Radiola PW: Do Brasil

Oi! Tudo bem? Hoje, a dica da Radiola PW é a música Do Brasil, composta por Vander Lee, cantor e compositor mineiro. A canção foi gravada no CD Pensei Que Fosse o Céu – Ao Vivo, lançado pelo artista em 2006. Nela, Vander Lee faz uma homenagem ao nosso sertão, evidenciando as qualidades e mostrando que a raiz do Brasil está fincada lá.

Fig. 1: O sertão é, constantemente, inspiração para os artistas. Imagem: Jorge Ribas
Fig. 1: O sertão é, constantemente, inspiração para os artistas. Imagem: Jorge Ribas

Já na primeira estrofe, o autor deixa claro que é impossível fazer referência ao Brasil sem falar do sertão. Para isso, usa a comparação, uma figura de linguagem bem comum em textos de música:

Falar do Brasil sem ouvir o sertão

É como estar cego em pleno clarão

Olhar o Brasil e não ver o sertão

É como negar o queijo com a faca na mão

Em seguida, Vander Lee justifica o que tinha afirmado na estrofe anterior, mostrando por que o sertão foi e é fundamental para o país. Nos versos, fica clara a alusão que o poeta faz aos sertanejos, muitas vezes considerados os “construtores” da nossa nação. Os movimentos migratórios do Brasil explicam muito isso, não é?

Esse gigante em movimento

Movido a tijolo e cimento

Precisa de arroz com feijão

Quem tem a comida na mesa

Que agradeça sempre a grandeza

De cada pedaço de pão

Ainda falando sobre a estrofe acima, vale destacar o uso que o artista faz da personificação (prosopopeia) para se referir ao Brasil: “Esse gigante em movimento/Movido a tijolo e cimento/Precisa de arroz com feijão”.

Vander Lee não deixa de citar o povo do sertão, trabalhador por natureza:

Agradeça a Clemente

Que leva a semente

Em seu embornal

Zezé e o penoso balé

De pisar no cacau

Maria que amanhece o dia

Lá no milharal

Joana que ama na cama do canavial

João que carrega

A esperança em seu caminhão

Pra capital

O compositor continua a enaltecer o sertão nos versos da música, de forma cada vez mais incisiva:

Lembrar do Brasil sem pensar no sertão

É como negar o alicerce de uma construção

Amar o Brasil sem louvar o sertão

É dar o tiro no escuro

Errar no futuro

Da nossa nação

[…]

Agradeça a Tião

Que conduz a boiada do pasto ao grotão

Quitéria que colhe miséria

Quando não chove no chão

Pereira que grita na feira

O valor do pregão

Zé Coco, viola, rabeca, folia e canção

Zé Coco, viola, rabeca, folia e canção

No final, um arremate que sintetiza toda a ideia que a letra quer passar:

Amar o Brasil é fazer

Do sertão a capital…

Muitas vezes, o capital é fruto dos esforços de quem vem do sertão. Já parou para pensar nisso?

Dicas:

Na nossa literatura, outras obras também têm o sertão como temática. Uma das mais conhecidas é o romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

Neste vídeo, produzido pelos professores do Emitec (Ensino Médio com Intermediação Tecnológica), você complementa os seus estudos sobre figura de linguagem.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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Radiola PW: Acorde, Brasil

Oi, turma! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Acorde, Brasil, do cantor e compositor Julinho Marassi. Embora tenha sido composta no ano 2000, a música continua atual, principalmente quando fala da nossa realidade política e expõe práticas comuns do universo artístico do país. A obra foi gravada, pela primeira vez, em 2002, no CD Julinho Marassi e Gutemberg Ao Vivo. A dupla é oriunda de Barra Mansa, Rio de Janeiro.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016
Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Logo no início da letra, o eu lírico mostra toda a sua revolta diante das coisas que vê. As três primeiras estrofes já trazem um tom crítico e mostram que o personagem não quer continuar aceitando ser “marionete” para o “sistema”:

Resolvi abrir o jogo agora,
Sai da frente, que eu não tô brincando,
Tô entrando com o pé na porta,
Fala sério: o bicho tá pegando!


Me cansei de aguentar calado,
Não nasci pra acompanhar rebanho,
Estar na mão de quem não sabe nada,
“Prestenção” no que eu estou falando

Não adianta você ser sincero,
Ser honesto e ter bom coração,
Se você não entra no sistema
Fica fora da programação

Em seguida, Julinho fala de forma mais contundente sobre os conchavos existentes no universo artístico e cultural do Brasil, em que alguns “escolhidos” são eleitos por pura conveniência. Para introduzir o tema, cita a mídia, que contribui bastante para que tal prática seja perpetuada no país:

Quantos homens bons morreram cedo,
Que podiam ajudar você
Quantas pragas continuam vivas
No jornal, no rádio e na TV

É difícil ser o escolhido,
Sem padrinho, sem um pistolão,
Mas, amigo, o sol nasceu pra todos,
Acredite na sua canção

Nas estrofes seguintes, o compositor fala diretamente para os políticos do Brasil. Em ano de eleições municipais, é importante atentar para a conduta, o histórico de vida pública e as propostas dos candidatos, para fazer as cobranças necessárias no futuro:
[…]

Com licença, agora eu vou falar
Pra todos os políticos que vivem no Brasil
Se liga!
Cadê seu ideal,
De quando era novo?
Nada te segurava,
Você veio do povo

Você não tinha medo
Agora se calou
Entrou no ninho de cobras
Na gente, nem pensou

Se sente ameaçado?
Bota a boca no mundo
Sai limpo da história
Sai desse lixo imundo

[…]

No refrão, uma crítica forte e realista da situação brasileira. Julinho faz um retrato do país, enfatizando as diferenças sociais existentes por aqui. Ainda toca em outra questão delicada: a religiosidade. Nos versos, ele destaca como as mais variadas denominações religiosas se apropriaram da televisão para, nas suas palavras, fazerem disso um “meio de vida”:

Classe média tá desesperada,
Classe baixa tá passando fome,
Classe alta tá dando risada,
Deus me ajude a igualar os homens

Religião virou meio de vida,
Tomou conta da televisão,
Cidadão, “cê” não precisa disso,
Deus tá dentro do seu coração

Em Acorde, Brasil, Julinho Marassi faz um convite para a gente abrir os olhos (física e metaforicamente), a fim de perceber como práticas desrespeitosas se repetem no país. Muitas vezes, por comodismo, não fazemos quase nada para mudá-las. Precisamos acordar! E você: está acordado (a) ou dormindo?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Tipos Textuais no ENEM

Oi, amigo (a)! Tudo bem? Nesta semana, vamos discutir aspectos relacionados às provas do Exame Nacional do Ensino Médio, que vai acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016. Ontem, falamos sobre gêneros textuais. Hoje, é vez dos tipos textuais, que também são recorrentes na prova do ENEM. Qual é a diferença entre gênero e tipo textual? Você sabe? O nosso objetivo é contribuir para que você complemente os seus estudos. Vamos lá?!

Como vimos na postagem de ontem, os gêneros são produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa no nosso dia a dia. São as formas pelas quais nos comunicamos. Isso pode ser feito por carta, por telefonema, por e-mail, através de um poema etc. Já os tipos são as intenções de comunicação, que podem ser narrativa, descritiva, argumentativa, expositiva ou injuntiva.

Capa da Cartilha de Software Livre, produzida pelo Projeto Software Livre Bahia: predominância do tipo textual expositivo. Link para ler a cartilha: http://www.igc.usp.br/pessoais/guano/downloads/cartilha_v.1.1.pdf. Imagem: captura de tela feita em 23 de agosto de 2016.
Capa da Cartilha de Software Livre, produzida pelo Projeto Software Livre Bahia: predominância do tipo textual expositivo. Link para ler a cartilha: http://www.igc.usp.br. Imagem: captura de tela feita em 23 de agosto de 2016.

De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas}. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção”.

Para ficar mais claro: quando você compra um celular, há sempre um manual de instrução acompanhando a embalagem, não é? Nesse caso, o manual é um gênero textual em que predomina o tipo injuntivo. Por quê? Porque a intenção do manual é dar instruções sobre o uso do telefone. Os textos injuntivos têm sempre esse caráter instrucional. Outros exemplos são a bula de remédio, o edital de um concurso (com o do Enem, por exemplo) e os textos das leis. Em geral, há sempre o uso do modo imperativo dos verbos.

Você gosta de piada? Sabia que ela é um gênero textual em que predominam os tipos narrativos e descritivos? Pois é! A piada, quase sempre, tem personagens, que estão num lugar, praticando ações. Ela narra uma história e, para a gente imaginar com mais propriedade a situação, descreve as características dos lugares e das pessoas. Por isso, é um gênero do tipo narrativo e descritivo.

Deu para entender? É como se o tipo textual fosse uma forma de bolo, que tem suas características fixas. O gênero é o conteúdo que colocamos na forma, que vai depender da situação/função social, das nossas necessidades cotidianas. Continue acompanhando as nossas postagens voltadas para o ENEM! Amanhã, tem mais! Até o próximo!

Material consultado:

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. Disponível em: <http://disciplinas.stoa.usp.br/>. Acesso em: 19 de agosto de 2016.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Gêneros Textuais no ENEM

Oi, amigo (a)! Tudo bem? Nesta semana, vamos discutir aspectos relacionados às provas do Exame Nacional do Ensino Médio, que vai acontecer nos dias 5 e 6 de novembro de 2016. Você está se preparando direitinho? O nosso objetivo é contribuir para que você complemente os seus estudos. Vamos lá?!

Na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que abrange o conteúdo de Língua Portuguesa (Gramática e Interpretação de Texto), Língua Estrangeira Moderna, Literatura, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação, é bem comum a presença de vários gêneros textuais. Você sabe o que são gêneros textuais? Já ouviu falar neles?

Fig.1: anúncios publicitários, como este, são um gênero textual sempre frequentes nas provas do Enem. Imagem: Ministério da Educação
Fig.1: anúncio publicitário, como este da imagem, é um gênero textual sempre frequente nas provas do Enem. Imagem: reprodução do Ministério da Educação

De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica”. Ou seja, são produções textuais que utilizamos quando estamos em alguma situação comunicativa no nosso dia a dia. Quer um exemplo?

Quando você ou os seus responsáveis pensam em fazer compras no supermercado, é sempre importante fazer uma lista de compras, não é? Assim, nada de que necessita será esquecido. Essa lista feita por vocês é um gênero textual, cuja função comunicativa é auxiliar a memória na hora da compra dos produtos. Aí temos um gênero escrito, mas há também vários gêneros textuais orais, como o telefonema e a palestra, por exemplo.

A lista de gêneros textuais é enorme: sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, manual de instruções, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, e-mail, bate-papo por computador, aulas virtuais, crônica, relatório, ata, anúncio publicitário e etc.

Deu para entender? Interaja com a gente! Agora, que tal enviar o link deste texto para um colega que também vai fazer o Enem? Você pode fazer isso através de um chat pelo computador ou pelo celular. Lembrando que chat também é um gênero textual. Amanhã, a gente vai falar sobre os tipos textuais. Continue acompanhando o nosso blog! Até o próximo!

Material consultado:

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. Disponível em: <http://disciplinas.stoa.usp.br/>. Acesso em: 19 de agosto de 2016.  

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Um Ser de Luz…

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Fonte: Wikipedia

Num universo com turbilhões de informações e acontecimentos se torna cada vez mais desafiador ser estudante, ao tempo em que se torna mais e mais necessária a compreensão do mundo em que vivemos através do conhecimento construído no espaço escolar. O aluno,  (do latim alumnus, alumnié) ou discente é o indivíduo que recebe formação e instrução de um ou vários professores ou mestres para adquirir ou ampliar seus conhecimentos. No entanto, se estamos querendo dizer de alguém capaz de guiar seus passos para sua construção pessoal (quiçá profissional) podemos chamar este ser de Estudante. Ele é, sim, um ser de luz, pois, através dele, fatos e coisas são elucidados pela sua curiosidade e vontade de desbravar outros mundos. Como chamar   esse ser de pessoa sem luz? Como disse Paulo Freire

O aluno não é uma folha de papel em branco onde o professor irá escrever novos conteúdos”, ele traz consigo o interesse pelas coisas e nós professores devemos agir como mediadores para que essa busca da aprendizagem se dê de forma significativa. 

Existe uma esperança de que um dia esse 11 de agosto, quando se comemora o dia do Estudante, seja de celebração na escola e que o estudante esteja lá mesmo, no seu espaço de trabalho e convivência, faça questão de lá estar, comemorando um dia de mais aprendizado e não que se faça deste um dia de “bônus” por não estar ali dentro do espaço onde aguça a sua curiosidade que é a Escola ou qualquer outro lugar que traga essa experiência. O espaço do conhecimento tem que ser um local acolhedor e atrativo fazendo com que este estudante queira estar ali da mesma forma que queria estar numa praia, cinema, festa por exemplo. É equivocado o pensamento de descanso da escola, pois, se é um local alegre não pode ser motivo de distanciamento.

Salve o Estudante!!!

Que esse ser sempre nos ilumine com suas ideias e descobertas

Nildson B. Veloso

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: “A gente quer é ser um cidadão”

Oi! Tudo bem? Hoje, a Radiola PW vai falar de cidadania através de um artista que sempre trouxe questões sociais nas suas canções: Gonzaguinha. A música em destaque foi composta pelo artista e lançada em 1988, no disco Corações Marginais. Trata-se de É, um grito de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior contra o descaso ao ser humano. A obra faz uma junção perfeita entre letra e melodia, enriquecendo o nosso cancioneiro.

É de Gonzaguinha
Fig. 1: Gonzaguinha fala de cidadania na letra da música É. Imagem: captura de tela feita do site oficial do artista, em 29 de julho de 2016.

A todo tempo, o eu lírico fala por uma coletividade. Isso fica bem demarcado com o uso da expressão “A gente”, no início da maioria dos versos:

É
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor

A letra da música trata dos anseios de um ser humano, das coisas que ele precisa ter para viver na sociedade:

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade


Na estrofe a seguir, a reivindicação propriamente dita. O autor dá um recado para quem insiste em querer enganar o povo, privando-o de seus direitos:

É
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela

Na última estrofe, Gonzaguinha elenca os direitos básicos de todo e qualquer cidadão:

É
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão

Infelizmente, nos dias de hoje muita coisa permanece da mesma maneira e a música continua atual na sua temática. Viver a plena cidadania, no Brasil, é um desafio, algo a ser conquistado. Contudo, o importante é não desistir nem abdicar de nossos direitos. Afinal, “a gente quer é ser um cidadão”.

Você pode escutar a música no site oficial de Gonzaguinha.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Hino ao Dois de Julho

Oi! Tudo bem? Em 20 de abril de 2010, o então governador da Bahia, Jaques Wagner, sancionou a Lei 11. 901. No artigo 1º do documento, lê-se o seguinte: “Fica instituído o Hino ao Dois de Julho, da autoria de Ladislau Santos Titara e José dos Santos Barreto, como Hino Oficial do Estado da Bahia […]”. Hoje, a Radiola PW te convida para ouvir com um pouco mais de atenção o hino do nosso estado. Você já fez esse exercício? Vamos lá?

Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.
Fig. 1: Captura de tela do vídeo em que o cantor Tatau, junto com o NEOJIBA, canta o Hino ao Dois de Julho. A gravação foi feita em 2010, no Teatro Castro Alves, em Salvador-BA. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

A obra é, obviamente, uma clara referência ao 2 de julho de 1823, quando as tropas baianas, lutando contra a presença portuguesa no nosso território, saiu vitoriosa das batalhas. Alguns historiadores tratam o episódio com um “enxotamento” feito pelos baianos, em relação ao bando de Madeira de Melo. A data também é conhecida como o dia da Independência do Brasil na Bahia.

A letra, composta por Ladislau, é cheia de inversões e mantém o caráter ufanista, próprio de textos dessa natureza. A música, de autoria de José, parece simular um batalha.

A primeira estrofe revela o orgulho de ser brasileiro e de lutar pela pátria:

Nasce o sol ao 2 de Julho,

Brilha mais que no primeiro!

É sinal que neste dia

Até o sol, até o sol é brasileiro.

Em seguida, um grito contra o autoritarismo e a opressão, comuns naquele sistema colonial:

Nunca mais, nunca mais o despotismo

Regerá, regerá nossas ações!

Com tiranos não combinam

Brasileiros, brasileiros corações!

É interessante atentar para a inversão presente nos dois últimos versos da estrofe acima. Colocando a oração na ordem direta, teríamos: “Corações brasileiros não combinam com tiranos”. Na estrofe seguinte, também nos dois últimos versos, é possível identificar mais uma inversão. Na ordem direta, ficaria assim : “Nossa pátria, hoje livre, não será dos tiranos”. A inversão é uma figura de linguagem que serve para dar mais expressividade ao texto literário, invertendo a ordem dos termos na frase.

Salve Oh! Rei das campinas

De Cabrito e Pirajá!

Nossa pátria, hoje livre,

Dos tiranos, dos tiranos não será!

Os dois primeiros versos da estrofe acima falam, mais detidamente, das batalhas do histórico 2 de julho. No desfecho do hino, um conselho:

Cresce! Oh! Filho de minh’alma

Para a Pátria defender!

O Brasil já tem jurado

Independência, independência ou morrer!

Para complementar os seus estudos sobre o Dois de Julho, assista ao episódio abaixo, do quadro Histórias da Bahia, que faz parte do programa Intervalo, produzido pela Rede Anísio Teixeira. O vídeo foi publicado no Ambiente Educacional Web, em 2014.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: “Não tenha medo. Denuncie!”

Oi, pessoal! A Radiola PW de hoje aborda uma temática importante e que deve sempre ser discutida: a violência contra a mulher. Os casos existem e persistem, infelizmente. Contudo, as mulheres estão mais conscientes, exigindo os próprios direitos e denunciando os seus agressores.

Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016
Fig. 1: 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência para denúncias. Imagem: captura de tela feita em 4 de julho de 2016

Hoje, a cantora Aiace Félix, da banda Sertanília, tornou pública uma agressão que sofreu do taxista Antonio Ricardo Rodrigues Luz, em Salvador. “[…] Estávamos eu, minha irmã e uma amiga andando em direção ao Largo da Mariquita por volta das 05h:30 quando esse motorista, que estava parado na fila de Taxi em frente a casa, assediou minha irmã. Quando fui pedir por respeito, embora seja óbvio que ele é meu por direito, o taxista se sentiu incomodado por eu tê-lo confrontado e me respondeu de forma bem agressiva reiterando o assédio. Eu segui andando com as meninas quando ele deu uma ré super brusca tentando atropelar a mim e as meninas. Um rapaz que passava na hora me puxou e evitou que algo mais grave acontecesse. Não satisfeito, o taxista saiu do carro, veio na minha direção e me deu 3 socos no rosto, atingindo meu olho direito, minha boca e o ombro/pescoço. Como resultado, ganhei uma lesão na córnea e alguns hematomas pelo corpo[…]”, relatou a artista numa rede social da internet.

O importante, nesse e em todos os casos que insistem em figurar na nossa sociedade, é que a natural revolta que acomete as pessoas ao saber de crimes dessa natureza seja, de fato, traduzida em ações práticas. A situação é intolerável!

A igualdade de gênero é uma ânsia de movimentos feministas desde sempre. Deveria ser um anseio da sociedade. Às vezes, na tentativa de ajudar, se produz discursos que, se analisados com atenção, acabam prejudicando toda uma luta histórica. Um bom exemplo disso é a música O Defensor, lançada em 2015 pela dupla Zezé Di Camargo e Luciano, no CD e DVD Flores em Vida – Ao Vivo. A canção, dos compositores Fred Liel e Marco Aurélio, foi divulgada por Zezé e Luciano como sendo um manifesto da violência contra a mulher. Mas, analisando a letra com criticidade, percebe-se que, nas entrelinhas, a obra reforça o papel socialmente estabelecido para as mulheres. Eis a mensagem:

“Mais uma vez/Ele te feriu/E é a última vez/Que ele vai pôr a mão em você/Te machucar, fazer sangrar/Te humilhar, fazer chorar seu coração/Não tenha medo, denuncie”.

Se a letra seguisse a ideia dos versos acima, ela cumpriria uma boa função. Porém, nas linhas seguintes, fica evidente o equívoco dos compositores:

Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo/Estou aqui, sou seu defensor/Eu vim pra te buscar, eu vou te amar/E onde ele bateu, eu vou te beijar/Eu só quero curar suas feridas/Não tenha medo, denuncie/Deixa ele e vem morar comigo/Deixa ele e vem morar comigo”.

O que a sociedade precisa entender é que as mulheres não precisam de defensores, precisam de respeito. Sair de uma relação conturbada, em que sofre violência física, para outra aparentemente mais amena, não resolve o problema da violência contra a mulher, só a torna mais uma vítima em potencial. Vale ressaltar também que as mulheres não estão loucas atrás de relacionamentos, como se isso fosse resolver as suas questões existenciais. 

Os versos abaixo, feitos por dois homens, mostram como eles e como muitos outros se colocam em relação às mulheres:

Porque eu sou seu anjo/Seu defensor, te amo/E enquanto eu tiver vivo/Eu vou te defender, meu amor/Nunca mais ele vai te bater”.

A principal e mais importante defesa da mulher é o respeito. É disso que elas precisam e é por isso que lutam. É preciso dar um basta nos crimes que matam as mulheres, tanto social quanto fisicamente. Encerro com o melhor verso da música: “Não tenha medo. Denuncie!”.

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: São João Antigo

Oi, gente! Tudo bem com vocês? Hoje, última Radiola PW deste semestre, a dica de música tem a ver com o período junino e convida todo mundo para fazer uma reflexão sobre as festas de São João espalhadas pelo Brasil, principalmente no Nordeste: trata-se da canção São João Antigo, composta por Zé Dantas e Luiz Gonzaga. Ela foi lançada pelo Velho Lua em 1962, no disco São João na Roça.

Fig.1: capa do disco de Gonzagão em que "São João Antigo" é uma das faixas. Foto: reprodução do site Memorial Luiz Gonzaga.
Fig.1: capa do disco de Gonzagão em que São João Antigo é uma das faixas. Foto: reprodução do site Memorial Luiz Gonzaga.

Muito se fala sobre a descaracterização das festas juninas, principalmente quando os seus elementos mais significativos são levados em consideração. Hoje em dia, por exemplo, o forró não é o único gênero musical que reina na programação junina das cidades. Artistas de axé music, arrocha e sertanejo estão ocupando esses espaços.

Isso está relacionado com o natural processo de transformação da sociedade, que incorpora novos costumes e muda a sua dinâmica. O passado interfere no presente, que ressignifica o futuro. Na década de sessenta, do século passado, Gonzagão e Zé Dantas já falavam sobre isso.

Na primeira estrofe da música, os autores se mostram saudosistas: Era a festa da alegria/São João!/Tinha tanta poesia/São João!/Tinha mais animação/Mais amor, mais emoção/Eu não sei se eu mudei/Ou mudou o São João”.

Em seguida, reforçam esse sentimento e revelam o motivo da angústia contida na letra: “Vou passar o mês de junho/Nas ribeiras do sertão/Onde dizem que a fogueira/Inda aquece o coração/Pra dizer com alegria/Mas chorando de saudade/Não mudei nem São João/Quem mudou foi a cidade”. Ou seja, nem o eu lírico nem o São João mudaram, a cidade que teve a sua dinâmica alterada. E você? O que acha sobre essas transformações? Conte para a gente!

Questão de linguística

Inda” é variação do advérbio “ainda”; “pra” é a forma reduzida da preposição “para”.

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

“O Cordel Tem Tudo a Ver com a Educação”

Chegou ao Brasil no século XVI e, de lá pra cá, ainda reclama mais visibilidade e lugar de importância entre os textos literários. Trata-se do Cordel, narrativas em versos impressas em papel simples, ilustradas com xilogravuras e que era, geralmente, exposto em barbantes ou cordas. Com nomes distintos desde o seu nascimento, andou na Espanha como “pliegos suelitos”, em Portugal como “folhas sueltos” ou “volantes”. Foi trazido pelos portugueses, instalou-se na Bahia e estabeleceu-se no Nordeste, região bastante retratada em histórias ricas em dramas e comicidade.

Com uma linguagem coloquial e rimas simples para tratar de temas populares do povo nordestino, o Cordel foi muito estigmatizado, especialmente entre os intelectuais. Por outro lado, apesar disso, há registros de que escritores como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa tenham sido fortemente influenciados por essa arte. Vale pesquisar sobre sua história, visitando o site da Academia Brasileira da Literatura de Cordel, mais uma iniciativa para a sua valorizaçãoFelizmente, nos últimos anos, o Cordel ressurge como objeto de pesquisas acadêmicas e, consequentemente, ganha mais espaço também em salas de aula, onde pode ser contemplado como uma expressão literária e, além disso, como prática sóciodiscursiva. O cordel, afinal, traz uma missão: pretende ensinar a viver o verbo em versos.

Fig. 1: Elton Magalhães é professor de Literatura e poeta cordelista. Foto: arquivo pessoal.
Fig. 1: Elton Magalhães é professor de Literatura e poeta cordelista. Foto: arquivo pessoal.

Hoje, o Blog do Professor Web, traz uma entrevista e inspiração para os estudantes e professores com a experiência e talento de um convidado: Elton Magalhães. Nascido em Castro Alves, graduado em Letras Vernáculas pela UFBA e mestre em Literatura e Cultura também por essa instituição. Ele fala do trabalho que realiza em aulas, palestras e oficinas em que utiliza o cordel como opção metodológica.

Para Elton, a Literatura passou a ser um interesse por volta dos 17-18 anos, já na universidade, quando cursou a disciplina Literatura Popular. Ele, eu e todos os educadores deste Blog acreditamos: com cordões e cordéis se faz uma boa rede, um texto bem tecido.

Lilia Rezende (Blog do PW): O cordelista mostra-se comprometido com a realidade e vê, na arte literária, uma forma de expressão e luta. O seu cordel tem engajamento político?

Elton Magalhães: Bem, na posição de professor, nós somos, inevitavelmente, formadores de opinião e, consequentemente, precisamos tomar uma posição política, independentemente de qual seja ela. Sabemos que todo e qualquer avanço social de um grupo ou uma nação deve partir necessariamente da educação. Às vezes, infelizmente, acabo misturando a minha função de educador e a minha condição de cordelista. Muitos dos meus textos seguem uma metodologia e não tem como deixar a política passar despercebida. Ainda mais quando se trata de um país como o nosso, tão frágil socialmente. Já escrevi alguns folhetos de cordel e alguns poemas avulsos sobre essa condição.

LR: Quais as influências para sua produção de cordelista?

EM: Costumo dizer que o meu grande mestre no Cordel é o poeta (e hoje grande amigo) Antônio Barreto. Conheci seu trabalho pela internet, quando recebi um texto seu que versava sobre o caso de uma professora “linchada” publicamente por ter dançado uma música sensual numa casa de shows em Salvador. Aquele foi o meu primeiro grande “barato” com o Cordel. Antônio foi um grande incentivador. Depois que comecei a escrever, foi que me embrenhei a pesquisar outros autores e me apaixonar ainda mais pelos textos. Posso citar alguns grandes: Leandro Gomes de Barros (o “pai” do cordel no Brasil), Mestre Azulão (falecido recentemente), Rouxinol do Rinaré, o Mestre Bule-Bule, Gonçalo Ferreira da Silva, os irmãos Klévisson e Arievaldo Viana, Franklin Maxado e alguns amigos da Bahia: Jotacê Freitas, Creuza Meira, José Warter Pires, Salete Maria. São muitos.

LR: Como se pode construir uma relação entre Cordel e Educação?

EM: O Cordel tem tudo a ver com a Educação. Primeiramente, porque ele não é um gênero em si, é uma vasta área dentro da Literatura e pode aparecer em diversas roupagens, em diversos gêneros textuais. Isso a partir da sua estrutura primordial que é a rima, a métrica e a oração (a sintaxe). Tendo isso em conta, o professor pode trabalhar com um romance, uma piada, com adivinhas, um conto, um texto mais lírico ou até mesmo falar de temas sociais a partir do Cordel. Além disso, a sua estrutura é muito atrativa, faz com que os alunos mantenham-se interessados, já que a rima e a métrica, quando bem usadas, prendem a atenção de quem lê ou ouve. Por fim, a linguagem simples e coesa do Cordel também ajuda no entendimento do texto. Sendo mais acessível, o Cordel consegue dialogar melhor com diversos grupos escolares.

Fig. 2: a cultura e a tradição dos folhetos de cordel enriquecem a nossa literatura. Fonte da imagem: Wikipedia.
Fig. 2 – Literatura de Cordel: riqueza e tradição na cultura brasileira. Fonte da imagem: Wikipedia.

LR: E na Leitura e Escrita, de modo específico, o Cordel colabora?

EM: Todo tipo de leitura e produção textual em sala de aula é proveitoso. Claro que isso depende da forma como o professor utiliza os recursos que lhe cabem. Para abordar o cordel, é necessário, antes de tudo, que os alunos conheçam a sua história, sua estrutura e a sua importância para a cultura popular do Brasil. Quando essa arte é apresentada a eles, existe uma empolgação imediata. Nas minhas experiências, eu posso afirmar isso. Muitos alunos, inclusive, escrevem textos em rima por conta própria e pedem a minha avaliação.

LR: No projeto O Português na Língua do Cordel, você produziu um livro didático com alunos usando versos populares em torno das Funções da Linguagem e das Variações Linguísticas. Como você lidou com esse desafio de falar sobre a língua, usando a língua numa estrutura e numa linguagem tão pouco usual?

EM: O trabalho foi maravilhoso. Foi uma atividade de metalinguagem, sobre temas que estávamos discutindo em sala de aula. Deixei que eles escolhessem entre produzir um texto em Cordel ou fazer uma prova tradicional. Os que produziram o texto em Cordel se desempenharam muito bem e isso me motivou a organizar uma coletânea com os melhores textos. Foi a partir daí que eu pensei n’O Português na Língua do Cordel, um projeto que parte de oficinas realizadas em sala de aula e que pretende colaborar com os professores e alunos. Os professores podem utilizar esses textos, já que são mais atrativos, para exemplificar os assuntos abordados neles, assim como os alunos podem utilizá-los como ferramenta lúdica na hora de estudar os conteúdos presentes ali. No âmbito virtual, ele teve boa divulgação, identifiquei quase mil downloads do livro que está acessível no blog https://ocordelnaweb.wordpress.com/.

LR: E a coleção Literatura em Cordel, como tem chegado a professores e estudantes? Tem boas notícias?

EM: Os meus primeiros textos estão nessa coleção. Ao trabalhar com as tradicionais escolas literárias em sala de aula, eu sempre levo esses textos. Eles correspondem a um grande resumo em cordel, narrando de forma lúdica e didática, com um pouco de humor e algumas críticas, o contexto e as características do Quinhentismo, Barroco, Arcadismo e Romantismo. É um projeto que pretendo dar continuidade e, assim que terminá-lo, penso em transformar em livro didático para contribuir para aquisição do conhecimento dos alunos e com o trabalho pedagógico dos colegas professores.

 

Lília Rezende

Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia