Surdos e Acessibilidade na Televisão

Olá, turma!

Reduzir e eliminar barreiras de alcance a bens e serviços devem ou deveriam ser obrigação de quaisquer sociedades que buscam uma vida digna a seus membros, tenham eles alguma restrição ou não. No Brasil, as PcD – Pessoas com Deficiência – aquelas que acometidas por alguma limitação física, sensorial, intelectual, quer seja temporária ou permanente, tem esse direito garantido pela Constituição Federal de 1988 e em outras leis, como a 10.098 de 19/12/2000, que trata do direito de acesso à comunicação de forma autônoma.

No universo das PcD, os(as) surdos(as) ou pessoas com deficiência auditiva tem ficado à margem de muitas das informações que circulam na sociedade, quando estas são veiculadas através dos meios audiovisuais como a TV. A falta de legendas abertas ou ocultas, o close caption ou a janela da Libras são garantias legais, além das diretrizes contidas na ABNT NBR 15290. A ausência destes recursos de acessibilidade na comunicação impõem limitações a essas pessoas, expropriam-nas do direito a informação, levando-as a terem dificuldades em compreender os conteúdos dos programas televisivos que adentram suas casas. Além disso, pode comprometer seriamente o processo de aprendizagem e interação com as pessoas do seu círculo social.

Seria legítimo falar em inclusão social mesmo que apenas um ser humano estivesse à margem de serviços tão imprescindíveis ao seu pleno desenvolvimento? Se existem tecnologias disponíveis para essa finalidade porque não democratizá-las o quanto antes? Os(as) ouvintes já pensaram em passar todo o tempo vendo a TV totalmente sem som? O que será que compreenderiam somente a partir das imagens?

Estas reflexões levam a crer que a conquista da acessibilidade plena é imprescindível aos PcD para que transitem, se situem, sintam, experimentem, possam compreender e estejam nos lugares assim como todo(a) e quaisquer cidadãos(ãs). Os meios de comunicação, especialmente a televisão, tem muito a contribuir desde que suas produções estejam dispostas a investir na formação de profissionais e na aquisição de equipamentos e tecnologias assistivas para atender a esse público. Promover acessibilidade é, sobretudo, construir a cidadania plena de fato, e não apenas de direito.

Um abraço!

Texto de Elzeni Bahia Gois de Souza, professora e colaboradora da Rede Anísio Teixeira, Programa de difusão de linguagens e Tecnologias da Informação e da Comunicação da Rede Pública Estadual de Ensino.

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