Um Ser de Luz…

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Fonte: Wikipedia

Num universo com turbilhões de informações e acontecimentos se torna cada vez mais desafiador ser estudante, ao tempo em que se torna mais e mais necessária a compreensão do mundo em que vivemos através do conhecimento construído no espaço escolar. O aluno,  (do latim alumnus, alumnié) ou discente é o indivíduo que recebe formação e instrução de um ou vários professores ou mestres para adquirir ou ampliar seus conhecimentos. No entanto, se estamos querendo dizer de alguém capaz de guiar seus passos para sua construção pessoal (quiçá profissional) podemos chamar este ser de Estudante. Ele é, sim, um ser de luz, pois, através dele, fatos e coisas são elucidados pela sua curiosidade e vontade de desbravar outros mundos. Como chamar   esse ser de pessoa sem luz? Como disse Paulo Freire

O aluno não é uma folha de papel em branco onde o professor irá escrever novos conteúdos”, ele traz consigo o interesse pelas coisas e nós professores devemos agir como mediadores para que essa busca da aprendizagem se dê de forma significativa. 

Existe uma esperança de que um dia esse 11 de agosto, quando se comemora o dia do Estudante, seja de celebração na escola e que o estudante esteja lá mesmo, no seu espaço de trabalho e convivência, faça questão de lá estar, comemorando um dia de mais aprendizado e não que se faça deste um dia de “bônus” por não estar ali dentro do espaço onde aguça a sua curiosidade que é a Escola ou qualquer outro lugar que traga essa experiência. O espaço do conhecimento tem que ser um local acolhedor e atrativo fazendo com que este estudante queira estar ali da mesma forma que queria estar numa praia, cinema, festa por exemplo. É equivocado o pensamento de descanso da escola, pois, se é um local alegre não pode ser motivo de distanciamento.

Salve o Estudante!!!

Que esse ser sempre nos ilumine com suas ideias e descobertas

Nildson B. Veloso

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: a Mulher Pode Ser, Fazer e Acontecer

Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Uma data simbólica, mas que não deve ser o único mote para reflexões acerca da presença da mulher na nossa sociedade. Atualmente, discussões voltadas para o empoderamento feminino e contra o machismo são feitas em todos os lugares, principalmente na internet, através de suas redes sociais. O debate é acirrado. Alguns depoimentos são repletos de equívocos e de radicalismos; outros, bastante pertinentes e enriquecedores. Contudo, o fato de as pessoas estarem refletindo sobre a questão, já é um ponto positivo diante do histórico ignorante, descabido e manipulador de subjugação feminina.

Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves

Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves

Em 1982, no disco Caminhos do Coração, o cantor e compositor Gonzaguinha deu um recado contra essa ideia e mostrou o quanto a mulher é dona de sua própria vida e de suas vontades. A música Ser, fazer e acontecer é uma obra que parece ter sido feita hoje, de tão atual. Na canção, o eu lírico é feminino e já começa o discurso criticando a “dona moral”: “Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente”. Mas o grito da dona moral não surte efeito, a independência feminina é reiterada nos seguintes versos: “E meu caminho eu faço/Não quero saber que me digam dessa lei”.

A música, além de mostrar que a mulher é quem decide o seu destino, clama pela igualdade de gênero, uma vez que ninguém deveria ter privilégios na sociedade por ser isso ou aquilo: “É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver”. Esses versos, em especial, nos remetem ao que diz um dos artigos da Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006: “Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social”.

No desfecho, o compositor deixa bem evidente um traço da personalidade do eu lírico da canção: é uma mulher forte, obstinada e que não aceita viver de forma subserviente. Os dois últimos versos trazem uma afirmação que reforça essa maneira de viver: “Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer”. Ou seja, a mulher é livre para fazer o que quiser, quando e como quiser. Quem tem o direito de tolher as suas vontades? Fica a indagação.

Abaixo, segue a letra da canção. Você pode ouvir o áudio no site oficial de Gonzaguinha.

Ser, fazer e acontecer

(Gonzaguinha)

Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente/É que eu estou pela vida na luta/Eu também sei/E meu caminho eu faço/Nem quero saber que me digam dessa lei/Porque já sofri, já chorei, já amei/Vou sofrer, vou chorar e voltar a amar/Porque já dormi, já sonhei e acordei/E vou dormir, vou sonhar, pois eu nunca cansei/É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver/E por isso eu prossigo e quero e grito /No ouvido dessa tal de dona moral/Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Professor? Presente!

Dia 15 de outubro é Dia do Professor. Diferente de tantas outras datas, felizmente, não se presta ao comércio e deve servir, ao menos, à reflexão sobre a situação atual desta categoria, tão importante em toda e qualquer sociedade. No Brasil, somos mais de 2 milhões unidos pela crença no poder transformador da educação. Não nos paralisa a ideia freudiana de que “governar, educar e psicanalisar” são tarefas impossíveis. Somos, sobretudo, persistentes, corajosos.

Professora Janice Nicolin, uma das participantes do quadro

Professora Janice Nicolin, uma das participantes do quadro “Ser Professor”, do programa “Intervalo”. Link do episódio: ambiente.educacao.ba.gov.br

Se pensássemos em um presente para o professor, tal como em cada tempo pensamos para pais, mães, crianças, avós, namorados ou namoradas, certamente pensaríamos na valorização do trabalho docente como o presente mais urgente, presente que iria satisfazer professores e, como consequência, todos que usufruem de seu trabalho. Afinal, num cálculo simples, concluiremos que ao longo da carreira de vinte ou trinta anos de um professor, passam por suas salas e suas aulas mais de mil crianças e jovens. Talvez esteja aí a sua melhor condição de trabalhar e transformar, pois alunos nunca lhes faltarão. Tudo o mais, no entanto, ainda falta.

A desvalorização do magistério é vista no tratamento que o professor recebe do poder público e da sociedade de um modo geral. Um e outro parecem crer que ensinar é uma tarefa simples, que depende apenas de boa vontade e vocação.

A formação de um professor deve remeter à sua inserção numa prática socialmente ativa. Não somos e não podemos ser meros executores de decisões alheias, mas podemos insistir na possibilidade de produzir novos conhecimentos para a teoria e a prática de ensinar. 

Professora Ródnei Souza , outro participante do quadro

Professor Ródnei Souza , outro participante do quadro “Ser Professor”, do programa “Intervalo”. Link do episódio: ambiente.educacao.ba.gov.br

Estamos cientes de que educação é um dos dispositivos que mais colabora para o desenvolvimento de um país e que a qualidade dela, por sua vez, depende, em grande parte, de valorização da docência. Melhoria dos salários, condições adequadas de trabalho e atenção à formação profissional, inicial ou continuada, mantem-se em pauta para discussão. A realidade que temos hoje não colabora suficientemente para que os alunos tenham sucesso nas aprendizagens, se desenvolvam como pessoas e, principalmente, participem como cidadãos num mundo cada vez mais exigente, sob todos os aspectos.

Se é novo o contexto social em que a escola está inserida, é igualmente novo e ainda mais desafiador o papel do professor. Assim é preciso dizer que professores ou professoras como Doras (do filme Central do Brasil, 1998) ou como aquelas dos relatos das escolas “de antigamente” não têm a possibilidade de sustentar, com a velha didática e o velho manejo, a educação que necessitamos agora.

Qual presente, então, dar aos professores, neste 15 de outubro?

…uma parcela daquele reconhecimento e respeito social das professoras (…) do meu tempo de Infância.

(Fernanda Montenegro, em discurso ao ser homenageada por sua indicação ao Oscar de melhor atriz estrangeira, com Central do Brasil)

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Uma pátria que dignifique, realmente, o valor social do professor.

(Mônica Mota, professora da Rede Pública de Ensino da Bahia)

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Eu daria o que todos tanto pedem: respeito. Simplesmente.

(Raulino Junior, professor da Rede Pública de Ensino da Bahia)

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Redução da carga horária e da quantidade de turmas. Vinte horas em sala e outras vinte para pesquisar, assistir a vídeos, ler, planejar boas aulas.

(Marilu Dantas, professora da Rede Pública de Ensino da Bahia)

Em muitas outras vozes ouviríamos o mesmo pedido: que a valorização do nosso trabalho seja presente, em cada um dos nossos dias!

Lilia Rezende

Pedagoga, professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

Anjo Docente

 

nunca vi teu rosto
nem sei teu nome
tua função é minha vida

percebo tua presença,
força inesgotável
tu voas sobre mim

tuas asas poderosas
transparência infinita
plumado cobertor

tua sina perigosa,
louca, desmedida
proteção de pecador

Marcus Leone

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

 

De Repente…Estudante

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O PW, minha gente

Está aqui pra celebrar

Esse Dia do Estudante

E de quem gosta de estudar

 

Se você é um cabra esperto

Ou uma moça de responsa

Vai ouvir a minha dica

E me dá a sua confiança

 

Para entender o mundo

Não ficar cheio de muros

Estudar é importante

Pois nos deixa a par de tudo

 

Quem não foi, ainda vai ser

E quem sabe bem como é

Quem estuda, vai além

Pode ser o que quiser

 

Hoje é um dia bom

Dia de comemorar

Bate palmas pra essa gente

Que nasceu foi pra brilhar

 

Se você é estudante

Saiba logo, desde já

Nossa equipe se esforça

Pra poder te agradar

 

O PW, minha gente

Está aqui pra celebrar

Esse Dia do Estudante

E de quem gosta de estudar

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Raulino Júnior

Professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

 

Ser professor!

Professora

Clique na imagem para assistir ao quadro. Foto: captura de tela feita em 1/6/2015

Professor, do latim professor, ōris, “o que faz profissão de, o que se dedica a, o que cultiva“, do radical de professum, supino de profitēri, “declarar perante um magistrado, manifestar-se; declarar alto e bom som, afirmar, assegurar, prometer, protestar, obrigar-se, confessar, mostrar, dar a conhecer, ensinar, ser professor”.  Na contemporaneidade, é assim: a arte de ensinar é ensinar com arte, utilizando sensibilidade para construir uma sociedade liberta e dinâmica em seu espaço, em sua identidade.

Para isso, a arte e a sensibilidade têm a seu favor as novas tecnologias, que devem ser abraçadas e entendidas como parceiras constantes no processo de ensino e aprendizagem, de forma a contribuir para autonomia dos sujeitos, ampliando a sua capacidade criativa. E é com esse intuito que a Rede Anísio Teixeira – Projeto de Difusão, Produção e Formação em Mídias e Tecnologias Educacionais, por meio da TV Anísio Teixeira, um canal de produção audiovisual educacional, feito por professores, para professores e estudantes da rede pública de ensino, propõe uma construção coletiva e colaborativa de suas peças, sempre de maneira contextualizada e regionalizada, ampliando a voz e vez dos povos baianos, que têm na TV a possibilidade de apresentar e debater suas territorialidades, através do programa Intervalo.

Elaine Nascimento. Foto: Peterson Azevedo

Elaine Silva. Foto: Peterson Azevedo

Apresentamos a toda comunidade escolar da Bahia e do Brasil o quadro Ser Professor, que objetiva retratar e buscar nas instituições de ensino professores e/ou colaboradores da comunidade escolar que estão realizando projetos exitosos que, de alguma forma, estimula o conhecimento crítico dos discentes, ampliando a sua noção de realidade social, além de apresentar metodologias, processos de implantação e resultados, nos âmbitos do ensino e aprendizado. Hoje vamos conhecer o universo da professora Elaine Silva  e o seu projeto – Sustentabilidade – Assoalho Ecológico. A proposta tem como principal objetivo discutir a reciclagem como elemento de produção habitacional, especificamente no que se refere à construção de casas populares utilizando produtos recicláveis. Consulte o guia pedagógico!

Até a próxima!

Texto e foto: professor Peterson Azevedo.

Crônica do Bibliotecário

Por Raulino Júnior*

O bibliotecário chega para mais um dia de trabalho, na maior biblioteca pública de sua cidade. Ducentenária, a unidade carrega histórias e é visitada todos os dias por estudantes, professores, pesquisadores e outros amantes daManuel-Bastos-Tigre leitura. Hoje, 12 de março, é o dia dele. Dia do Bibliotecário. A data foi escolhida por ser também a de nascimento de Manuel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário do país. O nosso amigo, protagonista desta crônica, se organiza no seu local de trabalho e aguarda os leitores, ansioso para ser lembrado pela data especial.

Um grupo de estudantes se aproxima. Olha as prateleiras, conversa coisas amenas e sai. Nosso amigo fica com a esperança para ele. Uma senhora entra na sala, o cumprimenta e pede um título que ele não encontra. Sai frustrada. Ele entende e se solidariza. Decide, então, organizar a bancada, ler algumas coisas, se atualizar. Uma estudante, aparentando ter dez, doze anos, quebra a concentração:

Tio, vim devolver o livro.”

Gostou?”

Gostei! Crônica é um gênero interessante, né, tio?”

É. Muito!”

O silêncio preenche o espaço do diálogo. Nosso amigo confere os dados da jovem leitora no computador e ela observa, com interesse, a estante de livros. De repente, ocupa o vazio:

Ah, tio, nesse livro que li tinha uma crônica falando sobre o senhor!”

Sobre mim?”

Sim.”

Como assim?”

O senhor não é bibliotecário?”

Sou.”

Então! Aí tem uma crônica que fala sobre os bibliotecários.”

Ah…”, solta nosso amigo, um pouco ruborizado, feliz e ainda esperançoso.

Ah, tio, feliz Dia do Bibliotecário! É hoje, né? O senhor me ajuda muito! Eu me sinto bem aqui!”

Obrigado! Só você lembrou do meu dia…”, fala com certo entusiasmo.

Tio, já fez a devolução do livro?”, com a rapidez de mudança de assunto dos tempos atuais.

Já.”

Então, pega aquele outro ali.”

E o nosso amigo vai levando a sua rotina. Ainda mais feliz por ter sido lembrado no seu dia…

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*Professor da Rede Estadual de Ensino