A Matemática dos superbenefícios dos senadores

Caro leitor,

Este texto tratará exclusivamente dos subsídios e outros “direitos” dos senadores, que são parte dos políticos brasileiros que têm os maiores benefícios do mundo.

No cenário político, o Brasil possui 57.949 vereadores, 5.568 prefeitos e o mesmo número de vice-prefeitos, 1059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, 27 governadores e o mesmo número de vice – governadores, secretários municipais, secretários de estado, o presidente da República e o vice – presidente, ministros e seus assessores, e outros tantos servidores da máquina pública, das casas onde atuam esses políticos. Todos eles são funcionários do povo, trabalham pelo povo, ou deveriam! Quem paga o salário deles somos nós, por meio de 94 tributos que colocam o Brasil na 14ª posição dos países que têm a maior carga tributária do mundo e o pior retorno à população.

Segundo a Lei nº 12.527, de 2011, que regula o acesso à informação, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem garantir o acesso e a divulgação de diversas informações sobre a gestão do poder público, que inclui o salário dos servidores e políticos. Num flagrante desrespeito à lei, os benefícios dos senadores não são divulgados. Valendo-me da prerrogativa da lei, solicitei ao Senado, informações dos salários e demais “direitos” dos políticos. Fui atendido imediatamente numa agilidade inesperada, contudo a informação que pretendíamos não veio pronta. Tive que ler o material enviado, entender e realizar alguns cálculos para inferir o que veremos adiante.

senado

Senado Federal. Plenária do Congresso – abertura dos trabalhos legislativos. FLICKR. Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/agenciasenado/16428631862>. Acesso em 23/03/2017.

O número de senadores é fixo, são 3 por estado, totalizando 81. Os senadores representam os estados e não a população, daí portanto a não proporcionalidade em relação ao número de habitantes de cada estado, como acontece com os demais cargos políticos. O mandato do senador é de 8 anos (os demais cargos políticos é de 4 anos), mas a eleição se dá de 4 em 4 anos: em uma, a população elege 1/3 deles (27 senadores) e na eleição subsequente os 2/3 restantes (54 senadores). Em 2018, teremos eleições para 2/3 (2 vagas por estado). Atualmente, estamos na 55ª legislatura.

Num país onde quase a metade da população sobrevive com um salário mínimo de R$ 937,00 bruto, os políticos têm Super Benefícios de deixar qualquer país desenvolvido, admirado. Vejamos:

  • O Decreto Legislativo nº 276, de 2014 fixa o subsídio dos senadores em R$ 33.763,00. Mesmo decreto que fixa uma ajuda de custo equivalente ao valor do subsídio, um no início e outro no fim do mandato, totalizando, atualmente, R$ 67.526,00.

  • Já o ACD nº 22, de 2015 dispõe sobre a Cota de Correspondência Mensal. A cota a que cada senador tem direito varia por estado. Considerando a média dos valores constantes na tabela, 7.157 unidades postais, e a Unidade Postal de até 20g (carta simples) a R$ 1,70 a cota será de R$ 12.166,90.

  • A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos SenadoresCEAPS, corresponde ao somatório do valor mensal de verba indenizatória (VI) pelo exercício da atividade parlamentar (R$ 15.000,00) e do valor mensal de transporte aéreo (VTA) dos Senadores (R$ 19.680,76, média da tabela constante no ACD, equivalente a 5 trechos ida e volta, da capital do estado de origem do senador a Brasília), regulamentada pelo ACD nº 5, de 2014. Logo, a CEAPS é de R$ 34.680,76. Clique aqui e saiba mais.

  • O Auxílio Moradia (ou imóvel residencial) é de R$ 3.800,00 mensal. O ACD nº 24, de 1992 disciplina a concessão de imóvel funcional.

  • O ACD nº 21, de 2015 dispõe sobre a distribuição de mídias impressas para os senadores e demais unidades do Senado Federal. Denominada Cota de Jornais e Revistas ela pode variar de R$ 400,00 a R$ 500,00 por mês (valores estimados na assinatura dos principais jornais e revistas do país). Membros da mesa, lideranças e blocos têm direito a mais 2 jornais). Consideraremos a média R$ 450,00.

  • A Assistência à Saúde, disposta no ACD nº 9, de 1995, é completa, vitalícia, com gastos ilimitados e sem nenhum custo para o senadores, ex-senadores e suas esposas, filhos, pai, mãe e até enteados. Em 2016 o gasto com saúde foi de R$ 7.148.732,15 e nos últimos 8 anos R$ 53.462.966,40. Veja as Tabelas de Despesas.

  • Cargos Comissionados, pois, senadores não têm verba de gabinete, dispõem, porém, de 12 cargos comissionados para lotação no gabinete parlamentar, equipe esta composta de 5 assessores parlamentares (R$ 8 mil cada); 6 secretários parlamentares (R$ 6,8 mil) e 1 motorista (R$ 10 mil). Eles custam mensalmente ao Senado cerca de R$ 90.000,00. Veja o regulamento. Veja também o ACD nº 16, de 2009.

  • O Contrato de Lavagem e Abastecimento de veículos que atendem aos senadores e órgãos do Senado Federal fica por conta da empresa Interativa Empreendimentos e Serviços de Limpeza e Construções LTDA – CNPJ 05.305.430/0001-35, no valor de R$ 329.882,64 por mês. Veja o Contrato 0154/2012, em vigor.

Veja, clicando aqui, outros contratos de prestação de serviços ao Senado.

  • A Locação de Veículos fica com a empresa LM Transportes e Serviços e Comércio LTDA – CNPJ 14.672.885/0001-80, com valor mensal de R$ 2.678.582,64, celebrado pelo Contrato 0104/2011, que vigora desde 19/09/2011 a 18/09/2017.

CONCLUSÃO: um único senador pode receber de benefícios pomposos, direto, cerca de R$ 136.060,66 por mês ou mais, em espécie; ou R$ 1.632.727,92 por ano. O custo direto mensal com os 81 senadores pode chegar a R$ 11.020.913,46 ou R$ 1.053.471.692,16 por mandato. Se incluirmos a assistência à saúde e os outros itens subsequentes da lista acima o custo total com um único senador pode chegar a R$ 270.077,59 por mês ou R$ 3.240.931,08 por ano. Assim o mandato dos 81 senadores custa ao erário R$ 2.105.592.931,44 ou mais. É ou não é um Supersalário? Um único professor com 8 anos de serviços público e todos os benefícios possíveis, custa ao estado cerca de R$ 78.000,00 por ano, ou 41 vezes menos que um único senador no mesmo período! O orçamento oficial do Senado Federal para 2017 é de R$ 4,2 bilhões. Um Absurdo!

Professor, o que achou do texto? Seria possível incentivar os estudantes a pesquisar e construir uma tabela com a progressão do salário dos senadores e demais políticos? Ou quem sabe comparar os benefícios desses com o salário mínimo? Ou ainda verificar a idade média dos senadores, grau de instrução, seus projetos, etc.? Até mesmo estudar a história do Senado Federal. Muitos conteúdos podem ser estudados a partir desse texto. O que acha? Use a criatividade e compartilhe conosco nos comentários aqui no Blog. Um abraço.

Samuel Oliveira de Jesus

Professor de Matemática da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

REFERÊNCIAS

CASA CIVIL. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 06/10/2016.

SENADO FEDERAL. Transparência. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/transparencia/leg/legislacao-relacionada>. Acesso em 22/02/2017.

ELEIÇÕES 2016. Disponível em <https://www.eleicoes2016.com.br/como-e-definido-o-numero-de-vereadores-por-municipio/>. Acesso em 10/10/2016.

RANKING POLÍTICOS. Disponível em: <http://www.politicos.org.br/>. Acesso em 06/10/2016.

TRANSPARÊNCIA BRASIL. Disponível em: <http://www.transparencia.org.br/>. Acesso em 20/10/2016.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL – TSE. Disponível em <http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais-2016/candidaturas>. Acesso em 06/10/2016.

CONTAS ABERTAS. Senadores já pediram indenização de R$ 13 milhões. Disponível em <http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/9539>. Acesso em 15/03/2017.

O GLOBO. De 30 nações, Brasil oferece o menor retorno dos impostos aos cidadãos.https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/de-30-nacoes-brasil-oferece-menor-retorno-dos-impostos-ao-cidadao-17555653>. Acesso em 10/03/2017.

PORTAL TRIBUTÁRIO. Os tributos no Brasil. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm>. Acesso em 15/03/2017.

SIGA BRASIL. Painel Cidadão. Disponível em: <http://www9.senado.gov.br/QvAJAXZfc/opendoc.htm?document=senado%2Fsigabrasilpainelcidadao.qvw&host=QVS%40www9&anonymous=true&Sheet=shOrcamentoVisaoGeral>. Acesso em 17/03/2017.

SENADO FEDERAL. Orçamento da União. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/orcamento/>. Acesso em 17/03/2016.

MONITOR DE ESCÂNDALO. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/senadores-saude-vitalicia.jhtm>. Acesso em 17/03/2017.

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Ser negro no Brasil hoje

O livro Ser negro no Brasil hoje, da antropóloga Ana Lúcia Valente, é uma obra interessante, que traz questionamentos contundentes para o debate em torno da situação dos negros brasileiros. Lançado em 1987, o livro discute com propriedade aspectos da cultura negra e faz com que o leitor reflita sobre a temática. Logo na introdução, Ana Lúcia provoca: “Você já pensou sobre o que é ser negro no Brasil?”. E você que está lendo este texto, já pensou?

Ser Negro

Imagem: Portal do Professor

O 1º capítulo, Contextualizando a questão, traz um apanhado sobre o que é ser negro no Brasil, retoma o passado e fala do falso mito da democracia racial brasileira. Para desfazer tal ideia, Ana Lúcia propõe que o preconceito e a discriminação sejam admitidos e vistos como um problema da nossa sociedade.

No capítulo seguinte, Falando do passado, a autora aborda mais detidamente a condição de escravo dos negros, a resistência − pois os negros “nunca demonstraram ser passivos” diante daquele regime − e como a história de um povo foi contada pelo viés dos dominadores. Nesse sentido, Ana afirma: “Boa parte das noções falsas sobre os negros escravizados não surgiu de um trabalho historiográfico profundo. Pode ser considerado como manifestação do colonialismo e dos interesses que este queria defender. Até o surgimento de uma iniciativa que procurou interpretar a história sob outros ângulos, o que estava escrito era centrado na vida da ‘camada dominante’”. A antropóloga ainda cita a Lei do Ventre Livre, a Lei dos Sexagenários e a Lei Áurea, que chama de “condenação formal do sistema escravista”.  Ana Lúcia critica a ideia ilusória de que a Lei Áurea salvou os negros e trouxe mais dignidade para eles. “A ‘libertação’ dos escravos resultou numa massa de negros que perambulavam pelas fazendas e cidades à procura de emprego”, encerra.

Intitulado Falando do presente: o racismo à brasileira, o 3º capítulo fala primeiro da realidade dos negros nos Estados Unidos e na África do Sul para depois chegar ao Brasil. Ana conclui que “ser negro no Brasil hoje significa esclarecer aos outros negros e seus descendentes o papel fundamental que eles têm a desempenhar para mudar a situação racial […]. Ser negro no Brasil é uma questão política. Não a política apenas no sentido partidário, que é importante, mas no sentido mais amplo das relações humanas. Para isso, essas relações devem ser conhecidas. E quando forem relações marcadas pelo preconceito e discriminação devem ser reconhecidas e assumidas, para então serem coibidas e penalizadas”.

Guia clássico e comentado de situações de racismo é o nome do 4º capítulo. Nele, Ana Lúcia Valente discute os estereótipos associados à população negra, as piadas descabidas que têm o negro como personagem e narra situações de racismo no mercado de trabalho, na escola e nos restaurantes. A autora fala também sobre os casamentos inter-raciais e sobre os negros que têm destaque na sociedade brasileira, como Djavan e Pelé.

O 5º capítulo trata da Breve e recente história da resistência negra organizada. Nesse sentido, apresenta as primeiras organizações que tinham como objetivo defender os ideais da população negra, como a Frente Negra Brasileira. A autora não deixa de citar o emblemático Movimento Negro Unificado, fundado em 1978, na cidade de São Paulo. Ana destaca ainda o trabalho do Olodum e do Ilê Aiyê como instrumento de valorização do atributo racial.

Racismo é crime!, este é o grito que marca o último capítulo do livro. Ana mostra, num breve histórico, leis que buscavam assegurar o respeito à população negra, como a Lei Afonso Arinos, de 1951, e reproduz trechos do item XLII, da Constituição de 1988, que define a prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível. Contudo, a autora pondera: “No nosso entender, sozinhas, as leis são insuficientes para dar fim ao problema racial no Brasil”.

O livro apresenta um Glossário com esclarecimentos dos conceitos utilizados nos estudos sobre relações raciais ou interétnicas e a seção Sugestões de Leitura, em que Ana indica livros fundamentais para discutir a temática do racismo, como O que é racismo, de Joel Rufino dos Santos.

Ana Lúcia Eduardo Farah Valente é mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB).

Referência: VALENTE, Ana Lúcia E. F. Ser negro no Brasil hoje. 15ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 1996, 88p. (Coleção Polêmica).

Cine PW: Muito Além do Peso

Salve, salve, turma!

 Vocês já pensaram sobre a qualidade dos alimentos que consumimos e de que forma eles ajudam ou prejudicam a nossa saúde?

Para refletir sobre o assunto, o Cine PW indica o documentário Muito Além do Peso.

O documentário Muito Além do Peso foi lançado em novembro de 2012, em um contexto de amplo debate sobre a qualidade da alimentação das nossas crianças e os efeitos da comunicação mercadológica de alimentos dirigida a elas. O filme é fruto de uma longa trajetória da Maria Farinha e do Instituto Alana na sensibilização e mobilização da sociedade sobre os problemas decorrentes do consumismo na infância.

Em 2008, o documentário Criança, a alma do negócio alertou para o resultado devastador dos apelos de mercado voltados ao público infantil e propôs uma reflexão sobre questões como ética e responsabilidade de cada ator social na proteção da criança frente às relações de consumo. Muito Além do Peso mergulha no tema da obesidade infantil ao discutir por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, a publicidade, o governo e a sociedade de modo geral. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.

Fonte: Muito Além do Peso.

 

Tecnologias Educacionais para a Diversidade – “Índio Educa”

Fala, turma esperta!

Sabemos que o Brasil teve em sua origem e formação a contribuição de povos das mais diversas origens, não é mesmo?! Exemplos vivos disso são a nossa variadíssima e deliciosa culinária, as nossas festas populares – explosões multicoloridas de beleza, ritmo e originalidade – e o nosso idioma, recheado de termos e expressões emprestadas de outras línguas, dando forma ao chamado “português do Brasil”.

Uma dessas populações é a dos(as) nativos(as) brasileiros(as) ou “índios(as)” – termo reconhecidamente derivado de um engano identitário, fruto do primeiro contato dos colonizadores europeus com o que acreditavam ser os(as) habitantes das Índias, onde supunham ter aportado quando aqui chegaram nos idos de 1500 em busca de um atalho pelos mares até a terra das especiarias, cruzando o Atlântico.

As estimativas históricas e arqueológicas sobre o período pré-cabralino mais aceitas apontam para a existência de cerca de 5 milhões de pessoas distribuídas em aproximadamente 2 mil grupos étnico-linguísticos, como o Tupi, o Jê, o Cariri e o Aruaque e constituídos em organizações societárias relativamente complexas, com valores, práticas e imaginários próprios. Outras pesquisas indicam mesmo a possibilidade deste número ser bem maior, beirando os 20 milhões de pessoas vivendo em “Pindorama” – “terra das palmeiras”, em tupi-guarani – nome pelo qual, acredita-se, muitos(as) nativos(as) chamavam o que viria a ser o Brasil.

Diante da importância do reconhecimento dos povos nativos para a construção da cultura do nosso país e tendo em vista o cumprimento da Lei Nº 11.645,  de 10 de março de 2008, que “inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática ‘História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena’”, indicamos hoje uma ótima fonte para as pesquisas escolares e mesmo para o enriquecimento pedagógico dos(as) educadores(as): o site Índio Educa, que “nasceu em setembro de 2011 com o compromisso de levar até você a verdadeira história e cultura dos povos indígenas através das mais variadas formas, especialmente via internet.”

O Índio Educa traz reflexões importantes dos próprios indígenas sobre temas das suas culturas e sociedades, desde antes da invasão européia, no século XVI, até a atualidade, e isso tudo em plataformas multimídias – textos, fotos, arquivos de áudio e vídeo – numa interface agradável e fácil de usar. E o que é melhor: tudo disponibilizado sob licença creative commons, o que facilita a utilização e o compartilhamento dos seus conteúdos.

Ficaram curiosos(as)? É só clicar aqui ou aqui para acessar o Índio Educa e conferir um pouco mais da história dos(as) habitantes originais destas terras, parte de nossa própria caminhada civilizatória!

Ótimos estudos!

Fonte: http://www.indioeduca.org/

Chegada dos portugueses ao Brasil

Olá, turma!

Como todos sabem, no dia 22 de abril é comemorado o Descobrimento do Brasil, não é verdade?

Mas, como podemos afirmar que essas terras foram descobertas, se nelas já existiam centenas de milhares de habitantes?

Bem, para melhor compreender esses questionamentos é preciso voltar um pouco na história. Nos últimos anos que antecederam as Grandes Navegações, Portugal vivenciava uma grave instabilidade econômica, dentre outros fatores, devido as revoltas camponesas que se alastravam na Europa. Naquele momento o mercantilismo foi adotado como política econômica para garantir os privilégios da nobreza abalada com a crise do feudalismo.

Em busca de novos mercados, Portugal lançou-se ao mar. Essa expansão marítima resultou na vitória da burguesia sobre os interesse da nobreza.

Em 1500, numa expedição cujo o intuito era chegar no Oriente, as caravelas sob o comando de Pedro Álvares Cabral acabaram vindo parar onde hoje conhecemos como Brasil, entretanto naquela época não tinha essa denominação. – A princípio acharam que se tratava da Índia, até perceberem que os atrativos comercias que buscavam não se encontravam por aqui. Todavia, isso não foi impedimento para eles, que logo desenvolveram outras formas de exploração.

A opção de invasão adotada por Portugal buscava submeter os povos locais à cultura e à coroa portuguesa. Não havia intenção de construir novas formas de relações com aqueles que já habitavam a região. Assim a forma de colonização revelou os interesses comercias da coroa em busca de melhorias para os poucos beneficiários dessa invasão. Dos povos que já viviam no Brasil foram retiradas terras, força de trabalho e vidas. Foi assim que o Brasil se descobriu explorador de seu povo e diante de posturas clientelistas ainda se percebe o quanto interesses comercias falam mais alto do que o respeito à dignidade.

Depois de passados mais de 500 anos, podemos apenas esperar por novas formas de relação ou agir e construir as mudanças…

Gostaríamos de saber a opinião de vocês a respeito disso. O Brasil foi descoberto ou houve uma tentativa de destruir a sua essência?

A TV Anísio Teixeira foi à Praça Castro Alves descobrir o que pensam os brasileiros sobre o dia 22 de abril, conhecido como o dia do descobrimento do Brasil.

Para saber mais sobre a TV Anísio Teixeira, acesse
www.iat.educacao.ba.gov.br/TVAT

Siga o Instituto Anísio Teixeira também no twitter – @iat_com, no orkut e no facebook – InstitutoAnisioTeixeira.

 

UNESCO lança na Bahia edição em português da coleção História Geral da África

Professores de escolas públicas e privadas de todo o país podem contar agora com um amplo material de pesquisa. Desde 2003, com a implementação da Lei 10.639, que tornou obrigatória a inclusão da história e cultura afro-brasileira nos currículos escolares, o lançamento nesta segunda-feira (4), na Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador, da coleção História Geral da África, da Unesco, se configura como uma ferramenta essencial para ampliar o conhecimento da sociedade brasileira sobre como os diferentes saberes africanos têm colaborado para a cultura e a produção de conteúdo científico mundial.

O evento, que apresentou a edição em português da coleção, contou com a presença do governador Jaques Wagner, da ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, dos secretários estaduais de Cultura e da Educação (Albino Rubim e Osvaldo Barreto), além de representantes do Ministério da Educação (MEC) e da Unesco no Brasil.

Segundo o governador, o lançamento na Bahia é apropriado, “na medida em que somos a terra-mãe do Brasil e o local mais negro fora da África, pela cultura, pela nossa gente e pela religiosidade”. Ele parabenizou os pesquisadores pela determinação e obstinação do trabalho desenvolvido por mais de 30 anos. “Esse lançamento brinda o país com a tradução em língua portuguesa. Esse é o resgate mais importante, já que representa o reconhecimento da história sobre o olhar dos negros e da afirmação da autoestima de toda essa cultura”.

Veja mais fotos do evento

Luiza Bairros declarou que o bloco Ilê Aiyê prega, ao longo dos anos, que a Bahia é uma nação africana, pela presença de uma cultura que define as formas de ser e viver da população. “Os próprios pesquisadores africanos têm a oportunidade de identificar essa presença africana”. E destacou que esse é mais um passo para a igualdade racial. “A coleção será a base para preparação dos materiais didáticos para tornar uma realidade: o ensino da história da cultura africana e afro-brasileira em sala de aula”.

Conteúdo – A obra é considerada um divisor de águas na historiografia da região, porque explica o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outros povos, a partir de uma visão obtida de dentro do continente. A coleção traz dez mil páginas e conta a história do continente de maneira interdisciplinar. Os livros vão ficar disponíveis em todas as bibliotecas públicas do estado para servir como um novo referencial pedagógico.

“Essa coleção se constituirá num importante material de referência para construção de conteúdo pedagógico. Com essa versão em português, a educação brasileira ganha com o reconhecimento da cultura africana para formação do nosso país. A coleção ultrapassa as fronteiras do território brasileiro, como material de estudo para países da África de língua portuguesa”, afirmou o secretário estadual da Educação, Osvaldo Barreto.

Obra de referência – Publicada pela Unesco a partir dos anos 80, a coleção é ainda hoje a principal obra de referência sobre o assunto. Foi produzida ao longo de 30 anos por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um comitê científico internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Com versão completa editada em inglês, francês e árabe, a publicação agora é disponibilizada em português com os oito volumes que a compõem. A obra em português foi editada pela Unesco, em parceria com o MEC, sob a coordenação técnica da Universidade Federal de São Carlos (SP).

Para o coordenador-geral de Diversidade do MEC, Antônio Mário Ferreira, a coleção atende à necessidade de construção da história do negro no Brasil. Ele sinalizou que até 1988, considerado o marco do centenário da Abolição, o início das pesquisas sobre a participação do negro na história do Brasil tinha como alusão a escravidão. “Não nascemos da escravidão e sim em outro continente. Essa é uma oportunidade de trazer à história a nossa participação na humanidade para podermos construir o nosso futuro”.

O representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, disse que o diferencial da obra é a possibilidade de mudar a ideia equivocada de que a África é um continente sem história, já que a publicação reconhece um período de mais de três milhões de anos. “O pensamento da história demonstra que muitas coisas nasceram ou se desenvolveram lá”.

Defourny ressaltou que durante muito tempo a matriz europeia foi incorporada de uma forma dominante e exclusiva e que todo discurso feito sobre democracia racial foi uma forma de tornar invisível a importância da herança africana. “A história geral do continente é uma forma de dizer que o racismo não tem nenhum tipo de base”.

Fonte: http://www.educacao.escolas.ba.gov.br/node/2245

Hino Nacional Brasileiro em vários ritmos

Os vídeos abaixo apresentam o hino nacional brasileiro em vários ritmos musicais do país o que demonstra a nossa diversidade cultural.

Veja a letra e escute o Hino Nacional oficial no site da Presidência da República. O nosso hino em Letra: Joaquim Osório Duque Estrada  e Música: Francisco Manuel da Silva. Veja também um pouca da sua história, que nos conta que foi oficializado em 1971.

Se você ficou com dúvida sobre alguma das palavras rebuscadas, confira o vocabulário do nosso hino nacional e entenda melhor esta bela letra.