senadores representam os estados e não a população, daí portanto a não proporcionalidade em relação ao número de habitantes de cada estado, como acontece com os demais cargos políticos. O mandato do senador é de 8 anos (os demais cargos políticos é de 4 anos), mas a eleição se dá de 4 em 4 anos: em uma, a população elege 1/3 deles (27 senadores) e na eleição subsequente os 2/3 restantes (54 senadores). Em 2018, teremos eleições para 2/3 (2 vagas por estado). Atualmente, estamos na 55ª legislatura.

Num país onde quase a metade da população sobrevive com um salário mínimo de R$ 937,00 bruto, os políticos têm Super Benefícios de deixar qualquer país desenvolvido, admirado. Vejamos:

  • O Decreto Legislativo nº 276, de 2014 fixa o subsídio dos senadores em R$ 33.763,00. Mesmo decreto que fixa uma ajuda de custo equivalente ao valor do subsídio, um no início e outro no fim do mandato, totalizando, atualmente, R$ 67.526,00.

  • Já o ACD nº 22, de 2015 dispõe sobre a Cota de Correspondência Mensal. A cota a que cada senador tem direito varia por estado. Considerando a média dos valores constantes na tabela, 7.157 unidades postais, e a Unidade Postal de até 20g (carta simples) a R$ 1,70 a cota será de R$ 12.166,90.

  • A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos SenadoresCEAPS, corresponde ao somatório do valor mensal de verba indenizatória (VI) pelo exercício da atividade parlamentar (R$ 15.000,00) e do valor mensal de transporte aéreo (VTA) dos Senadores (R$ 19.680,76, média da tabela constante no ACD, equivalente a 5 trechos ida e volta, da capital do estado de origem do senador a Brasília), regulamentada pelo ACD nº 5, de 2014. Logo, a CEAPS é de R$ 34.680,76. Clique aqui e saiba mais.

  • O Auxílio Moradia (ou imóvel residencial) é de R$ 3.800,00 mensal. O ACD nº 24, de 1992 disciplina a concessão de imóvel funcional.

  • O ACD nº 21, de 2015 dispõe sobre a distribuição de mídias impressas para os senadores e demais unidades do Senado Federal. Denominada Cota de Jornais e Revistas ela pode variar de R$ 400,00 a R$ 500,00 por mês (valores estimados na assinatura dos principais jornais e revistas do país). Membros da mesa, lideranças e blocos têm direito a mais 2 jornais). Consideraremos a média R$ 450,00.

  • A Assistência à Saúde, disposta no ACD nº 9, de 1995, é completa, vitalícia, com gastos ilimitados e sem nenhum custo para o senadores, ex-senadores e suas esposas, filhos, pai, mãe e até enteados. Em 2016 o gasto com saúde foi de R$ 7.148.732,15 e nos últimos 8 anos R$ 53.462.966,40. Veja as Tabelas de Despesas.

  • Cargos Comissionados, pois, senadores não têm verba de gabinete, dispõem, porém, de 12 cargos comissionados para lotação no gabinete parlamentar, equipe esta composta de 5 assessores parlamentares (R$ 8 mil cada); 6 secretários parlamentares (R$ 6,8 mil) e 1 motorista (R$ 10 mil). Eles custam mensalmente ao Senado cerca de R$ 90.000,00. Veja o regulamento. Veja também o ACD nº 16, de 2009.

  • O Contrato de Lavagem e Abastecimento de veículos que atendem aos senadores e órgãos do Senado Federal fica por conta da empresa Interativa Empreendimentos e Serviços de Limpeza e Construções LTDA – CNPJ 05.305.430/0001-35, no valor de R$ 329.882,64 por mês. Veja o Contrato 0154/2012, em vigor.

Veja, clicando aqui, outros contratos de prestação de serviços ao Senado.

  • A Locação de Veículos fica com a empresa LM Transportes e Serviços e Comércio LTDA – CNPJ 14.672.885/0001-80, com valor mensal de R$ 2.678.582,64, celebrado pelo Contrato 0104/2011, que vigora desde 19/09/2011 a 18/09/2017.

CONCLUSÃO: um único senador pode receber de benefícios pomposos, direto, cerca de R$ 136.060,66 por mês ou mais, em espécie; ou R$ 1.632.727,92 por ano. O custo direto mensal com os 81 senadores pode chegar a R$ 11.020.913,46 ou R$ 1.053.471.692,16 por mandato. Se incluirmos a assistência à saúde e os outros itens subsequentes da lista acima o custo total com um único senador pode chegar a R$ 270.077,59 por mês ou R$ 3.240.931,08 por ano. Assim o mandato dos 81 senadores custa ao erário R$ 2.105.592.931,44 ou mais. É ou não é um Supersalário? Um único professor com 8 anos de serviços público e todos os benefícios possíveis, custa ao estado cerca de R$ 78.000,00 por ano, ou 41 vezes menos que um único senador no mesmo período! O orçamento oficial do Senado Federal para 2017 é de R$ 4,2 bilhões. Um Absurdo!

Professor, o que achou do texto? Seria possível incentivar os estudantes a pesquisar e construir uma tabela com a progressão do salário dos senadores e demais políticos? Ou quem sabe comparar os benefícios desses com o salário mínimo? Ou ainda verificar a idade média dos senadores, grau de instrução, seus projetos, etc.? Até mesmo estudar a história do Senado Federal. Muitos conteúdos podem ser estudados a partir desse texto. O que acha? Use a criatividade e compartilhe conosco nos comentários aqui no Blog. Um abraço.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

CASA CIVIL. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 06/10/2016.

SENADO FEDERAL. Transparência. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/transparencia/leg/legislacao-relacionada>. Acesso em 22/02/2017.

ELEIÇÕES 2016. Disponível em <https://www.eleicoes2016.com.br/como-e-definido-o-numero-de-vereadores-por-municipio/>. Acesso em 10/10/2016.

RANKING POLÍTICOS. Disponível em: <http://www.politicos.org.br/>. Acesso em 06/10/2016.

TRANSPARÊNCIA BRASIL. Disponível em: <http://www.transparencia.org.br/>. Acesso em 20/10/2016.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL – TSE. Disponível em <http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais-2016/candidaturas>. Acesso em 06/10/2016.

CONTAS ABERTAS. Senadores já pediram indenização de R$ 13 milhões. Disponível em <http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/9539>. Acesso em 15/03/2017.

O GLOBO. De 30 nações, Brasil oferece o menor retorno dos impostos aos cidadãos.https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/de-30-nacoes-brasil-oferece-menor-retorno-dos-impostos-ao-cidadao-17555653>. Acesso em 10/03/2017.

PORTAL TRIBUTÁRIO. Os tributos no Brasil. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm>. Acesso em 15/03/2017.

SIGA BRASIL. Painel Cidadão. Disponível em: <http://www9.senado.gov.br/QvAJAXZfc/opendoc.htm?document=senado%2Fsigabrasilpainelcidadao.qvw&host=QVS%40www9&anonymous=true&Sheet=shOrcamentoVisaoGeral>. Acesso em 17/03/2017.

SENADO FEDERAL. Orçamento da União. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/orcamento/>. Acesso em 17/03/2016.

MONITOR DE ESCÂNDALO. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm>. Acesso em 17/03/2017.

Quem está estudando para o ENEM?

O Exame Nacional do Ensino Médio está se aproximando e, a partir da próxima segunda-feira, 22 de agosto, o nosso blog intensificará as discussões que podem auxiliar os estudantes durante a preparação para o exame.

Fig.1: Ilustração do Enem. Fonte: INEP

Fig.1: Ilustração do Enem. Fonte: INEP

Começaremos com uma semana temática (de 22 a 26 de agosto), que trará informações de todas as áreas do conhecimento (Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias). Nesse sentido, vamos problematizar e discutir assuntos que sempre figuram na prova. Em seguida, na segunda semana de setembro, voltaremos ao tema, fazendo uma associação entre o Enem e a Independência do Brasil.

De 19 a 23 setembro, abordaremos aspectos de nossa pluralidade cultural e como eles aparecem no Exame Nacional do Ensino Médio. Tudo isso, obviamente, levando em consideração outros temas transversais, como história e cultura africana e gênero e sexualidade. Para finalizar, dedicaremos o mês de outubro todo para falar de Enem e de temáticas voltadas para a saúde. Como elas aparecem na prova? Quais são as mais frequentes?

Quer saber? Então, não perca o nosso calendário! Acompanhe tudo por aqui e utilize os conteúdos do Ambiente Educacional Web para ter ainda mais sucesso no Enem!

Só para lembrar: o exame está marcado para acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016!

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Etnomatemática

Olá pessoal! Tudo Beleza? Espero que sim! Para abrirmos as discussões do mês de maio, falaremos sobre a etnomatemática, sob o ponto de vista dos povos e da cultura indígena. Durante muito tempo, essa etnia teve sua cultura, língua, ciência e conhecimento matemático renegados pelos povos colonizadores e pelo Ocidente. No entanto, sabemos que cada etnia  possui a sua própria forma de produzir ciência e de representá-la.  Assim como ocorre nas ciências, cada etnia  também produz seu conhecimento matemático, no qual esse saber também é representado de diversas formas  e surge a partir das necessidades de cada grupo étnico.

A etnia Guarani-Kaiowá por exemplo, não atribui o valor três  quando estão diante de três folhas de uma mesma planta. Os indivíduos desse grupo concluirão  que ali existe um único objeto. No entanto, se adicionarmos às três folhas  uma pedra e uma lasca de pau, eles dirão está diante de três objetos. Estranho? Não! Bem, eu diria que é cultural! Talvez eles tenham a mesma impressão a respeito do nosso sistema de numeração!

Outro exemplo, bem curioso, sobre a forma como as etnias indígenas representam alguns polígonos, é aquela adotada pelos povos Kuikuru para representar os triângulos. Os homens desenham estes polígonos com os seus vértices pintados, enquanto que as mulheres os desenham sem nenhuma pintura. Segundo pesquisadores, esta representação está associada aos mitos de gênero indígena e às partes vitais do seu corpo.

Essa forma particular que os grupos éticos utilizam para descrever os fenômenos, representar figuras geométricas e contar objetos, sob o seu processo de leitura de mundo, foi denominada, nos meados da década de 70, por alguns teóricos, de etnomatemática. O surgimento dessa corrente   emerge num momento em que as críticas sobre a existência de um currículo comum e uma única forma de apresentação do conhecimento matemático são muito rebatidas entre alguns pesquisadores, dentre eles, D´Ambrosio. Segundo eles, a Matemática Moderna não valoriza os conhecimentos prévios dos alunos proveniente do seu meio, contrapondo, assim, a etnomatemática, cujos olhares estão voltados para a matemática presente nas contas feitas pelo feirante, nas medições de áreas efetuadas pelo pedreiro, no dimensionamento dos artesões , nas técnicas de pesca dos ribeirinhos, nas receitas das cozinheiras e na forma de contar e construir artesanato dos povos indígenas.   Esses últimos, repletos de exemplos para o ensino da Matemática e revestidos de significado, por meio da simetria de seus traçados, dos ângulos presentes no cruzamento entre uma palha e outra das suas cestas, na pintura corporal por meio dos de seus adornos simbólicos e míticos.

Ao contrário do que se pensa, o estudo da matemática e da cultura indígena  pode contribuir para a interdisciplinaridade e transdisciplinaridade e, ainda, favorecer a contextualização dos conhecimentos tradicionais do ambiente escolar, trazendo significado e a aplicação para o ensino de Matemática, além de preservar a identidade dos povos indígenas.

Vamos aprender mais um pouco sobre a etnomatemática? Acesse agora o  AEW ( Ambiente Educacional Web)!

André Soledade.

Professor da Rede Pública Estadual.

Referências:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível  em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Etnomatem%C3%A1tica>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Socioambiental, Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kuikuro>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível  em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ubiratan_D%27Ambrosio>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Unicamp, Centro de Desenvolvimento de Professores. Disponível em: <http://www.ime.unicamp.br/lem/publica/e_sebast/etno.pdf>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Estatística Indígena

 

Olá, pessoal!

No Brasil, até a década de 80, acreditava-se que os povos indígenas estavam a caminho da extinção. Segundo o CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação, a população indígena estimada era de, apenas, 204.000 habitantes, quando a população brasileira era de, aproximadamente, 133 milhões de habitantes. Ou seja, a população indígena brasileira era de aproximadamente 1,53% do total da população. O País tinha cerca de 662 terras indígenas. Nas décadas seguintes, no entanto, essa tendência se reverteu, houve rápido crescimento populacional verificado na maioria dos grupos, todavia, o Censo 2010 revelou algo preocupante. Acompanhe os dados.

De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, a população brasileira era de 190.755.799, dos quais apenas 0,47% ou 896,9 mil eram indígenas, morando tanto em terras indígenas (63,8%) quanto em cidades (36,2%). Do total, 817,9 mil se autodeclararam índios no quesito cor ou raça e 78,9 mil, embora se declarassem de outra cor ou raça, principalmente parda (67,5%), se consideraram indígenas pelas tradições e costumes. Se na década de 80 a situação era preocupante, o que dizer a de agora?

O maior contingente indígena está na região Norte: 342.836 indígenas (38,2%) e o menor, na Sul: 78.773 (8,8%). Considerando a população indígena residente fora das terras indígenas, a maior concentração está no Nordeste: 126.597 (33,4%).

“Ainda, segundo o Censo 2010, o País tem 505 terras indígenas, que representam 12,5% do território brasileiro (106,7 milhões de hectares), onde residem 517,4 mil indígenas (57,7%), dos quais 251,9 mil (48,7%) estão na região Norte. Apenas seis terras têm mais de 10 mil indígenas; 107 terras têm entre  mil e 10 mil; 291 terras têm entre 100 e 1000 e em 83 terras residem até 100 indígenas. A terra com maior população indígena é Yanomami, no Amazonas e em Roraima, com 25,7 mil indígenas.”.

Segundo a Funai “Foi observado equilíbrio entre os sexos para o total de indígenas. Para cada 100,5 homens, há 100 mulheres. Há mais mulheres nas áreas urbanas e mais homens, nas rurais. Percebe-se, porém, um declínio no predomínio masculino nas áreas rurais entre 1991 e 2010, especialmente no Sudeste (de 117,5 para 106,9), Norte (de 113,2 para 108,1) e Centro-Oeste (de 107,4 para 103,4).”.

Espero que esse texto tenha lhe dado uma dimensão dos povos indígenas do nosso país.

Os professores poderão utilizar esse texto na aula de estatística, estimativa, porcentagem, regra de três simples e muito outros assuntos de diversas disciplinas.

Um abraço.

REFERÊNCIAS

PORTAL BRASIL. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/governo/2012/08/brasil-tem-quase-900-mil-indios-de-305-etnias-e-274-idiomas. Acesso em 06/04/2016.

IBGE. Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=8. Acesso em 06/04/2010.

FUNAI – Fundação Nacional do Índio. Disponível em: http://www.funai.gov.br/index.php/educacao-escolar-indigena. Acesso em 06/04/2016.

CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação. (1985). Considerações preliminares acerca do compromisso firmado entre o CVRD e a Comunidade Indígena Parkatêjê (Gavião do Pará): Parecer relativo à viagem de campo realizada entre 2 e 14.11.84, 1984g. In: CENTRO Ecumênico de Documentação e Informação. Povos Indígenas no Brasil? V. 8, II, São Paulo, CEDI.

OUTRAS HISTÓRIA. Disponível em: http://mekstein.blogspot.com.br/2010/02/pequeno-dicionario-de-palavras.html. Acesso em 06/04/2016.

Caixa-preta

Olá, galera do Blog do PW!

Hoje vamos falar da caixa-preta de aviões, um importante equipamento encontrado nesse meio de transporte que é considerado o mais seguro que existe e atualmente. Estima-se mais de 100 mil voos deslocando todos os dias no mundo.

Quando um avião cai, o fato repercute nos noticiários por dias porque esses desastres são raros (cerca de 1 chance em 11 milhões de acontecer). Mas, quando um acidente acontece, a procura por pistas começa sempre do mesmo jeito: com a busca da caixa-preta.

Primeiro, a caixa-preta não é preta. É laranja! Para chamar mais a atenção! Para que as equipes de busca consigam avistá-la. Além disso, possui tiras fosforescentes, que refletem a luz. A cor laranja é determinada por convenções mundiais de aviação civil.

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Mas, então, por que a caixa-laranja se chama caixa-preta? Há várias versões para a origem da expressão.

A primeira delas diz que “A expressão caixa-preta vem da década de 50, quando os circuitos eletrônicos do avião eram agrupados em compartimentos, mas o termo correto é Flight Data Recorder (FDR). “Como o funcionamento dos circuitos era obscuro, as caixas ficaram conhecidas como black boxes, já que a cor preta remete ao desconhecido”, explica Hildebrando Hoffmann, professor de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS”. (Revista Mundo Estanho, edição 114).

A segunda versão diz que “Tudo indica que o nome foi herdado de outro equipamento, com funções diferentes, que era usado na Segunda Guerra Mundial pela Royal Air Force, a força aérea britânica: um radar que permitia ao piloto “ver” através das nuvens ou no escuro. Diversos itens eletrônicos empregados na aviação da época eram acondicionados em caixas pretas literais, mas foi esse radar, então uma maravilha tecnológica cujo funcionamento nem os próprios pilotos compreendiam, que entrou para o jargão dos aviadores com o nome de black box. (Veja.com 03/05/2011).

E a terceira versão, bem próxima da primeira diz que “o termo [caixa-preta] vem do inglês black box, que foi incorporado pelos aviadores, conta o professor James Waterhouse, do departamento de Engenharia Aeronáutica da USP. Sua origem é da eletrotécnica, que usa a expressão para denominar um sistema do qual a estrutura interna é desconhecida e só se pode analisar a entrada e a saída, apenas deduzindo seus mecanismos internos”. (Manual do mundo 30/10/2013). Essa versão é semelhante à primeira.

A caixa-preta é um dispositivo eletrônico instalado na cauda do avião que grava informações do voo. E há duas na verdade. O CRV (Cockpit Voice Recorder) – Gravador de Voz do Cockpit, grava conversa de pilotos, controle aéreo e outros barulhos como alertas das últimas duas horas do voo; e o FDR (Flight Data Recorder) – Gravador de Dados do Voo que acompanha os sinais técnicos do avião, grava as leitura dos instrumentos de velocidade, altitude, níveis de combustível, temperatura e controle de voo. Grava até 25 horas.

Em 1953, Dr. Davis Warren, um jovem cientista australiano do Laboratório de Pesquisas Aeronáuticas (ARL – Aeronautical Research Laboratory), antecessora da atual Organização de Defesa da Ciência e Tecnologia (DSTO – Defence Science and Technology Organisation), inventou a caixa-preta, depois de ter perdido seu pai em um acidente aéreo inexplicável, mas, só nos anos 1960, depois de um acidente que acabou sem solução, a Austrália tornou-se o primeiro país a exigir caixas-pretas em todos os aviões comerciais novos. Ela se tornou obrigatória nos EUA em 1967. Atualmente, todas companhias aéreas ao redor do mundo possuem um gravador de dados de voo, a Caixa Preta. Para saber mais sobre a invenção de Warren, clique aqui.

As caixas pretas podem sofrer grandes impactos, mas, os cartões de memória que ajudam a explicar o que aconteceu têm muita proteção. São envolvidas numa fina camada de alumínio, uma polegada de isolamento de calor e coberta de aço inoxidável ou titânio. São, praticamente indestrutíveis. São construídas para resistirem a uma aceleração de 3400 G ou 3.400 vezes a força da gravidade, a uma hora em chamas num calor de até 2000°F (1093ºC) e submersão em água salgada de até 20 mil pés (cerca de 6 km). Cada caixa tem um sinal localizador que é ativado assim que toca a água emitindo um pulso por segundo detectável por sonares com até 2 milhas náuticas de distância (cerca de 3, 7 km), mas, só funciona por 30 dias. Talvez seja uma das razões porque investigadores não localizaram, ainda, a caixa-preta do acidente com o voo MH370 da Malasian Airlines em 8/3/2015 que levava 239 pessoas.

Caixas-pretas são essenciais para entender o que aconteceu em acidentes. Mas, se a caixa-preta não for encontrada fica muito difícil determinar as causas de acidentes.

Em junho de 2009, o Airbus A330 que fazia o voo 447 da Air France do Rio de Janeiro a Paris, desapareceu depois de ter caído no Oceano Atlântico. Sua caixa-preta só foi recuperada do fundo do mar, dois anos depois, com todos os dados intactos. Clique aqui e veja a transcrição da conversa entre os pilotos, dos últimos três minutos do voo. O diálogo e o registro técnico do avião possibilitaram os especialistas estudarem as causas do acidente.

Ouça trechos gravados nas caixas-pretas de alguns desastres aéreos. Clique aqui.

Já se estuda a possibilidades de incluir vídeos nas caixas-pretas e a transmissão de dados via wi-fi, diretamente delas para controle aéreo ou agência de aviação onde podem ser guardados com segurança e em tempo real.

Um abraço, até a próxima e que a paz do Senhor Jesus esteja com todos.

Samuel Oliveira de Jesus – Professor colaborador da Rede Anísio Teixeira

REFERÊNCIAS

G1 – GLOBO.COM. Disponível em http://g1.globo.com/Acidente-do-Voo-AF-447/noticia/2012/07/nos-vamos-bater-isso-nao-pode-ser-verdade-diz-copiloto-do-af-447.html. Acesso em 18/11/2015.

MANUAL DO MUNDO. Disponível em http://www.manualdomundo.com.br/2013/10/por-que-a-caixa-preta-dos-avioes-e-laranja/. Acesso em 17/11/2015, às 15 h.

MUNDO ESTRANHO. Disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-a-caixa-preta-dos-avioes-e-laranja. Acesso em 17/11/2015, às 16 h 22;

THE COCKPITSEAT.COM. Disponível em http://www.thecockpitseat.com/cps/pt-br/um-pouco-da-historia-da-caixa-que-nao-e-preta/. Acesso em 18/11/2015, às 13 h 10.

VEJA.COM. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/curiosidades-etimologicas/por-que-caixa-preta-se-ela-e-laranja/. Acesso em 17/11/2015, às 16 h 38.

WIKIMEDIA COMMONS. Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Black_Box_Cockpit_Voice_Recorder,_Model_AV557D,_Sunderstrand_Data_Control,_Inc.,_c._1990s_-_National_Electronics_Museum_-_DSC00090.JPG. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 22. (Imagem da esquerda)

WIKIPEDIA. Disponível em https://en.wikipedia.org/wiki/Orange_%28colour%29. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 22. (Imagem da direita)

YAHOO NOTÍCIAS. Disponível em https://br.noticias.yahoo.com/video/como-funciona-caixa-preta-um-114008011.html. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 30.

DESASTRES AÉREOS. Disponível em http://www.desastresaereos.net/caixapreta.htm. Acesso em 17/11/2015, às 15 h 40.

Matemática e suas diversas funções

Estudante-repórter: Érica de Jesus

Olá, galerinha!

A Feira Baiana de Matemática visa implementar melhorias para problemas no cotidiano estudantil e educacional. Nessa edição, a Secretária da Educação do Estado promove a 5° Feira de Ciências da Bahia ( Feciba) e a 10° Feira Baiana de Matemática ( FBM), expondo de 240 trabalhos de estudantes de diversos municípios do Estado.

Alberto Amorim Filho, 49 anos, é professor e orientador da disciplina geografia e do Projeto “ Planetário na escola : Uma proposta para popularizar a astronomia e o software livre na sala de aula ”, Colégio Estadual Teotônio Vilela ( CETV), Feira de Santana. O professor também orientou os subprojetos: Astro engenharia , Luar do Sertão, Matemática e Astronomia e Telescópios na Escola, desenvolvidos pelas estudantes Aline Santana e Ana Vitória Santos .

O intuíto do projeto foi de mostrar a possibilidade em criar possibilidades, utilizando as Feira Baiana de Matemática e recursos básicos existentes na escola, como a internet, sala de laborátotio e o projetor, transformando-os no trabalho de Astronomia. Realizamos uma pesquisa sobre como seria o desenvolvimento com software livre, obtendo um resultado positivo, quebrando o olhar negativo acerca desse tipo de software”, afirma Alberto Amorim Filho.

 

Entrevista com o professor Alberto Filho. Foto : Bira Mendes

Entrevista com o professor Alberto Filho. Foto : Bira Mendes

Ana Vitória Santos, 17 anos , estudante, 2° ano do Ensino Médio , ( CETV)  afirma; O projeto que confeccionamos foi simples, utilizamos um projetor e um programa que baixamos da Internet, já estamos colocando em prática na escola. Na teória, deveriamos ter acesso ao software livre em sala de aula, infelizmente, muita  vezes os professores não possuem suporte suficiente para desenvolver uma atividade que seja produtiva para que os alunos compreendam sobre determinado assunto”.

 

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Ana Vitória e Alana Santana, participantes da FBM. Foto : Bira Mendes.

Geiziane Dantas , 16 anos , 3° ano do Ensino Médio , Colégio Estadual Ernesto Ribeiro, do munícipio Saúde , trouxe o tema: “ Acessibilidade e inclusão social : uma análise sobre a cidade de Saúde – Ba ”. Em depoimento, Geiziane relata o motivo da temática abordada na Feira, devido às grandes dificuldades de locomoção das pessoas deficientes físicas e/ou visuais, dentro da cidade, em especial, o Centro da cidade, onde se encontra o maior número de pessoas transitando. “O nosso maior objetivo é sensibilizar o Prefeito e Vereadores, para que eles reorientem a nossa cidade, visando também a locomoção de todos,  incluindo os comerciantes que, infelizmente, encontram-se nas calçadas. Assim, esse projeto seria de grande importância para todos, pois os deficietes já sofrem muito preconceito devido às suas condições físicas” conclui ela.

Geiziane Rosa, participante da FBM. Foto : Bira Mendes.

Geiziane Rosa, participante da FBM. Foto : Bira Mendes.

 

A estudante-repórter Érica de Jesus. Foto: Raulino Júnior

A estudante-repórter Érica de Jesus. Foto: Raulino Júnior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Érica de Jesus tem 21 anos, é estudante do Centro Estadual de Educação Profissional da Bahia, que fica em Salvador, e faz parte da equipe de Cobertura Colaborativa Estudantil.

“Xadrerizando…”

Estudante-repórter: Érica de Jesus

Oi, turma! Tudo bem?

Rita Boenes explica os benefícios do jogo de xadrez. Foto: Bira Mendes

Rita Boenes explica os benefícios do jogo de xadrez à nossa estudante-repórter. Foto: Bira Mendes

Rita Boenes, 50 anos, professora de educação física, trabalha há cinco anos com jogos de xadrez, no Colégio Estadual Duque de Caxias (CEDC), localizado no bairro da Liberdade, em Salvador. “Além de diversão e entretenimento, os alunos desenvolvem habilidades cognitivas, raciocínio lógico, comportamental e educacional. Sendo assim, auxilia os alunos nas matérias exatas e nas de sociologia e filosofia”, afirma Rita.

Denilson Oliveira participou do Festival de Xadrez. Foto: Bira Mendes

Denilson Oliveira participou do Festival de Xadrez. Foto: Bira Mendes

O estudante Denílson Oliveira, 17 anos, que cursa o 3° ano do Ensino Médio, no CEDC, foi um dos participantes da competição Festival de Xadrez, no 4° Encontro Estudantil, contou um pouco sobre a sua experiência com o jogo de xadrez: “Quando você se dedica ao xadrez, você vê a vida e as pessoas com um olhar abrangente, onde não há nada impossível. Podemos superar todas as barreiras”. Xeque-mate!

A estudante-repórter Érica de Jesus. Foto: Raulino Júnior

A estudante-repórter Érica de Jesus. Foto: Raulino Júnior

Érica de Jesus tem 21 anos, é estudante do Centro Estadual de Educação Profissional da Bahia, que fica em Salvador, e faz parte da equipe de Cobertura Colaborativa Estudantil.