Raça Humana?

Qual a sua cor ou raça?

Essa pergunta faz parte do Censo, dos questionários para acesso às universidades e pode ser motivo de controvérsias e até mesmo dúvidas. O Censo 2010 detectou mudanças na composição da cor ou raça declarada no Brasil, visto que “dos 191 milhões de brasileiros, 91 milhões se classificaram como brancos, 15 milhões como pretos, 82 milhões como pardos, 2 milhões como amarelos e 817 mil como indígenas. Registrou-se uma redução da proporção de brancos, que em 2000 era 53,7% e em 2010 passou para 47,7%, e um crescimento de pretos (de 6,2% para 7,6%) e pardos (de 38,5% para 43,1%). Sendo assim, a população preta e parda passou a ser considerada maioria no Brasil (50,7%).”

Mas houve mesmo um aumento numérico na população autodeclarada parda e preta ou pessoas que se declaravam brancas passaram a não se reconhecer neste grupo?

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Fig. 1 – Tipos humanos. Fonte: Wikipedia

Observe a letra da música Mistura de Raças, um forró de autoria de Pinto do Acordeon e gravado por Genival Lacerda:

“Meu avô é holandês

Minha avó é africana

O meu pai é português

E a minha mãe baiana

Eu nasci na Paraíba

No recanto brasileiro

Onde as praias são bonitas

Onde o sol nasce primeiro

Tenho um parente inglês

Japonês, italiano

Tem um primo que é francês

O outro é índio alagoano

Sou mulato, sarará

Mais meu sangue é de primeira

É a mistura de raça

Da genética brasileira

O meu sangue viajou, navegou pelos mares

Foi parar no quilombo em zumbi dos palmares

O meu sangue viajou, navegou pelos mares”

O que há de verdade e de mito nessa letra? Que informações ela traz que podem ser exploradas em sala de aula? O será que se pensa sobre os termos “sarará” e “mulato”?

Foi parar no quilombo em Zumbi dos Palmares
O meu sangue viajou, navegou pelos mares

Agora que você fez uma reflexão sobre a música, vamos abordar o termo raça do ponto de vista “acadêmico”.

Fig. 1 – Tipos humanos.

Mas o que é mesmo raça?

A palavra raça apresenta múltiplas definições e pode ser definida como: “forma de estratificação social;  categoria social relacionada à classe; população que se distingue de outras pela freqüência com que herda traços físicos geneticamente; determinados grupo de pessoas classificadas em conjunto tendo por base uma história comum, nacionalidade ou distribuição geográfica; populações mais ou menos isoladas que diferem uma das outras pela freqüência de suas características hereditárias”, dentre outros aspectos.

Segundo Cavalli-Sforza (2003) raça é um termo que não possui o mesmo significado para todas as pessoas e sua definição pode depender dos motivos pelo qual é usada. “Qualquer classificação racial é arbitrária, imperfeita e difícil. Baseado em todas as  evidências disponíveis, não existem diferentes raças humanas do ponto de vista biológico”, e o mais fundamental aspecto biológico das raças está naquilo que as une e não naquilo que as separa.

Mas de onde vem essa ideologia de raças diferentes baseadas em aspectos físicos?

O  poligenismo, segundo a qual o Homo Sapiens tinha se originado de diferentes populações primitivas em várias partes do mundo foi bastante aceito até os anos 80 do século XX. Assim, os “ancestrais dos europeus teriam evoluído do homem de Neanderthal, os asiáticos do Homem de Pequim e assim por diante. Isso sugeria diferenças profundas entre as raças e, para alguns, uma hierarquia entre elas – talvez nem todas tivessem evoluído ao mesmo tempo e no mesmo ritmo. A partir de estudos genéticos e populacionais na década de 90 do século XX, foi possível mostrar que a espécie humana ao contrário do que se pensava, tem um antepassado comum que viveu na África há 144.000 anos.”

            As diferenças físicas (cor da pele, tipo de cabelo, etc) que deram origem à designação de raças, nada mais são que mudanças adaptativas as quais tem pouco a ver com a real distância genética entre as populações. Portanto, para a ciência, o conceito biológico de raças não se justifica. Somos todos humanos e nossas diferenças culturais, físicas, geográficas, econômicas, lingüísticas e religiosas não deveriam motivo para preconceito e discriminação. Somos iguais! Temos os mesmo direitos perante a nossa Constituição. Mas vale a pena discutir até que ponto essa igualdade se reflete no acesso a educação, à saúde, à políticas publicas, ao trabalho, dentre outras coisas.

Não apenas no Novembro Negro, mas em todo o currículo escolar, se faz necessário difundir o conhecimento, fomentar a reflexão e a discussão sobre os pré e pós conceitos que infelizmente ainda permeiam nosso contexto de vida.

Guel Pinna

Professora da Rede Estadual de Ensino

Referências bibliográficas

Gabriela Lamarca & Mario Vettore. A nova composição racial brasileira segundo o Censo 2010. Disponível em : http://dssbr.org/site/2012/01/a-nova-composicao-racial-brasileira-segundo-o-censo-2010/

Cristina M. M. Fortuna & Maria Betânia P. Toralles.  A Aplicação e o Conceito de Raça em Saúde Pública: Definições, Controvérsias e Sugestões para Uniformizar sua Utilização nas Pesquisas Biomédicas e na Prática Clínica . Disponível em: http://www.gmbahia.ufba.br/index.php/gmbahia/article/viewFile/355/344

S O Y Keita, R A Kittles et all. Conceptualizing human variation. Disponível em: http://www.nature.com/ng/journal/v36/n11s/full/ng1455.html

Norton Godoy. Somos todos um. Disponível em: http://labs.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/humevol/templeton

Qual é a do Black?

Empoderamento, resistência e consciência.

Atualmente, nos corredores das escolas, encontramos vários alunos, alunas e professores que decidiram assumir seus cabelos naturais. Cachos de todos os tamanhos, volumes e comprimentos desfilam um poder que transcende a simples beleza estética. Preferir o uso dos cabelos naturais é um encontro com a identidade.

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Fig. 01 – Imagem: Peterson Azevedo

Mas será que é por isso mesmo que eles estão aderindo a esse visual natural?

Bom, pode até começar como uma modinha, mas se transforma em algo muito maior. A partir do momento que esses jovens aceitam suas madeixas, começa um processo de autoconhecimento, fortalecendo  a construção de padrões estéticos próprios e desconstruindo os valores estéticos ocidentais. Eles passam a perceber que a discriminação não se dá apenas por palavras, se dá também pela não aceitação de um fenótipo. Talvez, partindo desse ponto, esses indivíduos busquem compreender acontecimentos sociais e juntem-se a outros na luta pelo combate à discriminação e ao racismo.

Pensando bem, aproveitar(-se de) um artifício estético para protestar não é novo. Nos anos 60, o uso do cabelo afro ganhou força com o movimento Black Power,  usado como ferramenta de afirmação   na luta pelos direitos civis. Na época, as mulheres, principalmente, decidiram deixar de alisar os cabelos e saíram às ruas ostentando seus cabelos naturais, causando um desconforto e espanto na comunidade branca. Naquela época, usar o Black era o mesmo que soltar os grilhões do período da escravatura, impor respeito. Foi neste período que sujeitos como Martin Luther King, Malcolm X ganharam voz, ambos revolucionários em suas ações em prol da causa dos negros e dos direitos civis, atuando de formas diferente nos EUA. Outro movimento foi o dos Panteras Negras (Black Panther) em 1966, eles participaram de uma importante parte no movimento dos direitos civis. Os Panteras Negras tinham uma postura mais violenta. porém todos estes sujeitos tinham  um desejo em comum: igualdade.

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Fig.02

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Fig.03

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A palavra é empoderamento. Ela está em alta, mas o que é isso mesmo? É ser livre, se reconhecer como é, e aceitar a sua ancestralidade sem pressão dos ditos padrões estéticos infligidos. Reconhecer seus traços largos, e a estruturas dos fios de um cabelo crespo.

 

Sabemos que a valorização do afrodescendente é uma luta constante, mas o nosso país é muito plural e teremos  ,inevitavelmente, que lidar com essas questões. A estética negra é um instrumento de reconhecimento, conquista,  consciência, resistência.

https://oprofessorweb.wordpress.com/2015/11/05/amanha-e-dia-de-branco/

https://oprofessorweb.wordpress.com/2011/11/11/mes-da-consciencia-negra-a-festa-da-resistencia/

Geize Gonçalves

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Pluralidade Cultural: manifestações das partes do todo e do todo em diferenças fenotípicas

Olá, pessoal!

Vamos bater um papo sobre pluralidade cultural, mas antes, vamos pensar sobre as manifestações culturais que se apresentam de forma plural tanto na cultura brasileira assim como entre os povos do mundo. E mais do que isso, vamos estabelecer uma relação desse pluralismo cultural brasileiro e mundial tais como, por exemplo, as manifestações culturais africanas ou japonesas com a pluralidade fenótica que se manifesta em alguns povos do mundo. Assim como são perceptíveis as diferenças entre o modo de cultura desenvolvida entre africanos e japoneses, também existem especificidades nas manifestações fenotípicas que acontece dentro da nossa espécie.

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                                            Fonte: Wikipédia

Isso que dizer que todos nós mesmos pertencentes à mesma espécie Homo sapiens sapiens, apresentamos manifestações fenotípicas diferenciadas tais como cor de pele, cor de olhos, cor dos cabelos, tipagem sanguínea ainda que descendentes do mesmo pai e mesma mãe.

Ainda, é possível, encontrar características determinadas geneticamente em um grupo de pessoas da população mundial que só são encontradas em uma área geográfica como, por exemplo, o formato dos olhos dos orientais, facilmente percebidos, ao apresentarem “olhos puxadinhos” muito comuns nas pessoas do continente asiático.

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                                                   Fonte: Wikipedia

Tais manifestações acontecem devido à presença e ativação de um gene poll que manifesta uma característica fenotípica numa determinada área geográfica compondo o padrão genético fenotípico de determinada característica para as gerações futuras dessa parcela da população.

Então, está valendo a valorização sejam das manifestações culturais assim como as diferenças que nossos corpos podem apresentar, o que conta mesmo é o respeito a cada uma de nossas características assim como das manisfestações culturais de cada povo. A escola é um espaço para essa troca de ideia, valeu. Educar para a convivência na diversidade, promovendo reflexões sobre os elementos que dão origem aos estereótipos e preconceitos sociais, antropológicos, linguísticos, raciais e de orientação sexual.

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                                                  Fonte: Diversides: Fenotípica –AEW

Assista ainda, no Ambiente Educacional Web:

Diversidade Cultural:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/emitec/disciplinas/exibir/id/2470

Diversidade Sexual

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3329
Saiba mais:

http://biologiaconcursos.blogspot.com.br/2009/12/gene-pool.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_gen%C3%A9tico

Ana Cristina Rangel

Professora de Biologia da Rede de Ensino da Bahia