“Arvorear-se”

Comumente nos lares e lugares, encontramos a tradicional árvore de Natal nessa época do ano. Mas, de onde vem a sua origem? O que esse símbolo representa?

Seu surgimento se deu entre as civilizações mais antigas dos continentes europeu e asiático, por acreditarem que a árvore era um símbolo divino. Muitos afirmam que tenha surgido na Alemanha, por volta de 1530, e se propagado por todo mundo. De acordo com a tradição cristã predominante no Brasil, a decoração natalina deve ser feita no início do Advento, que são os quatro domingos que antecedem o aniversário de Cristo. Aos 6 de janeiro,Dia de Reis, é a data em que se finalizam os festejos natalinos e, portanto, a árvore é desmontada.

Desde então, é um montar e desmontar de árvore! Mais um ano que, praticamente, se finda e cá estamos a pensar no montar e desmontar da árvore, no que cumprimos ou deixamos de cumprir. Que a árvore, aqui tratada, seja uma metáfora, um convite a “arvorear-se”, a rever os nossos processos pessoais de busca ou de recusa; rever o que colhemos ao longo de um ano, rever o que fazemos ou deixamos de fazer. E é justamente aí que mora todo martírio! Onde está escrito que devemos fazer listas infindáveis e que devemos seguir um manual de instrução? É bem verdade que o fruto que nos alimenta é o fruto do desejo, do sonho… Todos temos um ikigai! Seja pessoal ou profissional. Mas o que é Ikigai ?

É uma palavra japonesa que, em si, traz toda uma filosofia de vida. Ela se traduz no nosso propósito de vida, no que nos move ou nos faz levantar todas as manhãs para enfrentar o dia. Qual o sentido da existência? A razão de ser, ser humano!

Não dá pra sair por aí sem pensar no destino. O futuro não é responsabilidade do outro. A vida convoca cada um a construir o seu! Muitas vezes, leva a uma busca aprofundada de si mesmo e nessa caminhada descobrimos que somos cheios de vazios. Já parou para pensar que, uma parcela considerável da sociedade organizada tal como é, ao longo das oito horas por dia, necessita fazer coisas, das quais não gosta ou se identifica, para que o mundo funcione? Portanto, o diferencial está na capacidade de recriar-se a cada dia e de não sentarmos à sombra de uma árvore e, simplesmente, nos aquietarmos e nos darmos conta que a sombra se foi, restando tão somente a rígida e dura casca da vida que passou.

Que seja a nossa urgência “arvorear-se ”: podar os galhos amarelados, apodrecidos e espinhosos de nós mesmos. Que possamos ser árvores frutíferas de amoras e amores para apontarmos a beleza escondida e nos aproximarmos ainda mais do Criador.

E aqui fica o nosso convite:

         R epensar a vida

     E star em paz

                              D eletar os lixos existenciais

      E studar mais

       A rvorear -se

                    N umerar prioridades

Inovar

S orrir

        I nspirar-se

             cOnectar -se com

a fé, a esperança, a vida, o desejo, o bem!

Amém e muita paz!

Mônica Mota– Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

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