“Novo Tempo Sempre se Inaugura a Cada Instante que Você Viver.”

Quem espera que um novo ano nasça para que se tenha, enfim, uma nova ideia ou um novo rumo, certamente foi surpreendido com um Plano de Formação de Professores claro e organizado, apresentado no último dia 28, num encontro para Gestores de Núcleos Regionais, para Professores Formadores da rede estadual e Prefeitos eleitos da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Estamos, pois, em dezembro, há poucos dias do encerramento do ano letivo, e eis que, fomos convidados a conhecer a nova Política Estadual de Formação e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação Básica do Instituto Anísio Teixeira.

Essa Política de Formação foi construída por profissionais de diversos projetos do Instituto, em articulação com a Superintendência de Políticas para a Educação Básica (Suped), como uma iniciativa do diretor-geral, Severiano Alves, defensor contumaz de ações que promovam a qualidade da educação básica e a valorização dos professores. A ideia fundamental nesta gestão é devolver a instituição o status que lhe é devido, reafirmando a ideia de seu patrono, quando professava que “Só existirá democracia no Brasil, no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a escola pública”. Essa concepção exige, segundo o próprio Anísio Teixeira, “uma educação em mudança permanente, em permanente reconstrução”.

Programa Gestão de Aprendizagem Escolar

Severiano Alves, Diretor Geral Instituto Anísio Teixeira (IAT SEC BA). Foto: Amanda Oliveira

A finalidade deste órgão especial da Secretaria da Educação, inaugurado em 1994, foi sempre a de planejar e coordenar projetos referentes ao ensino,  pesquisa, experimentações e qualificação de recursos humanos na área de educação. E, apesar de todos os limites que uma crise política atualmente impõem, esses objetivos se renovam à medida que consideram as transformações sociais que, dialeticamente, provocam mudanças no papel social dos professores. O Instituto voltar-se-á, prioritariamente, para formação de professores desenvolvendo cursos de atualização, aperfeiçoamento e especialização para rede estadual e municipal.

A nova proposta, apreciada também por Regina Alcântara de Assis, Secretária de Articulação com os Sistemas de Ensino (MEC), traz a Identidade e Interculturalidade como princípios. Neste sentido, Ana Sueli de Pinho, assessora técnica do IAT, afirma que “a prática educativa se realiza num complexo contexto social e institucional, em que as ações mais explícitas, como as leis e diretrizes governamentais, as relações de trabalho, caminham concomitantemente com as ações menos explícitas. A escola faz parte desse sistema e se constitui num ambiente que mantém relações com a diversidade da comunidade e, ao mesmo tempo, carrega tradições locais e a própria história.”

gestar

Há ainda outros princípios como Educação Sócio Emocional; Apropriações Éticas, Críticas, Contextualizadas e Colaborativas das Tecnologias; Produção e Difusão do Conhecimento; Ciência, Arte, Literatura e Expressão Cultural; Democracia e Participação; Pesquisa, Criatividade e Inovação; Construção de Sentidos e Projetos de Vida. Cada um deles, com distintas definições e possibilidades, integrarão o currículo dos cursos que serão desenvolvidos a partir de 2017. São ideias que traduzem fundamentos teóricos para três programas, interdependentes e complementares: o de Formação e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação; de Tecnologias e Mídias Educacionais e de Pesquisas Inovações Pedagógicas.

Assim, receberemos os profissionais da educação para conhecer um novo Instituto Anísio Teixeira e, ao mesmo tempo, começar um novo ano com novo ânimo, considerando diversas oportunidades de formação continuada. Para nós, educadores do Instituto Anísio Teixeira, não é possível pensar na qualidade da aprendizagem dos nossos estudantes sem pensar, de maneira análoga, na aprendizagem de seus professores.

Lilia Rezende
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Compartilhando Saberes, Olhares e Fazeres…

Fala, rede!

No mês de agosto, foi finalizada a 2ª formação de Produção de Mídias Estudantis, realizada pela Rede Anísio Teixeira (Programa de Difusão de Mídias e Tecnologias Educacionais Livres da Rede Pública Estadual de Ensino).

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Fig. 1: Professor Raulindo em plena produção textual. Captura Rodrigo Maciel

Essa formação é ofertada a estudantes e professores da rede pública estadual de ensino, o que possibilita uma vivência compartilhada entre esses atores, ampliando as relações professor-aluno. A formação em mídias estudantis é mais uma iniciativa de se discutir e problematizar as diversas metodologias educacionais mediadas pelas tecnologias, em especial a produção de  textos para blogs, a leitura e interpretação de imagens como novas formas de letramentos e a produção audiovisual como elemento de construção crítica e contextualizada de conteúdos curriculares.

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Fig. 2: A turma na aula de roteiro como Professor Marcus Leone. Captura Rodrigo Maciel

A escola contemporânea deve possibilitar novos diálogos com as diversas formas de ler o mundo e suas transformações. O multiletramento possibilita que vejamos e interpretemos a dinâmica no espaço por meio de diversos instrumentos de leitura. O ato de ler está relacionado a diversas modalidades de leitura (s), seja ela um texto, uma música, uma imagem. A educação mediada pelas tecnologias, de forma colaborativa e livre, pode ser um caminho viável para esse nosso novo percurso. É com essa filosofia metodológica que os formadores da Rede Anísio Teixeira conduzem a formação, sempre procurando o “fazer junto, fazer com”.

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Fig. 3: Aula de fotografia e leitura e interpretação de imagem com o Professor Peterson Azevedo. Captura Rodrigo Maciel

A professora de história, Sandra Barbosa, do Colégio Estadual de Vilas de Abrantes, no município de Camaçari, apontou a importância “de trabalhar e valorizar o uso das tecnologias na sala de aula, visando a ética e o respeito […] para mostrar aos nossos alunos que isso é importante, vai gerar autonomia, que vai gerar a possibilidade de novos olhares”. Comentou ainda sobre a metodologia de estarmos juntos, professores e alunos, como aprendizes: “Não poderia deixar de falar sobre a importância de trabalhar junto com os alunos. Eu aprendi muito com os fazeres tecnológicos deles”.

O estudante Nickson Lima, do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira, de Salvador, enfatizou: “Nunca imaginei que uma escola pública poderia me proporcionar uma formação que trabalhasse a tecnologia, como foi ofertado aqui. Meu intuito é aprender e levar para os meus colegas essa nova alfabetização”.

Um dos maiores objetivos da formação é estimular o empoderamento dos nossos professores e estudantes, principalmente no uso das tecnologias da informação e da comunicação; não como enfeites para as aulas, mas como processos na construção do conhecimentos para além da sala de aula, para a autonomia e protagonismos desses atores. Como relatou o professor e formador da Rede Anísio Teixeira, Raulino Júnior, “o mais importante desta formação é a possibilidade de dar autonomia para os participantes”.

É possível fazer com o estudante e não apenas para o estudante.

Até a próxima.

Peterson Azevedo

Fotógrafo e Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia