Etnomatemática

Olá pessoal! Tudo Beleza? Espero que sim! Para abrirmos as discussões do mês de maio, falaremos sobre a etnomatemática, sob o ponto de vista dos povos e da cultura indígena. Durante muito tempo, essa etnia teve sua cultura, língua, ciência e conhecimento matemático renegados pelos povos colonizadores e pelo Ocidente. No entanto, sabemos que cada etnia  possui a sua própria forma de produzir ciência e de representá-la.  Assim como ocorre nas ciências, cada etnia  também produz seu conhecimento matemático, no qual esse saber também é representado de diversas formas  e surge a partir das necessidades de cada grupo étnico.

A etnia Guarani-Kaiowá por exemplo, não atribui o valor três  quando estão diante de três folhas de uma mesma planta. Os indivíduos desse grupo concluirão  que ali existe um único objeto. No entanto, se adicionarmos às três folhas  uma pedra e uma lasca de pau, eles dirão está diante de três objetos. Estranho? Não! Bem, eu diria que é cultural! Talvez eles tenham a mesma impressão a respeito do nosso sistema de numeração!

Outro exemplo, bem curioso, sobre a forma como as etnias indígenas representam alguns polígonos, é aquela adotada pelos povos Kuikuru para representar os triângulos. Os homens desenham estes polígonos com os seus vértices pintados, enquanto que as mulheres os desenham sem nenhuma pintura. Segundo pesquisadores, esta representação está associada aos mitos de gênero indígena e às partes vitais do seu corpo.

Essa forma particular que os grupos éticos utilizam para descrever os fenômenos, representar figuras geométricas e contar objetos, sob o seu processo de leitura de mundo, foi denominada, nos meados da década de 70, por alguns teóricos, de etnomatemática. O surgimento dessa corrente   emerge num momento em que as críticas sobre a existência de um currículo comum e uma única forma de apresentação do conhecimento matemático são muito rebatidas entre alguns pesquisadores, dentre eles, D´Ambrosio. Segundo eles, a Matemática Moderna não valoriza os conhecimentos prévios dos alunos proveniente do seu meio, contrapondo, assim, a etnomatemática, cujos olhares estão voltados para a matemática presente nas contas feitas pelo feirante, nas medições de áreas efetuadas pelo pedreiro, no dimensionamento dos artesões , nas técnicas de pesca dos ribeirinhos, nas receitas das cozinheiras e na forma de contar e construir artesanato dos povos indígenas.   Esses últimos, repletos de exemplos para o ensino da Matemática e revestidos de significado, por meio da simetria de seus traçados, dos ângulos presentes no cruzamento entre uma palha e outra das suas cestas, na pintura corporal por meio dos de seus adornos simbólicos e míticos.

Ao contrário do que se pensa, o estudo da matemática e da cultura indígena  pode contribuir para a interdisciplinaridade e transdisciplinaridade e, ainda, favorecer a contextualização dos conhecimentos tradicionais do ambiente escolar, trazendo significado e a aplicação para o ensino de Matemática, além de preservar a identidade dos povos indígenas.

Vamos aprender mais um pouco sobre a etnomatemática? Acesse agora o  AEW ( Ambiente Educacional Web)!

André Soledade.

Professor da Rede Pública Estadual.

Referências:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível  em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Etnomatem%C3%A1tica>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Socioambiental, Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kuikuro>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível  em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ubiratan_D%27Ambrosio>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Unicamp, Centro de Desenvolvimento de Professores. Disponível em: <http://www.ime.unicamp.br/lem/publica/e_sebast/etno.pdf>. Acesso em: 15 de abr. de 2016.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s