Radiola PW: Acorde, Brasil

Oi, turma! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Acorde, Brasil, do cantor e compositor Julinho Marassi. Embora tenha sido composta no ano 2000, a música continua atual, principalmente quando fala da nossa realidade política e expõe práticas comuns do universo artístico do país. A obra foi gravada, pela primeira vez, em 2002, no CD Julinho Marassi e Gutemberg Ao Vivo. A dupla é oriunda de Barra Mansa, Rio de Janeiro.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016
Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Logo no início da letra, o eu lírico mostra toda a sua revolta diante das coisas que vê. As três primeiras estrofes já trazem um tom crítico e mostram que o personagem não quer continuar aceitando ser “marionete” para o “sistema”:

Resolvi abrir o jogo agora,
Sai da frente, que eu não tô brincando,
Tô entrando com o pé na porta,
Fala sério: o bicho tá pegando!


Me cansei de aguentar calado,
Não nasci pra acompanhar rebanho,
Estar na mão de quem não sabe nada,
“Prestenção” no que eu estou falando

Não adianta você ser sincero,
Ser honesto e ter bom coração,
Se você não entra no sistema
Fica fora da programação

Em seguida, Julinho fala de forma mais contundente sobre os conchavos existentes no universo artístico e cultural do Brasil, em que alguns “escolhidos” são eleitos por pura conveniência. Para introduzir o tema, cita a mídia, que contribui bastante para que tal prática seja perpetuada no país:

Quantos homens bons morreram cedo,
Que podiam ajudar você
Quantas pragas continuam vivas
No jornal, no rádio e na TV

É difícil ser o escolhido,
Sem padrinho, sem um pistolão,
Mas, amigo, o sol nasceu pra todos,
Acredite na sua canção

Nas estrofes seguintes, o compositor fala diretamente para os políticos do Brasil. Em ano de eleições municipais, é importante atentar para a conduta, o histórico de vida pública e as propostas dos candidatos, para fazer as cobranças necessárias no futuro:
[…]

Com licença, agora eu vou falar
Pra todos os políticos que vivem no Brasil
Se liga!
Cadê seu ideal,
De quando era novo?
Nada te segurava,
Você veio do povo

Você não tinha medo
Agora se calou
Entrou no ninho de cobras
Na gente, nem pensou

Se sente ameaçado?
Bota a boca no mundo
Sai limpo da história
Sai desse lixo imundo

[…]

No refrão, uma crítica forte e realista da situação brasileira. Julinho faz um retrato do país, enfatizando as diferenças sociais existentes por aqui. Ainda toca em outra questão delicada: a religiosidade. Nos versos, ele destaca como as mais variadas denominações religiosas se apropriaram da televisão para, nas suas palavras, fazerem disso um “meio de vida”:

Classe média tá desesperada,
Classe baixa tá passando fome,
Classe alta tá dando risada,
Deus me ajude a igualar os homens

Religião virou meio de vida,
Tomou conta da televisão,
Cidadão, “cê” não precisa disso,
Deus tá dentro do seu coração

Em Acorde, Brasil, Julinho Marassi faz um convite para a gente abrir os olhos (física e metaforicamente), a fim de perceber como práticas desrespeitosas se repetem no país. Muitas vezes, por comodismo, não fazemos quase nada para mudá-las. Precisamos acordar! E você: está acordado (a) ou dormindo?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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Vem aí, a VI FECIBA!

Olá!Tudo bem?

Hoje, vamos falar sobre um evento que vem acontecendo anualmente, em Salvador, desde 2011, e que tem apresentado excelentes resultados , frutos do trabalho de alunos e professores da Rede Pública de Ensino . Estamos falando da Feira de Ciências e Matemática da Bahia (FECIBA), promovida pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia. A Feira de Ciências é resultado da realização das feiras escolares de Ciências, que se constituem na culminância das atividades desenvolvidas por meio dos programas estruturantes da Secretaria de Educação – Ciência na Escola, Gestar na Escola, Pacto pelo Ensino Médio e Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (Emitec)”.( Ascom/Secretaria da Educação do Estado da Bahia)

Veja o texto abaixo:

“O espaço escolar é um dos locais mais importantes de uma Nação. Profícuo para a formação e desenvolvimento de indivíduos cidadãos. Nele, professores talentosos constituem-se em mola propulsora da educação. Apresentam o universo escolar aos estudantes, naturalmente, entregam-se e interagem com a turma num misto de confiança, sorrisos, expertises, interesses e sentimentos. Medeiam o conhecimento, versam sobre vários conteúdos. Iniciam, firmam o alunado no mundo da ética, moral, regras e valores que estarão presentes no transcorrer de sua vida e cobrados ao longo de sua existência.” (Parte integrante da poesia ‘Dia 15 de outubro’)

 Então, é chegado o momento , vem aí a VI FECIBA, que ocorrerá nos dias 09, 10 e 11 de novembro do ano corrente, na Arena Fonte Nova, durante o 5.º Encontro Estudantil. Não dá pra ficar de fora!  Na Feira , você, seus colegas, seus  professores e sua escola apresentarão invenções ,resultantes da interação pedagógica ocorrida durante este ano letivo. Sugiro que você , aluno-cidadão,  mostre sua expertise através de projetos criativos mediados pela ética, moral, regras e valores.

O estudante da escola pública, Lucas Borges , que criou um eficiente sistema de segurança para fogões contra acidente doméstico, foi  premiado na Feira de Ciências da Bahia , em 2011, e no ano de 2012 venceu a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), no Campus da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Sugiro que assista ao vídeo, abaixo, Sistema de Segurança Contra Acidentes Envolvendo Panelas – Lucas Borges (Rede Anísio Teixeira – TV AT ).

Lucas Borges
Fig. 1 : Lucas Borges

O ano de  2015  teve o maior número de projetos registrados. Foram submetidos à FECIBA mais de 870 projetos,de 544 escolas. De acordo com o coordenador da Feira, Rogério Lima ,a expectativa para este ano é ultrapassar a marca do ano anterior: “Elaboramos um conjunto de ações, como videoconferências, workshops e seminários colaborativos para estimular a participação dos estudantes. Nossa proposta é fazer com que eles demandem dos professores e das unidades escolares o envolvimento com proposta da educação científica”.( Ascom/Secretaria da Educação do Estado da Bahia)

Fig. 2 - Vídeoconferência -IAT .Núcleos Regionais de Educação (NRE) com as Coordenações dos Projetos Estruturantes.

Durante a videoconferência, ocorrida no dia 30/08, no IAT – Instituto Anísio Teixeira, com o objetivo de estreitar a relação dos Núcleos Regionais de Educação (NRE) com as coordenações dos projetos estruturantes, a coordenadora do Programa Ciências na Escola – PCE,  Shirley Costa, falou que “o programa empodera o estudante no seu processo educacional, promove a  educação científica dos professores e estudantes, motiva-os a mudar a realidade em seu entorno.É um orgulho para o PCE saber que mais de 100 escolas, durante o mês de agosto, vêm realizando feiras escolares de ciências”.  Rogério Lima informou:  “Até dia 01/09/2016 ,acredito que já esteja no site da FECIBA o link para inscrição na Feira de Ciências e Matemática da Bahia”.

Outro fato importante é que os projetos submetidos à FECIBA, não precisam, necessariamente, que sejam apenas da área de conhecimento de ciências da natureza.

São perceptíveis as características interdisciplinares nos projetos. Estes  podem versar sobre várias temáticas,como por exemplo: projeto que fala sobre a identidade das comunidades quilombolas, de autoria das alunas Beatriz Santana e Tainá de Almeida, estudantes da rede estadual de ensino do município de Antônio Cardoso, interior baiano. Elas foram vencedoras da FECIBA- 2014 e da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia – FEBRACE, com o trabalho sobre fortalecimento da identidade negra e quilombola na cidade. Atualmente, Tainá é estudante do curso de Direito da Universidade Federal da Bahia.

As estudantes apresentaram, também, o referido trabalho na “Intel Internacional Science and Engineering Fair”- EUA, maior feira de ciências do mundo.

Outro grande exemplo de projeto bem-sucedido é a criação de “um dispositivo que inviabiliza o acionamento de motos sem uso de capacete”, de autoria dos alunos  Poliana Mascarenhas e Marcelo Oliveira Pinto, estudantes do Colégio Estadual Polivalente , no município de Conceição do Coité, no semiárido baiano.

Então, fique atento, não perca a data para a inscrição dos trabalhos de sua escola! E boa sorte!

Ana Rita Medrado

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino.

 

Referências:

http://escolas.educacao.ba.gov.br/feciba1

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/05/alunas-da-rede-publica-levam-projeto-sobre-quilombolas-para-feira-nos-eua.html

http://www.secom.ba.gov.br/galeria/15333/126333/Videoconferencia-promove-articulacao-entre-IAT-e-Nucleos-Regionais-de-Educacao.html

 

Quem está estudando para o ENEM?

O Exame Nacional do Ensino Médio está se aproximando e, a partir da próxima segunda-feira, 22 de agosto, o nosso blog intensificará as discussões que podem auxiliar os estudantes durante a preparação para o exame.

Fig.1: Ilustração do Enem. Fonte: INEP
Fig.1: Ilustração do Enem. Fonte: INEP

Começaremos com uma semana temática (de 22 a 26 de agosto), que trará informações de todas as áreas do conhecimento (Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias). Nesse sentido, vamos problematizar e discutir assuntos que sempre figuram na prova. Em seguida, na segunda semana de setembro, voltaremos ao tema, fazendo uma associação entre o Enem e a Independência do Brasil.

De 19 a 23 setembro, abordaremos aspectos de nossa pluralidade cultural e como eles aparecem no Exame Nacional do Ensino Médio. Tudo isso, obviamente, levando em consideração outros temas transversais, como história e cultura africana e gênero e sexualidade. Para finalizar, dedicaremos o mês de outubro todo para falar de Enem e de temáticas voltadas para a saúde. Como elas aparecem na prova? Quais são as mais frequentes?

Quer saber? Então, não perca o nosso calendário! Acompanhe tudo por aqui e utilize os conteúdos do Ambiente Educacional Web para ter ainda mais sucesso no Enem!

Só para lembrar: o exame está marcado para acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016!

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: “A gente quer é ser um cidadão”

Oi! Tudo bem? Hoje, a Radiola PW vai falar de cidadania através de um artista que sempre trouxe questões sociais nas suas canções: Gonzaguinha. A música em destaque foi composta pelo artista e lançada em 1988, no disco Corações Marginais. Trata-se de É, um grito de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior contra o descaso ao ser humano. A obra faz uma junção perfeita entre letra e melodia, enriquecendo o nosso cancioneiro.

É de Gonzaguinha
Fig. 1: Gonzaguinha fala de cidadania na letra da música É. Imagem: captura de tela feita do site oficial do artista, em 29 de julho de 2016.

A todo tempo, o eu lírico fala por uma coletividade. Isso fica bem demarcado com o uso da expressão “A gente”, no início da maioria dos versos:

É
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor

A letra da música trata dos anseios de um ser humano, das coisas que ele precisa ter para viver na sociedade:

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade


Na estrofe a seguir, a reivindicação propriamente dita. O autor dá um recado para quem insiste em querer enganar o povo, privando-o de seus direitos:

É
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela

Na última estrofe, Gonzaguinha elenca os direitos básicos de todo e qualquer cidadão:

É
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão

Infelizmente, nos dias de hoje muita coisa permanece da mesma maneira e a música continua atual na sua temática. Viver a plena cidadania, no Brasil, é um desafio, algo a ser conquistado. Contudo, o importante é não desistir nem abdicar de nossos direitos. Afinal, “a gente quer é ser um cidadão”.

Você pode escutar a música no site oficial de Gonzaguinha.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Mais qualidade na Educação Inclusiva: uma meta para os próximos anos

Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de Educação Continuada e Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), tem a intenção de ampliar a qualidade da educação inclusiva e especial nos próximos anos. A meta faz parte do Plano Nacional de Educação (PNE) e tem até 2024 para ser cumprida. Nesse sentido, a recente Lei 13.146/2015, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência, deve ser uma aliada nesse processo.

Ela é “destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania”. Sendo assim, o documento surge para exigir algo que já deveria ser uma prática social: o respeito e a equidade para as pessoas com deficiência.

Fig. 1: Educação Inclusiva em discussão. Imagem: Josymar Alves
Fig. 1: Educação Inclusiva: um dever de toda a sociedade. Imagem: Josymar Alves

No capítulo IV da referida legislação, os educadores encontram as possibilidades para implementar, efetivamente, a qualidade prevista no PNE. O que não significa que vão fazê-lo apenas para cumprir uma meta, mas no intuito de, a cada dia, tornar natural e verdadeira a tão sonhada e necessária inclusão.

Para isso, alguns tópicos fundamentais devem ser considerados, como o aprimoramento dos sistemas educacionais e a exigência da presença da temática no projeto pedagógico de cada instituição; a oferta de educação bilíngue (“…em Libras como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas”) e o uso de recursos de tecnologia assistiva (“oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e participação”).

Fig. 2: Educação Inclusiva em discussão. Imagem: Josymar Alves
Fig. 2: Educação Inclusiva em discussão. Imagem: Josymar Alves

Contudo, cabe ao inciso XIV uma das mais importantes recomendações do Estatuto e que vai auxiliar na busca de mais qualidade na educação inclusiva: “XIV – inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de educação profissional técnica e tecnológica, de temas relacionados à pessoa com deficiência nos respectivos campos de conhecimento”. Por que é importante? Porque, dessa forma, a lei traz um elemento central para o debate: os cursos de formação de professores. Esses profissionais precisam de uma formação de qualidade para saber lidar e compreender o universo das pessoas com deficiência. A qualidade da educação não pode prescindir disso, afinal trata-se de um direito de todos.

Para complementar os seus conhecimentos, assista ao episódio abaixo, do quadro Diversidades, que faz parte do programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira. O vídeo foi publicado no Ambiente Educacional Web (AEW) , em dezembro de 2014.

 

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Rede Anísio Teixeira Publica Trabalho Sobre Mídias Educacionais de Temas Transversais do Ambiente Educacional WEB na SBPC 2016

A 68 Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC com a temática Sustentabilidade, Tecnologias e Integração Social”  aconteceu entre os dias 04 a 08 de Julho na Universidade Federal do Sul da Bahia em Porto Seguro e a Rede Anísio Teixeira teve trabalho aprovado pela Associação Brasileira de Educação a Distância- ABED com a temática Utilização dos Recursos Educacionais do Ambiente Educacional WEB com ênfase na Aprendizagem Significativa para promoção da Educação Ambiental e Saúde apresentado pela Colaboradora e Pesquisadora Ana Cristina Rangel, da Área de Ciências da Natureza.

Estão catalogadas e disponíveis 343 e 197 Mídias Educacionais,licença livre relacionadas a Educação Ambiental e Saúde, respectivamente. Para avaliador, o objetivo do trabalho foi alcançado ao divulgar a proposta pedagógica de produção e compartilhamento de objetos de aprendizagem do Ambiente Educacional WEB através da divulgação e esclarecimentos dos tipos de mídias educacionais disponíveis. A partir de publicações que apresentem o AEW num evento como a SBPC para o conhecimento e acesso dos professores e estudantes do Brasil.

foto01Foto: ASCOM IAT.

Em articulação com as formadoras Tanara Freitas e Rosângela Barreto do Programa Ciência na Escola- PCE e Rede Anísio Teixeira renderam mais 02 publicações envolvendo pesquisa sobre Formação de Professores para Educação Científica , Utilização de Sequências Didáticas como recurso Pedagógico e Projetos de Pesquisa em Feira de Ciências na Rede Pública do Estado da Bahia.

foto02Fonte: ASCOM IAT

Os trabalhos foram apresentados, pelas Formadoras: Ana Cristina Rangel da Rede Anísio Teixeira e Tanara Freitas do Programa Ciência na Escola. Os projetos foram:

Sequências Didáticas como recurso pedagógico de Investigação na Formação Continuada de professores do Portal do Sertão.

E outro trabalho foi: Formação Continuada em Educação Científica para Educação Básica : Um relato de Experiência sobre a realização de Feiras de Ciências como estratégia de ensino para Alfabetização Científica.

Ambos os referidos trabalhos foram aprovados pela Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências – ABRAPEC.

A Presidente da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia – FEBRACE, Roseli de Deus Lopes, marcou presença durante todo o período de exposição dos trabalhos. Enfatizou a importância de iniciativas como esta para consolidação da alfabetização científica no Estado da Bahia.

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Fonte: ASCOM IAT

Radiola PW: Hino ao Dois de Julho

Oi! Tudo bem? Em 20 de abril de 2010, o então governador da Bahia, Jaques Wagner, sancionou a Lei 11. 901. No artigo 1º do documento, lê-se o seguinte: “Fica instituído o Hino ao Dois de Julho, da autoria de Ladislau Santos Titara e José dos Santos Barreto, como Hino Oficial do Estado da Bahia […]”. Hoje, a Radiola PW te convida para ouvir com um pouco mais de atenção o hino do nosso estado. Você já fez esse exercício? Vamos lá?

Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.
Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

A obra é, obviamente, uma clara referência ao 2 de julho de 1823, quando as tropas baianas, lutando contra a presença portuguesa no nosso território, saiu vitoriosa das batalhas. Alguns historiadores tratam o episódio com um “enxotamento” feito pelos baianos, em relação ao bando de Madeira de Melo. A data também é conhecida como o dia da Independência do Brasil na Bahia.

A letra, composta por Ladislau, é cheia de inversões e mantém o caráter ufanista, próprio de textos dessa natureza. A música, de autoria de José, parece simular um batalha.

A primeira estrofe revela o orgulho de ser brasileiro e de lutar pela pátria:

Nasce o sol ao 2 de Julho,

Brilha mais que no primeiro!

É sinal que neste dia

Até o sol, até o sol é brasileiro.

Em seguida, um grito contra o autoritarismo e a opressão, comuns naquele sistema colonial:

Nunca mais, nunca mais o despotismo

Regerá, regerá nossas ações!

Com tiranos não combinam

Brasileiros, brasileiros corações!

É interessante atentar para a inversão presente nos dois últimos versos da estrofe acima. Colocando a oração na ordem direta, teríamos: “Corações brasileiros não combinam com tiranos”. Na estrofe seguinte, também nos dois últimos versos, é possível identificar mais uma inversão. Na ordem direta, ficaria assim : “Nossa pátria, hoje livre, não será dos tiranos”. A inversão é uma figura de linguagem que serve para dar mais expressividade ao texto literário, invertendo a ordem dos termos na frase.

Salve Oh! Rei das campinas

De Cabrito e Pirajá!

Nossa pátria, hoje livre,

Dos tiranos, dos tiranos não será!

Os dois primeiros versos da estrofe acima falam, mais detidamente, das batalhas do histórico 2 de julho. No desfecho do hino, um conselho:

Cresce! Oh! Filho de minh’alma

Para a Pátria defender!

O Brasil já tem jurado

Independência, independência ou morrer!

Para complementar os seus estudos sobre o Dois de Julho, assista ao episódio abaixo, do quadro Histórias da Bahia, que faz parte do programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira. O vídeo foi publicado no Ambiente Educacional Web, em 2014.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: “Não tenha medo. Denuncie!”

Oi, pessoal! A Radiola PW de hoje aborda uma temática importante e que deve sempre ser discutida: a violência contra a mulher. Os casos existem e persistem, infelizmente. Contudo, as mulheres estão mais conscientes, exigindo os próprios direitos e denunciando os seus agressores.

Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016
Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência para denúncias. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016

Hoje, a cantora Aiace Félix, da banda Sertanília, tornou pública uma agressão que sofreu do taxista Antonio Ricardo Rodrigues Luz, em Salvador. “[…] Estávamos eu, minha irmã e uma amiga andando em direção ao Largo da Mariquita por volta das 05h:30 quando esse motorista, que estava parado na fila de Taxi em frente a casa, assediou minha irmã. Quando fui pedir por respeito, embora seja óbvio que ele é meu por direito, o taxista se sentiu incomodado por eu tê-lo confrontado e me respondeu de forma bem agressiva reiterando o assédio. Eu segui andando com as meninas quando ele deu uma ré super brusca tentando atropelar a mim e as meninas. Um rapaz que passava na hora me puxou e evitou que algo mais grave acontecesse. Não satisfeito, o taxista saiu do carro, veio na minha direção e me deu 3 socos no rosto, atingindo meu olho direito, minha boca e o ombro/pescoço. Como resultado, ganhei uma lesão na córnea e alguns hematomas pelo corpo[…]”, relatou a artista numa rede social da internet.

O importante, nesse e em todos os casos que insistem em figurar na nossa sociedade, é que a natural revolta que acomete as pessoas ao saber de crimes dessa natureza seja, de fato, traduzida em ações práticas. A situação é intolerável!

A igualdade de gênero é uma ânsia de movimentos feministas desde sempre. Deveria ser um anseio da sociedade. Às vezes, na tentativa de ajudar, se produz discursos que, se analisados com atenção, acabam prejudicando toda uma luta histórica. Um bom exemplo disso é a música O Defensor, lançada em 2015 pela dupla Zezé Di Camargo e Luciano, no CD e DVD Flores em Vida – Ao Vivo. A canção, dos compositores Fred Liel e Marco Aurélio, foi divulgada por Zezé e Luciano como sendo um manifesto da violência contra a mulher. Mas, analisando a letra com criticidade, percebe-se que, nas entrelinhas, a obra reforça o papel socialmente estabelecido para as mulheres. Eis a mensagem:

“Mais uma vez/Ele te feriu/E é a última vez/Que ele vai pôr a mão em você/Te machucar, fazer sangrar/Te humilhar, fazer chorar seu coração/Não tenha medo, denuncie”.

Se a letra seguisse a ideia dos versos acima, ela cumpriria uma boa função. Porém, nas linhas seguintes, fica evidente o equívoco dos compositores:

Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo/Estou aqui, sou seu defensor/Eu vim pra te buscar, eu vou te amar/E onde ele bateu, eu vou te beijar/Eu só quero curar suas feridas/Não tenha medo, denuncie/Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo”.

O que a sociedade precisa entender é que as mulheres não precisam de defensores, precisam de respeito. Sair de uma relação conturbada, em que sofre violência física, para outra aparentemente mais amena, não resolve o problema da violência contra a mulher, só a torna mais uma vítima em potencial. Vale ressaltar também que as mulheres não estão loucas atrás de relacionamentos, como se isso fosse resolver as suas questões existenciais. 

Os versos abaixo, feitos por dois homens, mostram como eles e como muitos outros se colocam em relação às mulheres:

Porque eu sou seu anjo/Seu defensor, te amo/E enquanto eu tiver vivo/Eu vou te defender, meu amor/Nunca mais ele vai te bater”.

A principal e mais importante defesa da mulher é o respeito. É disso que elas precisam e é por isso que lutam. É preciso dar um basta nos crimes que matam as mulheres, tanto social quanto fisicamente. Encerro com o melhor verso da música: “Não tenha medo. Denuncie!”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Rede AT em Ação!

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No dia 16 de maio,  no Instituto Anísio Teixeira, foi ministrada pelos educadores da Rede AT a sexta Formação em Apropriações Tecnológicas no Ensino e na Aprendizagem, durante a VIII Etapa Intermediária da LICEEI/UNEBLicenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena, com o objetivo de contribuir para a melhoria da educação básica.

A formação contou com um público muito especial de 65 participantes, todos licenciandos do curso interdisciplinar da UNEB e pertencentes a diversas etnias indígenas como: Kantareré, Pankararé, Kaimbé, Tupi,Tumbalalá, Xucuru Kariri, Tuxá ,Kiriri, Tupinambá de Olivença, Pataxó dentre outras.

A Rede AT valida um movimento que  luta contra a exclusão e busca fomentar o conhecimento democrático e solidário na tentativa de ampliar alternativas para novos aportes no contexto educacional do Estado da Bahia, cuja  iniciativa está  na fusão da aquisição do conhecimento e da informação aliada à apropriações tecnológicas críticas, lúdicas, contextualizadas e colaborativas.

Na ocasião foram desenvolvidos estudos epistemológicos sobre a Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) – David Paul Ausubel; REA – Recursos Educacionais Abertos; Licenças Livres e apresentação do  AEW – Ambiente Educacional WEB, Blog do Professor WEB  e TV Anísio Teixeira.

Foram apresentados: o AEW , bem como sua utilização nos processos de busca , pesquisa e catalogação de conteúdos digitais; o Blog do PW, onde são  compartilhados  conteúdos educacionais e realizadas publicações diárias com assuntos direcionados à comunidade escolar, divididos em temas transversais e áreas do conhecimento, além de notícias relacionadas à educação e ao cenário cultural da Bahia e do Brasil; a TV AT, formação e produção de mídias educacionais.

A Formação foi desenvolvida através de uma atividade lúdica, tendo como mote o conhecimento inter e transdisciplinar, balizado pelos PCNs, a partir de uma dinâmica que ampliou esse diálogo gerando interação entre educadores e participantes.

Os participantes mostraram-se bem receptivos durante todas as discussões, por compreender a dimensão dessa ação para o processo democrático e equitativo na busca da  informação e do conhecimento.

Assista ao vídeo do Cacique Ramón, da etnia Tupinambá de Olivença.

 

A Rede Anísio Teixeira fechou com chave de ouro o primeiro semestre de 2016,com a Formação em  Apropriações Tecnológicas no Ensino e na Aprendizagem, ocorrida no dia 09 de junho, no Colégio Estadual de Praia Grande/Periperi( Subúrbio Ferroviário de Salvador) , onde foram atendidos 22 cursistas, lotados nas seguintes unidades escolares: Colégio Estadual de Praia Grande, Colégio Estadual Nelson Mandela, Colégio Estadual Sete de Setembro, Colégio Estadual Barros Barreto, Colégio Estadual Professor Carlos Barros, Colégio Estadual Maria Odete, Colégio Estadual Professora Maria Anita.

Outras formações foram realizadas pela Rede Anísio Teixeira em 2016, através do grupo de trabalho de Formação em  Apropriações Tecnológicas no Ensino e na Aprendizagem. Foram atendidos os Projetos Estruturantes: Pacto , Gestar , PCE – Programa Ciência na Escola; a SUPED – Superintendência de Educação Básica; o CJCC – Centro Juvenil de Ciência e Cultura. O grupo de trabalho ministrou palestra no Encontro com os articuladores do JERP – Jogos Estudantis da Rede Pública.

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Fotos – Vítor Moreira

 

Até o próximo!

Ana Rita Esteves Medrado

Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia.

Radiola PW: São João Antigo

Oi, gente! Tudo bem com vocês? Hoje, última Radiola PW deste semestre, a dica de música tem a ver com o período junino e convida todo mundo para fazer uma reflexão sobre as festas de São João espalhadas pelo Brasil, principalmente no Nordeste: trata-se da canção São João Antigo, composta por Zé Dantas e Luiz Gonzaga. Ela foi lançada pelo Velho Lua em 1962, no disco São João na Roça.

Fig.1: capa do disco de Gonzagão em que "São João Antigo" é uma das faixas. Foto: reprodução do site Memorial Luiz Gonzaga.
Fig.1: capa do disco de Gonzagão em que São João Antigo é uma das faixas. Foto: reprodução do site Memorial Luiz Gonzaga.

Muito se fala sobre a descaracterização das festas juninas, principalmente quando os seus elementos mais significativos são levados em consideração. Hoje em dia, por exemplo, o forró não é o único gênero musical que reina na programação junina das cidades. Artistas de axé music, arrocha e sertanejo estão ocupando esses espaços.

Isso está relacionado com o natural processo de transformação da sociedade, que incorpora novos costumes e muda a sua dinâmica. O passado interfere no presente, que ressignifica o futuro. Na década de sessenta, do século passado, Gonzagão e Zé Dantas já falavam sobre isso.

Na primeira estrofe da música, os autores se mostram saudosistas: Era a festa da alegria/São João!/Tinha tanta poesia/São João!/Tinha mais animação/Mais amor, mais emoção/Eu não sei se eu mudei/Ou mudou o São João”.

Em seguida, reforçam esse sentimento e revelam o motivo da angústia contida na letra: “Vou passar o mês de junho/Nas ribeiras do sertão/Onde dizem que a fogueira/Inda aquece o coração/Pra dizer com alegria/Mas chorando de saudade/Não mudei nem São João/Quem mudou foi a cidade”. Ou seja, nem o eu lírico nem o São João mudaram, a cidade que teve a sua dinâmica alterada. E você? O que acha sobre essas transformações? Conte para a gente!

Questão de linguística

Inda” é variação do advérbio “ainda”; “pra” é a forma reduzida da preposição “para”.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia