A Matemática Inclusiva

Nos últimos anos, temos percebido uma mudança muito grande nas repartições e meios urbanos  no que se refere à promoção da acessibilidade. Lembro-me como se fosse hoje:  eram raros  os espaços atentos a esta  questão, o  que dificultava ou mesmo inviabilizava a circulação de cadeirantes ou indivíduos com mobilidade reduzida nesses espaços. Há pouco tempo, não era difícil encontrarmos escolas com corredores muito estreitos, caixas eletrônicos com altura inacessível a cadeirantes, espaços urbanos  sem rampa de acesso, sinaleiras sem sinais sonoros e etc.

Na verdade, de lá pra cá, todas as mudanças ocorridas nestes últimos anos, teve uma motivação fundamentada em eventos históricos. As primeiras discussões sobre o tema só surgiram nos Estados Unidos, fruto dos heróis de guerras que sofreram mutilação na Segunda Guerra Mundial e Vietnã. De lá pra cá, muitas mudanças ocorreram. Em 1981, a Organização das Nações Unidas publicou as Normas sobre a Igualdade de Oportunidades para as Pessoas com Deficiência. No Brasil, em 1985, através da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, foi lançada a Norma Técnica NBR9050, que trata sobre acessibilidade às edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos.

O processo de projetar ambientes cada vez mais abrangentes e menos restritivos é um desafio para os arquitetos e engenheiros. É através da Matemática que os profissionais da área conseguem tornar esses projetos uma realidade. Ela é utilizada para determinar a largura e declividade dos passeios, dimensões e área de vagas em estacionamentos públicos, ângulos de rotação para manobra de cadeiras de rodas, altura ideal para manipulação de comandos, controles de elevadores, sinalizações de trânsitos e etc.

 Para facilitar o trabalho destes profissionais, a NBR 9050 possui um conjunto de determinações e normas, referentes à acessibilidade, nos projetos de arquitetura, urbanismo e transporte, assim como no planejamento de equipamentos, acessórios, comunicações e serviços. Para aplicar essas normas, o arquiteto utiliza uma série de conceitos matemáticos, que envolvem desde o simples ato de mensurar, até o de cálculos mais complexos, como o de áreas e inclinações de rampas.

 O projeto desses espaços requer alguns cuidados, especialmente, para os cadeirantes. A dificuldade que eles enfrentam para se deslocar demanda corredores de circulação que tenham largura mínima de 0,90m, uma vez que o módulo de referência (projeção de 0,80m por 1,20m no piso, ocupada por uma pessoa utilizando cadeira de rodas) tem largura de 0,80m.

 André

As áreas destinadas para manobra de cadeiras de rodas sem deslocamento devem ter medidas que permitam que o cadeirante efetue giros de 90°, 180° e 360°. Para efetuar um giro de 90°, a área deverá ter medidas de 1,20m x 1,20m; para rotação de 180°, a área deverá ter medidas de 1,50m x 1,20m e para rotação de 360°, a circunferência deverá ter diâmetro de 1,50m.

André1

Outro cuidado importante refere-se à ergonomia dos mobiliários e equipamentos. Itens como mesa de trabalho e estudos, caixas eletrônicos, bilheteria, telefones públicos, dentre outros, devem estar adequados aos cadeirantes. A ilustração a seguir reúne uma série de medidas e ângulos que devem ser observados na adequação desses equipamentos e mobiliários:

André2As vagas de estacionamento destinadas aos cadeirantes também devem atender a uma série de normas. A área destinada ao estacionamento de cadeirantes, sejam eles condutores ou não, deve facilitar seu embarque e desembarque. Assim, o primeiro item a ser observado, é a sinalização horizontal e vertical, indicando que se trata de uma vaga especial, além disso, a vaga deve contar com uma área lateral, destinada ao desembarque e circulação de cadeirantes. Para que essa área de circulação atenda às normas técnicas, ela deverá ter no mínimo 1,20m de largura, e deverá estar devidamente sinalizada por faixas transversais amarelas pintadas no chão, para que não sejam obstruídas; impedindo, assim, a circulação de cadeirantes.

André3

Não podemos deixar de fazer referência ao acesso aos banheiros e vestiários,  que devem obedecer aos parâmetros da norma  no que diz respeito à instalação de bacia, mictório, lavatório, boxe de chuveiro, acessórios e barras de apoio, além das áreas de circulação, transferência, aproximação e alcance, ou seja, todos os itens tratados nesse texto deverão ser observados, agregados a elementos como barras de apoio que, segundo a norma, devem suportar a resistência a um esforço mínimo de 1.500N, em qualquer sentido e estar firmemente fixados na parede.

Todos esses exemplos nos mostram a importância da Matemática na viabilização e construção de espaços inclusivos. Todavia, sem esses conhecimentos elementares dessa área do conhecimento, arquitetos e engenheiros teriam muita dificuldade para executar esses projetos.

Quer aprender mais sobre o tema? Não perca tempo, acesse agora, o Ambiente Educacional Web, AEW,  e tenha acesso a uma grande variedade de objetos educacionais que tratam da inclusão.

André Soledade

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

 

Referência:

Portal Ambiente Educacional Web. Disponível em:<http://bit.ly/1plsrD2> Acesso em 25 de julho de 2015.

Portal vida mais livre. Disponível em:<http://www.vidamaislivre.com.br/colunas/post.php?id=479&/quando_e_onde_comecaram_a_falar_em_acessibilidade> Acesso em 25 de julho de 2015.

Portal da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Disponível em:<http://www.abnt.org.br/> Acesso em 25 de julho de 2015.

Todas as figuras foram retiradas da NBR 9050.

Anúncios

GINGA – CORPO E CULTURA (1ª edição)

Trabalhar com inclusão no espaço educacional é um desafio que deve ser superado cotidianamente no fazer pedagógico de cada docente. A primeira edição da série GINGA – CORPO E CULTURA apresenta os desafios e as possibilidades de práticas corporais para pessoas com deficiência.

Professores, estudantes e especialistas mostram a relevância da Educação Física no currículo escolar e as experiências, em espaços educacionais, de pessoas com deficiências praticando atividades relacionadas à proposta da Educação Física.

Este objeto educacional tem como um de seus objetivos, contribuir com o planejamento e a prática pedagógica do professor, construindo aulas/encontros com os estudantes de forma dinâmica e prazerosa.

O Guia Pedagógico que acompanha este Objeto Educacional (OE), além de apresentar a proposta da série (GINGA) sugere uma atividade interdisciplinar que pode ser vista como um parâmetro, mas é com referência na realidade de cada unidade educacional que as atividades devem ser construídas.

Pessoas com deficiência estão presentes nos bancos escolares e devem ser respeitadas. O olhar para estes sujeitos não deve versar apenas aos limites arquitetônicos, corporais, mas no potencial e na capacidade de cada sujeito que compõe o grupo, incluindo os estudantes com deficiência, que tem uma limitação aparente.

A parceria com a família e com a escola, a sensibilização do grupo, o diálogo, a criatividade, a construção e vivência de experiências positivas são algumas possibilidades para uma inclusão humanizada.

Os jogos/brincadeiras, a dança, os esportes, as lutas, a ginástica são elementos da cultura corporal e que devem ser acessados, vivenciados, resignificados pelo homem e a escola é um importante espaço para socialização dessas práticas construídas ao longo da história da humanidade.

Professores podem organizar aulas a partir deste material, adaptando a realidade da unidade de ensino e da turma.

Vale à pena consultar e compartilhar este Objeto Educacional.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/1516

Dia Nacional da Lei da Libras – Por uma sociedade inclusiva!

Olá, pessoal!

Em 24 de abril de 2002, foi sancionada a Lei 10.436, a partir de então, nesta data celebramos o Dia nacional da lei da libras.

Muito além das celebrações, essa Lei, figura como uma conquista para a comunidade surda em nosso país, pois reconhece a Língua Brasileira de Sinas – Libras, como meio legal de comunicação e expressão, assegurando assim, o uso e difusão desta, que é própria e natural da pessoa surda.

Embora o acesso igualitário a educação, trabalho, bens ou serviços, seja legalmente instituído, sabemos que a realidade das pessoas com deficiência não corresponde ao que podemos qualificar de, no mínimo ideal, visto que, ainda vivemos em uma sociedade pouco inclusiva e de políticas públicas ineficazes.

Podemos mudar essa prática, ao tomar algumas atitudes como, por exemplo, buscar aprender a língua de sinais para viabilizar a interação com os/as surdos/as. Essa ação fortaleceria a luta pela participação efetiva e garantia de inserção plena destes/as nos processos sociais, tanto pelos meios públicos, quanto privados, garantindo assim reais avanços.

Acessem o Dicionário da Língua Brasileira de Sinais e conheçam um pouco mais!

 PW-LIBRAS-2013

Essa é uma data para refletirmos e nos conscientizarmos de que, ainda há muito a ser feito para que o direito das pessoas com deficiência seja uma realidade em nossa sociedade, bem como as oportunidades e acesso a bens e serviços sejam de fato para todos/as.

*Confiram também: DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005.

Abraços!

Fonte: AcessoBrasil; Planalto.gov; Wikipédia; Portal Justiça

Seminário sobre trabalho para deficientes inscreve até 20 de abril

Estão abertas as inscrições gratuitas para o seminário Geração de Trabalho e Renda para Pessoas com Deficiência. Os interessados em participar têm até o dia 20 de abril para enviar seus dados (nome e instituição a qual está ligado) para seminarioempregabilidade@hotmail.com. O evento será realizado no dia 25 de abril das 13h às 17h30, no auditório do Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia  (Av. Sete de Setembro, nº 308 – Corredor da Vitória).

image_0_1

Destinado para Instituições, pessoas com deficiência, reabilitados, trabalhadores, empresários, entidades sindicais, estudantes e educadores, o seminário vai discutir a inserção de deficientes ano mercado de trabalho e a geração de renda. A coordenação da mesa será da procuradora do trabalho do MPT na Bahia Larissa Santana Leal Lima.

O seminário contará com palestra da coordenadora nacional do Projeto Inserção de Pessoas com Deficiência (PCD) no mercado de trabalho e assessora da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), Fernanda Maria Pessoa di Cavalcanti, que abordará o tema “A política do Ministério do Trabalho referente à empregabilidade de pessoas com deficiência”.  

Estará presente também a responsável técnica de reabilitação profissional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Angela Andrade Dias, que discutirá o tema “Reabilitação profissional e a inclusão do trabalhador com deficiência no mercado de trabalho”. Além disso, o evento contará ainda com palestra da juíza do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na Bahia Débora Rego e um painel sobre práticas de geração de emprego com a participação do professor e funcionário da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) Jenilson Ferreira de Souza.

O evento é uma iniciativa da Câmara Temática de Promoção da Igualdade de Pessoas com Deficiência, da Agenda Bahia do Trabalho Decente em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Coede) e o apoio do MPT.

Fonte: http://www.prt5.mpt.gov.br/module/publicacoes/publicacao.php?id=3019

Deficiência visual e Literatura – O livro com duas escritas

O mundo foi escrito em vários alfabetos”

Bartolomeu Campos Queirós

 Olá, pessoal!

No nosso cotidiano, a visão é um dos sentidos mais explorados, desde dirigir um carro, ir ao cinema, ler uma revista ou ao atravessar a rua. Os estímulos visuais estão por toda parte, em cores, formas e movimentos. Estamos muito ligados àquilo que podemos ver, e, na maior parte dos casos, a comunicação está diretamente voltada para o processo de captação e interpretação das informações visuais que nos rodeiam.

Saibam mais sobre a visão – Cliquem aqui!

Captura de tela de 2015-09-03 09:20:59

Mas, que tal refletirmos sobre a situação das pessoas que não podem enxergar totalmente ou parcialmente?

Pois é! Vivemos em uma realidade social, que se constituí e amolda apenas em torno das pessoas que não dependem de adequações estruturais – desfavorecendo assim, as que necessitam do mínimo de mobilidade para locomoverem-se com a autonomia e acesso a bens ou serviços de maneira igualitária.

Podemos citar a literatura como exemplo, pois, grande parte desta é destinada para os videntes, em detrimento aos cegos e deficientes visuais, que precisam de recursos como o sistema Braille para realizarem a leitura.

Saibam mais sobre o sistema Braille – Cliquem aqui!

Imaginem como deve ser mais difícil a fase de aprendizado escolar de crianças e jovens deficientes em uma estrutura que não leva em consideração as suas necessidades básicas. Ler, escrever e interagir com o meio torna-se um desafio ainda maior, quando os profissionais e colegas não têm o conhecimento e preparo para atuar nesses casos.

Para entendermos melhor essa realidade, pesquisem sobre o  o método usado pela Professora e escritora Elizete Lisboa, que esta semana palestrou no 2 Festival de Ilustração e Literatura da Bahia, compartilhando com os/as participantes como desenvolveu a literatura inclusiva “O livro com duas escritas” que é voltada para cegos ou não cegos, o que permite a socialização e integração de ambos.

É preciso que, além de refletir, toda sociedade se integre em favor de em uma reorganização sócio/estrutural, visto que, sem o empenho coletivo, não poderemos avançar nas conquistas e direitos, que não são de um grupo, e sim de todos nós.

Abraços!

Fonte:https://oprofessorweb.wordpress.com/2011/08/17/dica-do-professor-web-inclusao-social/; http://www.youtube.com/watch?v=o_WN4hQABSc; http://pt.wikipedia.org/wiki/Cegueira; http://ambiente.educacao.ba.gov.br/fisicaecotidiano; http://www.braillevirtual.fe.usp.br/pt/index.html

Novembro Negro – Silenciadas na história, porém atuantes!

Olá, amigas(os)!

No mês em que dedicamos as nossas publicações para contarmos um pouco mais sobre as lutas e conquistas do povo negro em nosso país, não podemos deixar de fora o que os fatos históricos não negam e a estatística também revela, mas que durante muito tempo foi ocultado por aqueles que hegemonicamente “contavam” a história – A participação da mulher negra na sociedade.

Mesmo que silenciadas por uma cultura racista e machista, elas tiveram papel fundamental nos avanços dos direitos d@s afrodescendentes e figuraram em momentos cruciais na defesa destes(as).

Dentre as tantas mulheres negras que fizeram e fazem a diferença desde a diáspora aos tempos atuais, temos como exemplo as ganhadeiras, que com os seus esforços vendiam suas iguarias e com parte do que arrecadavam conseguiam comprar a suas próprias alforrias e em muitos casos as de seus esposos e filhos, tendo uma representatividade muito forte no sustento de suas famílias.

Podemos citar também Eugênia Anna dos Santos – Mãe Aninha, fundadora do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, que com a sua atuação e sabedoria pressionou o então presidente Getúlio Vargas, para que o Decreto-Lei 1.202 que poria fim à proibição aos cultos afro-brasileiros fosse promulgado, pois naquele tempo, acreditem, os(as) seguidores(as) das religiões de matriz africana eram impedidos(as) de expressar a sua fé publicamente. Ainda na esfera jurídica como não referenciar a baiana pobre que após uma série de humilhações em sua juventude, tirou forças de onde só havia dor e descaso e hoje é a desembargadora do Tribunal de justiça da Bahia – a juíza Luislinda Valois. Em uma conjuntura onde os homens eram aclamados como heróis, o que dizer da escrava Zeferina, que liderou com altivez e bravura o Quilombo do Urubu?!

São tantas essas mulheres, que a história e o tempo não podem deter ou contê-las, nomeá-las não é tarefa fácil, as muitas Lélias, Estelas, mães guerreiras, Menininhas, Felipas, Mirians, Rosas, Antonietas, Chiquinhas, Carolinas, que hoje são representadas por uma geração de negras muito mais conscientes dos seus destinos na história, e nela empunham a caneta para mudar aquilo que ainda as silenciam.

Abraços, guerreir@s!

Novembro Negro – Depois dos navios negreiros, “outras correntezas”

Olá, pessoal! Tudo bem?

 

Estamos dando início ao Mês da Consciência Negra, em que se comemora algumas conquistas e busca-se outras vitórias. Esse é um momento oportuno para refletirmos acerca dos desdobramentos nas esferas política, social e cultural nos quais negros e negras estão inseridos. Foram muitos os desafios enfrentados pelos afrodescendentes desde o “fim do tráfico negreiro” e a abolição da escravatura. Apesar de toda contribuição na formação e no desenvolvimento do país, por muito tempo eles(as) estiveram esquecidos(as), desassistidos(as) socialmente, tendo que travar muitas batalhas para que seus direitos fossem reconhecidos.

Hoje, é impossível negar a marcante influência da cultura africana no nosso cotidiano, da arte a culinária, passando pela ciência, religião, música, literatura, dentre outras, ela se faz presente de forma muito intensa.

Temos personalidades negras que se destacam no cenário nacional, como o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, a Desembargadora baiana Luislinda Valois, Abdias do Nascimento, Makota Valdina, Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama, pessoas que fizeram e fazem a diferença, nos mostrando que mesmo com todas as dificuldades smos capazes de sair da invisibilidade para o reconhecimento.

Desta forma, neste mês desejamos unir ainda mais os nosso laços culturais, sociais, etc.,  em busca do verdadeiro reconhecimento da história do nosso país.

Confiram as abordagens que fizemos em anos anteriores – Cliquem aqui!

Abraços!