Translúcida: transgeneridade em foco

Vamos refletir sobre ética, cidadania, direitos humanos, diversidade de gênero e sexual a partir de um filme realizado por estudantes e professores como vocês?

O interessante curta Translúcida foi escrito e dirigido por Neto Asterio e com produção de Carlos Miguel Brandão da Silva e Paula Maiele Silva Oliveira, todos estudantes  3º ano do ensino médio do Colégio Profª Olgarina Pitangueira Pinheiro, situado em Conceição do Coité.

Fig.1 Vera, personagem principal de Translúcida.

Selecionado pela Mostra da Produção Visuais Estudantis (Prove), Translúcida aborda um tema atual, a transgeneridade. A personagem Vera, se sente humilhada por uma professora que insiste em lhe chamar pelo seu nome de registro , ao invés do nome social. Apesar do nome social ser utilizado há alguns anos em alguns estados brasileiros, a lei que o regulamenta em âmbito nacional só foi estabelecida recentemente, pelo  Decreto  8727 de 20 de abril de 2016, e entre outras coisas, diz o seguinte:

Art. 3o  Os registros dos sistemas de informação, de cadastros, de programas, de serviços, de fichas, de formulários, de prontuários e congêneres dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverão conter o campo “nome social” em destaque, acompanhado do nome civil, que será utilizado apenas para fins administrativos internos. (BRASIL, 2016)

Com apenas cinco minutos, o filme dá conta de aspectos importantes da temática, destacando os momentos em que Vera sente-se indignada, por não ter seus direitos respeitados quanto a sua identidade de gênero.  E ela recorre a diretora, expondo seu difícil cotidiano na escola, onde é objeto de bullying e discriminação.

O desafio de superar todas as barreiras do espaço escolar e continuar seus estudos faz de Translúcida um filme a ser visto para ser contextualizado e debatido. Os temas transversais Ética e Orientação Sexual permeiam o enredo e precisam ser mais discutidos na sala de aula. Será que nossos estudantes estão sendo preparados na para compreender a identidade de gênero e o respeito à diferença?

Até que ponto, os educadores também estão preparados para acolher o estudante transgênero e garantir seu direito à educação?

Vera faz sua reivindicação à diretora por tratamento digno e respeitoso, visto que conhece seu direito de usar banheiros, vestiários e espaços segregados por gênero. Reclama por não poder usar roupas, maquiagem ou adereços femininos , garantidos também por lei. E ela diz:

“Estar aqui na escola e ouvir xingamentos diariamente é difícil! Mas se eu faço isso, é pelas trans e travestis (…) que abandonam o colégio pela transfobia, só restando a prostituição e subempregos. Eu vivo num país que lidera o número de massacres a pessoas como eu…”

Ela reconhece a importância da educação como forma de mobilidade social. Mas quantos estudantes não resistem às pressões diárias e abandonam a escola? Quantos não suportam o peso do bullying? Quantos profissionais também não sabem lidar com o estudante trans e permitem que a violência verbal e atitudes antiéticas sejam perpetuadas?

Recomendamos que as escolas abram o debate sobre as possíveis sexualidades e que utilizem o vídeo Translúcida como elemento disparador de uma discussão ética, responsável e acima de tudo inclusiva. Para saber mais sobre a temática, dê um  click no vídeo Diversidade sexual . E você pode contribuir para a produção de vídeos com as mais variadas temáticas na sua escola! Afinal, o audiovisual está ao alcance de todos, não é ?

Fig. 2 – Diversidade sexual.

Guel Pinna

Professora da Rede Estadual de Ensino

Referências bibliográficas

COSTA, Ângelo Brandelli; NARDI, Henrique Caetano. Homofobia e preconceito contra diversidade sexual: debate conceitual. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2015000300015> Acesso em 16 mai. 2017.

FERNANDES DINIS, Nilson. Educação, Relações de gênero e diversidade sexual. Educação & Sociedade, vol. 29, núm. 103, mayo-agosto, 2008, pp. 477-492 . Disponível em : <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87314210009> Acesso em 16 mai. 2017.

MODESTO, Edith; Transgeneridade: um complexo desafio. Disponível em:<http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/57215/99115&gt; Acesso em 16 mai. 2017.

OLIVEIRA, Leidiane. Sequência didática Bullying. Disponível  em : <http://realptl.portugueslivre.org/realptl/wp-content/uploads/2016/11/SequenciaDidatica_Leidiane_final.pdf&gt; Acesso em : 16 mai 2017.

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Diversidade sexual. Disponível em : <http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos/conteudos-digitais/visualizacao/3329.webm> Acesso em 16 mai. 2017

REDE ANÍSIO TEIXEIRA. Respeito é bom. Disponível em : <http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3953> Acesso em 16 mai. 2017.

Setembro Amarelo: vamos falar abertamente!

Hoje vamos falar de assunto complexo, considerado tabu, mas muito importante: o suicídio. Também vamos refletir juntos as ações preventivas do Setembro Amarelo e o bullying nas escolas.

Segundo pesquisa da UNICAMP, “17%dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida, e desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Na maioria das vezes, no entanto, é possível evitar que esses pensamentos suicidas virem realidade.”

Fig. 1 – Cartaz da campanha Setembro Amarelo. Fonte: http://www.cvv.org.br

Relatório Mundial sobre Violência e Saúde revelou que dentre os atos de violência que mais matam no mundo,  o suicídio é o primeiro colocado, à frente dos acidentes de trânsito, os homicídios  e os conflitos armados.

O Setembro amarelo é uma campanha que foi lançada no Brasil em 2014, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV)Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Seu objetivo é alertar a população sobre a realidade do suicídio e suas formas de prevenção. Vale ressaltar que o CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo pelo telefone 144 ou 3322-4111 para Salvador. Também pode ser feito contato por  e-mail, chat e Skype , 24 horas por dia.

Fig. 2 – Mapa do suicídio no Brasil. Fonte: Editora de Arte/Folhapress

A primeira medida preventiva é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já aconteceu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde hoje 32 pessoas por dia tiram a própria vida. Por isso, é essencial deixar os preconceitos de lado e conferir alguns dados básicos sobre o assunto.

Fig. 3 – Cartilha sobre Bullying. Fonte: Conselho Nacional de Justiça

Os motivos que levam uma pessoa a um ato tão brutal são variados, mas ultimamente temos também notícias de jovens que não suportaram as humilhações sofridas na escola. São coisas chocantes, mas que também precisam ser discutidas e prevenidas.

Na cartilha “Falando sobre o suicídio”  encontramos 14 perguntas sobre o suicídio e umas delas é: “O SUICÍDIO PODE SER PREVENIDO? Sim. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. No Brasil, o CVV – rede voluntária de prevenção – atua nesse sentido há mais de 50 anos. Recentemente, foi iniciado um movimento de políticas públicas para traçar planos integrados de prevenção.”

Uma importante pesquisa sobre o bullying   buscou identificar e descrever a ocorrência do bullying, episódios de humilhação ou provocação perpetrados pelos colegas da escola. Foi realizada com estudantes do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais dos estados brasileiros e do Distrito Federal. Abrangendo  60.973 escolares de 1.453 escolas públicas e privadas, a pesquisa revelou que cerca de 32 % da amostra sofreu bullying, sendo que 5.4% frequentemente e 25,4% às vezes. O resultado aponta para a  “urgente necessidade de ações intersetoriais a partir de políticas e práticas educativas que efetivem redução e prevenção da ocorrência do bullying nas escolas.”

O Projeto de Lei 3015/11 instituiu 7 de baril como o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola.  A data foi escolhida de acordo com o conhecido Massacre de Realengo, onde o jovem W.M.O, de  23 anos invadiu a escola e disparou  os alunos presentes, matando doze deles (com idade entre 13 e 16 anos) e deixando mais treze feridos. Interceptado por policiais,  ele cometeu suicídio e na carta que deixou dizia que era vítima de bullying.

Na escola, onde cabem todas as discussões e todas as possibilidades de abordagem pedagógica, sugerimos o vídeo interdisciplinar sobre bullying “Respeito é bom e eu gosto! Também sugerimos ampliar a discussão para o ciberbullying, tão comum nas redes sociais e aplicativos de comunicação.

Fig. 4 – Vídeo da série Cotidiano. Fonte: Rede Anísio Teixeira

A música “8º andar”, da Clarice Falcão (que trata com humor da temática)  e o documentário  “Elena“, da Petra Costa, (sobre o suicídio da irmã da cineasta) podem contribuir muito para a discussão. Fiquem à vontade para dar asas à criatividade e buscar formas interdisciplinares de sensibilizar a comunidade escolar para o Setembro Amarelo.

Mãos à obra!

Guel Pinna

Professora da Rede Pública Estadual da Bahia

 

Links  recomendados

 

https://oprofessorweb.wordpress.com/2012/07/25/cine-pw-bullying

https://oprofessorweb.wordpress.com/2012/02/13/semana-da-internet-segura-cyberbullying

https://oprofessorweb.wordpress.com/2011/04/14/bullying-e-tema-de-cartilha-lancada-pelo-tribunal-de-justica-da-bahia