Feminismo: isso é coisa de quem luta por igualdade de direitos

Em 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe temáticas que estão na pauta do movimento feminista em duas de suas provas: a de Redação e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Obviamente, o fato de os responsáveis pelo ENEM abordarem tal assunto não foi à toa. A necessidade de discutir feminismo parte de uma demanda social urgente, que tem no seu cerne a luta por direitos iguais para todos os gêneros.

De acordo com a historiadora e cientista política Céli Regina Jardim Pinto, a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX, quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto”, p. 15. No Brasil, o ponto de partida da luta feminista se deu no início do século XX, através de Bertha Lutz, também tendo o direito ao voto como principal bandeira. Contudo, ao longo do tempo, outras pautas tornaram-se necessárias para o movimento. Por isso, é possível dizer que há vários feminismos.

Fig. 1: Simone de Beauvoir: referência máxima do movimento feminista. Imagem: reprodução do site The Simone de Beauvoir Society

Nesse sentido, existem grupos feministas que reivindicam questões específicas, a exemplo das lésbicas, das mulheres negras e das mulheres trans. Obviamente, há temas que são comuns a todo mundo, como a busca pelo fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, a liberdade sexual, a descriminalização do aborto, o fim da violência doméstica e da cultura do estupro, entre outras. Para as feministas, a sociedade deve entender e respeitar que as mulheres são livres para fazer as próprias escolhas. Feminismo não é o contrário de machismo, que é uma forma de dominação socialmente aceita e, ainda hoje, incentivada. Ser feminista é ter consciência de que os direitos devem, de fato, ser iguais, tanto para homens quanto para mulheres.

A prova de Ciência Humanas do ENEM 2015, na questão 42, reproduziu o seguinte trecho do livro O Segundo Sexo, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, referência máxima quando se fala em movimento feminista: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. O que Beauvoir quis dizer? Djamila Ribeiro, em texto publicado no site da revista Carta Capital, explica: “…ao dizer que ‘não se nasce mulher, torna-se’, a filósofa francesa distingue entre a construção do ‘gênero’ e o ‘sexo dado’ e mostra que não seria possível atribuir às mulheres certos valores e comportamentos sociais como biologicamente determinados”. Então, repetir frases como “Isso é coisa de mulher”, é um dos equívocos de que precisamos nos desfazer para assumir uma postura menos machista. Afinal, ninguém nasce machista, torna-se.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referências:

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Redação e de Linguagens Códigos e suas Tecnologias, Prova de Matemática e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

ENEM 2015. Exame Nacional do Ensino Médio. INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2015.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, História e Poder. Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 18, n. 36, p. 15-23, jun. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2016.

RIBEIRO, Djamila. Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limites de Feliciano e Gentili. Carta Capital, Opinião, Sociedade, 3 nov. 2015. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/simone-de-beauvoir-e-a-imbecilidade-sem-limites-de-feliciano-e-gentili-6444.html>. Acesso em: 31 mar. 2016.

O lugar da mulher na sociedade – Bertha Lutz e a emancipação das mentes

Olá, pessoal!

Atravessando uma dura realidade social num tempo em que foram prisioneiras do lar ao longo de suas histórias, as mulheres, tratadas como seres inferiores, subordinadas a padrões de gênero estabelecidos por conceitos essencialmente machistas e consequentemente excludentes, visto que cerceavam a liberdade e  negavam direitos civis, políticos e sociais a estas – demarcou-se assim, a hegemonia masculina sobre o dito “sexo frágil”.

A despeito de imposições históricas que limitavam ou inviabilizavam as suasprofonline realizações pessoais e construção de identidade, muitas mulheres uniram-se em lutas por cidadania, emancipação intelectual, libertação e representatividade feminina na sociedade – dando origem então aos Movimentos Feministas.

Aqui no Brasil, uma das primeiras representantes desse importante movimento social foi a bióloga Bertha Lutz, que buscou incessantemente, durante a sua trajetória, a igualdade de direitos, tendo como principal bandeira o acesso a educação e trabalho digno. Fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, foi defensora ferrenha do sufrágio feminino, onde em 1934 presenciou uma grande conquista da época – o voto feminino.

Atuou também diretamente na  política, assumindo em 1936 uma vaga de suplente para deputada federal, e, estando no congresso nacional pôde defender, de maneira mais intensa, reivindicações acerca da equiparação de salários e direitos entre homens e mulheres, erradicação do trabalho infantil e muitos outros ideais que ainda nos motivam à buscar constantes melhorias de condições de vida para tod@s.

Confiram  um pouco mais no documentário realizado pela TV Escola a vida e obras da educadora, política, ativista, mulher, que influenciou diretamente os rumos sociais brasileiros.

EDUCADORES – BERTHA LUTZ” – Cliquem aqui ou na imagem abaixo.

berthatvescola

Que excelente contribuição para a sociedade, não é mesmo pessoal?!

Continuem acompanhando notícias relacionadas ao tema aqui e aqui!

Abraços!

Fonte: Blogueiras feministas; Wikipédia; Mês da Mulher ; TV Escola

Cine PW: Histórias Cruzadas

Salve, salve turma!

O fim da escravidão não determinou o fim da relações escravistas, pois até meados dos anos 60 a comunidade afro-descendente estadunidense lutava por direitos civis e o fim do regime apartheid, essas reivindicações somavam-se com as lutas feministas.

Nesse contexto, o Cine PW desta semana traz o filme The Help (Histórias Cruzadas). Baseado no livro romance homônimo de Kathryn Stockett  o filme retrata a história de Eugenia “Skeeter” Phelan, Aibileen Clark e Minny Jackson que decidiram escrevê-lo a fim de mostrar uma das fases mais cruéis que já foram submetidas empregadas negras, tais como o racismo e exploração sofridos.

Além das questões de gênero e raciais, o filme discute as relações de trabalho d@s empregad@s doméstic@s. Assunto de grande relevância, sobretudo nessa semana quando o congresso nacional promulgou a Emenda Constitucional 72/2013, que assegura para @s empregad@s doméstic@s o direito ao FGTS, seguro desemprego, jornada de trabalho limitada a 44 horas semanais e não superior a 8 horas diárias, garantia do salário mínimo, hora extra, seguro contra acidente de trabalho e mais 10 direitos.

Fonte: Jornal do Senado , Wikipédia

Semana da Mulher 2013 – As mulheres e suas lutas coletivas

Salve, turma!

Não é de hoje a luta de muitas mulheres pela conquista de espaços e de ouvidos para os ecos de suas vozes. Se considerarmos esta luta de maneira mais organizada, e fizermos uma viagem histórica no tempo, veremos as mulheres do século XIX já lutando por direitos de participação política, pelo direito de votar e serem votadas e pelo direito de também se educarem da mesma forma como os homens. As mulheres, em especial as inglesas, chamadas sufragistas, tiveram um papel de destaque e influenciaram mulheres de todo o mundo. Até aqui, na Bahia, as sufragistas ou suffragetts deixaram seus reflexos, pois, sabendo delas, muitas mulheres baianas passaram a se organizar em torno de lutas semelhantes, principalmente as mulheres mais letradas, que tinham maior acesso à educação.

No entanto, de maneira ainda dispersa, mas não sem menor luta, muitas mulheres brasileiras, negras ou pardas, escravas ou já libertas, também preenchiam as nossas ruas vendendo seus quitutes e outras mercadorias ao longo do século XIX. Eram as chamadas “ganhadeiras” que, sem estudo formal, mas cientes da importância de sua atuação nestes espaços para seu próprio sustento e da sua família, desbravavam um universo que, teoricamente, era tido como apenas dos homens: as ruas das cidades. Elas se envolviam em disputas físicas, processavam homens por violência ou por outras questões, e exerciam sua cidadania possível, não obstante todos os obstáculos colocados à sua frente.

Todas essas participações de mulheres ecoaram nos anos de 1960 e 1970 em todo mundo, levando diversas mulheres a se colocarem como seres plurais. Ou seja, se antes a discussão considerava um “ser mulher”, partindo da perspectiva das mulheres brancas e ricas, nas décadas de 1960 e 1970 começam a surgir uma diversidade de grupos femininos e feministas, como o das as negras estadunidenses e o das operárias francesas. Naquele momento, as mulheres diziam ao mundo: somos muitas, somos plurais. Por isso a necessidade de considerarmos as diferentes reivindicações dos variados grupos de mulheres.

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A partir desta novidade, da necessidade de enxergarmos as múltiplas características das mulheres, o feminismo também se multiplicou, passando de um feminismo de reivindicação de direitos ligados à cidadania para os feminismos que reivindicam lugares de classe e raça: feministas socialistas, feministas anarquistas, feministas negras, feministas burguesas etc. Tudo isto ampliou as bandeiras de luta do feminismo e nos fez enxergar as mulheres a partir de diversas lentes, sendo uma destas a lente das relações de gênero. Assim, feministas do mundo inteiro passam a considerar importante compreendermos as relações sociais sem negligenciar a necessidade da luta pela equidade entre homens, mulheres, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, queer’s

É isso aí, pessoal: nesta semana em que comemoramos o Dia das Mulheres o importante é recordarmos todas essas lutas, a presença das mulheres nos espaços coletivos e a quebra com o processo de silenciamento e exclusão da história.

Um abraço!

Colaborou Ediane Lopes de Santana, professora Assistente no Curso de História da Universidade do Estado da Bahia(UNEB)/CAMPUS X. Atua no movimento feminista da Bahia pelo grupo Feministas da Ação Popular Socialista(FAPS) e é membro do DIADORIM/UNEB, grupo que debate sexualidade.

Cine PW: “Nós que aqui estamos por vós esperamos”

Olá, Turma!

O cine PW apresenta o Documentário, “Nós que aqui estamos por vós esperamos”. Este belo trabalho de Marcelo Massagão faz uma leitura cinematográfica da obra “Era dos Extremos”, do historiador Eric Hobsbawm.

A produção mostra através de montagem das imagens produzidas no século XX, o período de contrastes de um mundo que se envolve em duas guerras mundias, a banalização da violência, o desenvolvimento tecnológico, o aparecimento da sociedade de consumo. O documentário traz o surgimento do feminismo, a defesa dos direitos dos negros, o fordismo, as esperanças e loucuras das pessoas.

Até mais, amig@s!

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%B3s_que_Aqui_Estamos_por_V%C3%B3s_Esperamos