Você é o que você compartilha

Sete de fevereiro consta no calendário como o Dia da Internet Segura. De acordo com o site da Safernet, o dia foi criado pela Rede Insafe na Europa a fim de promover “atividades de conscientização em torno do uso seguro, ético e responsável das TICs, nas escolas, universidades, ONG’s e na própria rede” [sic]. A ação é importante para fazer com que as pessoas reflitam sobre como as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) podem ser usadas para o bem e para o mal.

Um exemplo evidente dessa dicotomia está presente na internet. Ao mesmo tempo em que ela é uma ferramenta de democratização do conhecimento, que contribui para a transformação social (muitos movimentos políticos ganharam vida por causa de mobilizações organizadas através da rede) e gera novos empregos, é usada para a disseminação de mentiras que podem causar prejuízos. Quem ganha com isso, quase sempre, é uma indústria que está interessada em transformar cliques em cifras.

Fig. 1: Andressa Falcão: "A gente precisa pesquisar e analisar os fatos". Veja enquete no final desta postagem.
Fig. 1: Andressa Falcão: “A gente precisa pesquisar e analisar os fatos”. Foto: Raulino Júnior.  Veja a enquete no final desta postagem.

Notícias mentirosas são divulgadas e compartilhadas nas redes sociais sem nenhuma preocupação sobre a veracidade delas. Quem compartilha deve saber que, de alguma forma, se compromete com aquele conteúdo que passa adiante. A pessoa está dando o aval para algo que foi noticiado sem nenhuma apuração, de forma irresponsável, descabida e tendenciosa.

Fig. 2: Denilson da Silva: "Você tem que pesquisar mais para ver se é verdadeiro ou se é mentira". Veja enquete no final desta postagem.:
Fig. 2: Denilson da Silva: “Você tem que pesquisar mais para ver se é verdadeiro ou se é mentira”. Foto: Raulino Júnior.  Veja a enquete no final desta postagem.

No início de janeiro, a atriz Suzy Rêgo publicou um vídeo no seu Instagram em que problematizava isso. De forma bastante lúdica, crítica e cheia de ironia, Suzy usou a sua própria arte – a de interpretar – para chamar a atenção do público sobre as mentiras que estão na internet, e que muita gente acredita. No final do vídeo, uma mensagem necessária: “Deixe de acreditar em tudo que você vê na internet. A internet é um palco perfeito pra mentira, pra boato… Então, procure saber, certifique-se, comprove, pesquise”.

O recado está dado. Antes de compartilhar qualquer conteúdo, procure saber mais sobre ele. Nessa era de muita informação, você é o que você compartilha. Fique atento(a)!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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O Poder da Mídia, Ontem e Hoje!

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Fig.1: Ilustração de Henrique Alvim Corrêa para  o livro A Guerra dos Mundos. Marciano lutando contra o navio de guerra Thunder Child. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Fighting_machine_(TheWaroftheWorlds)#/media/File:Correa-Martins_vs._Thunder_Child.jpg

Estamos na era das mensagens instantâneas, com piadas e charges facilmente identificáveis como fictícias, mas com muitas outras mensagens de teor ficcional tomadas como verdadeiras. Mas por que levamos a sério essas mensagens? Simplesmente pelo fato de serem construídas nos moldes utilizados pelos meios de comunicação, que conferem credibilidade ao que está sendo compartilhado nas redes sociais.

E desde sempre as coisas são assim. Exemplificando e começando pelas coisas mais simples, nós mesmos recorremos ao testemunho de uma outra pessoa para confirmar alguma história que estamos contando a alguém. Não é assim? Dizemos: pergunte a fulano. E se esse fulano for uma pessoa idônea, nossa história terá o devido respaldo. Infelizmente, muitos desses fulanos tendem a confirmar nossas histórias, mesmo sem tê-las testemunhado. Isso pode se dar devido a laços de amizade ou por outros interesses. Até nos tribunais há quem jure dizer a verdade, com a mão sobre a Bíblia, mesmo ciente da mentira. Desse modo, inocentes são condenados, e culpados libertos, a depender dos homens da lei envolvidos no processo. Diante de sistemas assim, alguns preferem lavar as mãos, como fez Pilatos.

Quanto ao testemunho da imprensa escrita, radiofônica e a televisada, a “verdade” é, naturalmente, consumida pela grande maioria de seus seguidores, mesmo que as “pontinhas soltas” sinalizem questionamentos a serem feitos. Assim, dizemos: deu no rádio… li no jornal… vi na televisão e, portanto, tudo pode ser verdade. Aliás, será que é por essa razão que alguns acrescentam “só repassando”, quando reenviam certos textos cujo respaldo parece estar faltando? Isso os exime da responsabilidade sobre aquilo que passam adiante? Pois uma mentira, em formato jornalístico, por exemplo, pode destruir civilizações inteiras.

Considerando que assim é, se uma mídia utilizada para anunciar fatos verídicos vier a misturá-los com ou substituí-los por ficção, dificilmente o público perceberá a farsa, a menos que se anuncie, previamente, do que se trata. Foi o que aconteceu em 1938, nos Estados Unidos.

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Fig.2: Manchete do New York Times de 31/10/1938 sobre o pânico causado pelo programa ficcional de rádio levado a sério pelos ouvintes. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)#/media/File:WOTW-NYT-headline.jpg

Naquele ano, Orson Welles adaptou para o rádio a obra A Guerra dos Mundos de Herbert George Wells, lançado em capítulos em 1897 e, em livro, em 1898. A história trata da invasão de marcianos inteligentes à Terra. O drama radiofônico foi apresentado ao público em formato de boletim de notícias, interrompendo outro programa que estava no ar. No início da transmissão foi anunciado que se tratava de uma obra de ficção, mas os ouvintes que ligaram o rádio depois de iniciado o programa não ouviram o tal aviso. Resultado: houve pânico generalizado e colapso de todas as centrais telefônicas, devido à imensa quantidade de chamadas para a polícia, bombeiros e para a própria emissora de rádio. As ruas e estradas ficaram congestionadas, com pessoas tentando fugir da área invadida pelos marcianos e foram inúmeros os depoimentos dos que viram e ouviram as naves marcianas e seus ocupantes. Hipnose coletiva? Não duvido. Clique aqui para ver um doc sobre isso.

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Fig.3: Orson Welles reunido com repórteres, em uma tentativa de explicar que nenhum dos envolvidos na transmissão do drama radiofônico tinha ideia do pânico que causaria. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)#/media/File:Orson_Welles_War_of_the_Worlds_1938.jpg

O curioso é que, 3 décadas depois, a peça radiofônica de Orson Welles foi reescrita para o ano de 1968. Você diria: ah, mas a essa altura, todos já saberiam de que se tratava de uma obra de ficção. Errou. Aconteceu a mesma coisa, claro que numa proporção menor, já que o número de ouvintes tinha diminuído. De acordo com a Wikipedia, apesar das exaustivas chamadas anunciando a peça radiofônica de 1968, muitos acreditaram nos boletins e na cobertura jornalística (ficcional) que a todo instante interrompiam a programação musical do horário. O criador dessa versão, Jefferson Kaye, e o diretor Danny Kriegler chegaram a pensar que seriam demitidos, tal foi a confusão criada, que chegou a envolver até a força armada canadense, um jornal e vários oficiais da polícia local, além dos telefonemas de ouvintes assustados, todos crendo que a invasão alienígena era real.

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Fig.4: Placa comemorativa da famosa transmissão radiofônica, em West Windsor. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)#/media/File:Landingsite_statue.JPG

Isso ilustra muito bem a força que têm os meios de comunicação. Se nesses casos aqui descritos não havia a intenção de atingir as pessoas, imaginemos o que seria se tudo fosse intencional!  Com esse mecanismo, derrubam-se governos legítimos e sustentam-se farsas e farsantes. Não é à toa que a mídia carrega o rótulo de 4º Poder.

Que possamos usar essa força para a Paz.

Feliz 2017!

Geraldo Seara
Professor da Rede Pública Estadual de Ensino

REFERÊNCIAS:
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Guerra_dos_Mundos_(livro)
https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_drama)
https://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio_1968)

GREENpense

 

Hi there!

We will move ahead!” Essa foi a frase que ambientalistas de vários países apresentaram com o término da COP 22. Do inglês Conference of the Parties, (Conferência das Partes – COP22) corresponde a 22ª Conferência da ONU sobre o Clima, em Marraquexe, no Marrocos, ocorrida em novembro com 196 países, inclusive, o Brasil. A presença de líderes mundiais definiram particularidades do regulamento que regerá o Acordo de Paris, que definirá as diretrizes universais para seguir em frente no combate ao aquecimento global.

monicaFig.1 Luciano Albuquerque. Frase exposta por ambientalistas na COP 22 “Nós seguiremos adiante.”

O Brasil também promove ações e políticas voltadas às questões ambientais. Da árvore que o nomeou, foi inaugurado o Parque Nacional do Pau Brasil, área de grande concentração de biodiversidade. Localizado no sul da Bahia, região de Porto Seguro e também chamada de Costa do Descobrimento, reúne espécies da fauna e flora da Mata Atlântica, um bioma que está em constante ameaça e muitos são os que sofrem! De acordo com registros, o número mundial de assassinatos de ambientalistas chega a 200 por ano e, no Brasil, soma um total de 50.

Muitas são as organizações de reconhecimento internacional, como por exemplo,

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Fig.2 Logo Greenpeace
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Fig.3 Logo  World Wide Foundation

 

 

 

 

 

 

que estão presentes em diferentes países que assumem o compromisso de proteger reservas ecológicas e dialogar acerca de questões ambientais presentes e futuras. O Greenpeace Brasil lança a cartilha intitulada: “E agora, José? O Brasil em tempos de mudanças climáticas” durante a 22a Conferência do Clima das Nações Unidas . O documento trata de estudos referentes ao aumento da temperatura do planeta. Ações emergenciais que precisam ser tomadas para um futuro breve. E, por falar em futuro, você poderia responder tal questionamento?

Do you think these aspects are going to become big problems in the future ?

Disappearence of green areas (Desaparecimento de áreas verdes)

Excess of carbon dioxide (Excesso de dióxido de carbono )

Disposal of waste (Eliminação de resíduos)

Burning of forests (Queimada de florestas)

Global warming (Aquecimento global)

Shortage of water (Escassez de água)

Basic Sanitary (Saneamento básico)

Nuclear plants (Usinas Nucleares)

River pollution (Poluição de rios)

Deforestation(Desmatamento)

Noise (Barulho)

Aliás, falar de questões ambientais numa projeção futura é o que será feito agora!

Vejamos duas formas de expressar o FUTURE TENSE. “Will” ou “going to”? Quem já não se fez essa pergunta?

O verbo auxiliar “will” é utilizado para fazer previsões, falar de possíveis eventos e ações futuras. Veja alguns exemplos:

  • Gas emissons will increase in 2020.

  • Will temperatures and sea levels rise?

  • Will tropical diseases like malaria and zika spread?

Já a formação do futuro com going to” expressa eventos planejados,predições, intenções. Estrutura:To be + going + to + verbo (infinitivo). Veja alguns exemplos:

  • We are going to study about environmental problems.

  • Are these aspects going to become big problems in the future?

  • I’m not going to use plastic trash bags.

Fácil, não? Para saber mais, acesse nosso ambiente, veja outras sugestões e exemplos!

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/5684

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/4073

Be green!

Mônica de Oliveira Mota

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Tecnologias Educacionais e o Antirracismo

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Mural no V SERNEGRA – IF Brasília – Foto: Carlos Barros

 

No mês dedicado à Consciência Negra, o Instituto Federal de Brasília (IFB) organizou a Semana de Reflexões Sobre Negritude, Gênero e Raça – SERNEGRA. Diz respeito a um evento técnico-científico, idealizado e organizado pelo Grupo de Pesquisa Estudos Culturais Sobre Classe, Gênero e Raça.

Neste ano (2016), aconteceu a quinta edição do SERNEGRA, trazendo reflexões sobre a luta antirracista no Brasil, a teoria e a práxis decolonial, abordando os eixos: a colonialidade do poder, do saber e fazer ser, debruçada sobre questões como a Geopolítica do Poder e a possibilidade de uma arte e de uma pedagogia decolonial.

A interculturalidade é o ponto forte desse Seminário, que contou com apresentações artísticas, oficinas, debates, filmes, palestra, simpósios temáticos com algumas das principais personalidades do mundo acadêmico, artístico e político que se propõem a debater o enfrentamento das questões raciais e de gênero no Brasil, Estiveram presentes: Adolfo Alban Achinte, Universidad Del Cauca – Unicauca/ ColômbiaPatricia Hill Collins, University Professor of Sociology at the University of Maryland, College Park, Nelson Fernando Inocêncio, Universidade de Brasília, Joaze Bernardino Costa, Universidade de Brasília, Vera Maria Ferrão  Candau, Universidade Católica do Rio de Janeiro, Wanderson Flor do Nascimento, Universidade de Brasília.

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Caderno de Resumos do V SERNEGRA – Foto: Carlos Barros

As tecnologias educacionais foram temas de debates, através de apresentações de projetos que trouxeram ações que difundem o antirracismo e que podem servir de exemplos para estudantes e professores, na prática pedagógica. Foram eles: Cine NEABI: educando para a diversidade (IF Roraima); Ikoloju: cibercultura e educação antirracista (UERJ); Documentários com estudantes de escolas públicas baianas (IAT – BA); Memórias e identidades: produção formativa de vídeos educacionais (IAT/UFBA); Violência no contexto escolar e racismo: um olhar a partir de um município do entorno do Distrito Federal (Universidade Nacional da Província de Buenos Aires e Faculdade Anhanguera de Valparaíso/GO – Kroton Educacional); e Programa Intervalo como tecnologia educacional na contribuição de práticas antirracistas: o caso do Quadro Histórias da Bahia (IAT- BA).

 Momentos como esse comprovam que as tecnologias aliadas ao processo educativo podem trazer benefícios tanto para a Educação, como para a compreensão da relevância do papel do cidadão em seu grupo social, estimulando a autonomia e a criticidade dos estudantes, principalmente, acerca de questões pouco presentes nos Livros Didáticos, como é o caso da Educação para as Relações Étnico-Raciais.

A Luta dos Movimentos Negros na Tela do Cinema

Olá, galerinha do PW! No mês de novembro, celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra, e não posso deixar de recomendar dois filmes que me inspiraram a escrever este texto: “Até o Fim” e “Selma”. Esses dois filmes são fascinantes e abordam, dentro de um contexto histórico, a luta dos negros afro-americanos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Sei que muitos  leitores devem achar irrelevante falar sobre a história de outro país, enquanto poderíamos exaltar a nossa, no entanto, esses filmes tratam, dentro de um contexto social e político, a vida de  Martin Luther King. Conhecendo um pouco da sua trajetória, vejo a influência de seus ideais no movimento negro no Brasil e no mundo.

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Martin Luther King – Disponível em Wikimedia, acessado 04/11/16

Os negros americanos foram escravizados de 1619 a 1863, todavia, mesmo com o fim da escravidão, os negros americanos permaneceram segregados por um longo tempo, apesar de a Constituição americana garantir os direitos fundamentais a todos os cidadãos. Nesse período, uma doutrina jurídica chamada “Separados, mas iguais”  permitia que o governo deixasse que os setores públicos ou  privados como de serviços, instalações, acomodações, moradia, cuidados médicos, emprego e transporte pudessem ser separados baseados na raça. Assim, os negros eram obrigados a frequentar escolas só para negros, tinham banheiros em repartições públicas e privadas destinados somente a eles e em muitos estados americanos eram obrigados a ceder o lugar num coletivo caso um branco estivesse de pé.  Outro direito civil regulamentado pela Constituição desde 1870 e negado aos negros por quase cem anos após o fim da escravidão, principalmente nos estados do sul, foi o voto. Para conter a participação dos negros pobres nas eleições, alguns estados passaram a instituir taxas ou a exigir que o eleitor passasse por uma avaliação escrita antes de votar. Essa situação é muito bem retratada no filme ”Selma”. Além disso, grupos violentos denominados Ku Klux Klan ameaçavam os negros, tentando desencorajá-los de chegar às urnas.

Muitos negros não aceitavam esse tipo de tratamento e destaco, entre eles, a atitude de Rosa Parks, mulher negra que se negou a ceder seu lugar num coletivo para uma mulher branca e, por essa atitude, foi presa. A partir da década de 60, indivíduos como Martin Luther King ,  Malcolm X, Rosa Parks  e outros passaram a lutar pelos diretos civis dos negros nos Estados Unidos. O ativista Malcolm X conduziu parte do movimento negro com o princípio da violência como forma de autodefesa. Ou seja, a violência não era uma forma de barbárie, mas um meio legítimo de conquistas, afinal as grandes mudanças na história da humanidade se deram dessa forma. Ao contrário de Malcolm X, o pastor protestante Martin Luther King conduziu o movimento negro inspirado em  Mahatma Gandhi, que tinha como princípios: coagir as autoridades através da desobediência civil e a prática da não violência. Ele organizou diversas marchas com o propósito de pôr um fim na segregação racial e de assegurar o voto a toda comunidade negra, que mais tarde teria os direitos assegurados com a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei dos Direitos Eleitorais (1965), ambas fruto desses movimentos e abordadas no filme “Até o Fim”.  Por obra da sua liderança e resistência não violenta e pelo fim do preconceito, em 1964, King recebe o Prêmio Nobel da Paz. A postura e os ideais de igualdade de King incomodaram a muito segmentos da sociedade americana, dentre eles o FBI, que, representado na pessoa a John Edgar Hoover, considerou-o um radical e comunista e por isso investigou sua vida, através de grampos telefônicos. Anonimamente, ameaçava sua vida através de cartas, que, apesar de tudo, nunca o intimidou.

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Assinatura da lei dos Direitos Civis – Disponível na Wikimedia, acessado em 04/11/16

A postura de King culminou no seu assassinato em 04 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha. Nos anos seguintes, contudo, muitos líderes dos direitos civis continuaram a trabalhar pela igualdade racial nas instâncias políticas.

A luta e os ideais de King e de seus contemporâneos repercutiram e influenciaram movimentos similares em todo o mundo, levando as comunidades negras a reivindicar por direitos de igualdade e oportunidade. Nos anos que sucederam a sua morte, o número de negros em repartições públicas, na política e mais tarde com a eleição de Barack Obama na própria presidência se tornaria marcos na história dos Estados Unidos.

Até a próxima!

Referências:

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King_Jr. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Malcolm_X. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Loyd_Jowers. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Consci%C3%AAncia_Negrahttp://escola.britannica.com.br/article/480991/Movimento-pelos-Direitos-Civis. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Enciclopédia Livre, Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi. Acesso em 2 de outubro de 2016.

Qual é a do Black?

Empoderamento, resistência e consciência.

Atualmente, nos corredores das escolas, encontramos vários alunos, alunas e professores que decidiram assumir seus cabelos naturais. Cachos de todos os tamanhos, volumes e comprimentos desfilam um poder que transcende a simples beleza estética. Preferir o uso dos cabelos naturais é um encontro com a identidade.

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Fig. 01 – Imagem: Peterson Azevedo

Mas será que é por isso mesmo que eles estão aderindo a esse visual natural?

Bom, pode até começar como uma modinha, mas se transforma em algo muito maior. A partir do momento que esses jovens aceitam suas madeixas, começa um processo de autoconhecimento, fortalecendo  a construção de padrões estéticos próprios e desconstruindo os valores estéticos ocidentais. Eles passam a perceber que a discriminação não se dá apenas por palavras, se dá também pela não aceitação de um fenótipo. Talvez, partindo desse ponto, esses indivíduos busquem compreender acontecimentos sociais e juntem-se a outros na luta pelo combate à discriminação e ao racismo.

Pensando bem, aproveitar(-se de) um artifício estético para protestar não é novo. Nos anos 60, o uso do cabelo afro ganhou força com o movimento Black Power,  usado como ferramenta de afirmação   na luta pelos direitos civis. Na época, as mulheres, principalmente, decidiram deixar de alisar os cabelos e saíram às ruas ostentando seus cabelos naturais, causando um desconforto e espanto na comunidade branca. Naquela época, usar o Black era o mesmo que soltar os grilhões do período da escravatura, impor respeito. Foi neste período que sujeitos como Martin Luther King, Malcolm X ganharam voz, ambos revolucionários em suas ações em prol da causa dos negros e dos direitos civis, atuando de formas diferente nos EUA. Outro movimento foi o dos Panteras Negras (Black Panther) em 1966, eles participaram de uma importante parte no movimento dos direitos civis. Os Panteras Negras tinham uma postura mais violenta. porém todos estes sujeitos tinham  um desejo em comum: igualdade.

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Fig.02
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Fig.03
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A palavra é empoderamento. Ela está em alta, mas o que é isso mesmo? É ser livre, se reconhecer como é, e aceitar a sua ancestralidade sem pressão dos ditos padrões estéticos infligidos. Reconhecer seus traços largos, e a estruturas dos fios de um cabelo crespo.

 

Sabemos que a valorização do afrodescendente é uma luta constante, mas o nosso país é muito plural e teremos  ,inevitavelmente, que lidar com essas questões. A estética negra é um instrumento de reconhecimento, conquista,  consciência, resistência.

https://oprofessorweb.wordpress.com/2015/11/05/amanha-e-dia-de-branco/

https://oprofessorweb.wordpress.com/2011/11/11/mes-da-consciencia-negra-a-festa-da-resistencia/

Geize Gonçalves

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

VOCÊ E A LEITURA!

Olá, leitores do nosso blog!

O incentivo para a leitura não vem só da escola, vem de casa, vem da vida.  A curiosidade estimula o querer saber, despertando nas pessoas a vontade para a leitura e, através dela, obter respostas para suas indagações, o que proporcionará bem estar a partir do momento da descoberta do desconhecido. A leitura possibilita interação entre o mundo lido e quem o lê. Você já parou para pensar nisso? Já pensou que a liberdade tão almejada por todos pode começar e pode estar na leitura? Então, por que será que o brasileiro ler tão pouco?

Existem alguns motivos que poderiam explicar o fato de pouquíssima leitura por parte dos brasileiros: o processo tardio de alfabetização; falta de vontade política; cultura do povo brasileiro mais oral do que textual; escasso investimento em estudo etc.

Ser letrado significa ir além de sabe ler e escrever, é saber “fazer uso competente e frequente [sic] da leitura e da escrita. Fala-se no letramento como ampliação do sentido de alfabetização e como prática social que favorece aos sujeitos interpretar os discursos veiculados socialmente.”Logo, o letramento tem papel de destaque e relevância  para a socialização do indivíduo cidadão, sendo a leitura uma conquista de autonomia.A partir dela, nós entenderemos melhor a realidade que nos cerca, ampliando os nossos horizontes, nos capacitando para todo e qualquer embate presente em nossa realidade.

Veja que projeto interessante sobre leitura, escrito pela Professora orientadora Shéfora Pina, da Escola Irmã Rosa Aparecida, localizada em Feira de Santana/Ba.Vale ressaltar que os professores do Fundamental I e II, da referida escola, participaram ativamente do processo que teve , em sua abertura,  o apoio da Escola Olavo Bilac.

PROJETO : “EU, OS LIVROS E NOVAS DESCOBERTAS”

 Texto adaptado do Projeto “EU, OS LIVROS E NOVAS DESCOBERTAS”, de autoria da Professora Shéfora Pina, da Rede Estadual de Ensino da Bahia.img-20161024-wa00052Fig. 1: Escola Irmã Rosa Aparecida. Captura : Shéfora Pina

O projeto de leitura na Escola Irmã Rosa Aparecida surgiu durante observações feitas pelos professores, em sala de aula e, em posteriores discussões nas ACs. Eles perceberam que, grande parte dos alunos, desconhecem a importância da leitura em seu processo de aprendizagem, leem somente por “obrigação”, sem perceber o real valor que a leitura pode lhes proporcionar. Tal desconhecimento sobre a relevância e a necessidade da leitura, aliado à atual realidade, pode distanciar crianças e adolescentes do contato direto com boas leituras, tornando-se um entrave no desenvolvimento do aluno, visto que ele não a vê como algo prazeroso.

O uso de computadores, jogos on-line, celulares, redes sociais, atrelado à ausência de acesso a livros no núcleo familiar, à falta de incentivo dos pais, muitas vezes ocasiona pouco interesse pela leitura e, por conseguinte, dificuldade em aprender texto.

O despertar precoce da sexualidade foi visto como motivador para o afastamento de adolescentes do ambiente escolar. Foi então, que os professores criaram o projeto “EU, OS LIVROS E NOVAS DESCOBERTAS”, propiciando aos educandos momentos lúdicos, com o objetivo de despertar o prazer pela leitura e contribuir para criar um ambiente de reflexão e discussão dos temas sexualidade e adolescência.

Foi realizado um “Show de Talentos”. Professores apresentaram peças teatrais, poesias,  shows musicais, cordéis. Os alunos  assistiram à tudo com muita satisfação.

Os trabalhos continuam sendo realizados diariamente em sala de aula. Mensalmente, os alunos participam como protagonistas de uma atividade com toda a comunidade, em que os professores são os espectadores: (HORA DA LEITURA; DOE UM LIVRO E TROQUE OUTRO; CINEMA NA ESCOLA; OFICINA DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIA, etc).

sem-tituloFig. 2 : Escola Irmã Rosa Aparecida. Capturas : Shéfora Pina e Célia Andrade

Relatos dos alunos sobre o projeto : Maria Luiza, 6.º ano B: “o projeto despertou em mim o hábito de ler.Era bem difícil eu fazer isso antes. Espero que a continuação seja melhor”. Já Valnélia de Jesus, 6.º ano B, falou:o projeto ‘EU, VOCÊ E  NOVAS DESCOBERTAS’ incentivou muito a minha leitura, pois os jovens e crianças estão muito ligados à tecnologia.Certo que ela também é uma fonte de conhecimento, mas os livros fazem a gente viajar para qualquer lugar… Apenas um livro desperta sentimento e tudo que você quiser.” A aluna Maria Clara, 7.º B, achou o projeto legal! Ela disse que o que mais chamou a atenção foi o interesse dos professores em mostrar mais entusiasmo em ler um livro. Ela até começou a gostar mais de ler.

Então, espero ter contribuído para o despertar da leitura e sua grande relevância para nossas vidas!

Até o próximo!

Ana Rita Medrado

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

Referências Bibliográficas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Letramento  http://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/44-da-populacao-brasileira-nao-le-e-30-nunca-comprou-um-livro-aponta-pesquisa-retratos-da-leitura/

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/04/por-que-os-brasileiros-leem-tao-pouco-4735112.html

http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-entrevista-detalhe/393/magda-soares-discute-como-mediar-o-processo-de-aprendizagem-da-lingua-escrita.html

SOS

 

 

Stop_Human_Trafficking.jpgFig.1 Tráfico humano

Yes. SOS Save Our Souls, ou seja, “Salve nossas almas.” O texto começa com esse apelo! Um pedido de socorro! O papo é muito sério.

Muitas pessoas estão clamando por SOS! O Tráfico de Seres Humanos (TSH) é um fenômeno de caráter mundial, pois atinge países em diferentes partes do mundo, de acordo com informações da Organização das Nações Unidas (ONU). Em inglês, conhecido por human trafficking ou trafficking in persons, remonta a tempos antigos e aponta que o escravagismo ou escravidão resulta na “coisificação” do sujeito, pois na Idade Antiga, algumas sociedades definiam legalmente o escravo como mercadoria. Tomava-se posse da vida do outro de diferentes formas para a exploração econômica ou social cujas habilidades, condições físicas e preços variavam a partir desses requisitos, como pode ser claramente vista na obra do artista francês Jean-Léon Gérôme:

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Fig.2 Escrava leiloada na Antiguidade

Sobre a problemática do tráfico de pessoas, termo que apareceu explicitamente no Protocolo de Palermo assim denominado, por ter sido criado em Palermo, na Itália, expressa-se no artigo 3 desse documento:

A expressão “tráfico de pessoas” significa o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos;

FYI (For Your Information- Para sua informação), no Brasil, estados como Amazonas, Bahia, Amapá, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo iniciaram movimentos de conscientização em rodoviárias e aeroportos. Os dados são alarmantes! O Ministério da Justiça traçou um relatório sobre o tráfico humano como pode ser visto:

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Fig.3 Infográfico sobre tráfico humano

O governo do estado da Bahia promove ações de combate ao crime de tráfico de pessoas. É preciso denunciar  aos órgãos competentes! A Campanha Coração Azul tem sua origem na campanha Blue Heart”  que propõe o debate para potencializar a discussão acerca do tráfico humano, bem como denunciar uma realidade a nível mundial.

A maior parte das vítimas são mulheres, crianças e adolescentes. Essas pessoas são, geralmente, iludidas por promessas enganosas de emprego e melhores condições de vida. Muitas mulheres, que trabalham na indústria do sexo, estão expostas a diversas doenças, inclusive, a AIDS (Acquired Immune Deficiency SyndromeSIDA Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Por não terem a devida proteção e se submeterem a diferentes parceiros, elas contraem o HIV ( Human Immunodeficiency Virus – Vírus da Imunodeficiência Humana).

Mas, o que o título do texto tem em comum com essa mensagem? SOS é um pedido universal de socorro utilizado como meio para indicar uma situação de risco de alguém que necessita de ajuda imediata. BTW (By The Way- a propósito), se você tem o inglês como ESL ( English as a Second Language- inglês como segunda língua), precisa saber da existência de algumas siglas, abreviações ou acrônimos desse idioma.

OMG! (Oh My God/Gosh/Goodness – Oh Meu Deus)! São tantas! NP! (No Problem! Não tem problema!) Como você é VIP (Very Important Person- pessoa muito importante), vão alguns exemplos comumente utilizados como você viu ao longo do texto. Para outras sugestões, veja em : link 1  e link 2.

HTH (Hope This Help- Espero que isto ajude).

P.S. (Post Scriptumescrito depois)

EXPRESS YOUR SOLIDARITY WITH VICTMS OF HUMAN TRAFFICKING!

Caso você saiba de alguém vítima desse crime, DIY (Do It Yourself- Faça Você Mesmo) a denúncia:

monica-2Fig.4 Disk denúncia

THX /TKS! ( Thanks – Obrigado(a)!)

Mônica Mota

Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Radiola PW: Acorde, Brasil

Oi, turma! Tudo bem? A dica de hoje da Radiola PW é a música Acorde, Brasil, do cantor e compositor Julinho Marassi. Embora tenha sido composta no ano 2000, a música continua atual, principalmente quando fala da nossa realidade política e expõe práticas comuns do universo artístico do país. A obra foi gravada, pela primeira vez, em 2002, no CD Julinho Marassi e Gutemberg Ao Vivo. A dupla é oriunda de Barra Mansa, Rio de Janeiro.

Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016
Fig. 1: Julinho Marassi e Gutemberg. Imagem: captura de tela feita em 13 de setembro de 2016

Logo no início da letra, o eu lírico mostra toda a sua revolta diante das coisas que vê. As três primeiras estrofes já trazem um tom crítico e mostram que o personagem não quer continuar aceitando ser “marionete” para o “sistema”:

Resolvi abrir o jogo agora,
Sai da frente, que eu não tô brincando,
Tô entrando com o pé na porta,
Fala sério: o bicho tá pegando!


Me cansei de aguentar calado,
Não nasci pra acompanhar rebanho,
Estar na mão de quem não sabe nada,
“Prestenção” no que eu estou falando

Não adianta você ser sincero,
Ser honesto e ter bom coração,
Se você não entra no sistema
Fica fora da programação

Em seguida, Julinho fala de forma mais contundente sobre os conchavos existentes no universo artístico e cultural do Brasil, em que alguns “escolhidos” são eleitos por pura conveniência. Para introduzir o tema, cita a mídia, que contribui bastante para que tal prática seja perpetuada no país:

Quantos homens bons morreram cedo,
Que podiam ajudar você
Quantas pragas continuam vivas
No jornal, no rádio e na TV

É difícil ser o escolhido,
Sem padrinho, sem um pistolão,
Mas, amigo, o sol nasceu pra todos,
Acredite na sua canção

Nas estrofes seguintes, o compositor fala diretamente para os políticos do Brasil. Em ano de eleições municipais, é importante atentar para a conduta, o histórico de vida pública e as propostas dos candidatos, para fazer as cobranças necessárias no futuro:
[…]

Com licença, agora eu vou falar
Pra todos os políticos que vivem no Brasil
Se liga!
Cadê seu ideal,
De quando era novo?
Nada te segurava,
Você veio do povo

Você não tinha medo
Agora se calou
Entrou no ninho de cobras
Na gente, nem pensou

Se sente ameaçado?
Bota a boca no mundo
Sai limpo da história
Sai desse lixo imundo

[…]

No refrão, uma crítica forte e realista da situação brasileira. Julinho faz um retrato do país, enfatizando as diferenças sociais existentes por aqui. Ainda toca em outra questão delicada: a religiosidade. Nos versos, ele destaca como as mais variadas denominações religiosas se apropriaram da televisão para, nas suas palavras, fazerem disso um “meio de vida”:

Classe média tá desesperada,
Classe baixa tá passando fome,
Classe alta tá dando risada,
Deus me ajude a igualar os homens

Religião virou meio de vida,
Tomou conta da televisão,
Cidadão, “cê” não precisa disso,
Deus tá dentro do seu coração

Em Acorde, Brasil, Julinho Marassi faz um convite para a gente abrir os olhos (física e metaforicamente), a fim de perceber como práticas desrespeitosas se repetem no país. Muitas vezes, por comodismo, não fazemos quase nada para mudá-las. Precisamos acordar! E você: está acordado (a) ou dormindo?

Até o próximo!

Raulino Júnior

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

Escola e Cidadania

Estamos em um momento político bastante conturbado e, entre tantas interrogações sobre o destino do país, cabe pensar também em quem somos nós e como se dá nossa participação neste cenário. E, especificamente pelo tipo de leitores que temos, refletir sobre o papel dos professores e estudantes nesse processo.
A escola é uma das instituições sociais que deve se comprometer com a formação cidadã, definida como um dos princípios básico da vida desde a constituição de 1988. Nenhum novo projeto como “escola sem partido” poderá negar-lhe esta tarefa.
Sabemos que cabe à escola formar pessoas bem informadas, críticas, criativas e capazes de atuar decisivamente na sociedade; sim, todos sabemos, mas em que situações trabalhamos em prol deste objetivo que tanto valorizamos? As atitudes dos nossos estudantes, nas escolas ou nas manifestações políticas surgem como reflexo deste trabalho?
A ideia de “formar cidadãos” se propaga largamente e, se não apurarmos os sentidos, muito mais que os ouvidos, somos capazes de pensar que todas elas atuam exatamente do mesmo modo e para a mesma finalidade. Isso porque os discursos coincidem de jeito espantoso. Grande parcela dos educadores acaba fazendo um trabalho intuitivo já que a cidadania não ocupa nos projetos didáticos o lugar que merece. Em geral, a prática contraria a teoria. “Formar cidadãos” é uma expressão que exprime conceitos importantíssimos, mas deslocada do contexto histórico e teórico em que foi pensada, reduz-se a um simples jargão. Cidadania é essencialmente consciência de direitos e deveres e exercício da democracia: direitos civis,direitos sociais, direitos políticos, etc. Cidadania numa concepção mais ampla, se manifesta na mobilização da sociedade para a conquista de novos direitos e na participação direta da população na gestão da vida pública. Se uma instituição de ensino não reconhece a cidadania como um valor, certamente não educa para a vida em sociedade.

cidadania-adeliateixeira
Há, entretanto, escolas que estão envolvidas nesta tarefa, muito atentas, portanto para a dimensão política de seus currículos e seus projetos educativos. Todo projeto de educação é, afinal, ao mesmo tempo, político e pedagógico. Como diz Moacir Gadotti, professor titular da Universidade de São Paulo, “Na verdade o pedagógico já é político. Contudo, para realçar o caráter político do projeto pedagógico é que inserimos o adjetivo “político”. É assim que se cria uma alternativa a um projeto com visão meramente burocrática e técnica.
Para orientar os futuros cidadãos rumo ao seu desenvolvimento como seres de direitos e deveres é fundamental planejar a construção de meios intelectuais, de saberes e de competências que são fontes de autonomia, de capacidade de se expressar, de negociar, de mudar o mundo. E este exercício começa muito cedo, desde a educação infantil, prolongando-se no Ensino Fundamental e Médio, sempre que se estimule a participação e tomada de decisão em diversos movimentos da escola.