Dezembro em Festa!

As festas religiosas da Bahia são um patrimônio cultural do povo baiano, que resistiu bravamente ao processo de “modernização” do Brasil, no qual a Igreja Católica e os poderes públicos tentaram, a todo custo, controlar a religiosidade popular, retirando das festas de rua tudo àquilo que chamavam de “profano”. Mas esses esforços não surtiram efeito, e os “devotos continuaram transitando sem culpa entre os rituais católicos e os afro-brasileiros”[1]. No mês de dezembro celebramos Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição da Praia e Santa Luzia.

As festas populares, em dezembro, transformam as ruas de Salvador, estas se enchem de cores e gente! O calendário festivo religioso deste mês se inicia com a festa de Santa Bárbara, no dia 4 de dezembro. O culto à “Santa do Mercado”, como também é chamada, foi introduzido pelos portugueses na Bahia no início da colonização, sendo rapidamente abraçado pelo povo negro e humilde de Salvador. Os comerciantes do Mercado de Santa Bárbara (hoje desativado, mas no século XIX funcionava na Cidade Baixa) e os bombeiros adotaram a sua figura como protetora, e desde então organizam os folguedos em sua homenagem.

Festa de Santa Bárbara

Fonte: Web TV UFBA

Os preparativos para o culto à Nossa Senhora da Conceição ocorrem quase concomitante ao de Santa Bárbara, pois é no dia 8 que a procissão, organizada pela irmandade, saem às ruas para venerar a padroeira de Portugal e, ao menos até 1930, a padroeira do Império brasileiro. O culto e a organização da festa à Nossa Senhora da Conceição acontecem na igreja que leva seu nome, pela irmandade composta por membros da elite de Salvador. A festa de Santa Luzia, ocorre na rua do Pilar, no comércio, no dia 13. Em procissão, os fiéis seguem até a Fonte do Pilar, onde acreditam que, molhando os olhos com a água da fonte, a “Padroeira dos Olhos”, como também é conhecida, pode curar problemas oculares.

Festa para Nossa Senhora da Conceição da Praia

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Fonte: Amanda Oliveira

Todas essas festas têm em comum a mistura do canto e da dança dos índios e africanos com a cultura das procissões, propriamente ibéricas. Nas palavras da pesquisadora Edilece Souza Couto, “assim formou-se uma religiosidade voltada para o fervor da devoção dos santos, a diversão e a sensualidade, na qual não se pode distinguir com precisão as fronteiras entre o profano e o sagrado.”[1]Nas ruas, o povo promove o encontro indenitário entre santos católicos e os orixás. Assim sendo, Santa Bárbara e Iansã são combinadas em uma única entidade divina, do mesmo modo que ocorre com Nossa Senhora da Conceição e Iemanjá.

Até meados do século XIX, eram sobretudo as irmandades e as associações leigas que se responsabilizavam pela organização do evento nas ruas. À igreja católica, cabia a função dos sacramentos. No final do século XIX, mas sobretudo no governo de J.J. Seabra (1912 a 1916), ideias deturpadas de civilidade, entendiam ser necessário sufocar as manifestações populares, percebidas como “imorais” pela elite local. Por isso, era preciso “evitar manifestações lúdicas, não soltar fogos, impedir a mendicância, cultos e manifestações não católicas, principalmente as manifestações de matriz africana que traziam à memória a escravidão” [2]. A igreja católica tentou, sem sucesso, reformar as irmandades, ou mesmo substituí-las, para pôr fim aos chamados “festejos profanos”.

Quer saber mais sobre as festas religiosas na Bahia? Que tal assistir o canal da TV UFBA na Web! Você pode ver vídeos sobre a festa da Conceição da Praia e a festa de Santa Bárbara.

Vale também a pena conferir a tese de doutorado da proª da UFBA Edilece Souza Couto, intitulada “Tempo de Festas: Homenagens a Santa Bárbara, N. S. da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940).

[1]Edilece Souza Couto. Tempos de festa: Homenagens a Santa Bárbara, N. S. da Conceição  e Sant`Ana em Salvador (1860-1940). Tese de Doutorado, 2004, p. 13. http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/103165/couto_es_dr_assis.pdf?sequence=1

[2] Fabiano Moreira da Silva. Resenha do livro “Tempos de festas: homenagem a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940)” de Edilece Souza Couto. http://www.revistahistoria.ufba.br/2012_2/r01.pdf

[1] Fabiano Moreira da Silva. Resenha do livro “Tempos de festas: homenagem a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940)” de Edilece Souza Couto. http://www.revistahistoria.ufba.br/2012_2/r01.pdf

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Semana Santa

A Semana Santa é uma tradição religiosa que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo.

A Semana Santa se inicia na quarta feira de Jesus Cristo em Jerusalém, que ocorre do domingo de ramos, e tem seu término com a ressurreição de Jesus Cristo, que ocorre no domingo de Páscoa.

Os dias da Semana Santa

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a da entrada de Jesus em Jerusalém. Jesus é recebido em Jerusalém como um rei, mas os mesmos que o receberam com festa o condenaram à morte. Jesus é recebido com ramos de palmeiras. O Domingo de Ramos é a festa litúrgica que celebra a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. É também a abertura da Semana Santa. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração. Segundo os Evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os(discípulos). Entrou na cidade como um Rei, mas sentado num jumentinho – o simbolo da humildade – e foi aclamado pela população como o Messias, o Rei de Israel. A multidão o aclamava: “Hosana ao Filho de Davi!” Isto aconteceu alguns dias antes da sua Paixão, Morte e Ressurreição. A Páscoa Cristã celebra então a Ressurreição de Jesus Cristo.

História A procissão do Domingo de Ramos surgiu depois que um grupo de cristãos da Etéria fez uma peregrinação a Jerusalém e, ao retornar, procedeu na sua região da mesma forma que havia feito nos lugares santos, lembrando os momentos da Semana Santa. O costume passou a ser utilizado gradualmente por outras igrejas e, ao final da Idade Média, foi incorporado aos ritos da Semana Santa…. O Rito A celebração do Domingo de Ramos começa em uma capela ou igreja afastada de onde será rezada a Missa. Os ramos que os fiéis levam consigo são abençoados pelo sacerdote. Então, este proclama o Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém, e inicia-se a procissão com algumas orações próprias da festa, rumo à igreja principal ou matriz. Em algumas cidades históricas como: Ouro Preto, Pirenópolis, Resende Costa e São João Del Rei, esta procissão é acompanhada de Banda de Música. Durante a procissão, os fiéis entoam a antífona: “Hosana ao Filho de Davi! Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Rei de Israel, Hosana nas alturas!” Ao chegar onde será celebrada a missa solene, a festa muda de caráter, passando a celebrar a Paixão de Cristo. É narrado o Evangelho da Paixão, e segue a Liturgia Eucarística como de costume. O sentido da festa do Domingo de Ramos tratar tanto da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, e depois recordar sua Paixão, é que essas duas datas estão intrinsicamente unidas. A Igreja recorda que o mesmo Cristo que foi aclamado como Rei pela multidão no Domingo, é cruficidado sob o pedido da mesma multidão na Sexta. Assim, o Domingo de Ramos é um resumo dos acontecimentos da Semana Santa, e também sua solene abertura

 Segunda-Feira Santa

É o segundo dia onde o Nosso Jesus começa sua caminhada rumo ao calvário.

Terça-Feira Santa

É o terceiro dia da Semana Santa, onde é celebrada as sete dores de Nossa Senhora Virgem Maria.

Quarta-Feira Santa

É o quarto dia da Semana Santa. Encerra-se na Quarta-feira Santa o período quaresmal. Em algumas igrejas celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Ainda há igrejas que neste dia celebra o Ofício das Trevas, lembrando que o mundo já está em trevas devido à proximidade da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quinta-Feira da Ceia

É o quinto dia da Semana Santa. Neste dia é relembrada especialmente a Última Ceia. É também celebrada a Missa de Lava-pés, onde se relembra o gesto de humildade que Jesus realizou lavando os pés dos seus doze discípulos e comendo com eles a ceia derradeira. É neste momento que Judas Iscariotes sai correndo e vai entregar Jesus por trinta moedas de prata. É nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e no amanhecer da Sexta-feira, açoitado e condenado. A igreja fica em vigília ao Santíssimo, relembrando os sofrimentos começados por Jesus nesta noite. A igreja já se reveste de luto e tristeza desnudando os altares, quando é retirado todos os enfeites, toalhas, flores, velas, tudo para simbolizar que Jesus já está preso e consciente do que vai acontecer. Neste dia cobre-se todas as imagens existentes no templo pois a igreja se inluta pela vespera da morte

Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão

É quando a Igreja recorda a Morte do Salvador. É celebrada a Solene Ação Litúrgica, Paixão e Adoração da Cruz.A recordação da morte do Senhor consiste, resumidamente, na adoração de Cristo crucificado, precedida por uma liturgia da Palavra e seguida pela comunhão eucarística dos participantes. Presidida por um padre, presbítero ou bispo, paramentado como para a missa, de cor vermelha.

Sábado Santo

Também era chamado de Sábado de Aleluia, é o dia antes da Páscoa no calendário de feriados religiosos do Cristianismo.

 Domingo de Páscoa

É o dia da ressurreição de Jesus, e as comemorações mais importantes do cristianismo, que celebra a vida, o amor e a misericórdia de Deus.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Semana_Santa