Setembro Amarelo: vamos falar abertamente!

Hoje vamos falar de assunto complexo, considerado tabu, mas muito importante: o suicídio. Também vamos refletir juntos as ações preventivas do Setembro Amarelo e o bullying nas escolas.

Segundo pesquisa da UNICAMP, “17%dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida, e desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Na maioria das vezes, no entanto, é possível evitar que esses pensamentos suicidas virem realidade.”

Fig. 1 – Cartaz da campanha Setembro Amarelo. Fonte: http://www.cvv.org.br

Relatório Mundial sobre Violência e Saúde revelou que dentre os atos de violência que mais matam no mundo,  o suicídio é o primeiro colocado, à frente dos acidentes de trânsito, os homicídios  e os conflitos armados.

O Setembro amarelo é uma campanha que foi lançada no Brasil em 2014, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV)Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Seu objetivo é alertar a população sobre a realidade do suicídio e suas formas de prevenção. Vale ressaltar que o CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo pelo telefone 144 ou 3322-4111 para Salvador. Também pode ser feito contato por  e-mail, chat e Skype , 24 horas por dia.

Fig. 2 – Mapa do suicídio no Brasil. Fonte: Editora de Arte/Folhapress

A primeira medida preventiva é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já aconteceu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde hoje 32 pessoas por dia tiram a própria vida. Por isso, é essencial deixar os preconceitos de lado e conferir alguns dados básicos sobre o assunto.

Fig. 3 – Cartilha sobre Bullying. Fonte: Conselho Nacional de Justiça

Os motivos que levam uma pessoa a um ato tão brutal são variados, mas ultimamente temos também notícias de jovens que não suportaram as humilhações sofridas na escola. São coisas chocantes, mas que também precisam ser discutidas e prevenidas.

Na cartilha “Falando sobre o suicídio”  encontramos 14 perguntas sobre o suicídio e umas delas é: “O SUICÍDIO PODE SER PREVENIDO? Sim. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. No Brasil, o CVV – rede voluntária de prevenção – atua nesse sentido há mais de 50 anos. Recentemente, foi iniciado um movimento de políticas públicas para traçar planos integrados de prevenção.”

Uma importante pesquisa sobre o bullying   buscou identificar e descrever a ocorrência do bullying, episódios de humilhação ou provocação perpetrados pelos colegas da escola. Foi realizada com estudantes do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais dos estados brasileiros e do Distrito Federal. Abrangendo  60.973 escolares de 1.453 escolas públicas e privadas, a pesquisa revelou que cerca de 32 % da amostra sofreu bullying, sendo que 5.4% frequentemente e 25,4% às vezes. O resultado aponta para a  “urgente necessidade de ações intersetoriais a partir de políticas e práticas educativas que efetivem redução e prevenção da ocorrência do bullying nas escolas.”

O Projeto de Lei 3015/11 instituiu 7 de baril como o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola.  A data foi escolhida de acordo com o conhecido Massacre de Realengo, onde o jovem W.M.O, de  23 anos invadiu a escola e disparou  os alunos presentes, matando doze deles (com idade entre 13 e 16 anos) e deixando mais treze feridos. Interceptado por policiais,  ele cometeu suicídio e na carta que deixou dizia que era vítima de bullying.

Na escola, onde cabem todas as discussões e todas as possibilidades de abordagem pedagógica, sugerimos o vídeo interdisciplinar sobre bullying “Respeito é bom e eu gosto! Também sugerimos ampliar a discussão para o ciberbullying, tão comum nas redes sociais e aplicativos de comunicação.

Fig. 4 – Vídeo da série Cotidiano. Fonte: Rede Anísio Teixeira

A música “8º andar”, da Clarice Falcão (que trata com humor da temática)  e o documentário  “Elena“, da Petra Costa, (sobre o suicídio da irmã da cineasta) podem contribuir muito para a discussão. Fiquem à vontade para dar asas à criatividade e buscar formas interdisciplinares de sensibilizar a comunidade escolar para o Setembro Amarelo.

Mãos à obra!

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual da Bahia

 

Links  recomendados

 

https://oprofessorweb.wordpress.com/2012/07/25/cine-pw-bullying

https://oprofessorweb.wordpress.com/2012/02/13/semana-da-internet-segura-cyberbullying

https://oprofessorweb.wordpress.com/2011/04/14/bullying-e-tema-de-cartilha-lancada-pelo-tribunal-de-justica-da-bahia

Preconceito não!

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Fig. 1: Caminhada Caboclo Marcellino. Fotograma do videoclipe “Preconceito Não”.

Olá, pessoal!

Já vivi muitas experiências relacionadas ao local onde nasci, onde cresci, onde estudei, onde morei, onde trabalhei… Vim de São João do Panelinha, comarca de Camacan. Passei por Itabuna e vim parar em Salvador, pra daqui viajar por outros mundos, com mais experiências relacionadas ao meu sotaque, minha origem. Um dia consegui entrar para o staff de uma compahia aérea (na época era uma grande ousadia!). Em um determinado turno de trabalho, um passageiro perguntou por que eu era o único estranho naquele ninho, mas não, exatamente, com essas palavras. De modo sutil, ele se referiu ao meu nariz, que era bem diferente do dos meus colegas. Cortez ou politicamente correto? Na ocasião, eu ainda não tinha a resposta, mas esta começou a ser elaborada, a partir do que foi dito àquele passageiro. Disseram sobre mim: “ele fala inglês!”. Até então, eu achava que seriam outros os motivos que teriam me levado a trabalhar naquela empresa – e no aeroporto! Mas foi o inglês que “afilou” o meu nariz, fazendo eu me “parecer” igual aos colegas que não falavam nenhuma língua estrangeira, mas que tinha a tal boa aparência exigida. Eu tinha passado pelo processo de embranquecimento (cultural) que mais tarde vim saber.

Na verdade, o que há de maior nisso tudo é a Educação. Quando uma pessoa abre a boca, demonstra de onde vem e quanta bagagem carrega. A Educação – formal e informal – é, portanto, o passaporte para todos os mundos! Quando concluí a faculdade, troquei o aeroporto pela sala de aula, com mais ferramentas na sacola.

Recentemente, estivemos entre os indígenas de Olivença, mais precisamente entre os Tupinambá, para realizarmos o Curso de Interpretação e Produção de Vídeos Estudantis, na Escola Estadual Indígena Tupinambá de Olivença. Antes de irmos, nos disseram muitos “tenham cuidado!”

Ah se pudessem ver por baixo da pele, por trás do nariz desafilado, por dentro do coração…

Realizamos o curso e, desse encontro, descobri muitas coisas sobre mim, incluindo a origem do meu nariz, aludindo, aqui, a postagem da professora Valdineia Oliveira sobre nossa ancestralidade. Curti quando me disseram que eu me parecia com um deles. Aliás, quando falei a eles do lugar onde nasci, logo disseram “você deve é um Kamakã!”. 

Infelizmente, também percebemos que muitos negam sua origem, principalmente pela falta de informação ou das informações tendenciosas que fomentam preconceitos e espalham o terror. Do curso, surgiu o filme sobre o Caboclo Marcellino, um herói para os indígenas. Marcellino, que sabia ler e escrever, foi perseguido e preso  por defender o direito às terras ocupadas. Os parentes – modo de se referir aos demais indígenas – foram torturados, enquanto os jornais da época tratavam o herói como bandido. Nesse contexto, muitos abandonaram a identidade indígena, o que favorecia, grandemente, os coronéis.

Finalizado o filme, retornamos a Olivença para o seu lançamento e colhemos outra pérola: um videoclipe com o tema “preconceito não” cuja letra e canção foram feitas pelo indígena Juninho que, inclusive, já tinha participado do FACE, um dos projetos estruturantes da Secretaria da Educação do Estado da Bahia. Sim: indígenas escrevem, hoje, com vários instrumentos, pra todo mundo ler.

Vejam o video clipe Preconceito Não e o documentário sobre o curso de interpretação.

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/incorporar-conteudo/id/4171

Geraldo Seara

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia 

Cine PW – Bichas, o documentário

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Fig. 1: Divulgação

Olá, cinéfilos! Tudo bem?

Estamos na semana de Gênero e Sexualidade e, para fomentar essa discussão, o Cine PW traz a obra “Bichas, o documentário”, um filme que retrata a vivência de seis jovens e as barreiras sociais que são encontradas no dia a dia. Dirigido por Marlon Parente, esse documento propõe uma revisão no olhar sobre a palavra “bicha”, que é comumente usada de forma ofensiva para ser tomada como um elogio, através da afirmação e do orgulho de ser homossexual.

O documentário, que foi lançado dia 20 de fevereiro de 2016, apresenta também um diálogo sobre a violência e a intolerância, através das histórias que são contadas. As falas dos entrevistados provocam uma reflexão sobre os efeitos da heteronormatividade na construção sociocultural, nas relações familiares e nos diversos ciclos sociais.

Os crimes causados por homofobia ainda são alarmantes no Brasil e no mundo. E tudo isso é simplesmente causado pelo não entendimento sobre a diversidade no mundo. E é para isto que as discussões devem existir: para normalizar a diversidade, colocar luz sobre um mundo plural e múltiplo e desconstruir a mentalidade de que não é possível conviver com as diferenças.

Daí a necessidade de trazer essas reflexões para todas as esferas da sociedade. Para que os erros de hoje não aconteçam amanhã, e que o ódio deliberado seja trocado pelo respeito mútuo, acreditando que o avanço social depende da compreensão ampla de mundo.

Vamos assistir!

 

Vitor Moreira

Colaborador da Rede Anísio Teixeira

Cine Documental – Minha Escola, Meu Lugar – Colégio Estadual Governador Lomanto Júnior

Olá, pessoal!

O quadro Minha Escola, Meu Lugar, do programa Intervalo, apresenta a influência histórica e sociocultural de uma Unidade Escolar baiana com seu município ou seu bairro. Neste episódio, a escola evidenciada é o Colégio Estadual Governador Lomanto Júnior, no bairro de Itapuã.

Itapuã localiza-se no litoral norte, distanciando-se 25 Km do Centro de Salvador. A palavra itapuã tem origem indígena e significa “pedra inclinada ou de ponta”, segundo Oliveira (2009). Entretanto, seus moradores costumam dizer que esse significado corresponde à “pedra que ronca”. Nesse bairro, a miscigenação é muito presente. Anualmente, ocorre a Lavagem de Itapuã, onde adeptos do candomblé e da igreja católica reverenciam nossa Senhora da Conceição. O grupo afro Malê Debalê, criado em 23 de março de 1979 e instalado no Parque Metropolitano do Abaeté, representa a forte influência afrodescendente.

O Colégio Estadual Governador Lomanto Júnior foi fundado em 07 de março de 1964, através da portaria 19.140, exatamente na gestão do então governador da Bahia, Antônio Lomanto Júnior. Inicialmente, a escola funcionava na sede provisória do Clube Pinaúna (atual Clube Cassas), entre os anos de 1964 e 1965. Nessa época, possuía 134 alunos matriculados e teve como primeira diretora a professora Candolina Rosa de Carvalho Cerqueira.

Quer conhecer mais da história de Colégio Lomanto Júnior e do bairro de Itapuã? Então, assista ao Minha Escola, Meu Lugar – Colégio Lomanto Júnior. Professores, dirigentes escolares, estudantes, ex-alunos e antigos moradores participam dessa produção, mostrando suas impressões acerca do colégio e de sua relação com a cultura e educação dessa localidade.

Aprecie e até a próxima!

LOMANTO

Clique na imagem para assistir ao vídeo.

Fonte:

OLIVEIRA, O. J. R. Turismo, Cultura e Meio Ambiente – estudo de caso da Lagoa do Abaeté em Salvador – Bahia.  Brasília – DF: Centro de Desenvolvimento Sustentável. Universidade de Brasília, 2009.

Cine Documental – Minha Escola, Meu Lugar em Cachoeira

Olá, pessoal!

O quadro Minha Escola, Meu Lugar, do programa Intervalo, apresenta a influência histórica e sociocultural de uma Unidade Escolar baiana com seu município ou seu bairro. Neste episódio, a escola evidenciada é o Colégio Estadual da Cachoeira e essa cidade do Recôncavo Baiano.

Cachoeira está localizada a 120 Km de Salvador, às margens do Rio Paraguaçu. Lá, a história é viva em suas ruas calçadas com paralelepípedo, na arquitetura de seus prédios e igrejas, na ponte imperial D. Pedro II e do próprio Colégio Estadual da Cachoeira, primeira instituição de ensino desse município.

Pois é! Este é um convite para você conhecer um pouco dessa história e da relação entre o Colégio da Cachoeira e sua cidade. Aprecie e até a próxima!

Minha Escola, Meu Lugar – Colégio Estadual da Cachoeira

Clique na imagem para assistir ao vídeo

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Vamos contar um conto?

O episódio em questão do quadro Ser professor, do programa Intervalo, fala sobre a arte de contar um conto. Neste episódio, apresentaremos o projeto da professora Gilbene Esquivel – O prazer do conto. O projeto consiste na utilização da literatura de cordel como ferramenta cultural e identitária para o ensino de história.

Imagem: captura de tela

Imagem: captura de tela. Clique na imagem para assistir ao vídeo.

A professora Gilbene Esquivel leciona no Colégio Estadual Germano Machado Neto, localizado no bairro de Marechal Rondon. Ela realiza um trabalho que alia os conteúdos de história à poesia, utilizando como metodologia o cordel como instrumento de ensino e aprendizagem. Esse trabalho se inicia com oficinas, ministradas pela arte-educadora Gilbene Esquivel, com duração de 10 horas: 4 horas para o ensino do cordel, 2 horas para conhecerem a vida do escritor baiano e 4 horas destinas à produção do cordel. Segundo a professora, “é muito bom trabalhar o cordel com os alunos e ver o seu desenvolvimento. No início das oficinas, eles não sabem o que é, mas depois eles adoram e começam a brincar com as rimas. Ser Professor é ajudar o aluno a construir seu ser […]”

Vamos nessa conferir?

Fui!

Peterson Azevedo

Professor da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Ser Professor: Urânia Viana

Fala, galerinha!

Foto: Peterson Azevedo

Foto: Peterson Azevedo

O episódio em destaque de hoje, do quadro Ser professor, do programa Intervalo, fala de literatura e música. Apresentaremos o projeto da Professora Urânia Vianna – De onde vêm…Grandes Ideias? As muitas faces de Vinícius de Moraes.

A professora Urânia é uma inovadora no que se refere à metodologia de projetos. Professora do Colégio Estadual Rotary, localizado no bairro artístico de Itapuã, Urânia propõe a prática de leitura e criação de trovas e cordéis, com o objetivo de familiarizar o aluno do 1º. Ano do Ensino Médio com a arte da poesia, bem como estabelecer ligação com a poesia medieval portuguesa.

Foto: Peterson Azevedo

Foto: Peterson Azevedo

O projeto tem como foco a criação de trovas e cordéis a partir da leitura e estudo dos poemas e crônicas de Vinícius de Moraes, bem como a audição de suas músicas e a abertura de uma exposição com a produção dos alunos, numa forma criativa, lúdica e divertida de homenagear esse grande poeta brasileiro.

 

 

 

Foto: Peterson Azevedo

Foto: Peterson Azevedo

“Ser professor, pra mim, é ser capaz de encantar o aluno em sala de aula, através de novas ideias (…)”

Fui!

 

 

 

 

 

 

Clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo.

Imagem: captura de tela

Imagem: captura de tela

 

Texto e Fotos: Professor Peterson Azevedo