Culto a Nossa Senhora da Boa Morte, Resistência e Luta do Povo Negro Contra a Escravidão

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Foto: Rita Barreto – Festa Nossa Senhora da Boa Morte – Cachoeira Ba

 

De que forma a fé e a devoção à Nossa Senhora da Boa Morte tem a ver com a luta e resistência do povo negro contra a escravidão na Bahia oitocentista? Para sabermos mais sobre esse assunto, é preciso viajarmos pela história, atravessando o oceano Atlântico, em direção a Portugal!

As confrarias, dentre as quais situamos as irmandades e ordens terceiras, surgem em Portugal no século XIII. Tinham por objetivo primeiro assistir a seus membros e demais pessoas não associadas em tempos difíceis da vida, segundo o professor de história João José Reis. Formada por pessoas leigas, as irmandades necessariamente deveriam buscar abrigo em uma igreja, podendo também construir uma. A partir da expansão marítima, esta forma de “agremiação” se espalhou pelo Império Ultramarino. Na Bahia, as irmandades negras se constituíram a partir da segunda metade do século XVII e podem ser compreendidas enquanto um movimento de resistência e/ou negociação dos negros e negras pela liberdade.

O culto à Nossa Senhora da Boa Morte teria se iniciado em 1660, em Lisboa, na Igreja do Colégio Jesuíta de Santo Antão. O culto propagou-se a outras cidades de Portugal, como Évora (1693) e Coimbra (1723). O professor Luis Henrique Dias Tavares informa que a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte em Cachoeira teria se originado de um grupo de mulheres que se reuniam secretamente para planejar a coleta de dinheiro destinado a alforria de escravos nas imediações do bairro da Barroquinha, em Salvador, por volta de 1820. Alguns anos depois a irmandade teria migrado para a cidade de Cachoeira. A data dessa mudança é imprecisa devido a carência de documentação.

Dentre as causas que podem explicar a transferência da irmandade de Salvador para Cachoeira é possível elencar: “a urbanização das áreas centrais e governamentais, a política higienista e a modernizante” que promoveram profundas mudanças na região da Barroquinha, segundo o estudioso Armando Alexandre Castro. Este turismólogo afirma ainda que  estas mudanças objetivavam “expulsar as comunidades negras e suas práticas que ali estavam sediadas, dada a proximidade com a sede do governo. À época, as reuniões religiosas promovidas pelos negros eram consideradas “bárbaras”, “primitivas” e não condiziam com a modernidade ambicionada”[1].

Ao chegar em Cachoeira, por volta de 1850, ao contrário de outras irmandades, a Boa Morte não buscou abrigo em uma igreja, muito menos criou estatuto a ser submetido ao poder eclesiástico. As irmãs da confraria da Nossa Senhora da Boa Morte mantêm fortes laços com o povo de santo, tendo sido as fundadoras do terreiro Zoogodô Bogum Malê Seja Undê. Apesar de não estarem submetidas a Igreja Católica, como acontece com as demais irmandades, sempre mantiveram uma relação próxima com a Igreja, inclusive com a participação de padres em seus cortejos. Na década de 1980 houve uma ruptura com a igreja Católica quando esta “sequestrou” as jóias, imagens, roupas e demais pertences de Nossa Senhora da Boa Morte, só devolvidos após decisão judicial uma década depois.

Ficaram interessados na festa da Boa Morte? Para conhecer mais sobre está experiência religiosa, que acontece todos os anos em Cachoeira, no dia 13 de agosto, é preciso se preparar com antecedência, pois a maioria dos hotéis da cidade ficam com lotação esgotada. Uma outra opção é conseguir acomodação nas casas dos moradores de lá! E então? Vamos visitar Cachoeira?

[1] Castro, Armando Alexandre Costa. de A Irmandade da Boa Morte: memória, intervenção e turistização da Festa em Cachoeira, Bahia. Ilhéus (BA): UESC, 2005.

Fontes:

Castro, Armando Alexandre Costa. de A Irmandade da Boa Morte: memória, intervenção e turistização da Festa em Cachoeira, Bahia. Ilhéus (BA): UESC, 2005

 João José Reis. A Morte é uma Festa: ritos fúnebres e revolta popular no século XIX. 2ed., Companhia das Letras, 1991

Luis Cláudio Dias. Candomblé e Irmandade da Boa Morte. Cachoeira: Fundação Maria Cruz, 1998.

Luís Henrique Dias Tavares. História da Bahia. Editoras Unesp e Edufba, 11ª edição, 2008

NASCIMENTO, Luis Cláudio Dias do;  ISIDORO, Cristiana. A Boa Morte em Cachoeira – contribuição para o estudo etnológico. Cachoeira: Cepasc, 1988.

Telma Gonçalves Santos

Professora da Rede Pública Estadual da Bahia

SOS

 

 

Stop_Human_Trafficking.jpgFig.1 Tráfico humano

Yes. SOS Save Our Souls, ou seja, “Salve nossas almas.” O texto começa com esse apelo! Um pedido de socorro! O papo é muito sério.

Muitas pessoas estão clamando por SOS! O Tráfico de Seres Humanos (TSH) é um fenômeno de caráter mundial, pois atinge países em diferentes partes do mundo, de acordo com informações da Organização das Nações Unidas (ONU). Em inglês, conhecido por human trafficking ou trafficking in persons, remonta a tempos antigos e aponta que o escravagismo ou escravidão resulta na “coisificação” do sujeito, pois na Idade Antiga, algumas sociedades definiam legalmente o escravo como mercadoria. Tomava-se posse da vida do outro de diferentes formas para a exploração econômica ou social cujas habilidades, condições físicas e preços variavam a partir desses requisitos, como pode ser claramente vista na obra do artista francês Jean-Léon Gérôme:

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Fig.2 Escrava leiloada na Antiguidade

Sobre a problemática do tráfico de pessoas, termo que apareceu explicitamente no Protocolo de Palermo assim denominado, por ter sido criado em Palermo, na Itália, expressa-se no artigo 3 desse documento:

A expressão “tráfico de pessoas” significa o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos;

FYI (For Your Information- Para sua informação), no Brasil, estados como Amazonas, Bahia, Amapá, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo iniciaram movimentos de conscientização em rodoviárias e aeroportos. Os dados são alarmantes! O Ministério da Justiça traçou um relatório sobre o tráfico humano como pode ser visto:

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Fig.3 Infográfico sobre tráfico humano

O governo do estado da Bahia promove ações de combate ao crime de tráfico de pessoas. É preciso denunciar  aos órgãos competentes! A Campanha Coração Azul tem sua origem na campanha Blue Heart”  que propõe o debate para potencializar a discussão acerca do tráfico humano, bem como denunciar uma realidade a nível mundial.

A maior parte das vítimas são mulheres, crianças e adolescentes. Essas pessoas são, geralmente, iludidas por promessas enganosas de emprego e melhores condições de vida. Muitas mulheres, que trabalham na indústria do sexo, estão expostas a diversas doenças, inclusive, a AIDS (Acquired Immune Deficiency SyndromeSIDA Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Por não terem a devida proteção e se submeterem a diferentes parceiros, elas contraem o HIV ( Human Immunodeficiency Virus – Vírus da Imunodeficiência Humana).

Mas, o que o título do texto tem em comum com essa mensagem? SOS é um pedido universal de socorro utilizado como meio para indicar uma situação de risco de alguém que necessita de ajuda imediata. BTW (By The Way- a propósito), se você tem o inglês como ESL ( English as a Second Language- inglês como segunda língua), precisa saber da existência de algumas siglas, abreviações ou acrônimos desse idioma.

OMG! (Oh My God/Gosh/Goodness – Oh Meu Deus)! São tantas! NP! (No Problem! Não tem problema!) Como você é VIP (Very Important Person- pessoa muito importante), vão alguns exemplos comumente utilizados como você viu ao longo do texto. Para outras sugestões, veja em : link 1  e link 2.

HTH (Hope This Help- Espero que isto ajude).

P.S. (Post Scriptumescrito depois)

EXPRESS YOUR SOLIDARITY WITH VICTMS OF HUMAN TRAFFICKING!

Caso você saiba de alguém vítima desse crime, DIY (Do It Yourself- Faça Você Mesmo) a denúncia:

monica-2Fig.4 Disk denúncia

THX /TKS! ( Thanks – Obrigado(a)!)

Mônica Mota

Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Ser negro no Brasil hoje

O livro Ser negro no Brasil hoje, da antropóloga Ana Lúcia Valente, é uma obra interessante, que traz questionamentos contundentes para o debate em torno da situação dos negros brasileiros. Lançado em 1987, o livro discute com propriedade aspectos da cultura negra e faz com que o leitor reflita sobre a temática. Logo na introdução, Ana Lúcia provoca: “Você já pensou sobre o que é ser negro no Brasil?”. E você que está lendo este texto, já pensou?

Ser Negro

Imagem: Portal do Professor

O 1º capítulo, Contextualizando a questão, traz um apanhado sobre o que é ser negro no Brasil, retoma o passado e fala do falso mito da democracia racial brasileira. Para desfazer tal ideia, Ana Lúcia propõe que o preconceito e a discriminação sejam admitidos e vistos como um problema da nossa sociedade.

No capítulo seguinte, Falando do passado, a autora aborda mais detidamente a condição de escravo dos negros, a resistência − pois os negros “nunca demonstraram ser passivos” diante daquele regime − e como a história de um povo foi contada pelo viés dos dominadores. Nesse sentido, Ana afirma: “Boa parte das noções falsas sobre os negros escravizados não surgiu de um trabalho historiográfico profundo. Pode ser considerado como manifestação do colonialismo e dos interesses que este queria defender. Até o surgimento de uma iniciativa que procurou interpretar a história sob outros ângulos, o que estava escrito era centrado na vida da ‘camada dominante’”. A antropóloga ainda cita a Lei do Ventre Livre, a Lei dos Sexagenários e a Lei Áurea, que chama de “condenação formal do sistema escravista”.  Ana Lúcia critica a ideia ilusória de que a Lei Áurea salvou os negros e trouxe mais dignidade para eles. “A ‘libertação’ dos escravos resultou numa massa de negros que perambulavam pelas fazendas e cidades à procura de emprego”, encerra.

Intitulado Falando do presente: o racismo à brasileira, o 3º capítulo fala primeiro da realidade dos negros nos Estados Unidos e na África do Sul para depois chegar ao Brasil. Ana conclui que “ser negro no Brasil hoje significa esclarecer aos outros negros e seus descendentes o papel fundamental que eles têm a desempenhar para mudar a situação racial […]. Ser negro no Brasil é uma questão política. Não a política apenas no sentido partidário, que é importante, mas no sentido mais amplo das relações humanas. Para isso, essas relações devem ser conhecidas. E quando forem relações marcadas pelo preconceito e discriminação devem ser reconhecidas e assumidas, para então serem coibidas e penalizadas”.

Guia clássico e comentado de situações de racismo é o nome do 4º capítulo. Nele, Ana Lúcia Valente discute os estereótipos associados à população negra, as piadas descabidas que têm o negro como personagem e narra situações de racismo no mercado de trabalho, na escola e nos restaurantes. A autora fala também sobre os casamentos inter-raciais e sobre os negros que têm destaque na sociedade brasileira, como Djavan e Pelé.

O 5º capítulo trata da Breve e recente história da resistência negra organizada. Nesse sentido, apresenta as primeiras organizações que tinham como objetivo defender os ideais da população negra, como a Frente Negra Brasileira. A autora não deixa de citar o emblemático Movimento Negro Unificado, fundado em 1978, na cidade de São Paulo. Ana destaca ainda o trabalho do Olodum e do Ilê Aiyê como instrumento de valorização do atributo racial.

Racismo é crime!, este é o grito que marca o último capítulo do livro. Ana mostra, num breve histórico, leis que buscavam assegurar o respeito à população negra, como a Lei Afonso Arinos, de 1951, e reproduz trechos do item XLII, da Constituição de 1988, que define a prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível. Contudo, a autora pondera: “No nosso entender, sozinhas, as leis são insuficientes para dar fim ao problema racial no Brasil”.

O livro apresenta um Glossário com esclarecimentos dos conceitos utilizados nos estudos sobre relações raciais ou interétnicas e a seção Sugestões de Leitura, em que Ana indica livros fundamentais para discutir a temática do racismo, como O que é racismo, de Joel Rufino dos Santos.

Ana Lúcia Eduardo Farah Valente é mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB).

Referência: VALENTE, Ana Lúcia E. F. Ser negro no Brasil hoje. 15ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 1996, 88p. (Coleção Polêmica).

Cine PW: Uma história de amor e fúria

Salve, salve turma!

O Cine PW indica hoje a animação “Uma história de amor e fúria”. A animação retrata o amor entre um herói imortal e Janaína, a mulher por quem é apaixonado há 600 anos. Como pano de fundo do romance, o longa de Luiz Bolognesi ressalta quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o Regime Militar e o futuro, em 2096, quando haverá guerra pela água. Destinado ao público jovem e adulto com traço e linguagem de HQ, o filme traz Selton Mello e Camila Pitanga dublando os protagonistas. A obra conta ainda com a participação de Rodrigo Santoro, na pele do chefe indígena e de um guerrilheiro. (Fonte)

Zózimo Bulbul: vida e resistência!

Olá, turma esperta!

Faleceu ontem, 24/01, o ator, diretor de cinema e um dos maiores militantes da cultura negra do Brasil: Jorge da Silva, conhecido artisticamente como Zózimo Bulbul. Zózimo lutava contra um câncer no intestino desde meados de 2012 e foi enterrado no início da tarde desta sexta-feira, 25/01, no Rio de Janeiro, sua cidade natal.

Tendo iniciado sua carreira no Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE – União Nacional dos Estudantes – participou de mais de 30 filmes, sendo um dos principais atores do Cinema Novo, em produções de diretores como Glauber Rocha, Cacá Diegues e Leon Hirzman e o primeiro protagonista negro em uma novela brasileira, quando atuou em Vidas em Conflito (1969), da extinta TV Excelsior, o que fez dele um dos ícones negros dos anos 1960.

Como realizador cinematográfico dirigiu filmes importantes, como o curta “Alma no olho”, que faz uma metáfora sobre a escravidão e “Abolição”, seu filme mais famoso como diretor, que marcou o centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, descrevendo várias situações enfrentadas pelos afrodescedentes brasileiros até hoje.

O ator e diretor também teve papel importante como fomentador da cultura afrodescendente e na luta contra a desigualdade. Nas palavras do também cineasta Joel Zito “Ele foi pioneiro ao registrar no cinema a temática de seu povo”.

Confiram abaixo um dos destaques da carreira cinematográfica de Zózimo Bulbul, o filme Compasso de Espera (1973), onde ele fazia par romântico com uma branca rica, interpretada pela atriz Renèe de Vielmond. O personagem era um poeta negro que convivia com problemas existenciais por causa do preconceito do qual era constante vítima.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Gjns-TgMQCU]

Deixamos aqui o nosso “salve!” a este que, como tantos(as) outros(as), foi um grande pensador e realizador da cultura negra e afrodescendente brasileira.

Aquele abraço!

Fontes: http://correionago.ning.com/profiles/blog/show?id=4512587:BlogPost:319895&xgs=1&xg_source=msg_share_post

http://racabrasil.uol.com.br/Edicoes/106/artigo38900-1.asp

Novembro Negro e Reparação

 Olá, pessoal!

Mês de tratar da importância da pessoa afro-descendente. É quando mais se refere às questões como: cotas, reparação, preconceitos, identidades e orgulho dos negros e pardos no Brasil. A reflexão proposta neste espaço diz respeito ao termo reparação. Há que se compensar os(as) brasileiros(as) afro-descendentes? Claro que sim! É claro também que muitos(as) ainda discordam. A reparação se faz necessária quando algo foi feito de forma equivocada e produziu efeitos danosos a outrém. Danos como a escravidão de qualquer ser humano são irreparáveis. Não há como voltar no tempo…

O que não pode é continuar fingindo que o que passou, passou e pronto! Pensar e agir assim seria o mesmo que naturalizar a forma que negros e negras desumanamente foram explorados(as) e descartados(as). Equivaleria também a aceitar o processo de construção social e cultural como uma entidade neutra, apolítica, isenta de quaisquer responsabilidades para com o(a) semelhante em qualquer tempo e lugar.

Longe de pretender justificar as atrocidades cometidas contra essas populações, convém sinalizar que a escravidão ocorreu num contexto histórico em que a suposta superioridade de um determinado grupo humano sobre os demais era perfeitamente “natural”. Durante o período colonial a ciência desconsiderava que os(as) negros(as) fossem humanos(as), tivessem inteligência ou capacidade de aprender. No entanto, situando historicamente tais acontecimentos é possível compreender que era essa a lente disponível para enxergar a realidade naquele tempo, era esse o pensamento dominante e, infelizmente, socialmente aceitável.

Parece óbvio então que a conveniência econômica era o que mais contava para que a servidão tivesse continuidade e durasse praticamente quatrocentos anos no Brasil. Foi necessário muita resistência e luta de mulheres e homens negros ou não, para que se criassem leis que podem reduzir essas desumanidades e contribuem para o despertar da consciência de que todas as etnias são parte da espécie humana, com todas as suas diferenças e singularidades.

Nesse sentido, leis e punições para crimes de racismo podem servir para evitar a necessidade de reparação. As políticas públicas para educação, saúde, segurança, habitação, alimentação, lazer e outras, podem ser formas compensatórias que, a médio e longo prazos, trazem benefícios a todos(as) os(as) cidadãos e cidadãs indistintamente.

Compreendendo a educação como um direito e não um privilégio, como dizia o educador Anísio Teixeira, ela está longe de salvar uma sociedade, como já se acreditou. No entanto, é uma atividade de grande valia quando se refere não somente à reparação mas, principalmente, à prevenção de desigualdades sociais. Se não salva, pode abrir espaço para a equidade de oportunidades, evitando assim a necessidade de compensações. Uma educação infantil pública, gratuita e de qualidade, se disponibilizada desde a mais tenra idade, vai neste sentido. E é claro, deve ser realizada em uma escola com infraestrutura adequada, profissionais formados(as) e qualificados(as), assegurando assim uma direito inalienável, indispensável à crianças brasileiras, negras ou não. De acordo com a Unicef, crianças que tem acesso a essa modalidade de educação conquistam benefícios para a vida inteira. Por fim, fica a indagação: se bem educar, será preciso reparar?

Elzeni Bahia Góis de Souza

Professora da Rede estadual de Ensino – Colaboradora da Rede Anísio Teixeira.

Cine PW – “Amistad” e “Besouro”

Salve, turma!

O PW convida a tod@s a assistirem duas belas obras sobre a escravidão, “Amistad” e “Besouro”.

“Amistad”

 

A história remonta ao ano de 1839 e é baseada em factos verídicos que ocorreram a bordo do navio La Amistad. O filme relata a luta de um grupo de escravos africanos em território americano, desde a sua revolta até seu julgamento e libertação.

Através desta trama de forte conteúdo emocional, é possível conhecer as condições de captura e transporte de escravos africanos para os trabalhos na América do Norte, a máquina jurídica americana de meados do século XIX e o germe das primeiras medidas para a abolição da escravatura naquele território.

“Besouro”

 

Bahia, década de 20. No interior os negros continuavam sendo tratados como escravos, apesar da abolição da escravatura ter ocorrido décadas antes. Entre eles está Manoel (Aílton Carmo), que quando criança foi apresentado à capoeira pelo Mestre Alípio (Macalé). O tutor tentou ensiná-lo não apenas os golpes da capoeira, mas também as virtudes da concentração e da justiça. A escolha pelo nome Besouro foi devido à identificação que Manuel teve com o inseto, que segundo suas características não deveria voar. Ao crescer Besouro recebe a função de defender seu povo, combatendo a opressão e o preconceito existentes.

Fontes: Wikipedia, Besouro o filme