O Olhar Digital

Fig1: Binary-World

Fig1: Binary-World

E aí, galera! Será que estamos a sós na internet?

…Pois, em algum lugar,
Há sempre alguém a nos observar com atenção
Mesmo sem a gente saber
Ou sequer perceber, querer
Ou notar,
Diante de alguma tela indiscreta de observação!

Porque somos todos deuses e seus filhos
E independentes de escuridão ou brilhos,
Estamos todos numerados, rastreados,
Cadastrados,
fotografados…”

(trecho da poesia “Olhares Vigilantes do Sisttema” – Patrício Franco)

A poesia de Patrício Franco serve de alerta para as pessoas que utilizam a internet no seu cotidiano, de que “Há sempre alguém a nos observar com atenção, mesmo sem sequer perceber, ou notarpara no mostrar que, a cada link clicado, página acessada e conteúdo compartilhado, sem sequer notarmos, estamos sempre sendo observados. Nenhum dos anúncios e propagandas que aparecem para você são por acaso, todas são com base nos seus conteúdos acessados e é preciso ter muito cuidado e fazer um uso consciente da internet. Há sempre olhos curiosos nos observando a todo momento e tudo com a nossa autorização através de uma assinatura digital conhecida por muitos: “Li e aceito”. Muitas pessoas, simplesmente, ignoram o contrato e o assinam sem sequer ler, dando autorização ao uso indiscriminado de suas fotos, sua localização atual, a ativação da câmera do seu celular, entre outros, isso fica claro no trecho “independente de escuridão ou brilhos, estamos todos numerados, rastreados, cadastrados, fotografados…”

Independentemente da plataforma, seja através de um computador, smartphone ou tablet, basta uma conexão com a internet para cair na “grande teia mundial” e sermos observados a todo instante.

É preciso ler os termos de contrato para saber exatamente com o que estamos lidando. Precisamos ser mais criteriosos com o uso da internet, para mantermos nossas informações seguras.

É isso aí, galera! Todos juntos por uma internet mais segura e consciente.

Acessem também:

Dia Mundial da Internet Segura

Cartilhas da SaferNet

Gabriel Luhan

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

“A visibilidade é uma armadilha”

Salve, turma esperta!

Hoje em dia, em praticamente todas as áreas de atuação da vida humana e em quase todos os lugares e organizações sociais, os sistemas computacionais tem sido utilizados como ferramenta para registrar e tratar dados, operacionalizar atividades e facilitar o acesso à informação, comunicação e compartilhamento de conteúdos. Os ambientes digitais, que compõem o chamado ciberespaço, possibilitam a construção de novas formas de interação e sociabilidade, sobretudo através da rapidez – quase instantaneidade – com que esse fluxo se realiza. Não podemos perder de vista, contudo, que tão importante quanto a velocidade é a forma com que nos expomos e/ou somos expostos(as) a esta enorme quantidade diária de estímulos.

O surgimento da internet está historicamente ligado à Guerra Fria, localizada entre o fim da Segunda Guerra Mundial e a extinção da União Soviética (atual Rússia), caracterizado como um período de tensões entre este país e os Estados Unidos na busca pela supremacia geopolítica e militar sobre os países em suas áreas de influência e sobre o planeta como um todo. Pesquisas inicialmente desenvolvidas pelo exército norte-americano no final da década de 1960 com o objetivo de criar um sistema de comunicação integrado entre suas agências militares e bases de pesquisa deram origem a ARPANet – sigla em inglês que pode ser traduzida como Rede de Agências para Projetos de Pesquisa Avançada – protótipo do que seria mais tarde a nossa conhecida internet.

Desde então, com a expansão do modelo para formas comerciais, as redes de troca de pacotes tem se disseminado e cada vez mais temos utilizado tal recurso. Um destes sistemas de conexão, talvez o mais conhecido da atualidade, é o World Wide Web, WWW ou simplesmente Web.

Plataformas comunicacionais com as mais variadas finalidades são hoje uma realidade relativamente acessível à maioria das pessoas: navegadores (browsers), serviços de correio eletrônico (webmails), fóruns de discussão, mensageiros ou comunicadores instantâneos (chats), redes sociais, etc.. A própria estrutura que nos permite escrever e compartilhar este texto com vocês, o blog, é uma destas. Facílimo, então, tornou-se produzir, difundir e trocar saberes e fazeres com qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo!

Infelizmente estas facilidades não parecem ter sido acompanhadas de uma reflexão mais detida, mais profunda, por parte dos(as) “navegantes” deste mar eletrônico, fundamental para uma apropriação crítica e contextualizada destes processos tecnológicos: diante da excitante novidade que nos é apresentada, que nos atiça o desejo de ver e sermos vistos, vamos comendo este melado. E nos lambuzando…

Segurança, liberdade e privacidade na internet, assim, entraram na roda como pontos estratégicos nas discussões sobre os possíveis limites éticos do ciberespaço. Escândalos envolvendo agências de informação de empresas e governos, acusadas de espionagem e mesmo invasão de dados de usuários(as) em todo o planeta, deixaram a nu a vulnerabilidade do mundo digital e a existência de interesses obscuros por trás do monitoramento das pegadas que deixamos na web. A rastreabilidade tornou-se, escancaradamente, um negócio.

Ainda que não garantam segurança total, os softwares livres são, por exemplo, uma excelente alternativa para quem se preocupa com estas questões. Por conterem em um dos seus princípios éticos/técnicos o acesso aberto ao código fonte – a arquitetura do programa ou sistema operacional – permitem, entre outras possibilidades, que os softwares sejam estudados, que se aprenda como foram construídos e que sejam, por assim dizer, “fiscalizados” por qualquer pessoa com algum conhecimento em programação.

Mas atenção, pessoal: o aspecto mais importante para entendermos este tema talvez seja a necessidade de recuperarmos a consciência de que a internet é uma rede mundial de usuários(as) de computadores conectados entre si e não meramente uma rede mundial de computadores, recolocando o ser humano em seu lugar de protagonista, artífice original deste processo, tornando-nos a todos(as) responsáveis pelos rumos, belos ou terríveis, que o mundo virtual possa tomar.

Abaixo deixamos, para reforçar esta reflexão, um trecho da obra Vigiar e Punir: nascimento da prisão, do filósofo Michel Foucault:

O princípio é conhecido: na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre; esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, cada uma atravessando toda a espessura da construção; elas têm duas janelas, uma para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de lado a lado. Basta então colocar um vigia na torre central, e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário, um escolar. Pelo efeito da contraluz, pode-se perceber da torre, recortando-se exatamente sobre a claridade, as pequenas silhuetas cativas nas celas da periferia. Tantas jaulas, tantos pequenos teatros, em que cada ator está sozinho, perfeitamente individualizado e constantemente visível. O dispositivo panóptico organiza unidades espaciais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente. (…) A visibilidade é uma armadilha.”

Até a próxima!

REFERÊNCIAS:

Guerra Fria: acesso em <http://www.quickiwiki.com/pt/Guerra_Fria>, aos 31/07/2014;

ARPANet: acesso em <http://www.quickiwiki.com/pt/ArpaNET>, aos 31/07/2014;

World Wide web: acesso em <http://www.quickiwiki.com/pt/World_Wide_Web>, aos 31/07/2014;

Software Livre: acesso em <https://oprofessorweb.wordpress.com/2010/10/05/9%C2%AA-dica-professor-web-fala-sobre-software-livre/>, aos 31/07/2014;

Pan-óptico: acesso em <http://www.quickiwiki.com/pt/Pan-%C3%B3ptico>, aos 31/07/2014;

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Editora Vozes, 1987;

Tem boi na linha? Guia prático de combate à vigilância na internet. Acesso em <https://temboinalinha.org/>, aos 31/07/2014.