A Luta dos Movimentos Negros na Tela do Cinema

Olá, galerinha do PW! No mês de novembro, celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra, e não posso deixar de recomendar dois filmes que me inspiraram a escrever este texto: “Até o Fim” e “Selma”. Esses dois filmes são fascinantes e abordam, dentro de um contexto histórico, a luta dos negros afro-americanos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Sei que muitos  leitores devem achar irrelevante falar sobre a história de outro país, enquanto poderíamos exaltar a nossa, no entanto, esses filmes tratam, dentro de um contexto social e político, a vida de  Martin Luther King. Conhecendo um pouco da sua trajetória, vejo a influência de seus ideais no movimento negro no Brasil e no mundo.

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Martin Luther King – Disponível em Wikimedia, acessado 04/11/16

Os negros americanos foram escravizados de 1619 a 1863, todavia, mesmo com o fim da escravidão, os negros americanos permaneceram segregados por um longo tempo, apesar de a Constituição americana garantir os direitos fundamentais a todos os cidadãos. Nesse período, uma doutrina jurídica chamada “Separados, mas iguais”  permitia que o governo deixasse que os setores públicos ou  privados como de serviços, instalações, acomodações, moradia, cuidados médicos, emprego e transporte pudessem ser separados baseados na raça. Assim, os negros eram obrigados a frequentar escolas só para negros, tinham banheiros em repartições públicas e privadas destinados somente a eles e em muitos estados americanos eram obrigados a ceder o lugar num coletivo caso um branco estivesse de pé.  Outro direito civil regulamentado pela Constituição desde 1870 e negado aos negros por quase cem anos após o fim da escravidão, principalmente nos estados do sul, foi o voto. Para conter a participação dos negros pobres nas eleições, alguns estados passaram a instituir taxas ou a exigir que o eleitor passasse por uma avaliação escrita antes de votar. Essa situação é muito bem retratada no filme ”Selma”. Além disso, grupos violentos denominados Ku Klux Klan ameaçavam os negros, tentando desencorajá-los de chegar às urnas.

Muitos negros não aceitavam esse tipo de tratamento e destaco, entre eles, a atitude de Rosa Parks, mulher negra que se negou a ceder seu lugar num coletivo para uma mulher branca e, por essa atitude, foi presa. A partir da década de 60, indivíduos como Martin Luther King ,  Malcolm X, Rosa Parks  e outros passaram a lutar pelos diretos civis dos negros nos Estados Unidos. O ativista Malcolm X conduziu parte do movimento negro com o princípio da violência como forma de autodefesa. Ou seja, a violência não era uma forma de barbárie, mas um meio legítimo de conquistas, afinal as grandes mudanças na história da humanidade se deram dessa forma. Ao contrário de Malcolm X, o pastor protestante Martin Luther King conduziu o movimento negro inspirado em  Mahatma Gandhi, que tinha como princípios: coagir as autoridades através da desobediência civil e a prática da não violência. Ele organizou diversas marchas com o propósito de pôr um fim na segregação racial e de assegurar o voto a toda comunidade negra, que mais tarde teria os direitos assegurados com a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei dos Direitos Eleitorais (1965), ambas fruto desses movimentos e abordadas no filme “Até o Fim”.  Por obra da sua liderança e resistência não violenta e pelo fim do preconceito, em 1964, King recebe o Prêmio Nobel da Paz. A postura e os ideais de igualdade de King incomodaram a muito segmentos da sociedade americana, dentre eles o FBI, que, representado na pessoa a John Edgar Hoover, considerou-o um radical e comunista e por isso investigou sua vida, através de grampos telefônicos. Anonimamente, ameaçava sua vida através de cartas, que, apesar de tudo, nunca o intimidou.

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Assinatura da lei dos Direitos Civis – Disponível na Wikimedia, acessado em 04/11/16

A postura de King culminou no seu assassinato em 04 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha. Nos anos seguintes, contudo, muitos líderes dos direitos civis continuaram a trabalhar pela igualdade racial nas instâncias políticas.

A luta e os ideais de King e de seus contemporâneos repercutiram e influenciaram movimentos similares em todo o mundo, levando as comunidades negras a reivindicar por direitos de igualdade e oportunidade. Nos anos que sucederam a sua morte, o número de negros em repartições públicas, na política e mais tarde com a eleição de Barack Obama na própria presidência se tornaria marcos na história dos Estados Unidos.

Até a próxima!

Referências:

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King_Jr. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Malcolm_X. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Loyd_Jowers. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Consci%C3%AAncia_Negrahttp://escola.britannica.com.br/article/480991/Movimento-pelos-Direitos-Civis. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi. Acesso em 2 de outubro de 2016.

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Cultura Negra ao pé da letra!

Olá, pessoal!

Quem entre nós nunca ouviu ou já falou sobre Matriz Africana, Povos Tradicionais e Intolerância Religiosa? Pois é, esses são exemplos de termos usados no nosso cotidiano quando o assunto é ‘Consciência Negra’ e suas subtemáticas. Mas será que estamos fazendo uso correto destes conceitos?

Pensando nesse cuidado para com o trato destas questões, é que foi lançado em Brasília – DF, nos dias 04 e 05 de julho o texto “Povos Tradicionais de Matriz Africana” na Plenária Nacional que leva o mesmo nome. O evento faz parte da programação do III CONAPIR (Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial), que acontecerá de 5 a 7 de novembro, como parte das atividades do mês da Consciência Negra.

O texto usa como referência o decreto 6040/2007, que estabelece a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais: foi lido pela Makota Valdina Oliveira Pinto e traz em seu corpo os conceitos análogos aos diálogos sobre políticas públicas voltadas ao seguimento religioso e atividades culturais destes povos.

A proposta é repensar o que realmente significa as práticas tradicionais de matriz africana para além da religião, valorizando suas contribuições históricas para a formação cultural brasileira referendando-as.

Então, para darmos maior suporte a prática diária dos debates e mesmo as conversações com estas temáticas, selecionamos aqui alguns termos e trataremos abaixo sobre cada um de seus conceitos. Assim, cada vez mais usaremos estes com propriedade, sabendo exatamente sobre o que estamos falando, evitando o uso equivocado e colocações inadequadas.

Racismo: forma de descriminação que considera a origem racial do ser. Devem-se neste fenômeno não apenas as manifestações mais agressivas e evidentes de intolerância e ódio racial, mas também as situações de racismo implícito ou simbólico, que escapam às categorizações mais óbvias do racismo segregacionista.

Racismo Científico: quando a ciência biológica, orientada pelas características morfológicas, determina a moralidade e as diferentes capacidades das distintas raças, orientando para uma separação entre elas. Somara-se a este critério cor, forma do crânio, a estrutura do cabelo, o tipo de nariz, lábios, queixo etc.

 Desigualdade Racial: é quando os índices de desigualdades indicam uma separação de condição humana atrelada a sua raça/etnia.

 Democracia Racial: ou “harmonia racial” trata-se de conceito idealizado no Brasil do século XX, onde afirmava-se haver convivência pacífica e ausente de conflitos, preconceitos ou discriminações de base racial entre os/as que viviam no país. Durante o período final do século XIX até os anos iniciais do XX o Brasil exportou para o mundo uma imagem de paraíso racial, local onde indivíduos de raças diferentes conviver sem qualquer tipo de problema ou conflito.

Valeu galera e continuem conosco neste canal de interação!

FONTES: http://www.acordacultura.org.br/artigo-12-05-2011

http://www.seppir.gov.br/iii-conapir/2013/07/liderancas-de-matriz-africana-divulgam-texto-orientador-em-plenaria-da-iii-conapir

https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59

http://tvcultura.cmais.com.br/metropolis/entrevistas/documentario-discute-desigualdade-racial-brasileira

 

Novembro Negro – Depois dos navios negreiros, “outras correntezas”

Olá, pessoal! Tudo bem?

 

Estamos dando início ao Mês da Consciência Negra, em que se comemora algumas conquistas e busca-se outras vitórias. Esse é um momento oportuno para refletirmos acerca dos desdobramentos nas esferas política, social e cultural nos quais negros e negras estão inseridos. Foram muitos os desafios enfrentados pelos afrodescendentes desde o “fim do tráfico negreiro” e a abolição da escravatura. Apesar de toda contribuição na formação e no desenvolvimento do país, por muito tempo eles(as) estiveram esquecidos(as), desassistidos(as) socialmente, tendo que travar muitas batalhas para que seus direitos fossem reconhecidos.

Hoje, é impossível negar a marcante influência da cultura africana no nosso cotidiano, da arte a culinária, passando pela ciência, religião, música, literatura, dentre outras, ela se faz presente de forma muito intensa.

Temos personalidades negras que se destacam no cenário nacional, como o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, a Desembargadora baiana Luislinda Valois, Abdias do Nascimento, Makota Valdina, Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama, pessoas que fizeram e fazem a diferença, nos mostrando que mesmo com todas as dificuldades smos capazes de sair da invisibilidade para o reconhecimento.

Desta forma, neste mês desejamos unir ainda mais os nosso laços culturais, sociais, etc.,  em busca do verdadeiro reconhecimento da história do nosso país.

Confiram as abordagens que fizemos em anos anteriores – Cliquem aqui!

Abraços!


Agosto da Igualdade – Secretaria de Promoção da Igualdade Racial

Fala, pessoal!

Se liguem nessa importante ação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), que acaba de firmar convênio com várias entidades selecionadas através do edital Agosto da Igualdade 2012, para desenvolver ações durante o mês inteiro.

Esse projeto visa fomentar a compreensão e valorização da sociedade para um dos movimentos mais importantes da nossa história, a Revolta dos Búzios – 1798.

A Revolta teve como principais líderes negros e mulatos das camadas populares, agindo de forma sistemática com base nos ideais franceses de Liberdade, Igualdade e Fraternidade e que organizaram um levante que é considerado por muitos(as) estudiosos(as) como o primeiro movimento de caráter popular no Brasil, que lutava por direitos iguais entre as classes e etnias.

Passados mais de 200 anos continuamos trazendo à luz suas idéias, para que permaneçam enraizadas na memória não apenas da população baiana, mas de todo o povo brasileiro, pois conhecer melhor a Revolta dos Búzios é também saber mais sobre a história do Brasil.

*Saibam mais sobre esse importante momento histórico através do calendário comemorativo elaborado pela Secretaria da Educação da Bahia. Acessem e baixem gratuitamente aqui!

Abraços, galera!!

Parque Memorial Quilombo dos Palmares – Passeio Virtual

Olá, pessoal!

Tudo em paz?

Conhecer a nossa história é sempre uma aventura, não é verdade?

Pois é! Só através dela podemos de fato construir a nossa identidade para sermos atuantes na sociedade.

Trazermos à memória os momentos bons, ruins ou que marcaram a nossa trajetória, é imprescindível para o nosso amadurecimento e concepção de tudo que nos rodeia.

Desta forma, hoje queremos convidá-los para um passeio virtual na história de lutas, cultura e contribuições do negro no Brasil, através do site “Parque Memorial Quilombo dos Palmares”, mantido pela Fundação Palmares.

Primeiro equipamento do gênero no País, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares reconstitui o cenário de uma das mais importantes histórias de resistência à escravidão ocorridas no mundo: a história do Quilombo dos Palmares – o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de escravos das Américas. Nele, reinou Zumbi dos Palmares, o herói negro assassinado em 20 de novembro de 1695, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.”

Esse recurso nos permite chegar até Alagoas, mais precisamente no alto da serra da barriga, onde foi fundada a República Livre de Palmares, local tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985. Lá poderemos conhecer mais sobre uma das comunidades quilombolas de maior importância do país.

Então, vamos até lá guerreiros (as)?!

Passeio Virtual: Clique Aqui ou na imagem abaixo!

 

A nossa luta continua, disto depende a nossa história.

Abraços!

Fonte: http://serradabarriga.palmares.gov.br/; http://www.palmares.gov.br/

Cine PW – Abdias, Raça e Luta

Olá, pessoal!

Hoje o Cine PW é mais que especial!

Lançado pela TV Senado, no dia em que celebramos a abolição da escravatura (13 de maio), está disponível o documentário “Abdias, Raça e Luta” no hotsite homônimo, que nos presenteia com um excelente relato da vida, obras e depoimentos sobre um dos precursores do movimento negro no Brasil, ativista politico, poeta, artista plástico, escritor e ator, Abdias do Nascimento.

Sua trajetória marcou toda uma geração que lutou pelos direitos de igualdade para a população afrodescendente no país.

Há um ano, Abdias nos deixou, mas os seus ideais estão abrigados nos corações de todos aqueles que têm vontade de viver e coragem de lutar por um país livre e de igualdade para todos.

Documentário Abdias, Raça e Luta: Clique aqui!

Bom, é isso aí galera.

Abraços!

Fonte: http://www.senado.gov.br/noticias/tv/hotsites/abdias/

Homenagem de encerramento do Mês da Consciência Negra

Olá pessoal!

Hoje encerramos o mês comemorativo da Consciência Negra.

Sabemos que foram muitos os desafios enfrentados pelos negros através dos séculos, porém a sua resistência foi maior que a dureza com a qual foram tratados; e parte importante dessa resistência se deve a força da religiosidade e da ancestralidade, fatores fundamentais na luta pela sobrevivência.

Por isso, é necessário compreendermos os africanos como parte fundamental da formação da nossa sociedade. A sua cultura pode ser vista das diferentes formas seja através da culinária, na dança, na capoeira ou nas representações religiosas. O fato é que, tudo que entendemos hoje por identidade nacional tem a participação do povo negro.

Deixamos aqui os nossos agradecimentos a todos aqueles que direta ou indiretamente atuam como sujeitos transformadores da história, transformação essa consciente de que independente da cor da pele, nós somos todos humanos.

Lembrando que a nossa luta por igualdade não se limita apenas a uma data, mas deve estar presente em nosso cotidiano.

Essa é uma homenagem da equipe do Professor Web a todas as pessoas que lutam diariamente contra qualquer forma de preconceito, representadas neste painel por alguns dos  funcionários do Instituto Anísio Teixeira (IAT).