Radiola PW: Ilê Pérola Negra

Oi! Tudo bem? Estamos no mês de novembro e, neste período do ano, todas as nossas publicações abordam aspectos da História e Cultura Africana. Assim, fortalecemos as ações do Novembro Negro, que acontece em todo o estado e será aberto oficialmente amanhãNa Radiola PW de hoje, o destaque vai para a música Ilê Pérola Negra, dos compositores Miltão, Renê Veneno e Guiguio. A canção foi gravada pela cantora e compositora Daniela Mercury, em 2000, no CD Sol da Liberdade.

Fig. 1: Ilê Aiyê. Foto: reprodução do site oficial do bloco afro

Fig. 1: Ilê Aiyê. Foto: reprodução do site oficial do bloco afro

Ilê Pérola Negra traz no seu discurso uma forma evidente de exaltação. Exalta a cultura negra em todos os seus aspectos: sociais, artísticos e religiosos. Os versos carregam um alerta para que toda a população perceba que a cultura negra é uma das bases da cultura brasileira e, por isso, todos deveriam conhecê-la e, obviamente, respeitá-la. Isso se confirma nos seguintes trechos:

[…]

Eu quero penetrar no laço afro que é meu e seu

Vem cantar meu povo

Vem cantar você

[…]

O mote da música é o desfile do bloco afro Ilê Aiyê, durante o Carnaval. Os autores fazem reverência àquele que é considerado “o mais belos dos belos” e reafirmam, durante todo a canção, a importância do cordão para a negritude. Por isso, o Ilê é uma pérola negra:

Lá vem a negrada que faz o astral da avenida

Mas que coisa tão linda, quando ela passa me faz chorar

Tu és o mais belos dos belos, traz paz e riqueza

Tens o brilho tão forte por isso te chamo de pérola negra

Um dos objetivos da obra é negar a política de assimilação, estrategicamente construída para fazer com que os negros não tenham orgulho de seus traços e de sua cultura. De acordo com BERND (1988, p. 35), tal política diz respeito à “tendência dos povos americanos, sobretudo dos negros, de assimilar a cultura européia (processo de aculturação) e a conseqüente perda da memória das culturas de origem indígena e africana (processo de desculturação) [sic]”.

Ilê Pérola Negra é, por si só, uma política de exaltação. É importante considerar o seu discurso, principalmente para que todas as pérolas brilhem de forma igual, mas mantendo as suas características próprias.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Referência:

BERND, Zilá. O que é negritude. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Coleção Primeiros Passos).

Literatura no Mapa

Oi! Tudo bem? Você quer colocar mais literatura na sua vida? Se respondeu “sim” à pergunta, uma ótima dica é conferir a revista CartoGRAFIAS, publicada pelo projeto Mapa da Palavra.BA, uma ação da Coordenação de Literatura e da Diretoria das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). O projeto é resultado de um levantamento de dados sobre a literatura produzida na Bahia e tem como objetivo servir de base para o planejamento de programas e ações que incentivem o desenvolvimento das letras no estado.

Imagem: captura de tela do site Mapa da Palavra

Imagem: captura de tela do site Mapa da Palavra

A revista é composta por quatro volumes e reúne textos de autores contemporâneos da Bahia. Tais autores contemplam os 27 territórios de identidades do estado. O projeto teve a participação de mais de cinquenta municípios  e as edições da revista estão disponíveis para download gratuito, o que pode ser feito no site do Mapa da Palavra, através deste link: http://mapadapalavra.ba.gov.br/publicacoes/.

Quem gosta de ler, vai encontrar uma infinidade de motivos para fazê-lo. Na CartoGRAFIAS, figuram gêneros textuais como contos, crônicas, poesia e cordel. É possível também conhecer um pouco sobre a vida de cada autor, pois há uma minibografia no final das obras.

Os textos de cada edição da revista abordam todo tipo de tema e, obviamente, dialogam com questões da atualidade. O leitor vai se deparar com poema concreto que fala de solidão e com cordel que critica o discurso de pessoas que querem separar o Nordeste do resto do Brasil. No poema Pintando o Sete, de Ze Walter, um convite estimulante para a gente pensar em toda mística que ronda o número sete:

Hoje vou pintar o 7

Falando deste algarismo

Chamado de cabalístico

Coberto de misticismo

Que vem desde a antiguidade

Como curiosidade

E complexo simbolismo

[…]”

Acesse o site do projeto Mapa da Palavra.BA, leia os textos e coloque mais literatura no seu caminho! Não importa qual direção você vai tomar, a certeza é de que vai chegar longe com isso!

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Do Brasil

Oi! Tudo bem? Hoje, a dica da Radiola PW é a música Do Brasil, composta por Vander Lee, cantor e compositor mineiro. A canção foi gravada no CD Pensei Que Fosse o Céu – Ao Vivo, lançado pelo artista em 2006. Nela, Vander Lee faz uma homenagem ao nosso sertão, evidenciando as qualidades e mostrando que a raiz do Brasil está fincada lá.

Fig. 1: O sertão é, constantemente, inspiração para os artistas. Imagem: Jorge Ribas

Fig. 1: O sertão é, constantemente, inspiração para os artistas. Imagem: Jorge Ribas

Já na primeira estrofe, o autor deixa claro que é impossível fazer referência ao Brasil sem falar do sertão. Para isso, usa a comparação, uma figura de linguagem bem comum em textos de música:

Falar do Brasil sem ouvir o sertão

É como estar cego em pleno clarão

Olhar o Brasil e não ver o sertão

É como negar o queijo com a faca na mão

Em seguida, Vander Lee justifica o que tinha afirmado na estrofe anterior, mostrando por que o sertão foi e é fundamental para o país. Nos versos, fica clara a alusão que o poeta faz aos sertanejos, muitas vezes considerados os “construtores” da nossa nação. Os movimentos migratórios do Brasil explicam muito isso, não é?

Esse gigante em movimento

Movido a tijolo e cimento

Precisa de arroz com feijão

Quem tem a comida na mesa

Que agradeça sempre a grandeza

De cada pedaço de pão

Ainda falando sobre a estrofe acima, vale destacar o uso que o artista faz da personificação (prosopopeia) para se referir ao Brasil: “Esse gigante em movimento/Movido a tijolo e cimento/Precisa de arroz com feijão”.

Vander Lee não deixa de citar o povo do sertão, trabalhador por natureza:

Agradeça a Clemente

Que leva a semente

Em seu embornal

Zezé e o penoso balé

De pisar no cacau

Maria que amanhece o dia

Lá no milharal

Joana que ama na cama do canavial

João que carrega

A esperança em seu caminhão

Pra capital

O compositor continua a enaltecer o sertão nos versos da música, de forma cada vez mais incisiva:

Lembrar do Brasil sem pensar no sertão

É como negar o alicerce de uma construção

Amar o Brasil sem louvar o sertão

É dar o tiro no escuro

Errar no futuro

Da nossa nação

[…]

Agradeça a Tião

Que conduz a boiada do pasto ao grotão

Quitéria que colhe miséria

Quando não chove no chão

Pereira que grita na feira

O valor do pregão

Zé Coco, viola, rabeca, folia e canção

Zé Coco, viola, rabeca, folia e canção

No final, um arremate que sintetiza toda a ideia que a letra quer passar:

Amar o Brasil é fazer

Do sertão a capital…

Muitas vezes, o capital é fruto dos esforços de quem vem do sertão. Já parou para pensar nisso?

Dicas:

Na nossa literatura, outras obras também têm o sertão como temática. Uma das mais conhecidas é o romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

Neste vídeo, produzido pelos professores do Emitec (Ensino Médio com Intermediação Tecnológica), você complementa os seus estudos sobre figura de linguagem.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Instituto Anísio Teixeira é finalista do “Prêmio ARede Educa”

O Instituto Anísio Teixeira (IAT) é finalista do Prêmio ARede Educa de 2016, com o Programa de Difusão de Mídias e Tecnologias Educacionais Livres da Rede Pública Estadual de Ensino, Rede Anísio Teixeira (Rede AT). A premiação é promovida pelo projeto ARede e tem como objetivo valorizar, difundir e estimular a inclusão social por meio do uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs).

Fig. 1: captura de tela do site ARede Educa

Fig. 1: captura de tela do site ARede Educa

O IAT é finalista em três categorias: a) Prêmio Especial de Recursos Educacionais Abertos, com a Rede AT; b) Mídias Sociais, modalidade “setor público”, com o Blog do Professor Web e da Professora Online e c) Plataformas Educacionais, com o Ambiente Educacional Web, também na modalidade “setor público”. Mais de 220 projetos foram classificados, mas apenas 85 ficaram entre os finalistas. O resultado será divulgado no mês de outubro.

No vídeo abaixo, profissionais da Rede Anísio Teixeira falam sobre os projetos indicados e sobre a importância de concorrer ao prêmio. Assista!

Radiola PW: Acorde, Brasil

Oi, turma! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Acorde, Brasil, do cantor e compositor Julinho Marassi. Embora tenha sido composta no ano 2000, a música continua atual, principalmente quando fala da nossa realidade política e expõe práticas comuns do universo artístico do país. A obra foi gravada, pela primeira vez, em 2002, no CD Julinho Marassi e Gutemberg Ao Vivo. A dupla é oriunda de Barra Mansa, Rio de Janeiro.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Logo no início da letra, o eu lírico mostra toda a sua revolta diante das coisas que vê. As três primeiras estrofes já trazem um tom crítico e mostram que o personagem não quer continuar aceitando ser “marionete” para o “sistema”:

Resolvi abrir o jogo agora,
Sai da frente, que eu não tô brincando,
Tô entrando com o pé na porta,
Fala sério: o bicho tá pegando!


Me cansei de aguentar calado,
Não nasci pra acompanhar rebanho,
Estar na mão de quem não sabe nada,
“Prestenção” no que eu estou falando

Não adianta você ser sincero,
Ser honesto e ter bom coração,
Se você não entra no sistema
Fica fora da programação

Em seguida, Julinho fala de forma mais contundente sobre os conchavos existentes no universo artístico e cultural do Brasil, em que alguns “escolhidos” são eleitos por pura conveniência. Para introduzir o tema, cita a mídia, que contribui bastante para que tal prática seja perpetuada no país:

Quantos homens bons morreram cedo,
Que podiam ajudar você
Quantas pragas continuam vivas
No jornal, no rádio e na TV

É difícil ser o escolhido,
Sem padrinho, sem um pistolão,
Mas, amigo, o sol nasceu pra todos,
Acredite na sua canção

Nas estrofes seguintes, o compositor fala diretamente para os políticos do Brasil. Em ano de eleições municipais, é importante atentar para a conduta, o histórico de vida pública e as propostas dos candidatos, para fazer as cobranças necessárias no futuro:
[…]

Com licença, agora eu vou falar
Pra todos os políticos que vivem no Brasil
Se liga!
Cadê seu ideal,
De quando era novo?
Nada te segurava,
Você veio do povo

Você não tinha medo
Agora se calou
Entrou no ninho de cobras
Na gente, nem pensou

Se sente ameaçado?
Bota a boca no mundo
Sai limpo da história
Sai desse lixo imundo

[…]

No refrão, uma crítica forte e realista da situação brasileira. Julinho faz um retrato do país, enfatizando as diferenças sociais existentes por aqui. Ainda toca em outra questão delicada: a religiosidade. Nos versos, ele destaca como as mais variadas denominações religiosas se apropriaram da televisão para, nas suas palavras, fazerem disso um “meio de vida”:

Classe média tá desesperada,
Classe baixa tá passando fome,
Classe alta tá dando risada,
Deus me ajude a igualar os homens

Religião virou meio de vida,
Tomou conta da televisão,
Cidadão, “cê” não precisa disso,
Deus tá dentro do seu coração

Em Acorde, Brasil, Julinho Marassi faz um convite para a gente abrir os olhos (física e metaforicamente), a fim de perceber como práticas desrespeitosas se repetem no país. Muitas vezes, por comodismo, não fazemos quase nada para mudá-las. Precisamos acordar! E você: está acordado (a) ou dormindo?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

A Gramática no ENEM

Oi! Tudo bem? Nesta semana, voltamos a discutir aspectos relacionados ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Hoje, é dia de falar da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que abrange o conteúdo de Língua Portuguesa (Gramática e Interpretação de Texto), Língua Estrangeira Moderna, Literatura, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação. Você sabe como os conteúdos gramaticais são cobrados no ENEM? O nosso intuito é complementar os seus estudos. Vamos lá?!

A gramática exigida no ENEM estimula a reflexão sobre o uso da língua. Nunca é o fim, mas sempre o meio para que o candidato entenda a aplicabilidade daquele conteúdo num texto ou numa situação do dia a dia. Por isso, o estudante deve atentar para a interpretação de texto. Ela é fundamental para compreender o que é pedido nas questões. Para se sair bem nesse aspecto, não tem segredo: basta ler muito! Independente do ENEM, a leitura deve fazer parte da nossa vida. Ops! Será que o emprego do adjetivo “independente”, nesse contexto que usei, está adequado?

Imagem: Raulino Júnior

Imagem: Raulino Júnior

Na verdade, cometi o erro de propósito, para que a gente reflita sobre esse fenômeno da língua. Ele está nos jornais, nos ambientes de ensino (com professores e estudantes protagonizando a cena), na TV, no rádio, na internet e em todos os lugares frequentados por humanos. Virou moda. “Independente” é adjetivo, se refere a um substantivo ou a um termo com esse valor. O Brasil é independente. A propósito, nesta quarta, vamos comemorar o 194º (centésimo nonagésimo quarto) aniversário de nossa Independência. Viva! E você é independente? A língua portuguesa não, depende de regras. “Independente” se contrapõe a “dependente” e é uma palavra variável.

No caso da oração que coloquei acima, a forma adequada, para a língua padrão, seria a seguinte: “Independentemente do ENEM, a leitura deve fazer parte da nossa vida”. “Independentemente” é advérbio, modifica um verbo, adjetivo, outro advérbio ou uma oração inteira. É uma palavra invariável.

A troca de “independentemente” por “independente” tem se tornado comum. Não vai demorar ser consagrada. Afinal, quem manda na língua é o falante, independentemente de qualquer coisa. O falante é independente, ora bolas!

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Tipos Textuais no ENEM

Oi, amigo (a)! Tudo bem? Nesta semana, vamos discutir aspectos relacionados às provas do Exame Nacional do Ensino Médio, que vai acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016. Ontem, falamos sobre gêneros textuais. Hoje, é vez dos tipos textuais, que também são recorrentes na prova do ENEM. Qual é a diferença entre gênero e tipo textual? Você sabe? O nosso objetivo é contribuir para que você complemente os seus estudos. Vamos lá?!

Como vimos na postagem de ontem, os gêneros são produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa no nosso dia a dia. São as formas pelas quais nos comunicamos. Isso pode ser feito por carta, por telefonema, por e-mail, através de um poema etc. Já os tipos são as intenções de comunicação, que podem ser narrativa, descritiva, argumentativa, expositiva ou injuntiva.

Capa da Cartilha de Software Livre, produzida pelo Projeto Software Livre Bahia: predominância do tipo textual expositivo. Link para ler a cartilha: http://www.igc.usp.br/pessoais/guano/downloads/cartilha_v.1.1.pdf. Imagem: captura de tela feita em 23 de agosto de 2016.

Capa da Cartilha de Software Livre, produzida pelo Projeto Software Livre Bahia: predominância do tipo textual expositivo. Link para ler a cartilha: http://www.igc.usp.br. Imagem: captura de tela feita em 23 de agosto de 2016.

De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas}. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção”.

Para ficar mais claro: quando você compra um celular, há sempre um manual de instrução acompanhando a embalagem, não é? Nesse caso, o manual é um gênero textual em que predomina o tipo injuntivo. Por quê? Porque a intenção do manual é dar instruções sobre o uso do telefone. Os textos injuntivos têm sempre esse caráter instrucional. Outros exemplos são a bula de remédio, o edital de um concurso (com o do Enem, por exemplo) e os textos das leis. Em geral, há sempre o uso do modo imperativo dos verbos.

Você gosta de piada? Sabia que ela é um gênero textual em que predominam os tipos narrativos e descritivos? Pois é! A piada, quase sempre, tem personagens, que estão num lugar, praticando ações. Ela narra uma história e, para a gente imaginar com mais propriedade a situação, descreve as características dos lugares e das pessoas. Por isso, é um gênero do tipo narrativo e descritivo.

Deu para entender? É como se o tipo textual fosse uma forma de bolo, que tem suas características fixas. O gênero é o conteúdo que colocamos na forma, que vai depender da situação/função social, das nossas necessidades cotidianas. Continue acompanhando as nossas postagens voltadas para o ENEM! Amanhã, tem mais! Até o próximo!

Material consultado:

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. Disponível em: <http://disciplinas.stoa.usp.br/>. Acesso em: 19 de agosto de 2016.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia