Cine PW – Que horas ela volta?

Foto: Janine Moraes/MinC
Fig. 1: Anna Muylaert no lançamento do filme no Cineclube Ambiente Cultural. Foto: Janine Moraes/MinC

Olá, cinéfilos!

Nesta semana, o blog vai indicar o filme brasileiro Que horas ela volta?, obra muito bem aclamada pela crítica e pelo público em 2015, recebendo algumas indicações como melhor filme estrangeiro no Critics’ Choice Award e também Satellite Award.

Sob direção de Anna Muylaert, que também roteirizou, em parceira de Regina Casé, o filme retrata de forma muito delicada a vida de Val, interpretada pela própria Regina, uma empregada doméstica pernambucana que trabalha em São Paulo há mais de uma década para uma família rica.

Nessa casa, Val se relaciona diferentemente com cada pessoa. Mas vale ressaltar a interação que ela tem com Fabinho, o filho dos patrões, que tem por Val uma afeição maternal, sentimento que não consegue enxergar na própria mãe, que, por sua vez, é uma pessoa conturbada e carregada de preconceitos.

O filme se desenrola com a chegada de Jéssica, filha de Val, que sai de Pernambuco para prestar vestibular em São Paulo. Nesse processo, ela fica hospedada temporariamente na casa onde Val trabalha. Tempo suficiente para Jéssica perceber as relações de poder que existem naquele lar . Por isso, Val é, a todo o tempo, questionada pela filha em relação à posição social que ocupa dentro daquele ambiente.

O filme consegue trazer à reflexão os micropoderes que coexistem na nossa sociedade, mostrando como alguns personagens podem ser, na mesma história, algozes e vítimas. Mostra também o quanto a sociedade ainda precisa se desgarrar dos diversos preconceitos e da mentalidade classista que ainda permeia muitos pensamentos.

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

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Cine PW – Apocalypto

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Olá, cinéfilos!

O blog dedica inteiramente o mês de abril para trazer e discutir a história e cultura dos povos indígenas. Com isso, traremos produções que tratam desse universo, com intuito de enriquecer o nosso conhecimento e observar a riqueza cultural das inúmeras etnias que existiam e as que ainda existem e resistem.

Para a primeira semana de abril, o Cine PW indicará o filme “Apocalypto”, dirigido por Mel Gibson e lançado em 2006. Essa super produção retrata a história de Jaguar Paw, um caçador que vive numa aldeia na América Central com sua esposa e filho. Durante a história, o personagem encontra com outras etnias, sendo uma delas, a civilização Maia. Jaguar então é capturado pelos maias e subjugado à condição de ser ofertado aos deuses.

Para além da história de Jaguar Paw, podemos perceber a preocupação da obra fílmica em reproduzir a grandeza do império Maia. Os cenários são grandiosos e conseguem retratar mais fielmente essa complexa nação do período pré-colombiano. O dialeto maia foi preservado no filme, trazendo mais fidelidade à obra e uma sensação de maior proximidade com aquele universo de outrora.

Sobre outras óticas, podemos perceber com “Apocalypto” a enorme diversidade étnica que existia antes da invasão espanhola. Cabe também refletir sobre a relação de coexistência entre esses povos e como estes, posteriormente, se modificaram com a chegada dos europeus. Por fim, analisar e comparar o império Maia com sua sólida estrutura social e seu nítido avanço tecnológico da época com outras etnias que ainda viviam dentro de sistemas primitivos.

“Apocalypto” é um bom filme para ilustrar esse momento da história. Até para percebermos que, antes dos europeus cruzarem o atlântico com seus navios cheios de ganância e tragédias, aqui já se encontravam, também, muitos problemas.

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Cine PW – A Febre do Rato

 

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Olá, cinéfilos!

Hoje, iniciaremos a Semana da Poesia aqui no nosso blog. Já pensaram se o cinema pode ser considerado poesia?

Claro que, metaforicamente, teríamos a liberdade de concluir isso, mas podemos ir um pouco mais além. No filme, “A Febre do Rato”, dirigido por Cláudio Assis e lançado em 2012, o cinema e a poesia se mesclam de forma muito interessante. Como exemplo disso, podemos apreciar belos poemas que Zizo, poeta e personagem principal da obra, declama várias vezes durante a película. Isso nos faz pensar que é possível consumir uma determinada arte ainda que ela não esteja na plataforma que lhe foi categorizada, nesse caso, a literatura.

Falando sobre a obra, “A Febre do Rato” é a história de Zizo, um literato que produz seu próprio jornal como trabalho rentável. Inquieto e provocador, o personagem principal passa por diversas realidades em sua cidade, Recife. Seja na relação com inúmeras pessoas ou nos problemas e paradigmas sociais. Zizo é sempre ativo na história ou na situação em que se encontra, e uma das armas que ele usa é a poesia.

Existe uma despreocupação no filme em firmar uma história de início, meio e fim. O foco maior é mostrar Zizo como um personagem que tem um posicionamento político e ideológico e que enfrenta determinadas normas sociais com muita personalidade.

A Febre do Rato” é um belo filme para quem gosta de poesia e cinema. Sua narrativa é bem fluida e leve, fazendo com que o tempo seja algo irrelevante. Uma obra que resgata o sentido reflexivo que toda arte deve ter, em contraponto à avalanche de filmes brasileiros que estão muito mais preocupados em gerar renda.

 

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Cine PW – Bichas, o documentário

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Fig. 1: Divulgação

Olá, cinéfilos! Tudo bem?

Estamos na semana de Gênero e Sexualidade e, para fomentar essa discussão, o Cine PW traz a obra “Bichas, o documentário”, um filme que retrata a vivência de seis jovens e as barreiras sociais que são encontradas no dia a dia. Dirigido por Marlon Parente, esse documento propõe uma revisão no olhar sobre a palavra “bicha”, que é comumente usada de forma ofensiva para ser tomada como um elogio, através da afirmação e do orgulho de ser homossexual.

O documentário, que foi lançado dia 20 de fevereiro de 2016, apresenta também um diálogo sobre a violência e a intolerância, através das histórias que são contadas. As falas dos entrevistados provocam uma reflexão sobre os efeitos da heteronormatividade na construção sociocultural, nas relações familiares e nos diversos ciclos sociais.

Os crimes causados por homofobia ainda são alarmantes no Brasil e no mundo. E tudo isso é simplesmente causado pelo não entendimento sobre a diversidade no mundo. E é para isto que as discussões devem existir: para normalizar a diversidade, colocar luz sobre um mundo plural e múltiplo e desconstruir a mentalidade de que não é possível conviver com as diferenças.

Daí a necessidade de trazer essas reflexões para todas as esferas da sociedade. Para que os erros de hoje não aconteçam amanhã, e que o ódio deliberado seja trocado pelo respeito mútuo, acreditando que o avanço social depende da compreensão ampla de mundo.

Vamos assistir!

 

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Dia da Internet Segura

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Olá, turma!

Já parou para pensar o quanto a internet é presente em nossas vidas atualmente? Ela está em diversas esferas da nossa vida, mostrando que é uma ferramenta poderosa, capaz de nos auxiliar em inúmeras tarefas diárias.

Um aspecto muito interessante sobre a internet é o avanço que as tecnologias da comunicação e da informação tiveram. Por exemplo, hoje é muito fácil ter notícias de um amigo que mora longe; de fazer novas amizades em países que você nunca visitou; ou até mesmo ter acesso a informações que antes pareciam impossíveis de alcançar. A rede mundial de computadores é realmente uma das maiores criações do século passado.

Mas como toda ferramenta, o uso da internet deve ser consciente e de forma crítica. Existem pessoas que estão dedicadas a cometer crimes na rede e é importante estar atento a essas ações. Mas talvez você esteja se perguntando como se preparar para essas situações. Alguns cuidados são bem simples, como: não fornecer informações pessoais para desconhecidos; não criar senhas óbvias como a data de aniverśario; e não preencher formulários de sites duvidosos.

Para discutir essas questões, a SaferNet criou uma campanha que vai dialogar sobre o uso responsável da internet.

Confira: http://www.diadainternetsegura.org.br/site/sid2016

Radiola PW – Festival Anual da Canção Estudantil

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Olá, turma!

Vocês conhecem o Festival Anual da Canção Estudantil? Esse evento foi criado em 2008 com o intuito de promover a diversidade artística dos alunos da rede pública de ensino. É no FACE que os alunos mostram todo o talento com a música, transformando o festival numa interessante plataforma que dá visibilidade ao estudante-artista.

Em 2012, o FACE percorreu mais de mil escolas da rede estadual, prestando homenagem a diversos artistas regionais e tendo a participação de mais de 5.000 estudantes.

Mas se você ainda não teve a oportunidade de acompanhar o festival, a Radiola PW te dá uma ajuda. No soundcloud da Rádio Educação Bahia, você consegue ouvir uma playlist dos artistas que passaram pelo evento. Acesse: soundcloud.com/radioeducacaobahia/sets/face.

Melhor que uma indicação de um bom artista, é poder ouvir e ver o nascimento de vários deles. A Radiola PW faz um convite não só para prestigiar nossos artistas, mas também para acompanhar o festival até a calorosa final, que atualmente acontece no Encontro Estudantil.

Radiola PW – Herdeiros do Futuro

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Olá, galera esperta!

A Radiola PW, inspirada no Dia do Estudante, vai indicar a música “Herdeiros do Futuro”, de Toquinho e Elifas Andreato. A canção foi composta para o disco “Toquinho e convidados”, de 1997, e que trata de um assunto muito importante: o futuro do nosso país.

A letra provoca a reflexão sobre o cuidado que devemos ter para que o avanço ou melhoramento do país usando elementos da natureza, como: “Será que no futuro haverá flores?/Será que os peixes vão estar no mar?/Será que os arco-íris terão cores”.

Mas também podemos enxergar esses mesmos aspectos de forma metafórica, trazendo para outras esferas de nossa sociedade, como educação e saúde. A letra da canção diz:“Vamos ter que cuidar bem desse país”. Ou seja, podemos perceber que a missão que os estudantes e professores têm em mãos é bastante árdua e importante, já que construir uma nação melhor não é uma tarefa simples, mas não é impossível.

HERDEIROS DO FUTURO
Toquinho – Elifas Andreato

A vida é uma grande amiga da gente,
Nos dá tudo de graça pra viver:
Sol e céu, luz e ar,
Rios e fontes, terra e mar.

Somos os herdeiros do futuro
E pra esse futuro ser feliz
Vamos ter que cuidar
Bem desse país.

Será que no futuro haverá flores?
Será que os peixes vão estar no mar?
Será que os arco-íris terão cores,
E os passarinhos vão poder voar?

Será que a terra vai seguir nos dando
O fruto, a folha, o caule e a raiz?
Será que a vida acaba encontrando
Um jeito bom da gente ser feliz?

Vamos ter que cuidar
Bem desse país.

 

 

 

Radiola PW – Canção da América

Olá, turma!

Hoje, na Radiola PW, iremos juntar duas coisas superimportantes na vida de qualquer pessoa: música e amizade. Para comemorar o Dia do Amigo, indicaremos “Canção da América”, uma obra famosa do cantor e compositor Milton Nascimento.

Mas, você sabe porque dia 20 de julho é dia do amigo?

O dia do amigo foi adotado primeiramente na cidade de Buenos Aires, com um argentino chamado Enrique Ernesto Febbraro, que, maravilhado com a conquista da chegada do homem à lua no dia 20 de julho de 1969, enviou cerca de quatro mil cartas a diversos países falando que esse acontecimento histórico representava que a união dos homens sobrepõe a qualquer objetivo impossível.

Amigo é coisa pra se guardar!

Motivado pela sua amizade com Ricky Fataar, Milton Nascimento compõe Unencounter e grava em 1979, no seu álbum Journey To Dawn, canção que, posteriormente, vai ter uma versão em português: tratava-se de Canção da América. Criada em parceria com Fernando Brant, a música ficou bastante conhecida em todo o Brasil e, para muitos, é o hino da amizade”

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Canção da América

Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves,
Dentro do coração,
Assim falava a canção que na América ouvi,
Mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir,
Mas quem ficou, no pensamento voou,
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou no pensamento ficou,
Com a lembrança que o outro cantou.
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito,
Mesmo que o tempo e a distância, digam não,
Mesmo esquecendo a canção.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração.
Pois, seja o que vier,
Venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.

2 DE JULHO

Olá, galera esperta!

O mês de julho está prestes a começar e com ele vem um dos dias mais importantes na construção da independência do Brasil. Mais que isso, as histórias que envolvem o 2 de julho mostram personagens que fizeram trajetórias marcantes na historicidade da Bahia, e que reflete no imaginário coletivo do povo baiano.

Com a chegada do general português Madeira de Melo, em fevereiro de 1822, a câmara de Salvador é fechada. Com isso, a tropa brasileira se refugia no Convento da Lapa, que fica no atual bairro de Nazaré. Surge então nessa história, a sóror Joana Angélica, que acolheu esses refugiados e por isso foi morta pelos soldados lusitanos com golpes de baioneta. Nesse momento, outros lugares conhecidos de Salvador são invadidos pelos portugueses, como o Forte de São Pedro, o quartel da Mouraria e o Convento da Palma.

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Com tamanha repressão, parte da população de Salvador foge para a cidade de Cachoeira, formando alguns grupos de resistência. Sabendo disso, o general Madeira de Melo começa uma batalha fechando o porto de Cachoeira com uma escuna. Nesse período, é travado muitos conflitos que finalmente culminou na vitória dos brasileros.

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A ilha de Itaparica também foi palco de lutas contra os portugueses. Mas foi na batalha de Pirajá que a independência da Bahia começa a solidificar. A tropa brasileira se espalha pela cidade, mas precisamente nos bairros de Brotas, Cabula, Graça, Resgate, Vitória e Ubaranas (atual região do Nordeste e Amaralina). E o maior conflito acontece quando os lusitanos desembarcam em Plataforma e Itacaranha e encontram os soldados brasileiros em Pirajá. Estima-se a participação de 5 mil homens nesse encontro.

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Outros personagens são importantes nessa história, como Maria Quitéria e Maria Felipa, mulheres que participaram ativamente na resistência brasileira contra as tropas portuguesas.

Em junho, as tropas brasileiras, depois de 6 meses em Pirajá, começam a libertar as povoações de Brotas, Rio Vermelho, Pituba e Itapuã. E no dia 2 de julho, os batalhões brasileiros saem marchando do quartel de Pirajá até o centro de Salvador, passando pela Liberdade e se encontrando com tropas que vinham da Armação e Rio Vermelho. Depois disso, ocupam o Forte da Gamboa, o quartel da Pólvora, a Casa da Pólvora e o Forte de São Pedro.

Em 1824, o famoso cortejo de 2 de Julho acontece pela primeira vez. Para simbolizar a vitória brasileira nesse importante evento, é colocado um mestiço em cima de uma carreta que antes pertencia aos portugueses. Dois anos depois, o mestiço foi substituído por uma escultura do caboclo.

A TV Anísio Teixeira, através do quadro “Histórias da Bahia”, explica esse momento histórico da Bahia.

Captura de tela - 29-06-2015 - 14:17:15

Confira: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3774

Radiola PW – Somos Tupinambá

Olá, galera esperta!

O Radiola PW indica hoje a música “Somos Tupinambá”. A canção, vencedora do FACE (Festival Anual da Canção Estudantil) de 2012, foi escrita por Lucas Santos Nascimento e Carlos Alberto Pereira de Araújo Júnior, de 13 e 12 anos, respectivamente. Oriundos do Colégio Estadual Indígena Tupinambá de Olivença – Ilhéus/Ba, esses dois jovens compositores reiteram em “Somos Tupinambá” a etnia indígena a qual pertencem. Uma letra que dialoga com a atual situação dos povos indígenas e os conflitos que os circundam.

O videoclipe da música foi produzido pelo coletivo Oca Digital, através de uma oficina ministrada pelo videodocumentarista Glauber Xavier.

As culturas indígenas estão há mais de cinco séculos lutando contra hegemonias que já passaram pelas monarquias ibéricas até a atual conjuntura capitalista. Portanto, toda manifestação artística, cultural e intelectual desses povos ganha enorme importância e precisa ser compartilhada com bastante zelo e atenção. Afinal, as culturas indígenas fazem parte de nossos hábitos, tradições e identidades.

Somos Tupinambá

É, Somos Tupinambá
É, Somos Tupinambá
Viemos pra essa luta e não vamos perder
Lutando todos juntos temos como vencer
É, Somos Tupinambá
É, Somos Tupinambá
A luta é grande
A luta é sagrada
Mas com fé em Tupã
Vencemos qualquer parada
É, Somos Tupinambá
É, Somos Tupinambá