Radiola PW: Do Brasil

Oi! Tudo bem? Hoje, a dica da Radiola PW é a música Do Brasil, composta por Vander Lee, cantor e compositor mineiro. A canção foi gravada no CD Pensei Que Fosse o Céu – Ao Vivo, lançado pelo artista em 2006. Nela, Vander Lee faz uma homenagem ao nosso sertão, evidenciando as qualidades e mostrando que a raiz do Brasil está fincada lá.

Fig. 1: O sertão é, constantemente, inspiração para os artistas. Imagem: Jorge Ribas

Fig. 1: O sertão é, constantemente, inspiração para os artistas. Imagem: Jorge Ribas

Já na primeira estrofe, o autor deixa claro que é impossível fazer referência ao Brasil sem falar do sertão. Para isso, usa a comparação, uma figura de linguagem bem comum em textos de música:

Falar do Brasil sem ouvir o sertão

É como estar cego em pleno clarão

Olhar o Brasil e não ver o sertão

É como negar o queijo com a faca na mão

Em seguida, Vander Lee justifica o que tinha afirmado na estrofe anterior, mostrando por que o sertão foi e é fundamental para o país. Nos versos, fica clara a alusão que o poeta faz aos sertanejos, muitas vezes considerados os “construtores” da nossa nação. Os movimentos migratórios do Brasil explicam muito isso, não é?

Esse gigante em movimento

Movido a tijolo e cimento

Precisa de arroz com feijão

Quem tem a comida na mesa

Que agradeça sempre a grandeza

De cada pedaço de pão

Ainda falando sobre a estrofe acima, vale destacar o uso que o artista faz da personificação (prosopopeia) para se referir ao Brasil: “Esse gigante em movimento/Movido a tijolo e cimento/Precisa de arroz com feijão”.

Vander Lee não deixa de citar o povo do sertão, trabalhador por natureza:

Agradeça a Clemente

Que leva a semente

Em seu embornal

Zezé e o penoso balé

De pisar no cacau

Maria que amanhece o dia

Lá no milharal

Joana que ama na cama do canavial

João que carrega

A esperança em seu caminhão

Pra capital

O compositor continua a enaltecer o sertão nos versos da música, de forma cada vez mais incisiva:

Lembrar do Brasil sem pensar no sertão

É como negar o alicerce de uma construção

Amar o Brasil sem louvar o sertão

É dar o tiro no escuro

Errar no futuro

Da nossa nação

[…]

Agradeça a Tião

Que conduz a boiada do pasto ao grotão

Quitéria que colhe miséria

Quando não chove no chão

Pereira que grita na feira

O valor do pregão

Zé Coco, viola, rabeca, folia e canção

Zé Coco, viola, rabeca, folia e canção

No final, um arremate que sintetiza toda a ideia que a letra quer passar:

Amar o Brasil é fazer

Do sertão a capital…

Muitas vezes, o capital é fruto dos esforços de quem vem do sertão. Já parou para pensar nisso?

Dicas:

Na nossa literatura, outras obras também têm o sertão como temática. Uma das mais conhecidas é o romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

Neste vídeo, produzido pelos professores do Emitec (Ensino Médio com Intermediação Tecnológica), você complementa os seus estudos sobre figura de linguagem.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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Radiola PW: Sobradinho

Oi! Como você está? Tudo bem? Hoje, a Radiola PW indica a música Sobradinho, composta por Sá e Guarabyra. A canção foi lançada pela dupla em 1977, no reconhecido disco Pirão de Peixe com Pimenta e é uma das letras mais emblemáticas do nosso cancioneiro.

A música é um protesto feito pelos autores para relatar o drama vivido pelos sertanejos durante a construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, em 1973. A obra foi capitaneada pela CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) e durou seis anos para ser concluída. De acordo com o site da companhia, o início da operação da usina se deu em novembro de 1979.

Sá (direita) e Guarabyra (esquerda) durante apresentação no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura. Imagem: captura de tela feita em 12 de junho de 2016

Fig. 1: Sá (direita) e Guarabyra (esquerda) durante apresentação no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura. Imagem: captura de tela feita em 12 de junho de 2016

É impossível não associar o contexto de Sobradinho (música e cidade) ao da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em 2011. Certamente, o debate acerca dos impactos ambientais causados pelo projeto, bem como a reviravolta e a instabilidade que acompanharam a vida dos moradores diretamente atingidos pelo empreendimento, se repetiu. Para ampliar a discussão, vale a pena ler a cartilha Conheça a UHE Belo Monte, publicada pela Norte Energia, empresa responsável pela implantação, construção e operação da usina. Nesse sentido, é importante também acessar o site do projeto Os Impactos de Belo Monte, idealizado pelo fotojornalista Lalo de Almeida.

A canção do carioca Sá e do baiano Guarabyra conta a história sob a ótica do sertanejo que morava na região. O eu lírico diz: O homem chega e já desfaz a natureza/Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar. Esses versos revelam a forma como os moradores foram surpreendidos e tirados do seu lugar sem nenhum tipo de planejamento, com a promessa de que tudo ia mudar. O sertanejo temia a ação da natureza (O São Francisco lá pra cima da Bahia/Diz que dia menos dia/Vai subir bem devagar”) e não duvidava da profecia atribuída a Antônio Conselheiro (E passo a passo vai cumprindo a profecia/Do beato que dizia que o sertão ia alagar/O sertão vai virar mar/Dá no coração/O medo que algum dia o mar também vire sertão”).

Para deixar ainda mais evidente que os moradores foram expulsos da região onde viviam para que a barragem fosse construída, os compositores, num rico jogo semântico, expressaram: Adeus, Remanso, Casa Nova, Sento-Sé/Adeus, Pilão Arcado/Vem o rio te engolir”. O “adeus” significa tanto despedida quanto saudade. “Adeus” porque as cidades estavam indo embora, “engolidas pelo rio”; e “adeus” porque o próprio morador não poderia ficar naquelas regiões, uma vez que tinha sido convidado a se retirar. Para ele, sobrou acreditar no ditado popular que diz: O futuro a Deus pertence”. Irônico, não é? Vale ressaltar que todas as cidades citadas nos versos, assim como Sobradinho, ficam no extremo norte da Bahia.

No desfecho, um dos versos mais fortes da música: Debaixo d’água lá se vai a vida inteira”. Fica difícil até de comentar. A empatia é a responsável por isso. Nas linhas seguintes, os compositores falam de “gaiola” e “salto”. Gaiola é uma embarcação; salto, o mesmo que “queda d’água”. Assim, os versos ganham mais sentido ainda: Debaixo d’água lá se vai a vida inteira/Por cima da cachoeira o gaiola vai subir/Vai ter barragem no salto do Sobradinho/E o povo vai-se embora com medo de se afogar”. A música tem temática triste, que inunda o nosso coração, mas vale muito a pena ouvir e refletir sobre ela. Faça isso.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Cine PW: Guerra de Canudos

Salve, salve turma!

Hoje, o Cine PW indica o filme “Guerra de Canudos” (1997), obra dirigida por Sérgio Rezende que retrata a situação de seca e miséria que o sertão baiano se encontrava. Através de um movimento político-religioso liderado por Antônio Conselheiro, Belo Monte, região de Canudos, fica persuadida com suas ideias libertárias. Logo é colocado como líder espiritual e, sobretudo, político. Suas transformações naquela pequena sociedade são percebidas pelo governo, que intervem no processo estrutural daquele povo. Naturalmente, por questões de divergência de poder, Canudos entra em guerra com o próprio Estado.

Guerra de Canudos” é um filme bem construído, levou quase quatro anos pra ser montado e o resultado é surpreendente, visto que não existia tantos filmes do gênero e com estrutura suficiente para rodar um filme mais complexo. Clique aqui e saiba mais sobre o filme.

Abraços e até a próxima…

Associação Baiana de Cinema e Vídeo e Cooperativa de Cinema da Bahia promovem sessão de filmes baianos

 

Olá, turma esperta!

Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV) e a Cooperativa de Cinema da Bahia (COOPERCINE BAHIA) convidam a comunidade escolar baiana a participar hoje, 12/09, às 19h, da exibição de duas produções do audiovisual baiano: os filmes “Lindeiras”, dos(as) diretores(as) Bruno Saphira e Tenille Bezerra e “Sala de Milagres”, dirigido por Cláudio Marques e Marília Hughes, ambos relacionados a olhares distintos sobre o Sertão da Bahia, nosso povo, nossa cultura e história. O encontro contará também com um bate-papo entre os(as) diretores(as) e a platéia, que terá entre os(as) presentes os(as) estudantes do Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães.

Os filmes serão exibidos na Sala Walter da Silveira, localizada na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, com entrada gratuita.

 

 

O quê: “Lindeiras” e “Sala de Milagres”

Quando: dia 12/09 (quarta-feira), 19h

Onde: Sala Walter da Silveira, Rua General Labatut, 27, subsolo, Barris (Biblioteca Pública do Estado da Bahia)

Quanto: Gratuito

 

Um abraço, galera!

Sertão na Tela Grande

Em seu retorno em abril, programa Circuito Popular de Cinema e Vídeo da Secretaria de Cultura do Estado traz o sertão como tema central de seus filmes

A produção cinematográfica baiana contemplou, por vários momentos, as belezas, histórias e tradições do estado, e o sertão não ficou de fora. Um bom exemplo disso é a obra “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”, lançada no ano de 1969 e dirigida por Glauber Rocha. Em abril, como prévia da Celebração das Culturas dos Sertões, este e outros filmes sob a temática sertaneja serão exibidos para a alegria dos cinéfilos de plantão, com a retomada do Circuito Popular de Cinema e Vídeo (CPCV), considerado o maior circuito público de exibição nacional.

Promovido pela Diretoria de Espaços Culturais, em parceria com a Diretoria Audiovisual e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), o Circuito retorna com o lançamento do projeto Terças na Tela, quando todos os Centros de Cultura da SecultBA, situados na capital e interior, exibirão filmes e vídeos de diversos formatos e cinematografias às terças-feiras, com sessões às 15h e 19h.

A primeira Mostra do evento, que acontecerá entre os dias 03 e 24 de abril, terá como tema “O Sertão no Cinema”. Os filmes selecionados para este período apresentam a rotina sertaneja da Bahia em distintos momentos históricos e diferentes olhares através das lentes de grandes nomes da sétima arte brasileira. Entre eles estão os filmes “O Grito da Terra”, de Olney São Paulo, “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos”, de Antônio Olavo e o curta “A Musa do Cangaço”, de José Umberto Dias, além da animação “Boi Aruá”, de Chico Liberato, que abre o circuito.
Em maio, a programação será ainda mais ampla. O projeto Terças na Tela alcançará um total de 12 cidades e 16 espaços exibidores. As temáticas abordadas são amplas, passando pelas culturas afro, indígena, infantil e diversidade sexual. Desde 2008, o Circuito Popular de Cinema e Vídeo circulou por diversas cidades baianas. Em 2011, o CPVC realizou mais de 230 sessões  e reuniu um público que ultrapassa o numero de 9 mil pessoas.

Programação CPCV/ Mostra “O Sertão no Cinema”

Calendário ABRIL

Semana 1 – 03 de abril
Boi Aruá (BRA, 1984)
Direção: Chico Liberato
Duração: 85 minutos
Classificação: 12 anos
Animação

Semana 2 – 10 de abril
O Grito da Terra (BRA, 1964)
Direção: Olney São Paulo
Duração: 83 minutos
Classificação: 14 anos

Semana 3 – 17 de abril
O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), de Glauber Rocha
Duração: 99 min.
Gênero: Ficção
Classificação: 14 anos

Semana 4 – 24 de abril
Paixão e Guerra no Sertão de Canudos (BRA, 1993)
Direção: Antônio Olavo
Documentário
Duração: 98 minutos
Classificação: 12 anos
religiosos e militares.
+
Curta-metragem
A Musa do Cangaço (BRA, 1982)
Direção: José Umberto Dias
Duração: 15 minutos
Classificação: 12 anos

SERVIÇO
Evento: Circuito Popular de Cinema e Vídeo (CPCV) / Terças na Tela
Data: entre os dias 03 e 24 de abril
Local: Centros de Cultura da SecultBA
Programação e informações : http://www.cultura.ba.gov.br

Fonte: http://www.cultura.ba.gov.br/2012/03/21/sertao-na-tela-grande/