Radiola PW: Dança do Desempregado

Oi! Tudo bem? Nesta semana, estamos discutindo a temática de trabalho e consumo aqui no blog. Por isso, a dica da Radiola PW é a música Dança do Desempregado, composta por Gabriel o Pensador e lançada em 1997, no CD Quebra-Cabeça. Mas, antes de falar dela, será que eu não estou fazendo confusão entre estes dois conceitos: trabalho e emprego? Você sabe qual é a diferença entre eles? E tem diferença?

Tem. O site do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP) esclarece:

A maioria das pessoas associa as palavras trabalho e emprego como se fossem a mesma coisa, não são. […] O trabalho é mais antigo que o emprego, […] existe desde o momento que o homem começou a transformar a natureza e o ambiente ao seu redor, desde o momento que o homem começou a fazer utensílios e ferramentas. Por outro lado, o emprego é algo recente na história da humanidade. […] é um conceito que surgiu por volta da Revolução Industrial, é uma relação entre homens que vendem sua força de trabalho por algum valor, alguma remuneração, e homens que compram essa força de trabalho pagando algo em troca, algo como um salário.

O fato é que, quando se fala de trabalho ou emprego, tem sempre alguém que procura e alguém que oferece. E, de acordo com dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem muita gente procurando emprego. A taxa de desocupação, no trimestre encerrado em março de 2016, foi estimada em 10,9%. Ou seja, o Brasil tem 11,1 milhões de pessoas desempregadas.

Fig. 1: Gabriel O Pensador em cena do clipe oficial de Dança do Desempregado: ironia e deboche. Imagem: captura de tela feita em 9 de maio de 2016
Fig. 1: Gabriel o Pensador em cena do clipe oficial de Dança do Desempregado: ironia e deboche. Imagem: captura de tela feita em 9 de maio de 2016

Há quase 20 anos, Gabriel o Pensador homenageou essa categoria com a Dança do Desempregado. A letra jocosa, satiriza tanto a situação das pessoas sem emprego quanto as inúmeras danças que faziam sucesso na época. A Bahia, por sinal, era uma grande exportadora: Dança do Bumbum, Dança da Cordinha, A Dança da Sensual, Dança do Robô.… Não foi por acaso que a batida do pandeiro e o suingue do pagode entraram no arranjo.

O refrão, carregado de ironia, diz: “Essa é a dança do desempregado/Quem ainda não dançou, tá na hora de aprender/A nova dança do desempregado/Amanhã o dançarino pode ser você”. Ao longo da letra, vê-se o uso de expressões que se associam muito bem ao contexto, como “pé na bunda”, “olho da rua” e “uma mão na frente e outra atrás”. Gabriel descreve aquilo que seria o cotidiano de um desempregado: “E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)/E bota a mão na carteira (Não tem nada)/E bota a mão no outro bolso (Não tem nada)/E vai abrindo a geladeira (Não tem nada)/Vai procurar mais um emprego (Não tem nada)/E olha nos classificados (Não tem nada)/E vai batendo o desespero (Não tem nada)/E vai ficar desempregado”.

É claro que o rapper não deixa de falar de contrabando (“E vai descendo, vai descendo, vai/E vai descendo até o Paraguai/E vai voltando, vai voltando, vai/’Muamba de primeira olhaí quem vai?'”), de trabalho informal (“E vai vendendo vai, vendendo, vai/Sobrevivendo feito camelô”) e da profissionalização do sexo (“E vai rodando a bolsinha (Vai, vai!)/E vai tirando a calcinha (Vai, vai!)/E vai virando a bundinha (Vai, vai!)/E vai ganhando uma graninha”), alguns dos possíveis caminhos para quem está desempregado. No final, cita as pessoas que usam o roubo como opção de sobrevivência e o que esse ato violento acarreta para a sociedade.

Vale muito a pena ouvir a música e refletir sobre as questões que ela traz. Faça isso e conte para a gente como foi a experiência!

#FicaADica: você sabia que nem sempre o prefixo “des” indica a ideia de negação? Ele pode ter valor de intensidade, de oposição e privação. “Desempregado” é aquele que não está empregado; “desorganizado”, aquilo que não está organizado. Já “desinfeliz”, usado mais informalmente, significa “alguém que está muito infeliz”; “desaliviar” é o mesmo que “aliviar totalmente” e “desfalecido” não é alguém que voltou a viver (é até engraçado pensar isso!), mas alguém privado de forças. Viu como a nossa língua é repleta de possibilidades?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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Radiola PW: Pra Que

Fig. 1: o cantor e compositor Luiz Melodia. Foto: divulgação
Fig. 1: o cantor e compositor Luiz Melodia. Foto: divulgação do site oficial do artista

Oi! Tudo bem com você? Hoje, na Radiola PW, a dica de música é Pra Que, de autoria de Luiz Melodia e Ricardo Augusto. Ela foi lançada por Luiz em 1997, no CD 14 Quilates. A letra, que fala sobre desigualdade social, traz um eu lírico bastante crítico e preocupado com as questões do lugar em que vive. No início da canção, ele indaga:

Pra que chorar?

Pra que mentir?

Pra que morgar?

Pra que fugir?”

Em seguida, explica as razões que justificam todos esses lamentos:

Só queria que todos

Tivessem comida

Tivessem oportunidade

Tivessem guarida

Não precisassem rezar pedindo melhores dias

Reclamando migalhas

Vivendo só de agonia”

Nessa estrofe, a música ganha força e nos estimula a refletir sobre a sociedade da qual fazemos parte. A discriminação e o preconceito, de toda e qualquer natureza, contribuem para que as oportunidades não sejam iguais para todos. Isso faz com que as pessoas vivam “reclamando migalhas”.

Em setembro de 2014, o programa Artigo 5º teve como temática a desigualdade social no Brasil e discutiu assuntos como saúde, educação e a política de erradicação da pobreza. Vale a pena conferir!

Na seguinte estrofe, os compositores de Pra Que tocam, principalmente se pensarmos na sociedade brasileira, numa questão ainda recorrente nos dias atuais:

Já que tão poucos põem o rei na barriga

Gritando guerras em leis

Forjando a morte da vida”

Infelizmente, essa realidade insiste em permanecer no Brasil. No desfecho, o eu lírico afirma que é importante continuar lutando para que a situação se modifique:

Já que nem eu nem o diabo tem pressa

De pouco vale a conversa

Só encarando essa briga”

#FicaADica: certamente, devido à métrica, os autores optaram por esta redação: “Já que nem eu nem o diabo tem pressa”. Pela gramática normativa da língua portuguesa, o verbo deveria ficar no plural, uma vez que o sujeito é composto e a declaração contida no predicado pode ser atribuída aos dois núcleos (eu e diabo). Portanto, a oração ficaria “Já que nem eu nem o diabo temos pressa”. Contudo, esse detalhe não tira a riqueza nem o propósito da canção. O mais importante, é a mensagem que ela traz. Que a gente reflita e contribua para uma sociedade melhor.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: História do Povo Umutina

Oi, pessoal! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música História do Povo Umutina, de autoria de Ademilson Umutina, cantor e compositor. De acordo com informações do site Povos Indígenas no Brasil, os Umutina possuem “um forte sentido de identidade étnica, reconhecendo-se como tradicionais moradores do alto-Paraguai, envolvidos atualmente na recuperação de suas manifestações sócio-culturais (sic) tradicionais”.

Fig.1: Ademilson Umutina em imagem do videoclipe oficial de sua música. Imagem: captura de tela
Fig.1: Ademilson Umutina em imagem do videoclipe oficial de sua música. Clique na foto para assistir. Imagem: captura de tela

Talvez, por essa razão, os 447 Umutina que vivem na Barra dos Bugres, no estado de Mato Grosso, estejam lutando para recuperar a língua Umutina, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê, da família Bororo. Atualmente, eles se comunicam através da língua portuguesa. A música História do Povo Umutina toca nesse ponto de preservação cultural (o refrão diz: “Somos o povo Umutina/E viemos revitalizar”) e fala de outros aspectos, como as lutas e perseguições sofridas pelo povo.

A canção é uma homenagem a todos os ancestrais que lutaram pela cultura dos Umutina. No início, o autor pede aos ouvintes que prestem atenção à história triste que ele tem para contar. Em seguida, fala dos mais de mil indígenas que viviam felizes nas margens do rio Bugres e do rio Paraguai, mas, com a chegada do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), os costumes do povo ficaram ameaçados. Isso fica evidente nos seguintes versos do lamento sertanejo: “1911/Chegou aqui nesse lugar/O tal do SPI/Que quis tudo mudar/ Suas danças, seus rituais/Vocês não irão realizar/Também o seu idioma/Vocês não irão mais falar”.

História do Povo Umutina fala de questões importantes, principalmente se a gente for refletir sobre o dia de hoje. É absurda a forma como os ditos “civilizados” tentam mostrar um outro mundo para os indígenas, visto como “ideal”. O grande equívoco se dá, principalmente, por não reconhecer que o indígena é um ser do mundo e que não precisa abdicar de sua cultura para ser considerado como tal.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Salvador, Uma Soteropolitana de 467 Anos

Ontem, a capital da Bahia comemorou 467 anos de existência. É impossível falar de Salvador sem citar, mesmo sendo clichê, a sua riqueza cultural. Da literatura à culinária, da religiosidade ao carnaval, da geografia à música. A metrópole pulsa! Em todos os sentidos! Das vias congestionadas aos incontáveis casos de violência urbana, do barulho dos protestos ao barulho dos sons que invadem as ruas, dos jogos de futebol às festas de largo. Quem vive em Salvador, conhece todas essas peculiaridades. Recentemente, foi eleita a Cidade da Música, pela Rede de Cidades Criativas da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Como este texto tem um quê de homenagem, e já que estamos na cidade da música, a pedida para hoje é Soteropolitana, da banda Cascadura, que anunciou o encerramento da carreira em julho do ano passado. A música, composta por Fábio Cascadura, integra o álbum Aleluia, de 2012. O disco, inclusive, tem a própria Salvador como inspiração.

Fig. 1: captura de tela feita do clipe oficial da música "Soteropolitana". Clique na imagem para assistir ao clipe.
Fig. 1: captura de tela feita do clipe oficial da música “Soteropolitana”. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

O título da música já brinca com as expectativas do ouvinte: vai tratar de uma pessoa que vive/nasceu em Salvador? Provavelmente, alguém que se identifica com o gênero feminino? Afinal, o nome da canção é “Soteropolitana”. É bem por aí! Na obra, Fábio personifica Salvador. Tudo é feito de forma muito sutil e poética. Nas primeiras estrofes, o compositor traz os seguintes versos:

Mãe do Rio, irmã da Louisiana,

Fortaleza lusitana, erguida aqui a mando do rei

No seu brilho, primeiro ela chama

Depois vibra, empena, engana, brindando os seus filhos da vez…

Hoje eu não vou chorar!”

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Onde uma frota inteira fez cabana

Velha ordem de bacana estampa sorriso no jornal

Vida nova, iberoafricana

Menos sacra, mais sacana, rica, fusa e Carnaval

This city burns on fire!”

Ao longo da música, fica evidente a presença de dados históricos relacionados a Salvador. Na estrofe inicial, o autor evoca isso: “Fortaleza lusitana, erguida aqui a mando do rei”. Logo em seguida, faz uma crítica, fincado nas informações da história da capital: “Onde uma frota inteira fez cabana/Velha ordem de bacana estampa sorriso no jornal”. Mesmo depois de 467 anos, existe alguma diferença? Existe! A frota de hoje é nativa e, além disso, dona de jornais.

A canção se destaca pela criticidade e também pela riqueza literária. O verso Menos sacra, mais sacana, rica, fusa e Carnaval” é um bom exemplo dessa simbiose. Faz referência às características da cidade, sua religiosidade e mistura de povos e ritmos; mas não deixa de meter o dedo na ferida, ao afirmar que a urbe é “menos sacra, mais sacana”. No que diz respeito ao uso da função poética da linguagem, Fábio mostra a sua genialidade: a última sílaba da palavra rica se une à palavra fusa e produz uma eufonia inteligente, que revela um traço da soteropolitana do texto (e de muitas outras soteropolitanas!): cafuza.

A sonoridade poética, por sinal, é um dos aspectos mais bonitos da canção. Os versos São tantas colinas, tantos anos/Tantas casas, tantos planos, tantos donos, tantos danos” são bem elucidativos nesse sentido. E, como sempre, vêm acompanhado de uma boa reflexão sobre a sociedade soteropolitana: um lugar de crescimento desordenado, que conhece projetos que não saem do papel (os planos: reais e metafóricos) e que os “donos” pouco fazem para reduzir os danos. Impossível não lembrar de Gregório de Matos: “Triste Bahia! […]/Tanto negócio e tanto negociante”.

Em alguns trechos, a personificação fica bem evidente: “[…] Ela é loira, galega, é infame/Musa que, por mais que eu ame, tenta me cegar com tua luz […]/Ela finge andar como se manda,/Mas basta tocar a banda: joia! Ela se entrega de vez!”. Nesses dois últimos versos, mais uma vez, Fábio usa a criticidade para falar da cidade, que vive fingindo a andar como se manda.

Na estrofe final, um recado bem dado: Eu queria que a visse só, de um jeito mais confesso/E sem truques de altar […]”. O eu lírico está atento e não é bobo. Não basta pintar uma Salvador “para inglês ver”, cheia de maquiagem. É preciso cantá-la, tê-la como inspiração, mas sem deixar de falar das coisas que incomodam. Evocando Caetano, “de perto ninguém é normal”, não é? Que Salvador comemore os seus 467 anos repensando a sua dinâmica social para os próximos anos que virão! Assim, “pretos, vindos de outros cantos” deixarão de ser “carne fresca pro Seu Freguês!”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: We Nuh Want Zik V* (Nós Não Queremos o Zika Vírus)

Oi, turma! Tudo bem? Nesta semana, vamos dar continuidade à nossa campanha contra o Aedes aegypti e a Radiola PW traz uma música que tem tudo a ver com a temática: We Nuh Want Zik V. Em português, significa “Nós Não Queremos o Zika Vírus”. O reggae faz parte de uma campanha promovida pelo Ministério da Saúde da Jamaica e o clipe, que foi publicado em janeiro deste ano no canal do YouTube do órgão, já tem mais de 21 mil visualizações.

Fig. 1: o médico Michael Abrahams no vídeo da campanha promovida pelo Ministério da Saúde da Jamaica. Imagem: captura de tela feita em 21 de março de 2016
Fig. 1: o médico Michael Abrahams no vídeo da campanha promovida pelo Ministério da Saúde da Jamaica. Imagem: captura de tela feita em 21 de março de 2016

A campanha tem como garoto-propaganda o obstetra e ginecologista Michael Abrahams, que é um showman na Jamaica. Além de trabalhar na área médica, ele é poeta, comediante e compositor.

O jingle traz, na letra, aqueles alertas que nós já sabemos e que não podemos negligenciar no combate ao mosquito causador da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus: So make sure no stagnant water in sight (Verifique se não há água parada à vista)/An change de water inna yu vase every day (Troque a água do vaso todos os dias) etc.

No final, a fim de chamar a atenção para os casos de microcefalia, We Nuh Whant Zik V conclama: An special shout out to pregnant ladies (Um grito especial para mulheres grávidas)/Protec yusself an’ protec yu babies (Proteja-se e proteja os seus bebês).

O Ministério da Saúde da Jamaica virou notícia em todo o mundo por causa dessa forma irreverente de estimular o combate ao Aedes aegypti. O curioso é que os índices de casos de zika vírus no país são baixíssimos. De acordo com dados constantes no site da Organização Mundial da Saúde, publicados em fevereiro deste ano, a Jamaica teve apenas um caso de infecção de zika vírus.

Com a sua ajuda, o Brasil também pode virar notícia. Combata os focos do mosquito! Afinal, nós também não queremos o zika vírus!

Até o próximo!

*: inglês jamaicano.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: a Mulher Pode Ser, Fazer e Acontecer

Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Uma data simbólica, mas que não deve ser o único mote para reflexões acerca da presença da mulher na nossa sociedade. Atualmente, discussões voltadas para o empoderamento feminino e contra o machismo são feitas em todos os lugares, principalmente na internet, através de suas redes sociais. O debate é acirrado. Alguns depoimentos são repletos de equívocos e de radicalismos; outros, bastante pertinentes e enriquecedores. Contudo, o fato de as pessoas estarem refletindo sobre a questão, já é um ponto positivo diante do histórico ignorante, descabido e manipulador de subjugação feminina.

Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves
Fig. 1: o Dia Internacional da Mulher é todo dia. Imagem: Josymar Alves

Em 1982, no disco Caminhos do Coração, o cantor e compositor Gonzaguinha deu um recado contra essa ideia e mostrou o quanto a mulher é dona de sua própria vida e de suas vontades. A música Ser, fazer e acontecer é uma obra que parece ter sido feita hoje, de tão atual. Na canção, o eu lírico é feminino e já começa o discurso criticando a “dona moral”: “Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente”. Mas o grito da dona moral não surte efeito, a independência feminina é reiterada nos seguintes versos: “E meu caminho eu faço/Não quero saber que me digam dessa lei”.

A música, além de mostrar que a mulher é quem decide o seu destino, clama pela igualdade de gênero, uma vez que ninguém deveria ter privilégios na sociedade por ser isso ou aquilo: “É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver”. Esses versos, em especial, nos remetem ao que diz um dos artigos da Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006: “Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social”.

No desfecho, o compositor deixa bem evidente um traço da personalidade do eu lírico da canção: é uma mulher forte, obstinada e que não aceita viver de forma subserviente. Os dois últimos versos trazem uma afirmação que reforça essa maneira de viver: “Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer”. Ou seja, a mulher é livre para fazer o que quiser, quando e como quiser. Quem tem o direito de tolher as suas vontades? Fica a indagação.

Abaixo, segue a letra da canção. Você pode ouvir o áudio no site oficial de Gonzaguinha.

Ser, fazer e acontecer

(Gonzaguinha)

Que uma mulher pode nunca nada/Isso eu já sei/É o grito da dona moral/Todo dia no ouvido da gente/É que eu estou pela vida na luta/Eu também sei/E meu caminho eu faço/Nem quero saber que me digam dessa lei/Porque já sofri, já chorei, já amei/Vou sofrer, vou chorar e voltar a amar/Porque já dormi, já sonhei e acordei/E vou dormir, vou sonhar, pois eu nunca cansei/É que sinto exatamente/Aquilo que sente qualquer um que respira/Uma perna de calça/Não dá mais direito a ninguém/De transar o que seja viver/E por isso eu prossigo e quero e grito /No ouvido dessa tal de dona moral/Que uma mulher pode nunca é deixar/De ser, e fazer e acontecer

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW – Festival Anual da Canção Estudantil

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Olá, turma!

Vocês conhecem o Festival Anual da Canção Estudantil? Esse evento foi criado em 2008 com o intuito de promover a diversidade artística dos alunos da rede pública de ensino. É no FACE que os alunos mostram todo o talento com a música, transformando o festival numa interessante plataforma que dá visibilidade ao estudante-artista.

Em 2012, o FACE percorreu mais de mil escolas da rede estadual, prestando homenagem a diversos artistas regionais e tendo a participação de mais de 5.000 estudantes.

Mas se você ainda não teve a oportunidade de acompanhar o festival, a Radiola PW te dá uma ajuda. No soundcloud da Rádio Educação Bahia, você consegue ouvir uma playlist dos artistas que passaram pelo evento. Acesse: soundcloud.com/radioeducacaobahia/sets/face.

Melhor que uma indicação de um bom artista, é poder ouvir e ver o nascimento de vários deles. A Radiola PW faz um convite não só para prestigiar nossos artistas, mas também para acompanhar o festival até a calorosa final, que atualmente acontece no Encontro Estudantil.

Radiola PW – Herdeiros do Futuro

PW-Radiola

 

Olá, galera esperta!

A Radiola PW, inspirada no Dia do Estudante, vai indicar a música “Herdeiros do Futuro”, de Toquinho e Elifas Andreato. A canção foi composta para o disco “Toquinho e convidados”, de 1997, e que trata de um assunto muito importante: o futuro do nosso país.

A letra provoca a reflexão sobre o cuidado que devemos ter para que o avanço ou melhoramento do país usando elementos da natureza, como: “Será que no futuro haverá flores?/Será que os peixes vão estar no mar?/Será que os arco-íris terão cores”.

Mas também podemos enxergar esses mesmos aspectos de forma metafórica, trazendo para outras esferas de nossa sociedade, como educação e saúde. A letra da canção diz:“Vamos ter que cuidar bem desse país”. Ou seja, podemos perceber que a missão que os estudantes e professores têm em mãos é bastante árdua e importante, já que construir uma nação melhor não é uma tarefa simples, mas não é impossível.

HERDEIROS DO FUTURO
Toquinho – Elifas Andreato

A vida é uma grande amiga da gente,
Nos dá tudo de graça pra viver:
Sol e céu, luz e ar,
Rios e fontes, terra e mar.

Somos os herdeiros do futuro
E pra esse futuro ser feliz
Vamos ter que cuidar
Bem desse país.

Será que no futuro haverá flores?
Será que os peixes vão estar no mar?
Será que os arco-íris terão cores,
E os passarinhos vão poder voar?

Será que a terra vai seguir nos dando
O fruto, a folha, o caule e a raiz?
Será que a vida acaba encontrando
Um jeito bom da gente ser feliz?

Vamos ter que cuidar
Bem desse país.

 

 

 

Radiola PW – Canção da América

Olá, turma!

Hoje, na Radiola PW, iremos juntar duas coisas superimportantes na vida de qualquer pessoa: música e amizade. Para comemorar o Dia do Amigo, indicaremos “Canção da América”, uma obra famosa do cantor e compositor Milton Nascimento.

Mas, você sabe porque dia 20 de julho é dia do amigo?

O dia do amigo foi adotado primeiramente na cidade de Buenos Aires, com um argentino chamado Enrique Ernesto Febbraro, que, maravilhado com a conquista da chegada do homem à lua no dia 20 de julho de 1969, enviou cerca de quatro mil cartas a diversos países falando que esse acontecimento histórico representava que a união dos homens sobrepõe a qualquer objetivo impossível.

Amigo é coisa pra se guardar!

Motivado pela sua amizade com Ricky Fataar, Milton Nascimento compõe Unencounter e grava em 1979, no seu álbum Journey To Dawn, canção que, posteriormente, vai ter uma versão em português: tratava-se de Canção da América. Criada em parceria com Fernando Brant, a música ficou bastante conhecida em todo o Brasil e, para muitos, é o hino da amizade”

brantebituca

Canção da América

Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves,
Dentro do coração,
Assim falava a canção que na América ouvi,
Mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir,
Mas quem ficou, no pensamento voou,
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou no pensamento ficou,
Com a lembrança que o outro cantou.
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito,
Mesmo que o tempo e a distância, digam não,
Mesmo esquecendo a canção.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração.
Pois, seja o que vier,
Venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.

Radiola PW – Gramofone

Por: Geize Gonçalves

Olá! 

Jefferson de Castro, aluno do Colégio Estadual Vila São Joaquim, Sobradinho Ba, participou da 5º Edição do FACE com a música Mel Que Adoça a Alma. Sua inspiração é a MPB e a proposta é relembrar o tempo de criança fazendo uma relação com o mundo real. Ele diz que “o mundo poderia ser melhor, se todos nós pudéssemos ser crianças outra vez.” Apreciem!

Jeff
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