Radiola PW: Acorde, Brasil

Oi, turma! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Acorde, Brasil, do cantor e compositor Julinho Marassi. Embora tenha sido composta no ano 2000, a música continua atual, principalmente quando fala da nossa realidade política e expõe práticas comuns do universo artístico do país. A obra foi gravada, pela primeira vez, em 2002, no CD Julinho Marassi e Gutemberg Ao Vivo. A dupla é oriunda de Barra Mansa, Rio de Janeiro.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Logo no início da letra, o eu lírico mostra toda a sua revolta diante das coisas que vê. As três primeiras estrofes já trazem um tom crítico e mostram que o personagem não quer continuar aceitando ser “marionete” para o “sistema”:

Resolvi abrir o jogo agora,
Sai da frente, que eu não tô brincando,
Tô entrando com o pé na porta,
Fala sério: o bicho tá pegando!


Me cansei de aguentar calado,
Não nasci pra acompanhar rebanho,
Estar na mão de quem não sabe nada,
“Prestenção” no que eu estou falando

Não adianta você ser sincero,
Ser honesto e ter bom coração,
Se você não entra no sistema
Fica fora da programação

Em seguida, Julinho fala de forma mais contundente sobre os conchavos existentes no universo artístico e cultural do Brasil, em que alguns “escolhidos” são eleitos por pura conveniência. Para introduzir o tema, cita a mídia, que contribui bastante para que tal prática seja perpetuada no país:

Quantos homens bons morreram cedo,
Que podiam ajudar você
Quantas pragas continuam vivas
No jornal, no rádio e na TV

É difícil ser o escolhido,
Sem padrinho, sem um pistolão,
Mas, amigo, o sol nasceu pra todos,
Acredite na sua canção

Nas estrofes seguintes, o compositor fala diretamente para os políticos do Brasil. Em ano de eleições municipais, é importante atentar para a conduta, o histórico de vida pública e as propostas dos candidatos, para fazer as cobranças necessárias no futuro:
[…]

Com licença, agora eu vou falar
Pra todos os políticos que vivem no Brasil
Se liga!
Cadê seu ideal,
De quando era novo?
Nada te segurava,
Você veio do povo

Você não tinha medo
Agora se calou
Entrou no ninho de cobras
Na gente, nem pensou

Se sente ameaçado?
Bota a boca no mundo
Sai limpo da história
Sai desse lixo imundo

[…]

No refrão, uma crítica forte e realista da situação brasileira. Julinho faz um retrato do país, enfatizando as diferenças sociais existentes por aqui. Ainda toca em outra questão delicada: a religiosidade. Nos versos, ele destaca como as mais variadas denominações religiosas se apropriaram da televisão para, nas suas palavras, fazerem disso um “meio de vida”:

Classe média tá desesperada,
Classe baixa tá passando fome,
Classe alta tá dando risada,
Deus me ajude a igualar os homens

Religião virou meio de vida,
Tomou conta da televisão,
Cidadão, “cê” não precisa disso,
Deus tá dentro do seu coração

Em Acorde, Brasil, Julinho Marassi faz um convite para a gente abrir os olhos (física e metaforicamente), a fim de perceber como práticas desrespeitosas se repetem no país. Muitas vezes, por comodismo, não fazemos quase nada para mudá-las. Precisamos acordar! E você: está acordado (a) ou dormindo?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Tipos Textuais no ENEM

Oi, amigo (a)! Tudo bem? Nesta semana, vamos discutir aspectos relacionados às provas do Exame Nacional do Ensino Médio, que vai acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016. Ontem, falamos sobre gêneros textuais. Hoje, é vez dos tipos textuais, que também são recorrentes na prova do ENEM. Qual é a diferença entre gênero e tipo textual? Você sabe? O nosso objetivo é contribuir para que você complemente os seus estudos. Vamos lá?!

Como vimos na postagem de ontem, os gêneros são produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa no nosso dia a dia. São as formas pelas quais nos comunicamos. Isso pode ser feito por carta, por telefonema, por e-mail, através de um poema etc. Já os tipos são as intenções de comunicação, que podem ser narrativa, descritiva, argumentativa, expositiva ou injuntiva.

Capa da Cartilha de Software Livre, produzida pelo Projeto Software Livre Bahia: predominância do tipo textual expositivo. Link para ler a cartilha: http://www.igc.usp.br/pessoais/guano/downloads/cartilha_v.1.1.pdf. Imagem: captura de tela feita em 23 de agosto de 2016.

Capa da Cartilha de Software Livre, produzida pelo Projeto Software Livre Bahia: predominância do tipo textual expositivo. Link para ler a cartilha: http://www.igc.usp.br. Imagem: captura de tela feita em 23 de agosto de 2016.

De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas}. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção”.

Para ficar mais claro: quando você compra um celular, há sempre um manual de instrução acompanhando a embalagem, não é? Nesse caso, o manual é um gênero textual em que predomina o tipo injuntivo. Por quê? Porque a intenção do manual é dar instruções sobre o uso do telefone. Os textos injuntivos têm sempre esse caráter instrucional. Outros exemplos são a bula de remédio, o edital de um concurso (com o do Enem, por exemplo) e os textos das leis. Em geral, há sempre o uso do modo imperativo dos verbos.

Você gosta de piada? Sabia que ela é um gênero textual em que predominam os tipos narrativos e descritivos? Pois é! A piada, quase sempre, tem personagens, que estão num lugar, praticando ações. Ela narra uma história e, para a gente imaginar com mais propriedade a situação, descreve as características dos lugares e das pessoas. Por isso, é um gênero do tipo narrativo e descritivo.

Deu para entender? É como se o tipo textual fosse uma forma de bolo, que tem suas características fixas. O gênero é o conteúdo que colocamos na forma, que vai depender da situação/função social, das nossas necessidades cotidianas. Continue acompanhando as nossas postagens voltadas para o ENEM! Amanhã, tem mais! Até o próximo!

Material consultado:

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. Disponível em: <http://disciplinas.stoa.usp.br/>. Acesso em: 19 de agosto de 2016.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Gêneros Textuais no ENEM

Oi, amigo (a)! Tudo bem? Nesta semana, vamos discutir aspectos relacionados às provas do Exame Nacional do Ensino Médio, que vai acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016. Você está se preparando direitinho? O nosso objetivo é contribuir para que você complemente os seus estudos. Vamos lá?!

Na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que abrange o conteúdo de Língua Portuguesa (Gramática e Interpretação de Texto), Língua Estrangeira Moderna, Literatura, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação, é bem comum a presença de vários gêneros textuais. Você sabe o que são gêneros textuais? Já ouviu falar neles?

Fig.1: anúncios publicitários, como este, são um gênero textual sempre frequentes nas provas do Enem. Imagem: Ministério da Educação

Fig.1: anúncio publicitário, como este da imagem, é um gênero textual sempre frequente nas provas do Enem. Imagem: reprodução do Ministério da Educação

De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica”. Ou seja, são produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa no nosso dia a dia. Quer um exemplo?

Quando você ou os seus responsáveis pensam em fazer compras no supermercado, é sempre importante fazer uma lista de compras, não é? Assim, nada de que necessita será esquecido. Essa lista feita por vocês é um gênero textual, cuja função comunicativa é auxiliar a memória na hora da compra dos produtos. Aí temos um gênero escrito, mas há também vários gêneros textuais orais, como o telefonema e a palestra, por exemplo.

A lista de gêneros textuais é enorme: sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, manual de instruções, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, e-mail, bate-papo por computador, aulas virtuais, crônica, relatório, ata, anúncio publicitário e etc.

Deu para entender? Interaja com a gente! Agora, que tal enviar o link deste texto para um colega que também vai fazer o Enem? Você pode fazer isso através de um chat pelo computador ou pelo celular. Lembrando que chat também é um gênero textual. Amanhã, a gente vai falar sobre os tipos textuais. Continue acompanhando o nosso blog! Até o próximo!

Material consultado:

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. Disponível em: <http://disciplinas.stoa.usp.br/>. Acesso em: 19 de agosto de 2016.  

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Um Ser de Luz…

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Fonte: Wikipedia

Num universo com turbilhões de informações e acontecimentos se torna cada vez mais desafiador ser estudante, ao tempo em que se torna mais e mais necessária a compreensão do mundo em que vivemos através do conhecimento construído no espaço escolar. O aluno,  (do latim alumnus, alumnié) ou discente é o indivíduo que recebe formação e instrução de um ou vários professores ou mestres para adquirir ou ampliar seus conhecimentos. No entanto, se estamos querendo dizer de alguém capaz de guiar seus passos para sua construção pessoal (quiçá profissional) podemos chamar este ser de Estudante. Ele é, sim, um ser de luz, pois, através dele, fatos e coisas são elucidados pela sua curiosidade e vontade de desbravar outros mundos. Como chamar   esse ser de pessoa sem luz? Como disse Paulo Freire

O aluno não é uma folha de papel em branco onde o professor irá escrever novos conteúdos”, ele traz consigo o interesse pelas coisas e nós professores devemos agir como mediadores para que essa busca da aprendizagem se dê de forma significativa. 

Existe uma esperança de que um dia esse 11 de agosto, quando se comemora o dia do Estudante, seja de celebração na escola e que o estudante esteja lá mesmo, no seu espaço de trabalho e convivência, faça questão de lá estar, comemorando um dia de mais aprendizado e não que se faça deste um dia de “bônus” por não estar ali dentro do espaço onde aguça a sua curiosidade que é a Escola ou qualquer outro lugar que traga essa experiência. O espaço do conhecimento tem que ser um local acolhedor e atrativo fazendo com que este estudante queira estar ali da mesma forma que queria estar numa praia, cinema, festa por exemplo. É equivocado o pensamento de descanso da escola, pois, se é um local alegre não pode ser motivo de distanciamento.

Salve o Estudante!!!

Que esse ser sempre nos ilumine com suas ideias e descobertas

Nildson B. Veloso

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: “A gente quer é ser um cidadão”

Oi! Tudo bem? Hoje, a Radiola PW vai falar de cidadania através de um artista que sempre trouxe questões sociais nas suas canções: Gonzaguinha. A música em destaque foi composta pelo artista e lançada em 1988, no disco Corações Marginais. Trata-se de É, um grito de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior contra o descaso ao ser humano. A obra faz uma junção perfeita entre letra e melodia, enriquecendo o nosso cancioneiro.

É de Gonzaguinha

Fig. 1: Gonzaguinha fala de cidadania na letra da música É. Imagem: captura de tela feita do site oficial do artista, em 29 de julho de 2016.

A todo tempo, o eu lírico fala por uma coletividade. Isso fica bem demarcado com o uso da expressão “A gente”, no início da maioria dos versos:

É
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor

A letra da música trata dos anseios de um ser humano, das coisas que ele precisa ter para viver na sociedade:

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade


Na estrofe a seguir, a reivindicação propriamente dita. O autor dá um recado para quem insiste em querer enganar o povo, privando-o de seus direitos:

É
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela

Na última estrofe, Gonzaguinha elenca os direitos básicos de todo e qualquer cidadão:

É
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão

Infelizmente, nos dias de hoje muita coisa permanece da mesma maneira e a música continua atual na sua temática. Viver a plena cidadania, no Brasil, é um desafio, algo a ser conquistado. Contudo, o importante é não desistir nem abdicar de nossos direitos. Afinal, “a gente quer é ser um cidadão”.

Você pode escutar a música no site oficial de Gonzaguinha.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Hino ao Dois de Julho

Oi! Tudo bem? Em 20 de abril de 2010, o então governador da Bahia, Jaques Wagner, sancionou a Lei 11. 901. No artigo 1º do documento, lê-se o seguinte: “Fica instituído o Hino ao Dois de Julho, da autoria de Ladislau Santos Titara e José dos Santos Barreto, como Hino Oficial do Estado da Bahia […]”. Hoje, a Radiola PW te convida para ouvir com um pouco mais de atenção o hino do nosso estado. Você já fez esse exercício? Vamos lá?

Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

A obra é, obviamente, uma clara referência ao 2 de julho de 1823, quando as tropas baianas, lutando contra a presença portuguesa no nosso território, saiu vitoriosa das batalhas. Alguns historiadores tratam o episódio com um “enxotamento” feito pelos baianos, em relação ao bando de Madeira de Melo. A data também é conhecida como o dia da Independência do Brasil na Bahia.

A letra, composta por Ladislau, é cheia de inversões e mantém o caráter ufanista, próprio de textos dessa natureza. A música, de autoria de José, parece simular um batalha.

A primeira estrofe revela o orgulho de ser brasileiro e de lutar pela pátria:

Nasce o sol ao 2 de Julho,

Brilha mais que no primeiro!

É sinal que neste dia

Até o sol, até o sol é brasileiro.

Em seguida, um grito contra o autoritarismo e a opressão, comuns naquele sistema colonial:

Nunca mais, nunca mais o despotismo

Regerá, regerá nossas ações!

Com tiranos não combinam

Brasileiros, brasileiros corações!

É interessante atentar para a inversão presente nos dois últimos versos da estrofe acima. Colocando a oração na ordem direta, teríamos: “Corações brasileiros não combinam com tiranos”. Na estrofe seguinte, também nos dois últimos versos, é possível identificar mais uma inversão. Na ordem direta, ficaria assim : “Nossa pátria, hoje livre, não será dos tiranos”. A inversão é uma figura de linguagem que serve para dar mais expressividade ao texto literário, invertendo a ordem dos termos na frase.

Salve Oh! Rei das campinas

De Cabrito e Pirajá!

Nossa pátria, hoje livre,

Dos tiranos, dos tiranos não será!

Os dois primeiros versos da estrofe acima falam, mais detidamente, das batalhas do histórico 2 de julho. No desfecho do hino, um conselho:

Cresce! Oh! Filho de minh’alma

Para a Pátria defender!

O Brasil já tem jurado

Independência, independência ou morrer!

Para complementar os seus estudos sobre o Dois de Julho, assista ao episódio abaixo, do quadro Histórias da Bahia, que faz parte do programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira. O vídeo foi publicado no Ambiente Educacional Web, em 2014.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: “Não tenha medo. Denuncie!”

Oi, pessoal! A Radiola PW de hoje aborda uma temática importante e que deve sempre ser discutida: a violência contra a mulher. Os casos existem e persistem, infelizmente. Contudo, as mulheres estão mais conscientes, exigindo os próprios direitos e denunciando os seus agressores.

Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016

Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência para denúncias. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016

Hoje, a cantora Aiace Félix, da banda Sertanília, tornou pública uma agressão que sofreu do taxista Antonio Ricardo Rodrigues Luz, em Salvador. “[…] Estávamos eu, minha irmã e uma amiga andando em direção ao Largo da Mariquita por volta das 05h:30 quando esse motorista, que estava parado na fila de Taxi em frente a casa, assediou minha irmã. Quando fui pedir por respeito, embora seja óbvio que ele é meu por direito, o taxista se sentiu incomodado por eu tê-lo confrontado e me respondeu de forma bem agressiva reiterando o assédio. Eu segui andando com as meninas quando ele deu uma ré super brusca tentando atropelar a mim e as meninas. Um rapaz que passava na hora me puxou e evitou que algo mais grave acontecesse. Não satisfeito, o taxista saiu do carro, veio na minha direção e me deu 3 socos no rosto, atingindo meu olho direito, minha boca e o ombro/pescoço. Como resultado, ganhei uma lesão na córnea e alguns hematomas pelo corpo[…]”, relatou a artista numa rede social da internet.

O importante, nesse e em todos os casos que insistem em figurar na nossa sociedade, é que a natural revolta que acomete as pessoas ao saber de crimes dessa natureza seja, de fato, traduzida em ações práticas. A situação é intolerável!

A igualdade de gênero é uma ânsia de movimentos feministas desde sempre. Deveria ser um anseio da sociedade. Às vezes, na tentativa de ajudar, se produz discursos que, se analisados com atenção, acabam prejudicando toda uma luta histórica. Um bom exemplo disso é a música O Defensor, lançada em 2015 pela dupla Zezé Di Camargo e Luciano, no CD e DVD Flores em Vida – Ao Vivo. A canção, dos compositores Fred Liel e Marco Aurélio, foi divulgada por Zezé e Luciano como sendo um manifesto da violência contra a mulher. Mas, analisando a letra com criticidade, percebe-se que, nas entrelinhas, a obra reforça o papel socialmente estabelecido para as mulheres. Eis a mensagem:

“Mais uma vez/Ele te feriu/E é a última vez/Que ele vai pôr a mão em você/Te machucar, fazer sangrar/Te humilhar, fazer chorar seu coração/Não tenha medo, denuncie”.

Se a letra seguisse a ideia dos versos acima, ela cumpriria uma boa função. Porém, nas linhas seguintes, fica evidente o equívoco dos compositores:

Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo/Estou aqui, sou seu defensor/Eu vim pra te buscar, eu vou te amar/E onde ele bateu, eu vou te beijar/Eu só quero curar suas feridas/Não tenha medo, denuncie/Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo”.

O que a sociedade precisa entender é que as mulheres não precisam de defensores, precisam de respeito. Sair de uma relação conturbada, em que sofre violência física, para outra aparentemente mais amena, não resolve o problema da violência contra a mulher, só a torna mais uma vítima em potencial. Vale ressaltar também que as mulheres não estão loucas atrás de relacionamentos, como se isso fosse resolver as suas questões existenciais. 

Os versos abaixo, feitos por dois homens, mostram como eles e como muitos outros se colocam em relação às mulheres:

Porque eu sou seu anjo/Seu defensor, te amo/E enquanto eu tiver vivo/Eu vou te defender, meu amor/Nunca mais ele vai te bater”.

A principal e mais importante defesa da mulher é o respeito. É disso que elas precisam e é por isso que lutam. É preciso dar um basta nos crimes que matam as mulheres, tanto social quanto fisicamente. Encerro com o melhor verso da música: “Não tenha medo. Denuncie!”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia