Vc jaH imaginoW te D encaraH 1 textU TdO escritU assim?

    A escrita surgiu tardiamente, se comparada ao aparecimento da linguagem, mas, sem dúvida, trouxe importantes mudanças no mundo: desenvolveu a comunicação entre os homens, permitindo-lhes derrubar barreiras que serviam de distanciamento entre grupos, oportunizou intercâmbio, trocas de informação, preservação da memória, além de favorecer o desenvolvimento intelectual do ser humano.

    Este processo segue em constante evolução, afetado fortemente pelo avanço das novas tecnologias, mais recentemente pelas chamadas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). A partir do final do século passado, a internet e, mais especificamente, a comunicação por ela proporcionada, revelou-se como a maior revolução na comunicação, desde a invenção da escrita. Todos os meios de comunicação até então em uso proporcionaram, de modo mais ou menos incisivo, modificações na sociedade e na visão de mundo das pessoas e contribuíram, fundamentalmente, para a agilidade e eficiência da comunicação. A internet, entretanto, proporcionou, além disso, a extensão de algumas das nossas capacidades naturais: ela nos permite apreciar coisas que naturalmente não poderíamos ver e, além disso, interagir com elas, tocando-as em sua realidade virtual; ouvindo o que desejamos, conversando com quem não conhecemos, entre outras façanhas.

    A internet também vem inaugurando alterações na forma de escrita, tendo inclusive uma abordagem própria: a linguagem virtual ou o “internetês”, como é chamado popularmente. Trata-se de uma linguagem informal, baseada na simplificação da escrita, com recursos que a transformam em uma linguagem taquigráfica, fonética e visual, observada especialmente no chat do Facebook, Twitter, Instagram, e, sobretudo, no WatsApp. Na expressão “Q 9da10 vc ten?”, temos um exemplo da linguagem comumente utilizada nestes aplicativos e para acessá-la – “Que novidades você tem?” – é necessário recorrer especialmente à visão. É que nesta nova linguagem as palavras são, sobretudo, vistas. O que se vê (lê) não são palavras tal como as conhecemos em seu formato ortográfico, mas símbolos codificados que evocam no leitor palavras reais. É vasto o repertório: vc – você; blz – beleza; naum – não; cmg – comigo; neh – não é; kd – cadê; flw – falou; blza – beleza, entre outros. Como bem referiu Joel Birman, UERJ, em recente colóquio “Psicanálise, Educação e Política em tempos incertos: che vuoi?“, promovido pela UNEB: entre os adolescentes, maiores usuários das redes sociais, observamos “uma linguagem rica com muita metonímia e pouca metáfora“. Este recurso é absolutamente novo, se assemelha, mas não se confunde com siglas ou acrônimos. Uma sigla resulta da redução de um grupo de palavras às suas iniciais, de acordo com a designação de cada letra; acrônimo, por sua vez, compreende-se como a junção de letras ou sílabas iniciais de um grupo de palavras e se pronuncia como uma palavra só, respeitando a estrutura silábica da língua. Tão vasto quanto pontos de interrogação, exclamação e reticências, os emoticons e gifs são excessivamente utilizados. Tudo com a intenção de emprestar à escrita uma entonação mais próxima da fala e tornar a conversa mais atrativa.

Fonte: Wikpedia.org/wiki/internet%C3%AAs

    O “internetês” tem trazido uma nova preocupação entre os educadores. Muitos deles predizem que o uso das novidades virtuais pode ocasionar a perda dos padrões ortográficos e escritas cada vez menos adequadas a outros contextos de produção. Em oposição a essa ideia, outros consideram benéfica a influência da internet na construção da linguagem pelos adolescentes, que estão, muitas vezes, aprimorando o processo de produção escrita. “[…] Jamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto”, diz Fernanda Maria Pereira Freire, pesquisadora que atua na área de Linguagens e Tecnologias. Ela defende que a comunicação mediada por computadores têm permitido o exercício da linguagem escrita de maneira diferenciada e destaca que “ferramentas para a produção escrita (editores de texto, de páginas web, de histórias em quadrinho) e para a comunicação à distância (bate-papo, icq e correio eletrônico) inauguram novas condições de produção de discurso, integrando elementos originais ao que hoje denominamos leitura-escrita.” Nas telas e não nos papéis impressos, mais uma característica do internetês é o uso de onomatopéias para representar um som ou enfatizar determinada sílaba. Isso promove nos interlocutores a compreensão de como determinada palavra deve ser lida e que intenções carregam.

    Esta forma de comunicação divide opiniões, como antes fora dito. Podemos considerar, entretanto, que “nenhum instrumento ou tecnologia inventada pelo homem pode ser intrinsecamente positivo ou negativo, certo ou errado, útil ou perigoso. É só a utilização que disso se faz que pode ser julgada com regras éticas”, como sinaliza Roberto Fasciani. E é esta a discussão que deve ser estimulada nas escolas e outros espaços de educação.

Lilia Rezende
Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

 

Referências:
FASCIANI, Roberto. Novas tecnologias informáticas, mass media e relações afetivas.
FREIRE, Fernanda M. P. A palavra (re)escrita e (re)valida via Internet. In: SILVA, Ezequiel T. da (Coord.); FREIRE, Fernanda; ALMEIDA, Rubens Queiroz de; AMARAL, Sergio F. do. A leitura nos oceanos da internet. SP: Cortez, 2003. 127 p. p.19-32.

O “Internetês” e a Língua Portuguesa

Olá, pessoal!

A cada dia estamos mais envolt@s pelo mundo digital, resultado da evolução tecnológica que trouxe, entre outros aspectos, mudanças na forma com que nos relacionamos e comunicamos.

Não é raro vermos, em um rápido acesso nas redes sociais da internet, uma linguagem diferente, que nem sempre conseguimos identificar ou, poderíamos dizer, “decodificar”: estamos falando do Internetês”.

PW-internetes-2013

No turbilhão das informações automáticas em rede essa forma de expressão pela palavra surgiu entre @s adolescentes que buscam formas rápidas de conversação nas salas de bate-papo, bem como nos mensageiros instantâneos.

Mas, surge o questionamento: quanto o uso desse vocabulário pode influenciar nas relações formais desses jovens?

É necessário o ponderamento e maior consciência por parte d@s usuári@s e adept@s desta prática, pois ao dominarem apenas esta escrita correrão o risco de empobrecerem o seu conhecimento e uso da Língua Portuguesa, fator que pode pesar negativamente em ambientes ou situações em que um bom domínio da linguagem formal é essencial, tal como na escola, ao redigir um texto, no trabalho, etc.

Portanto, é preciso compreender que, por mais que a nossa vivência no ciberespaço influencie as interações sociais fora dele, temos que atentar para o contexto em que estamos inseridos no momento do diálogo, para quem estamos destinando a mensagem, e a partir disso escolhermos entre o formal ou o informal, neste caso o “internetês”.

Nós queremos saber – Vcs usam o internetês com frequência? PQ?

Deixem abaixo os seus comentários.

Vlw, amig@s!”