A “música de preto” e o carnaval da Bahia

Os compositores Djavan e Caetano Veloso escreveram versos de uma canção chamada Linha do Equador em que dizem “gosto de filha música de preto / gosto tanto dela assim…”Esse modo de dizer “música de preto” bem poderia ser associado à maneira pejorativa como a palavra “preto” surge para designar os negros no Brasil. Neste caso, trata-se de uma constatação feita na poesia de Caetano da força imensa da cultura negra na música popular mundial.

Essa força se apresenta também na Bahia – território com grande número de pessoas descendentes de africanos da diáspora forçada pelo processo escravista desde o século XVI até o século XIX d.C. A cada início de ano, culminando com o carnaval de Salvador, a música que emerge como dominante na cena é a música de matrizes negras.

Samba, reggae, samba-reggae. Os gêneros são muitos e desde a década de oitenta do século XX que temos um fenômeno crescente da massificação (através das grandes e pequenas mídias) da música produzida pelos Blocos Afro num encontro com a sonoridade do Trio Elétrico, desaguando no que alguns pesquisadores chamam consideram como o nascedouro da Axé Music. Esse termo – cunhado de forma crítica por um jornalista baiano – deu nome a uma interface poderosa de ritmos e ambiências musicais que são tornados mais fortes durante o carnaval de Salvador e ao longo do ano são ensaiados pelos soteropolitanos e turistas que enchem a cidade de festa, som e sujeiras, como todo carnaval que se preze.

O samba-reggae é o gênero musical por excelência dos blocos afro de Salvador. Sua sonoridade parece ter surgido em finais dos anos setenta com os percussionistas que executavam as matrizes de samba-duro, samba-de-roda e ritmos afins chegando a uma síntese tanto no ambiente musical do Ilê Aiyê, quanto no Olodum, entidades mais que importantes para a compreensão desse fenômeno cultural que são os Blocos Afro de Salvador. O compositor e Maestro Neguinho do Samba teve papel de destaque na criação do samba-reggae a partir das claves musicais que adaptou dos sambas tocados na quadra do Ilê Aiyê e depois no Largo do Pelourinho, já quando membro do dissidente bloco Olodum.

Em 2017, comemoram-se trinta anos da canção Faraó (Divindade do Egito), de Luciano Gomes. Essa canção representou uma projeção enorme tanto do Olodum quanto da moderna música produzida na Bahia, sobretudo aquela ligada aos temas afro-baianos. Além do Olodum, a cantora e compositora Margareth Menezes, o cantor e compositor Djalma Oliveira e a Banda Mel eternizaram a música, levando para um número maior de ouvintes, propagando a negritude que era evocada na letra de Faraó e de tantas outras belamente compostas pelos artistas das agremiações negras da Bahia.

A “música de preto” baiana prossegue com outras possibilidades estéticas e outras reverberações. O Ilê permanece, O Olodum é global e outros artistas se vincularam ao gênero. A cantora e compositora Daniela Mercury (socialmente branca  e ligada aos aspectos culturais da negritude) é uma das artistas que até hoje – trinta anos de carreira depois – carrega a bandeira do samba-reggae e da música afro-baiana como conteúdo principal de onde emana seu trabalho. Essa música ainda é o suporte básico das narrativas acerca do recôncavo baiano e de Salvador nos planos sócio-existenciais, políticos e econômicos. A “música de preto” dá dinheiro, mesmo que menos para os compositores e artistas negros do que para outros agentes que movimentam a indústria da cultura na Bahia e no Brasil. Ecos da escravidão?

Música e sociedade possuem elos indissolúveis num país como o Brasil. Como dizia Naná Vasconcelos (percussionista pernambucano e criador incansável), tem povo que canta mais que reza. O Brasil reza e canta. A Bahia, então…

Saudemos a “pretitude musical” baiana!

Saudemos e cantemos!

Carlos Barros

Professor da Rede Estadual da Bahia.

A Influência da Matemática na Revolta dos Búzios

Oi, galera do PW! Tudo beleza? Você sabia que a Conjuração dos Alfaiates foi a nossa mais importante revolta anticolonial? E que as motivações que levaram ao seu estopim podem ser explicadas pelas atuais Leis de Mercado? E que a lei da oferta e da procura tem seus princípios explicados pela matemática? Pois é! Vamos mergulhar no túnel do tempo para entender como isso ocorreu.

A Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Búzios, Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Argolinhas, ao contrário de outras revoluções que tiveram como protagonistas a elite da época, foi idealizada, principalmente, pelos brancos, pobres, mulatos, negros livres e escravos. Teve como principal líder o médico, político e filósofo baiano Cipriano Barata, o soldado Luís Gonzaga das Virgens e os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento.

A Conjuração ocorreu em virtude de fatores econômicos e sociais. Elementos como a escassez de alimentos, a alta nos preços dos principais gêneros alimentícios e a influência dos ideais de igualdade , liberdade e fraternidade difundidos pela Revolução Francesa, foram os principais fatores.

Economicamente, a situação da Bahia no final do século XVII  não era muito favorável, pois  a cana-de-açúcar entrara em decadência. No entanto, no final do século XVIII, houve uma recuperação em virtude da Revolta dos Canaviais, em que os engenhos da Ilha de São Domingos foram queimados, desorganizando assim uma das principais potências açucareiras da época. Este fato, levou o açúcar produzido pela Bahia a se valorizar  e fez com que os engenhos retomassem a cultura da cana-de-açúcar.  No entanto, essa prosperidade teve um preço muito alto para as camadas mais pobres, pois os senhores de engenho passaram a ocupar quase toda a extensão de suas terras produtivas com a cultura da cana-de-açúcar, fato que levou em curto prazo o desabastecimento e consequente encarecimento de itens como a farinha de mandioca e carne, um dos principais itens da mesa do povo.

Analisando esses fatos nos dias de hoje, podemos explicar a alta nos preços dos alimentos naquele momento histórico utilizando a lei da oferta e procura. Segundo ela, em períodos nos quais a demanda passa a superar a oferta, a tendência é o aumento dos preços. A curva a seguir mostra esse comportamento e como essas grandezas se relacionam.

Curva da Procura (D1 e D2) e Curva da Oferta S

220px-Supply-demand-right-shift-demand.svgFonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_oferta_e_da_procura

  Assim, naquele momento com a escassez dos alimentos houve  uma redução da oferta, e de acordo com a curva, isso levará a um aumento na demanda, e segundo a lei de mercado, a tendência é que os preços aumentem. Com a elevação dos preços, a fome se agravou em Salvador, levando os soldados e populares a saquearem armazéns em busca de farinha e carne.

Com todo esse clima, a revolta era inevitável, porém, o ferreiro José da Veiga, integrante do movimento, delatou para o governador, a revolta que já tinha data e hora para ocorrer.

 Como consequência, o governo baiano debelou o movimento antes mesmo que ele ocorresse, resultando na prisão de vários revoltosos e na execução em praça pública dos seus líderes, findando, assim, a revolta.

Fontes:

História Viva. Disponível em:<http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/revolucao_negra.html> Acesso em 04 de agosto de 2016.

Instituto Búzios. Disponível em:<http://www.institutobuzios.org.br/documentos/MCLS_CONJURACAO%20BAIANA%20OU%20DOS%20ALFAIATES.pdf> Acesso em 04 de agosto de 2016.

Histórias. Disponível em:<http://historiasylvio.blogspot.com.br/2013/07/revolta-dos-buzios.html> Acesso em 04 de agosto de 2016.

Wikipedia, A enciclopédia Livre. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_oferta_e_da_procura> Acesso em 04 de agosto de 2016.

 

Cine PW: Guerra de Canudos

Salve, salve turma!

Hoje, o Cine PW indica o filme “Guerra de Canudos” (1997), obra dirigida por Sérgio Rezende que retrata a situação de seca e miséria que o sertão baiano se encontrava. Através de um movimento político-religioso liderado por Antônio Conselheiro, Belo Monte, região de Canudos, fica persuadida com suas ideias libertárias. Logo é colocado como líder espiritual e, sobretudo, político. Suas transformações naquela pequena sociedade são percebidas pelo governo, que intervem no processo estrutural daquele povo. Naturalmente, por questões de divergência de poder, Canudos entra em guerra com o próprio Estado.

Guerra de Canudos” é um filme bem construído, levou quase quatro anos pra ser montado e o resultado é surpreendente, visto que não existia tantos filmes do gênero e com estrutura suficiente para rodar um filme mais complexo. Clique aqui e saiba mais sobre o filme.

Abraços e até a próxima…

I Encontro Nacional de História em Rede UNEB – EAD

As INSCRIÇÕES para o I Encontro Nacional de História em Rede UNEB – EAD, que acontece na Universidade Estadual da Bahia entre os dia 27 de abril a 1 de maio de 2012, já estão abertas.

A proposta do evento é reunir discussões sobre regionalidades baianas, história da Bahia, relacionamento entre esta história e o contexto nacional da EAD e da pesquisa e extensão em história, bem como revelar os laços de estudos com a sociedade mundializada do nosso tempo.

PROGRAMAÇÃO

Outras informações podem ser obtidas AQUI.

 

Fonte: http://www.iat.educacao.ba.gov.br/node/2798

Biblioteca Virtual 2 de julho será lançada hoje na Biblioteca Pública do Estado da Bahia

A partir de hoje (12), a Bahia ganha uma biblioteca temática e especializada na História da Bahia. A Biblioteca Virtual 2 de julho que tem como coleção especial, o acervo do Dia 2 de Julho, data da independência da Bahia, será lançada na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, a partir das 18h.

O lançamento acontece dentro da programação do Seminário de História da Bahia: desafios e perspectivas, que visa fomentar o debate sobre a importância do ensino de história da Bahia para os alunos da rede pública do estado. Com a Biblioteca Virtual 2 de Julho, a Fundação Pedro Calmon/SecultBA dá mais um passo à era digital.

Clique na imagem para ampliar

O acervo é composto por documentos do Arquivo Público do Estado, Centro de Memória da Bahia e das Bibliotecas Públicas, vinculadas a Fundação Pedro Calmon. A Biblioteca é uma biblioteca híbrida e funciona como uma biblioteca digital (disponibiliza conteúdos na integra para download), quanto como, biblioteca virtual (serviço de referência eletrônico ao disponibilizar apenas links e referências dos materiais)”.

Segundo a diretora da BV, Cristina Santos, “A BV traz publicações digitais por nós produzidas, acervo que se encontra em domínio público ou que foi devidamente autorizado pelos autores para publicação, assim como links e referências do material disponibilizado na Web referente ao tema”.

Objetivo e download – O diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo informa que o objetivo principal da Biblioteca Virtual 2 de julho “é tornar acessível obras acerca da História da Bahia, inovando ao se posicionar como uma biblioteca multimídia, hipertextual e interativa, ressalta. Preservando e promovendo o acesso universal a uma ampla gama de fontes historiográfícas referentes à nossa história”, reforça.

Castro indica ainda que as bibliotecas virtuais possibilitam a construção de repositórios de dados organizados, disponibilizando uma variedade de serviços, novas sistemáticas de trabalhos, com o objetivo do pronto atendimento das necessidades informacionais dos pesquisadores e usuários. “Assim amplia-se as possibilidades de buscas, recuperação, disponibilização e compartilhamento, através do acesso universal ao conhecimento por meio local e remoto. A Biblioteca Virtual 2 de Julho será mais uma biblioteca integrante do Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado”.

A Fundação Pedro Calmon presta, dessa forma, mais um serviço de disseminação e disponibilização de acervos, e informações relevantes capturadas, organizadas e sistematizadas na rede, para download dos conteúdos informacionais produzidos na FPC em formato eletrônico.

Clique aqui e conheça a Biblioteca Virtual 2 de Julho

Onde: Sala Kátia Mattoso (3º andar)
Quando: hoje (12), às 18h
Publicado por Biblioteca Viva

Fonte: http://bibliotecapublicafpc.blogspot.com/2011/12/biblioteca-virtual-2-de-julho-sera.html

Seminário busca forma de difundir a História da Bahia nas escolas públicas do estado

Nos próximos dias 12 e 13 de dezembro o Centro de Memória da Bahia realiza o Seminário de História da Bahia: desafios e perspectivas, na Biblioteca Pública do Estado – Barris. O evento tem o objetivo de fomentar o debate sobre a importância do ensino de história da Bahia para os alunos da rede pública do estado.

Professores das universidades públicas do Estado debaterão, em quatro mesas formadas, nesses dois dias de discussões, sobre os assuntos mais importantes da história da Bahia e sobre as alternativas de difusão dessas informações.

Os interessados em participar do seminário podem se inscrever pelos telefones: 3117-6050, ou pelo e-mail: cmb.fpc@fpc.ba.gov.br. As inscrições são gratuitas. A Fundação Pedro Calmon/SecultBA é responsável pela preservação e memória e história da Bahia.

Dentro da programação do seminário esta programado para o dia 12 o lançamento da Biblioteca Virtual 2 de julho, com apresentação da coordenadora da Biblioteca Virtual 2 de julho, Cristina Santos e do diretor geral da Fundação Pedro Calmon (FPC), Ubiratan Castro de Araújo.

SERVIÇO:

O Quê: Seminário Ensino de História da Bahia: desafios e perspectivas
Local: Sala Kátia Mattoso – Biblioteca Pública do Estado da Bahia – Barris
Data: 12 e 13 de dezembro de 2011
Horário: das 9h às 13h e das 14h às 18h

 

Fonte:http://www.cultura.ba.gov.br/2011/12/12/seminario-busca-forma-de-difundir-a-historia-da-bahia-nas-escolas-publicas-do-estado/