Cobertura Colaborativa – Estudantes da rede pública realizam enquete sobre expectativa da Campus Party Bahia

A Arena de Drones é uma das atrações da Campus Party Bahia. Os estudantes da rede pública Breno e Rodrigo entrevistaram Ricardo Yamamoto, que veio a Salvador mostrar suas criações no mundo dos Drones.

Aqui, uma entrevista com Ricardo Yamamoto!

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Cobertura Colaborativa – Estudantes da rede pública realizam enquete sobre expectativa da Campus Party Bahia

A Campus Party Bahia é um evento que reúne gent que curte diversas formas de tecnologias. Entre 09 e 13 de agosto, ela acontece em Salvador, na Arena Fonte Nova.

Os estudantes da escola pública estão fazendo a cobertura colaborativa do evento nos formatos Blog, TV e Rádio e aqui você escuta uma edição especial do Programa Nas Ondas da Rede com uma enquete sobre as expectativas dos campuseiros para o evento.

A enquete foi produzida por Thiago, Breno e Jefferson.

 

Uma ideia na cabeça, uma escrita e o começo de tudo

Olá, pessoal!

Desenvolveu-se no Instituto Anísio Teixeira mais uma oficina para o audiovisual que faz parte da formação Produção de Mídias na Educação (PME). Estudantes do  Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira participaram desse momento reflexivo, de leitura, planejamento, criação e produção escrita de roteiro que faz parte de um contexto discursivo multiletrado, mais amplo que enreda várias linguagens artísticas e suas semioses. Potencializar a leitura, a escrita, a expressão oral, o planejamento e, sobretudo, o pensamento crítico são objetivos da formação em todas as suas etapas que se desenvolvem sempre de forma dialógica e colaborativa.

(Fig.:1 – Estudantes da formação PME 2017 produzindo um roteiro. Foto: Marcus Leone)

Minissérie, telenovela, cinema, gênero ficcional, documental e outras tantas formas narrativas verossímeis ou não são arquiteturas e discursos humanos. Nesse sentido, a criatividade é impulsionada por vivências, leituras diversas, diálogos e observações cotidianas que sugerem e potencializam mundos. Essas vivências enredam personagens que se relacionam em um imprescindível fluxo conflituoso que vão se costurando na trama. Técnica e conteúdo vão, ao mesmo tempo, sendo expressos em uma escrita guia, norteadora de vários fluxos posteriores que ocorrem antes, durante e depois de cada set de filmagem até o nascer do filme. Ufa! Isso, amigo(a) leitor(a), evidencia um roteiro em audiovisual.

Fig.:2 – Roteiro sendo produzido por estudantes da formação PME. Foto: Marcus Leone)

Durante a formação, os estudantes escreveram roteiros, em seu primeiro tratamento, para a realização de minidocumentários que pudessem ser gravados, inicialmente em caráter de exercício, nas dependências do Instituto Anísio Teixeira ou do próprio Colégio de Aplicação. A escolha do gênero discursivo e dos temas a serem roteirizados foi feita pelos próprios estudantes, pois a criticidade, responsabilidade, autonomia e emancipação dos sujeitos são fundamentais nos processos da PME. Mesmo em um curto espaço de tempo (seis horas) para se trabalhar teoria e prática na escrita de roteiros, os estudantes se apropriaram de conhecimentos básicos e importantes para refletirem, planejarem e escreverem vislumbrando histórias.

Dessa forma, “Escrever um roteiro é muito mais do que escrever”. (Comparato, 2000, p. 20). Durante a oficina os estudantes entendem que os processos criativos e, em nosso caso, os que envolvem diretamente a escrita, se alicerçam em leituras e percepções variadas, em reflexões e, muitas vezes, em debates produtivos. Na prática, esses meninos e meninas aprenderam que planejar de forma criteriosa as ações e antevê os fatos são processos fundamentais antes deles se lançarem nas etapas de qualquer produção audiovisual e também nos caminhos da vida.

Fig.:3 – Mediação durante a escrita: professor Marcus Leone e estudantes do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira. Foto: Geraldo Seara)

Durante a oficina, três roteiros foram escritos colaborativamente. Foi muito gratificante ver a construção desses roteiros (protótipos) autorais por parte dos estudantes. Nisso tudo, o mais importante foi presenciar o processo em que os estudantes pensaram e pesquisaram as ações de forma colaborativa, a argumentação na defesa das ideias, o repensar e corrigir aquilo que ainda precisava ser ajustado no texto. Enfim, foi muito bom experimentar com eles a prática contextualizada da leitura, da escrita e da oralidade, num processo de produção multimodal que transcende os muros da escola e possibilita diálogos com o mundo.

(Fig.:4 – Apresentação de roteiro autoral. Estudantes do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira. Foto: Geraldo Seara)

A partir de então, pós-formação, espera-se que mais leituras, reflexões, mais debates, pesquisas, escritas planejadas e produções para interação e intervenção social sejam desenvolvidas pelos estudantes em sua escola e comunidade e que os mesmos compartilhem esses saberes com outros jovens.

Fig.:5 – Professor Marcus Leone e estudantes do Colégio Estadual de Aplicação. Foto: Peterson Azevedo)

 

Abaixo seguem os vídeos cujos roteiros foram feitos na oficina.

 

 

Busquemos aprendizagens que sigam caminhos em via de mão dupla, pois ela se alicerça nas sensatas consequências dialógicas docente/discente, na verdade potente e necessária da diversidade cultural, na poesia crítica do olhar em liberdade, na interação e intervenção social, nas multissemioses dos textos e na escola que se renova no fazer junto, no colaborar.

Sigamos assim, construindo redes. Sigamos em frente, escrevendo nossa história com força e sensibilidade sempre!

 

Abraço e até breve!

 

Marcus Leone O. Coelho

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

 

Referências

MOLETTA, A. Criação de curta metragem em vídeo digital: uma proposta de produção de baixo custo. São Paulo: Summus, 2009.

COMPARATO, D., Da criação ao roteiro. Rio de Janeiro: Rocco, 2000

“Vou subindo a ladeira do Pelô”

O verso que intitula este texto está presente na música Ladeira do Pelô, do compositor Betão, lançada pela Banda Mel, em 1987, no disco Força Interior, que trazia também o sucesso Faraó, Divindade do Egito (Luciano Gomes). Na semana de 9 a 13 de agosto, certamente, muita gente terá motivo para dizer: “Vou subindo a ladeira do Pelô”. Isso porque o famoso ponto turístico do Centro Histórico de Salvador será palco da primeira Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ). O saudoso escritor Jorge Amado será o homenageado, além de Zélia Gattai e Myriam Fraga, importantes personalidades ligadas à vida do autor de Tieta do Agreste, Capitães da Areia, A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água e tantas outras obras.

Fig. 1: 1ª Festa Literária do Pelô movimentará o famoso ponto turístico. Imagem: divulgação

O evento literário pretende reunir leitores vindos dos quatro cantos da Bahia (e do Brasil!), que estão sedentos por mesas de debates, oficinas, saraus, apresentações teatrais, exibição de vídeos e shows que tenham a arte da palavra como protagonista. A programação está bem diversa e terá nomes como Conceição Evaristo, Mabel Veloso, Paloma Amado (filha de Jorge e Zélia Gattai), José Carlos Capinan, Bule-Bule e Aleilton Fonseca. Veja qual vai ser o seu itinerário para a FLIPELÔ. Quando vir todas as atrações, você dirá: “E eu vou, e eu vou, e eu vou”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Onda Digital promove curso de extensão para professores da educação básica

Professores da educação básica terão mais uma chance de aprimorar os conhecimentos acerca do uso pedagógico da computação: trata-se do curso Desenvolvimento de competências interdisciplinares no currículo escolar por meio do raciocínio computacional, promovido pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Informática, Educação e Sociedade (Onda Digital), da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A atividade de extensão tem carga horária total de 80 horas, dividida em 38 horas presenciais e 42 on-line. Serão 11 encontros semanais, durante quatro meses, das 18h30 às 22h10, no campus da UFBA, em Ondina.

O objetivo do curso é mostrar como os conceitos do Raciocínio Computacional podem ser utilizados de forma interdisciplinar nas práticas da educação básica. Todos os participantes receberão certificados emitidos pela UFBA. As inscrições podem ser feitas até o dia 6 de agosto de 2017, pelo site www.ondadigital.ufba.br, e as aulas estão previstas para começar no dia 15. São 24 vagas disponíveis.

“Tudo muda/O tempo todo/No mundo”

O mundo está em constante transformação. Você olha para o lado e, quando volta para a posição original, a cena já não é mais a mesma. As coisas mudam. Mudanças acontecem. Como você as encara? Alguns clichês foram usados aqui, de forma proposital, para mostrar que quando a coisa não muda, muitas vezes, ela começa a ser rechaçada. Assim acontece com os clichês. Agora, chegou a nossa vez de mudar.

Fig. 1: …e vai mudar para melhor. Aguarde as novidades! Imagem: Josymar Alves

O Blog do Professor Web iniciou as suas atividades em 2010, com os projetos A Física e o Cotidiano, Ambiente Educacional Web (AEW) e Produção de Conteúdos Digitais nas Escolas. Atualmente, todos eles são desenvolvidos pela Rede Anísio Teixeira (Rede AT) e os resultados das ações são compartilhados por meio do AEW. Mas isso vai mudar. E para melhor!

Desde o começo, o blog teve como objetivo estimular o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) na educação. Cumprimos com esse intuito através de nossas produções multimídia, tutoriais e formações com a comunidade escolar. E isso vai continuar! Contudo, vamos fazer parte de uma outra plataforma, que, em breve, será anunciada para todas as pessoas.

O nosso compromisso com a rede estadual pública de ensino permanece o mesmo. Ou seja: vamos continuar nos esforçando, em parceria com toda a comunidade escolar, para promover uma educação de qualidade. Isso se faz respeitando todos os agentes desse universo, inovando, contextualizando as produções de acordo com as necessidades do nosso estado e convidando todo mundo para fazer parte da nossa rede. Você, que está lendo este texto, é parte importante dessa mudança. Afinal, “…há tanta vida lá fora/Aqui dentro, sempre”. Continue com a gente, pois a gente vai continuar produzindo com (e para) você!

IAT, por meio da Rede Anísio Teixeira, promove oficina de Produção de Mídias na Educação

Estudante-repórter: Gilana Ferreira

O Instituto Anísio Teixeira (IAT), por meio da Rede Anísio Teixeira, promove uma oficina de produção de mídias para os alunos do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira (CEAAT). O início das aulas ocorreu no dia 17 de julho e, no dia 31, o curso será finalizado. Os alunos formados farão a cobertura da Campus Party, que acontece de 9 a 13 de agosto, na Arena Fonte Nova, em Salvador. Você poderá conferir toda a cobertura aqui no Blog do Professor Web e da Professora Online.

Fig.1: Geraldo Seara fala sobre a oficina de Produção de Mídias na Educação. Foto: Yago Lima

A fim de saber mais sobre a oficina de Produção de Mídias na Educação (PME), fizemos uma entrevista com Geraldo Seara, professor da área de Letras e editor de vídeos. Ele é um dos professores do módulo de sofware de edição de vídeo na formação. Confira abaixo:

Blog do Professor Web e da Professora Online: Qual o trabalho do senhor na formação?

Geraldo Seara: Eu trabalho, basicamente, com a edição de videos.

BPWPO: Como é realizado o seu trabalho?

GS: Em geral, nos chegamos na escola ou os alunos vêm até aqui. Durante um período de tempo, nós estamos com eles para essas práticas. Não só para ver como se faz, como também aprender a fazer a partir daí.

BPWPO: Qual é o objetivo?

GS: Instrumentalizar estudantes e professores para o uso e leitura crítica desses modos de produzir, pois, durante muito tempo, nós assistíamos à TV passivamente. Víamos o produto lá, acreditávamos em tudo o que diziam e pronto. Agora, a partir do momento que a gente aprende a fazer, a gente começa a desconfiar daquilo que está sendo veiculado.

BPWPO: O que é a PME?

GS: A gente tem mania de colocar abreviatura em tudo, fica parecendo nome de rémedio (risos). É a Produção de Mídias na Educação. No caso aqui, produção para um blog, que é diferente de uma produção para TV e vídeo, que é diferente de rádio. Cada meio tem a sua própria linguagem. Então, a Produção de Mídias na Educação (PME) é isto: um curso de formação para atuar na produção de conteúdos para os vários meios: escritos, televisados etc.

Fig. 2: Geraldo falou ainda sobre a participação dele na oficina. Foto: Yago Lima

BPWPO: Qual o objetivo da PME?

GS: É criar parcerias. O IAT é um instituto de formação de professores, mas nós sabemos que os professores sozinhos não dão conta dessa tarefa, que é muito grande. Então, quanto mais pessoas formamos para auxiliar a escola, melhor.

BPWPO: Quais os módulos abordados durante o curso?

GS: Fotografia, blog, edição de vídeos, produção audiovisual, entre outros.

BPWPO: São aceitos estudantes de todos os colégios?

GS: Por enquanto, só aceitamos estudantes da rede pública estadual. Mas o nosso interesse é que todos vocês sejam multiplicadores e atuem na escola e no bairro de vocês.

BPWPO: Onde as aulas são realizadas?

GS: Normalmente, vamos às escolas, no caso de escolas situadas em cidades no interior. Em geral, a maioria acontece aqui em Salvador, ou no IAT ou na própria escola.

BPWPO: Quem foi o criador da PME?

GS: Ela vem do bojo desse programa de difusão de mídias e softwares educativos da Rede Anísio Teixeira. Ela é composta da TV Anísio Teixeira, do Blog do Professor Web e da Professora Online e de um grande repositor de mídias educativas e livres.

BPWPO: Quando foi criada?

GS: Em 2013.

Uma nova oportunidade para o CEAAT

Estudante-repórter: Jefferson Costa

O curso de Produção de Mídias na Educação (PME), promovido pelo Instituto Anísio Teixeira (IAT), através da Rede Anísio Teixeira, está com uma nova turma, dessa vez formada por estudantes do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira (CEAAT). A ideia, mais uma vez, é a de que, depois do curso, os estudantes implantem um núcleo de mídias no colégio.

A formação oferece módulos de diversas áreas da comunicação, como audiovisual, fotografia e produção textual.

A implantação do núcleo da PME dentro da instituição terá como o principal objetivo incentivar esses jovens a conhecerem as diversas áreas da comunicação e das mídias digitais. O projeto terá apoio dos concluintes da PME e incentivo da direção do colégio.

Alguns alunos e professores foram entrevistados, para que pudessem opinar sobre esta novidade no CEAAT. “Seria uma forma de os alunos, que não possuem condição de pagar um curso fora do colégio, ter acesso ao mercado de trabalho com mais facilidade”, disse Bruno Vinicius, 18 anos.

Fig. 1: Raine e Bruno comentam sobre o núcleo de mídias: inserção no mercado de trabalho. Foto: Rodrigo Bertoldo

A minha opinião é a mesma que a de Bruno: seria uma forma de a gente aprender. Existem pessoas que não possuem condições e esse curso, além de nos proporcionar um aprendizado a mais, já ajudaria no mercado de trabalho”, acredita Raine Nunes, 16 anos.

Fig.2: Marco Antônio acha que a novidade vai ajudar os estudantes nos trabalhos escolares. Foto: Rodrigo Bertoldo

Para Marco Antônio, professor de geografia da unidade, o acesso a novas mídias vai auxiliar na qualidade dos trabalhos escolares: Que os alunos tenham acesso a essas novas mídias, para que, quando passarmos uma atividade em sala de aula, eles executem com perfeição”.

O coração do IAT

Estudante-repórter: João Pedro Santos

Ana Moreira, funcionária do Instituto Anísio Teixeira (IAT), foi entrevistada com o objetivo de falar sobre a importância do trabalho que ela realiza. A sua função é acompanhar os eventos e dar suporte logístico aos participantes do cursos. O setor no qual ela trabalha, a Coordenação de Logística de Cursos e Eventos (CLC), tem que comprovar perante o Tribunal de Contas todas as despesas do evento.

Fig.1: Coordenação de Logística de Cursos e Eventos. Foto: Marcos Valerio.

Ela cadastra os participantes e também é responsável pela lista de presença. O seu setor é constituído por quatro pessoas (um coordenador e três técnicos). O trabalho é dividido igualitariamente, tanto para o coordenador quanto para os técnicos, que acompanham todos os eventos.

Fig.2: Ana Moreira responde as perguntas do repórter. Foto: Marcos Valerio.

Quando questionada como se sente trabalhando com estudantes, ela responde: “É bom. É um público que sempre está aqui a fim de aprender coisas novas. Eu vejo que vocês têm o interesse de aprender coisas novas. Isso é bom pra gente também, porque o Instituto sempre está aberto para receber os estudantes da rede estadual de ensino”.

Cultura Indígena Projetada

Uma sala de projeção, escura. Sinal de que uma sessão de cinema está prestes a começar. Contudo, não se trata de uma sessão comum, bem que poderia ser. Em poucos instantes, o público vai se deparar com produções audiovisuais realizadas e protagonizadas por povos indígenas. A situação narrada pode até parecer ficção, principalmente quando a gente pensa na realidade desses povos no nosso país, mas não é. A cena descrita aconteceu durante o Cine Kurumin, em Salvador, no último dia 13, quando o Palacete das Artes recebeu parte da programação do evento.

Fig. 1: cena de Caboclo Marcellino durante o Cine Kurumin. Imagem: Peterson Azevedo

Tendo a frase “Da minha aldeia vejo o mundo” como uma forma de provocar, a mostra chegou à 6ª edição com status de festival, promovendo bate-papos após as exibições dos filmes e rodas de conversa. O jornalista Sérgio Melo, 37 anos, que trabalha com produção multimídia e contribui com o Cine Kurumin desde que o projeto foi pensado, destacou aspectos importantes dessa modificação: “Não foi só conceitual, mas uma mudança mesmo de procedimentos. Até a edição passada, a gente era uma mostra. Transformando-se em festival, a gente traz, para além das exibições dos filmes, a participação maior dos realizadores. Em toda sessão, a gente tem um bate-papo e rodas de conversas, que estão acontecendo diariamente também. Além disso, tem a mostra competitiva, na qual os melhores filmes que foram exibidos serão premiados no final”.

Fig. 2: Sérgio Melo é um dos idealizadores do Cine Kurumin. Foto: Peterson Azevedo

De acordo com Sérgio, os indígenas participam de forma efetiva da organização do festival. “Existe essa preocupação para que os próprios indígenas sejam, não somente vistos no cinema, mas que também tenham a participação nesses processos autônomos de seleção dos filmes, pra que isso seja mais democrático possível”. Na verdade, foi com esse espírito que o projeto nasceu. “Surgiu com um trabalho que era desenvolvido com as aldeias indígenas, especificamente no Nordeste do Brasil, com produção audiovisual e inserção dos indígenas no mundo das novas tecnologias. Nesse trabalho, a gente fazia exibições de filmes. Essas exibições chamavam muito atenção das comunidades e a gente começou a perceber que, para além de exibir filmes, existia uma produção que estava sendo feita por essas comunidades, que também precisava ganhar esse espaço, para que fossem vistas por ouras pessoas”, analisa.

Fig. 3: Cecília Pataxó: “A iniciativa do Cine Kurumin é muito interessante”. Foto: Raulino Júnior

O espaço dado tem sido considerado relevante para os integrantes dos povos indígenas. Cecília Pataxó, 21 anos, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia, avalia de forma positiva o Cine Kurumin. “Eu acho muito interessante, porque a gente acaba retomando esses espaços, não só na área da educação, da saúde, mas também na área da comunicação, trazendo esse protagonismo de como são as aldeias, como a gente vive, como é nossa luta. Mostra, para as pessoas que não são indígenas, a dificuldade que a gente passa”.

Rede Anísio Teixeira no Cine Kurumin

O docudrama Caboclo Marcellino é resultado da formação em Interpretação Cênica e Produção de Vídeos, realizada pela Rede Anísio Teixeira em parceria com estudantes do Colégio Estadual Indígena Tupinambá de Olivença e com a comunidade da Aldeia Tupinambá. O filme foi feito com base no livro escrito pelo professor Katu Tupinambá. No vídeo a seguir, Nildson B. Veloso, professor e diretor do curta, fala sobre como foi o processo de produção, a participação dos indígenas nisso e a importância de contar a história de Marcellino.

O professor Geraldo Seara, diretor de fotografia da obra, destaca o caráter pedagógico dela e fala sobre como os educadores podem utilizá-la na sala de aula:

Eu não conhecia muito o Caboclo Marcellino. Ouvia a história dele, assim, por alto. Diziam que era um indígena arruaceiro, que fazia, acontecia, matava muita gente lá pelos lados de Olivença. Ver essa outra versão sobre ele é esclarecedor, necessário até”, avaliou Larissa Almeida, 29 anos, professora de História. Se você quiser assistir ao docudrama, acesse este link: ambiente.educacao.ba.gov.br.

Fig. 4: Larissa Almeida: “Essa outra versão sobre o Caboclo Marcellino é necessária”. Foto: Peterson Azevedo

A segunda parte do Cine Kurumin vai acontecer de 16 a 20 de agosto, na Aldeia Tupinambá, em Olivença, distrito de Ilhéus. Para saber mais informações, entre neste site: www.cinekurumin.com. Aproveite!

Texto/Produção/Entrevista: Raulino Júnior

Imagens: Peterson Azevedo

Operadores de Áudio: Geraldo Seara e Harrison Araújo

Edição: Thiago Vinicius