Um Ser de Luz…

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Fonte: Wikipedia

Num universo com turbilhões de informações e acontecimentos se torna cada vez mais desafiador ser estudante, ao tempo em que se torna mais e mais necessária a compreensão do mundo em que vivemos através do conhecimento construído no espaço escolar. O aluno,  (do latim alumnus, alumnié) ou discente é o indivíduo que recebe formação e instrução de um ou vários professores ou mestres para adquirir ou ampliar seus conhecimentos. No entanto, se estamos querendo dizer de alguém capaz de guiar seus passos para sua construção pessoal (quiçá profissional) podemos chamar este ser de Estudante. Ele é, sim, um ser de luz, pois, através dele, fatos e coisas são elucidados pela sua curiosidade e vontade de desbravar outros mundos. Como chamar   esse ser de pessoa sem luz? Como disse Paulo Freire

O aluno não é uma folha de papel em branco onde o professor irá escrever novos conteúdos”, ele traz consigo o interesse pelas coisas e nós professores devemos agir como mediadores para que essa busca da aprendizagem se dê de forma significativa. 

Existe uma esperança de que um dia esse 11 de agosto, quando se comemora o dia do Estudante, seja de celebração na escola e que o estudante esteja lá mesmo, no seu espaço de trabalho e convivência, faça questão de lá estar, comemorando um dia de mais aprendizado e não que se faça deste um dia de “bônus” por não estar ali dentro do espaço onde aguça a sua curiosidade que é a Escola ou qualquer outro lugar que traga essa experiência. O espaço do conhecimento tem que ser um local acolhedor e atrativo fazendo com que este estudante queira estar ali da mesma forma que queria estar numa praia, cinema, festa por exemplo. É equivocado o pensamento de descanso da escola, pois, se é um local alegre não pode ser motivo de distanciamento.

Salve o Estudante!!!

Que esse ser sempre nos ilumine com suas ideias e descobertas

Nildson B. Veloso

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: a Mulher Pode Ser, Fazer e Acontecer

Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Uma data simbólica, mas que não deve ser o único mote para reflexões acerca da presença da mulher na nossa sociedade. Atualmente, discussões voltadas para o empoderamento feminino e contra o machismo são feitas em todos os lugares, principalmente na internet, através de suas redes sociais. O debate é acirrado. Alguns depoimentos são repletos de equívocos e de radicalismos; outros, bastante pertinentes e enriquecedores. Contudo, o fato de as pessoas estarem refletindo sobre a questão, já é um ponto positivo diante do histórico ignorante, descabido e manipulador de subjugação feminina.

Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves
Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves

Em 1982, no disco Caminhos do Coração, o cantor e compositor Gonzaguinha deu um recado contra essa ideia e mostrou o quanto a mulher é dona de sua própria vida e de suas vontades. A música Ser, fazer e acontecer é uma obra que parece ter sido feita hoje, de tão atual. Na canção, o eu lírico é feminino e já começa o discurso criticando a “dona moral”: “Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente”. Mas o grito da dona moral não surte efeito, a independência feminina é reiterada nos seguintes versos: “E meu caminho eu faço/Não quero saber que me digam dessa lei”.

A música, além de mostrar que a mulher é quem decide o seu destino, clama pela igualdade de gênero, uma vez que ninguém deveria ter privilégios na sociedade por ser isso ou aquilo: “É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver”. Esses versos, em especial, nos remetem ao que diz um dos artigos da Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006: “Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social”.

No desfecho, o compositor deixa bem evidente um traço da personalidade do eu lírico da canção: é uma mulher forte, obstinada e que não aceita viver de forma subserviente. Os dois últimos versos trazem uma afirmação que reforça essa maneira de viver: “Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer”. Ou seja, a mulher é livre para fazer o que quiser, quando e como quiser. Quem tem o direito de tolher as suas vontades? Fica a indagação.

Abaixo, segue a letra da canção. Você pode ouvir o áudio no site oficial de Gonzaguinha.

Ser, fazer e acontecer

(Gonzaguinha)

Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente/É que eu estou pela vida na luta/Eu também sei/E meu caminho eu faço/Nem quero saber que me digam dessa lei/Porque já sofri, já chorei, já amei/Vou sofrer, vou chorar e voltar a amar/Porque já dormi, já sonhei e acordei/E vou dormir, vou sonhar, pois eu nunca cansei/É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver/E por isso eu prossigo e quero e grito /No ouvido dessa tal de dona moral/Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Professor? Presente!

Dia 15 de outubro é Dia do Professor. Diferente de tantas outras datas, felizmente, não se presta ao comércio e deve servir, ao menos, à reflexão sobre a situação atual desta categoria, tão importante em toda e qualquer sociedade. No Brasil, somos mais de 2 milhões unidos pela crença no poder transformador da educação. Não nos paralisa a ideia freudiana de que “governar, educar e psicanalisar” são tarefas impossíveis. Somos, sobretudo, persistentes, corajosos.

Professora Janice Nicolin, uma das participantes do quadro
Professora Janice Nicolin, uma das participantes do quadro “Ser Professor”, do programa “Intervalo”. Link do episódio: ambiente.educacao.ba.gov.br

Se pensássemos em um presente para o professor, tal como em cada tempo pensamos para pais, mães, crianças, avós, namorados ou namoradas, certamente pensaríamos na valorização do trabalho docente como o presente mais urgente, presente que iria satisfazer professores e, como consequência, todos que usufruem de seu trabalho. Afinal, num cálculo simples, concluiremos que ao longo da carreira de vinte ou trinta anos de um professor, passam por suas salas e suas aulas mais de mil crianças e jovens. Talvez esteja aí a sua melhor condição de trabalhar e transformar, pois alunos nunca lhes faltarão. Tudo o mais, no entanto, ainda falta.

A desvalorização do magistério é vista no tratamento que o professor recebe do poder público e da sociedade de um modo geral. Um e outro parecem crer que ensinar é uma tarefa simples, que depende apenas de boa vontade e vocação.

A formação de um professor deve remeter à sua inserção numa prática socialmente ativa. Não somos e não podemos ser meros executores de decisões alheias, mas podemos insistir na possibilidade de produzir novos conhecimentos para a teoria e a prática de ensinar. 

Professora Ródnei Souza , outro participante do quadro
Professor Ródnei Souza , outro participante do quadro “Ser Professor”, do programa “Intervalo”. Link do episódio: ambiente.educacao.ba.gov.br

Estamos cientes de que educação é um dos dispositivos que mais colabora para o desenvolvimento de um país e que a qualidade dela, por sua vez, depende, em grande parte, de valorização da docência. Melhoria dos salários, condições adequadas de trabalho e atenção à formação profissional, inicial ou continuada, mantem-se em pauta para discussão. A realidade que temos hoje não colabora suficientemente para que os alunos tenham sucesso nas aprendizagens, se desenvolvam como pessoas e, principalmente, participem como cidadãos num mundo cada vez mais exigente, sob todos os aspectos.

Se é novo o contexto social em que a escola está inserida, é igualmente novo e ainda mais desafiador o papel do professor. Assim é preciso dizer que professores ou professoras como Doras (do filme Central do Brasil, 1998) ou como aquelas dos relatos das escolas “de antigamente” não têm a possibilidade de sustentar, com a velha didática e o velho manejo, a educação que necessitamos agora.

Qual presente, então, dar aos professores, neste 15 de outubro?

…uma parcela daquele reconhecimento e respeito social das professoras (…) do meu tempo de Infância.

(Fernanda Montenegro, em discurso ao ser homenageada por sua indicação ao Oscar de melhor atriz estrangeira, com Central do Brasil)

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Uma pátria que dignifique, realmente, o valor social do professor.

(Mônica Mota, professora da Rede Pública de Ensino da Bahia)

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Eu daria o que todos tanto pedem: respeito. Simplesmente.

(Raulino Junior, professor da Rede Pública de Ensino da Bahia)

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Redução da carga horária e da quantidade de turmas. Vinte horas em sala e outras vinte para pesquisar, assistir a vídeos, ler, planejar boas aulas.

(Marilu Dantas, professora da Rede Pública de Ensino da Bahia)

Em muitas outras vozes ouviríamos o mesmo pedido: que a valorização do nosso trabalho seja presente, em cada um dos nossos dias!

Lilia Rezende

Pedagoga, professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

Anjo Docente

Imagem: https://pixabay.com
Imagem: https://pixabay.com

 

nunca vi teu rosto
nem sei teu nome
tua função é minha vida

percebo tua presença,
força inesgotável
tu voas sobre mim

tuas asas poderosas
transparência infinita
plumado cobertor

tua sina perigosa,
louca, desmedida
proteção de pecador

Marcus Leone

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

 

De Repente…Estudante

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O PW, minha gente

Está aqui pra celebrar

Esse Dia do Estudante

E de quem gosta de estudar

 

Se você é um cabra esperto

Ou uma moça de responsa

Vai ouvir a minha dica

E me dá a sua confiança

 

Para entender o mundo

Não ficar cheio de muros

Estudar é importante

Pois nos deixa a par de tudo

 

Quem não foi, ainda vai ser

E quem sabe bem como é

Quem estuda, vai além

Pode ser o que quiser

 

Hoje é um dia bom

Dia de comemorar

Bate palmas pra essa gente

Que nasceu foi pra brilhar

 

Se você é estudante

Saiba logo, desde já

Nossa equipe se esforça

Pra poder te agradar

 

O PW, minha gente

Está aqui pra celebrar

Esse Dia do Estudante

E de quem gosta de estudar

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Raulino Júnior

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

Ser Professor!

Professora
Clique na imagem para assistir ao quadro. Foto: captura de tela feita em 1/6/2015

Professor, do latim professor, ōris, “o que faz profissão de, o que se dedica a, o que cultiva“, do radical de professum, supino de profitēri, “declarar perante um magistrado, manifestar-se; declarar alto e bom som, afirmar, assegurar, prometer, protestar, obrigar-se, confessar, mostrar, dar a conhecer, ensinar, ser professor”.  Na contemporaneidade, é assim: a arte de ensinar é ensinar com arte, utilizando sensibilidade para construir uma sociedade liberta e dinâmica em seu espaço, em sua identidade.

Para isso, a arte e a sensibilidade têm a seu favor as novas tecnologias, que devem ser abraçadas e entendidas como parceiras constantes no processo de ensino e aprendizagem, de forma a contribuir para autonomia dos sujeitos, ampliando a sua capacidade criativa. E é com esse intuito que a Rede Anísio Teixeira – Projeto de Difusão, Produção e Formação em Mídias e Tecnologias Educacionais, por meio da TV Anísio Teixeira, um canal de produção audiovisual educacional, feito por professores, para professores e estudantes da rede pública de ensino, propõe uma construção coletiva e colaborativa de suas peças, sempre de maneira contextualizada e regionalizada, ampliando a voz e vez dos povos baianos, que têm na TV a possibilidade de apresentar e debater suas territorialidades, através do programa Intervalo.

Elaine Nascimento. Foto: Peterson Azevedo
Elaine Silva. Foto: Peterson Azevedo

Apresentamos a toda comunidade escolar da Bahia e do Brasil o quadro Ser Professor, que objetiva retratar e buscar nas instituições de ensino professores e/ou colaboradores da comunidade escolar que estão realizando projetos exitosos que, de alguma forma, estimula o conhecimento crítico dos discentes, ampliando a sua noção de realidade social, além de apresentar metodologias, processos de implantação e resultados, nos âmbitos do ensino e aprendizado. Hoje vamos conhecer o universo da professora Elaine Silva  e o seu projeto – Sustentabilidade – Assoalho Ecológico. A proposta tem como principal objetivo discutir a reciclagem como elemento de produção habitacional, especificamente no que se refere à construção de casas populares utilizando produtos recicláveis. Consulte o guia pedagógico!

Até a próxima!

Texto e foto: professor Peterson Azevedo.

Crônica do Bibliotecário

Por Raulino Júnior*

O bibliotecário chega para mais um dia de trabalho, na maior biblioteca pública de sua cidade. Ducentenária, a unidade carrega histórias e é visitada todos os dias por estudantes, professores, pesquisadores e outros amantes daManuel-Bastos-Tigre leitura. Hoje, 12 de março, é o dia dele. Dia do Bibliotecário. A data foi escolhida por ser também a de nascimento de Manuel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário do país. O nosso amigo, protagonista desta crônica, se organiza no seu local de trabalho e aguarda os leitores, ansioso para ser lembrado pela data especial.

Um grupo de estudantes se aproxima. Olha as prateleiras, conversa coisas amenas e sai. Nosso amigo fica com a esperança para ele. Uma senhora entra na sala, o cumprimenta e pede um título que ele não encontra. Sai frustrada. Ele entende e se solidariza. Decide, então, organizar a bancada, ler algumas coisas, se atualizar. Uma estudante, aparentando ter dez, doze anos, quebra a concentração:

Tio, vim devolver o livro.”

Gostou?”

Gostei! Crônica é um gênero interessante, né, tio?”

É. Muito!”

O silêncio preenche o espaço do diálogo. Nosso amigo confere os dados da jovem leitora no computador e ela observa, com interesse, a estante de livros. De repente, ocupa o vazio:

Ah, tio, nesse livro que li tinha uma crônica falando sobre o senhor!”

Sobre mim?”

Sim.”

Como assim?”

O senhor não é bibliotecário?”

Sou.”

Então! Aí tem uma crônica que fala sobre os bibliotecários.”

Ah…”, solta nosso amigo, um pouco ruborizado, feliz e ainda esperançoso.

Ah, tio, feliz Dia do Bibliotecário! É hoje, né? O senhor me ajuda muito! Eu me sinto bem aqui!”

Obrigado! Só você lembrou do meu dia…”, fala com certo entusiasmo.

Tio, já fez a devolução do livro?”, com a rapidez de mudança de assunto dos tempos atuais.

Já.”

Então, pega aquele outro ali.”

E o nosso amigo vai levando a sua rotina. Ainda mais feliz por ter sido lembrado no seu dia…

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*Professor da Rede Estadual de Ensino

 

Linhas para a eternidade

No dia 25 de julho, comemorou-se o Dia Nacional do Escritor. Por uma triste coincidência, apenas naquele mês, o Brasil ficou órfão de três importantes contadores de histórias através das linhas: João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna.

João Ubaldo deixou o povo brasileiro no dia 18 de julho, aos 73 anos. Autor de obras emblemáticas da nossa literatura, como Sargento Getúlio e Viva o Povo Brasileiro, Ribeiro eternizou o Brasil nos seus livros. Ele falou de nossos costumes, de nossa história e de nossa irreverência, como fica evidente na narrativa de A Casa dos Budas Ditosos. João Ubaldo Ribeiro atuou na imprensa e se formou em Direito, apesar de nunca exercer a atividade. O que ele sabia fazer direito mesmo era escrever e, certamente, seus leitores constatavam isso a cada página virada. Na entrevista abaixo, concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em julho de 2012, João Ubaldo fala sobre suas produções, literatura e faz uma breve análise do Brasil.

De Ubaldo para Rubem. O Alves. O pedagogo, poeta e filósofo afirmava: “Gosto de brincar com palavras. Por isso sou escritor”. Deixou de brincar com elas no dia 19 de julho, aos 80 anos. Rubem Alves escrevia sobre teologia e o cotidiano, mas foi falando de educação que se destacou. Autor de livros como A Alegria de Ensinar, Por Uma Educação Romântica e A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir, Alves era um educador apaixonado pelo ofício. Não temia a morte, só tinha pena de morrer. “Eu não tenho medo de morrer… Só tenho pena. A vida é tão boa…”. Que pena! Em dezembro de 2011, Rubem participou do Programa 3 a 1, da TV Brasil. Confira!

No dia 23 de julho, aos 87 anos, Ariano Suassuna tratou de se encontrar com “o único mal irremediável”, como um de seus personagens costumava falar. Teatro, literatura e política estavam na vida e na obra do autor. Criador de tipos inesquecíveis, Ariano era, acima de tudo, um agitador cultural. Desde sempre. Quem nunca ouviu falar de suas aulas em forma de espetáculo? E do Movimento Armorial? Suassuna levou o Nordeste para o mundo através de suas obras, que foram traduzidas para o alemão, o espanhol, o inglês; só para citar alguns. Uma Mulher Vestida de Sol, O Auto da Compadecida e O Santo e a Porca ficarão para sempre na memória dos leitores. Cada escritor citado aqui também! Para sempre!

Cine PW: Carolina Maria de Jesus

Olá, pessoal! Vamos fazer um Cine PW um pouco diferente hoje. Selecionamos três vídeos/documentários e convidamos você a conhecer uma mulher que viveu e adotou uma postura a frente de seu tempo, lutando por justiça social como pouc@s que já lutaram e ainda lutam Brasil afora: Carolina Maria de Jesus. Vamos lá?

Inquieta, explosiva, atrevida, petulante, corajosa, arredia e rebelde. Esses são alguns dos adjetivos que críticos e admiradores utilizam para descrever a personalidade autêntica de Carolina, escritora mineira, negra, favelada e de pouca escolaridade.

Bitita, como era chamada desde a infância, saiu de Sacramento-MG, cidade onde nasceu, tão logo sua mãe morrera, em direção a São Paulo, indo parar na favela de Canindé. A princípio, trabalhou como doméstica, mas logo precisou abrir mão desta forma de sobreviver, restando como alternativa catar resíduos descartados pelas ruas da cidade. Morou num barraco construído com materiais encontrados nas ruas, forma com a qual, por muitos anos, manteve a si e a seus três filhos – os quais criou sozinha por decisão própria, uma vez que não se sujeitava aos padrões sociais destinados às mulheres de sua época.

Apesar da pouca escolaridade, ela se interessava muito pelos papéis que recolhia (livros, jornais, revistas e cadernos) em meio a outros materiais.    Àqueles, em especial, dava destino específico: separava-os para suas leituras em busca de conhecimento e para os registros sobre sua vida, coisa que fazia sempre que sentia necessidade de escrever.


Carolina foi revelada pelo jornalista Audálio Dantas, quando este esteve em Canindé para uma reportagem sobre a ordem de desocupação em função da construção de uma rodovia. Já tendo conhecimento de quem era Carolina e sobre a obra dela, Dantas sugeriu à escritora que publicasse os seus registros. A princípio, ela resistiu, mas com o tempo aceitou a ideia.

Em “Quarto de despejo: diário de uma favelada” (1960), a escritora conta detalhes das angústias que os moradores de uma favela sentem e como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios, para assim conseguir comida para as suas famílias. O nome do livro foi inspirado numa fala da escritora: “Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de ‘viludo’, almofadas de ‘sitim’. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo”.

A obra tornou-se um best seller dos anos 60 e 70, com tradução em treze idiomas e para mais de quarenta países. Além desta, produziu outras publicações: “Casa de Alvenaria” (1961) – inspirada no período em que, após o sucesso internacional, conquistou a casa própria onde viveu os últimos anos de sua vida; “Pedaços de fome” (1963) e ainda os livros póstumos Diário de Bitita (1986) e “Meu estranho diário” (1996). Ela também escreveu peças de teatro, poemas (abaixo) e canções, todos com temáticas relacionadas à sua vida miserável e seu sonho de tornar-se cantora e atriz.


Este ano, Carolina Maria de Jesus completaria seu centenário e hoje o Museu Afro Brasil, possui uma biblioteca cuja é Carolina Maria de Jesus e onde se encontra obras disponíveis para download. Para fim de homenageá-la, reconhecer e disseminar ainda mais sua importância para a história e para a literatura nacional, damos a essa célebre escritora dos favelados mais este espaço. Com o intuito é o de compartilhar com tod@s a história e as obras dela, segue abaixo o curta-metragem “O Papel e mar”, adaptação do diretor Luiz Antônio Pilar para a obra da autora que leva o mesmo nome. Apesar de sua célebre obra ter repercutido bastante, Carolina morreu como viveu: pobre.

“A tontura da fome é pior que a tontura do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível só ter ar dentro do estômago.” Trecho de Quarto de Despejo.

Fontes:  A Cor da CulturaWikipedia, Labjor, Blogueiras Negras, Fundação Palmares.

Isadora Faber e Malala Yousafzai: Adolescentes feministas

Olá, Amig@s!!!

Vivemos em uma sociedade de infinitas transformações e aqui faremos uma reflexão, sobretudo quanto às contribuições de duas adolescentes, de comportamentos feministas e do quanto repercutem suas ações e ideias para as mudanças de nossa realidade contemporânea.

Conversaremos agora sobre duas personagens sociais que tiveram suas ações repercutidas nacional e internacionalmente. Pessoas que pretenderam, com suas ações, contribuir para a transformação da realidade imposta historicamente, de uma cultura que oprime e domina o comportamento humano quanto à busca de seus direitos como indivíduos sociais, para um mundo mais justo e oportuno para tod@s.

Malala_yousafzai.Iniciamos com Malala Yousafzai, uma adolescente paquistanesa, hoje com 16 anos, que depois de criar um blog repercutido nas mídias mundiais, onde tratava do papel social das mulheres na sua cultura e, principalmente, reforçava o acesso à educação, no blog ela destaca a condição de que em seu país as mulheres não tem direito aos estudos. Mesmo utilizando um pseudônimo, seu protesto repercutiu num importante noticiário inglês, que realizou com ela uma reportagem sobre esta realidade e Malala fez um depoimento que quase lhe custou a vida.

Durante o retorno de um curso que realizava ela sofre uma tentativa de assassinato, sendo acometida por um tiro na cabeça e outro no ombro; felizmente não morreu e recebe ajuda médica internacional. Depois de toda repercussão e já tratada dos ferimentos ela foi convidada para discursar na Assembleia das Organizações das Nações Unidas ONU, em 12 de julho de 2013, que coincidiu com seu aniversario. Iniciou sua fala com uma importante declaração: “Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução”. […].

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A outra adolescente que tratamos é brasileira, moradora da capital catarinense – Florianópolis e estudante de escola publica. Isadora Faber, que em julho de 2012, aos seus 13 anos, decidiu criar uma página numa rede social com o título: Diário de Classe, A verdade. Nela colocava a realidade de abandono e descaso que sua escola enfrentava, iniciou tratando dos equipamentos com defeitos que davam choques elétricos nos estudantes, portas sem maçanetas, salas sem ventilação e ventiladores, dos tratos e comportamentos dos professores e demais profissionais da escola, dentre tantos outros casos. A principio ela foi rechaçada, vítima de bullying e até sua casa foi atingida, o detalhe é que a família forneceu a ela todo apoio possível.

No início um representante da secretaria de educação visitou a escola e garantiu a realização dos reparos na condição que ela postasse as realizações, ainda assim ele não retornou e os serviços não foram realizados, então ela seguiu postando a situação que seguia, chegando ao ponto de uma professora planejar e aplicar uma aula pautando política e internet, “ela informou que os alunos não deviam falar dos professores na rede” afirmou Isadora.

Depois de um tempo algumas coisas foram aos poucos sendo reparadas e as opiniões de Isadora, postadas no blog, já são bem aceitas na escola. “Gostaria que estudantes do mundo inteiro tivessem direito e acesso a uma educação digna e moderna. Tenho certeza que, se todo mundo fizer um pouquinho, juntos poderemos dar a educação, e assim, deixaremos o planeta mais justo e melhor para todos”, diz. Depoimento de Isadora, sobre educação, em um site brasileiro.

O blog, atualmente com mais de meio bilhão de acessos, repercutiu para além da escola, da cidade e até mesmo do estado de Santa Catarina e hoje Isadora com a colaboração de amigos criou uma ONG com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento da educação em seu estado. Servindo de exemplo para muitos estudantes Brasil afora.

Malala Yousafzai e Isadora Faber são personagens de enriquecedores exemplos, servindo como fonte para análise do uso responsável, livre e positivo das mídias digitais para cobrar a atuação das políticas públicas e, além disso, quanto à atuação feminina que transforma nossa sociedade globalizada e contemporânea, ainda que elas sejam muito jovens.

Valeu e até a próxima!!!

Fontes: Wikipédia, Site Oficial