Povos Indígenas e a Tecnologia

E aí, galera! Será que conhecemos mesmo os nossos povos?

Atualmente muitas pessoas ainda acreditam que os povos indígenas devem viver reclusos na mata, isolados da civilização e longe das tecnologias.

“Estar incluído nas novas tecnologias não altera em nenhum momento a identidade de nenhum povo, a identidade indígena continua viva e crescendo a cada dia. Identidade étnica não altera com sua profissão, ou com seu meio de comunicação. A identidade indígena está nos traços natos, nos ideais, na natureza está no dia a dia, está com cada um cidadão que faz parte dessa imensa família chamada indígena.” (Alex Maurício – ÍNDIO QUER SE CONECTAR E ENTRAR NA REDE, Publicado em: 28/06/2012)

Figura 1- Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil, Indígena utilizando o computador e um smartphone.

Figura 1- Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil, Indígena utilizando o computador e um smartphone.

A internet não torna os indígenas menos indígenas, ela da voz aos nossos povos a nível global, facilita a comunicação entre diversas aldeias, através da internet os povos indígenas podem ser ouvidos, podem fazer denúncias, podem compartilhar sua cultura. Não é preciso muitas pesquisas para perceber que eles já estão se apropriando das tecnologias, através de smartphones e computadores, com acesso internet, os índios perceberam que poderiam gerar seus próprios conteúdos digitais, e com isso diversos sites indígenas foram criados por eles, para que pudessem utilizar a internet para se comunicar, compartilhar a sua arte, história, música entre outros, e tudo isso sem a intervenção de terceiros, essas iniciativas devem ser incentivadas por todos nós, o conhecimento deve ser compartilhado sempre e dessa forma poderemos nos aproximar, conhecer e compartilhar cada vez mais a história dos nossos povos, contadas por eles mesmos.

Afinal a internet quando bem utilizada pode ser uma ferramenta muito poderosa de união e compartilhamento de ideias e ideais.

Alguns sites indígenas:

http://www.indioeduca.org

http://www.tupivivo.org/

http://radioyande.com

Gabriel Luhan – Colaborador da Rede Anísio Teixeira

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A ciência indígena

É senso comum entre as pessoas achar que os índios que aqui viviam antes da chegada dos portugueses não tinham nenhum conhecimento científico e matemático. Infelizmente, a cultura ocidental só aceita como verdadeiro o conhecimento matemático e científico produzido pelos gregos e por grandes expoentes da Ciência, como Galileu Galilei, Isaac Newton, Einstein e outros; desconsiderando, assim, qualquer outro tipo de produção que não fosse daqueles cientistas. Cada grupo de mesma cultura, mesma língua, possui um modo particular de desenvolver seu conhecimento científico e matemático.

As comunidades Aruak, por exemplo, cujas principais tribos eram aruã, pareci, cunibó, guaná e terena, tinham uma forma bem diferente de contar. No seu sistema de numeração, não há números do sistema decimal, tais como dois, três, quatro, cinco… Nesse sistema, os cálculos eram feitos através da correspondência um a um, conhecida como sistema de numeração de base um. Por exemplo, um homem não pensa: “Vou cortar quatro estacas de madeira para fazer uma casa”. Ele pensa: “Vou cortar uma estaca para cada canto da casa”. Com esse tipo de cálculo biunívoco, não é necessário uma grande quantidade de caracteres numéricos. Mesmo assim, tendo apenas um único termo numérico, esse sistema é sensato e adequado às necessidades dos povos que utilizam-no. Já as comunidades do Alto Rio Negro, adotam o sistema de numeração de base pentanumérica, cuja origem é explicada na existência dos cinco dedos das mãos. Ou seja, o número cinco significaria literalmente “uma mão”. Por exemplo, o número quarenta, pode ser representado por dois homens, pois cada homem tem vinte dedos, levando em consideração os dedos dos pés.  PeixesAté o seu sistema de medida está totalmente adaptado às suas necessidades. Por exemplo, quando eles querem construir seus arcos e flechas, as dimensões desses instrumentos, bem como da corda que compõe o arco, são proporcionais a seus braços. Note-se que o braço, então, é utilizado como unidade de medida. Já na medição do tempo, estamos habituados com unidades como o dia, a semana, o mês; enquanto algumas comunidades indígenas contam o tempo por luas.

Portanto, as diferenças nos sistema de numeração, medida e contagem do tempo entre os indígenas e os povos da cultura ocidental são grandes e variam conforme a necessidade de adequação ao meio social, natural, econômico, mítico e sobrenatural em que cada comunidade se encontra.

Já no campo da tecnologia, destacam-se a confecção de artefatos como o arco, flecha e a lança, utilizados na antiguidade como armas de guerra e hoje usado para a caça, pesca, rituais e jogos. A construção destas armas varia de acordo com cada comunidade. Na maioria delas, o arco é feito do caule de uma palmeira chamada tucum, de cor escura, muito encontrada próxima aos rios, enquanto que a flecha é feita de uma espécie de bambu, chamada taquaral ou caninha. A ponta geralmente é de ossos ou dentes de animais, sendo que cada etnia utiliza uma tecnologia diferente.

Na Ciência, destaca-se o conhecimentos de Física que algumas comunidades utilizam nos jogos indígenas. Dentre as modalidades, a prova do ‘Arco e Flecha’ consiste numa competição individual em que o participante deve atingir o alvo, geralmente o desenho de um peixe, colocado a 30m de distância. Essa prova envolve uma habilidade muito grande do arqueiro. Apesar de não conhecerem as leis que estão por trás do lançamento de um objeto, muitas dessas comunidades conhecem o ângulo de lançamento que lhes permitem obter o alcance máximo (a saber, 45°) e se utilizam da intuição e do conhecimento popular para obter sucesso no lançamento de flechas. Através da equação do alcance:  A={[(V0)²/g]×sen(2θ) , formulada por Galileu, podemos confirmar que de alguma forma, não sabemos como, esses povos chegaram a esses valores sem o uso da Matemática convencional. O certo é que o valor máximo do alcance ocorre quando senφ = 1 e esse resultado só ocorre quando o ângulo ‘φ’ é de 90°, como φ=2θ , então concluímos que 90°=2θ , logo θ=45º.

arcoFonte: http://www.educacaofisica.seed.pr.gov.br/arquivos/Image/em_foco/arco.jpg

Outra modalidade muito popular entre eles é o cabo de guerra, cujo objetivo é medir a força e a técnica de cada grupo. Entre os indígenas, essa é uma das provas mais aguardadas; isso porque, para eles, a força física é de suma importância, dando o caráter de destaque e reconhecimento entre todos da comunidade. O conceito de força é explicado pela ciência contemporânea através da 2ª lei de Newton, formulada pelo físico Inglês Isaac Newton. Segundo essa lei, a força é o produto da massa do corpo pela aceleração adquirida por ele. Newton, além de um notável matemático, possuía um habilidade muito grande na construção de instrumentos. E, para medir a força, ele desenvolveu um instrumento chamado dinamômetro, que mede a força baseada na proporcionalidade existente entre força e deformação (essa proporcionalidade foi estabelecida por Robert Hooke). Apesar de não possuírem nenhum instrumento para medir a força física dos seus guerreiros, acredita-se que era através desta modalidade esportiva, que as comunidades primitivas mediam e desenvolviam a coragem e os limites da capacidade física dos seus guerreiros. Ou seja, através do cabo de guerra era possível selecionar os guerreiros com maior força e preparo físico.

cabo_d_guerrahttp://www.educacaofisica.seed.pr.gov.br/arquivos/Image/em_foco/cabo_d_guerra.jpg

Através deste breve histórico, pudemos conhecer um pouco mais sobre o conhecimento matemático e científico das diversas comunidades indígenas existentes no Brasil. Percebemos que, ao contrário do que muitos pensavam, esses povos possuem a sua própria forma de contar, medir e construir um conhecimento científico que é sensato e adequado às suas necessidades. Esse conhecimento foi produzido a partir da sua interação com a natureza e com outros indivíduos, e aos poucos vem sendo resgatado por essas comunidades e suas escolas indígenas. Todas as situações pontuadas neste texto sugerem a riqueza de conhecimentos que envolvem as práticas indígenas e como elas podem ter aproximação com a Física e a Matemática estudadas nas nossas escolas, contribuindo assim para uma prática escolar que respeite e compreenda a cultura dos povos indígenas.

André Soledade e Samuel de Jesus

Bibliografias

Fontes: Secretaria de Educação do Paraná, UFSC, Editora Realize e ENEM10.  Acessados em 15/04/2014

Postagens sobre os povos indígenas

Olá, pessoal!

No blog do Professor Web, essa semana foi de compartilhar e se arriscar a escrever sobre uma pequena parte da história dos povos indígenas – que pretendemos continuar a contar. Nos materiais que pesquisamos fica claro que não existe o que comemorar e foi com base em depoimentos e textos divulgados nas mídias geridas por representantes dos povos indígenas que escrevemos nossas postagens ao longo dessa semana. Pedimos desculpas caso a equipe tenha cometido algum equívoco na abordagem. Esperamos receber as críticas, pois é um aprendizado que resolvemos buscar ao invés de ignorar a existência de conflitos vivenciados por estes povos. Nossa intenção foi abrir um canal de diálogo e de interação e, a partir desse objetivo, buscamos inspiração nos vários sites indicados ao longo da semana que podem ser muito úteis para atividades de educação. Acreditamos que não há ninguém mais apto para falar da cultura indígena do que cada um dos inúmeros povos espalhados pelo Brasil, mas temos todo o interesse em abordar temas relacionados para poder divulgar o trabalho que vem sendo feito por eles. Esperamos ter ajudado e gostaríamos de contar com a colaboração de vocês para continuar dando visibilidade à causa indígena.

Visite postagens da equipe do Professor Web sobre o tema.

https://oprofessorweb.wordpress.com/tag/povos-indigenas/

Abraços!

Cine PW: Produções Indígenas

Salve, turma!

O Cine PW homenageia hoje as centenas de comunidades indígenas e suas produções audiovisuais, que refletem a preservação de sua cultura e os desafios sociais vivenciados por cada etnia.

 MBYÁ REKO PYGUÁ, a luz das palavras 

Sinopse:A sensibilidade do povo guarani em educar as crianças permanece viva apesar das influências urbanas. Mas esforços dos professores indígenas são marcados por dilemas, buscas, encontros e desencontros. Este registro todo gravado em guarani na aldeia Yynn Moroti Wherá, em Biguaçu (SC), comprova: espiritualidade, simplicidade e verdade traduzem a luz dos guarani no seu processo de educação.” (saiba mais)

GUARANI, povo da mata e da floresta

Sinopse: “Karay Tataendy é cacique na aldeia Mymba Roká (Biguaçu, SC) e um dos 100 alunos do curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica (UFSC), vindos de vários estados. Os desafios da primeira faculdade dirigida a povos indígenas do país tem grandes desafios: capacitar professores com ferramentas e conhecimentos e, ao mesmo tempo, reforçar os valores da própria língua e tradição.” (saiba mais)

Além das duas indicações acima, o Cine PW sugere os portais Índio Educa, Oca Digital e Índios Online que possuem acervos com peças audiovisuais produzidas pelas/com comunidades indígenas.

Confiram outros vídeos, relacionados – Cliquem: aqui, aqui e aqui

Cinco séculos de resistência

Salve, turma!

A chegada de colonizadores portugueses na terra que viria a ser o Brasil, é marcada pelo extermínio de vários povos indígenas. Nos primeiros séculos de colonização inúmeros índios foram mortos em combates, escravizados, centenas de povos foram dizimados pela fome e por epidemias contraída dos europeus.

No século XVI havia cerca de 2000 povos indígenas no Brasil, vestígios arqueológicos apontam que no ano 1000, havia cerca de 5 milhões de índios na região amazônica. No entanto, ao longo dos séculos a colonização, preconceitos, violência causadas por conflitos fundiários, ausência de leis e politicas de amparo resultou no desaparecimento diversas etnias.

Hoje, no Brasil, vivem 817 mil índios, cerca de 0,4% da população brasileira, na Bahia se encontra cerca 40 mil índios de 15 etnias e em Salvador são mais de 7 mil índios¹, segundo dados do Censo 2010. As comunidades indígenas brasileiras estão distribuídas entre 688 Terras Indígenas e algumas áreas urbanas. Há também 82 referências de grupos indígenas não-contatados, das quais 32 foram confirmadas. Existem ainda grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.²

Apesar da discriminação e injustiças históricas, os povos indígenas têm lutado para conquistar espaço na sociedade e garantir seus direitos à terra, educação e saúde. Muitos procuram manter sua cultura viva, apreendendo o idioma de sua etnia, valorizando conhecimentos e práticas ancestrais que marcam sua vida cotidiana e reafirmando sua identidade indígena.

Fonte: Indígenas IBGE, FUNAI

Homenagem aos Povos Indígenas – 513 anos de silenciamento e usurpação

Olá, pessoal!

Os séculos de usurpação material, opressão física/moral e silenciamento brutal das comunidades indígenas que habitam, muito antes de nós, este país, geram negação da diversidade cultural, religiosa, ideológica desses sujeitos. Mesmo sendo partícipes da dinâmica e interação social na história brasileira, continuam a ser vítimas das atrozes consequências destes e de outros fatores, que afetam diretamente a sua integridade como povo.

No instante em que, o bem mais sagrado para as famílias – o lar, violentamente subtraído – antes, pelas mãos dos invasores portugueses, hoje, pelos canos das armas de grileiros que, visando a apropriação de terras para o comércio ilegal destas, trazem medo às comunidades indígenas remanescentes, cerceia-se portanto, a necessidade básica e natural de enraizar/ perpetuar suas tradições, tão importantes para a configuração social em que estão inseridos(as).

Para um melhor entendimento sobre a real situação que vivem muitos/as índios e índias atualmente, cliquem aqui e confiram, a entrevista concedida ao Blogueiras Feministas, o desabafo/denúncia da jornalista indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe, Olinda Muniz Wanderley, que reforça a necessidade que urge, para uma real mobilização e integração dos diversos setores da sociedade, em busca de amparo e reparação em favor dessas comunidades, que são democraticamente constituídas por cidadãos /ãs brasileir@s.

Confiram também, o vídeo com depoimento da jornalista na campanha – Virando o jogo.

Em face dessa realidade, precisamos reconhecer e valorizar ainda mais as contribuições desses/as guerreir@s para a nossa formação, pois o nosso idioma, culinária e muitos hábitos são resultado da rica soma de valores vindos deles/as também.

Abraços!

Fonte: Wikipédia; Blogueiras Feministas; Planalto.gov

Homenagem aos Povos Indígenas – Identidade e Resistência

Olá, pessoal!

Esta é uma semana muito especial para tod@s nós!

Hoje (19/04), comemora-se oficialmente em nosso país, o Dia do Índio. Para aqueles(as) que não vivenciam em seu cotidiano essas discussões, sugerimos que aproveitem esse momento para iniciar ou aprofundar mais os estudos sobre essa temática tão importante para refletir sobre a história da formação do povo brasileiro. Mergulhar neste debate é fundamental para o entendimento dos mais diversos povos indígenas que aqui habitam, desde fatos relatados do então “Descobrimento”, até os dias atuais.

Por acreditarmos que apenas um dia não seria suficiente para conhecermos mais da cultura indígena, suas tradições e relação com o meio, damos início a uma série de abordagens nesse contexto, na Homenagem aos Povos Indígenas, aqui no blog.

 PW-dia-INDIO-post

No decorrer desses dias, faremos um paralelo sobre a resistência dos povos originários de nosso país, a opressão colonizadora, a sua rica contribuição para a construção dos diversos valores de nossa sociedade, com a realidade vivida por estes atualmente.

Será de fato oportuno também, para a quebra dos paradigmas criados ao longo dos anos acerca desses povos, uma discussão mais aprofundada e que reconheça as contribuições trazidas para este debate pelos representantes deste grupo social. Apesar de estarem aqui antes da dominação portuguesa e da imensidão territorial que lhes permitia a liberdade( em sua essência), hoje são obrigados a conviver com demarcações, que limitam não apenas o seu espaço físico, mas sim, a sua interação social e identidade.

Confiram abaixo, alguns textos dentro dessa temática, que já foram publicados por aqui: Cliquem aqui

Sugerimos também uma publicação do Portal Índio Educa – O que (não) fazer no Dia do Índio

Abraços!

Fonte: Portal Índio Educa